Graffiti and Urban Art. Presença, Presente e lance.

18/11/2012

Priscila Salomão, um presente – e um sol na cabeça. Dia 17/11/2012, 60 anos do diretor deste jornaleco, com performance de 40 e desejos de 20. Priscila a personal agitadora cultural e outras bossas.

Graffiti and Urban Art: Cristian Campos:Editorial Projetct. Barcelona, Espain. Biblioteca Mário VII-073.200 C001g

Presente da pequena comemoração dos meus 60 anos. Presente, Priscila. E um presente, foi sua presença, Priscila. E de presente o que poderíamos chamar de um presente, um regalo, um iniciar de presentes cotidianos, comemorações diárias, pela abertura para novas descobertas – obrigado por este caro, já querido, e magnífico livro.       [Biblioteca Mário]

Suso 33, máscara

Priscila chegou mostrando essa página em que viu as máscaras africanas que nos causaram tanto impacto – e causa. Novamente intuiu. A obra chama-se máscara.

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Na primeira olhada o que mais impressionou foi SUSO33. Aproveitando os horrores da arquitetura urbana. Principalmente as ruínas e demolições. Este horror que parece provisório terá uma arte provisória. Quase que como se quiséssemos que as ruínas continuassem. Teria, se tivesse contato direto, uma espécie de saudade antecipada.

E Priscila já da a dica:Giacometti. Não é difícil ver nesta máscara de Suso a gaiola de Giacometti enquadra e dirige o olhar.

Á árvore, ao fundo, no cemitério – parece -, também é uma garatuja natural. Como são garatujadas as máscaras, como também podemos ver em Giacometti. [há algo semelhante nas “hachuras” de Toulouse-Lutrec – a estudar e conferir].

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Desavergonhada Utopia Socialista em forma de plataforma

Primeiro uma distopia: quando é que os socialistas vão reconhecer que a chamada história do socialismo real é uma história da inimizade dos socialistas com a arte. Há períodos que fazer arte na Rússia, que se chamava União Soviética, era um crime lesa estado. Põe-se, normalmente, tudo na conta do stalinismo brutal, ignorante e sanguinolento.  Mas eu não tenho provas de que o período bolchevique houve liberdade artística, como deve ser, total absoluta, anárquica.

Gostaria de ver um jornal “nanico”, chamados de operários e de jovens operários, adotar o graffiti, a arte de rua, nas suas imagens.  Uma arte gratuita. Fora do sistema. Inventiva. De intervenção e ação. Não é e nem deve ser a única arte, mas uma intervenção na vida urbana, melhor ainda, uma intervenção na vida. Que deve ser um único metro para medir as coisas. Tudo que representa morte é religião, é cristianismo, eu auto-flagelação, é asceticismo.

E a mais revolucionária, para mim, arte de rua, é exatamente a que não é propaganda política ou social, mas que intervém, pelo visual, a vida nefasta do capitalismo, com suas demolições, degradações, exclusões.

Suso 33 , ausencia. Mas que é antes de mais nada, presença do artista num lugar totalmente inóspito, inesperado, dando vida á destruição e morte que é uma face do capitalismo.

O luta para o socialismo tem que ganhar todos os artistas, do folclórico ao arte de vanguarda-de invenção.  Para isso o total anarquismo em arte. Total e absoluta tolerância.

Substituir os  jornais feios e maçudos da esquerda, por algo ligado a uma vida pulsante seria uma ato de vanguarda revolucionária.

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links

01. SUSO 33

02. google, imagens de Suso 33
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pingback

01. Alter e Memória, apontamento 01
02. Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações
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novidade da semana

01.RENAUD GARCIA-FONS [procure no Grooveshark, especialmente por Poussière de Ksar ]. Procurando por violoncelo na música flamenca deparei com este contrabaixo (dauble bass).  Há 3 ou 4 dias que só ouço isso. E não me cansei.

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Pintura. Deformações dos corpos: Alongamento dos corpos 1. El Greco.

14/08/2012

El Greco (1541-1614).

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Biblioteca Mário, VII-070.031 .
Destes dois livros foram retirados citações e algumas reproduções para iniciar um estudo do fenômeno da deformação dos corpos ou, aqui, alongamento dos corpos. VER GALERIA.

Que efeito buscam os pintores, escultures e desenhistas  com a deformação dos corpos? Vimos, aqui, em Memória e Altar, que é constante na arte Africana, como se quisessem “enganar” os espíritos dos antepassados, forjando formas não realistas, quando as representações de animais eram bem realistas, provando que era uma escolha representar alongadamente, ou com outras deformações, a figura humana.
Debita-se mesmo à Arte Africana grande influência na arte do chamado ocidente, principalmente na arte moderna e contemporânea.

Folheando livros de arte ocidental podemos ver vários exemplos deste procedimento. Aqui no blog pretendo fazer uma recolha deste fenômeno, tentando entender, e sentir, estes efeitos.

Em Modigliani o alongamento dos corpos é dominante, tanto na pintura como na escultura. Nas figuras femininas, para mim, ajudou a destacar a sensualidade. Numa espécie de estranheza positiva, cativante. Como deformar pode tornar mais belo?

Em Giacometti o alongamento dos corpos provoca desolação, desencanto. Uma solidão, mesmo em suas florestas de figuras. Achei quase uma desumanização. E em El Greco, vai haver uma descarnação em relação à arte renascentista. Um descarnação, uma espiritualização que, para mim, vai dar em Giacometti.

Deformação dos corpos, El Greco (1). Mestre da Pintura, Abril Cultura, 1977. Biblioteca Mário, VII-070.001

A questão que se coloca é porque um procedimento que remonta à Arte Africana, muitas vezes chamada de folclore, e, no caso de El Grego, um retorno a formas arcaicas, bizantinas e medievais, vai estar presente, de maneira sistemática na arte moderna e contemporânea. Naquele momento, de Contra-Reforma católica, da Inquisição, em Toledo, centro da inquisição, os procedimentos estéticos, de retorno ao antigo, praticado por El Grego tem um conteúdo de inovação. É uma ruptura com as repetições nada criativa do maneirismo, estética que, vejam bem, colocava como mandamento a criatividade e era pura estagnação. Assim como a busca pela África vai arejar a arte moderna e contemporânea.

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SÓ ACREDITARIA NUM DEUS QUE DANÇASSE: NIETZSCHE.

Como acho que a música é a mais alta e importante atividade humana, procuro ligar os períodos da história à música. O mundo que quero conhecer tem que ter música ou não quero conhecer. Diferente da pintura, escultura ou desenho, cujas manifestações estão gravadas nas cavernas há 50 mil anos. A música que deixou registro começa no ocidente no século XI ou XII. Mas não é difícil imaginar que todos os povos, desde sempre, cantaram e dançaram. Todos os povos cantam e dançam. Me considero um aleijão, uma espécie de gabiru, por não conhecer tecnicamente música, nem tocar qualquer instrumento. E nem mesmo conseguir cantar. Portanto meu conhecimento será sempre precário, insuficiente, parcial.

A MÚSICA NO TEMPO DE EL GRECO

…………………………………………UM DOS INSTRUMENTOS MAIS PODEROSOS DA PROPAGANDA JESUÍTICA FOI A LITURGIA ROMANA………………………………………….escreve Otto Maria Carpeaux………………………………………..“o Officium defunctorum(1605), missa de réquiem e “orações de tumba”(seis vozes)…obra de solenidade sombria, e em certos momentos, de exaltação mística; é essa que já fez pensar no Entierro del conde Orgaz, de Domenico Theotocopuli el Greco”. Música de Victoria(Tomás Luís de)”.

Enterro do Conde de Orgaz, 1586-1588. Os dois planos é volta à pintura da Idade Média. Mas os rostos, destes aristocratas, com suas barbas pontiagudas permitem um alongamento dos rostos. os corpos são alongados, radicalizando este procedimento já estava presente até em Michelangelo. Mas os amarelos e pretos são cores berrantes e contrastantes, não tão convencionais ao maneirismo. Em meio ao conservadorismo a evolução e a mudança.

A Contra-Reforma católica, cuja ideologia El Greco tentava seguir, botava muita atenção à música. O Concílio de Trento, o Concílio da Contra-Reforma, tirou diretrizes severas para domar a música. Assim escreveu Otto Maria Carpeaux: “Mas na Igreja Católica colaboraram as artes plásticas as artes plásticas e a música para representar a verdade religiosa: de uma maneira que assombra os espíritos simples, eleva os de elite e confunde a todos”. E, para isso, “Quanto à música, trata-se de uma reforma não somente litúrgica, mas também musical”. A arte tomará seu curso e, mesmo com toda repressão da Santa Inquisição, terão músicos revolucionários e obras revolucionárias na pintura.

Aqui, para anotação e sentir um pouco a época – e sem música não dá para sentir, acho – vão dois momentos de músicas grandiosas. Um mais conservador outro já no caminho de mudanças dentro daquele ambiente de repressão e controle.

“Giovanni Gabrieli já um mestre pré-barroco. Antecipa fases posteriores da evolução da música. Algumas daquelas músicas podem ser executadas ad libitum…Os musicólogos têm dedicado estudo intenso a uma obra como a Sonata Piano e Forte, de Giavanni Gabrieli, obra puramente instrumental, na qual dois coros de vozes são substituídos por dois coros de trombonees. No seu tempo, Giavanni Gabrieli foi certamente um inovador revolucionário”. Otto Maria Carpeaux, História da Música. Lembrando que o Concílio de Trento cogitou proibir qualquer instrumento, pois só a voz humana poderia cantar a deus. Permitiu apenas como acompanhamento simples ou simples introdução. No entanto a arte seguiu seu curso…tortuoso

“Quando, em 1956, Igor Stravinsky regeu na basílica de San Marco, em Veneza, seu Canticum Sacrum ad honorem Sancti Marci nominis, a execução da obra moderna foi recedida pela de alguns coros de Andrea e Giovanni Gabrieli”.


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Visitação, 1607-1614. “”Nesse cotexto, é possível entender as características conscientemente subjetivas da pintura de El Greco não como traços visionários ou místicos, mas como fruto de idéias estéticas determinadas. Quer dizer, a definição de sue estilo obedece conceitos claros, e sua obra é mental com um componente expressionista que o pintor deixar transparecer deliberadamente, cada vez em maior medida, consciente de sua genialidade individual”. Gênios da Arte”, ed. Girassol.

MODERNIDADE… Parece a mim obra moderna. Me remeteu a muitos reproduções de modernos e contemporâneos que vi. Aqui mesmo neste blog reproduzi um quadro também “fantasmagórico” de Nolde, apesar de ser uma dança, mas parecia uma dança ritual e não um carnaval. Nolde me lembrou Stravinksy. Votarei sempre a essa reprodução de El Greco e também ao quadro de Nolde. Mais que conhecer correntes quero conhecer obras, não quero uma sociologia, mas um certo catálogo de meus gostos.
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Galeria de reproduções e texto

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links

01. Modigliani: “Eu agora possuo o orgasmo…”
02. GIACOMETTI por JEAN GENET.
03. Giacometti por Sartre
04. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: Memória e Altar: apontamentos 01
05. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Memória e Altar”: Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite
06.El Greco:” A tendência do pintor para alongar a figura humana, aprendida em Miguel Ângelo, mas também em Tintoretto e Paolo Veronese, e em pintores maneiristas vai caracterizar toda a sua pintura”.


Giacometti: repercussão na arte brasileira

27/07/2012

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Galeria

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Este post será constantemente atualizado.


Modigliani: “Eu agora possuo o orgasmo…”

28/06/2012

biblioteca Mário 002.000

Quem foi Amedeo Modigliani

É irredutível a escolas ou tendências. Em Florença. Matricula-se na escola de belas artes em 1902. O ambiente da cidade, naqueles anos, é permeado pelas discussões filosóficas, políticas e literária. D’Annunzio e Nietzsche.

Muda para Escola de Belas Artes de Veneza, em 1903 de onde escreve ao amigo:

 “…Eu agora possuo o orgasmo, mas é o orgasmo que precede o prazer, ao qual sucederá a atividade – vertigninosa e ininterrupta – da inteligência”.

“… No Mseu de etnografia descobre a estatuária africana, como o fizeram tantos artistas de sua geração”.p.5

Sua pintura, desde o início, só tem um tema, a figura humana.

1909. Discute muito com Constantin Brancusi. Brancusi estava entusiasmado pela arte africana. Depois destas discussões, diz o texto, Modigliani decide-se a tornar-se escultor.

Na sua pintura ficarão características que aprendeu esculpindo. “… Da arte dos povos africanos, reteve o sistemático alongamento dos rostos, o tratamento geométrico do pescoço, o volume decidido e retilíneo do nariz – que tanto caracterizam seus retratos. Mas incorporou também as lições pré-colombianas, das culturas do oriente – os ancestrais da arte moderna…”p.5

Uma anedota do texto da Abril é que Modigliani, depois de fazer uma série de esculturas, apresenta-as a alguns colegas que balançam a cabeça negativamente. E então, com carrinho de mão joga-as todas nos canais da cidade. Anedota semelhante é contada na ficção de Ken Follett, em O Escândalo Modigliani; mas agora é uma carroça de quadros que é queimada.

“Hoje, muita tente ainda se pergunta: o que é um Modigliani? É um retrato, de preferência um retrato de mulher, tratado segundo a tradiçã do retrato decorativo da escola italiana…”p.6

Esse parágrafo continua com uma questão da técnica que é importante anotar:

“… O traço é sublinhado, constantemente visível. Percorre e organiza a superfície da tela obedecendo a um ritmo de grandes curvas melodiosas. Sugere o corpo humano mediante recurso a deformação arbitrárias: o pescoço e as mãos são desmedidamente alongados, o dorso é relativamente curto, a cabeça – diminuta com relação ao conjunto – [e aqui o que achei o mais importante] é organizada em torno da linha vertical do nariz [lembando o documentário sobre Giacometti, exibido quando da exposição na Pinacoteca de São Paulo, onde, numa fala, Giacometti diz que começa suas obras pelo nariz, como se as construísse em volta de um nariz perfeito].”

Em 1917, “… para chamar atenção do público… Zborowski teve a idéia de colocar quatro nus na vitrine. Mas a polícia chegou antes que os compradores e exigiu que as telas fossem retiradas..”. p. 6

Morre 25 de janeiro de 1920.

Assim ele escreveu sobre a vida. “A vida é um dom. De poucos para muitos. dos que sabem e possuem aos que nem sabem nem possuem”. p.6

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Este fascículo da abril é francamente de uma moralismo sexual deprimente. As estampas dos nus são da cintura para cima, quando Modigliani  retrata sua modelo, de corpo inteiro,  com a mão bem sugestivamente colocada.  Pelo fascículo da Abril, 1967, ditadura militar, Modigliani pintou rostos, quando seus nus – como se espera de um nu – são corpos inteiros sensuais, eróticos.  E inclusive os rostos são de mulheres sensuais. O que as cores, no batom, no cabelo, nos olhos, sempre sugerem.

Esta reprodução foi colada do Google. O fascículo da Abril, de 1967, mutila todos os os dois nus que reproduz. As reproduções do google devem deixar os pedólatras indignados, pois quase sempre cortam pés e pernas.  Aqui vãos duas reproduções do google, mutiladas, as mesmas seccionadas do fascículo da Abril Cultural.

Uma vantagem de ter as reproduções do fascículo da Abril Cultual é que no papel permite-se  uma noção da pinceladas e, portanto, permite dar uma sensação de estar vendo uma pintura. Nas reproduções eletrônicas, tudo fica muito frio, as pinceladas desaparecem e, como há muitas reproduções da mesma obra na internet, fica evidente uma variação imensa nas cores quando comparadas. Ou seja, não se vê o quadro. Talvez podemos ver o assunto do quadro. E o texto da Abril Cultural ressalta ainda que Modiglini lançava mão de cores fortes – o que recebia muitas críticas dos contemporâneos, mostrando que questão das cores era uma atitude importante do artista.

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Outra anotação sobre civilizações africanas e sua influência na arte moderna

Boneca DOGON, de Mali. Foto Mário Martins de Lima. Da exposição “Memória e Altar”, na CPFL-Campinas, maio 2012, da Coleção de Rogério Cerqueira Leite


A cabeça pequena em relação ao corpo é uma das características das deformações encontradas em várias esculturas de várias civilizações africanas. Essa acima é da Civilização DOGON, de Mali. Neste blog, em vários posts foram anotadas estas características e seus significados na arte africana, que praticava várias distorções, não por que não conseguisse ser realista; exemplo contrário é que retratavam animais de forma realista. As distorções fazem parte de sua relação com os espíritos ancestrais; são distorções executados com esmero e expressividade conscientemente procurada.


Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações

18/06/2012

Giacometti, Mulher Colher, 1927 (versão 1953), gesso

Esta influência das Artes Africanas, em Giacometti, está em toda sua obra. Há na exposição da Pinacoteca de São Paulo uma sala especial, mostrando que houve uma fase na sua obra, começando em 1927, onde esta influência era marcante, mas acho que é um influência que perdurou a vida toda. Mesmo porque, como diz Véronique Wiesinger (02), Giacometti fazia constantes “recuos”; e uma obra concebida no início da década de 30 seria executada, por exemplo, na década de 60.

Como podemos ver pelas reproduções aqui, Giacometti, não só sofre influência, ele reaproveita imagens vistas, quase que decalcadas. Gostaria de estudar como estas incorporações são feitas. Que novo significado adquirem. Que nova dimensão Giacometti deu, por exemplo, para máscaras e esculturas que circulavam na frança quase que como souvenirs. Aqui temos duas mulheres colheres quase idênticas: uma é arte moderna, a outra arte africana, chamada por alguns de folclórica.

Certamente isto já tem até um nome no vocabulário das artes, mas eu não sei. E quem souber mande-me. Todas estas nomeclaturas são muito chatas, mas as vezes ajudam a catalogar. Apesar que tem falas e textos que são só uma sucessão de jargões que nós dá impressão de estar lendo um diário oficial da Rússia stalinsita [que, curiosamente, repetiu a o cipoal burocrático do czarismo].

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Colher Cerimonial, Civilização DAN, Libéria
The Art of Africa, the Pacific Islands, and the Americas / The Metropolitan Museum of Art Bulletin

Esta publicação do The Metropolitan Museum of Art Bulletin (Fall, 1981), tem fantásticas reproduções em página inteira. Minha biblioteca parece um sebo. A cada arrumação uma surpresa.
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biblioteca Mário 000.003

 

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O NARIZ, 1947 (versão 1949), bronze, fundição 1965, Fundation Giacometti, Paris.

Isso que eu chamei de incorporação, e que não sei que nome tem no vocabulário da arte moderna, aparece a todo instante. Na exposição, diante do Nariz, de Giacometti, fiquei brincando que era Pinóquio revisitado. E fiquei intrigado até que me deparei com os homens “mosquitos”. Não sei se são apenas canadenses.

Mosquito Mask
Coast Tsimshian
British Columbia
Before 1925
Wood and paint
Canadian Museum of Civilization, VII-C-1188, CD98-20-015

tlingit-mask, anunciada por $400,000

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Esta aqui está à venda por $400,000 [ quatrocentos mil dólares]. Será o efeito do “reaproveitamento” do “folclore” na arte moderna? Não sei destes artefatos do Canadá, mas é sabido que na década de 20 e 30, máscaras e esculturas africanas eram vendidas como souvenirs em qualquer brechó. Pode ser a lei básica e elementar do capitalismo, a da oferta e procura. Um pista é que deve ter menos máscaras Tlingit em circulação do que africanas. O mundo a arte é um mundo do mercado capitalista: “Que produz e destrói coisas belas”, como cantou Caetano Veloso.

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Mosquito Mask, Papua Nova Guiné, Oceania

Mas aqui mesmo já começo a dar alguma resposta sobre os “mosquito mask” serem apenas canadenses. Há esta máscara de Papua Nova Guiné, na Oceania. Outra pergunta já pode ser respondida. Giacometti também desenhou e se influênciou pelas máscaras, totens da Oceania [e fez vários desenhos das máscaras e esculturas da Oceania, presentes na exposição da Pinacoteca].

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LINKS:

01.levantamento de dezenas (com centenas de fotos) de publicações sobre arte africana e ao final links
02 . para imagem do “mosquitos” CANADIAN MUSEUM OF CIVILIZATION

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BIBLIOGRAFIA

01. GIACOMETTI / organização Véronique Wiesinger/ vários tradutores / São Paulo: Cosac & Naify, 2012.

02 . The Art of Africa, The Pacific Islands, and the Americas /text by Douglas Newton / Photographys by Lee Boltin / The Metropolitan Museum of Art Bulletin (Fall, 1981)


GIACOMETTI por SARTRE

08/06/2012

Capa do livro Alberto Giacometti, textos de Jean-Paul Sartre, Ed. Martins Fontes.

foto da contracapa do livro Alberto Giacometti textos de Jean-Paul Sartre, ed. Martins fontes, 2012
“Não é preciso olhar por muito tempo o rosto antediluviano de Giacometti paa adivinhar seu orgulho e sua vontade de se situar no começo do mundo”. Sartre, A busca do Absoluto.

ALBERTO GIACOMETTI textos de JEAN-PAUL SARTRE

biblioteca Mário 000.005

Li o livro duas vezes. E aqui vou fazer uma leitura dos fragmentos. Como diz a introdção de Célia Euvaldo: “alguns dos mais belos textos sobre arte moderna foram escritos sobre a obra de Alberto Giacometti…, entre os quais os dois ensaios de Jean-Paul Sartre aqui apresentados”. p.7. Estou apostando em o “Ateliê de Giacometti”, de Jean Genet. É uma loa rasgada a Giacometti. Além de um prosa, quase “prosa porosa”, há várias referências filosóficas, de Hegel, Kant. E achei identificar várias referências, sem citação, de Nietzsche. ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

SARTRE: AS PALAVRAS E O PERSONAGEM MARCEL

Da introdução de Célia Euvaldo.
É só clicar sobre as fotos para vê-las em tamanho maior e legíveis.

As-Palavras-Jean-Paul-Sartre, fonte google.
É a capa do meu exemplar. Ao contrário de amigos jovens, adoro capas de discos, de livros. Morrerei com meus discos e livros. Com toda esta inutilidade que acumulo.

Durante a década de 70 e 80 li e reli este texto que achava a maravilha de Sartre e a o estado de arte da autobiografia. Além de me ver no texto por ter também uma mãe bonita e assediada sexualmente. E um livro com frases maravilhosas como “não tive pai, não tive superego”. Faço estas referências usando minhas curta e traiçoeira memória. Não consegui achar o livro na minha abarrotada, desorganizada, empoeirada e cheia da livros B dos sebos, estante. Personagem é invenção. Sartre mesmo mostra que a obra de Giacometti é pura invenção da imaginação. No entanto a personagem Marcel de As Palavras vai causar tal ruptura entre Sartre e Giacometti. Incomoda e atrai esta fúria entre criadores. E o efeito que pode causar uma personagem de ficcção. Me lembro sempre que Jean-Claude Bernadett dedicou um livro de crítica de cinema a Antônio das Mortes, de Glauber Rocha. Dizem que é o único livro dedicado a uma personagem. …………………………………………………………………………………………………………………………………………..

página 13.

O ROSTO DE GIACOMETTI

“Só não julga pela aparência quem não sabe julgar”. É uma frase que vem, dizem, com a chancela de Oscar Wilde. Na extrema juventude da natureza e do homem não existe o belo e feio. Dezenas de estudantes de arte da Unicamp foram a uma assembléia de funcionários da Unicamp dizer que os atos públicos eram barulhentos e feios. Alguns deles vestiam camisetas com a estampa FEIA, do Festival do Instituto de Arte/Unicamp. Nem se deram conta.

fonte: Giacometti, Cosacnaify

pág. 16

Devemos cair no abismo de olhos abertos, foi assim que li Nietzsche. Onde? Tem uma amiga universitária que sempre quer saber onde li as coisas. Mas não leio para citar nem para guardar, mas para viver. Todo escrito só vale a pena se for escrito com sangue. Deve ser de Nietzsche também. ……………………………………………………………………………………………………………………………………….

pág. 17.

Capa do livro de Marcelino Freire, BaléRalé, Ateliê Editorial.
A referência da orelha do livro é: Os homens de Weerding, são chamados de “o casal gay mais antigo da Holanda”. Acerv Drents Museum

Fotomontagem: capa do livro BaléRalé e foto do livro Giacometti, da Cosacnaify.

ATAQUE AO INDIVIDUALISMO, APOLOGIA AO ASCETICISMO, em Sartre

Sartre discute se é uma visão de campos de concentração. Via Giacometti como um detrator do homem. Ainda vejo quando não vejo erotismo nem sexualidade. Sartre escreve também sobre Giacometti e as mulheres inatingíveis. Por acaso peguei no meu amontado de livro o BléRalé, de Marcelino Freire, ed. AE; e não canso de olhar para as duas múmias que não são nada mais que um objeto, sem arte, sem artista. Mas o homem abstrato, geral, também está ali. Mas me preocupa da redução de Sartre faz da arte apenas como representação deste homem geral, como um contraponto, ou mesmo ataque indiscriminado ao individualismo. E pode ir fácil ao ataque á própria arte que depende da liberdade individual ampla e irrestrita. Neste post cito um texto seu de 1948, mesmo ano do texto principal do livro em foco, que ataca o sonho, em arte, como traição do proletariado. Nietzsche foi o único filósofo que tinha pinto e nariz. Parece que as esculturas de Rodin e Degas tem sexo e dançam.Só acreditaria num deus se ele dançasse. Há também as eculturas e máscaras africanas, onde há o homem e não a figura do chefe (há algumas). Mas em geral são esculturas que traduzem uma visão do homem diante do mundo, dos ancestrais e dos deuses. Com grande valor estético e humano. Mas, parece-me, não invalidam as buscas “individualistas” da arte moderna e contemporânea.

Há bastração, deformações, alongamentos, desproporções, tudo em em busca de uma expressão, na arte africana. Mas suas máscaras alongadas e deformadas também são feitas para a dança. Suas deformações são para defender a vida contra a doença e a morte numa luta contra os próprios espíritos ancestrais. Ou há as esculturas de sexo com animais na Grécia que narram aquele homem e o homem de hoje com seu amor profundo pelos animais. E toda arte erótica de Picasso. Há o humano dilacerado que tomou a arte do século XX, mas não acho que é a única possibilidade do homem. Entre a vida e o abismo da morte , da violência e de Deus, há ainda a vida.

Há em Sartre uma apologia ao asceticismo da vida de Giacometti, asceticismo que teria invadido sua arte.

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REFLEXÕES SOBRE A ARTE AFRICANA

Sartre, Reflexões sobre o racismo, capa, Difusão Europeia do Livro.
“Se o proletariado branco raramente usa a linguagem poética para flar de seus sofrimentos…Ao mesmo tempo, a fase atual de seu combate exige, de sua parte, uma ação contínua e positiva: cálculo político, previsões exatas, disciplina, organização de massas; o sonho, no caso, seria traição.”. p. 92. “Entretanto se tais poemas nos dão vergonha…Aos negros é que estes negros se dirigem…porque é necessariamente através de uma experiência poética que o negro, na situação presente, deve primeiro tomar consciência de si mesmo…”p.91-92

Curiosamente, Sartre não aborda a questão das esculturas e máscaras africanas, também da oceania, que foram influências dominantes em Alberto Giacometti. Tem até uma fase chamada africana. Sartre escreveu um texto, Orfeu Negro, em 1948. Está então atento à questão da arte africana. Além do mais Picasso, Blaque, Brancusi e uma gama imensa de artistas vão ser influenciados por ela num período longo que vai do início do século até 1930. E Giacometti será, inclusive, tardiamente influenciado, lá pelo anos de 1927. Influência que permaneceu até o fim da vida. E parece-me que Giacometti foi amigo de Marcel Griaule, grande estudioso da civilização Dogon, de Mali, que em 1947 publicou livro fundamental sobre esta civilização, “Dieu d’eau”, primeira edição de 1947. E para ainda falar das esculturas e máscaras africanas, cito Roger Bastide que devo reler, já que foi de grande impacto, para mim, na década de 70. E parece que vai ser agora, quando relido. “Mas é preciso mostrar ianda que esses cultos não são um tecido de supertiçoes, que, pelo contrário, subtendem um cosmologia, uma psicologia e uma deodicéia; enfim, que o pensamento africano é um pensamento culto”. Pg. 24, Roger Bastide, O candomblé da Bahia, Cia. Das Letras,2001. Este texto, escrito em 1948, é aqui citado pelo motivo de Sartre deixar de lado a questão da fase (melhor ainda, permanência) africana em Giacometti. Cito também por ser de 1948, pois o texto principal de “Alberto Giacometti, textos de Jean-Paul Sartre, Ed. Martins Fontes, traz, “A Busca do Absoluto”, datado de 1948. E, relendo este “Orfeu Negro”, também de 1948 que tanto amei, reli e conversei sobre, chego até horror a certas passagens. Que o proletariado deve ser técnico e não pode ter sonhos e se os tivesse seria traição. Ou que a poesia negra, em língua francesa, seria a única arte revolucionária naquele momento. Absolve certa poesia de má qualidade em nome de uma ideologia e condena o proletariado a aridez totalitária

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O conceito de aparência é fundamental na discussão de arte de Nietzsche, assim como na sua filosofia que, jamais, é desassociada da arte. Pelo menos de ouvir falar, esta questão da aparência e da essência é uma discussão do existencialismo. E nesta citação há acordo com Nietzsche: a aparência é fundamental. …………………………………………………………………………………………………………………………………………….

“Alberto Giacometti”, textos de Sartre.
Impõe-se mais uma citação para remeter à arte africana. Esta cabeça distante e corpo próximo vai lembrar as bonecas da civilização Dogon.

Boneca DOGON, Mali.

FASE AFRICANA DE GIACOMETTI

A influência da arte africana em Giacometti eu pretendo fazer um post inteiro sobre a questão. Aqui apenas para ilustrar que Sartre deixou de abordar a questão em conceitos que, parece-me, estão presentes, ou mesmo são oriundos das civilizações africanas. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Desenho de Sartre, ilustração do livro.

Sartre, por Giacometti, ilustração do livro “Alberto Giacometti”, textos de Jean-Paul Sartre.

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Foto do caríssimo livro/catálogo da exposição. “Giacometti”, ed. Cosac & Naify

EXPOSIÇÃO NA PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Alberto Giacometti, homem caminhando, Gogole

Em Sartre, a palavra mais emblemática do seu texto, falando de Giacometti, é DESOLAÇÃO. Por dois dias, em longas horas na Pinacoteca, anotando todas as obras ali expostas, e sem ter lido os textos de Sartre, a palavra que mais usei foi DESOLAÇÃO. E foi a palavra para todas as pinturas. Mas aqui comecei a falar em destruição e morte. Chamou minha atenção que, Sartre, de passagem fala que a obra de Giacometti não se confunde com visões de campo de concentração. Mas seus dois textos, de 1948 e o outro, sobre a pintura, de 1954, não tem qualquer referência à segunda guerra e nem à primeira. Sartre não aborda e nem nega esta influência.

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O Ateliê de Giacometti, de Jean Genet, contracapa. Ed. Cosac & Naify

JEAN GENET, O Ateliê de Giacometti

Comecei a ler o texto de Jean Genet e parei no primeiro parágrafo, para poder terminar este aqui. A palavra chave de Jean Genet é morte.


Parangolés, Hélio Oiticica. Apontamento 03

06/06/2012

PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN

Apresentação do Vodu Egoun. Uidá, Benin, 2009. Esta é a legenda da foto original. Foto(detalhe) da foto de Ricardo Teles , O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias, ed.Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Esta foto de Ricardo Teles(este detalhe dá uma pálida ideia da expressividade da foto) – em O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias – que me levou a fazer este outro apontamento. O artigo de José D’Assunção Barros martelava, na minha cabeça, que os PARANGOLÉS, de Hélio Oiticica tinham influência da arte africana (cito abaixo o trecho do artigo).Mas achei, vendo a foto, que não é apenas no conceito de “expandido”, ou seja, não uma influência apenas conceitual, apenas uma referência, mas viva, acontecendo ainda hoje. Mas me parece que é a as manifestações culturais africanas, de hoje, atuais, que influenciaram também. E quero procurar estas influências na arte mais contemporânea. Em Hélio Oiticica há uma influência da África atual. Há, talvez, uma profunda continuidade entre a África antiga e a moderna. E a arte de vanguarda de Hélio Oiticica bebe neste arcaico e neste popular, ou mesmo religioso. Neste caso não há dicotomia entre vanguarda e o popular. Ou o popular e laico, influenciando o religioso, como abordarei em outro post sobre a influência do carnaval brasileiro, interferindo nas bandeiras do Vodu, no Haiti.

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biblioteca Mário 000.007

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CAETANO VELOSO NÃO SE LEMBRA DE CAETANO VELOSO

Singer and composer Caetano Veloso wearing Oiticica’s P 04 Parangolé Cape 01 1964 in 1968 © Projeto Hélio Oiticica. Photo: Andreas Valentim.

Durante anos, mantendo e cultivando minha ignorância, todas as vezes que ouviu ou lia a palavra PARANGOLÉ, mais que Hélio Oiticica, me lembrava desta foto de Caetano Veloso. Parece que mantive durante anos um grande equívoco quando leio o livro de Caetano Veloso, Verdades Tropicais, da Cia. das Letras.
Olhando para da data, 1968, da legenda da foto, se exata, acho que Caetano Veloso veste um Parangolé apenas para se enfeitar. Pelo seu livro, não passou disso.

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16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

Dia 16 de outubro de 2009 deve ser recordado como um dia de destruição do patrimônio cultural brasileiro. E parece, passados quase 3 anos, que ninguém se importa. Este blog pretende lembrar esta data todos os anos. E estudar Hélio Oiticica.
REPORTAGEM DO JORNAL O GLOBO

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QUEM REALMENTE SE IMPORTA?

Por exemplo, o artigo José D’Assunção Barros deixa claro a influência da cultura africana nestes parangolés (que não existem mais, que foram queimados, como vimos acima). E seria de interesse de no mínimo, mais de metade da população brasileira, a preservação desta obra. Mas uma pessoa vai determinar o rumo de tudo porque é o herdeiro. Quando o herdeiro deveria ser toda a população brasileira. Arquivos públicos também correm perigo, mas obras amontoadas em casas particulares é pior ainda. Mas a notícia do Globo, abaixo, à certa altura comenta as “briguinhas” com um museu americano, mas não fala de quem deveria esgar brigando é o poder público, para ter estas obras sob sua guarda. O irmão de Hélio Oiticica, singelamente,fala de uma briguinha com um museu americano que queria as obras. Parece que não lamenta a perda. Ou pode ser a família inteira de olho gordo na “herança”. Agora pode até ser que vai aumentar o preço do que sobrou, numa espécie de queima do excesso; já que a reportagem cita uma obra vendida, em maio de 2009, um dos “Metaesquemas”, o de número 19, que era estimado em U$ 80 mil, foi arrematado por U$180 mil. Quanto valerão agora os outros que, como diz a reportagem, foram todos salvos por estar em outra sala. E ainda falando do irmão do artista que lamenta o prejuízo de 200 milhões. É o maldito direito de herança. Este irmão ou a família toda, certamente, vão encher a burra de ganhar dinheiro, com o que pode ser salvo do incêndio. Na reportagem o tal irmão não lamenta, o quê era de se esperar, que os parangolés foram completamente destruídos. E a reportagem comenta que é(era) a principal obra do artista.[A reportagem não diz se sobrou, em algum museu, alguns destes parangolés]. Leia a reportagem: “Em 1981, um ano após a sua morte – em 22 de março de 1980 -, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996”. Leia a reportagem:. Deveria ser óbvio que as obras deveriam estar nos museus e centros culturais. Herdeiros que amontoam obras, para faturar em cima de algo que jamais produziu, dá nisso. Destruição. Direito de herança,direito autoral para herdeiros – ridículo, já que não escreveram nada – é o principal ataque à memória e a cultura.

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

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AS GAIOLAS DE GIACOMETTI E UM PARANGOLÉ DE HÉLIO OITICICA

E não é que fuçando no google, para fazer este post, acabei vendo uma influência, de Giacometti em Hélio Oiticica.

Giacometti, outro exemplo de Gaiola

Alberto Giacometti_The Cage, 1930-31

Parangolé, Hélio Oiticica, fonte Google

Acho que Hélio Oiticica foi buscar este formato nas gaiolas de Giacometti.

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TROPICÁLIA.

O livro de Caetano Veloso diz que o nome, apanhado de Hélio Oiticica, não passou de um nome. Que ele aceito a sugestão a contragosto e porque não tinha como recuar quando todos já falavam que a música, sem título, era tropicália. No livro se diz até conformado com o nome tropicalismo que odiava.

O índice remissivo de “Verdade Tropical”, remete a 12 páginas que falam de Hélio Oiticica. Engano total. Li o livro quando saiu e me passou despercebido o nome de Hélio Oiticica. Revendo as remissões, hoje, constato que, além das páginas 425-427, as outras 10 páginas são apenas breves referências anedóticas. Que me deixou em total ignorância de quem foi, naquele momento, e para a Tropicália, Hélio Oiticica. Nas páginas 425-427 há uma série de adjetivos superlativos. Mas ao que parece, Caetano nega qualquer influência, além do nome Tropicália, de Hélio Oiticica na sua obra. E nem deixa entrever, apesar dos elogios, se esta obra tem alguma importância. Nem fala que vestiu um Parangolé, coisa que, quando vejo o nome de Hélio Oiticica, invade minha memória. ………………………………………………………………………………………………………………………………………….
O artigo de José D’Assunção Barros, sobre a cultura africana,AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANANA ARTE MODERNA já resumido num post neste blog, post cujo titulo é: Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte? e demonstra, neste artigo, que os parangolés são um herança da arte africana. E não esquecer a foto de Ricardo Teles do vodu em Benin. ………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Paarangolé, Hélio Oiticica., Google

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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, de José D’Assunção Barros.
Apenas relaciona Hélio Oiticica com o conceito de “EXPANDIDO”. A citação abaixo é o que fala de Hélio Oiticica.
“O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Um exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo.”
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METAESQUEMAS 19.

Hélio Oiticica (Brazilian, 1937-1980), Metaesquema 19, 1957-58, Gouache on board, 45 x 53.3 cm, © 2007 Projeto Hélio Oiticica.

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links

Parangolé, Hélio Oiticica. Foto que ilustra o artigo de Daniela Name

LINK 02 – Obra de arte não é foto de família, artigo de Daniela Name

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links [atualizações]

03 . Ministério da Cultura Hélio Oiticica – Museu é o Mundo

“A exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo, chega nesta terça-feira (21) ao Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. Essa é a maior mostra já realizada sobre Hélio Oiticica e faz parte da itinerância que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Após Brasília, a exposição segue para Belém.”, querem dizer 21 de dezembro de 2010. Não soube que chegasse à São Paulo. Muito menos à Campinas/SP, onde tem duas universidades, uns 50 mil estudantes, e nenhuma atividade cultural.

04. ANGELA VARELLA SAVINO, LIBERDADE CRIADORA E HIBRIDISMO DE HÉLIO OITICICA À EDUARDO KAC

Partindo do conceito de liberdade criadora de Bergson e a relação da arte com a vida,
o objetivo é ir ao encontro da ação de hibridismo (o movimento de construção de mistura de
linguagens artísticas dos primórdios ao movimento moderno), na trajetória de libertação da
arte de seus suportes convencionais ao corpo, utilizando como cenário de observação além de
exemplos de obras e ações de hibridismo no contexto do período dos anos 50 aos anos 90, as
obras representativas de dois artistas expoentes: Hélio Oiticica e Eduardo Kac, no intuito de
configurar o cenário da relação interdisciplinar dos elementos: corpo, vida, arte e tecnologia.
Palavras-chave: LIBERDADE – HIBRIDISMO – VIDA – ARTE – TECNOLOGIA