Graffiti and Urban Art. Presença, Presente e lance.

18/11/2012

Priscila Salomão, um presente – e um sol na cabeça. Dia 17/11/2012, 60 anos do diretor deste jornaleco, com performance de 40 e desejos de 20. Priscila a personal agitadora cultural e outras bossas.

Graffiti and Urban Art: Cristian Campos:Editorial Projetct. Barcelona, Espain. Biblioteca Mário VII-073.200 C001g

Presente da pequena comemoração dos meus 60 anos. Presente, Priscila. E um presente, foi sua presença, Priscila. E de presente o que poderíamos chamar de um presente, um regalo, um iniciar de presentes cotidianos, comemorações diárias, pela abertura para novas descobertas – obrigado por este caro, já querido, e magnífico livro.       [Biblioteca Mário]

Suso 33, máscara

Priscila chegou mostrando essa página em que viu as máscaras africanas que nos causaram tanto impacto – e causa. Novamente intuiu. A obra chama-se máscara.

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Na primeira olhada o que mais impressionou foi SUSO33. Aproveitando os horrores da arquitetura urbana. Principalmente as ruínas e demolições. Este horror que parece provisório terá uma arte provisória. Quase que como se quiséssemos que as ruínas continuassem. Teria, se tivesse contato direto, uma espécie de saudade antecipada.

E Priscila já da a dica:Giacometti. Não é difícil ver nesta máscara de Suso a gaiola de Giacometti enquadra e dirige o olhar.

Á árvore, ao fundo, no cemitério – parece -, também é uma garatuja natural. Como são garatujadas as máscaras, como também podemos ver em Giacometti. [há algo semelhante nas “hachuras” de Toulouse-Lutrec – a estudar e conferir].

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Desavergonhada Utopia Socialista em forma de plataforma

Primeiro uma distopia: quando é que os socialistas vão reconhecer que a chamada história do socialismo real é uma história da inimizade dos socialistas com a arte. Há períodos que fazer arte na Rússia, que se chamava União Soviética, era um crime lesa estado. Põe-se, normalmente, tudo na conta do stalinismo brutal, ignorante e sanguinolento.  Mas eu não tenho provas de que o período bolchevique houve liberdade artística, como deve ser, total absoluta, anárquica.

Gostaria de ver um jornal “nanico”, chamados de operários e de jovens operários, adotar o graffiti, a arte de rua, nas suas imagens.  Uma arte gratuita. Fora do sistema. Inventiva. De intervenção e ação. Não é e nem deve ser a única arte, mas uma intervenção na vida urbana, melhor ainda, uma intervenção na vida. Que deve ser um único metro para medir as coisas. Tudo que representa morte é religião, é cristianismo, eu auto-flagelação, é asceticismo.

E a mais revolucionária, para mim, arte de rua, é exatamente a que não é propaganda política ou social, mas que intervém, pelo visual, a vida nefasta do capitalismo, com suas demolições, degradações, exclusões.

Suso 33 , ausencia. Mas que é antes de mais nada, presença do artista num lugar totalmente inóspito, inesperado, dando vida á destruição e morte que é uma face do capitalismo.

O luta para o socialismo tem que ganhar todos os artistas, do folclórico ao arte de vanguarda-de invenção.  Para isso o total anarquismo em arte. Total e absoluta tolerância.

Substituir os  jornais feios e maçudos da esquerda, por algo ligado a uma vida pulsante seria uma ato de vanguarda revolucionária.

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links

01. SUSO 33

02. google, imagens de Suso 33
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pingback

01. Alter e Memória, apontamento 01
02. Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações
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novidade da semana

01.RENAUD GARCIA-FONS [procure no Grooveshark, especialmente por Poussière de Ksar ]. Procurando por violoncelo na música flamenca deparei com este contrabaixo (dauble bass).  Há 3 ou 4 dias que só ouço isso. E não me cansei.

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Giacometti: repercussão na arte brasileira

27/07/2012

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Galeria

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Este post será constantemente atualizado.


Parangolés, Hélio Oiticica. Apontamento 03

06/06/2012

PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN

Apresentação do Vodu Egoun. Uidá, Benin, 2009. Esta é a legenda da foto original. Foto(detalhe) da foto de Ricardo Teles , O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias, ed.Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Esta foto de Ricardo Teles(este detalhe dá uma pálida ideia da expressividade da foto) – em O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias – que me levou a fazer este outro apontamento. O artigo de José D’Assunção Barros martelava, na minha cabeça, que os PARANGOLÉS, de Hélio Oiticica tinham influência da arte africana (cito abaixo o trecho do artigo).Mas achei, vendo a foto, que não é apenas no conceito de “expandido”, ou seja, não uma influência apenas conceitual, apenas uma referência, mas viva, acontecendo ainda hoje. Mas me parece que é a as manifestações culturais africanas, de hoje, atuais, que influenciaram também. E quero procurar estas influências na arte mais contemporânea. Em Hélio Oiticica há uma influência da África atual. Há, talvez, uma profunda continuidade entre a África antiga e a moderna. E a arte de vanguarda de Hélio Oiticica bebe neste arcaico e neste popular, ou mesmo religioso. Neste caso não há dicotomia entre vanguarda e o popular. Ou o popular e laico, influenciando o religioso, como abordarei em outro post sobre a influência do carnaval brasileiro, interferindo nas bandeiras do Vodu, no Haiti.

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biblioteca Mário 000.007

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CAETANO VELOSO NÃO SE LEMBRA DE CAETANO VELOSO

Singer and composer Caetano Veloso wearing Oiticica’s P 04 Parangolé Cape 01 1964 in 1968 © Projeto Hélio Oiticica. Photo: Andreas Valentim.

Durante anos, mantendo e cultivando minha ignorância, todas as vezes que ouviu ou lia a palavra PARANGOLÉ, mais que Hélio Oiticica, me lembrava desta foto de Caetano Veloso. Parece que mantive durante anos um grande equívoco quando leio o livro de Caetano Veloso, Verdades Tropicais, da Cia. das Letras.
Olhando para da data, 1968, da legenda da foto, se exata, acho que Caetano Veloso veste um Parangolé apenas para se enfeitar. Pelo seu livro, não passou disso.

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16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

Dia 16 de outubro de 2009 deve ser recordado como um dia de destruição do patrimônio cultural brasileiro. E parece, passados quase 3 anos, que ninguém se importa. Este blog pretende lembrar esta data todos os anos. E estudar Hélio Oiticica.
REPORTAGEM DO JORNAL O GLOBO

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QUEM REALMENTE SE IMPORTA?

Por exemplo, o artigo José D’Assunção Barros deixa claro a influência da cultura africana nestes parangolés (que não existem mais, que foram queimados, como vimos acima). E seria de interesse de no mínimo, mais de metade da população brasileira, a preservação desta obra. Mas uma pessoa vai determinar o rumo de tudo porque é o herdeiro. Quando o herdeiro deveria ser toda a população brasileira. Arquivos públicos também correm perigo, mas obras amontoadas em casas particulares é pior ainda. Mas a notícia do Globo, abaixo, à certa altura comenta as “briguinhas” com um museu americano, mas não fala de quem deveria esgar brigando é o poder público, para ter estas obras sob sua guarda. O irmão de Hélio Oiticica, singelamente,fala de uma briguinha com um museu americano que queria as obras. Parece que não lamenta a perda. Ou pode ser a família inteira de olho gordo na “herança”. Agora pode até ser que vai aumentar o preço do que sobrou, numa espécie de queima do excesso; já que a reportagem cita uma obra vendida, em maio de 2009, um dos “Metaesquemas”, o de número 19, que era estimado em U$ 80 mil, foi arrematado por U$180 mil. Quanto valerão agora os outros que, como diz a reportagem, foram todos salvos por estar em outra sala. E ainda falando do irmão do artista que lamenta o prejuízo de 200 milhões. É o maldito direito de herança. Este irmão ou a família toda, certamente, vão encher a burra de ganhar dinheiro, com o que pode ser salvo do incêndio. Na reportagem o tal irmão não lamenta, o quê era de se esperar, que os parangolés foram completamente destruídos. E a reportagem comenta que é(era) a principal obra do artista.[A reportagem não diz se sobrou, em algum museu, alguns destes parangolés]. Leia a reportagem: “Em 1981, um ano após a sua morte – em 22 de março de 1980 -, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996”. Leia a reportagem:. Deveria ser óbvio que as obras deveriam estar nos museus e centros culturais. Herdeiros que amontoam obras, para faturar em cima de algo que jamais produziu, dá nisso. Destruição. Direito de herança,direito autoral para herdeiros – ridículo, já que não escreveram nada – é o principal ataque à memória e a cultura.

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

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AS GAIOLAS DE GIACOMETTI E UM PARANGOLÉ DE HÉLIO OITICICA

E não é que fuçando no google, para fazer este post, acabei vendo uma influência, de Giacometti em Hélio Oiticica.

Giacometti, outro exemplo de Gaiola

Alberto Giacometti_The Cage, 1930-31

Parangolé, Hélio Oiticica, fonte Google

Acho que Hélio Oiticica foi buscar este formato nas gaiolas de Giacometti.

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TROPICÁLIA.

O livro de Caetano Veloso diz que o nome, apanhado de Hélio Oiticica, não passou de um nome. Que ele aceito a sugestão a contragosto e porque não tinha como recuar quando todos já falavam que a música, sem título, era tropicália. No livro se diz até conformado com o nome tropicalismo que odiava.

O índice remissivo de “Verdade Tropical”, remete a 12 páginas que falam de Hélio Oiticica. Engano total. Li o livro quando saiu e me passou despercebido o nome de Hélio Oiticica. Revendo as remissões, hoje, constato que, além das páginas 425-427, as outras 10 páginas são apenas breves referências anedóticas. Que me deixou em total ignorância de quem foi, naquele momento, e para a Tropicália, Hélio Oiticica. Nas páginas 425-427 há uma série de adjetivos superlativos. Mas ao que parece, Caetano nega qualquer influência, além do nome Tropicália, de Hélio Oiticica na sua obra. E nem deixa entrever, apesar dos elogios, se esta obra tem alguma importância. Nem fala que vestiu um Parangolé, coisa que, quando vejo o nome de Hélio Oiticica, invade minha memória. ………………………………………………………………………………………………………………………………………….
O artigo de José D’Assunção Barros, sobre a cultura africana,AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANANA ARTE MODERNA já resumido num post neste blog, post cujo titulo é: Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte? e demonstra, neste artigo, que os parangolés são um herança da arte africana. E não esquecer a foto de Ricardo Teles do vodu em Benin. ………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Paarangolé, Hélio Oiticica., Google

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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, de José D’Assunção Barros.
Apenas relaciona Hélio Oiticica com o conceito de “EXPANDIDO”. A citação abaixo é o que fala de Hélio Oiticica.
“O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Um exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo.”
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METAESQUEMAS 19.

Hélio Oiticica (Brazilian, 1937-1980), Metaesquema 19, 1957-58, Gouache on board, 45 x 53.3 cm, © 2007 Projeto Hélio Oiticica.

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links

Parangolé, Hélio Oiticica. Foto que ilustra o artigo de Daniela Name

LINK 02 – Obra de arte não é foto de família, artigo de Daniela Name

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links [atualizações]

03 . Ministério da Cultura Hélio Oiticica – Museu é o Mundo

“A exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo, chega nesta terça-feira (21) ao Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. Essa é a maior mostra já realizada sobre Hélio Oiticica e faz parte da itinerância que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Após Brasília, a exposição segue para Belém.”, querem dizer 21 de dezembro de 2010. Não soube que chegasse à São Paulo. Muito menos à Campinas/SP, onde tem duas universidades, uns 50 mil estudantes, e nenhuma atividade cultural.

04. ANGELA VARELLA SAVINO, LIBERDADE CRIADORA E HIBRIDISMO DE HÉLIO OITICICA À EDUARDO KAC

Partindo do conceito de liberdade criadora de Bergson e a relação da arte com a vida,
o objetivo é ir ao encontro da ação de hibridismo (o movimento de construção de mistura de
linguagens artísticas dos primórdios ao movimento moderno), na trajetória de libertação da
arte de seus suportes convencionais ao corpo, utilizando como cenário de observação além de
exemplos de obras e ações de hibridismo no contexto do período dos anos 50 aos anos 90, as
obras representativas de dois artistas expoentes: Hélio Oiticica e Eduardo Kac, no intuito de
configurar o cenário da relação interdisciplinar dos elementos: corpo, vida, arte e tecnologia.
Palavras-chave: LIBERDADE – HIBRIDISMO – VIDA – ARTE – TECNOLOGIA


Pia de água benta na cidade de Goiás e esculturas das Civilizações Africanas

31/05/2012

Escultura BAOLÊ, Costa do Marfim, “Memória e Altar”, coleção de Rogério Cerqueira Leite. Registro a quantidade de esculturas onde tem um cabeça totalmente trabalhada.
TODAS AS FOTOS PODEM SER VISTAS EM TAMANHO MAIOR, BASTANDO CORRER MOUSE SOBRE ELAS.

As esculturas e máscaras das civilizações africanas influenciaram toda a arte do século XX. De Picasso aos parangolés de Hélio Oiticica. Sabemos também que esta esculturas e máscaras foram saqueadas na África. E no final da década de 20 e início de 30, quando, por exemplo, Alberto Giacometti começou a se interessar e usá-las em suas esculturas e desenhos, estas máscaras e esculturas já estavam totalmente banalizadas e vendidas como suvenires em Paris. Mesmo assim a força destes objetos africanos, também da Oceania, influenciarão decisivamente este grande escultor, pintor, desenhista, xilogravurista…

Pia de água benta de escultor desconhecido, século XVIII.Obra localizada no Museu das Bandeiras, Goiás-GO.

Passando por Goiás, e com a cabeça cheia de Arte Africana, de Giacometti, cuja exposição na Pinacoteca de São Paulo tinha visitado, e na volta de Goiás visitei novamente, vi esta pia de água benta, uma escultura que lembra muito a arte africana. Como é de escultor desconhecido, poderia ser de algum escultor escravo, ou influenciado pela cultura dos escravos brasileiros, tal a semelhança com muitas esculturas expostas na CPFL-Campinas/SP, na exposição denominada “Memória e Altar”, coleção de Rogério Cerqueira Leite. Exposição já comentada aqui e que será por muitos anos, já que pretendo resenhar livros e publicações sobre o tema. Já adquiri alguns livros e pretendo comprar outros.

Escultura da Civilização SONGYE, República Democrática do Congo. Chama a atenção para a cabeça com um recipiente, parecendo um feitiço.
No caso da Pia de água benta, notei que tem feições africanas, quando, quase sempre povoam as igrejas católicas esculturas com feições européias. Da exposição “Memória e Altar”, na CPFL, coleção de Rogério Cerqueira Leite

Cartaz do museu… com a procedência da pia de água benta.

Como podemos ler no cartaz, no museu em Goiás-GO, esta pia de água benta é de escultor desconhecido.

Pia de água benta, Goiás-GO.

Pelas feições à exceção do cabelo, mais ainda pela postura, me levou a acreditar que seja de um escultor de origem africana ou influenciado pela cultura africana. Seria um sincretismo na contramão. Há a famosa lavagem das escadarias do Bonfim, mas escadarias, fora da igreja, ou santos católicos identificados com entidades afros. Mas aqui a pia de água benta faz parte dos rituais da igreja Católica, dentro da igreja. Aqui, talvez, o negro levou para dentro da Igreja Católica a sua visão de mundo. Ou à sua imagem (e semelhança) do seu mundo. Outras ocorrências destas me interessam muitíssimo. Mais uma coisa para estudar!


Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte?

13/05/2012

“Não seria difícil encontrar nessa arte africana alguns elementos de aproximação com os de correntes da arte ocidental, do naturalismo ao abstracionismo. Mas esse tipo de comparação não é capaz de desvendar o verdadeiro sentido da arte africana tradicional, porque esta não foi feita para ser realista ou cubista, isto é, ela não era um exercício de reflexão sobre a forma, ou sobre a matéria, como nas artes plásticas entre nós. Apesar disso, pode-se identificar na arte africana os elementos que permitiram a artistas, como Picasso, a revolucionar a arte ocidental”.Cultura material e História
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP

DUAS FACETAS QUE José D’Assunção Barros MOSTRA EXISTIR TAMBÉM NA ARTE AFRICANA E UM SÍNTESE AINDA MAIS PROFUNDA POR SEU ASPECTO DE QUERER REPRESENTAR O HOMEM EM GERAL, POR SEU ASPECTO COLETIVO.
“O cubismo, portanto, é uma invenção intelectual dos europeus, que nada tem a ver com a intenção dos africanos: enquanto no cubismo a representação do objeto se dá de diversos pontos de vista, em diversas de suas dimensões formais ao mesmo tempo, a estética africana busca, ao contrário, uma síntese do objeto ou do tema construído materialmente, plena de objetivo, inspiração e conteúdo.“Cultura material e História
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP

“Uma estátua não representa, normalmente, um Homem, mas um Ser Humano integral, que tem uma parte física e espiritual – do passado e do futuro. Tem, por isso, um lado sagrado, ligado às forças da Natureza e do Universo. Uma máscara ou uma estátua concentram forças inerentes do próprio material de que são constituídas, ou que comportam em seu interior ou superfície, além de sua própria força estética. Elas não têm, portanto, uma função meramente formal.”Cultura material e Arte africana
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP

No entanto o debate só se aprofunda. E esta citação que segue não é um apaziguamento. A fragmentação que é essencial no que é o Cubismo, tá presente, insistentemente, na arte africana. Portanto há mais que aparência formal. ” Características como narizes alongados e faces côncavas, visíveis em máscaras e esculturas africanas, por exemplo, mostram “a fragmentação típica da representação do nú feminino feita por Picasso”, afirma Martin”.Exposição explora influência africana na obra de Picasso

MAS MESMO ESTA EXPOSIÇÃO[na África do Sul], COMPARANDO CADA OBRA DE PICASSO COM AQUELA AFRICANA QUE INFLUENCIOU, E DA, TALVEZ, UMA PÁLIDA IDEIA DO QUE SIGNIFICOU A ARTE AFRICANA PARA A ARTE MODERNA OCIDENTAL. O ARTIGO LINCADO ABAIXO PROCURA DEMONSTRAR UMA GAMA DE LEITURAS. MOSTRA AS DIFERENÇAS DE VISÃO. MOSTRA AS INFLUÊNCIAS ESTÉTICAS, FORMAIS, EVIDENTES EM MUITOS PINTORES E ESCULTORES. MAS VAI TERMINAR MOSTRANDO QUE, PARA OS COMTEMPORÂNEOS, DEPOIS DA DÉCADA DE 60, A ARTE AFRICANA, MAIS QUE INFLUÊNCIAS QUE TEVE É, ANTES DE MAIS NADA, PRECURSORA DA ARTE A SER FEITA.
PARA MIM, SEMI-ANALFABETO EM ARTE É UM ARTIGO QUE ABRE MUITAS PERSPECTIVAS DE ESTUDO. E ESTE ARTIGO DE José D’Assunção Barros contém várias ilustrações, comparativas, interessantes.
VÃO, ABAIXO, O LINK E ALGUMAS CITAÇÕES, com títulos colocados por mim.

AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA
NA ARTE MODERNA
José D’Assunção Barros

“quando o encontro dos artistas europeus com diversas
alteridades artísticas permitiu uma completa recriação da arte europeia
e de suas possibilidades técnicas.” p. 01

MATISSE
“correntes da arte moderna a se interessar diretamente pela possibilidade
de aprender com as manifestações artísticas africanas foi a dos fauvistas,
sobretudo a partir de Henri Matisse”.p.02

“A escultura
matissiana é especialmente inspirada na estatuária africana – particularmente a partir de algumas peças que o artista francês adquirira em
1906 – e revela-se aí um dos gêneros através dos quais as diversas formas de expressão africanas puderam penetrar mais decisivamente na
arte moderna.”p.02

HÁ UMA GAMA IMENSA DE INFLUÊNCIAS:
“felizmente, os artistas ocidentais foram,
com alguma liberdade decifrando os artefatos africanos por camadas,
captando-lhes as dimensões que cada época permitia: a expressão, a
intensidade, a forma, a interatividade.”.p.41

BRANCUSI CRIA ESCULTURAS INÉDITAS, MAS A PARTIR DA ARTE AFRICANA:
“Foi assim que Brancusi (1856-1957), um dos principais escultores de tendência cubista, pôde apropriar-se das talhas em madeira da
África (mas também da Oceania), para idealizar e concretizar um tipo
de escultura inédito na civilização europeia”.p.43Outras escolhas foram as de Modigliani, que foi imediatamente

Memória e Altar: coleção Rogério Cerqueira LeiteMODIGLIANI, PINTURAS E ESCULTURAS CALCADAS NAS INFLUÊNCIAS AFRICANAS:
“atraído pelas esculturas e estatuetas de rostos alongados – e ele mesmo
produziu, a partir de 1908, esculturas próximas de alguns estilos africanos. Basta citar uma conhecida Cabeça de 1913, hoje na Galeria Tate
em Londres”.p.43

PICASSO, PINTURAS E ESCULTURAS, COM VÁRIAS LEITURAS DA ARTE AFRICANA. DAS MÁSCARAS E DAS ESCULTURAS.
“Em 1907, tendo como impactante marco o quadro Les Demoiselles
d’Avignon, Picasso começa a elaborar uma nova estética – logo denominada cubista, na sintonia com algumas pinturas que Braque já vinha
desenvolvendo. Essa nova estética fundamenta-se, grosso modo, na
destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade. Mas ela foi primordialmente inspirada nas máscaras rituais da
África, com as quais Picasso tivera contato naquele mesmo ano.”.p.44

MAIS DO QUE INFLUÊNCIAS. A PARTIR DE 1960, A ARTE AFRICANA VAI SER VISTA COMO PRECURSORA DA ARTE CONTEMPORÂNEA. OU MESMO ANTECIPADORA.
“Somente a partir da década de 1960, como veremos adiante, os
artistas ocidentais iriam dar-se conta de que a máscara poderia ser também um poderoso meio de integração com a natureza, com o ambiente e
com os misteriosos mecanismos instituidores de uma identidade mágico-religiosa. Mas, no princípio do século XX, a leitura ocidental das
máscaras africanas concentra-se nos aspectos estéticos, formais e expressivos – o que já foi certamente uma grande novidade para a época”.p.69

“A última dimensão a ser ressaltada para uma correta compreensão do que vem a ser a máscara ritualística – e esta será particularmente
importante para a segunda leitura da alteridade africana, que os artistas
ocidentais empreendem a partir dos anos 1960 – é a da coletividade”.p.70

“Assim, pode-se dizer que – mesmo quando pretende invocar com
intenso realismo o rosto humano – o artista africano libera-o daquelas
particularidades individuais que fariam dele algo como um retrato à
maneira ocidental, e, com isso, logra-se alcançar um máximo de intensidade expressiva generalizada. Os traços pessoais de um rosto são deliberadamente abolidos ou transfigurados, e a estrutura fundamental do
rosto, embora sugerindo em algumas situações um intenso realismo, é
obtida de maneira inusitada por uma bem calculada disposição dos volumes e das formas geométricas, em um vivo contraste que constitui a
sua trama fisionômica essencial. Com isto, a multiplicidade de formas
produzida pelas máscaras africanas – e também pelas esculturas dos
mesmos povos – parece recriar o próprio gênero humano transferindolhe imprevisíveis possibilidades formais e expressivas.”.p.71

“Não obstante essa imensa variedade de formas, a arte negra –
escultura ou máscara – apresenta uma direção estética bem definida:
ela é, sobretudo, uma arte de expressão que parte de dentro do humano
para fora, e que, portanto, se mostra como pura “invenção”, ao invés de
se configurar na reprodução ou na imitação da natureza, que está na
origem da escultura ocidental.”.p.71

“Quando examinamos algumas das máscaras e das esculturas negras, pertencentes às diversas culturas do continente africano, não podemos deixar de admirar a inventividade, a sofisticação e as audácias
que unem, criativamente, representação e abstração, através desses artefatos.”.p.71

John Golding, Cubism – A History of Analysis (1907-1914), Boston: Boston Book and Art
Shop, 1968, p.27:
Analisa neste livro que o que une Picasso e a arte africana é exatamente o intelectualismo. A capacidade de abstração.”Aqui, as ideias sobre certo tema é que
seriam a verdadeira chave para a elaboração dos objetos artísticos, permitindo, de um lado, a possibilidade de estilizar e reconstruir livremente a imagem de um homem, de um animal ou de qualquer outro objeto
presente na natureza, e, de outro, abrindo-se também oportunidades para
o exercício mental de uma simbolização através dessas imagens. Essa
dimensão conceitual é que estaria na base de uma ligação da arte negra
com obras como as Demoiselles e outras já francamente cubistas.”p.78

Outras analisam esta intersecção mais pelo conteúdo do que pela forma, mostrando o interesse de Picasso pelo sentido mágico.” William Rubin, um
pouco nessa direção, desenvolve a ideia de que Picasso teria sido atra-
ído pelas máscaras negras em virtude de seu significado mágico.p. 78

“É oportuno ressaltar que – à mesma época em que se desenvolvia
a assimilação das então chamadas “culturas primitivas” pelos cubistas,
fauvistas e outros campos estéticos – os músicos ocidentais também
abriam uma corrente estética que se empenhava em trabalhar com ritmos que eram percebidos como primitivos, pelos europeus, e com dan-
ças ritualísticas, fossem da África ou da América Latina. Alguns dos
exemplos mais notórios desse “primitivismo musical” – uma designa-
ção que frequentemente era evocada pelos músicos ocidentais – podem
ser encontrados na célebre Sagração da Primavera, de Stravinsky
(1913)
, ou no Allegro Bárbaro de Bela Bartók (1911). Essas obras despertaram o mesmo escândalo que algumas das pinturas cubistas, sobretudo o ballet Sagração da Primavera, que tematiza um mundo de sacrifícios pagãos e de ritmos selvagens. Dessa maneira, pode-se concluir
que a assimilação da “alteridade primitiva” foi um fenômeno amplo,
que abarcou as diversas modalidades de expressão artística e que corresponde de algum modo a uma tendência cultural mais ampla.p.”89

No mundo da arte ambiental e interativa do final dos anos 1960,
da superação dos limites tradicionais dos gêneros artísticos em direção
a um campo cada vez mais expandido, da arte pós-moderna ou da
ambiental participante, os artistas ocidentais passavam a se fascinar com
a possibilidade de encontrar uma equivalência entre “a sua atitude, o
seu trabalho, e a atitude e o trabalho do artista negro ou caduceu, nos
seus respectivos contextos sociais”.

” Os artistas ocidentais dos anos
60, preocupados com questões como a de vencer o isolamento do artista
em relação à sociedade, de alcançar o coletivo ou mesmo o mítico, subitamente se encantavam mais uma vez com a arte negra, que, no seu
contexto cultural e natural, alcançava precisamente isto.”p.92

“Esses artistas ocidentais finalmente percebiam que haviam sido
precedidos em suas atuais preocupações pelos artistas negros e de outras sociedades por eles consideradas como primitivas – estas que, como
eles, davam forma à vontade de modificar a ordem natural, de alterar de
maneira ativa e dinâmica, o ambiente em que estavam mergulhados.”p.92

OS ARTISTAS MODERNOS VÃO NOTAR QUE A ARTE NEGRA E OUTRAS CHAMADAS PRIMITIVAS, MAIS QUE INFLUÊNCIA, SÃO ARTES PRECURSORAS.
“É um mundo em que a
pintura salta para o universo escultórico, ou em que a escultura se torna
penetrável ou interferida pelo receptor de arte – interpenetrando-se, assim, de teatro e de vida – que permite que os artistas ocidentais aprendam, mais uma vez, com a alteridade africana que não conhecia obviamente estas limitações artísticas. O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Memória e Altar: coleção Rogério Cerqueira LeiteUm exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo”

NÃO É CITADO NOS TEXTOS, mas o que poderíamos chamar da diluição das artes, nos materiais de cultura popular, não deixa de ter, para mim, um vivo interesse.

. Seria interessante fazer um levantamento das influências da arte africana na chamada cultura POP. É quase evidente ver as chamadas distorções, alongamentos, afilamentos, economia de traços, expansões da imagem… uma gama de recursos para aumentar a expressividade. Os quadrinhos, as capas dos antigos LPs, as ilustrações de livros, etc.

OUTROS PINTORES E ESCULTORES NÃO CITADOS NOS TEXTOS,

mas que numa sumária olhada vê-se a influência marcante ou dominante da arte africana, ou no que ela tem de cerebral, ou no que tem de psicológico e de conteúdo, como analisou o artigo de José D’Assunção Barros

E O CINEMA?

O Site  A Matéria do Tempo posto o documentário de Alain Resnais, Les Statues meurent aussi[As Estátuas também Morrem], um libelo anticolonial que usa as máscaras e esculturas africanas como apoio para esta denuncia políica. Outro site, Cine-engodo, comenta tal documentário. Foi postado em francês, legendado em Inglês.
O site A Matéria do Tempo ainda trouxe um link da Sociedade de Geografia de Lisboa, cujo site traz vários links para museus etnográficos.

NA FOTOGRAFIA.

De Man Ray, um dos precursores do surrealismo na fotografia, segundo o livro Man Ray, da editora Taschen.
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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, DeJosé D’Assunção Barros
LINK 02 – LINKS APARA ALGUNS TEXTOS SOBRE ARTE AFRICANA