Falo no Jardim

02/12/2012

Biblioteca Mário

A editora da Unicamp e Ateliê Editorial, numa esmerada edição, publicaram o livro de João Ângelo Oliva Neto. Poemas ao deus Priapo. Poemas eróticos ao falo. E magnificas ilustrações coloridas, coisa rara em publicações universitárias. São publicações caras, mas deixo de lado muita coisa para ir comprando, nas feiras anuais. Reclamo, mas não me arrependo de ter comprado objetos tão caros.Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp - Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp – Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Sei que vou esperar sentado um publicação equivalente, com o mesmo esmero, com tantas ilustrações sobre a história da xoxota. Sei que ela tem papel positivo, de sortilégio, em muitas culturas. Mas seria maravilhoso um livro do mesmo porte do Falo no Jardim. A Unicamp tem uma grande parte, até mesmo maioria, de mulheres nos seus cursos. Na área de humanas, com certeza, é a maioria. Seria de esperar uma pressão para que houvesse uma publicação dessa.

Perdi um livro chamado História de V. Sem ilustrações. No prefácio ou introdução uma antropóloga critica a autora por, conservadoramente, usar a horrorosa palavra vagina. Pior que isso só o termo vagido para o choro de recém nascido. Nem mesmo usa vagina, dá a entender usando um grande V na capa, História da V.

Já mencionei aqui neste blog que o quadro de Gustave Coubert, A Origem do Mundo,  foi censurado por 128 anos. Pior. Lacan o escondeu por décadas e fazia uma espécie de cerimônia para mostrá-lo.  Apenas porque, realisticamente, pintou uma xoxota, quando há pintos em profusão pelos quadros, estatuária, desenhos; e por toda a cultura popular, inclusive nas expressões comuns, muitas que antes ofensivas viraram elogios, como “do cacete” e muitas outras. Não conheço nada parecido com a xoxota. Vi muitas mães ensinarem as filhinhas a chamá-la de baratinha, mas pela repulsa que as baratas causam, o diminutivo não alivia muito. Assim como a mania de ligar xoxota a coisa feia ou mesmo desagradável.

Enquanto não conhecer um bom livro, bem editado, bem ilustrado, vou aqui tentando juntar algumas ilustrações das artes, pintura, poesia, desenho, escultura… que dê um tratamento apaixonado ao corpo da mulher. Aqui, neste blog de elogios e loas, e não de crítica e denúncia,  ignorarei o que não for homenagem.

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A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz
Do sexo das meninas

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fulgaz

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras. Um sexo que passa ligeiramente, mas brilhantemente.

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galeria

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras.
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Esse post será sistematicamente atualizado.

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Atualização 28/08/2012

links para este mural de Jamie McCartney

Agradecimentos fervorosos à minha amiga que enviou os links. Fui ao Google e é o esperado. Um monte de abordagens politicamente corretas. Protestos contra cirurgias, este moralismo tolo e inútil. Perdi a paciência e não procurei muito não. Onde tem alguém para ver a beleza das xoxotas. O próprio mural de Jamie McCartney não tem cor, talvez próprio para um consultório ginecológico. Assim como um coleção de moldes de gesso num consultório de dentista. Era preciso um mural com cores e pelos. Xoxotas negras, brancas, asiáticas, mestiças… de todos os tipos.

01. Folha de São Paulo
02. Folha de São Paulo

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Atualização 30/10/2012

KUBIN, Alfred -todessprung (morte súbita)-1902

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01/11/2012
Otagawa School – shunga

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02/12/2012
Arlindo Daibert.

Daibert, Arlindo

Daibert, Arlindo

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26/07/2013
Enviada por Priscila Salomão
Jami Aka

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atualização, 25/09/2014

ALENA KUPCIKOVA, 2 ALENA KUPCIKOVA, Aukční síň Vltavín Aukční síň Vltavín, Alena Kupikova Aukční síň Vltavín Pêlos, cláudia ohana.2 Pêlos, cláudia ohana.3 Pêlos, cláudia ohana

 

Alena Kupčíková


capoeira angola desenhos de Caribé

02/08/2012

Biblioteca Mário XII AfroBrasil 000.001

A esperança é que o livro seja reeditado. No site estante virtual este livro de Waldeloir Rego vai de 395 reais a 1.593 reais. Ou seja, preço proibitivo para os mortais comuns. No Arquivo Edgard Leuenroth tem um exemplar.  Consegui o meu por R$ 100,00. Pretendo fazer uma resenha.
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link

WALDELOIR REGO
CAPOEIRA ANGOLA
ensaio sócio-etnográfico
Salvador
Editora Itapoan
1968

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Música que me fez prestar atenção na capoeira, em 1972. Até hoje, esta é um das minhas músicas prediletas.

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galeria

Claro que a vontade é colocar aqui os 18 desenhos maravilhosos. Aqui vão alguns como propaganda gratuita de um livro que não conheço nova edição.


Membro Fantasma, por Mário Augusto Medeiros da Silva

22/06/2012


 

Membro Fantasma, por Mário Augusto Medeiros da Silva

Liguei apenas no terceiro dia. Sabia que estavam todos preocupados. Tia Carmem ameaçou um enfarto. Mãe rogou praga. O Pai não disse nada. Nada disse, mas imaginava seu olhar ao longe, de sobrancelha levantada. Mano gozava a cara de todos. Arrumou-me não sei quantas namoradas e aventuras fantásticas. Durante esses três dias, até as vinte horas, vivi intensamente nas imaginações alheias. Raramente com final feliz, invejosamente fabulado.
No terceiro dia fiz tocar o telefone. Deve ter havido uma correria louca em volta da mesa grande da sala. Benedito latindo e correndo atrás do próprio rabo. Maroca irritada com a soneca boa frustrada, na almofada puída. Maroca olhando severa o zanzar de pernas, tão distintas de sua elegância felina. O Pai avisando que não me atenderia, que não falaria comigo, que não estava lá, mas esperando saber se eu precisava de alguma coisa. Mãe gritando seus impropérios e empurrando todo mundo para chegar ao gancho. Mano, de costas largas, pernas longas, músculos másculos, atendeu e suportou gritos, arranhões, chutes e murros, bem como súplicas desesperadas para ouvir minha voz.
Tia Carmem fazia café de cinco colheradas, porque ninguém dormia cedo aos sábados. A trinca, o truco, a canastra, o buraco, a ronda, o dominó. A paciência. A paciência da família reunida, exercitada, em torno da mesa grande, de tampo elegantemente polido e pernas vergonhosamente lascadas. A paciência da espera, dos pigarros censores, dos olhos gulosos, dos homens eunucos e suas senhoras desditosas. A mesa aparentemente velha, aparentemente nova, aparentemente herdada, aparentemente nobre, aparentemente limpa, aparentemente firme. A mesa levou um pontapé do Mano quando o telefone tocou.
Benedito me quer bem. Benê espiava comigo Ana tomar banho com Nina. Benê caçava rolinha e me defendia do Zé Sujeira, quando eu vacilava o repuxo. Maroca é uma dama empertigada, que me ensinou bons modos. De tanto observá-la, acho que aprendi algo de tratar Mercedes. Ela não perguntou se liguei. Duvido que chorasse ou esperasse pelo canto. Tantas idas e vindas, numa dança estranha. Mercedes devia estar como Maroca: altivamente à espreita, enleivada em seu próprio mundo, à espera de um afago em seus pêlos.
Mano atendeu. Ouviu minha voz gravada e programada no equipamento. Será que sorriu antes ou depois? Lembrou da dor do chute na mesa ou de todos esses anos? E quando anunciou o que lhe transmiti, conseguiu disfarçar o que de fato quis dizer? Tia Carmem tomou mais café? Benê fungou e coçou-se a barriga. Maroca fingia dormir. Mãe caiu-se ao sofá? Riu-se de louca? Fê-lo repetir? Mano seguiu as instruções, apertou o teclado para ouvir de novo. Mercedes estaria no Oca´s planejando a revolução com meus camaradas e não seria encontrada. Pena. O Pai, sobranceiro e pragmático preparava o terno e avisava que era hora, então, de mexer nos papéis para abrir o caixão.


Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações

18/06/2012

Giacometti, Mulher Colher, 1927 (versão 1953), gesso

Esta influência das Artes Africanas, em Giacometti, está em toda sua obra. Há na exposição da Pinacoteca de São Paulo uma sala especial, mostrando que houve uma fase na sua obra, começando em 1927, onde esta influência era marcante, mas acho que é um influência que perdurou a vida toda. Mesmo porque, como diz Véronique Wiesinger (02), Giacometti fazia constantes “recuos”; e uma obra concebida no início da década de 30 seria executada, por exemplo, na década de 60.

Como podemos ver pelas reproduções aqui, Giacometti, não só sofre influência, ele reaproveita imagens vistas, quase que decalcadas. Gostaria de estudar como estas incorporações são feitas. Que novo significado adquirem. Que nova dimensão Giacometti deu, por exemplo, para máscaras e esculturas que circulavam na frança quase que como souvenirs. Aqui temos duas mulheres colheres quase idênticas: uma é arte moderna, a outra arte africana, chamada por alguns de folclórica.

Certamente isto já tem até um nome no vocabulário das artes, mas eu não sei. E quem souber mande-me. Todas estas nomeclaturas são muito chatas, mas as vezes ajudam a catalogar. Apesar que tem falas e textos que são só uma sucessão de jargões que nós dá impressão de estar lendo um diário oficial da Rússia stalinsita [que, curiosamente, repetiu a o cipoal burocrático do czarismo].

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Colher Cerimonial, Civilização DAN, Libéria
The Art of Africa, the Pacific Islands, and the Americas / The Metropolitan Museum of Art Bulletin

Esta publicação do The Metropolitan Museum of Art Bulletin (Fall, 1981), tem fantásticas reproduções em página inteira. Minha biblioteca parece um sebo. A cada arrumação uma surpresa.
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biblioteca Mário 000.003

 

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O NARIZ, 1947 (versão 1949), bronze, fundição 1965, Fundation Giacometti, Paris.

Isso que eu chamei de incorporação, e que não sei que nome tem no vocabulário da arte moderna, aparece a todo instante. Na exposição, diante do Nariz, de Giacometti, fiquei brincando que era Pinóquio revisitado. E fiquei intrigado até que me deparei com os homens “mosquitos”. Não sei se são apenas canadenses.

Mosquito Mask
Coast Tsimshian
British Columbia
Before 1925
Wood and paint
Canadian Museum of Civilization, VII-C-1188, CD98-20-015

tlingit-mask, anunciada por $400,000

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Esta aqui está à venda por $400,000 [ quatrocentos mil dólares]. Será o efeito do “reaproveitamento” do “folclore” na arte moderna? Não sei destes artefatos do Canadá, mas é sabido que na década de 20 e 30, máscaras e esculturas africanas eram vendidas como souvenirs em qualquer brechó. Pode ser a lei básica e elementar do capitalismo, a da oferta e procura. Um pista é que deve ter menos máscaras Tlingit em circulação do que africanas. O mundo a arte é um mundo do mercado capitalista: “Que produz e destrói coisas belas”, como cantou Caetano Veloso.

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Mosquito Mask, Papua Nova Guiné, Oceania

Mas aqui mesmo já começo a dar alguma resposta sobre os “mosquito mask” serem apenas canadenses. Há esta máscara de Papua Nova Guiné, na Oceania. Outra pergunta já pode ser respondida. Giacometti também desenhou e se influênciou pelas máscaras, totens da Oceania [e fez vários desenhos das máscaras e esculturas da Oceania, presentes na exposição da Pinacoteca].

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LINKS:

01.levantamento de dezenas (com centenas de fotos) de publicações sobre arte africana e ao final links
02 . para imagem do “mosquitos” CANADIAN MUSEUM OF CIVILIZATION

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BIBLIOGRAFIA

01. GIACOMETTI / organização Véronique Wiesinger/ vários tradutores / São Paulo: Cosac & Naify, 2012.

02 . The Art of Africa, The Pacific Islands, and the Americas /text by Douglas Newton / Photographys by Lee Boltin / The Metropolitan Museum of Art Bulletin (Fall, 1981)


Parangolés, Hélio Oiticica. Apontamento 03

06/06/2012

PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN

Apresentação do Vodu Egoun. Uidá, Benin, 2009. Esta é a legenda da foto original. Foto(detalhe) da foto de Ricardo Teles , O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias, ed.Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Esta foto de Ricardo Teles(este detalhe dá uma pálida ideia da expressividade da foto) – em O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias – que me levou a fazer este outro apontamento. O artigo de José D’Assunção Barros martelava, na minha cabeça, que os PARANGOLÉS, de Hélio Oiticica tinham influência da arte africana (cito abaixo o trecho do artigo).Mas achei, vendo a foto, que não é apenas no conceito de “expandido”, ou seja, não uma influência apenas conceitual, apenas uma referência, mas viva, acontecendo ainda hoje. Mas me parece que é a as manifestações culturais africanas, de hoje, atuais, que influenciaram também. E quero procurar estas influências na arte mais contemporânea. Em Hélio Oiticica há uma influência da África atual. Há, talvez, uma profunda continuidade entre a África antiga e a moderna. E a arte de vanguarda de Hélio Oiticica bebe neste arcaico e neste popular, ou mesmo religioso. Neste caso não há dicotomia entre vanguarda e o popular. Ou o popular e laico, influenciando o religioso, como abordarei em outro post sobre a influência do carnaval brasileiro, interferindo nas bandeiras do Vodu, no Haiti.

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biblioteca Mário 000.007

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CAETANO VELOSO NÃO SE LEMBRA DE CAETANO VELOSO

Singer and composer Caetano Veloso wearing Oiticica’s P 04 Parangolé Cape 01 1964 in 1968 © Projeto Hélio Oiticica. Photo: Andreas Valentim.

Durante anos, mantendo e cultivando minha ignorância, todas as vezes que ouviu ou lia a palavra PARANGOLÉ, mais que Hélio Oiticica, me lembrava desta foto de Caetano Veloso. Parece que mantive durante anos um grande equívoco quando leio o livro de Caetano Veloso, Verdades Tropicais, da Cia. das Letras.
Olhando para da data, 1968, da legenda da foto, se exata, acho que Caetano Veloso veste um Parangolé apenas para se enfeitar. Pelo seu livro, não passou disso.

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16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

Dia 16 de outubro de 2009 deve ser recordado como um dia de destruição do patrimônio cultural brasileiro. E parece, passados quase 3 anos, que ninguém se importa. Este blog pretende lembrar esta data todos os anos. E estudar Hélio Oiticica.
REPORTAGEM DO JORNAL O GLOBO

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QUEM REALMENTE SE IMPORTA?

Por exemplo, o artigo José D’Assunção Barros deixa claro a influência da cultura africana nestes parangolés (que não existem mais, que foram queimados, como vimos acima). E seria de interesse de no mínimo, mais de metade da população brasileira, a preservação desta obra. Mas uma pessoa vai determinar o rumo de tudo porque é o herdeiro. Quando o herdeiro deveria ser toda a população brasileira. Arquivos públicos também correm perigo, mas obras amontoadas em casas particulares é pior ainda. Mas a notícia do Globo, abaixo, à certa altura comenta as “briguinhas” com um museu americano, mas não fala de quem deveria esgar brigando é o poder público, para ter estas obras sob sua guarda. O irmão de Hélio Oiticica, singelamente,fala de uma briguinha com um museu americano que queria as obras. Parece que não lamenta a perda. Ou pode ser a família inteira de olho gordo na “herança”. Agora pode até ser que vai aumentar o preço do que sobrou, numa espécie de queima do excesso; já que a reportagem cita uma obra vendida, em maio de 2009, um dos “Metaesquemas”, o de número 19, que era estimado em U$ 80 mil, foi arrematado por U$180 mil. Quanto valerão agora os outros que, como diz a reportagem, foram todos salvos por estar em outra sala. E ainda falando do irmão do artista que lamenta o prejuízo de 200 milhões. É o maldito direito de herança. Este irmão ou a família toda, certamente, vão encher a burra de ganhar dinheiro, com o que pode ser salvo do incêndio. Na reportagem o tal irmão não lamenta, o quê era de se esperar, que os parangolés foram completamente destruídos. E a reportagem comenta que é(era) a principal obra do artista.[A reportagem não diz se sobrou, em algum museu, alguns destes parangolés]. Leia a reportagem: “Em 1981, um ano após a sua morte – em 22 de março de 1980 -, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996”. Leia a reportagem:. Deveria ser óbvio que as obras deveriam estar nos museus e centros culturais. Herdeiros que amontoam obras, para faturar em cima de algo que jamais produziu, dá nisso. Destruição. Direito de herança,direito autoral para herdeiros – ridículo, já que não escreveram nada – é o principal ataque à memória e a cultura.

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

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AS GAIOLAS DE GIACOMETTI E UM PARANGOLÉ DE HÉLIO OITICICA

E não é que fuçando no google, para fazer este post, acabei vendo uma influência, de Giacometti em Hélio Oiticica.

Giacometti, outro exemplo de Gaiola

Alberto Giacometti_The Cage, 1930-31

Parangolé, Hélio Oiticica, fonte Google

Acho que Hélio Oiticica foi buscar este formato nas gaiolas de Giacometti.

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TROPICÁLIA.

O livro de Caetano Veloso diz que o nome, apanhado de Hélio Oiticica, não passou de um nome. Que ele aceito a sugestão a contragosto e porque não tinha como recuar quando todos já falavam que a música, sem título, era tropicália. No livro se diz até conformado com o nome tropicalismo que odiava.

O índice remissivo de “Verdade Tropical”, remete a 12 páginas que falam de Hélio Oiticica. Engano total. Li o livro quando saiu e me passou despercebido o nome de Hélio Oiticica. Revendo as remissões, hoje, constato que, além das páginas 425-427, as outras 10 páginas são apenas breves referências anedóticas. Que me deixou em total ignorância de quem foi, naquele momento, e para a Tropicália, Hélio Oiticica. Nas páginas 425-427 há uma série de adjetivos superlativos. Mas ao que parece, Caetano nega qualquer influência, além do nome Tropicália, de Hélio Oiticica na sua obra. E nem deixa entrever, apesar dos elogios, se esta obra tem alguma importância. Nem fala que vestiu um Parangolé, coisa que, quando vejo o nome de Hélio Oiticica, invade minha memória. ………………………………………………………………………………………………………………………………………….
O artigo de José D’Assunção Barros, sobre a cultura africana,AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANANA ARTE MODERNA já resumido num post neste blog, post cujo titulo é: Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte? e demonstra, neste artigo, que os parangolés são um herança da arte africana. E não esquecer a foto de Ricardo Teles do vodu em Benin. ………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Paarangolé, Hélio Oiticica., Google

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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, de José D’Assunção Barros.
Apenas relaciona Hélio Oiticica com o conceito de “EXPANDIDO”. A citação abaixo é o que fala de Hélio Oiticica.
“O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Um exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo.”
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METAESQUEMAS 19.

Hélio Oiticica (Brazilian, 1937-1980), Metaesquema 19, 1957-58, Gouache on board, 45 x 53.3 cm, © 2007 Projeto Hélio Oiticica.

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links

Parangolé, Hélio Oiticica. Foto que ilustra o artigo de Daniela Name

LINK 02 – Obra de arte não é foto de família, artigo de Daniela Name

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links [atualizações]

03 . Ministério da Cultura Hélio Oiticica – Museu é o Mundo

“A exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo, chega nesta terça-feira (21) ao Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. Essa é a maior mostra já realizada sobre Hélio Oiticica e faz parte da itinerância que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Após Brasília, a exposição segue para Belém.”, querem dizer 21 de dezembro de 2010. Não soube que chegasse à São Paulo. Muito menos à Campinas/SP, onde tem duas universidades, uns 50 mil estudantes, e nenhuma atividade cultural.

04. ANGELA VARELLA SAVINO, LIBERDADE CRIADORA E HIBRIDISMO DE HÉLIO OITICICA À EDUARDO KAC

Partindo do conceito de liberdade criadora de Bergson e a relação da arte com a vida,
o objetivo é ir ao encontro da ação de hibridismo (o movimento de construção de mistura de
linguagens artísticas dos primórdios ao movimento moderno), na trajetória de libertação da
arte de seus suportes convencionais ao corpo, utilizando como cenário de observação além de
exemplos de obras e ações de hibridismo no contexto do período dos anos 50 aos anos 90, as
obras representativas de dois artistas expoentes: Hélio Oiticica e Eduardo Kac, no intuito de
configurar o cenário da relação interdisciplinar dos elementos: corpo, vida, arte e tecnologia.
Palavras-chave: LIBERDADE – HIBRIDISMO – VIDA – ARTE – TECNOLOGIA