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DESTAQUEI ALGUNS PONTOS DO TEXTO DO GRANDE PROFESSOR, SÓ PARA VER SE CONSIGO PROVOCAR A LEITURA DO TEXTO INTEIRO (link to texto completo)

A Delinqüência Acadêmica – Maurício Tragtenberg

[DO PROFESSOR]

“A transformação do professor de ‘cão de guarda’ em ‘cão pastor’ acompanha a passagem da universidade pretensamente humanista e mandarinesca à universidade tecnocrática…”

[DOS PROFESSORES “MARXISTAS”]

“a crítica ideológica é feita nos chamados “cursos críticos”, que desempenham a função de um tranqüilizante no meio universitário. Essa apropriação da crítica pelo mandarinato universitário, mantido o sistema de exames, a conformidade ao programa e o controle da docilidade do estudante como alvos básicos, constitui-se numa farsa, numa fábrica de boa consciência e delinqüência acadêmica, daqueles que trocam o poder da razão pela razão do poder.”

[DOS ALUNOS]

“A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos que ela forma”

[DA SELEÇÃO DE MESTRADO E DOUTORADO]

“O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de “exclusão” que possui a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela ‘exclui’ o candidato.”

[SERÁ QUE EM 1978 ELE FALAVA JÁ DA UNICAMP DE HOJE E SUA “BASE MILITAR”, EM BUSCA DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO”

” ‘razão do Estado’ em detrimento do povo. Isso vale para aqueles que aperfeiçoam secretamente armas nucleares (M.I.T.), armas químico-biológicas (Universidade da Califórnia, Berkeley), pensadores inseridos na Rand Corporation, como aqueles que, na qualidade de intelectuais com diploma acreditativo, funcionam na censura, na aplicação da computação com fins repressivos em nosso país. Uma universidade que produz pesquisas ou cursos a quem é apto a pagá-los perde o senso da discriminação ética e da finalidade social de sua produção – é uma multiversidade que se vende no mercado ao primeiro comprador, sem averiguar o fim da encomenda, isso coberto pela ideologia da neutralidade do conhecimento e seu produto.

Em nome da ‘segurança nacional’, o intelectual acadêmico despe-se de qualquer responsabilidade social quanto ao seu papel profissional”

[CONGRESSOS ACADÊMICOS COMO MERCADO HUMANO]

“Enquanto este encontro de educadores, sob o signo de Paulo Freire, enfatiza a responsabilidade social do educador, da educação não confundida com inculcação, a maioria dos congressos acadêmicos serve de ‘mercado humano’ ” [PAULO FREIRE, PERSONA NÃO GRATA NA NOSSA BUROCRACIA UNIVERSITÁRIA.]

[AQUI O GRANDE PROFESSOR MAURÍCIO TRAGTEMBERG ESQUECEU UM ADJETIVO PARA ESSA…]

“Estritamente, o mundo da realidade concreta e sempre muito generoso com o acadêmico, pois o título acadêmico torna-se o passaporte que permite o ingresso nos escalões superiores da sociedade: a grande empresa, o grupo militar e a burocracia estatal. O problema da responsabilidade social é escamoteado, a ideologia do acadêmico é não ter nenhuma ideologia, faz fé de apolítico, isto é, serve à política do poder”

[ESTES “DELINQUENTES ACADÊMICOS” EU OS CHAMEI, QUASE ROMANTICAMENTE DE GIGOLÔS]

“A separação entre ‘fazer’ e ‘pensar’ se constitui numa das doenças que caracterizam a delinqüência acadêmica – a análise e discussão dos problemas relevantes do país constitui um ato político, constitui uma forma de ação, inerente à responsabilidade social do intelectual

Ao analisar a “crise de consciência” dos intelectuais norte-americanos que deram o aval da “escalada” no Vietnã, Horowitz notara que a disposição que eles revelaram no planejamento do genocídio estava vinculada à sua formação, à sua capacidade de discutir meios sem nunca questionar os fins, a transformar os problemas políticos em problemas técnicos, a desprezar a consulta política, preferindo as soluções de gabinete, consumando o que definiríamos como a traição dos intelectuais. É aqui onde a indignidade do intelectual substitui a dignidade da inteligência”

[O CEMITÉRIO DOS VIVOS]

“A delinqüência acadêmica se caracteriza pela existência de estruturas de ensino onde os meios (técnicas) se tornam os fins, os fins formativos são esquecidos; a criação do conhecimento e sua reprodução cede lugar ao controle burocrático de sua produção como suprema virtude, onde ‘administrar’ aparece como sinônimo de vigiar e punir – o professor é controlado mediante os critérios visíveis e invisíveis de nomeação; o aluno, mediante os critérios visíveis e invisíveis de exame. Isso resulta em escolas que se constituem em depósitos de alunos, como diria Lima Barreto em ‘Cemitério de Vivos’ “.

[OS DEPARTAMENTOS, AGORA, FORAM SUBSTITUÍDOS PELOS NÚCLEOS, FUNDAÇÕES E PANELINHAS. ESTAMOS PIOR QUE NA DITADURA]

“A participação discente não constitui um remédio mágico aos males acima apontados, porém a experiência demonstrou que a simples presença discente em colegiados é fator de sua moralização”

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ABAIXO, ALGUNS PONTOS DESTACADOS DO ARTIGO DA MARILENA CHAUÍ(clique aqui para ler o texto completo)

USP 94: A Terceira Fundação – Marilena Chauí

[MODERNIZAÇÃO RACIONALIZADORA]

“Imperceptivelmente, a estrutura e a organização da Universidade de São Paulo transformaram-se, apesar de críticas, alertas e discussões acaloradas. Se, em certas ocasiões, como durante os dois primeiros congressos realizados pela Adusp, ou durante a formulação e votação dos estatutos da Universidade, ou nas campanhas por eleições diretas das direções universitárias, parecia ser clara a percepção do risco iminente de uma reorganização da universidade bastante distanciada dos ideais da escola e da pesquisa públicas, da ênfase na qualidade da docência e nas formas de avaliação dos trabalhos e títulos acadêmicos, hoje esses temas possuem um tom nostálgico e envelhecido, sob o impacto do que se convencionou designar como modernização racionalizadora. Em suma, o que muitos pressentiam como risco possível, tornou-se realidade.”

[NÃO TÊM ORIGEM PÚBLICA E NÃO SÃO PUBLICIZADOS]

“A escola de complementação salarial é aquela em que as pesquisas são financiadas por empresas e organismos privados que subsidiam a montagem e manutenção de laboratórios, bibliotecas e equipamentos, congressos e simpósios nacionais e internacionais, publicações, bolsas, viagens e cursos no estrangeiro. Como esses recursos externos são vinculados pelos órgãos financiadores direta e autonomamente a institutos e departamentos, orçamentos, finalidades e resultados dos trabalhos não são públicos, no duplo sentido do termo, isto é, não têm origem pública e não são publicizados. Além disso, os financiadores fazem uso privado”

[A UNIVERSIDADE PÚBLICA FOI DERROTADA]

“os debates do final dos anos 70, é fantástico perceber que, atualmente, a USP concretiza tudo quanto foi combatido durante quase três decênios”

[NÚCLEOS E FUNDAÇÕES: LUCRO E CONTROLE. ]

As transformações da USP, iniciadas ao longo dos anos 70 e, hoje, consubstanciadas na absorção irrefletida do modelo neoliberal tiveram como data de nascimento a instalação de fundações privadas no interior da universidade. No batismo, receberam o nome de modernização pela ampliação de recursos externos. No dia do crisma, foram confirmadas como avaliação do desempenho e produtividade universitários.

One Response to Textos

  1. Mário Martins de Lima disse:

    DINHEIRO NA MEIA,DINHEIRO NA CUECA…

    Nem vou comentar esta notícia, pois, como diz o Lula, as imagens não falam por si mesmo. Concordo. O pior é o que não aparece em imagens. Temos um sistema corrompido de alto a baixo, inclusive atinge até o guarda da esquina.

    O que me deixou pensativo foi um imagem, tratanto das manifestações contra o mensalão do DEM, nem mesmo a violência policial me comove muito, pois não vivemos mais na ditadura, onde todas as pessoas, com um mínimo senso de liberdade, ficavam horrizadas e furiosas. Hoje o cacete e as bombas são de um governo democrático e popular (e ponha popular nisso). O que me deixou prá baixo, sem saber onde colocar as mãos, foi um entrevista com o Deputado Federal do PSOL, Chico Alencar. Ele disse que não sabia da manifestação em frente ao congresso, que viu pela janela do gabinete e resolveu descer. E me parece que só ele desceu, o que é já uma distinção para o Deputado Chico Alencar. Mas um deputado do PSOL, partido que nasceu criticando a corrupção do mensalão do PT, não saber que haverria uma manifestação contra a corrupção debaixo da sua janela ,para mim foi realmente triste. Me sinto cada vez mais sozinho e desolado, quando vejo qualquer político na televisão. Parece que eles vivem em outro mundo. Ou vivem mesmo?

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