III – O negro como protagonista na pintura antes do século XX

30/09/2012

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8. Paul Cézanne: O Negro Cipião (30)

A pincelada fluida e construtiva, os brancos intensos, a exagerada extensão de alguns membros, como os braços, o abandono da pose traduz a condição humana do modelo. Nessa obra Cézanne abre o caminho da arte contemporânea desvendando a autonomia da forma em relação aos dados da realidade, e a sua natureza emotiva.


1866-1868 / Cézanne
O negro Cipião
107 x 83 / Óleo sobre tela
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01. AS 100 MARAVILHAS: MOSTRA DE OBRAS DE ARTE SOBRE CAVALETES DE VIDRO

ARQUITETO JULIO NEVES / PRESIDENTE DA DIRETORIA DO MASP

 

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01 . https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/09/08/ii-o-negro-como-protagonista-na-pintura-antes-do-seculo-xx-3/

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Mente dolorosa

05/09/2012



O escritor é um sujeito cruel. Quando Macabéa, sem nada para dizer, diz,  para seu grosseiro e estúpido namorado, que gosta muito de parafuso, Clarice Lispector não parece fazer humor, mas dizer que, em algum momento, pelo menos em algum momento, Clarice Lispector é ou foi Macabea, vítima de alguma estupidez sua ou de outro. E nós somos e estamos cercados de macabeas e seus namorados. Mas é muito doloroso saber disso. Talvez a cena seja engraçada para muita gente.
Mas quando Machado de Assis, deliberadamente, faz humor com o alienista há um acréscimo de crueldade. Poderíamos dizer que Machado de Assis se identifica com o alienista que, depois ficamos sabendo,   é o único alienado;  já que M. de Assis tinha epilepsia, tida como doença mental naqueles tempos e muitos sofriam de discriminação por causa desta doença. Quando li ri sim, mas sofri bastante. E, ainda hoje, sofro ao lembrar do livro e refugo um pouco em voltar a lê-lo.
Mas como em Gógol, no Diário de Um Louco, narra-se o próprio delírio, o nonsense, o escritor procurou o riso mais aberto. Mas em mim a dor é maior ainda. Se gargalhar pior ainda.
E a literatura serve para quê?
E se o for bem escrito provavelmente nos fará sofrer mais que a própria realidade. Para mim a grande literatura seja essa espada aí, acima, no desenho.
Talvez a grande literatura seja, para a maioria das pessoas, uma coisa repulsiva. Um fardo.
E leitores contumazes não passem de outra espécie de doentes, os viciado em sofrimento.
E o riso não parece ser o melhor remédio. Talvez apenas um entorpecente para suportar o insuportável da condição humana. E alguns escritores, como Campos de Carvalho, neste A Lua Vem da Ásia, que estou lendo, procure o riso aberto, onde, cada parágrafo é uma sucessão de delírios, sem nenhuma trégua, desencadeados, delírios e risos.
Há séculos amamos Dom Quixote, de Cervantes. Mas a sociedade não ama seus alienados. Muito ao contrário. Há histórias de prisões e torturas. Hoje é a prisão da medicação.
E então, Dom Quixote serve para quê? Parece não servir para nada. Não é um manual de auto-ajuda, não é ajuda médica. O que seria então?
Nem se fosse medicina adiantaria alguma coisa. Grande parte das doenças mentais, como a esquizofrenia, pródiga em delírios – bem possível que seja a que mais dá literatura – ou alzheimer, da qual todos nós podemos estar sujeitos a qualquer hora, não têm cura. Muitas nem mesmo alívio. E todas são discriminadas, escondidas e entregue à dura sorte. Só que estamos falando de bilhões de pessoas e no Brasil, de milhões.
Hoje, parei de escrever aqui para ver na TV Globo um programa que denunciava a venda indiscriminada de remédios tarja preta. Mas o que fazer sem os remédios? Não há profissionais, clínicas são caras. O remédio é uma maneira de dopara as pessoas, dar um sossega-leão como se diz e para outras apenas para esperar que elas morram, sem criar grandes problemas. Já tive uma parenta que foi topada até perder o apetite, ficar esquálida, e morrer de inanição. E quando ela estava bem magra, os médicos lhe dava abridor de apetite e ela comia montanhas, até o vômito.
E para que serve a literatura, então? Para nada. Talvez seja falsa a minha postura de achar que estou lendo sobre mim mesmo. De estar me vendo naquele próximo, numa solidariedade livresca, diriam os caridosos.
Também lemos sobre amores que nem existem. E quando existem é tudo muito pior quando morrem. Lemos sobre guerras que assolam a humanidade desde as cavernas. Os heróis são aqueles com maior capacidade de matar. Desde os games à Ilíada comemora-se os feitos sangrentos. E parece que  a humanidade, desde seus primórdios, vivesse em delírio permanente. Os heróis são inverossímeis, os deuses, criados pelos homens, são cruéis e ciumentos, intempestivos e delirantes. Mas olhando atentamente parece que nos livros não há nenhum exagero. Pelo contrário, é preciso fazer um pouco de poesia, para atenuar ou contornar a uma realidade muito cruenta.  As vezes mais sugere do que mostra.
Para que serve a literatura, então? Talvez para falar de nós, já que vivemos alienados de nós mesmos, fingindo o tempo todo que somos outros, sãos e racionais. Mas nada garante que a maioria se reconheça nos grandes livros. Tanto é que os livros mais vendidos são aqueles feitos para aprofundar o auto-engano, os chamados de auto-ajuda.
A fórmula de Nietzsche é que não há cura possível e a arte ajudaria a olhar o abismo de frente e o abismo é inevitável. A arte daria alguma coragem para isso? Ou seria um esclarecimento? Nietzsche se filia ao deus dionísio que seria o deus do transe, da dança e do vinho.
Para Oswaldo de Andrade a alegria é a prova dos nove. Mas essa espada aí atrapalha prá caralho!!! Mas o carnaval deve continuar mesmo que nele sejamos pierrôs.
Talvez esse riso tão doloroso, buscado pelos artistas, seja a sua parte neste carnaval, para esta dança.

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Alguns livros da minha biblioteca: Mente Dolorosa

Com 16 anos li o Alienista, de Machado de Assis. Mesmo com a tendência sacana dos jovens pegarem tudo pelo lado do humor, nunca me livrei da angústia que veio junto. Na mesma época li a “Nova Califórnia”, de Lima Barreto e “Policarpo Quaresma”.  E, apesar da maioria de leitores e críticos, eu tenho uma predileção por Lima Barreto, e posso até aceitar que Machado de Assis lhe é superior.
Cinco ou seis anos depois li e jamais me esqueci do Diário de um Louco, de Gógol. Durante alguns anos eu não falava de outra coisa. Tinha até ilusão de que me ajudaria a ser amado por um linda dentista trotskista. Ilusão tola que nunca me abandona de todo, assim como nela há algo daquele fulgor de 30 anos passados, como pude comprovar recentemente.  Mas acho que ela sumiu com meu exemplar sem lê-lo. Algum tempo depois ignorei a montagem que fizera  um ator que ganhou, acho, algum prêmio, fazendo um montagem teatral que não vi… Quase todo o meu tempo é para tentar mudar o mundo… Coisa que nunca acreditei ser muito possível, depois que li o Memórias do Subsolo, de Dostoiévski. Livro que beira a total loucura, sem que o personagem ou o narrador assuma, em momento algum, tal postura. Mas também não conseguia viver sem tentar. Contradição que me faz um permanente nó no grugumilo – palavra que só ouvi com Lima Duarte, o ator, para dizer gogó.
Recentemente li o O Cão e o Tempo, de Maria Rita Kehl. Não é ficção, mas mostra a total insanidade da indústria farmacêutica, dos psiquiatras, e do abandono, inclusive teórico, que vive os doentes mentais.
E li “Hoje sou Alice, nove personalidades, uma mente torturada”, um espécie de autobiograia de Alice Jamieson.
Nesta lista vou incluir o Idiota, de Dostoiévski e o Apocalipse, atribuído a João. Apocalipse que, desde minha tenra e amedrontada  infância católica, me assustou e, muito cedo, debitei à uma mente em delírio.
Curioso o poder de uma lista. Li, por total acaso, a lista Vanessa Barbara [Biblioteca de Lunáticos 01 e Biblioteca de Lunáticos 02] e sei que vou ler tudo e muito mais. Coisa que devia ter feito há muitos anos. Mesmo quando fiquei totalmente arrasado, por anos, quando me deparei com a Tia Biela, de Uma vida em segredo, de Autran Dourado. E continuo sendo visitado por ela. E quando topo com ela me angústia chega à dor física.
Não está resolvido para mim se a Macabea, de Hora da Estrela, de Clarice Lispector, assim como Tia Biela, ou os personagens de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, também fariam parte de uma lista destas mentes dolorosamente perturbadas, mesmo que nestes três casos, fossem atacados por atavismos sociais ou simplorices. A mim me causa as mesmas dores e as mesmas angústias. Por enquanto mantenho aqui.

Nesta lista será inevitável incluir certas leituras de não ficção, como Elogio da Loucura de Erasmo ou História da Loucura, Foucault. Ou seja, a partir da lista de…. vou fazer minha lista, “em processo”. Um lista provisória. Nada categórica. Mesmo sem categoria. Nem mesmo recusarei ler, neste campo, livros que poderiam ser considerados da abominável auto-ajuda. Apesar que há limites, apesar de ter ficado muito emocionado à época, não vou colocar a versão de Moacyr Franco, para a música de Piazzola.

Mesmo Maria Rita Kehl, com toda sua coragem e determinação, escreve um livro tateante sobre a depressão – mal que atinge milhões no Brasil, talvez até bilhões no planeta e que está entregue á indústria farmacêutica. Entregues ao abandono e a dor.  No Brasil, a venda de remédios para tratar algo como depressão cresce a mais de 22 por cento ao ano. mais que dobra em 5 anos. E essa estatística, como qualquer outra, não computa sofrimento. Isso está a cargo dos artistas.

Na lista não inclui, por desconhecer, os artistas, para mim os mais importantes, os poetas. E procurará  os músicos seus irmãos gêmeos.

Dom Quixote, desenho de Gustave Doré

Pior de tudo.  Acredito que leituras fazem mal sim. Dom Quixote de la Mancha atesta isso. E jamais, em nenhum dia deixo de me lembrar do desenho, de um ser esquálido atravessado transversalmente por uma espada, em baixo a legenda: só dói quando rio. A malditos artistas não nos aliviam.

E agora estou lendo Campos de Carvalho e o seu “A Lua Vem da Ásia”, que na primeira página tem isso:

“A primeira mulher que possuí foi sob a ponte do Sena, em pleno coração de Paris imaginário; e ainda me lembro de que ela me sorria com uns dentes que refletiam as estrelas e as lâmpadas do cais adormecido, e dizia-me coisas numa língua que eu não conhecia”.

links

01. Biblioteca de Lunáticos 1
02. Biblioteca de Lunáticos 2


35 segredos para chegar a lugar NENHUM – Literatura de baixo-ajuda.

01/09/2012

Nada está perdido. Aqui tem 35 escritores (mulheres e homens) escrevendo ao arrepio do moralismo cristão/paulino/comunista. Alguns textos fariam jus à comemoração dos 100 anos de Nelson Rodrigues por juntar tragédia e humor,  para continuar sendo bem-humarado, denunciando as tragédias. Alguns títulos são contos de uma linha. “AS SETE VANTAGENS DA DEPRESSÃO CRÔNICA’; ‘COMO APRIMORAR UMA HABILIDADE ANCESTRAL: A MENTIRA”. Ou um cacetada nos cornos do politicamente correto, sem cair na incorreção. “COMO VENCER SENDO DEFICIENTE”. E um manifesto de pessimismo total, mas positivamente a favor da vida e o próprio título já anuncia: “COMO CONTINUAR GOSTANDO DE VIVER MESMO À BEIRA DA DESTRUIÇÃO TOTAL DA HUMANIDADE”. É um livro de 35 autores que sabem que o paradoxo existe. E que o certinho é estupidez autoritária. E que viver e rir é a prova dos noves, ou a prova real.

Todo mundo ficou me olhando no ônibus como se realmente eu fosse um louco feliz. O desfecho de “COMO MANTER A ELEGÂNCIA ENQUANTO SEU MARIDO DÁ EM CIMA DE OUTRA” me disparou o riso incontrolável. Final tão incorreto que ficou tão politicamente correto.

Há um ou dois que não achei muito bons. Alguns vou reler em breve e procurar mais livros dos autores. Deve ter mais gente escrevendo assim, o que me deixa ansioso e feliz.

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Como também vivo em paradoxos, fiz este registro ouvindo um música tão triste, mas tão bela. Brega, breguíssima.  Pior: a ouço sempre, reiteradamente.

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Talvez eu tenha ficado, sem perceber, com um certo acanhamento de nomear o texto que acho um primor no manejo das palavras. Um texto filiado claramente à narração, mas que não recua diante do enternecimento; como é um canto, uma ode à boceta, tem muito de poesia. Destaca a boceta do resto do corpo e aceita que ela tem vida. Para satisfazer minha paixão pela boceta faltou apenas descrever que ela deve ser bebida, quando líquida. “DA NECESSIDADE DO USUFRUTO DA BOCETA”, DE Fernando Bonassi.


O Milagre da Pintura, Rubem Braga

28/08/2012

Almada Negreiros, HOMENAGEM A LUCCA SIGNORELLI(1942).

Este braço levantado é o mesmo gesto a que volto, procuro e desgraçadamente achei em carne. Tudo poderia ser apenas uma pintura. Mas, para minha alegria dor e muito desespero, fotografei estes braços e um corpo parecido de uma mulher tão sedutora quanto. E olha para a pintura e olho para a foto. Como pode me acontecer tal mágica. E tal flagelo. Como a pintura e a vida podem conspirar para religar-nos à vida, à paixão mais juvenil e inatingível, como nos meus nove anos perdidamente apaixonado pela minha professora. A mesma paixão avassaladora e ridícula. A mesma distância. A mesma insensatez.
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Erik Satie é um compositor irreverente, quase satírico, compromissado com o riso. Que dessacralizou a música clássica, misturando Ragtime, Jazz e Can-can. No entanto pus aqui um “Jour Triste”.

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O quadro, a menina da minha cidade ficam cada vez mais nítidos, mais obsessivos, mais fundidos. A professorinha é uma nebulosa, como são muitos quadros, cuja nitidez foi embora, mas impõem, avassaladoramente, sua presença. Aqui também a pouca nitidez das feições impõe a ditadura do gesto que nocauteia. E permite esta fusão entre ficção e realidade. E tudo vira ficção pela força desta mesma fusão. E nesta alegria tão triste que amei, clandestinamente até agora,e ainda amo, este ridículo. E tive que confessá-lo aqui, talvez para suportá-lo, já que o tempo não meu deu qualquer refresco. Voltar a folhear os livros de reproduções, momentaneamente, dá para distinguir entre quadro e foto. E dá para escapar, momentaneamente, desta ficção mais potente que qualquer realidade. Sempre contraditei, monologando, Elis Regina quando cantava que “viver é melhor que sonhar”. Tudo bem, pode ser melhor para suportar a vida. Mas quem desgoverna é o sonho.
Eu não sei qual distância é maior. Um velho amar a menina da sua cidade, ou ficar velho, anos pós anos, amando o mesmo gesto e o mesmo corpo numa pintura azul, amarela, magenta e verde. Tão irreal quanto os amores absurdos. E tão inescapável. Concordo que é tolice. Coisa de Dom Quixote, ou uma Beatriz de Dante que ele só viu, uma vez, na janela e amou até a eternidade. Amo também os amores juvenis e tolos de Romeu e Julieta. Vê-se que é um caso perdido.

Almada Negreiros é um vanguardista português do início do século XX. Mas eu tinha vergonha de amar tão sexualmente uma pintura. E minha sentia retrógrado em amar um quadro não muito vanguardista de um pintor de vanguarda.
Deu vontade de cair na gandaia. Beber, fumar, vícios que não tenho. E me lembrei da crônica de Rubem Braga, O Mistério da Pintura. Reli e sabia que ia aumentar minha angústia.
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Biblioteca Mário, I-010.001. Rubem Braga.

“Deixo-me o quadro com inocência, recebo a sua revelação virgem como se fosse um bela desconhecida, que apenas achamos digna e triste, ou leve e tímida, sem sequer poder dizer a forma do seu nariz ou a cor de seus cabelos”.

“…é a pintura que me apazigua e me faz sonhar. Sou, entretanto, um viciado quase grosseiro…”

E de repente tenho pena de tantos pintores que se agarram a teorias e escolas, do concretista apaixonado ou apenas acompanhador da moda que se proíbe a delícia que lhe poderia causar uma figura ou uma paisagem, do neo-realista para quem fica sendo um pecado gostar de uma composição abstrata – de todos os que amputam, por causa de teorias do momento, de paixões estranhas à arte, à própria sensibilidade e limitam sua alegria íntima nesse mundo maravilhoso da pintura. Mundo maravilhoso do qual sempre voltamos com um respeito maior pela dignidade humana, um respeito por esta pobre coisa, o indivíduo que permanece fiel a si mesmo e procura contar sua tristeza, sua maravilha ou sua ânsia de infinito”. Rubem Braga, Um Cartão de Paris, Ed. Record.
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II. O inacabado. As sobras. Restos. Geraldo de Barros

26/08/2012

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felizmente existem os restos   

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Biblioteca Mário, VII-070.201.

Essa estranha mistura de verdade e ficção.

Geraldo de Barros está com várias limitações físicas por conta de várias isquemias (problemas circulatórios). Sua filha vai lhe apresentar várias fotos que estavam guardadas em caixas e baús.  Seria apenas um confronto banal com a memória se não fosse o inventivo fotógrafo Geraldo de Barros. Que já, em sua obra, transformara o cotidiano, a vida comum transfigurado em formas novas, em pura invenção. Lembrando que invenção é uma palavra chave do renascimento e de Michelangelo. Numa radical vontade de criar, mesmo com limitações físicas, conta com sua assistente…. para executar suas idéias.  O que seria uma piegas memória vira ficção, invenção.  Traz a memória para o presente e, como vocação da obra de arte, lança-a para o futuro. Como diz o texto, faz um compromisso com a vida.(ver texto ao lado)

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Também trabalha com o conceito de RECICLAGEM ( ou  ABFALL,conceito introduzido pelo crítico alemão Andreas Müller-Pohler, com o sentido de reciclagem ou revitalização da informação). No caso da série SOBRAS, as fotografias de pessoas íntimas e de paisagens, são criadas novas analogias, ao combinar esta fotos com novas informações. O passado fica vivo. Uma memória ativa. A melancolia é inevitável, mas não é aceita passivamente. É transformada.

“Para Geraldo de Barros, a fotografia sempre foi fragmento e, na medida em que é fragmento, ele sempre se permitiu recortar negativos, fotogragafar com doiss ou mais exposições (técnica permitida pela sua câmera Rolifeiflex)”.  p. 37.  E  uso de excesso de luz, grandes espaços brancos, ou grandes espaços negros. Geraldo de Barros radicaliza a experiência da montagem.

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Texto de Rubens Fernandes Júnior. Remete à concepção de Desenho de Giotto

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01. I . O inacabado. As Sobras. Michelangelo por Delacroix


I . O inacabado. As Sobras. Michelangelo por Delacroix

25/08/2012

“Felizmente existem os restos”

Geraldo de Barros

Apesar de se dizer, muitas vezes, essencialmente escultor, Michelangelo não deixou nem uma dúzia de escultura em 88 anos de vida.

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Estava acostumado a ver reproduções das pinturas de Michelangelo e efeito em mim era de fúria e violência.

Incorreções, falta de exatidão, exageros pra expressar o que já de mais extrema violência.

É o que me prende a Caravaggio e que parece ser influência direta de Michelangelo Buonarrotti sobre Michelangelo Caravaggio. A preferência em retratar meninos nus também é a mesma.

Vi neste neste Gênios da Pintura as esculturas “inacabadas” de Michelangelo. Foi um impacto de que não quero sair. Nem vou tentar descrever. De hoje em diante este é o meu Michelangelo.

Comprei o livrinho de Delacroix  na expectativa de encontrar nele a admiração pelas esculturas inacabadas de Michelangelo.  E vou continuar buscando pintores, escultores que exprimiram opiniões sobre esta obras “inacabadas” de Michelangelo. O livro de Delacroix é um apologia, cheia de adjetivos ,para saudar Michelangelo. Principalmente sobre sua personalidade. Sua personalidade impetuosa iria marcar sua obra.

“Ímpeto extraordinário que o fazia sempre deixar algo incompleto no mármore”

É um explicação que dá Delcroix para que Michelangelo deixasse obras inacabadas ou até, uma coisa difícil de aceitar, que Michelangelo, pelo sua impetuosidade, calculava mal e obra não cabia no mármore escolhido. Mas sem deixar de elogiar sua grandeza. Mas a grande obra que Delacroix elogia, em quase todo o livro, é a pintura do Juízo Final. E num aspecto que me interessa muitíssimo que é a deformação dos corpos.  Michelangelo deforma para expressar. O cristo do Juízo Final tem um torso que nenhum homem jamais teve o terá. É um aleijão extremamente expressivo. Como diz Delacroix, um torso de um Deus potente, rigoroso e cruel. Não é o Cristo comumente visto em outros pintores.

O Espírito arrojado e a invenção andam juntos em Michelangelo.

O Davi, a escultura de Michelangelo, tão elogiado pelos séculos afora, não me cativa tanto quanto as obras “inacabadas”. O que me importa hoje são estas obras inacabadas. Já fiz minha escolha.  Mas é interessante saber quais escolhas grandes artistas fazem. Em Delecroix achei três páginas bem interessantes. Não entendi o parágrafo que fala  das figuras dos escravos, apenas o tom é elogioso é evidente(p. 33).

“É um fragmento de gênio dos mais poéticos que já li”. Delacroix fala de Stendhal que escreve sobre Juízo Final de Michelangelo.

A nota final do livro de Delacroix remete à Stendhal para um “fragmento de gênio, dos mais poéticos e mais admiráveis que já li”, falando ainda do Juízo Final. Vou atrás. Mas gostaria que a “Histoire de la Peinture en Italie”, de Stendhal falasse das esculturas inacabadas de Michelangelo. Com mesmo intuito  adquiri  “Vida de Michelangelo Buonarrotti”, de Giorgio Vasari, ed. da Unicamp.

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01. Pintura. Deformações dos corpos: Alongamento dos corpos 1. El Greco.
02. Modigliani: “Eu agora possuo o orgasmo…”
03.Giacometti por Jean Genet
04. Giacometti por Sartre
05. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: Memória e Altar: apontamentos 01
06. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Memória e Altar”: Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite


Caravaggio (III), de Gilles Lambert

03/08/2012

Biblioteca Mário. XII-000.001

“Caravaggio(II),(I) é o pintor mais misterioso e, sem dúvida, o mais revolucionário da história da arte” p. 7

“Em Roma, trinta e quatro anos depois da morte de Miguel Ângelo, ele esteve na origem de uma reacção violenta contra o “Maneirismo”, … Impôs um nova linguagem realista e teatral, escolhendo em cada tema o instante mais dramático, recrutando os modelos na rua, memso para as cenas mais sagradas, como A Morte da Virgem, não hesitando em pintá-los de noite, o que poucos artistas, antes dele, tinham ousado. Ele proclamou o primado da natureza e da verdade”. p. 7

“Foi para a pintura, a apoteose do que veio a ser chamado, mais tarde, de  arte barroca. A época, na chameira dos séculos XVI e XVII, está repleta de furores, de excessos e de êxtases. Do concílio de Trento saiu a Contra-Reforma: ao rigor de Lutero e de Calvino, que baniram os quadros e esculturas dos santuários, os papas e os Jesuítas opunham uma abundância de imagens, de ornamentos, de cores, de contrastes, de decorações com vista a deslumbrarem os fiéis e afirmar a supremacia de Roma. Claudio Monteverdi acaba de inventar a ópera. A obra de Caravaggio explode nesta tormenta e amplifica-a. Nicolas Poussin, qu chegou a Roma um pouco depois da morte de Caravaggio, declarou: “Ele veio para destruir a pintura”
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Slideshow

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Dois movimentos de Selva Morale et Spirituale, de Claudio Monteverdi.


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Galeria

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links

01 . Escola Veneziana
02 . Caravaggio (I): sexo, violência e deus
03 . Caravaggio(II): deuses, anjos e homens: adolescentes.