CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Memória e Altar”: Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

15/05/2012

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Cabeça da Rainha Mãe, Marfim, Civilização YORUBA, Nigéria

CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Altar e Memória” : Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

Puro impacto. As esculturas e máscaras de várias civilizações Africanas. Algumas da civilização NOK que remontam ao século V a.C. As máscaras africanas vão influenciar toda história das artes plásticas do século XX. Picasso, Modigliani e muitos outros pintores e escultores. Se pouca coisa entendo de arte, menos ainda sei das manifestações das múltiplas civilizações da África. Mas de uma coisa tenho certeza, a de que ninguém sairá imune desta visita à exposição. De minha parte, nesta última semana só consigo pensar e refletir sobre várias e várias esculturas e máscaras.

Escultura Civilização KUSU, Congo

Escultura Civilização YORUBA, Nigéria

Há quem diga que não é arte peças e artefatos que tem valores utilitários e instrumentais. Que seria mais adequado falar em folclore. Mas estou longe de conseguir fazer esta distinção, diante de tanta expressividade. Diante de uma máscara que sorri.  Ou com uma escultura onde o rosto do velho se desmilingue, como o relógio de Salvador Dali. Ou saber que a mesma civilização que retrata homens e mulheres de corpos alongados e outras distorções e deformações, quando fazem animais totalmente naturalistas. Tomaram a decisão de fazer assim.

Dezenas de máscaras. Várias Civilizações. Conteúdos diversos. Expressividades tamanhas.

Esculturas e máscaras “deformadas”  que vão influenciar correntes inteiras da arte do século XX, ou olhos escavados que vão reverberar em vários pintores modernos, ou ainda ver que pintura e escultura vãos se misturar entre si,e ainda se misturar  com roupas, adereços e colagens, rompendo fronteiras e os chamados suportes. Este pequeno texto não passa de um minúsculo apontamento diante da grandeza que senti diante de tudo que ali está exposto. Dá para saber que ali está apenas uma pequena parte do que existe espalhado pelo mundo, do que foi produzido e saqueado da África.

Escultura da Civilização SONGYE, Rep. Democrática do Congo

Mas esta pequena amostragem é suficiente para mostrar, para mim, o quanto sou ignorante diante desta grandeza e variedade cultural. Garanto que passarei o resto de minha vida estudando para compreender mais e amar mais. Mas, para mim, a influência sobre a cultura européia e moderna conta sim, mas o mais importante é o olhar livre. É ver com os olhos livres. Fui com jovenzinha de 12 anos que fotografou, comentou e vibrou.  E seu comentário foi um grande momento da minha visita: “Eles distorcem tudo, mas tudo é tão real e verdadeiro”. Ou, “tudo é diferente que a arte romana (que vimos juntos no MASP), pois tudo da África é expresivo e os romanos não”.

A exposição está muito amontoada o que prejudica muito a visibilidade das peças. Há mesmo pouca luz para máscaras que irradiam poderosas expressões, mesmo ainda que numa penumbra. Esta exposição irá para UNICAMP, em dois meses, como informaram. Espero que lá, como há muito espaço, possa cada peça ter um estante própria . (No MASP, a exposição dos imperadores romanos, cada peça, cada utensílio (ou agrupamentos de poucos deles)ocupavam  estantes e ambientes diferentes e espaçados. Não tenho dúvida que esta exposição: Altar e Memória, merece tratamento igual).

Nem sei o que dizer de quem não for ver e estudar esta exposição que estará por dois meses na CPFL e, disseram lá, vai depois para Unicamp.

É um grande ponto de encontro.

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LINK 01 – MAPA DAS CIVILIZAÇÕES AFRICANAS. Uma Visita ao Museu Afro Brasil
LINK 02 –


CULTURA MATERIAL E HISTÓRIA/MAE/USP


LINK 03 – Cultura material e Arte africana
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP


LINK 04 – Cultura material, Filosofia e Religião
Formas de Humanidade, Museu de Arqueologia e Etimologia, USP