MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…

26/10/2010

O QUE ACONTECE COM AS OBRAS ABANDONADAS NA UNICAMP?

Este prédio foi iniciado a toque de caixa e logo abandonado no estágio que está há anos.


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Lá, dizem, seriam instalados os núcleos. Na época capitaneados pelo CESOP. Como estes núcleos têm, sempre, a vocação de se transformarem em fundação, apelidei o prédio de sede da empresa senil. Já que as fundações têm sempre algo de parasitário, velho e senil; que levam e atestam o fim da Universidade Pública e premiam grupos e não a instituição. As fundações sempre estão mergulhadas numa atmosfera de decadência, aproveitando da senilitude da Universidade Pública, como já foi exaustivamente denunciado e demonstrado pela revista da ADUSP (Associação dos professores da USP).
No mesmo período o IFCH tinha três obras em andamento. Do AEL levou quase 7 anos para inaugurar, pois terminar não terminou até hoje, pois suas janelas terão quer ser trocadas e não podem ser abertas; e seu ar-condicionado central de 600 mil reais não funciona e, parece, não tem conserto.
Ninguém explica porque a extensão da biblioteca do IFCH está abandonada, quando há milhares, muitos milhares de livros para ir para as estantes. Não explicaram, até hoje, que sanção recebeu a firma que inundou a biblioteca em março de 2009.

Na Unicamp ninguém explica nada. No IFCH ninguém sabe de nada. E prédios continuam sendo iniciados.


construções abandonadas 003

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E os outros continuam abandonados, com há anos está o prédio da Geociência. Que lógica é essa? Que administração é essa? Quem paga os prejuízos?

O mais intrigante é que os professores, os que mandam na Universidade, não reclamam, não se posicionam. Que nome dar a este silêncio de quem domomina a palavra (e o poder)?

Insisto sempre nesta questão dos prédios da Unicamp, pois diante da suntuosidade de brancura da pirâmide branca do AEL, a classe média fica embasbacada, como se fosse um totem. Mas insisto também em que estes prédios são uma confissão do descontrole e da falência da administração da Unicamp, quando adotaram as empresas terceirizadas em suas construções. E este modelo visivelmente está falindo. É só olhar para o laboratória da Física que afundava logo que ficou pronto. Agora têm a notícia do prédio suntuoso da BORA [Bliblioteca de Obras Raras) no IA, mas, até agora, apadrinhado pelo IEL. Fizeram um seminário para discutir a questão das obras raras. Que obras raras irão para lá? Onde tem tantas obras raras assim na Unicamp, já que tem 3 prédios que abrigam as poucas obras raras que a Unicamp tem? Dizem que gastarão 11 milhões no prédio. Vão adquirir obras raras para colocar neste colosso? Quanto custa isso? Não é preciso ser nenhum bibliófilo para saber que obras raras têm preços no mercado, estabelecidos por sua orópria raridade. Ou contruirão um prédio para alocar um pífia bliblioteca? Muitos participantes de tal seminário fingiam não se dar conta do disparate. A vida continua. As verbas rolam. O poder constrói bunkers para o poder.

A USP está terminando um prédio. Sem entrar em todo o mérito, sabemos que eles já têm doadores do calibre  de José Mindlin, bibliófilo famaso.  O que temos na Unicamp? Parece que teremos um enorme prédio à espera de boas almas.  Parece que este prédio da BORA é pura megalomania.

Se clicar sobre esta foto


QUE ESTÉTICA É ESSA?

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acessará, pelo FLICKR, vários albuns com fotos destes descalabros. E poderá conferir o vocabulário que crio para os prédios da Unicamp.
Prédio da Adunicamp: MAUSOLÉU DE OURO
Prédio do AEL: PIRÂMIDE BRANCA
Prédio dos Núcleos IFCH: EMPRESA SENIL.
Jardim da Matemática: JARDINS DA BABILÔNIA
Laboratório da Física: PALAFITAS
O BORA: podia se chamar emBORA, sem obras raras.

INFORMAÇÕES DE UTILIDADE PÚBLICA.

A ADUSP (associação dos professores da USP) publicou 3 revistas sobre as fundações de direito privado na USP.[veja revista 24 ; na 23; Dossiê das Fundações de direito privado na USP que iniciou na Revista 22 da ADUSP]A ADUSP, na sua revista número 46, Publicou entrevista com um professor da FEA/USP, ex-diretor da FIA(Fundação da FEA), mostrando um monte de ganhos e falcatruas. Em 2001 já havia mostrado que o Conselho Universitárioda USP, o  CO (lá até  as siglas mudam convenientemente) tem 24 membros que são membros de fundações.
É SÓ ENTRAR NA PÁGINA DA COLEÇÃO DAS REVISTAS DA ADUSP [ A ÚLTIMA NÚMERO 47] e ler apenas os títulos para saber porque chamo o prédio da ADUNICAMP de Mausoléu de Ouro. Não são nada revolucionários, apenas usam o dinheiro da Associação para produzir diagnósticos importantes para toda a comunidade. E se olharmos para O SINTUSP, um sindicato sistemáticamente combativo, nós da Unicamp temos que dizer, pobre de nós.

ARTIGOS SOBRE MESMO ASSUNTO:

BIBLIOTECA NACIONAL É INUNDADA POR DEFEITO EM AR CONDICIONADO

02. Infiltrações no AEL, dentro e fora

03. Campus de Limeira, aos pedaços

04.AEL MAIS UMA JANELA CAIU (1)

05. Pequeno Diário de uma Tragédia Anunciada


Mas o prédio novo e pomposo do laboratório da Física está afundando

23/04/2010

A UNICAMP QUE AFUNDA NAS MÃOS DAS EMPRESAS TERCEIRIZADAS.

Você não acredita nisso. Mas o prédio novo e pomposo do laboratório do Instituto de Física está afundando. Vá lá ver ou olhe as fotos aqui. Como podem ver nas fotos, vão fazer nove pilotes para tentar sustentar o prédio. Chegamos, com as empresas terceirizadas, à arquitetura das “palafitas”.

Parece incrível o Instituto de Física expunha restos de laboratório, confessadamente contaminados, a céu aberto. É de uma banalidade inenarrável escrever aqui que poderia contaminar qualquer incauto ou que não soubesse ler. Expunha, pois este blog serve para alguma coisa, pois um dia após estas fotos eles retiraram os restos contaminados. Ou foi uma coincidência. Não podem nem negar ignorância, pois estava escrito nas caixas, mais ou menos visível, os perigos.

Bom seria se acontecesse o mesmo com o alojamento das trabalhadoras terceirizadas, do outro lado da rua, no Instituto de Química. Alojamento até, surpreendentemente, bem aparentado. Só que do lado de um laboratório e de um, acreditem, olhem na foto, do lado inflamáveis. E do lado dos inflamáveis ficam alojamento, banheiro e refeitório, dos operários das empresas terceirizadas que tentam impedir que o prédio do laboratório da Física afunde. Será de mau gosto escrever aqui que o refeitório destes operários, um muquifo, fica contíguo, separado por tábuas, a um banheiro. Seria de mau tom, de gosto duvidoso, coisa de ex-peão, escrever aqui que eles comem perto da bosta. E que é o que, por certo, tem na cabeça dos nossos dirigentes que permitem isso!

Perguntas que o Jornal do Porão sabe que ficarão sem respostas. Quem é responsável por tais descalabros? Quem foi responsabilizado até hoje? Quem pagará os prejuísos?

Ou perguntas mais simplesinhas que também ficarão sem respostas. Mesmo porque vivemos num ambiente acadêmico sui generis, onde quase ninguém faz perguntas e menos gente ainda tem respostas. E a biblioteca do Instituto de Biologia tantos anos parada? Ou e o prédio das Geociências que parece que já comemora alguma boda? E o aranzel que é o prédio dos núcleos do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas?

Os professores do IFCH escreveram ao Reitor, constatando que o “IFCH agoniza”, que “está em estado de emergência”. Um dia vão descobrir que na Unicamp as empresas terceirizadas, além de super-explorar a mão-de-obra, levam dinheiro DO público, o chamado impropriamente de dinheiro público, para instaurar a má qualidade, o desperdício, o desmazelo e o desmantelo do patrimônio público. E ainda tem um montão de burocratas, ricamente pagos, para gestar este descalabro.

Este Blog espera reações indignadas dos leitores.
Acompanhe a luta contra as empresas terceirizadas que danam e dominam a Unicamp, neste blog, no jornal e blog do CACH, ou nas páginas dos materiais de LER-QI, que faz uma campanha nacional, principalmente na USP, contra as terceirizações e precarização do trabalho.

Aqui um album de fotos da entrega da Carta contra as terceirizações para a Diretoria do IFCH, cobrando que se pronuciem, já que o IFCH é um dos grandes atingidos pelos contratos feitos pela reitoria que lesam o interesse do IFCH, como disse certa vez o vice-diretor.


Enquanto uma empresa terceirizada inunda, outra fale na biblioteca do IFCH

12/04/2010

COISAS TOTALMENTE SEM IMPORTÂNCIA.

O que você nunca vai saber,
Pois a ciência não explica,
E não adianta apelar para deus, nem para todo mundo.
Você morrerá sem ficar sabendo o que foi feito com a firma terceirizada que inundou a biblioteca do IFCH em março de 2009. Pior, a maioria dos estudantes do IFCH nem sabe que a biblioteca foi inundada. E nem vai ficar sabendo que, antes de inundar a biblioteca, a mesma firma terceirizada tinha inundado a livraria e a pós-graduação do IFCH. E quem ficou sabendo, pelo visto, esqueceu-se.
Parece que quase ninguém ouviu falar que outra firma terceirizada está atrasada, em quase dois meses, na conclusão do anexo á biblioteca. É o que está estampado na placa. Se alguém ficou sabendo, ninguém comenta que esta firma faliu e deixou a construção inacabada. Parece que quase ninguém leu a placa dizendo que o custo é de R$ 1.600.000,00. Não só deixou o IFCH na mão, também foi embora sem pagar os funcionários. Mas quem se importará com operários de uma empresa terceirizada?

Algumas perguntas. Quanto a firma terceirizada recebeu destes mais de um milhão e seiscentos antes de falir e abandonar a obra? Se recebeu adiantado, isso é responsabilidade fiscal ou é irresponsabilidade com o dinheiro público? Ou ainda, quantos milhares de livros estão fora das estantes por conta destes descalabros (inundação e falência)? E quanto receberá a próxima empresa para reiniciar os trabalhos na biblioteca do IFCH? E uma coisa muito importante, principalmente para os operários que recebem um salário de fome: já receberam seus salários?

Sei que não teríamos as respostas e nem a quem perguntar. O IFCH não tem direção à altura do momento. Quem manda no IFCH (e nos outros institutos também) são as empresas terceirizadas. Quem manda na Unicamp é este capitalismo chimfrim!!!

Mas tem outra pergunta registrada na foto, que também ficará sem resposta, as firmas terceirizadas estão retirando material do prédio em construção mesmo depois da falência? Seráque alguém da Unicamp está fiscalizando isso?

Você não saberá nada, pois, provavelmente os doutos dirigentes do IFCH acham que os estudantes não devem saber nada da vida. Talvez acreditem que estudantes são para estudar, como o velho lema da Ditadura Militar. Ou seria melhor que os estudantes e funcionários tivessem zelo pelo dinheiro do público. É isso mesmo. Do público. Pois o ICMS, imposto sobre o consumo, que sustenta as universidades paulistas é arrecado até da pinguinha que se toma no boteco da esquina.


LINKS PARA TEXTOS CONCEITUAIS

27/02/2010

CONCEITOS RETIRADOS DOS TEXTOS ABAIXO, CUJO TÍTULO E CONTEÚDO DO ORIGINAL SÃO MANTIDOS AO CLICAR NOS LINKS.

1. DELINQUÊNCIA ACADÊMICA, de Maurício Tragtemberg

2. BAGRINHOS, do texto de Alfredo Marques

3. HOMEM-DISPOSITIVO, do texto de Francisco Foot Hardman

4. FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, do texto de Marilena Chauí

5. ETHOS DE GANGUE, do texto de Luiz Felipe Pondé

6. MIKE BONGIORNO, do ensaio de Umberto Eco

7. CASTA DOS INTOCÁVEIS, da entrevista de Chico de Oliveira

8 . “O IFCH ESTÁ AGONIZANDO”, carta dos professores do IFCH, dirigida ao Reitor e à comunidade acadêmica, assinada por 80 prefessores


O IFCH ESTÁ AGONIZANDO DIZEM OS 80 PROFESSORES

24/11/2009

O CACH é obrigado a levantar a bandeira da defesa do IFCH e do ensino público.

Em 2011 o IFCH não terá como funcionar, diz a carta de 2009, assinada por 80 professores. Este é o momento em que se dá a eleição do CACH. Esperamos, desde o primeiro semestre de 2009, que os professores cumpram sua palavra de parar o IFCH e exigir do reitor que reponho mais de 80 professore que faltarão para repor o que havia há 15 anos atrás, como diz a carta.
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IFHC CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO 008

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Esta carta foi postada no jornaldoporao em 10/02/2010 e teve 231 leitores. Muito pouco. Mas foi postada quase em protesto aos silêncios dos 80 professores que não cumpriraram com a palavra dada, numa espécie de falsidade ideológica.

Espero que mais gente a leia e debata.

Os estudantes da chapa “A poesia está nas ruas” têm debatido e publicaram a carta dos professores na revista ISKRA, cuja publicação alguns dos membros da chapa impulsionam. O CACH precisará de gente de muita luta para romper este silêncio conivente dos professores do IFCH. Enquanto eles catam as migalhas que caem da mesa do poder, a Unicamp ligada aos interesses burgueses cresce (o Campus de Limeira é um exemplo gritante disso). Estes 80 professores diziam que em 2011 o IFCH ficaria inviável. Os estudantes precisam de um CACH de luta e que procurem, insistentemente, a aliança com os trabalhadores.

Este é sentido de republicar aqui esta carta que já está indo para seu 2º. Aniversário.


CARTA ABERTA DOS DOCENTES DO IFCH AO REITOR DA UNICAMP

O IFCH EM ESTADO DE EMERGÊNCIA

Ao Magnífico Reitor da Unicamp
Professor Dr. Fernando Costa

O IFCH está agonizando. O trabalho de pelo menos duas décadas, que resultou na excelência desse Instituto, está em sério risco de extinguir-se.
Nos últimos anos, temos encaminhado à Reitoria diversos ofícios justificando pormenorizadamente a necessidade urgente de novas contratações de docentes e nossas demandas não têm sido atendidas. No contexto da limitada política de contratações vigente, é preciso sublinhar que as quatro vagas destinadas ao IFCH no ano de 2009 são absolutamente insuficientes para recompor o quadro docente no patamar em que esse se encontrava há 15 anos.
Atendendo a necessidades acadêmicas ou a exigências da LDB, a Graduação e a Pós-Graduação do IFCH experimentaram nos últimos quinze anos uma expansão de cursos, de cargas horárias e de vagas discentes sem precedentes. Desde 1994, o número de vagas oferecidas no vestibular pelos cinco cursos de graduação aumentou 28% (de 140 para 180 em 2008) – sem contar as vagas do curso de Arquitetura, criado em 1998 e do qual participam professores do IFCH – e o total de alunos matriculados na graduação passou de 707 em 1998 para 1048 em 2008 (um aumento de 48%). Chegamos assim ao índice de 11,6 alunos por professor, superior à média da Unicamp que é de 8,3, conforme pode ser constatado no Anuário Estatístico da Unicamp (2009). No mesmo período, os cursos na pós-graduação passaram de 5 mestrados e 4 doutorados para 7 mestrados e 11 doutorados – e o total de alunos matriculados aumentou de 741 em 1998 para 885 em 2008. Se contarmos os alunos de graduação e pós-graduação, num total de 1933 em 2008, a relação número de alunos por professor sobe para 21,5. Nesse ano, também segundo o Anuário Estatístico da Unicamp, o IFCH era a terceira unidade em número de alunos na graduação e a segunda em número de programas e alunos de mestrado e doutorado, ficando atrás apenas da FCM. No mesmo período, entretanto, o número de docentes diminuiu drasticamente. Éramos 128 docentes em 1994, 101 em 1998, 90 em 2008 – e somos hoje apenas 89: uma diminuição de 30% do corpo docente.
Isso não significa apenas sobrecarga de trabalho. Certamente há mais cursos a serem dados e mais alunos a serem orientados, mais bancas para participar, mais coordenações de programas para serem exercidas. Ao mesmo tempo, as demandas por projetos e pareceres cresceram, assim como aumentou muito a pressão para ocupar cargos administrativos e acadêmicos. O crescimento de nossa produção e dos indicadores numéricos que contabilizam nossas atividades cotidianas básicas esconde, entretanto, uma crise acadêmica substantiva.
É lamentável constatar, por exemplo, que nossos alunos podem concluir a Graduação ou a Pós-Graduação sem a chance de cursar disciplinas eletivas importantes, simplesmente por falta de professores especialistas para ministrá-las. O vínculo entre as aulas e a experiência de pesquisa, que sempre caracterizou os cursos do IFCH está se perdendo: diante da necessidade de cobrir a oferta de disciplinas obrigatórias, muitos de nossos professores não têm mais a oportunidade de oferecer disciplinas nas áreas em que atuam e publicam – e nas quais são nacional e internacionalmente reconhecidos. Nesse quadro é praticamente impossível pensar em criar novas disciplinas na graduação, mesmo as que têm sido demandadas pelos alunos nas avaliações de curso feitas a cada semestre.
Áreas importantes de conhecimento na Antropologia, na Ciência Política, na Demografia, na Filosofia, na História e na Sociologia estão desguarnecidas, por falta de docentes especialistas para ministrar aulas, coordenar pesquisas e orientar novos pesquisadores. Há linhas de pesquisa na pós-graduação e nos centros de pesquisa que tiveram uma produção acadêmica densa e expressiva que praticamente desapareceram por falta de professores plenos. Há cursos de pós-graduação que estão na iminência de fechar áreas e linhas de pesquisa, pois contam com apenas um professor. Não temos condições, portanto, de criar novas áreas de pesquisa que seriam necessárias para continuar a oferecer um ensino de ponta e acompanhar os avanços científicos e as novas demandas da sociedade.
A projeção internacional de nossos docentes é notória e facilmente verificável em uma consulta aos currículos e grupos de pesquisa da Plataforma Lattes. Os Anuários Estatísticos da UNICAMP também reconhecem essa liderança intelectual e acadêmica: desde 2006, pelo menos, temos sido a primeira Unidade em produtividade intelectual em termos proporcionais (em relação à quantidade de docentes), e a segunda em termos numéricos absolutos. A CAPES também reconhece essa liderança, já que nossos programas de pós-graduação vêm conseguindo manter notas altas: um programa com nota 7, dois com nota 6 e quatro com nota 5; nos últimos anos, várias das teses defendidas no IFCH obtiveram prêmios da CAPES, do Arquivo Nacional e da ANPOCS. Esta liderança está sendo ameaçada pela estagnação de contratações e a conseqüente sobrecarga de trabalho; não é sem sacrifícios que vimos conseguindo manter a qualidade e a excelência do nosso desempenho acadêmico e científico.
O futuro é alarmante: em 2010 teremos 42 aposentáveis, 6 dos quais pela compulsória. Ou seja: em um ano podemos perder 47% do atual quadro docente do Instituto, perfazendo uma possível diminuição total de 63% do corpo docente do IFCH entre 1994 e 2010 (queda de 128 professores para 47). Com tantas perdas acumuladas, está em risco também a larga experiência do trabalho que conseguimos acumular até aqui. É eloqüente o que esses dados apontam: o corpo docente está envelhecendo. A formação de grupos de pesquisa demanda a construção de patamares comuns de trabalho conjunto, o amadurecimento de discussões e a consolidação de eixos de investigação. Essa não é uma tarefa que possa ser simplesmente transmitida por escrito: demanda convivência, laços institucionais e trocas intelectuais que não podem ser empreendidas da noite para o dia. Novos docentes necessariamente devem conviver com seus colegas mais experientes. A convivência é um modo de formar novos quadros e manter a continuidade na excelência da pesquisa e da docência que tem nos caracterizado. Há, portanto, prejuízos evidentes se continuarmos a contar com uma reposição das vagas em futuro indefinido ou depois que departamentos e linhas de pesquisa estiverem extintos.
Também é preocupante nossa posição no cenário científico nacional. Nos últimos anos, temos assistido a uma incorporação crescente de novos docentes (muitos dos quais formados por nós) em outras universidades, por meio de concursos públicos. O quadro é particularmente alarmante quando comparado ao das universidades federais, que hoje oferecem salários mais altos do que os nossos. Ou quando comparado à própria USP que, na última reunião com o Fórum das Seis, anunciou a contratação de 1285 docentes na atual gestão – um número surpreendente diante das melancólicas 55 contratações previstas para este ano pela Unicamp. Em breve os Programas de Pós-Graduação do IFCH poderão perder pontos nas avaliações da CAPES, deixando de ser competitivos na disputa por recursos e na procura dos estudantes por uma formação de excelência.
Diante deste quadro crítico, não basta simplesmente repor a perda de 39 docentes que sofremos nos últimos 15 anos. É preciso mais que isso. Queremos redimensionar o quadro docente de acordo com as necessidades acadêmicas de nossos cursos, considerando a expansão dos últimos anos, e assegurar a dinâmica criativa das linhas de pesquisa para continuar a desenvolver um trabalho de excelência. Queremos também ter o direito de realizar uma expansão de nossas atividades assentada nos desdobramentos de nossas pesquisas e na combinação entre elas e o exercício da docência.
É preciso, portanto, que a Reitoria da Unicamp reflita sobre o seu próprio projeto para o futuro do IFCH e reavalie o tratamento que tem dispensado às nossas necessidades ao longo dos últimos anos, sob pena de que o patrimônio que duramente construímos ao longo dos anos soçobre em meio ao descaso e à indiferença. Não podemos aceitar que seja esse o projeto para o futuro do IFCH. O IFCH e a UNICAMP não podem sobreviver por muito mais tempo apenas com base na reputação construída ao longo da sua história. Restaurar e ampliar esse patrimônio é uma responsabilidade inescapável da atual Reitoria.
Convidamos, pois, o Reitor de nossa Universidade a vir ao IFCH o quanto antes. Esperamos que essa visita possa ser agendada rapidamente, pois precisamos ter a garantia de uma política de contratações que atenda de fato a essas demandas: reivindicamos medidas urgentes para que possamos continuar a trabalhar. Estamos em ESTADO DE EMERGÊNCIA!

Campinas, 30 de junho de 2009

Os Docentes do IFCH:
Álvaro Gabriel Bianchi Mendez – matrícula 286817
Amnéris A. Maroni – matrícula 075663
Andrei Koerner – matrícula 285394
Ângela Maria Carneiro Araújo – matrícula 103872
Arley Ramos Moreno – matrícula 087467
Armando Boito – matrícula 075701
Bela Feldman Bianco – matrícula 054810
Bruno Speck – matrícula 256021
Cláudio Henrique de Moraes Batalha – matrícula 165115
Cristina Meneguello – matrícula 278611
Daniel Joseph Hogan – matrícula 038229
Emília Pietrafesa de Godoi – matrícula 252531
Enéias Forlin – matrícula 288083
Evelina Dagnino – matrícula 039098
Fátima Rodrigues Évora – matrícula 174947
Fernando Antonio Lourenço – matrícula 106844
Fernando Teixeira da Silva – matrícula 286457
Gilda Figueiredo Portugal Gouvea – matrícula 039802
Guita G. Debert – matrícula 106330
Heloisa André Pontes – matrícula 118559
Itala M. L. D’Ottaviano – matrícula 040436
Jesus José Ranieri – matrícula 287264
John Manuel Monteiro – matrícula 252557
Jorge Sidney Coli Junior – matrícula 116335
José Alves de Freitas Neto – matrícula 287069
José Carlos Pinto de Oliveira – matrícula 237108
José Marcos Pinto da Cunha – matrícula 268593
José Oscar de Almeida Marques – matrícula087467
Josué Pereira da Silva – matrícula 272787
Laymert Garcia dos Santos – matrícula 057614
Leandro Karnal – matrícula 273597
Leila da Costa Ferreira – matrícula: 220884
Leila Mezan Algranti – matrícula 165263
Luciana Ferreira Tatagiba – matrícula 286986
Luiz César Marques Filho – matrícula 198935
Luzia Margareth Rago – matrícula 117021
Marcelo Siqueira Ridenti – matrícula 274941
Marcio Bilharinho Naves – matrícula 053554
Marcos Lutz-Müller – matrícula 288083
Marcos Nobre – matrícula 237574
Maria Coleta Ferreira Albino de Oliveira – matrícula 073466
Maria Filomena Gregori – matrícula 222861
Maria Helena Guimarães de Castro – matrícula 088595
Maria Lygia Quartim de Moraes – matrícula 249068
Maria Stella Bresciani – matrícula 043842
Mauro W. B. de Almeida – matrícula 048071
Michael McDonald Hall – matrícula 043222
Nelson Alfredo Aguilar – matrícula 214141
Néri de Barros Almeida – matrícula 286112
Omar Ribeiro Thomaz – matrícula 28293
Oswaldo Giacoia Junior – matrícula 251470
Paulo Celso Miceli – matrícula 117030
Rachel Meneguello – matrícula 152790
Renato Ortiz – matrícula 206547
Ricardo Antunes – matrícula 144061
Rita de Cássia Lahoz Morelli – matrícula 220752
Robert Wayne Andrew Slenes – matrícula 087092
Roberto Luiz do Carmo – matrícula 290280
Roberto Romano – matrícula 069311
Ronaldo de Almeida – matrícula 286526
Rosana Baeninger – matrícula 273996
Rubem Murilo Leão Rêgo – matrícula 045721
Sebastião Velasco e Cruz – matrícula 129062
Shiguenoli Miyamoto – matrícula 20.4722
Silvana Barbosa Rubino – matrícula 285534
Silvia Hunold Lara – matrícula 14634-9
Suely Kofes – matrícula 043851
Thomas Patrick Dwyer – matrícula 100455
Tirza Aidar – matrícula 292552
Valeriano Mendes Ferreira Costa – matrícula 274887
Vanessa R. Lea – matrícula 079154
Walquiria Domingues Leão Rego – matricula 224812
Yara Adário Frateschi – matrícula 287070

Professores Colaboradores:
Arlete Moysés Rodrigues – matrícula 283825
Caio Toledo – matrícula 28374-0
Elide Rugai Bastos – matrícula 292167
Izabel Andrade Marson – matrícula 220426
Luis Orlandi – matrícula 292557
Maria Clementina Pereira Cunha – matrícula 053309
Mariza Correa – matrícula 290598
Vera H. F. P. Borges Itala M. L.

Veja coletânea de textos sobre a academia, acadêmicos, homens-dispositivo, Mike Bongiorno, cães pastores , delinqüência acadêmica, ethos de quadrilha e bagrinhos

MAIS LIDOS DE 2011
Continua, nestes 03/05/2012, sendo acessado. Já perfazem 128 acessos. Talvez só os professores do IFCH esqueceram da carta, alarmante e dramática, que 80 deles assinaram.


Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada

23/11/2009

Hoje quase não fiquei no serviço, tentanto articular alguma coisa. só para manter um certo diário das desgraças das terceirizadas, ao voltar às 16:20, tentei fechar um das janelas que estava semi-aberta e ela quase despencou, entortou e nunca mais fechará. Tinha e serralheiro presente, que tinha ido fazer um orçamento para um pequena grade. Ele tentou me ajudar, o que não adiantou e ele disse o seguinte: que já tinha alertado, aos responsáveis que aquelas janelas estavam todas erradas e ia todas cair, ele disse ainda que foi ele quem alertou e fez o serviço de rebitar as várias janelas da sala de pesquisa que iriam, inevitavelmente, cair na cabeça de alguém e pelo pesso seria catastrófico. O Arquivo então está cada vez mais devassável.

Mas pior, o ar-condicionado continua “inundando” o arquivo depois de 10 dias. Um das salas jorrava um quantidade razoável de água, não pingava não, jorrava mesmo, jorro aparado por um balde. Não sei como vai ser amanhã cedo, mas vou lá tentar fotografar (prevejo que vão deixar o ar desligado – apesar dos efeitos nefastos disso para o acervo, apesar de estar ligado, mesmo sem jorro, o acervo correria riscos, todos os dias, pois sem desumidificadores (ou portateis, ou sem o sistema integrado ao ar central) o acervo, principalente papeis que vão ficar úmidos. Estão ema cruz e a caldeirinha. É quase uma desfaçatez não denunciarem isso e exigirem providências urgentes. Este prédio novo, neste momento, é um risco permanente para nosso precioso acervo.

Mário Martins

 

 

ARTIGOS SOBRE O MESMO ASSUNTO:

00. Inundação na Biblioteca Nacional
atinge revistas e jornais antigos

01. MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…
02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
03. Campus de Limeira, aos pedaços.
04. AEL mais uma janela caiu (1)
05. Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada