Um artigo do jornal Beijo da Rua.

26/09/2012

 Secretaria de Direitos das Mulheres, que não quer saber de prostituição

estigma, a discriminação e a desvalorização da prostituição, apontando o feminismo, o machismo e a religião entre os responsáveis por isso

“Chegamos à conclusão de que estamos confinadas na saúde, outra vez associadas a doenças, como no século XIX”

Gabriela encerrou sua intervenção reafirmando que “não dá para trabalhar Aids sem considerar direitos humanos, sem considerar o que o Senado e a Câmara estão discutindo sobre nós, ou sem discutir saúde da mulher. Não queremos consultórios na rua, mas promoção do acesso ao SUS, como qualquer outra pessoa. Chega de ser tratada como um caso à parte”.

“estigma, a discriminação e a desvalorização da prostituição”, apontando o feminismo, o machismo e a religião entre os responsáveis por isso. “Há movimentos feministas que fazem o discurso de que o trabalho sexual é resultado da opressão dos homens e que, portanto, somos vítimas, metendo isso na cabeça de muitas colegas. Ao mesmo tempo, nos invisibilizam nos informes de feminicídio, resultado do machismo que mata e produz a violência de gênero, esquecendo que também somos mulheres. E tem a questão da religião, de que não vamos entrar no reino dos céus”.

Ela ressaltou ainda que a pesquisa busca demonstrar “o que o Estado brasileiro está pensando sobre nós”. Deu como exemplo a Secretaria de Direitos das Mulheres, “que não quer saber de prostituição com o argumento de que não há unanimidade no discurso do movimento e por conta das criancinhas que sofrem exploração sexual”. O que se pretende, disse Gabriela, “é fazer um discurso político, para o qual a academia é fundamental, ao desvendar uma série de questões”. E concluiu: “O Estado brasileiro tem que ser criticado, sim, pelo movimento social. Muitas vezes ele se pensa o próprio movimento social. O diálogo está suspenso, mas não parado. Se esta mesa valer para isso, terá sido ótimo. Vamos continuar o diálogo”.

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Políticas de prevenção para prostitutas desconsideram direitos e cidadania

Movimento social propõe ao Estado retomar diálogo e ações históricas

Flavio Lenz

31/8/2012

Discriminação, estigma, vitimização, criminalização e outras violações de direitos humanos, como violência, são os maiores causadores das vulnerabilidades de prostitutas e demais profissionais do sexo. No entanto, essas questões deixaram de ser consideradas até mesmo em políticas de prevenção de DST e Aids, as únicas voltadas para a prostituição.

Esta foi a principal conclusão da Conversa Afiada “Prostituição, direitos e enfrentamento de vulnerabilidades no contexto da América Latina”, nesta quinta-feira, durante o macro-evento brasileiro, latino-americano e caribenho sobre HIV/Aids que se realiza no Anhembi, em São Paulo (http://sistemas.aids.gov.br/congressoprevencao/2012/).

Para Gabriela Leite, fundadora da Rede Brasileira de Prostitutas, da ONG Davida e da grife Daspu, a saúde pública voltou a ver a prostituta “apenas como um corpo, e da cintura para baixo”. Ela lembrou que movimento social e o setor de Aids do governo federal começaram a discutir, conceber e executar políticas de prevenção para prostitutas no fim dos anos 1980, e destacou a campanha Sem Vergonha, garota. Você tem profissão, de 2002, que “tratava diretamente de questões de direitos humanos”. Com o tempo, porém, até “a reprodução desses folhetos sumiu do site da Aids”, demonstrando, para Gabriela, que é preciso uma “renovação do diálogo” entre o movimento de prostitutas e o atual Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.

“Chegamos à conclusão de que estamos confinadas na saúde, outra vez associadas a doenças, como no século XIX – tem também a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), mas é só isso. Não estamos na Secretaria de Direitos Humanos, na de Políticas para Mulheres, no Ministério da Cultura, e a justificativa é sempre que já estamos na Aids”, disse Gabriela. “Por isso, as organizações da Rede Brasileira decidiram levar essa discussão para a sociedade e não mais se candidatar a editais nacionais de Aids, enquanto não renovarmos o diálogo. Nunca houve, por exemplo, uma análise da metodologia de educação pelos pares, que vem desde 1989”.

Gabriela encerrou sua intervenção reafirmando que “não dá para trabalhar Aids sem considerar direitos humanos, sem considerar o que o Senado e a Câmara estão discutindo sobre nós, ou sem discutir saúde da mulher. Não queremos consultórios na rua, mas promoção do acesso ao SUS, como qualquer outra pessoa. Chega de ser tratada como um caso à parte”.

A pesquisadora Ilana Mountian, da USP, que desenvolve estudos sobre travestis e transexuais que trabalham na prostituição, no Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG, em Belo Horizonte, destacou a transfobia entre as vulnerabilidades desse segmento. “Vivem questões como a violênca transfóbica e um relacionamento muito complexo com a polícia, e têm que fazer acordos para viver nas comunidades”. Outra vulnerabilidade é o uso do crack “por algumas delas”. Com relação a preservativos, disse que recebem das donas de casa e não vão aos postos de saúde para isso.

Ilana ressaltou ainda a importância de parcerias entre movimento social e academia, afirmando que há “pouca pesquisa sobre a população de travestis e transexuais prostitutas”.

Representante na América Latina da Rede Mundial do Trabalho Sexual (NSWP), a peruana Angela Villón denunciou o “estigma, a discriminação e a desvalorização da prostituição”, apontando o feminismo, o machismo e a religião entre os responsáveis por isso. “Há movimentos feministas que fazem o discurso de que o trabalho sexual é resultado da opressão dos homens e que, portanto, somos vítimas, metendo isso na cabeça de muitas colegas. Ao mesmo tempo, nos invisibilizam nos informes de feminicídio, resultado do machismo que mata e produz a violência de gênero, esquecendo que também somos mulheres. E tem a questão da religião, de que não vamos entrar no reino dos céus”.

Também dirigente da associação Miluska Vida Y Dignidad, sediada em Lima, Angela destacou ainda a confusão promovida entre tráfico de pessoas e prostituição e indicou o que considera a maior vulnerabilidade das prostitutas: “O grande problema é a violência, mas não do cliente, e sim da polícia, ou de delinquentes que se fazem passar por clientes. Com a violência não podemos fazer prevenção de DST e Aids. Temos que enfrentar antes de tudo a violência”.

Estudo aponta confinamento de políticas

Resultados preliminares da “Análise do contexto da prostituição em relação a direitos humanos, trabalho, cultura e saúde em cidades brasileiras”, apoiada pela Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e realizada por Abia em parceria com Davida, foram apresentados pela pesquisadora Laura Murray. A primeira fase do estudo foi de levantamento de políticas nacionais e internacionais sobre direitos humanos, HIV/Aids e prostituição, ao lado de um histórico sobre como o Estado tratou esses temas. Isso tudo foi feito por meio da pesquisa de documentos, políticas e projetos de leis, da análise de PAMS e de entrevistas com 47 gestores e técnicos do Executivo federal, representantes de agências internacionais, consultores legislativos, senadores e deputados.

Em relação à saúde, Laura relacionou cinco achados. “Quando se trata da prostituição, saúde é igual a HIV/AIDS, não havendo políticas nacionais de saúde das prostitutas que não sejam dirigidas à prevenção do HIV. Mesmo nesse campo, a análise dos PAMS estaduais e municipais apontou poucas ações para essa população – em menos da metade dos municípios habilitados para receber dinheiro dos PAMS; e, durante a vigência do Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids, de 2007 a 2009, um volume de ações nos PAMS estaduais e municipais de apenas 4,1%.”.

O terceiro achado é o de que, embora estudos mais recentes indiquem redução da prevalência do HIV entre prostitutas, a diferença entre a prevalência em prostitutas e mulheres da população geral não se alterou significativamente, mantendo-se 10 vezes maior nas primeiras. Outro achado da primeira fase do estudo aponta que as políticas de HIV/Aids para prostitutas se dão de forma isolada em relação aos outros departamentos do Ministério da Saúde, assim como a outros setores do governo, embora a interssetoralidade seja uma demanda das prostitutas já reconhecida em consultas latino-americana e brasileira e na Agenda Afirmativa das Prostitutas no Plano de Enfrentamento da Feminização.

Ainda na saúde, a integrante da equipe da pesquisa disse que houve um efeito paradoxal no período em que o setor federal de Aids assumiu um posição clara de defesa dos direitos das prostitutas. “Por um lado, foi sem dúvida positivo; mas, por outro, teve o efeito colateral perverso de fazer com que os demais setores do Executivo não tratassem diretamente do tema, pois cristalizou-se a ideia de que prostituição é um assunto da Aids”. Laura Murray não deixou de citar a inclusão da categoria “profissionais do sexo” na CBO, do Ministério do Trabalho, mas destacou que não se identifica, atualmente, nenhuma ação ou intenção de ação relacionada à promoção da profissão nessa pasta.

Já os achados sobre direitos são, até aqui, os seguintes: predomina silêncio em relação a ações de promoção de cidadania e direitos das prostitutas em quase todos os setores de governo, prevalecendo a disseminação e absorção mais rápida de parâmetros de criminalização e vitimização, evidenciados na atuação concentrada nos campos do enfrentamento ao tráfico de pessoas e da exploração sexual de crianças e adolescentes. E isso ocorre “ao mesmo tempo em que normas e diretrizes internacionais construídas na intersecção entre saúde e direitos humanos preconizam claramente a descriminalização do HIV e da prostituição”.

Nesse contexto, finalizou a representante da equipe do estudo, “as políticas relacionadas aos direitos das prostitutas estão soterradas por essas outras linhas de ação do Estado, muitas vezes parecendo produzir, em vez de reduzir, vulnerabilidades à violência e ao HIV/Aids”.

Debate

Aberto pela moderadora Elisiane Pasini, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, o debate afiou ainda mais a Conversa. Gestoras de Aids em municípios dos estados do Rio e Espírito Santo defenderam os “consultórios na rua” para prostitutas, estratégia que vem sendo alvo de acalorado debate dentro do próprio governo. Segundo elas, o sistema incentiva as mulheres a frequentarem os centros de testagem e aconselhamento (CTAs). Já a consultora Lilia Rossi quis saber se havia alguma recomendação do estudo apresentado a partir da constatação de que a atuação do setor federal de Aids inibiu outros segmentos do governo em relação à prostituição.

Gabriela Leite voltou a questionar a vitimização e a associação de prostituição com doenças, especialmente as que têm origem “da cintura para baixo”, diante das intervenções das gestoras. “Não é o sistema de saúde em geral que vocês querem que as prostituas frequentem; são os CTAs. Por que não põem esses consultórios na rua para as mulheres donas de casa? Será que elas vão aos CTAs? Acabamos de apontar uma série de vulnerabilidades da prostituição, como viver em ambientes de trabalho sem respeito aos direitos humanos, sem vasos sanitários. Isso é vulnerabilidade. Não é ser puta. Falamos, falamos e parece que ninguém ouve”.

Ela ressaltou ainda que a pesquisa busca demonstrar “o que o Estado brasileiro está pensando sobre nós”. Deu como exemplo a Secretaria de Direitos das Mulheres, “que não quer saber de prostituição com o argumento de que não há unanimidade no discurso do movimento e por conta das criancinhas que sofrem exploração sexual”. O que se pretende, disse Gabriela, “é fazer um discurso político, para o qual a academia é fundamental, ao desvendar uma série de questões”. E concluiu: “O Estado brasileiro tem que ser criticado, sim, pelo movimento social. Muitas vezes ele se pensa o próprio movimento social. O diálogo está suspenso, mas não parado. Se esta mesa valer para isso, terá sido ótimo. Vamos continuar o diálogo”.

Um incentivo a esse diálogo, de acordo com Laura Murray, pode já ter acontecido por meio das entrevistas promovidas pelo estudo em Brasília. “Notamos um certo silêncio, mas não falta de interesse. Uma discussão interessetorial pode ter sido provocada”. Ela adiantou que uma das recomendações do estudo será a de tratar do tema indústria do sexo, “que está silenciado”. E emendou: “A resposta brasileira à Aids sempre considerou cidadania e direitos como fundamentais. Agora é preciso provocar o debate de novo. E não é tão difícil. Além de dizer que o preservativo é fundamental, também é preciso dizer que a descriminalização é fundamental, ver isso como um discurso de prevenção. Serviço de saúde não é apenas a saúde do corpo”.

O apagamento da questão dos direitos em políticas ligadas à prostituição “é ainda mais estrutural e não pode ser desvinculado do soterramento dos direitos humanos na Aids, em geral”, alertou Sonia Correia, da Abia. Ela lembrou que o governo apresentou recentemente a sua revisão periódica universal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e não incluiu o HIV. “Portanto, para o governo, HIV não é uma questão de direitos humanos”.

Socióloga do Programa de Aids do Estado de São Paulo, Nina Laurindo elogiou a Conversa Afiada, por “reviver debates que havia na década de 1990 e que pareciam ter acabado”. E resumiu assim esse período: “Houve um retrocesso, os companheiros da Aids estão todos muito pautados em camisinha e teste, e não em direitos, violência, cidadania. Todos os projetos se denominam de ‘prevenção de DST/Aids e direitos das prostitutas’, mas não há essa discussão de fato”.

A moderadora Elisiane Pasini, do Departamento de Aids, encerrou a Conversa Afiada: “Precisamos avançar, ouvindo todas as vozes. Essa mesa foi feita com a intenção de que a gente possa trazer essa discussão novamente e acreditar nesses direitos humanos que estamos construindo”.

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01. Puta, Newton
Peron

02. A Puta, Carlos Drummond de Andrade
03. Me Gustán las Muchachas Putanas
04. Ana de Amsterdam, uma prostituta triste e arrependida


Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

24/09/2012

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

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Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



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As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


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Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

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“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
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78 programas num único dia!

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A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

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01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

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link

01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

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04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


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Um lugar bonito e aprazível e um monumento estranho em Campinas

15/07/2012


Manumentos Campinas 015

Upload feito originalmente por Jornal do Porão


Manumentos Campinas 011

Upload feito originalmente por Jornal do Porão


Manumentos Campinas 009

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Fica ao final da Rua 13 de maio. Não há qualquer monumento ao fim da escravidão.(Vou voltar para ver direito). Parece que para os poderesos de Campinas o nome da rua já foi o suficiente – uns deviam achar inclusive excessivo e incoveniente. Nesta pracinha, em frente à Estação Cultura há este monumento estranho. Quem esculpiu ou erigiu(pois é de cimento) não há qualquer inscrição. A Pracinha fica bem do lado do terminal Miguel Vicente Cury. Não anotei o nome. Ali, como vê-se na foto, fica o hotel das putas e os barzinhos. Um atmosfera quase de velho oeste americano. Os predinhos são bonitos e as cores são ótimas. ****************************************************************************************Se Se quiser ter acesso ao album flickr “Monumentos de Campinas I” é só clicar sobre estas três primeiras fotos. Terá acesso a outros albuns também.
. Mereceria, acho um tombamento, e uma proteção às putas. A chamada Estação Cultura, agora tão morta neste governo do Dr. Hélio, mas aquele pedacinho ali em frente a ela é bem vivo, principalmente em dias de semana (o que não foi o caso desta foto). Fotografar as putas durante o dia o que já tentei e fui mais ou menos dissuadido a deixar prá lá. O Dr. Hélio queria acabar os bares, hotéis e as putas. Este moralismo limpinho e fascista.

MAIS LIDOS DE 2011
Até esta data, 03/05/2012, foram 68 consultas.


me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

11/05/2012

Literatura – De Mário Bortolotto, Me Gustán las Muchachas Putanas

Na voz de Mário Bortolotto

Me Gustán las Muchachas Putanas

Dessas que chupam as bolas,
que entram de sola.
Das que não têm meio termo,
que abrem as pernas
e não pedem arrego.
Dessas depiladas, peladas, liberadas,
eu as quero desarmadas,
eu as quero de boca esporrada,
eu as quero do jeito que for,
eu as quero tocando bongô,
com a boca no microfone,
chamando meu nome,
no meio da chuva.
Dessas que passam gel no cabelo,
que a gente flagra no banco traseiro do carro.
Dessas que dizem os diabos,
que agarram o seu pescoço,
que sempre tem um troco.
Dessas com aros em forma de brinco,
que sabem segurar um pinto,
essas entendem o que eu sinto,
essas sabem que eu não brinco.
Elas se entopem de vodca,
assistindo MTV,
essas nunca vão chorar por você,
elas não vão mentir pra você,
elas não têm porquê.
Elas não vão contar história,
elas não vão dizer que você foi a melhor foda,
não vão querer o seu sangue, só o seu dinheiro,
não vão querer flores nem caixa de bombons,
não te arrastam pra igreja,
elas só se enxarcam de cerveja.
E se eu digo ‘pra mim chega’,
elas guardam o batom e vão embora.
Elas nunca estão de calcinha quando descem as escadas,
elas estão sempre dançando, mordendo,
chegando de táxi a uma da manhã,
elas não são puras, elas são putas.
Elas não querem o céu,
elas não sabem quem é Nina Simone,
elas não querem meu número de telefone.
Paixão elas tiram de letra,
elas encaram qualquer treta,
com uma bela chave de buceta.
Eu adoro essas putas loucas,
caindo de boca,
que nunca ouviram um blues,
elas fazem chupeta
e dão o cu.
Eu as quero sujas,
num beco escuro, atrás do muro,
meu pau duro abrindo caminho,
desprezando carinho,
fissura de vinho na segunda-feira,
gozando de primeira,
comendo pastel na feira.
Eu as quero maquiadas,
peladas, desbocadas,
a mi me gusta.
Que se fodam as puras,
que gozem as putas.

MAIS LIDOS DE 2011
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Lançamento da 33ª edição da Revista
Studium será no dia 11 de maio

Divulgação Studium
O lançamento da 33ª edição da Revista Studium, patrocinada pelo Fundo de Investimento de Campinas (FICC) da Secretaria de Cultura de Campinas, será realizado no dia 11 de maio, às 12 horas, na Galeria do Instituto de Artes da Unicamp e estará disponível no mesmo dia no site