Muro – Expressar, escrever história, respeito e liberdade

13/05/2017
13.05.17-arte rua - expressar - liberdade (2)

Quase ninguém passa nesta rua

13.05.17-arte rua - expressar - liberdade (5)

Alguém quer furiosamente se expressar

13.05.17-arte rua - expressar - liberdade (6)

E escreve sua história,
esmurrando muros e o português

13.05.17-arte rua - expressar - liberdade (9)

Outra pede respeito para as mina
e liberdade

arte de rua - expressar - liberdade

São três pistas:
Todo mundo aqui está preso na velocidade.


comentários de Mário ao texto do Jefferson

20/02/2010

Olá Jefferson,

Legal sua contribuição. Li outro artigo seu do Blog (link http://midiaequestaosocial.blogspot.com/2010/02/editoria-estranha-semelhanca-com-utopia.html) sobre liberdade de imprensa. E acabei ligando os dois artigos. E acho que o segundo está mais de acordo com o que acontece na Unicamp e no Brasil. Ou seja, calou mais fundo.


Jefferson e Mário

Não é apenas que não tenha liberdade de Imprensa. Na Unicamp todas as liberdades estão em jogo. Inclusive a liberdade mais elementar do concurso público, pois para concurso que exige curso superior, para os funcionários, há uma entrevista, ou seja, a instrumento de poder, manipulação ou mesmo corrupção. Mais, numa entrevista o entrevistador poderá exercer todos os seus preconceitos, de classe, preconceitos “raciais”, homofóbicos, sexistas… Mas os mestrados e doutorados são escolhidos por entrevista. Ou seja, todos passíveis de manipulação, autoritarismo e controle. Os estudantes, em toda a graduação, são, antes de tudo, domesticados. [veja no jornaldoporao.wordpress.com ao artigo de Maurício Tragtemberg “A Delinquência Acadêmica”, e ENTREVISTAS EM CONCURSOS Uma das artimanhas DOS CORRUPTOS
Vivemos numa sociedade de controle.

Para não me alongar vou falar resumidamente de vários momentos deste controle.

– Quase ninguém protesta contra a falta de liberdade, no funcionalismo da Unicamp, pois não há qualquer indício que desejem ser livres ou falar alguma coisa; há um pacto do silêncio e da mediocridade; a força do nosso sindicato é quase nula e a ADUNICAMP é um prédio, nada mais que isso, chamei, em certo momento, de mausoléu de ouro;

– A maioria dos estudantes, na graduação, são domesticados, querem ser domesticados e é garantia de crescimento profissional ser domesticado; na pós-graduação, a maioria, fica caminhando atrás dos professores como pintinhos atrás das galinhas; alguns ficam até galos velhos; produzem calhamaços de teses, mas como pessoas são uns lixos humanos, desmoralizados, subservientes, homens dispositivos, paus-para-toda-obra – terminologia usada pelo professor do IEL Francisco Foot Hardman, em artigo do Estadão – ; ou são bagrinhos (carregadores no porto de Santos)- termo usado por ex-diretor da Física, em artigo no Jornal da Unicamp, artigos que pretendo reproduzir neste joraldoporao.wordpress.com – ; bagrinhos, serviçais dos professores;

– Na Unicamp 1/3, ou talvez mais, dos chamados funcionários são chefes que operam e desejam a terceirização e as contratações. Eles querem estes terceirizados amedrontados e dóceis, pois trabalham e não reclamam; e esta mão-de-obra precarizada, hoje, já é grande parte da Unicamp;

– Parte dos professores ocupam cargos de direção no quadro de servidores. O jovem professor, que acabou de entrar na Unicamp, já vai ocupar um cargo, à cata de alguma gratificação que será incorporada a seu salário daí a três anos; eles viram super-funcionários, com um poder ilimitado (a tal autonomia universitária, para nós funcionários, foi autonomia para transformar cada professor em um capataz, sem qualquer controle; um professor na Unicamp tem um poder de mando ilimitado, em relação a funcionários e estudantes; seria uma vergonha para os professores, mas eles estão ciosos e orgulhosos deste poder de controle;

– Voltando à ADUNICAMP, só para comparar, a ADUSP que não é lá nada revolucionária, fez um dossiê arrasador sobre as fundações na USP. A ADUNICAMP pode se dizer, ignora isso. Quanto ao nosso sindicato, todo este desmando que acontece na Unicamp sequer é tratado; não há qualquer política de formação, agitação ou propaganda. E os funcionários só pensam em resolver seus problemas pessoais ou funcionais; tudo muito pequeno, comezinho e medíocre; é a cultura da mediocridade [se você tiver tempo leia em Diário Mínimo, de Umberto Eco, “A fenomenologia de Mike Bongiorno”, e você verá retratado este quadro inteiro de mediocridade. Mike Bongiorno de personagem torna-se ser um conceito para retratar nossos professores e a sociedade que nos cerca.

– Quanto à liberdade de imprensa, como preocupação da sociedade ou das organizações sociais, vou aqui fazer um brincadeira provocativa. Acho que se fosse dada a Rede Globo para a CUT, ou qualquer outra central de trabalhadores, ela ficaria fora do ar, pelo menos a maioria do tempo, pois não teriam nada a dizer. Ou fecharia logo, pois não teria ninguém para assistir. Pois, pelo menos nestes últimos 10 anos, o que vemos das tais centrais sindicais é o silêncio. A maioria do povo em sabe que estas centrais existem;

– Não que não devamos falar em liberdade de imprensa. Pelo contrário, estou querendo dizer que é uma questão central. Que a questão da liberdade e da democracia é uma questão premente. Pois esta tal democracia, aqui no Brasil, é a liberdade de corromper e ser corrompido. As eleições no Brasil são uma fraude. Fraudam a proporcionalidade entre os estados. Um acreano vale por mais de 30 paulistas. Cada homem um voto é o mínimo que devemos exigir. Pior, vivemos a era dos coronéis eletrônicos. Que dominam as eleições. O tal horário gratuito é um balcão de negócios, onde cada minuto é leiloado, entre os partidos, a preço de ouro. O Voto Obrigatório é um curral eleitoral e não um colégio eleitoral.

– Agora voltemos aos trabalhadores, partidos e sindicatos são controlados por uma burocracia. Uma burocracia parasitária, quando não corrupta. Que decidem eleições na base do porrete e da compra de votos, através de festas, sorteios… E ainda pior. Mesmo grupos que se dizem de esquerda orientam toda sua vida “militante” para participar nestas eleições fraudulentas ou eleições sindicais que darão cacifes eleitorais ou para assessorias de vereadores, deputados ou senadores.

Para terminar, o que estou querendo dizer, que a luta pela liberdade de imprensa é, no Brasil de hoje, a luta pela liberdade, sem qualquer complemento. Vivemos uma espécie de ditadura do silêncio. Vivemos uma sociedade de controle, em todos os níveis. Vivemos numa sociedade corrupta e corruptora. Onde as pessoas sonham em vender se voto. Onde a maioria está em silêncio e sonha em continuar assim. Nesta ditadura do silêncio é preciso bagunçar o coreto dos contentes.

Precisamos sim de liberdade de imprensa, mas antes de tudo, precisamos de gente para exercê-la.

Um abraço,