Chuvas (sempre) Inundam Arquivo Nacional.

12/03/2013

O Bom Dia Brasil, da Rede Globo entrevistou o presidente da Associação dos Servidores do Arquivo Nacional e ele afirmou que o problema é antigo.
Estarrecedor ver documentos de mais de 200 anos cobertos com plástico preto. Plásticos pretos também cobrem armários deslizantes novinhos.
Consternador ver um murundum de documentos molhados e amontoados, como se pode ver na foto publicada na página do jornal o Globo.

Documentos molhados do Arquivo Nacional, fonte google

Documentos molhados do Arquivo Nacional, fonte google

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Onde estão os historiadores e os profissionais das chamadas ciências humanas? Como chamar o sujeito que mandou queimar documentos da justiça do trabalho. O tal sujeito é da Academia Brasileira de Letras, ostentou o título de presidente da República e foi presidente do Senado não sei por quantas vezes. Sarney (Sir Ney) é o mesmo José Ribamar. E foi muito tímida a reação diante de tal crime contra a história do país.
Amedrontadora é a notícia de que documentos do período da ditadura militar vão ser transferido para o Arquivo Nacional, que há muito tempo inunda. No noticiário da Globo, citado acima e reproduzido no facebook da Associação dos Servidores do Arquivo Nacional, relata que documentos da Comissão da Verdade foram afetados pelas águas de março.
No mesmo noticiário diz que o governo vai estudar reformas no prédio e que deve demorar essa avaliação. Artigo de Elio Gaspari, “Privataria arruina a Biblioteca Nacional”, relata gastos astronômicos com a Biblioteca Nacional e que nada adiantaram. Na Biblioteca Nacional é o ar-condicionado que inundou-a, assim como aconteceu com o Arquivo Edgard Leuenroth. Ar-condicionados caríssimos que não funcionam e poem em risco os arquivos–Será que paióis militares ou instalações nucleares também são inundadas por ar-condicionado? Ou foram contratadas empresas incapazes? — O Artigo de Elio Gaspari mostra que o problema da Biblioteca Nacional não é falta de dinheiro. Bilhões foram gastos para fins os mais esdrúxulos que nada tinham a ver com a função da Biblioteca Nacional. São burocratas gastando dinheiro do povo, não como se fosse seu, pois não são tolos, gastam mesmo é o tal dinheiro público (que soa como se não fosse de ninguém), que é mesmo dinheiro DO público (o dinheiro dos nossos impostos).
Não é possível que essas instituições públicas gozem de tal autonomia. É preciso controle externo. Essas instituições tem que ser geridas por organizações cientificas e populares. É preciso um conselho diretor destes arquivos públicos, com poder de voto e que escolha a própria direção dos arquivos, formada por representantes de associações de historiadores e demais ciências humanas, inclusive com representantes de sindicatos e associações de trabalhadores. Deixar arquivos importantes nas mãos de burocratas é correr totais riscos. E quando se trata de acervos de cunho claramente políticos, como documentos da época da ditadura, é mesmo uma irresponsabilidade. É conhecida a heroica história de como foram salvos os documentos do Arquivo de História Social de Amsterdam: grupos políticos, anarquistas em particular, espalharam os documentos pela Europa e, depois do pós-guerra, foram reunidos. Documentos militantes só estarão mesmo garantidos se houver envolvimento de militantes, de não profissionais burocráticos. Burocratas também são pesquisadores que usam os arquivos apenas para arranjar um título e um emprego. É o perigoso arrivismo. Claro que há exceções, mas somente exceções.(veja a história do IIHS de Amesterdam).

 Annie Adama van Scheltema-Kleefstra

Annie Adama van Scheltema-Kleefstra

Nehemia de Lieme

Nehemia de Lieme

N.W. Posthumus

N.W. Posthumus

Estes prédios do Biblioteca Nacional e do Arquivo Nacional não prestam para a finalidade de arquivos. São velhos e perigosos. Se não são as inundações é o perigo de incêndio. Assim como arquivos da Unicamp, como Centro de Memória em prédio completamente inadequado, pondo em risco a memória de Campinas, especialidade desse arquivo. Mesmo o AEL, Arquivo Edgard Leuenroth, com prédio novo, inaugurado em 2009, mostrou-se inadequado. Vive sendo destelhado em qualquer chuva. Suas janelas vivem caindo, pois são de péssima qualidade. E o Ar-condicionado que custou 600 mil reais, naqueles idos, jamais funcionou e, na inauguração do AEl, inundou parte do acervo, como aconteceu com o ar-condicionado da Biblioteca Nacional. Atestando, no mínimo, tremenda incompetência e provando que os burocratas são incapazes de guardar a memória nacional.
Precisam-se, antes de mais nada, de prédios adequados. Que tenham engenharia para isso. Que tenham toda uma engenharia para evitar sinistros (como porta corta-fogo, escadas externas, elevadores externos, brigadas de incêndio 24 horas por dia e outros recursos). A proliferação de arquivos em predinhos inadequados é um grande risco. Não é economicamente viável ter uma brigada de incêndio para cada predinho isolado. É preciso de grandes prédios, com engenharia de alta segurança, com corpo de funcionários (concursados), com treinamento constante, com ordens de serviço preventivas executadas e relatadas todos os dias, em todas as horas do dia e da noite.
Tanto o dinheiro enfiado na Biblioteca Nacional, como a compra da fazenda pela Unicamp, atestam que dinheiro está é sobrando. Precisa-se é envolvimento da sociedade. Vê-se, principalmente no caso da Biblioteca Nacional, uma autonomia para jogar dinheiro fora, como mostrou Elio Gaspari. E a Unicamp, até prova em contrário, é hoje um dos latifundiários improdutivos do país – pelo menos até sabermos o que vão fazer com a tal fazenda. Professor da Unicamp fala até em possibilidade de ocupação (ou invasão) de tal área improdutiva..
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links

01.Biblioteca do Iel na Unicamp é atingida por incêndio
02. Incêndio atinge prédio da biblioteca do Instituto de Letras da Unicamp
03. nota da Unicamp (sobre o incêndio)
04. Fotos dos Estragos na Biblioteca IEL Unicamp
05. Incêndio na biblioteca pública Luis Bessa, Belo Horizonte
06.Fogo destruiu interior de casa que foi moradia de poeta Castro Alves.
07 Presença de dois vigias minimizam o incêndio na Biblioteca Luis Bessa, projetada por Oscar Niemayer
08.Chuva inunda sala de obras raras de biblioteca da UFRJ Alba Valéria Mendonça, O Globo, 3 de dezembro, 2003 (com obras raras)
09.Chuvas inundam arquivos do Instituto Micael, Peruíbe
10.A privataria arruina a Biblioteca Nacional, Elio Gaspari
11. Chuvas alagam salas e molham documentos do Arquivo Nacional, O Globo, terça-feira, 12/03/2013

12.Segunda, 4 de Março de 2013 às 09h 03 Casa Civil enviará ao Arquivo Nacional documentos da ditadura
13. Associação dos Funcionários do Arquivo Nacional (facebook)

14.14/03/2013 13h36 – Atualizado em 14/03/2013 15h02 Após incêndio na biblioteca, protesto de alunos cobra ação da Unicamp
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quase-incendio-no-ael-2. Foto Mário Martins de Lima

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01.ARQUIVOS PÚBLICOS EM PERIGO. Incêndio na biblioteca do IEL
02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
03. Campus de Limeira, aos pedaços
04 .AEL MAIS UMA JANELA CAIU (1)
05. Pequeno Diário de uma Tragédia Anunciada

Quase Incêndio no AEL, foto Mário Martins de Lima

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06. MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA… O QUE ACONTECE COM AS OBRAS ABANDONADAS NA UNICAMP?
07. INAUGURAÇÃO DO AEL texto na revista casuistica.tk Sobre a Operação fogo no Edgard
08. INAUGURAÇÃO DO AEL (texto dos estudantes) 21/12/2009
09. 30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.
10. Enquanto uma empresa terceirizada inunda, outra fale na biblioteca do IFCH. COISAS TOTALMENTE SEM IMPORTÂNCIA.
11. JORNAL DO PORAO N. 5. 1 de outubro de 2009. QUASE INCÊNDIO NO ARQUIVO EDGAR LEUENROTH
12.Fogo no acervo de Hélio Oiticica. 16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

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