Existem humanos nos mais baixos patamares da escala social?

02/06/2012

Existem humanos nos mais baixos patamares da escala social?

Mário Augusto Medeiros da Silva

[NOTA INTRODUTÓRIA: SE ASSISTIR AO VÍDEO DE BORIS CASSOY ATÉ O FIM, OU INDO ATÉ O FIM, TERÁ ACESSO A VÁRIOS VÍDEOS COM A REPERCUSSÃO DO CASO – Mário Martins]

Trinta e um de dezembro de 2009, noite de virada. As pessoas
comemoram, como querem ou como podem, a passagem entre os anos. As
imagens são triviais acerca desse evento e compartilhadas, no
imaginário coletivo, por quase todos: famílias se reunindo, amigos
confraternizando, cidades iluminadas, gente circulando por aí com um
sorriso nos lábios. Vez ou outra, pessoas dormindo nas ruas, alguma
reportagem sobre os que perderam o rumo de casa (ou que não querem,
decididamente, voltar para lá), sobre a solidão nas metrópoles ou
sobre aqueles que trabalham nessas datas a que é dado a quase todos o
direito de relaxar. O de sempre, quase sempre.

Quem estava diante da televisão, sintonizado na programação
aberta, precisamente na Rede Bandeirantes, via a gravação do Jornal da
Band, apresentado por Bóris Casoy. Não interessa discutir a falta de
opção, gosto ou solidão do telespectador. Inúmeros se encontravam
nessa situação. E puderam ver aquele que, de há muito tempo, se
embandeirou como um defensor da moralidade pública da classe média,
criador e propalador do bordão Isto é uma vergonha!, comentar uma cena
trivial, típica de fim de ano: pessoas entrevistadas nas ruas,
instadas a desejar um feliz natal, próspero ano novo para a câmera da
tevê. Típico.

Uma dupla de garis, vestidos com uniformes laranjas, fazem o que
lhe foi pedido. Feliz 2010 etc., dizem, alegres, os companheiros de
trabalho, ambos idosos, encerrando aquela parte do bloco. Chamada a
vinheta, o âncora do jornal, inadvertido pelo áudio ainda aberto, faz
seus comentários sobre a cena: “Que merda, dois lixeiros desejando
felicidades…do alto de suas vassouras. Dois lixeiros! O mais baixo
da escala do trabalho…”. As imagens correram a internet e podem ser
vistas no Youtube (por exemplo, no endereço

http://www.youtube.com/watch?v=0H9znNpeFao). No dia seguinte, Casoy,
levemente constrangido, afirma no começo do telejornal: “Ontem,
durante o intervalo do Jornal da Band, num vazamento de áudio, eu
disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis. Por isso, quero pedir
profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da
Band”. (ver, por exemplo, o endereço

Para a emissora e para o jornalista, a história acabava por aí,
simples assim. Não para os garis. Ofendidos e humilhados, Francisco
Gabriel de Lima e José Domingos de Melo deram entrevista, nos
primeiros dias de janeiro, à Folha Online, dizendo como se sentiram ao
aparecer na televisão para desejar boa virada no Jornal da Band e como
ficaram depois dos comentários de Casoy (ver
http://www.youtube.com/watch?v=OoQrkA3oQfQ). A fala de Lima é
distintiva: “Fiquei muito feliz de poder falar[…] Pensava que ia
fazer uma coisa bonita, falar no Jornal da Band. Prá mim foi uma
tragédia”. Os sindicatos que representam os trabalhadores de serviço
de limpeza urbana, bem como garis individuais, moveram três ações
judiciais contra Casoy e a emissora de televisão, no dia 06/01/2010
(http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/garis-movem-tres-acoes-contra-boris-casoy-e-band-20100106.html).
No dia 03 de março, a ação civil pública foi julgada em São Paulo e
ambos, emissora e âncora, foram absolvidos de pagar indenização por
danos morais aos garis
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u701860.shtml).
Fim.

As informações acima são notícias velhas. Vejamos outras. Nesta
última semana, a Folha de São Paulo divulgou reportagem sobre a garota
23225. A adolescente é uma menina, cuja identidade é preservada nos
jornais, em função do Estatuto da Criança e Adolescente, através do
número de seu prontuário de internação no Hospital Psiquiátrico Pinel,
em São Paulo. Há quatro anos, ela foi levada ali por ser uma garota
difícil. 23225 foi considerada “[…] inteligente, agressiva,
indisciplinada, sem respeito, fria e calculista”. E por isso,
abandonada por 1500 dias (e contando) na instituição (ver: Menina é
‘esquecida’ no Pinel por 4 anos, Folha de São Paulo, 21/03/2010,
Cotidiano, p. C5;
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2103201005.htm). Para
acrescentar má sorte ao seu infortúnio, seu caso veio à tona na mesma
semana em que se constituiu um júri popular para julgar o caso
Nardoni, cuja repercussão ofuscou toda e qualquer outra notícia nos
últimos dias – até mesmo de agressões e assassinatos de outras
crianças em famílias de classe média.

Mas quem é 23225? De acordo com Laura Capriglione, responsável
pela matéria da Folha, é hoje uma garota com quinze anos, cuja mãe,
dependente de crack, se encontra condenada a prisão por sete anos, em
função de tráfico de drogas. Sobre seu pai, nada consta. A avó
materna, responsável pela menor desde a prisão da mãe, não a quer.
Desde os quatro anos, a avó já a havia colocado num abrigo para
crianças de famílias desestruturadas. Ela afirma não ter condições de
cuidar de 23225, pelos motivos que se encontram em seu prontuário. E
também por agora ter conseguido um emprego de auxiliar de serviços
gerais, que paga R$480,00 e tem carteira assinada. A senhora é
categórica: “Não vou pôr a perder por causa dela”. O julgamento moral
sobre esta senhora é o que menos importa aqui. Amor filial não é
automático. E, ao que parece, um salário mínimo com carteira assinada
e benefícios, neste caso, faz toda diferença na balança dos afetos.

Sobrou, então, para o Pinel. Desde 2005, data da internação, é
diagnosticado que a menina não possui problema algum que justifique
sua entrada ali na sua Clínica de Infância e Adolescência. Segundo o
diretor da instituição, o psiquiatra Eduardo Guilherme Guidolin, tem
sido feito um périplo através de diversos abrigos municipais para
menores, para a acolhida de 23225. Várias instituições de São Paulo e
arredores se negaram a recebê-la, onde teria um lugar para morar,
possibilidade de estudar e receber atenção psicológica. As alegações
são: ou não há vagas ou não é de bom tom receber alguém com “passagem
pelo Pinel”. A máquina pública negando a si própria. Em 10 de novembro
de 2009, o diretor do Pinel encaminhou ofício ao Ministério Público
Federal sobre a situação de 23225, bem como de outros menores que se
encontram na mesma situação que ela.

Como sempre pode piorar, no dia 24/03/2010, Laura Capriglione
escreve a matéria: “Polícia apura estupro de menina do Pinel”
(http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2403201007.htm). O crime
teria sido cometido em fevereiro, por funcionário de segurança,
contratado por firma terceirizada, dentro do Hospital Psiquiátrico.
Depois de flagrado, o acusado fugiu. E agora o caso corre em segredo
de Justiça. Desde então, nada mais foi publicado sobre 23225.

Em que ponto as duas histórias se cruzam? A meu ver, há
elementos muito significativos em ambas sobre a maneira como lidamos
com as classes baixas, desprovidos, lúmpens, pobres etc. Não é
necessário matá-los, fisicamente (como nas maternidades e presídios
públicos, que ocuparam os jornais recentemente). Retirar o direito à
voz, a possibilidade de se manifestar, humilhar numa exceção
permanente, já é um começo bastante eficaz. O objetivo final é sempre
dizer: “Você não é humano. Pelo menos, não um humano como nós”. Porque
a questão de ser ou não cidadão, nesses casos, é uma balela e nem está
em questão. Eles não são. Significam nada, não chegam a esse grau de
sofisticação. Antes de tudo, tratam-se os pobres e desvalidos ora como
máquinas que limpam dejetos, máquinas que executam tarefas; ora como
coisas humanóides (que possuem a nossa imagem e semelhança, mas não
são iguais a nós) e podem ser manipuladas ao bel prazer. Alguns,
descartáveis desde o nascimento. Outros, ao longo disso que se chama
vida. Viver é uma tragédia, um pesadelo desperto numa sociedade que
equaliza lixo e vida humana.

A história de Francisco Lima e José Melo é exemplar.
Publicamente, nosso defensor da classe média, que desde o começo dos
anos 1990 tacha de vergonhosa a vida política e costumeira nacional,
expressou o que a grande maioria de nós sentimos ao vermos esses
homens e mulheres varrendo as ruas, recolhendo nossos lixos,
uniformizados. Há alguns poucos anos, um jovem psicólogo social fez um
experimento para sua tese de doutoramento na Universidade de São
Paulo. Vestido como gari da USP, durante o dia, varria as ruas do
entorno da faculdade onde há anos era aluno. Professores e colegas
seus não o reconheciam de uniforme. Ou nem lhe devolviam um bom dia.
Quando publicou sua tese e esse aspecto dela veio aos jornais, virou
um escândalo. Mas por quê o alarme? É tão desagradável assim
escancarar o quotidiano? Se fosse, a emissora de televisão teria
demitido Bóris Casoy no dia seguinte, no ar, emitindo uma nota pública
em que repudiasse as opiniões do jornalista, que não expressariam as
da cúpula da Rede Bandeirantes e seus funcionários. Não o fez.
Limitou-se a pedir que ele afirmasse, lendo o teleprompter, que
expressou comentário infeliz. Suponho que com alguma recomendação para
demonstrar constrangimento, leve. Constituiu advogado junto ao âncora
para que se defendesse das ações dos sindicatos e dos garis. E estamos
conversados. Abalou a credibilidade de Casoy e do jornal? Não. Porque
esse bem, tão perseguido e ostentado por diversos jornalistas e
veículos de informação – mesmo quando nunca o possuíram – ao que
parece, se baseia em dizer… a verdade, acima de tudo, antes de
qualquer coisa, custe o que custar. O raciocínio é simplório, admito:
Se Casoy não foi demitido e a rede de televisão não tomou nenhuma
outra atitude, ele disse a verdade. Ele tem credibilidade. Que merda,
então, dois lixeiros… etc.

O problema é o uniforme, essa roupa de controle, de
identificação, inclusive, dos grupos perigosos e que reduz a
identidade a cores e tecidos? Não creio. O caso de 23225 pode ser
considerado como clássico para qualquer leitor de Michel Foucault ou
Erving Goffman, autores de História da Loucura e Manicômios, Asilos e
Prisões (ambos publicados pela Editora Perspectiva). Ou qualquer
pesquisador/curioso que, estando em São Paulo, um dia vá ao Arquivo
Público do Estado e solicite ler qualquer prontuário dos internos do
Juqueri, arquivados ali perto da Estação Portuguesa-Tietê do Metrô.

O problema é: o caso 23225 não é literatura das ciências
sociais. E, pelo visto nos jornais, não temos hoje intelectuais como
Foucault, capazes de liderar movimentos contra as prisões
psiquiátricas francesas. Ou uma Nise da Silveira, criadora do Museu do
Imaginário. Ou médicos engajados, como na década de 1980, que se
dedicaram a promover, no Brasil, a descolonização de internos dos
hospitais psiquiátricos (como o Juqueri, por exemplo). 23225 é a
atualização do nosso momento presente. Atualização, claro, para pior.
Opinião pública (ela existe?) e intelectuais rebaixados. É um número
de prontuário, perdido na burocracia do Estado, num jogo de
empurra-empurra entre a Prefeitura, o Ministério Público, os pareceres
médico-legais, abrigos e hospitais. Os únicos posicionamentos claros
até agora foram de sua família (que não a quer e não pode assumi-la) e
do Pinel (que não possui razões para tê-la sob sua guarda. Presta-lhe,
então, deve-se concluir, um favor). Para brincar com os leitores de
Foucault, autor de Isto não é um cachimbo, 23225 não é um número. O
desafio está lançado.

Pobres e sem fala, oriundos e atolados desde há várias gerações
nos patamares mais baixos da sociedade (ou, para lembrar Casoy, nos
degraus mais baixos da escala do trabalho) são considerados incapazes.
Organismos-máquinas, que a nossa imagem e semelhança estão por aí,
executando tarefas. Mas longe de ser como nós. Vez ou outra espanam e
se dão ao luxo de pensar, falar, desejar, denunciar. Como podem? Como
pôde 23225 querer ser inteligente e insubordinada, demandar afeto e
invejar outras crianças que recebiam beijos e abraços de avó e mãe?
Como pôde ela, ao ser pega em flagrante na guarita do segurança
terceirizado do Pinel, dizer: “Vai, tio, conta que a gente teve
relação”. Ela que, para conter seus “distúrbios”, segundo a reportagem
de Caprigilione (jornalista, aliás, admirável), é medicada com
haloperidol, cujos efeitos colaterais são sonolência, letargia e
torpor. Ou seja: a todo tempo, 23225 é mantida fora da realidade. Como
pôde ter algum momento de lucidez? Como puderam os garis expressar
sentimentos que não combinam com seus uniformes?

Todo e qualquer chavão crítico das ciências sociais, nesses
casos, me parece pouco e ineficaz. Todos eles estarão certos e não
provocarão nada. Aliás, diria Itamar Assumpção numa de suas canções,
que chavão só serve para abrir porta grande. Coisa que nem os garis e
nem 23225 conseguirão. De favor, já fizemos muito de deixá-los falar.
Não abriremos nenhuma outra porta para eles que não seja de uma outra
instituição, outro abrigo ou de uma fila de hospital,
seguro-desemprego. As portas do cemitério, talvez. Ou de um aterro
municipal.

Campinas, 30 de março de 2009.


Campus de Limeira, aos pedaços.

10/01/2011

É exagero. É. Mas um prédio de 2 anos de uso neste estado que linguagem traduziria tal descalabro? Quem acompanha este jornaldoporao sabe que no Campus de Campinas é a mesma coisa. Ar-condicionado de 600 mil reais que não funcional. Prédio novo que afunda. Janelas de um prédio inteiro, de um ano de uso, que não podem ser abertas pois caem. Ou seja, não são janelas. Prédio da Física que antes de inaugurar começou a afundar. Biblioteca do IFCH que também fora inundada, com obra abandonada. É outros prédios também abandonados por empresas que falem. Há trabalhadores que não receberam décimo terceiro salário de dois anos atrás, por conta de empresas que faliram.
Tinha prometido nem mais tocar neste assunto de tanto que é recorrente, comum, cotidiano e banal ver nosso dinheiro ser doado à empresas terceirizadas irrresponsáveis e fraudulentas. Mas agora surgiu em Limeira um blog com o intuito de denunciar o mesma festa macabra com o dinheiro público, lá em Limeira. E este pequeno texto tem o intuito de apresentar este blog LARANJAS E BIJUTERIAS. (blog que também publica os desenhos da revista Miséria e de João da Silva). ou seria PIORQUETANUMFICA?

Veja também vídeo com inundação no Campus da Unesp de Bauru

 

ARTIGOS SOBRE O MESMO ASSUNTO:

00. Inundação na Biblioteca Nacional
atinge revistas e jornais antigos

01. MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…
02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
04. AEL mais uma janela caiu (1)
05. Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada
06. FOTO Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada


Trabalhadores do mundo inteiro, uni-vos!

06/12/2010

“Em 2006, de um contingente de 2,4 bilhões de trabalhadores com mais de 16 anos de idade, estima-se que 378,8 milhões são profissionais envolvidos diretamente com atividades terceirizadas.” […]O I Seminário Internacional SINDEEPRES – Terceirização Global promovido pelo SINDEEPRES aconteceu em 12 de fevereiro, no Intercontinental Hotel, em São Paulo. Além da apresentação do economista Marcio Pochmann, o evento teve ainda um painel com representantes dos setores trabalhistas e empresariais, sobre o rumo da terceirização no Brasil.”. VER

NA ARGENTINA, 2000(dois mil) terceirizados são incorporados como efetivos. A luta custou uma morte, de Mariano Ferreyra. E como. Assassinado pela burocaracia sindical governista. O mandante do crime aparece em fotos com o casal governante Kirchner. E os assassinos, hoje denunciados na justiça, são membros do sindicato dos ferroviários. Os métodos fascistas são comuns na burocracia sindical Argentina, como entre nós também.

Duas leituras que faço deste dois parágrafos. Diante de milhões de terceirizados, a incorporação de 2 mil é muito pouco, apenas um tênue começo. Diante da força da máquina capitalista que precariza milhões e milhões, onde os poderosos, incluisve na Unicamp, vêm terceirização como normal e, pior, como a maneira melhor de explorar e escravizar a mão-de-obra, a vitória dos trabalhadores de La Roca é simplesmente fenomenal. Auspiciosa. Antevê o futuro. Mostra que mesmo diante as mairoes dificuldades é possível vencer, mantendo a unidade e a luta.

E a terceira leitura e ver este vídido da TV PTS. Emoção. Unidade de Classe. Luta de Classe. Ódio aos exploradores e aos assassinos de Mariano Ferreyra. Pena que venceu só depois da morte. Mariano Ferreyra vive nas lutas dos trabalhadores terceirizados.http://www.youtube.com/watch?v=qf9hwNZzuxEE não podemos esquecer qualquer luta. A luta é nosso atestado de humanidade diante do capitalismo alienante. E queremos lembrar qualquer vitória, a menorzinha de todas, para afirmar nossa disposição de vencer. Nós queremos vencer a máquina trituradora capitalista, como co Canudenses, com foices, facões e espingardas tico-tico , tomaram canhões e as matadeiras, venceram 3 expedições do exército e quase venceram a 4. Como termina os Sertões, Euclydes da Cunha, Canudos não se rendeu. http://il.youtube.com/watch?v=upUtU8eWBq4&feature=relatedLembraremos sempre aqui, Mariano Ferreyra e La Roca, assim como a vitória da ocupação da Diretoria do Campus da Unesp, onde enfrentou também pelegos, professores stalinistas e a burocracia universitária e venceu. Impôs um restaurante universitário sem trabalhadores terceirizados. Contra todos os prognósticos sensatos. Contra toda a política do governo estadual e do governo federal, os estudantes da Unesp Marília impuseram um vitória contra a corrente. La Roca e Marília começaram um amizade indissolúvel.

Acompanhe esta história em:
LA VERDAD OBRERA [PTS Argentina]
LER-QI [Brasil]

Elogio de Mariano Ferreyra
José Pedraza e a gangue da Unión Ferroviaria: assassinos


Basta de estupros na Unicamp

02/12/2010

Ontem, na Unicamp teve um ato contra as opressões, chamado pelo coletivo feminista e pelo Grupo feminista Pão e Rosas.
Veja fotos no Flickr; clique sobre a foto e acessará o album flickr com todas as fotos.


ato contra opressões (158)

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Havia muita indignação contra os estupros e assédio que vem acontecem no Campus.
Mas sejamos realistas. Vai continuar acontecendo. E dava para prever e foram várias vezes previsto que ia acontecer.
Simples. A universidade é quase vazia à noite, num desperdiço de caros espaços e numa acinte aos pobres e negros excluídos do ensino público. Vamos encher a universidade de ensino noturno, de atividades noturnas, de equipamentos de atendimento ao público, de teatros, de shows e orquestras, de encontros da comunidade externa, como MST ou sem teto, com congressos estudantis, com cines-clube ou dezenas de possíveis atividades que atraiam a pessoas das cidades em volta. Mas principalmente um vasta rede de ensino noturno, de todos os cursos, com o mesmo número de vagas do diurno. A Unicamp à noite repleta de carros, ônibus coletivos, leitores nas bibliotecas, pesquisadores nos arquivos, cantinas e restaurantes abertos…


ato contra opressões (141)

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

O que falta para completar este quadro. Uma vigilância no Campus como a que tínhamos a reitoria acabou com ela. Precisamos de um vigilância concursadas. Todas as vezes que ouvimos um especialista de segurança eles dizem que segurança é feita com guardas de quarteirão. Um segurança conhecida por todos e que todas a conhecida e até amiga de quem seria “vigiado”.  Mas foi exatamente com uma vigilância deste tipo que a reitoria acabou, para por no lugar empresas terceirizadas. De um capitalismo chinfrim que vive falindo e aumentando ainda mais a insegurança.

Resumamos. A Unicamp, principalmente à noite, é um paraíso para ladrões e estupradores e molestadores. E com esta fama que está adquirindo tudo pode piorar.

E a responsabilidade é e será da reitoria

A maioria das pessoas que leram isso aí não acreditam que é possível mudar este quadro. Parece muito natural a escravização chamada terceirização. Mas gostaria de dar um notícia de companheiros na Argentina. Os ferroviarios, 2000 trabalhadores terceirizados, na estação La Roca, acabam de ser efetivados. A luta custou a morte de um trabalhador.  E pasmem, morto a mando do próprio president do sindicato. E no entanto continuaram e agora venceram. Aqui, um dia, isso será possível.

Podemos exigir neste momento, na Unicamp, vigilantes não terceirizados. É um momento oportuno par a isso.

CHAMADA:
Publicamos aqui a última contribuição da Revista Miséria Para o Jornaldoporao. Visitem a página da Revista Miséria. Que colobora constantemente com este blog. E colobora também com outras publicações, como você poderá ver ao abrir a página da Revista Miséria. Além disso, como já dissemos aqui em outras ocasiões, a Revista Miséria é uma das coisas mais importates que aconteceram na Unicamp, desde que conheço a Unicamp (nestes últimos 29 anos). A revista em papel, para mim, é mais importante que on-line.Aqui o endereço

Festival Interunesp contra as opressões, Marília
Coletivo Feminista convoca Festival Interunesp


MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…

26/10/2010

O QUE ACONTECE COM AS OBRAS ABANDONADAS NA UNICAMP?

Este prédio foi iniciado a toque de caixa e logo abandonado no estágio que está há anos.


construções abandonadas 006

Upload feito originalmente por Jornal do Porão
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Lá, dizem, seriam instalados os núcleos. Na época capitaneados pelo CESOP. Como estes núcleos têm, sempre, a vocação de se transformarem em fundação, apelidei o prédio de sede da empresa senil. Já que as fundações têm sempre algo de parasitário, velho e senil; que levam e atestam o fim da Universidade Pública e premiam grupos e não a instituição. As fundações sempre estão mergulhadas numa atmosfera de decadência, aproveitando da senilitude da Universidade Pública, como já foi exaustivamente denunciado e demonstrado pela revista da ADUSP (Associação dos professores da USP).
No mesmo período o IFCH tinha três obras em andamento. Do AEL levou quase 7 anos para inaugurar, pois terminar não terminou até hoje, pois suas janelas terão quer ser trocadas e não podem ser abertas; e seu ar-condicionado central de 600 mil reais não funciona e, parece, não tem conserto.
Ninguém explica porque a extensão da biblioteca do IFCH está abandonada, quando há milhares, muitos milhares de livros para ir para as estantes. Não explicaram, até hoje, que sanção recebeu a firma que inundou a biblioteca em março de 2009.

Na Unicamp ninguém explica nada. No IFCH ninguém sabe de nada. E prédios continuam sendo iniciados.


construções abandonadas 003

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

E os outros continuam abandonados, com há anos está o prédio da Geociência. Que lógica é essa? Que administração é essa? Quem paga os prejuízos?

O mais intrigante é que os professores, os que mandam na Universidade, não reclamam, não se posicionam. Que nome dar a este silêncio de quem domomina a palavra (e o poder)?

Insisto sempre nesta questão dos prédios da Unicamp, pois diante da suntuosidade de brancura da pirâmide branca do AEL, a classe média fica embasbacada, como se fosse um totem. Mas insisto também em que estes prédios são uma confissão do descontrole e da falência da administração da Unicamp, quando adotaram as empresas terceirizadas em suas construções. E este modelo visivelmente está falindo. É só olhar para o laboratória da Física que afundava logo que ficou pronto. Agora têm a notícia do prédio suntuoso da BORA [Bliblioteca de Obras Raras) no IA, mas, até agora, apadrinhado pelo IEL. Fizeram um seminário para discutir a questão das obras raras. Que obras raras irão para lá? Onde tem tantas obras raras assim na Unicamp, já que tem 3 prédios que abrigam as poucas obras raras que a Unicamp tem? Dizem que gastarão 11 milhões no prédio. Vão adquirir obras raras para colocar neste colosso? Quanto custa isso? Não é preciso ser nenhum bibliófilo para saber que obras raras têm preços no mercado, estabelecidos por sua orópria raridade. Ou contruirão um prédio para alocar um pífia bliblioteca? Muitos participantes de tal seminário fingiam não se dar conta do disparate. A vida continua. As verbas rolam. O poder constrói bunkers para o poder.

A USP está terminando um prédio. Sem entrar em todo o mérito, sabemos que eles já têm doadores do calibre  de José Mindlin, bibliófilo famaso.  O que temos na Unicamp? Parece que teremos um enorme prédio à espera de boas almas.  Parece que este prédio da BORA é pura megalomania.

Se clicar sobre esta foto


QUE ESTÉTICA É ESSA?

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

acessará, pelo FLICKR, vários albuns com fotos destes descalabros. E poderá conferir o vocabulário que crio para os prédios da Unicamp.
Prédio da Adunicamp: MAUSOLÉU DE OURO
Prédio do AEL: PIRÂMIDE BRANCA
Prédio dos Núcleos IFCH: EMPRESA SENIL.
Jardim da Matemática: JARDINS DA BABILÔNIA
Laboratório da Física: PALAFITAS
O BORA: podia se chamar emBORA, sem obras raras.

INFORMAÇÕES DE UTILIDADE PÚBLICA.

A ADUSP (associação dos professores da USP) publicou 3 revistas sobre as fundações de direito privado na USP.[veja revista 24 ; na 23; Dossiê das Fundações de direito privado na USP que iniciou na Revista 22 da ADUSP]A ADUSP, na sua revista número 46, Publicou entrevista com um professor da FEA/USP, ex-diretor da FIA(Fundação da FEA), mostrando um monte de ganhos e falcatruas. Em 2001 já havia mostrado que o Conselho Universitárioda USP, o  CO (lá até  as siglas mudam convenientemente) tem 24 membros que são membros de fundações.
É SÓ ENTRAR NA PÁGINA DA COLEÇÃO DAS REVISTAS DA ADUSP [ A ÚLTIMA NÚMERO 47] e ler apenas os títulos para saber porque chamo o prédio da ADUNICAMP de Mausoléu de Ouro. Não são nada revolucionários, apenas usam o dinheiro da Associação para produzir diagnósticos importantes para toda a comunidade. E se olharmos para O SINTUSP, um sindicato sistemáticamente combativo, nós da Unicamp temos que dizer, pobre de nós.

ARTIGOS SOBRE MESMO ASSUNTO:

BIBLIOTECA NACIONAL É INUNDADA POR DEFEITO EM AR CONDICIONADO

02. Infiltrações no AEL, dentro e fora

03. Campus de Limeira, aos pedaços

04.AEL MAIS UMA JANELA CAIU (1)

05. Pequeno Diário de uma Tragédia Anunciada


NADA É NEUTRO NEM MESMO A BRANCURA DA PIRÂMIDE BRANCA DO ARQUIVO EDGARD LEUENROTH…

30/09/2010



brancura da pirâmide branca do AEL 003

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

<br /

Se for olhada pelos olhos de uma extenuada trabalhadora terceirizada.




terceirização coletivo Miséria 006

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Nunca limpou um chão quem mandou fazer um chão de granito clarinho num prédio situado num ermo, cheio de terra, pó, barro, folhas. Mas quem foi que mandou fazer este prédio para torturar trabalhadoras terceirizadas? Esta dolorida trabalhadora terceirizada é obrigada a ficar de quatro para esfregar sujeirinhas no chão e escadas e, pasmem, limpar portas, batentes e paredes, para deixar tudo branquinho como um manicômio ou como a sala de entrada de algum hospital de rico ou da entrada de algum céu imaginário. Porque raios não pintaram isso de outra cor? Porque diabos não repintam? Porque têm que ficar explorando, machucando e humilhando trabalhadoras? Mas quem foi que decidiu fazer um inferno pintado de branquinho para parecer a entrada de um ceuzinho? Ou é uma pessoa cínica ou brincalhona? Ou quem sabe é apenas uma pessoa que naturalizou tanto a exploração da sua empregada doméstica que quer transformar a Unicamp, e aqui o AEL, numa casa grande escravagista.

Numa reunião com todos os funcionários alguém falou, com toda sua autoridade professoral, que é “assim mesmo”. Não tem o que se possa fazer. E tem que ficar de quatro mesmo, se é necessário. Estas palavras tão violentas foram faladas num tom blasé do burocrata pertinaz. Eu fiquei desconcertado diante de tal naturalidade de senhor de engenho. Será que para o leitor adivinhar quem poderia falar assim como senhor de escravo? Tenho certeza que você não conseguirá. E tive medo de retrucar e fazer mais uma batalha desigual. Mas ali mesmo já tinha decidido contar esta história aqui no jornaldoporao, esperando que meu leitor seja de outra estirpe.

Você não vai acreditar ou nem vai se importar com informações tão comezinhas. A firma limpadora dá um paninho de 40 X 60 que não pára no rodo e a trabalhador tem que abaixar toda hora para ajeitar o pano no rodo. Pior, o pano não para porque o granito é liso demais. Informação boba, não. Mas não para a coluna desta trabalhadora que já é uma espécie de ovo saltado.

Depois do almoço as trabalhadoras terceirizadas que não têm onde ficar e descansar ficam deitadas em papelões ou em marquises de ponto de ônibus. A elite intelectual da Unicamp acha isto tudo muito natural, muito necessário, para que seu mundo continue o mesmo, que suas regalias, núcleos, centros e fundações continuem os fluxos de dinheiro e prestígios.

Isso em alguma importância para você? Se os trabalhadores terceirizados do mundo inteiro passam por coisas iguais ou pior. Porque ficar falando do AEL e da Unicamp. Porque não aceitar o que a maioria aceita e ficar quietinho cuidando da própria vida? Há colegas que calam em busca de um promoçãozinha. E dá certo, eles conseguem. Outros ficam coladinhos no chefe, trazem bolos de aniversário e dá tudo certo, eles se sentem afagados e cheios de si. Agora ficou bem claro que as trabalhadoras terceirizadas podem também participar de qualquer dos nossos ambientes. E com muita timidez, é claro, elas também ficarão contentes. Mesmo porque elas também acham de não tem jeito, que são e serão escravizadas de qualquer jeito. Mas que marxismo me permite aceitar isso?

Mas quase desisti de contar estas historinhas insípidas, normais, cotidianas. Todo mundo sabe que assim. Há pessoas que viram e sofreram coisas piores. No corte de cana de Ribeirão Preto em um único ano morreu 13 trabalhadores de exaustão. Aqui na Unicamp os marxistas acadêmicos, os revolucionários de blazer, vão lhe mostrar que as trabalhadoras terceirizadas, aqui na UNICAMP, são mais bem tratadas que na USP.Que nas indústrias os trabalhadores terceirizados são mais explorados ainda, tendo que pagar ônibus. Onde os capazes quase têm direito de vida ou morte. Os marxistas de cabelos enxampuados também vão lhe dizer que na China é muito pior. Vão demonstrar que o problema está no sindicalismo pelego e patronal. Vão tentar demonstrar que a terceirzação é inevitável. Que o Brasil e a Unicamp precisam explorar as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados para desenvolver a ciência, coisa fundamental para o país, que o Brasil precisa de empresas terceirizadas para poder competir no mercado mundial de mercadorias. Bláblábláblá. Os marxistas de colarinho branco são realmente sábios e realistas!!!. Mas será porque então que eu leio Marx, Lênin e Trotski e fico cada vez mais revoltado?

Mas quase desisto de contar esta historinha banal e insípida quando me lembro que toda a classe média estudantil, todo mundo que chega ao Arquivo Edgard Leuenroth fica extasiado diante da brancura da pirâmide branca do AEL. Todo mundo fica maravilhado com as 30(trinta lâmpadas) que ilumina a sala branquinha da entrada, como se fossem mariposas.

Será que a trabalhadora terceirizada que hoje se arrebenta para manter esta brancura monumental também ficou petrificada com tal beleza?




brancura da pirâmide branca do AEL 006

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Assim como os judeus, a caminho do forno crematório, achavam que estavam indo para um banho em banheiros limpinhos. Num átimo e já estertorando, num lampejo de consciência envergonhada, viam que em vez de água do chuveiro saia gás letal. Mas todo mundo sabe que aqui ninguém morre. Elas podem até comer junto com a gente. E se adoecerem da coluna ou de qualquer outra coisa, todos os trabalhadores adoecem, sofrem e morrem. E se os trabalhadores terceirizados trabalharem bastante vão até aliviar o meu lado e trabalharemos menos e receberemos um salário 6 ou 7 vezes maior que eles. Como vêm nós não somos injustiçados. E temos que agradecer aos trabalhadores terceirizados por nos livrar nos trabalhos mais pesados.




CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO (21)

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E eu continuarei defendendo, contra os burocratas, contra os privilegiados, contra os donos de escravo, na escravidão moderna chamada terceirização, que estes trabalhadores têm que ser incorporados imediatamente aos quadros do funcionalismo.




terceirização coletivo Miséria 006

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A luta no país inteiro e no mundo inteiro, de todos os sindicatos não traidores, de todos os partidos não traidores (como o PT é), todos os revolucionários, para serem dignos deste nome, terão que lutar pela efetivação imediata dos trabalhadores terceirizados e lutar, à morte, contra toda e qualquer terceirização. Sabemos que será uma luta violenta, pois o capitalismo hoje, para tentar amenizar a crise, terceiriza, escraviza e humilha.

DUAS NOTÍCIAS DO DIA SEGUINTE

A trabalhadora terceirizada está esfregando a brancura sozinha e gemendo de dores na coluna.

E hoje às 10 horas haverá manifestação no escritório da empresa terceirizada Centro que demitiu uma trabalhadora porque ela assistiu a um ato de protesto em frente ao restaurante, semana passada. E outras foram advertidas.

Na Assembléia de ontem o STU, o sindicato, depois de muita insistência, se comprometeu a acompanhar as manifestações.


terceirização coletivo Miséria

14/09/2010



terceirização coletivo Miséria 004

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Coletivo Miséria. Fotos feitas a partir da tela do computador. Não deixem de prestar atenção ao seu lado. O coletivo Miséria faz a revista Miséria algo inédito e de grande fôlego, na Unicamp. Quem diria, a Unicamp produz uma revista independente e instigante. A Unicamp sai da mesmice cultural com a Revista Miséria. A revista Miséria vê misérias e mazelas. Os caras têm olhos e coração. Eles viraram as costas para a “delinquência acadêmica”. Eles se recusarm a ser “bagrinhos”. Se recusaram “homens dispositivos”, como se tornou o autor da da expressão. A revista miséria é uma revista de recusa. E por estar de coração aberto, olhos livres, estão neste movimento e estarão na escada do IFCH e nas atividades de combate à escravização.




terceirização coletivo Miséria 006

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