TRIANON andanças em são Paulo

14/03/2013

Trianon I

MASP, março 2013

MASP, março 2013

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FAUNO, de Victor Brecheret

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (8)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (8). Fotos Mário Martins de Lima

Sobre o Fauno, de Victor Brecheret

01. Paulistanos Ilustres Ilustrados, por Paulo CarusoFauno, de Victor Brecheret, por Paulo Caruso
02. Obra foi transferida para o Trianon por conta da pressão da Igreja Católica
03. Monumentos de São Paulo
04.Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo:Fauno
05. Obra Pública – O Fauno de Victor Brecheret, VÍDEO YOUTUBE.Trabalho para Linguagem Audiovisual, Universidade Belas Artes

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PAN e FAUNO

“Queria falar mais; mas Syntrix, pouco sensível àquelas palavras, deitou a correr, e já chegara perto do rio Ladon, seu pai, quando, vendo-a detida, rogou às ninfas, suas irmãs, que a acudissem. Pã, que lhe saíra no encalço, quis abraçá-la, mas em vez de uma ninfa, só abraçou caniços. Suspirou e os caniços agitados emitiram um som doce e queixoso. O deus, comovido com o que acabava de ouvir, pegou alguns caniços de tamanho desigual e, unindo-os com cera, formou a espécie de instrumentos que se chama syrinx e que constitui a flauta de sete tubos, transformada em atributo de Pã.”Nascimento de Pã.

“Pã foi muitas vezes confundido na literatura latina com Fauno e Silvano. Muitos autores os consideravam como um só divindade com diferentes nomes. As Lupercais eram mesmo celebradas em tríplice honra desses gênios. Entretanto Pã é o único de quem se fez alegoria e que foi considerado como um símbolo da Natureza, conforme a significação do seu nome. Dizem os mitólogos que os seus chifres representam os raios do Sol; a vivacidade de sua tez exprime o fulgor do céu; a pele de cabra estrelada que usa sobre o estômago representa as estrelas do firmamento; enfim os seus pés e as suas pernas eriçados de pêlos designam a parte inferior do mundo, – a terra, as árvores e as plantas.” Nascimento de Pã.
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Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (1)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (2)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (3)

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flauta de pã

” O deus, comovido com o que acabava de ouvir, pegou alguns caniços de tamanho desigual e, unindo-os com cera, formou a espécie de instrumentos que se chama syrinx e que constitui a flauta de sete tubos, transformada em atributo de Pã”

Leia mais:http://www.mundodosfilosofos.com.br/pa.htm#ixzz2NXPEWfFU

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (4)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (5)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (6)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (7)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (8)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (9)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (10)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (11)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (12)
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Victor Brecheret, links

01. Brecheret, Victor (1894 – 1955), Enciclopédia Itaú Cultural
02. FUNDAÇÃO ESCULTOR VICTOR BRECHERET
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links

01. Nascimento de Pã
02. Pã, divindade Grega; Fauno, divindade Romana
03. Procissão em Roma, jovens nus flagelando as mulheres
04. Pã ou Fauno
05. The Great Pan

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Música

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Google

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Google

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel,  Google (2)

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel, Google (2)

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel,  Google (3)

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel, Google (3)


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01. A Flauta de pã, Claude Debussy

02. Prélude à l’après-midi d’un Faune, Claude Debussy

03. Pan, de Mauricio Kagel

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Fauno, Centauro, Minotauro

Faun Revealing a Sleeping Woman (Jupiter and Antiope, after Rembrandt) 1936 by Pablo Picasso 1881-1973

Faun Revealing a Sleeping Woman (Jupiter and Antiope, after Rembrandt) 1936 by Pablo Picasso 1881-1973

Picasso tem dezenas de desenhos e pinturas cujo tema é o Fauno e em muitos aparece a flauta de Pan
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Casa do Fauno, Pompéia

Deus Fauno, dançando

Deus Fauno, dançando

MOSAICO-NA-CASA-DO-FAUNO-POMPEIA

MOSAICO-NA-CASA-DO-FAUNO-POMPEIA

links

01.Casa do Fauno, Wikipédia
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outras imagens

pan_daphnis

pan_daphnis

PABLO-PICASSO-CABEZA-DE-FAUNO-1

PABLO-PICASSO-CABEZA-DE-FAUNO-1

pan, Joseph Sattler

pan, Joseph Sattler


Gravura, xilogravura, Litogravura, Linogravura… Ponta-seca, Água-forte, Buril…: TÉCNICA

26/01/2013

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links

Ponta-seca

Ponta-seca Lasar Segall

Ponta-seca Lasar Segall

01.  A técnica de ponta-seca de Martin Lewis
02. Ponta-seca: Enciclopédia Itaú de Artes Visuais

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Água-forte

Nesta cena biblica Rembrabdt mostra a cruxificacao de Jesus no Monte Golgota. Toda a composicao foi desenhada com ponta seca e buril diretamente sobre a chapa de metal (matriz).A tecnica de gravura uitlizada foi a agua forte.

Nesta cena biblica Rembrabdt mostra a cruxificacao de Jesus no Monte Golgota. Toda a composicao foi desenhada com ponta seca e buril diretamente sobre a chapa de metal (matriz).
A tecnica de gravura uitlizada foi a agua forte.

01. Enciclopédia Itaú de Artes Visuais
02. Rembrandt, homem e obra
03. Gravura Brasileira
04. Gravuras: técnicas de Água-Forte e Água-Tinta(vídeo Youtube)

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buril

01.   Buril. Gravura a buril.

buril 2

buril 2

Buril1

Masp, Luzes do Norte, Renascimento Alemão

Martin Schongauer (1448-1491). Virgem Transforada, sem dada. Buril.Masp, Luzes do Norte, Renascimento Alemão. http://casavogue.globo.com/MostrasExpos/noticia/2012/10/renascimento-alemao-no-masp.html

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litogravura

01. Carlos Monsalve – Litografía
02. Lithographie maison — Kitchen Lithographie — Lithography

03.Litografia – Básica
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linóleo (gravura em)GravuraLinóleo-(005B)-12,5X19 (2)

01. Gravura em Linóleo (TÉCNICA)

02. Matrizes de Linóleo (introdução)

Picasso, Linóleo

Picasso, Linóleo

03. Linogravura

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Gravura

Marcello Grassmann, foto

Marcello Grassmann, foto

links

01. Aula de impressão de gravura por Roberto Grassmann

Roberto Grassmann, foto

Roberto Grassmann, foto

02. Xilografía (vídeo mostrando uma sendo feita)
03. Gravura e Gravadores – Aspectos da Cultura Brasileira. Vídeo do Youtube. Depoimento de Marcello Grassmann sobre Goeldi. Fala da origem na gravura, não somente dos gravadores brasileiros. Cita a primeira xilogravura , um fragmento da crucificação(fim do século XIV). Fala de Marcello Grassmann e seus cavalheiros e damas medievais e de sua preferência por gravação em metais, onde há correlação entre a técnica e o tema; de Goeldi e seus seres trágicos, de Lívio Abramo e seu engajamento; e depois a geometria e a abstração. Goya e o libelo contra a guerra.
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Pingback

01. Xilogravura: Primeiro contato:Breve História da Xilogravura

02.3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai

03. 2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

04. 1. Xilogravura joponesa: UKIYO-E…….. [primeira anotação]

05. Maria Bonomi: tropicália.

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A Puta, Carlos Drummond de Andrade

26/09/2012


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na Rua de Baixo
onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
e labaredas torram a língua
de quem disser: Eu quero
a puta
quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
de longe. Na mata do cabelo
se abre toda, chupante
boca de mina amanteigada
quente. A puta quente.
É preciso crescer
esta noite a noite inteira sem parar
de crescer e querer
a puta que não sabe
o gosto do desejo do menino
o gosto menino
que nem o menino
sabe, e quer saber, querendo a puta.

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pingback

o1. FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.
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link

01. Beijo da Rua

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pingback

 

01. Ana de Amsterdã, elogio a uma prostituta triste e arrependida.
02.Um artigo do Jornal Beijo da Rua
03.Me Gustán las Muchachas Putanas, Mário Bortolotto
04. puta, Newton Peron


A Serbian Film, de Srđan Spasojević

09/07/2012

[Lembrete: quem não assistiu ao filme e não quer saber o final, não leia tal post. Foi inevitável dedurar o final para argumentar]

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“Madeleine Albright, secretária de Estado de Bill Clinton, que, ao responder a uma pergunta em rede nacional de TV sobre as 500 mil crianças mortas no Iraque como resultado das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, asquerosamente afirmou: “Acredito que o custo compensou”.” [ver link 10]. Razões de estado dirão os estudiosos universitários. Talvez se fizesse um filme onde Madeleine Albright aparecesse se masturbando, o filme seria proibido.

E que tal fazer um com Bill Clinton esporrando na cara de Monica Levinski.
Bem ao contrário das crianças mortas no Iraque, Monica Lewinsky é notícia de 1988 até hoje. Este é o peso da moral sexual. Desde Helena e a Guerra de Troia, sexo e a moral sexual é a única coisa que realmente conta. Para mim, aí mora o engano, o auto-engano, ou a enganação de Srđan Spasojević, quando diz que seu filme é uma metáfora sobre aquela guerra na Sérvia[ver link 07] e os ataques da OTAN. Em paz ou em guerra  e revoluções, há, houve e haverá muita tortura, violência e prazer na violência.  Ninguém se surpreenderia de a primavera árabe também fosse chamada de primavera sangrenta. Neste instante mesmo, em qualquer delegacia, em qualquer lugar do mundo, há gente gritando de dor e outros de prazer com a tortura. E bilhões de pessoas fingindo que não é com ele.

Ricardo Kotcho[ver link 01] chama o filme de sórdido. Será que empregaria o mesmo adjetivo para Bill Clinton, Madalena Albright, Churchi[ver link 13]l (o primeiro a usar bombas químicas no Iraque, o primeiro a bombardear civis na segunda guerra). Churchil apenas continuava um tradição inglesa como conta o artigo de Isto É [ver link 13]: “Mas foram os britânicos os primeiros a devastar as fileiras inimigas com a ajuda de métodos biológicos. A chance veio no final das guerras Franco-Indígenas (1754-63), quando a Grã-Bretanha derrotou a França na luta pelo Canadá. Lord Jeffrey Amherst, o comandante-em-chefe das forças britânicas na América, mandou distribuir cobertores e mantas contaminados com varíola para infectar as tropas indígenas do chefe Pontiac”
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Assisti a Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick pelo menos 10 vezes.
Alex comete crimes odiosos e se compraz com a violência. Em comum com Milos, Alex comete os crimes sob efeito de alguma droga. No caso de Alex no inocente – ou até nojento para alguns – leitinho. Milos afoga-se no Whisky e a piadinha, insistentemente lembrada no filme, é que malte é brochante, ninguém acha  leite  excitante. Não sei se são nos filmes de horror e violência, ou se é todo o cinema que as piadinhas e pegadinhas são incontornáveis. A aparência dedes personagens e desse assassino aí parece um charada do filme. Só que Alex tem seu livre arbítrio preservado, pois toma as drogas por livre escolha, portanto sem o perdão fácil que suscitaria se fosse à força, ou ministrada num complô como no caso de Milos de A Serbian Film. Mas Kubrick, crítico feroz da sociedade, também expõe um falso livre arbítrio, quando o religioso, um padre Anglicano, lamenta – Kubrick deixa a dúvida: será que lamenta mesmo?, ou este padre é um filho da puta de um manipulador escorregadio – que Alex escolha submeter-se a um tratamento para perder sua agressividade. E vê-se logo que Alex não é sincero, mas está é querendo se livrar da cadeia. O Alex de Kubrick é colocado entre a ingenuidade e o cinismo. Alex nunca é totalmente vítima. Alex gosta da violência. Alex gosta de lutar. Alex gosta imensamente de sexo e orgia. Alex gosta de música de Bethoven e traduz a violência dos acordes em violência física. Alex é sórdido e grandioso. Ao contrário, Milos de Serbian Film se apresenta como sempre como a vítima, sonha em si castrar, se culpa e destrói sua família que ele julgou culpada de tudo. Milos é um pobre diabo sem pensamento e sem prazer. No final seu suicídio e da sua mulher (que também é uma consciência culpada) e o assassinato da criança é banal e não me comoveu. Nem é vítima, com Alex foi da psiquiatria, do padre, da família, de todo o sistema, mas antes mais nada é um traste.

Torci por Alex, todas as 10 vezes que assisti ao filme, sob o som da arrasador da nona sinfonia. Não me lembro de qualquer música de Serbian Film. E na vida real os bombardeios no Iraque eram feitos sob o som de rock pesado. A arte, a vida, a política: a estética é politizada, a política estetizada. Havia um jogo chamado War, falava-se em jogos de guerra, em games, quando do Iraque.

Em 1988 quando assisti a este filme não tinha dúvida que esta era a mulher mais bonita e tesuda do mundo. E que deveria assistir a todos os filmes de Alan Parker. Nunca mais assisti a qualquer filme dele e nunca mais vi uma cena de Lisa Bonet. Mas também jamais esqueci, ou melhor, lembrei-me quase todos os dias. E continuo fugindo deste poder dominador da imagem, principalmente da imagem cinematográfica ditatorial, acachapante. A Serbian Filme é um filme, neste ponto de vista, inofensivo. Nenhum personagem meu deu tesão ou empatia.
Outro medo é de lembrar dele mais do que o impacto que causou em mim, já que escrevo sobre ele, e este elemento da cultura, escrever ou falar sobre, imprime uma falsa lembrança. Uma lembrança de gabinete. Lisa Bonet parece cinzelada no corpo. Só hoje sei que chama Lisa Bonett.

Há ainda rituais religiosos com derramamento de sangue e vítimas. Há ainda. Mesmo reprimidos continuam existindo. Me pergunto se este cinema de violência, assim como os games para crianças, não encenam estes sacrifícios? Assim como os contos de fadas introduzem as crianças na violência e no sexo, de maneira sub-reptícia ; outros. como Chapeuzinho Vermelho, bem claramente. Estas encenações não aplacam, talvez, a sede de sangue?

Dizem que o quadro é de má qualidade técnica. [ver link 12]. Vendo reproduções da mesma fase azul não consegui ver qualquer diferença técnica. E não acredito que Picasso o escondeu por 28 anos por motivos de insuficiência técnica. Nem os tantos outros anos que ficou escondido.

Alex, em Laranja Mecânica,  é a melhor pessoa do filme. Todos são muito mais sórdidos na sua vidinha comum e horrorosa. As pessoas comuns a idiotia e a covardia repulsiva. Os psiquiatras a violência e a droga para domar e castrar. Políticos de esquerda e de direita manipulam e torturam Alex para torná-lo dócil e usá-lo. Policias e ex-amigos de gangues viram policias para torturarem-no. O escritor, o inelectual, cuja mulher foi estuprada e morta por Alex se tem quase um orgasmo em imaginar a tortura que planeja e executa ministrando drogas na refeição de oferece a Alex. Piedade e tortura se misturam o tempo todo. E Alex se humaniza diante de tanta podridão. Fala-se que é um filme fascista. Talvez seja o fascismo que está em todos nós então, mas, em algum momento da vida, ou em muitos, sonhamos ser, nem que seja por um momento, um furioso Alex.
A Serbian Film, tem algumas citações de Laranja Mecânica. Quando um escultura é usada para esmagar a cabeça da vítima. Nos dois casos não há um esmagamento explícito, mas sugerido.
Quanto ao incesto que Milos comete sob efeito de Viagra para cavalo – outra piadinha – há no cinema hollywoodiano, em Coração Satânico, de Allan Parker, com prazer e erotismo, sob o subterfúgio de se dar sob possessão demoníaca. Parece que a questão é com que maestria ou felicidade cada diretor encontrou sua maneira de mostrar.Assim como a pedofilia que o argumento para proibir o filme. Ela, por exemplo, é mostrada com sinal invertido, mulheres com garotos, e aí não é nem tão chocante, nem há pedidos de proibição. Podemos ver isso, tanto em Picasso ou no Amor Estranho Amor, protagonizado por Xuxa, a rainha dos baixinhos.

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Uma desculpa para proibir o filme foi que é de má qualidade [ver link 08]. Com esta desculpa poderia proibir quase tudo feito em Hollywood,  na Índia ou na Rede Globo.

Me lembrei  bastante de Laranja Mecânica, por ser um filme que me marcou.  Também o diretor de A Serbian Film, Srđan Spasojević,  faz várias referênias e citações do filme de Stanley kubrick.  Kubrick abordava a violência, mas sem moralismos e complexo de culpa. Qualquer um de nós foi ou queria ser, em algum momento, Alex. Já Milos, de Serbian Film, é um pobre diabo, um traste. Ele se julga assim e é. É um joguete que não consegue nem refletir nem lutar.

Esse cartaz me fez lembrar, imediatamente, de o Iluminado de Stanley kubrick, onde não havia droga, mas a loucura do cotidiano e da banalidade. O mal é a banalide.

Homossexuais enforcados em praça pública no Irã. Parece desfocado isso aqui. Mas não há sexo e violência sem deus. E A Serbian Filme não aborda isso. Mesmo as humilhações e torturas em Guantánamo eram feitas em nome da democracia e do cristianismo.

Jeová pede que Jacó sacrifique seu filho único. Isaac sobreviveu para encher a cultura judaica e cristã de neurose. Como discutiu Dostoiévski, um condenado a fuzilamento que foi apenas encenado, narrando que carregou esta tortura pelo resto da vida.

“Sem sangue não há amor”, do Amor Cristão, de Marcelino Freire
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Ainda comparando com Laranja Mecânica. Há a música de Bethoven[trilha sonora,[ ver link 14]. Muitas vezes a música conduz o filme. O cinema, quase sempre, usou a música como um elemento narrativo. Não ouvi isto em A Servian Film.  Há coreografia, figurino e dança em Laranja Mecânica. Há solidariedade e traição. Em a Serbian Film quando o irmão trai não há qualquer grande choque. Como se a traição fizessem parte desta banalidade da vida comezinha. A Serbian Film, muitas vezes, é moralista, mas sempre muito pobre. Não a a grandeza escancarada e ridícula de um Nelson Rodrigues. E também muito maniqueísta. A droga é usada para o mal, uso que Alex e sua Gang faz, mas é também usada para “bem”, para corrigir Alex, e Kubrick faz-nos ver como, a droga na mão dos poderosos pode ser o supremo mal. E nos coloca do lado de Alex contra o poder. Em Laranja Mecânica há sexo e prazer. Em Serbian Film há violência. Não fica nunca evidente se algum personagem sente algum prazer com o que está acontecendo na tela. A não ser que alguém acredite que ejaculação é sinônimo de prazer.

Em O Erotismo, George Bataille registra que o público, masculino claro, ejaculava nos enforcamentos. Dele é a frase: “Deus, sexo e violência são intercambiáveis”

Se houver alguma aposta do diretor é que a platéia, mais violenta que os personagens, vá sentir prazer.
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Alex tem vivo prazer com o que faz. Alex só tenta mudar por puro oportunismo, para escapar da punição. No final de Laranja Mecânica parece recobrar sua humanidade contraditória e prazeroso.

Poderia se dizer que não dá para comparar pois Laranja Mecânica não é um filme pornográfico. O mesmo se pode dizer de A Serbian Film que é mesmo um filme sobre ator do cinema pornográfico, e que vai fazer um filme sobre violência, sob efeito de uma droga poderosa, sem qualquer controle sobre sua vida. Alex também usa droga, mas como os comuns dos mortais. Faz crimes porque os humanos fazem crime, não parece que a droga explique e o absolva. E é pego porque cometeu erros e foi traído. Milos é o erro. É antes um robô, um puro joguete, pois a droga que o conduz, totalmente, inescapavelmente.

O que há de mentiroso no filme é que o diretor parece dizer que só alguns Milos cometeriam tais desatinos, sob efeito destas drogas. Mas ele e todo mundo que gosta ou odeia o filme sabe que não. Que o crime, a violência, a dominação são  a droga mais dominadora que existem. E que os assassinos estão no poder. E que no limite mais baixo, os assassinos tem poder. E que os deuses sempre quiseram sangue, dos deus primevos da Grécia a Jeová.  E que os deuses curraram as virgens, de Zeus a Jeová. Em nome deles foram destruídos homens e nações. Não dá para falar de sexo e violência sem falar de deus.  Uma das grandezas de Laranja Mecânica é o padre bondoso, cuidadoso e, ninguém sabe?!, cínico, aliado do sistema de punição. Milos, o joguete, o menos culpado – e ao final já não mais drogado, aplica a pena de morte nele, na sua mulher (culpada de ganância, já que sóbria) e seu pobre filho. Alex escolhe vida, Milos a morte e o assassinato.
Não achei um mau filme. Acho que pode ser um filme bem feito sobre um homem/robô, levado a total inconsciência. E quando consciente, ao desatino. Mas quando eu quiser refletir, usando um filme, acho que vou assistir pela undécima vez Laranja Mecânica que retrata a humanidade como ela é: multifacetada e perigosa.b

E também se me der na telha assisto novamente A Serbian Film que  agora foi liberado, depois de um ano apreendido. Um ano, quando a justiça tinha estipulado 30 dias para o veredito. Acho até que vou assisti-lo na tela grande, ou seja, ver cinema é no cinema.

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links

01. Justiça está certa, sim, ao proibir filme escabroso.[Ricardo Kotcho apoia a proibição do filme (sem assisti-lo) ]
02. Depois da Caixa e do Ministério da Justiça, agora é o MPF e a Justiça Federal que censuram “A Serbian Film”
[Tinha prazo de 30 dias para “julgar” o filme e levou um ano]
03. Como é determinada a censura de um filme?
04. Brasil censura primeiro filme após 26 anos
05. A Tortura do Medo (Michael Powell, 1960) [diz, a certa altura, que este filme homenageia Blow Up, de Antonioni]
06. A Serbian Film – Terror Sem Limites – Censura É o Melhor Marketing[“Este filme é realmente doentio, violento, polêmico, com muitas transgressões; mas “Irreversível”; “Saló ou 120 Dias de Sodoma”; “O Albergue”; “Ichi, o Assassino”; “Cannibal Holocaust”; “A Vingança de Jennifer” (o original) e muitos outros filmes também o são e tem seu público e fãs.”]
07. A Serbian Film – Censurado no Brasil? [Tem trechos de entrevistas do diretor onde diz de objetivos morais do filme .Mas não fala de estar sob efeito de droga]
08. A Serbian Film – Terror Sem Limites[ Uma crítica com argumentos cinematográficos]
09.Crítica – A Serbian Film: Terror Sem Limites Afirmo também que filmes como, por exemplo, Oldboy (2003), Martyrs (2008), Tetsuo (1989), A Invasora (2007), Audition (1999), me deixaram mais boquiabertos e intrigados do que o filme Sérvio.”]
10. Davis, Mike. Apologia dos bárbaros: ensaios contra o império Resenha de Waldir José Rampinelli

11. Picasso, Erotic Scene, Erotic Scene (known as “La Douleur”) Pablo Picasso  (Spanish, Malaga 1881–1973 Mougins, France)
12. Um Picasso “picante” que ficou guardado durante 28 anos será exibido em NY
13. Uma sedução fatal
Armas químicas e biológicas tornaram-se a “bomba atômica dos pobres”

14 . Trilha Sonora de Laranja Mecânica


livro: Consciência Negra do Brasil

05/06/2012


livro: Consciência Negra do Brasil

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

CONSCIÊNCIA NEGRA DO BRASIL: Os principais livros

biblioteca Mário XII- 000.008

Não haverá revolução proletária no Brasil se não for assentada na aliança com os o movimento de emancipação dos negros. Com este espírito recebo o presente de Mário Augusto Medeiros da Silva, o principal colaborador do jornaldoporao.wordpress.com

O que estes livros abordarão. Claro que não sei ainda. Mas aqui mesmo neste jornal vou fazer pequenas resenhas destas leituras e de outras que surgirão. Estarei atento ao doutorado de Mário Augusto que trata também da questão negra, de escritores negros.

Será uma grande jornada pelo que o Brasil tem de mais profundo.

Mário Medeiros também doou um exemplar para o AEL.

MAIS LIDOS DE 2011
A pequena notícia acima teve, até 03/05/2012, 96 leitores.
Curiosamente, à exceção do Mário Medeiros, ninguém se preocupou em me dar alguma dica sobre livros e obras.
Mas solicito encarecidamente.

Ah! Quanta terra e quanto mar! Também dica do Mário Augusto Medeiros da Silva. Com um pequena historinha. Quando me telefonou indo para o lançamento do livro e já tinha adquirido na Estante Virtual. Não sei que milagre que este, mas antes do lançamento já tinha 4 caixas(pois são 4 volumes numa caixa) à venda por preço menor que o que estava sendo lançado.
No entanto ainda não consegui ler nada.
E neste momento estou obcecado pela exposição “Memória e Altar”, da coleção de Rogério Cerqueira Leite. E pretendo que esta obsessão dure, de maneira totalmente absorvente, pelo menos 4 meses; período da exposição na CPFL e depois na Unicamp.
Depois pretendo comentar esta obra aqui

biblioteca Mário 000.009

TEXTOS AFINS NO JORNAL DO PORÃO:
01.

02. bibliografias e resenhas: ATITUDES RACIAIS DE PRETOS E MULATOS EM SÃO PAULO

03.CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Altar e Memória” : Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

04. CONSCIÊNCIA NEGRA


CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Memória e Altar”: Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

15/05/2012

[Clique sobre a foto para vê-la em grande formato]

Cabeça da Rainha Mãe, Marfim, Civilização YORUBA, Nigéria

CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Altar e Memória” : Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

Puro impacto. As esculturas e máscaras de várias civilizações Africanas. Algumas da civilização NOK que remontam ao século V a.C. As máscaras africanas vão influenciar toda história das artes plásticas do século XX. Picasso, Modigliani e muitos outros pintores e escultores. Se pouca coisa entendo de arte, menos ainda sei das manifestações das múltiplas civilizações da África. Mas de uma coisa tenho certeza, a de que ninguém sairá imune desta visita à exposição. De minha parte, nesta última semana só consigo pensar e refletir sobre várias e várias esculturas e máscaras.

Escultura Civilização KUSU, Congo

Escultura Civilização YORUBA, Nigéria

Há quem diga que não é arte peças e artefatos que tem valores utilitários e instrumentais. Que seria mais adequado falar em folclore. Mas estou longe de conseguir fazer esta distinção, diante de tanta expressividade. Diante de uma máscara que sorri.  Ou com uma escultura onde o rosto do velho se desmilingue, como o relógio de Salvador Dali. Ou saber que a mesma civilização que retrata homens e mulheres de corpos alongados e outras distorções e deformações, quando fazem animais totalmente naturalistas. Tomaram a decisão de fazer assim.

Dezenas de máscaras. Várias Civilizações. Conteúdos diversos. Expressividades tamanhas.

Esculturas e máscaras “deformadas”  que vão influenciar correntes inteiras da arte do século XX, ou olhos escavados que vão reverberar em vários pintores modernos, ou ainda ver que pintura e escultura vãos se misturar entre si,e ainda se misturar  com roupas, adereços e colagens, rompendo fronteiras e os chamados suportes. Este pequeno texto não passa de um minúsculo apontamento diante da grandeza que senti diante de tudo que ali está exposto. Dá para saber que ali está apenas uma pequena parte do que existe espalhado pelo mundo, do que foi produzido e saqueado da África.

Escultura da Civilização SONGYE, Rep. Democrática do Congo

Mas esta pequena amostragem é suficiente para mostrar, para mim, o quanto sou ignorante diante desta grandeza e variedade cultural. Garanto que passarei o resto de minha vida estudando para compreender mais e amar mais. Mas, para mim, a influência sobre a cultura européia e moderna conta sim, mas o mais importante é o olhar livre. É ver com os olhos livres. Fui com jovenzinha de 12 anos que fotografou, comentou e vibrou.  E seu comentário foi um grande momento da minha visita: “Eles distorcem tudo, mas tudo é tão real e verdadeiro”. Ou, “tudo é diferente que a arte romana (que vimos juntos no MASP), pois tudo da África é expresivo e os romanos não”.

A exposição está muito amontoada o que prejudica muito a visibilidade das peças. Há mesmo pouca luz para máscaras que irradiam poderosas expressões, mesmo ainda que numa penumbra. Esta exposição irá para UNICAMP, em dois meses, como informaram. Espero que lá, como há muito espaço, possa cada peça ter um estante própria . (No MASP, a exposição dos imperadores romanos, cada peça, cada utensílio (ou agrupamentos de poucos deles)ocupavam  estantes e ambientes diferentes e espaçados. Não tenho dúvida que esta exposição: Altar e Memória, merece tratamento igual).

Nem sei o que dizer de quem não for ver e estudar esta exposição que estará por dois meses na CPFL e, disseram lá, vai depois para Unicamp.

É um grande ponto de encontro.

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LINK 01 – MAPA DAS CIVILIZAÇÕES AFRICANAS. Uma Visita ao Museu Afro Brasil
LINK 02 –


CULTURA MATERIAL E HISTÓRIA/MAE/USP


LINK 03 – Cultura material e Arte africana
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP


LINK 04 – Cultura material, Filosofia e Religião
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP


Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte?

13/05/2012

“Não seria difícil encontrar nessa arte africana alguns elementos de aproximação com os de correntes da arte ocidental, do naturalismo ao abstracionismo. Mas esse tipo de comparação não é capaz de desvendar o verdadeiro sentido da arte africana tradicional, porque esta não foi feita para ser realista ou cubista, isto é, ela não era um exercício de reflexão sobre a forma, ou sobre a matéria, como nas artes plásticas entre nós. Apesar disso, pode-se identificar na arte africana os elementos que permitiram a artistas, como Picasso, a revolucionar a arte ocidental”.Cultura material e História
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP

DUAS FACETAS QUE José D’Assunção Barros MOSTRA EXISTIR TAMBÉM NA ARTE AFRICANA E UM SÍNTESE AINDA MAIS PROFUNDA POR SEU ASPECTO DE QUERER REPRESENTAR O HOMEM EM GERAL, POR SEU ASPECTO COLETIVO.
“O cubismo, portanto, é uma invenção intelectual dos europeus, que nada tem a ver com a intenção dos africanos: enquanto no cubismo a representação do objeto se dá de diversos pontos de vista, em diversas de suas dimensões formais ao mesmo tempo, a estética africana busca, ao contrário, uma síntese do objeto ou do tema construído materialmente, plena de objetivo, inspiração e conteúdo.“Cultura material e História
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP

“Uma estátua não representa, normalmente, um Homem, mas um Ser Humano integral, que tem uma parte física e espiritual – do passado e do futuro. Tem, por isso, um lado sagrado, ligado às forças da Natureza e do Universo. Uma máscara ou uma estátua concentram forças inerentes do próprio material de que são constituídas, ou que comportam em seu interior ou superfície, além de sua própria força estética. Elas não têm, portanto, uma função meramente formal.”Cultura material e Arte africana
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP

No entanto o debate só se aprofunda. E esta citação que segue não é um apaziguamento. A fragmentação que é essencial no que é o Cubismo, tá presente, insistentemente, na arte africana. Portanto há mais que aparência formal. ” Características como narizes alongados e faces côncavas, visíveis em máscaras e esculturas africanas, por exemplo, mostram “a fragmentação típica da representação do nú feminino feita por Picasso”, afirma Martin”.Exposição explora influência africana na obra de Picasso

MAS MESMO ESTA EXPOSIÇÃO[na África do Sul], COMPARANDO CADA OBRA DE PICASSO COM AQUELA AFRICANA QUE INFLUENCIOU, E DA, TALVEZ, UMA PÁLIDA IDEIA DO QUE SIGNIFICOU A ARTE AFRICANA PARA A ARTE MODERNA OCIDENTAL. O ARTIGO LINCADO ABAIXO PROCURA DEMONSTRAR UMA GAMA DE LEITURAS. MOSTRA AS DIFERENÇAS DE VISÃO. MOSTRA AS INFLUÊNCIAS ESTÉTICAS, FORMAIS, EVIDENTES EM MUITOS PINTORES E ESCULTORES. MAS VAI TERMINAR MOSTRANDO QUE, PARA OS COMTEMPORÂNEOS, DEPOIS DA DÉCADA DE 60, A ARTE AFRICANA, MAIS QUE INFLUÊNCIAS QUE TEVE É, ANTES DE MAIS NADA, PRECURSORA DA ARTE A SER FEITA.
PARA MIM, SEMI-ANALFABETO EM ARTE É UM ARTIGO QUE ABRE MUITAS PERSPECTIVAS DE ESTUDO. E ESTE ARTIGO DE José D’Assunção Barros contém várias ilustrações, comparativas, interessantes.
VÃO, ABAIXO, O LINK E ALGUMAS CITAÇÕES, com títulos colocados por mim.

AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA
NA ARTE MODERNA
José D’Assunção Barros

“quando o encontro dos artistas europeus com diversas
alteridades artísticas permitiu uma completa recriação da arte europeia
e de suas possibilidades técnicas.” p. 01

MATISSE
“correntes da arte moderna a se interessar diretamente pela possibilidade
de aprender com as manifestações artísticas africanas foi a dos fauvistas,
sobretudo a partir de Henri Matisse”.p.02

“A escultura
matissiana é especialmente inspirada na estatuária africana – particularmente a partir de algumas peças que o artista francês adquirira em
1906 – e revela-se aí um dos gêneros através dos quais as diversas formas de expressão africanas puderam penetrar mais decisivamente na
arte moderna.”p.02

HÁ UMA GAMA IMENSA DE INFLUÊNCIAS:
“felizmente, os artistas ocidentais foram,
com alguma liberdade decifrando os artefatos africanos por camadas,
captando-lhes as dimensões que cada época permitia: a expressão, a
intensidade, a forma, a interatividade.”.p.41

BRANCUSI CRIA ESCULTURAS INÉDITAS, MAS A PARTIR DA ARTE AFRICANA:
“Foi assim que Brancusi (1856-1957), um dos principais escultores de tendência cubista, pôde apropriar-se das talhas em madeira da
África (mas também da Oceania), para idealizar e concretizar um tipo
de escultura inédito na civilização europeia”.p.43Outras escolhas foram as de Modigliani, que foi imediatamente

Memória e Altar: coleção Rogério Cerqueira LeiteMODIGLIANI, PINTURAS E ESCULTURAS CALCADAS NAS INFLUÊNCIAS AFRICANAS:
“atraído pelas esculturas e estatuetas de rostos alongados – e ele mesmo
produziu, a partir de 1908, esculturas próximas de alguns estilos africanos. Basta citar uma conhecida Cabeça de 1913, hoje na Galeria Tate
em Londres”.p.43

PICASSO, PINTURAS E ESCULTURAS, COM VÁRIAS LEITURAS DA ARTE AFRICANA. DAS MÁSCARAS E DAS ESCULTURAS.
“Em 1907, tendo como impactante marco o quadro Les Demoiselles
d’Avignon, Picasso começa a elaborar uma nova estética – logo denominada cubista, na sintonia com algumas pinturas que Braque já vinha
desenvolvendo. Essa nova estética fundamenta-se, grosso modo, na
destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade. Mas ela foi primordialmente inspirada nas máscaras rituais da
África, com as quais Picasso tivera contato naquele mesmo ano.”.p.44

MAIS DO QUE INFLUÊNCIAS. A PARTIR DE 1960, A ARTE AFRICANA VAI SER VISTA COMO PRECURSORA DA ARTE CONTEMPORÂNEA. OU MESMO ANTECIPADORA.
“Somente a partir da década de 1960, como veremos adiante, os
artistas ocidentais iriam dar-se conta de que a máscara poderia ser também um poderoso meio de integração com a natureza, com o ambiente e
com os misteriosos mecanismos instituidores de uma identidade mágico-religiosa. Mas, no princípio do século XX, a leitura ocidental das
máscaras africanas concentra-se nos aspectos estéticos, formais e expressivos – o que já foi certamente uma grande novidade para a época”.p.69

“A última dimensão a ser ressaltada para uma correta compreensão do que vem a ser a máscara ritualística – e esta será particularmente
importante para a segunda leitura da alteridade africana, que os artistas
ocidentais empreendem a partir dos anos 1960 – é a da coletividade”.p.70

“Assim, pode-se dizer que – mesmo quando pretende invocar com
intenso realismo o rosto humano – o artista africano libera-o daquelas
particularidades individuais que fariam dele algo como um retrato à
maneira ocidental, e, com isso, logra-se alcançar um máximo de intensidade expressiva generalizada. Os traços pessoais de um rosto são deliberadamente abolidos ou transfigurados, e a estrutura fundamental do
rosto, embora sugerindo em algumas situações um intenso realismo, é
obtida de maneira inusitada por uma bem calculada disposição dos volumes e das formas geométricas, em um vivo contraste que constitui a
sua trama fisionômica essencial. Com isto, a multiplicidade de formas
produzida pelas máscaras africanas – e também pelas esculturas dos
mesmos povos – parece recriar o próprio gênero humano transferindolhe imprevisíveis possibilidades formais e expressivas.”.p.71

“Não obstante essa imensa variedade de formas, a arte negra –
escultura ou máscara – apresenta uma direção estética bem definida:
ela é, sobretudo, uma arte de expressão que parte de dentro do humano
para fora, e que, portanto, se mostra como pura “invenção”, ao invés de
se configurar na reprodução ou na imitação da natureza, que está na
origem da escultura ocidental.”.p.71

“Quando examinamos algumas das máscaras e das esculturas negras, pertencentes às diversas culturas do continente africano, não podemos deixar de admirar a inventividade, a sofisticação e as audácias
que unem, criativamente, representação e abstração, através desses artefatos.”.p.71

John Golding, Cubism – A History of Analysis (1907-1914), Boston: Boston Book and Art
Shop, 1968, p.27:
Analisa neste livro que o que une Picasso e a arte africana é exatamente o intelectualismo. A capacidade de abstração.”Aqui, as ideias sobre certo tema é que
seriam a verdadeira chave para a elaboração dos objetos artísticos, permitindo, de um lado, a possibilidade de estilizar e reconstruir livremente a imagem de um homem, de um animal ou de qualquer outro objeto
presente na natureza, e, de outro, abrindo-se também oportunidades para
o exercício mental de uma simbolização através dessas imagens. Essa
dimensão conceitual é que estaria na base de uma ligação da arte negra
com obras como as Demoiselles e outras já francamente cubistas.”p.78

Outras analisam esta intersecção mais pelo conteúdo do que pela forma, mostrando o interesse de Picasso pelo sentido mágico.” William Rubin, um
pouco nessa direção, desenvolve a ideia de que Picasso teria sido atra-
ído pelas máscaras negras em virtude de seu significado mágico.p. 78

“É oportuno ressaltar que – à mesma época em que se desenvolvia
a assimilação das então chamadas “culturas primitivas” pelos cubistas,
fauvistas e outros campos estéticos – os músicos ocidentais também
abriam uma corrente estética que se empenhava em trabalhar com ritmos que eram percebidos como primitivos, pelos europeus, e com dan-
ças ritualísticas, fossem da África ou da América Latina. Alguns dos
exemplos mais notórios desse “primitivismo musical” – uma designa-
ção que frequentemente era evocada pelos músicos ocidentais – podem
ser encontrados na célebre Sagração da Primavera, de Stravinsky
(1913)
, ou no Allegro Bárbaro de Bela Bartók (1911). Essas obras despertaram o mesmo escândalo que algumas das pinturas cubistas, sobretudo o ballet Sagração da Primavera, que tematiza um mundo de sacrifícios pagãos e de ritmos selvagens. Dessa maneira, pode-se concluir
que a assimilação da “alteridade primitiva” foi um fenômeno amplo,
que abarcou as diversas modalidades de expressão artística e que corresponde de algum modo a uma tendência cultural mais ampla.p.”89

No mundo da arte ambiental e interativa do final dos anos 1960,
da superação dos limites tradicionais dos gêneros artísticos em direção
a um campo cada vez mais expandido, da arte pós-moderna ou da
ambiental participante, os artistas ocidentais passavam a se fascinar com
a possibilidade de encontrar uma equivalência entre “a sua atitude, o
seu trabalho, e a atitude e o trabalho do artista negro ou caduceu, nos
seus respectivos contextos sociais”.

” Os artistas ocidentais dos anos
60, preocupados com questões como a de vencer o isolamento do artista
em relação à sociedade, de alcançar o coletivo ou mesmo o mítico, subitamente se encantavam mais uma vez com a arte negra, que, no seu
contexto cultural e natural, alcançava precisamente isto.”p.92

“Esses artistas ocidentais finalmente percebiam que haviam sido
precedidos em suas atuais preocupações pelos artistas negros e de outras sociedades por eles consideradas como primitivas – estas que, como
eles, davam forma à vontade de modificar a ordem natural, de alterar de
maneira ativa e dinâmica, o ambiente em que estavam mergulhados.”p.92

OS ARTISTAS MODERNOS VÃO NOTAR QUE A ARTE NEGRA E OUTRAS CHAMADAS PRIMITIVAS, MAIS QUE INFLUÊNCIA, SÃO ARTES PRECURSORAS.
“É um mundo em que a
pintura salta para o universo escultórico, ou em que a escultura se torna
penetrável ou interferida pelo receptor de arte – interpenetrando-se, assim, de teatro e de vida – que permite que os artistas ocidentais aprendam, mais uma vez, com a alteridade africana que não conhecia obviamente estas limitações artísticas. O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Memória e Altar: coleção Rogério Cerqueira LeiteUm exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo”

NÃO É CITADO NOS TEXTOS, mas o que poderíamos chamar da diluição das artes, nos materiais de cultura popular, não deixa de ter, para mim, um vivo interesse.

. Seria interessante fazer um levantamento das influências da arte africana na chamada cultura POP. É quase evidente ver as chamadas distorções, alongamentos, afilamentos, economia de traços, expansões da imagem… uma gama de recursos para aumentar a expressividade. Os quadrinhos, as capas dos antigos LPs, as ilustrações de livros, etc.

OUTROS PINTORES E ESCULTORES NÃO CITADOS NOS TEXTOS,

mas que numa sumária olhada vê-se a influência marcante ou dominante da arte africana, ou no que ela tem de cerebral, ou no que tem de psicológico e de conteúdo, como analisou o artigo de José D’Assunção Barros

E O CINEMA?

O Site  A Matéria do Tempo posto o documentário de Alain Resnais, Les Statues meurent aussi[As Estátuas também Morrem], um libelo anticolonial que usa as máscaras e esculturas africanas como apoio para esta denuncia políica. Outro site, Cine-engodo, comenta tal documentário. Foi postado em francês, legendado em Inglês.
O site A Matéria do Tempo ainda trouxe um link da Sociedade de Geografia de Lisboa, cujo site traz vários links para museus etnográficos.

NA FOTOGRAFIA.

De Man Ray, um dos precursores do surrealismo na fotografia, segundo o livro Man Ray, da editora Taschen.
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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, DeJosé D’Assunção Barros
LINK 02 – LINKS APARA ALGUNS TEXTOS SOBRE ARTE AFRICANA