Modigliani: “Eu agora possuo o orgasmo…”

28/06/2012

biblioteca Mário 002.000

Quem foi Amedeo Modigliani

É irredutível a escolas ou tendências. Em Florença. Matricula-se na escola de belas artes em 1902. O ambiente da cidade, naqueles anos, é permeado pelas discussões filosóficas, políticas e literária. D’Annunzio e Nietzsche.

Muda para Escola de Belas Artes de Veneza, em 1903 de onde escreve ao amigo:

 “…Eu agora possuo o orgasmo, mas é o orgasmo que precede o prazer, ao qual sucederá a atividade – vertigninosa e ininterrupta – da inteligência”.

“… No Mseu de etnografia descobre a estatuária africana, como o fizeram tantos artistas de sua geração”.p.5

Sua pintura, desde o início, só tem um tema, a figura humana.

1909. Discute muito com Constantin Brancusi. Brancusi estava entusiasmado pela arte africana. Depois destas discussões, diz o texto, Modigliani decide-se a tornar-se escultor.

Na sua pintura ficarão características que aprendeu esculpindo. “… Da arte dos povos africanos, reteve o sistemático alongamento dos rostos, o tratamento geométrico do pescoço, o volume decidido e retilíneo do nariz – que tanto caracterizam seus retratos. Mas incorporou também as lições pré-colombianas, das culturas do oriente – os ancestrais da arte moderna…”p.5

Uma anedota do texto da Abril é que Modigliani, depois de fazer uma série de esculturas, apresenta-as a alguns colegas que balançam a cabeça negativamente. E então, com carrinho de mão joga-as todas nos canais da cidade. Anedota semelhante é contada na ficção de Ken Follett, em O Escândalo Modigliani; mas agora é uma carroça de quadros que é queimada.

“Hoje, muita tente ainda se pergunta: o que é um Modigliani? É um retrato, de preferência um retrato de mulher, tratado segundo a tradiçã do retrato decorativo da escola italiana…”p.6

Esse parágrafo continua com uma questão da técnica que é importante anotar:

“… O traço é sublinhado, constantemente visível. Percorre e organiza a superfície da tela obedecendo a um ritmo de grandes curvas melodiosas. Sugere o corpo humano mediante recurso a deformação arbitrárias: o pescoço e as mãos são desmedidamente alongados, o dorso é relativamente curto, a cabeça – diminuta com relação ao conjunto – [e aqui o que achei o mais importante] é organizada em torno da linha vertical do nariz [lembando o documentário sobre Giacometti, exibido quando da exposição na Pinacoteca de São Paulo, onde, numa fala, Giacometti diz que começa suas obras pelo nariz, como se as construísse em volta de um nariz perfeito].”

Em 1917, “… para chamar atenção do público… Zborowski teve a idéia de colocar quatro nus na vitrine. Mas a polícia chegou antes que os compradores e exigiu que as telas fossem retiradas..”. p. 6

Morre 25 de janeiro de 1920.

Assim ele escreveu sobre a vida. “A vida é um dom. De poucos para muitos. dos que sabem e possuem aos que nem sabem nem possuem”. p.6

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Este fascículo da abril é francamente de uma moralismo sexual deprimente. As estampas dos nus são da cintura para cima, quando Modigliani  retrata sua modelo, de corpo inteiro,  com a mão bem sugestivamente colocada.  Pelo fascículo da Abril, 1967, ditadura militar, Modigliani pintou rostos, quando seus nus – como se espera de um nu – são corpos inteiros sensuais, eróticos.  E inclusive os rostos são de mulheres sensuais. O que as cores, no batom, no cabelo, nos olhos, sempre sugerem.

Esta reprodução foi colada do Google. O fascículo da Abril, de 1967, mutila todos os os dois nus que reproduz. As reproduções do google devem deixar os pedólatras indignados, pois quase sempre cortam pés e pernas.  Aqui vãos duas reproduções do google, mutiladas, as mesmas seccionadas do fascículo da Abril Cultural.

Uma vantagem de ter as reproduções do fascículo da Abril Cultual é que no papel permite-se  uma noção da pinceladas e, portanto, permite dar uma sensação de estar vendo uma pintura. Nas reproduções eletrônicas, tudo fica muito frio, as pinceladas desaparecem e, como há muitas reproduções da mesma obra na internet, fica evidente uma variação imensa nas cores quando comparadas. Ou seja, não se vê o quadro. Talvez podemos ver o assunto do quadro. E o texto da Abril Cultural ressalta ainda que Modiglini lançava mão de cores fortes – o que recebia muitas críticas dos contemporâneos, mostrando que questão das cores era uma atitude importante do artista.

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Outra anotação sobre civilizações africanas e sua influência na arte moderna

Boneca DOGON, de Mali. Foto Mário Martins de Lima. Da exposição “Memória e Altar”, na CPFL-Campinas, maio 2012, da Coleção de Rogério Cerqueira Leite


A cabeça pequena em relação ao corpo é uma das características das deformações encontradas em várias esculturas de várias civilizações africanas. Essa acima é da Civilização DOGON, de Mali. Neste blog, em vários posts foram anotadas estas características e seus significados na arte africana, que praticava várias distorções, não por que não conseguisse ser realista; exemplo contrário é que retratavam animais de forma realista. As distorções fazem parte de sua relação com os espíritos ancestrais; são distorções executados com esmero e expressividade conscientemente procurada.

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