35 segredos para chegar a lugar NENHUM – Literatura de baixo-ajuda.

01/09/2012

Nada está perdido. Aqui tem 35 escritores (mulheres e homens) escrevendo ao arrepio do moralismo cristão/paulino/comunista. Alguns textos fariam jus à comemoração dos 100 anos de Nelson Rodrigues por juntar tragédia e humor,  para continuar sendo bem-humarado, denunciando as tragédias. Alguns títulos são contos de uma linha. “AS SETE VANTAGENS DA DEPRESSÃO CRÔNICA’; ‘COMO APRIMORAR UMA HABILIDADE ANCESTRAL: A MENTIRA”. Ou um cacetada nos cornos do politicamente correto, sem cair na incorreção. “COMO VENCER SENDO DEFICIENTE”. E um manifesto de pessimismo total, mas positivamente a favor da vida e o próprio título já anuncia: “COMO CONTINUAR GOSTANDO DE VIVER MESMO À BEIRA DA DESTRUIÇÃO TOTAL DA HUMANIDADE”. É um livro de 35 autores que sabem que o paradoxo existe. E que o certinho é estupidez autoritária. E que viver e rir é a prova dos noves, ou a prova real.

Todo mundo ficou me olhando no ônibus como se realmente eu fosse um louco feliz. O desfecho de “COMO MANTER A ELEGÂNCIA ENQUANTO SEU MARIDO DÁ EM CIMA DE OUTRA” me disparou o riso incontrolável. Final tão incorreto que ficou tão politicamente correto.

Há um ou dois que não achei muito bons. Alguns vou reler em breve e procurar mais livros dos autores. Deve ter mais gente escrevendo assim, o que me deixa ansioso e feliz.

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Como também vivo em paradoxos, fiz este registro ouvindo um música tão triste, mas tão bela. Brega, breguíssima.  Pior: a ouço sempre, reiteradamente.

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Talvez eu tenha ficado, sem perceber, com um certo acanhamento de nomear o texto que acho um primor no manejo das palavras. Um texto filiado claramente à narração, mas que não recua diante do enternecimento; como é um canto, uma ode à boceta, tem muito de poesia. Destaca a boceta do resto do corpo e aceita que ela tem vida. Para satisfazer minha paixão pela boceta faltou apenas descrever que ela deve ser bebida, quando líquida. “DA NECESSIDADE DO USUFRUTO DA BOCETA”, DE Fernando Bonassi.