Escalafobético. Um palavra bem escalafobética.

25/07/2012

Biblioteca Mário X-000.001

Há mesmo é literatura. O Exemplo, para mim, é “Marcelo Marmelo Martelo”, de Ruth Rocha. Lembro-me sempre deste livro com se o relesse a cada vez que topo com palavras que me fazem olhar o mundo diferente. Assim como murundum que minha mãe usava muito apropriadamente. Dá prazer de reler não porque vamos encontrar algo novo a cada leitura, mas é porque, é muito mais que uma anedota bem contada. Li,  muitas vezes, para crianças. É uma grande prazer ver nelas o riso dos mais risonhos. E ria o mesmo riso.

Não é o caso deste “Kafka, o criador de monstros”. O título achei ótimo. Mas o livro fala muito pouco de monstros. E quando fala da Metamorfose, fala de passagem. E não me lembro de qualquer outro monstro nos livros de Kafka. Pelo título achei que era um livro, dirigido a jovens, recontando a história da Metamorfose. Acho que este livro não vai fazer nenhuma criança  ou jovem a ler Kafka. Eu quando jovem fui levado a ler Kafka porque o Pasquim dizia que só era inteligente quem tinha lido. E glosava quem confundia Kafka com cafta. Fui ler a Metamorfose e tive revoltas mil, contra a estupidez familiar, contra o sistema. Mas eu tinha 17 anos e não doze como o personagem de “Kafka, o criador de Monstros”. Um livro não tem qualquer obrigação utilitária. Não acho necessário para que fosse um bom livro levar as pessoas a lerem Kafka, como parece ser a intenção dominante deste. O que também não julgo um defeito.   Espero apenas que seja uma história bem contada.

Como aqui não é um blog de crítica, mas de elogios, o que mais gostei do livro foi a própria capa. Tenho uma queda imensa por capas de livros e acabo, nos sebos, comprando pela capa, principalmente livros ilustrados, pois, geralmente, capricham nas ilustrações das capas. É um dos motivos porque fotografo as capas e as posto no blog. Este exemplar vou guardar por conta da capa.

Dois personagens falam sempre a palavra escalafobético.  O que o autor atribui à extravagância do personagem Júlio,  no que é imitado pelo personagem central  e ambos   usam a palavra o tempo todo. Em Marcelo, Marmelo, Martelo é memorável o humor, e mesmo toda a trama do livro de Ruth Rocha, baseado no uso das palavras, quando Marcelo questiona se são realmente apropriados os nomes das coisas, como por exemplo, travesseiro deveria chamar cabeceiro e cão, latildo. O final do livro de Ruth Rocha me lembra muito o desfecho de O Ensaio de Orquestra, de Fellini.

O autor propaga que escalafobético não é uma palavra usual, mas inventada por Júlio. O autor é de Porto Alegre, o menino Júlio também deve ser, e não devem saber que esta palavra é bastante usada em são Paulo. Não sei no resto do Brasil. Sei que é dicionarizada no Aurélio de 1986 como gíria brasileira. E o tão conservador  corretor de texto deste blog não acusa nenhum problema com a palavra. Bem diferente é  o que acontece com as palavras, realmente inventivas, criadas por Marcelo.  Se dicionarizada é porque o uso deve ser bem conhecido. Assim são os dicionários: eles acabam consagrando o uso. Mas não deixa de ser interessante colocar em circulação uma palavra tão chamativa, tão escalafobética.

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No dicionário Priberam da Língua Portuguesa, de Portugal, online, registra duas palavras, que tem o mesmo sentido de escalafobético , mas não registra a tal escalafobética. Fiquei matutando se a origem dessa gíria brasileira, conforme o Aurélio, não são estas palavras portuguesas com o mesmo sentido:


escaganifobético

(origem obscura)

adj.
1. [Informal]  Que mostra falta de elegância ou de agilidade. = DESAJEITADO, DESENGONÇADO ≠ DESTRO
2. [Informal]  Que é esquisito ou pouco convencional. = ESTRAMBÓTICO, EXTRAVAGANTE, RARO ≠ COMUM, CONVENCIONAL, TRIVIAL
Sinónimo Geral: ESCANIFOBÉTICO
escanifobético
(origem obscura)

adj.
O mesmo que escaganifobético.
Anoto também que o Aulete online  registra o vocábulo escalafobético.

0. Xilogravura. Primeiro contato.

22/07/2012

Breve            História        da       Xilogravura

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“As Xilogravuras são feitas pela impressão (sobre o papel ou algum outro suporte) de uma matriz entalhada em madeira”. Breve história da Xilogravura, de Antonio F. Costella.

“Acredita-se que, na Europa, as primeiras impressões xilográficas tenham sido feitas a partir do século sexto, com a função de estampar tecidos. O mais antigo testemunho dessa atividade, porém, é um pano impresso bem depois, já no século doze”. idem, p. 12. Mas não há reprodução dessa xilogravura no livro.

O livro registra xilogravura, na China, do ano de 868. Mas o que vou tentar tirar do livro são aquelas que eu achei interessantes, ou belas, ou pelo assunto que me interessa muito que é representações eróticas. Não vou seguir aqui, um percurso histórico. E a xilogravura pela extensa história, por sua simplicidade e com materiais bem acessíveis, tem uma profusão imensa de representações.
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Posts sobre Xilogravura
1. Xilogravura joponesa: UKIYO-E…….. [primeira anotação]

2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai

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links

01. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, Texto de Walter Benjamin publicado em 1955

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Galeria de fotos


SEXO E VIOLÊNCIA, realidades antigas e questões contemporêneas

19/06/2012

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GILGAMESH

Então, porque vagas assim Gilgamesh,

A imortalidade que tu procuras, tu jamais encontrarás!

Quando os deuses criaram o homem, eles designaram-lhes a morte,

guardando a vida sem fim somente para eles!

Tu, antes, encha tua barriga;

Fiques alegre, noite e dia;

Faça a festa cotidianamente;

Dance e divirta-te, noite e dia;

Vista-te com roupas limpas;

Lavate-te e banhe-te;

Olhe com ternura a criança que levas pela mão;

E faças a felicidade da tua mulher abraçando-a contra teu peito!

Pois esta é a única perspectiva dos homens!

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(Labat-Malbran, p. 61) e p. 45 deste “Sexo e Violência”.

“… a taberneira Siduri fala ao herói que tentava escapar da morte e explica a diferença entre deuses e homens”.

Este texto, retirado da Epopeia de Gilgamesh (Tablet X, coluna III).  Gilgamesh foi rei de Uruk no século X XVIII a.C.

Para mim é um texto materialista e revolucionário com quase 5 mil anos. O futuro pode estar no passado. Eu não conheço nenhum texto dos chamados revolucionários modernos que fixe uma tão plena vida como a meta da revolução. E dos filósofos só Nietzsche, aquele que só acreditaria num deus se ele dançasse.

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os sumérios

Sexo e Violência, Annablume, 2011………………………………………………………Obrigado Priscila Salomão pelo estimado presente.

O texto de Katia Maria Paim Pozzer, estuda um literário, “inédito em língua portuguesa”, dadato do II milênio a.C. e escrito em língua suméria. Trata-se de  um “drama da violência sexual cometido contra a deusa”.

O texto dela não pretende explicar como desapareceu este povo que no III milênio antes de cristo já escrevia, nas suas tabuinhas de argila, textos matemáticos; e  foi o inventor da primeira escrita conhecida.  Conhecia o ensino, a medicina, tinha códigos que regulavam a profissão médica.  E tinha um grande conhecimento astronômico. É dos Sumérios a divisão da hora em 6O minutos e o minuto em 60 segundos.
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biblioteca Mário 000.002

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UMA CONCLUSÃO INESPERADA

E a Santa Inanna diz à Shukaletuda: “Sim! Mesmo depois do que eu terei feito de ti[…],
Teu nome não cairá no esquecimento:
Ele subsistirá em cantos, estes cantos serão suaves dentro dos palácios dos reis:
Jovens menestréis o entoarão […]”

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A Deusa Inanna apela ao deus supremo Enki punição para o estuprador Shukaletuda. E como atesta o texto acima, o premia como o maior bem que os sumérios almejavam: que não fossem esquecidos após a morte, já que não acreditavam numa vida após a morte. O texto de Katia Pozzer ressalta bem essa crença-esperança dos Sumérios. E presta-lhe homenagens que poucos Sumérios deviam esperar, ou seja, serem cantados dentro de palácios, /” e estes cantos serão suaves”/, e por jovens menestréis. “Jovens menestréis”, ou seja, Shukaletuda é projetado para a imortalidade da história e da memória; e seu crime será cantado como um feito. Significa que as novas gerações, e não velhos menestréis, lhe prestarão tributos em forma de cantos. Um prêmio inesperado quando a deusa moveu mundos e fundos para punir furtivo rapace.

A Conclusão de Katia Pozzer: “O estudo da Antiguidade nos confronta a uma história que, mais do que marcada por rupturas, é repleta de permanências ao longo do tempo. Que elas nos sirvam de modelos explicativos, de temas de reflexão e de questões para discussão em nossos dias”. p. 56

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Grafia de Gilgamesh e Shukaletuda.

O SH, no texto de Pozzer, M.; vinha grafado com um S encimado por um acento circuflexo de cabeça para baixo. Por não saber como fazê-lo aqui, apelei para a memória e grafei como na edição da Epopeia de Gilgamesh que tenho perdida no meu amaontoado de livros e poeira.


livro: Consciência Negra do Brasil

05/06/2012


livro: Consciência Negra do Brasil

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

CONSCIÊNCIA NEGRA DO BRASIL: Os principais livros

biblioteca Mário XII- 000.008

Não haverá revolução proletária no Brasil se não for assentada na aliança com os o movimento de emancipação dos negros. Com este espírito recebo o presente de Mário Augusto Medeiros da Silva, o principal colaborador do jornaldoporao.wordpress.com

O que estes livros abordarão. Claro que não sei ainda. Mas aqui mesmo neste jornal vou fazer pequenas resenhas destas leituras e de outras que surgirão. Estarei atento ao doutorado de Mário Augusto que trata também da questão negra, de escritores negros.

Será uma grande jornada pelo que o Brasil tem de mais profundo.

Mário Medeiros também doou um exemplar para o AEL.

MAIS LIDOS DE 2011
A pequena notícia acima teve, até 03/05/2012, 96 leitores.
Curiosamente, à exceção do Mário Medeiros, ninguém se preocupou em me dar alguma dica sobre livros e obras.
Mas solicito encarecidamente.

Ah! Quanta terra e quanto mar! Também dica do Mário Augusto Medeiros da Silva. Com um pequena historinha. Quando me telefonou indo para o lançamento do livro e já tinha adquirido na Estante Virtual. Não sei que milagre que este, mas antes do lançamento já tinha 4 caixas(pois são 4 volumes numa caixa) à venda por preço menor que o que estava sendo lançado.
No entanto ainda não consegui ler nada.
E neste momento estou obcecado pela exposição “Memória e Altar”, da coleção de Rogério Cerqueira Leite. E pretendo que esta obsessão dure, de maneira totalmente absorvente, pelo menos 4 meses; período da exposição na CPFL e depois na Unicamp.
Depois pretendo comentar esta obra aqui

biblioteca Mário 000.009

TEXTOS AFINS NO JORNAL DO PORÃO:
01.

02. bibliografias e resenhas: ATITUDES RACIAIS DE PRETOS E MULATOS EM SÃO PAULO

03.CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Altar e Memória” : Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

04. CONSCIÊNCIA NEGRA