JORNAL DO PORAO N. 5

08/03/2010

1 de outubro de 2009

QUASE INCÊNDIO NO ARQUIVO EDGAR LEUENROTH

Quase incêndio no AEL


Quem tem lido o jornal do Porão, principalmente o número 0 e o número 1, leu que é bibliotecas e arquivos da Unicamp correm riscos. Já correram riscos demais.

Ontem, 29/09, por 10 minutos o Arquivo correu grande risco e virar cinzas. Às 10 pra as cinco um máquina de Ar-condicionado dentro do Arquivo começou a esquentar, enfumaçando todo arquivo (dá para ver em uma foto, apesar da fumaça ser clara), cheirando insuportavelmente a queimado. Se fosse depois das cinco muito provavelmente, estaríamos lamentando por um ex-maravilhoso e insubstituível arquivo.

1. Já disse, redisse, tredisse, que falta manutenção preventiva nos prédios da Unicamp, pondo em risco patrimônios como as bibliotecas e Arquivos; PORQUE A UNICAMP ACABOU COM O SETOR DE MANUTENÇÃO E LANÇA MÃO DE INOPERANTES TERCEIRIZADOS? Como disse naquele número O e número 1 do Jornal do Porão é brincar com a catástrofe; e é irresponsabilidade dos nossos dirigentes!

2. No caso do Arquivo, mas também, acho, das bibliotecas, é fundamental, à noite um funcionário, concursado, treinado, para tomar todas as medidas em caso, principalmente, de incêndio. Por exemplo, desligar, imediatamente o ar-condicionado que alimenta com oxigênio o fogo; ato contínuo, desligar a energia e ter telefone de todos que possam socorrer pela ordem de importância; O MAIS IMPORTANTE. QUE ESTE FUNCIONÁRIO FIQUE À NOITE INTEIRA DENTRO DO AQUIVO (E BIBLIOTECA); o bancos fazem isso, pois sabem zelar pelo seu patrimônio; ontem, aqui no Arquivo, ninguém sabia desligar a máquina, nem mesmo a energia, e ninguém que veio “socorrer” também sabia; somente foi possível desligar a máquina e impedir um  incêndio um funcionário do CEMEC, um setor de manutenção que ainda funciona na Unicamp, e que conhece a máquina e naquele dia estava lidando com a máquina para consertá-la; no caso do Arquivo que vai ficar longe, este funcionário, concursado, treinado, e responsável, terá que cuidar do patrimônio contra incêndio, sabotagem, intempérie (por exemplo um sobrecarga por um raio);

3 . Mais importante ainda é que o Arquivo funcionasse à noite, possibilitando que uso neste período, facilitasse a sua defesa e conservação; e melhor, favorecesse os estudantes do noturno ou que estudam e trabalham;

4. É irresponsável e inconcebível a Unicamp não ter uma brigada anti-icêndio e sinistros. Para arquivos e bibliotecas seria necessário ter os produtos químicos (são caros mas, mas existem no mercado) que possibilitassem apagar fogo sem danificar os papéis;

5 . É totalmente irresponsável todos nós funcionários (e além dos dirigentes, nós funcionários temos nossa responsabilidade e culpa) por não termos um treinamento para proceder corretamente e combater, no que for possível, inícios de incêndio, mas principalmente sermos treinados para evitá-los. O acontecimento do AEL deixou a nú esta fragilidade, ninguém sabia o mínimo do que fazer, nem siquer tinha chave dos locais, e as pessoas chamadas em socorro nada sabiam do que fazer; lastimável!

Termino dizendo, com tristeza, que  podíamos dormir hoje sem o Arquivo, este bem cultural fantástico que a Unicamp tem a guarda, cujos donos são heróis do povo e da cultura.

Vamos mudar para o prédio novo, mas as questões de segurança não só se matém, mas se agravam, pela distância e o local é de fácil acesso para quem vem do bairro (sem nem mesmo vigilância, hoje, naquela entrada oficiosa;  pelo tamanho do prédio, pela quantidade de equipamentos elétricos e eletrônicos que aumentaram e aumentarão, e pelo número cada vez menor de funcionários (que vão ter, ou deveriam ter,  que dividir estas responsabilidades); e sem qualquer sistema de combate a incêndio (há sim, como já foi narrado noutros números do Jornal do Porão, mais de 70 pontos de aviso de incêndio, mas nenhum sistema de combate; e na Unicamp inteira não há, repetindo, sistema eficaz de combate a incêndio. E se for combater incêndio pelos métodos convencionais, em bibliotecas e arquivos, por exemplo com água, seria um desastre.

Envio algumas fotos que registram o olhar de pânico dos funcionários que saíram correndo amedrontados e até dos socorristas com cara de que não sabiam o que fazer [e não sabiam mesmo].

Mário

PS. AS FOTOS VÃO EM SEPARADO PELO PESO DO ARQUIVO.

O ARQUIVO EDGAR LEUENROTH FOI INUNDADO POR AR-CONDICIONADO
BIBLIOTECA NACIONAL INUNDADA POR DEFEITO EM AR-CONDICIONADO


INAUGURAÇÃO DO AEL (texto dos estudantes)

21/12/2009

Oi, Mário. Como vai? Seguem as palavras que pretendiam inaugurar o AEL, o
que acha?

Abraços,

[clique aqui para ver na Casuística 14 o vídeo, item 93]

“Salve, salve todos;
salve, salve encadernadores, coordenadores,
curadores, encruadores, salve concursores,
saravá,

às extasiantes arqui-personalidades aqui presentes, aos emissários da Stasi,
os meus solenes cumprimentos
e a base
arquitetônica

Gratos por resgatar o nosso arquivo das cavernas penumbrosas do infeliz
instituto aonde estava encerrado,

E que bom que os senhores compareceram para prestigiar
o lançamento do fogete.

Cumprimento-vos, portanto,
e saúdo a sapientíssima e serpentíssima idéia
de levar o arquivo embora do Ifch e de seus recônditos úmidos
e estalagmites e estalactites
e de toda a sua tectônica e escolástica
estética

para, por fim, como é merecedor
de um movimento de vanguarda,
salvaguardá-lo dos olores que por lá se esmorecem.

Dentro da modéstia, inspiro-me na sapiência dos senhores
para fazer um par de últimos pedidos

com a esperança de tornar perfeitos esses feitos dos senhores que provém da
boníssima e melhor intenção
ao dar à luz o presente arquivo precedente.

Agora as naçoes começaram a repartir os terrenos no espaço
e dentro em breve poderemos construir, na Lua, a nossa casa mais segura,

Rememoremos sempre, porém, os homens bravos
que lutaram por esse sonho, e que tiveram
até as tripas corroídas na poeira do cosmo, aventurando-se
eles mesmos através do vácuo,

antes que os novos tempos inventassem as naves não-tripuladas e os controles
remotos

É por sua memória valorosa que pedimos aos senhores reverendíssimos, em
derradeiro gesto de magnanimidade, considerarem

que esse magma tectônico e a poeira subterrânea que se sedimentou aqui em
nossos arquivos devem ser tao perigosos aos pilotos do AEL como a poeira
cósmica era perigosa aos antigos pilotos do espaço sideral.

Deve ser, portanto, em consideração à classe e à memória desses heróicos
trabalhadores que por beatitude os reverendíssimos conseguiram reduzir a
quase zero a tripulação do arquivo,

que se tornará finalmente um arquivo 100% seguro tão logo se transforme de
todo em uma nave não-tripulada.

Regamo-lhes, pois, a benevolência de pôr fim de uma vez por todas ao
funcionarismo no arquivo,

para dar preferência ao bem-estar e à paz dos pilotos automáticos e o vácuo
em lugar do temperamento e dos princípios sediciosos
da areia movediça de nosso campus campineiro.

O experimento
tem se mostrado muito eficaz no Ifch, que,
embora por inconstância de vapores esporadicamente paralise-se,
em razao dos nossos afâs de esvaziá-lo, termina por nao feder e nem cheirar.

Onde nao há estômago nao há ronco.

Celebremos, enfim, o lançamento do foguete, agora que mandaremos toda a
Universidade para o espaço

e, para breve, vao passar no Zeferino o gume da navalha e repartir-lhe em
gomos, como uma pocâ, pra distribuir à irmandade das Stasis estelares e
entre os membros da Associaçao de Moradores da Cidade Universitária e seus
conselheiros maiores e suseranos maiorais que dentro em breve inaugurarao
também a sua sede no espaço.

Conclamo
a todos, pois, que dêem luz aos seus vapores e mais íntimos gazes e cores
purpurínicas,

Que só assim, no carnaval do “tudo igual”, os compatriótas, ao fingir nao
ter dignidade, disfarçamos a dignidade que já nao temos!

Apenas tenhamos atençao para esses gazes, porque se um fósforo for aceso, o
AEL vai pegar fogo em um instânte,

E o incêndio se alastrará através primeiro da imensa galeria de salas de
chefia, após os microfilmes, microfones, saxofones, vibra-fones, raios
laser, microships, shoppings, robocopes, pôquer, robes, hebes e mercedes
conversíveis, clepsidras anti-aérias, mísseis e missigenaçoes venérias,
etc…”

[Texto nao-terminado]