30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.

27/01/2013

“…Telas valiosas são mais frequentemente expostas, enquanto as exposições de gravuras acontecem com certa raridade, embora grandiosos e ríquissimos sejam os acervos, como a coleção de 30 mil obras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriga. Introdução ao “Mestres da Gravura”, coleção Fundação Biblioteca Nacional.

 

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Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001

Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001. http://eaisimpatia.wordpress.com/

Toda arte vive de citações. Todo livro cita o primeiro livro, parafraseando Borges. 

Le carcere d'invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de "Mestres da Gravura"

Le carcere d’invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de “Mestres da Gravura”

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Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

MESTRES DA GRAVURA: Coleção Fundação Biblioteca Nacional

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário  VII-073.302 T001m

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 T001m. Compare com http://eaisimpatia.wordpress.com/

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

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A exposição abarca 81 artistas e 170 obras. Das 30 mil gravuras da coleção.

Quantos artistas serão? Serão apenas 81 mestres ou 81 já são mestres demais? São perguntas que o catálogo não se propõe abordar nem responder. E para abordá-las precisaria uma bibliografia. E mais que uma bibliografia, um ver as obras, mais de uma vez. Precisaria comparação, muito mais que estudo da história da gravura. Os museus e arquivos não prestam e não se prestam para isso.
A gravura nasceu para ser reproduzida. Era a técnica de imprensa da época. Há mais de 500 anos temos a imprensa, os livros impressos e agora a formidável ferramenta da Internet. A gravura não tem espírito de museu. Deve ser popular.

Bansky

Bansky

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Em que prateleira estão os mestres, salvos das intempéries?

Houve um tempo que os mestres andavam pelas ruas e praias, à moda de Aristóteles.

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico  , cuja  obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico , cuja obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

“Não gostaria de encerrar este comentário sobre a arte de Gilvan Samico sem assinalar um traço especial que distingue a sua gravura da dos demais gravadores brasileiros. É que nela a lição dos mestres modernistas se funde à linguagem popular da gravura de cordel -herança portuguesa que sobreviveu na cultura popular nordestina-, incutindo-lhe a significação e a beleza da grande arte”.Ferreira Goulart
Novamente a questão. A gravura estocada aos montões em museus e arquivos precisam, urgentemente, de edições em livros e digitalização. Sem isso resta-nos, bem possivelmente, os grafites, a arte de rua, para buscar a fusão entre o erudito e o popular. A gravura erudita,histórica, também tinha a vocação de ser popular, atingir públicos mais vastos que obras de galerias e museus. Parafraseando Benjamin, já nasceu sem áurea. Não nasceu para a escuridão dos museus.

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A Xilogravura nasceu no século XV, ou final do século XIV, para reproduzir santos e carta de baralho. Nasceu para ir para a rua, igrejas e bordéis.

Dürer, as 4 feiticeiras

Dürer, as 4 feiticeiras

ALBERCHT DÜRER tem reproduzidas no catálogo 10 obras. 9 totalmente pias. Uma, as 4 feiticeiras, nus, talvez exercesse o feitiço bem pornográficos à épocaa do, para um elite. Hoje o muro pode ser de grande valia para milhões. Diz o texto que era um humanista e ligado ao renascentismo italiano e mesmo um dos grandes artista no renascentismo italiano.(ver Luzes do Norte, Masp). E ainda no texto, que publicou 3 livros em vida. Um sobre as proporções do corpo logo apos sua morte, em 1528.“Entre as mais célebres obras produzidas pelo Dürer, destaca-se O Apocalipse, série de 15 xilogravuras dramáticas[7 delas reproduzidas no catálogo Mestres da Gravura], consideradas uma das maiores criações da arte alemã…”.pg.32.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

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Segundo vi no Google, não nas informações de “Mestres da Gravura”, estas 15 gravuras são ilustrações para o livro do Apocalipse, livro da Bíblia. Será que a mediocridade da igreja católica hoje e dos protestantes (Mestres da Gravura informa que a gravura cresceu e se popularizou, principalmente a de cunho profano, com o advento do protestantismo) poderia, hoje, publicar tal livro ilustrado por Dürer. Quem souber me informe. Os livros ilustrados, quase desaparecidos das edições modernas – louve-se a editora 34 -, é um objeto de amor e veneração, a manuseio constante, diário. Meu filho me deu notícias de vários deles, em inglês, na Saraiva. Maldito monoglotismo.

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As técnicas da gravura

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Há na página 86 do catálogo uma bibliografia sobre técnica.  Nas páginas 9-11 do catálogo há um didático e proveitoso resumo das técnicas: Xilogravura, gravura a buril, gravura á ponta seca, gravura à água-forte, gravura à maneira-negra, gravura à água-tinta. O que resumi em outro post.  Entre coisas que faltou e que não achei no google foi uma técnica chamada pontilhado. Cito o parágrado de “Mestres da Gravura”: “De meados para o fim do século XVIII, surgem técnicas à maneira de crayon, do verniz e do pontilhado. Este, presente na exposição, é um método que utiliza a água-forte, o buril curvo ou a ponta-seca. Primeiro, faz-se uma leve gravação do contorno do desenho; em seguida, obtêm-se os tons do trabalho, pontilhando-se a chapa com a ponta do buril curvo ou com a ponta-seca sobre um segundo verniz, posteriormente banhado em ácido”. p. 11.

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Sem digitalização, já, para ontem, a resposta, para mim é mesmo um murundum(1), um aranzéu(2).

Biblioteca Nacional sem ar-condicionado—— Vazamento de água,—- como aconteceu com o AEL(Arquivo Edgard Leuenroth) , ou ainda será que ainda corre, vários riscos: na Biblioteca Nacional, danificando parte do acervo.. Bibliotecas que inundam (já aconteceu na Biblioteca do IFCH, unicamp (Lá agora tem uma placa anunciando uma cobertura). Quem esqueceu o incêndio no acervo de Hélio Oiticica..—- Sabemos também que o ar-condicionado mal cuidado, ou mal dimensionado, tanto pode inundar, como incendiar. (clique e veja as reportagens). Depois que acontecer vem um burocrata lamentar com lágrimas de jacaré, ou de crocodilo. Por isso, insistimos em escrever, nesse blog, sobre este assunto chato. A tranquilide desses burocratas já diz tudo: são uns mortos vivos, como denunciou João da Silva, no seu HQ “Vale dos Burocratas Mortos” Mas o que eles gostam mesmo é de perseguir e tentar amedrontar quem cobra deles. O jornal do Porão nasceu fazendo tais denúncias. Hoje, com mais de 100 mil acesso, continua na obrigação de não deixar passar ou esquecer. Principalmente não deixar esquecer. Preservar acervos qualquer burocrata sem alma e sem cultura é capaz e até se vangloria de guardar, como os acumuladores, uma terrível doença. Mas colocar em uso, colocar em circulação, precisa de criatividade, ousadia, política agressiva e política mesmo: exigências diante dos governos. Para uma política cultural não servem burocratas semi-ignorantes, ciosos dos seus empregos e da sua rotina de acumuladores.

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Vocabulário

(1) MURUNDUM. Nos dicionários online que consultei acho murundu. No Preberam, português de portugal, a defininção é mais próxima do amontoado de coisas, disparatadas e atravancantes que minha expressiva e semi-analfabeta mãezinha tinha sempre na ponta da língua. O Michaelis registra a variante murundum, desde que chamemos por murundu. Caldas Aulete registra murundum, mas com uma pobreza lapidar; registra ainda mulundu e murundu, com a mesma inexpressividade. Como podem ver, meus amigos e filhinhos, preciso de dicionários online de qualidade!!! Meu velho e esmaecido (e estou ficando, lentamente, cego) Aurélio registra a mesma pobreza e economia. Registra ainda a variante munduru. Na definição 2, registra montão, que é pouco para murundum. E esse M faz muita diferença. a. Cemitério do Murundu b. 4 artistas criam um murundu c. Pseudopaludicola murundu Toledo d. O Fenômeno Murundu. Nesse artigo, no meio da página, há uma foto de um trem que é uma perfeita ilustração do murundum da minha mãe, apesar de ainda chamar murundu.Fenômeno Murundu

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum.

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum. http://fredraposo.blogspot.com.br/2007/05/o-fenmeno-murundu.html

(2) ARANZÉU. No cada vez mais pálido Aurélio de papel está lá Aranzel como arenga, uma falação de deputado. Pior que a falta do M em murundum é esse L. Bendita a contribuição de todos os erros. Se aranzel for pronunciado a gaúcha aí tá tudo perdido. Aranzel aí não seria mesmo um arranha-céu de murunduns, como frisava bem minha mãe. Será que o murundum não seria a herança negra da minha mãe para meus ouvidos embranquecidos? E creio nela nas suas raízes mais que nos dicionários. Nota: “O Léxico de Guimarães Rosa”, de Nilce Sant’Anna Martins registra murundu, como monte vermelhos de cupins, mas não aranzel. E “A Lexologia de ‘Os Sertões’: o vocabulário de Euclides da Cunha, de Manif Zacharias não registra nenhum dos dois termos.Apesar do peso das abonações ainda fico com as “contribuição de todos os erros” do murundum. e do aranzéu.     ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Jornal do Porão cem mil acessos. Precisamente, neste sábado, 27/01/2013, ás 0,04hs, 102.822 acessos. Quando comemoramos 5 mil, fizemos um pequeno balanço, achando um grande feito. Agora com mais de 100 mil não haverá balanço formal algum. E por pura coincidência, não fortuitamente, voltamos ao tema do primeiro Jornal do Porão. É pé na tábua. É continuar. Mesmo porque esse jornaldoporao nem mesmo conseguiu falar de seu título: ainda não amadureceu e aprendeu o suficiente para escrever um post sobre o “Memórias do Subsolo”, de Dostoiévski.

Nos cinco mil acessos tinha a musa Josephine Baker. Agora nos cem mil tem Maria Luisa Mendonça. São oposto que se completam. Nem erudito nem popular, nem tanto ao mar nem tanto a terra. O pulso ainda pulsa. Nada melhor que Josephine Baker na companhia de Maria Luísa Mendonça.

josepnhine-baker-

josepnhine-baker-

Mandrake, 2007

Mandrake, 2007

josephine-baker

josephine-baker

Mandrake, 2007 (2)

Mandrake, 2007 (2)

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01. Xilogravura: Primeiro contato:Breve História da Xilogravura

02.3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai

03. 2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

04. 1. Xilogravura joponesa: UKIYO-E…….. [primeira anotação]

05. Maria Bonomi: tropicália.

06.Gravura, xilogravura, Litogravura, Linogravura… Ponta-seca, Água-forte, Buril…: TÉCNICA


Parangolés e Penetráveis: a influência japonesa em Hélio Oiticica.

12/11/2012

O MA

“Espacialidade do Ma”

O MA torna-se verbalizável no momento em que ele aparece no mundo, estado esse que será denominado Espacialidade Ma. Quando MA se faz representável ou concretamento visível no mundo da existência, aparece como um “espaço-entre” e ganha manifestações múltiplas: intervalo, passagem, pausa, não-ação, silêncio, etc. Essa semântica é identificada na própria composição do ideograma MA (ver ilustração acima), que se constitui de duas portinholas, através das quais, no seu entre-espaço, se avista o Sol”.

Essa espacialidade do MA vai estar presente em várias formas da cultura japonesa e em vários ambientes da sua arquitetura. Percebido e teorizado por seus arquitetos, como Teiji Itoh(1978) que chamou de “um espaço em fluxo”.

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As frases aqui citadas são de  Michiko Okano, retiradas do artigo O Espaço MA e Hélio Oiticica.  Bem possivelmente,  o tema do espaço-tempo MA será desenvolvido no livro “Ma entre espaços”, da mesma autora (capa reproduzida aqui). Livro que será adquirido e resenhado nesse jornaldoporao.

MA entre-espacos, livro de Michiko Okano

TOKYOGAQUI um Japão Imaginado, Org. Christine Greiner e Ricardo Muniz Fernandes, edições SESC/SP.

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“Há certas coisas na vida que não se explicam ou a linguagem verbal não se presta a esclarecer suficiente. O MA, uma noção peculiar da cultura japonesa, faz parte desse universo, cujo entendimento se realiza, essencialmente, por meio da intuição, do corpo e, portanto, da vivência…”

“Texto não-verbal“, segundo a semioticista Lucrécia D’Alessio Ferrara (2002): “se apresenta diluído no cotidiano”; “nada impõe à nossa atenção”; “é mudo porque não agride nossa atenção”.

MA se caracteriza pelo seu dinamismo, portanto de difícil apreensão por meios lógicos. Exige um “olhar tátil, multissensorial e sinestético”.

“Apesar dessa inefabilidade, o espaço-tempo MA é reconhecido naturalmente pelos japoneses no seu dia-a-dia e encontra-se, inclusive na própria linguagem…”. A expressão Manuke (MA+tirar=falta de MA). Falta de MA corresponderia à falta de inteligência, também para designar pessoa ignorante. “É um senso comum enraizado na vida cotidiana, sem necessidade de explicações lógicas ou conceituais”.

Idéia de MA, originariamente, é relacionada ao espaço mitológico vazio, demarcado por pilastras, que podem ser atadas por uma corda, onde haveria a aparição divina no território criado. É um território vazio no qual é possível ocorrer um acontecimento…”

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Dialógos entre o MA e as obras de Hélio Oiticica

Ilustração da coletânea Tokyogaqui

Hélio Oiticica buscou, em sua obra “propostas de desenvolvolvimento de atos de vida”, transgredindo a consideração da arte como mera representação.

Parangolés, de Penetráveis têm grande influência da estética da favela, do samba e da Mangueira dos anos 1960.

“Em ambos os casos, japonês e brasileiro, nota-se a presença do ESPAÇO-DISPONIBILIDADE….DO ESPAÇO MOVIMENTO…. em conjunção com o ESPAÇO-TEMPO… e do ESPAÇO-CONVIVÊNCIA, no qual o corpo desenvolve uma estreita relação com o ambiente por meio de sua vivência”
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ESPAÇO DISPONIBILIDADE: A ESTÉTICA DO INACABADO

O espaço MA oferta um ambiente disponível, a princípio vazio, para uma possível ação”

“Um mesmo recinto de quatro tatami e meio, (aproximadamente 2,70 X 2,70), geralmente desprovido de móveis, pode transformar-se quer num dormitório, … quer numa sala de estar…. ou de jantar…. constitui-se numa ambiente em eterna mutação”

Claude Monet-madame Monet. Coloco Monet aqui para remeter à influência das artes francesas sobre o Brasil, outra via possível. Mas abaixo veremos que a presença portuguesa no Japão criou toda uma iconografia.

“Uma espécie de capa maleável feita de materiais diversos… vestir, em vez de se limitar ao ver e atentar, … o observador passivo, em sujeito ativo usuário…Maleável e fluido…desenha formas sempre em transformação… (adaptando-se ao corpo)…. O artista é um propositor…. Cria um espaço aberto que incita a novas experiências… São obras que não se limitar a expressar-se por si sós, mas a expressão ocorre ‘por meio delas’…

“Tanto o trabalho artístico de Hélio Oiticica, quanto o recinto Ma não fazem parte do universo das criações imóveis, ms se tornam ponto de partida para um possível acontecimento, ou seja, um gatilho para a ação a ser desenvolvida a posteirori pelo ser humano. Participantes da estética do inacabado, essas espacialidades encontram-se em constante construção”

Hélio Oiticica, parangole1964, máscaras africanas extendidas. E não esquecer jamais as influências africanas nos Parangolés. Já descrita em outro post (veja Pingback).

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ESPAÇO-MOVIMENTO:CONSTRUÇÃO DE UM PROCESSO

Hélio Oiticica frequentava a escola de Samba Mangueira quando cria os Parangolés.

Estética da Ginga”: assim chama a arquiteta Paola Berenstein Jacques (2003):

– composta de fragementos;

– do movimento dos corpos que dançam;

– os próprios barracos são construções em processo: materiais novos são sempre acrescentados ou substituídos,  no já construído;

– “É uma espacialidade movente que, necessariamente, envolve o espaço e o tempo, dialoga com o acaso e tem como consequência algo sempre inacabado, aberto a participação e complementações eternas, chamado pela pesquisadora de espaço-movimento”

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SANDÔ: “Na espacialidade Ma presente no sandô , perscurso de peregrinação de um santuário xintoísta, é elaborado um espaço-tempo adaptativo da zona profana para a divina. No Santuário de Ise, da província japonesa de Mie, o transeunte passa por um portal denominado torii e por uma ponte sobre o rio Isuzu, ambos elementos primeiros que demarcam a passagem para o território divino, quando se descortina uma floresta e, através dela, caminhos tortuosos de pedregulhos. Não só o visual, mas os outros sentidos são aguçados durante a caminhada: a audição, pelo som das águas do rio e pelo barulho dos pedregulhos sob os pés dos transeuntes; o olfato, pelo aroma do verde das florestas; o paladar e o tato, pela água que purifica a boca e a mão…”

Ponte sobre o rio Isuzu, em Ise

Santuário de Ise, ponte Uji, sobre o rio Isuzu e portal Torii

O Grande Labirinto, de Hélio Oiticica:

tateoiticicafiltro. Não foi possível achar no Google o labirinto citado no texto. Substituo aqui por outra obra labirinto:
Filtros
A obra Projeto Filtro – para Vergara NY 1972 de Hélio Oiticica (1937-1980)

Disse dele Oiticica: “o espaço e o tempo se casam em definitivo(1968).” ” O espectador, além de penetrar na obra e escolher o percurso, que se apresenta como um labirinto, pode também manipular o objeto, trocando a posição das placas: os participantes são vivenciadores e construtores do seu próprio labirinto.”

Na espacialidade do sandô ,      a sensação do labirinto não é tanto no sentido físico, mas sobretudo de origem espiritual…”

XX

“A sensorialidade está implícita no labirinto e está relacionada não à forma, mas na experiência de nele penetrar…”

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ESPAÇO-CORPÓREO: VIVÊNCIA DO CORPO NO ESPAÇO

“O Parangolé, por Hélio Oiticica denominado cor-estrutura em razão de estruturar ações humanas, efetua o deslocamento do suporte tradicional pra o corpo de quem veste, e permite um brincar, dançar e elaborar a sua forma de participação na arte…”

“…movimento dançante, que envolve não só a visualidade mas todos os sentidos…”

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ESPAÇOS EM CONSTRUÇÃO

A FAVELA:   “…divide-se à noite em vários compartimentos por intermédio de cortinas de tecido ou plástico, pra preservar a intimidade das pessoas…”

A CASA JAPONESA: “…espacialidade única, flexível, a ser dividida por portas de correr de papel ou biombos…”

Os biombos, palavra que vem do japonês Biobu, fruto da chegada dos portugueses no japão. O que gerou toda uma arte no japão. Veja página da embaixada portuguesa: http://www.embaixadadeportugal.jp/centro-cultural/portugal-e-japao/arte-namban/pt/. Seria interessante saber o quanto isso influenciou a arte em portugal.

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pingback

01. PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN
02. Maria Bonomi: tropicália

03 .2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

04. 3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai
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A INTERNET É MESMO MUITO, MUITO MALUCA

Procurava no Google imagens de Michiko Okano,  para ilustrar conceitos propostos no livro Tokyogaqui: um Japão Imaginado. Junto com ilustrações de templos, torii, pontes, tatames, labirintos, parangolés e penetráveis – todas essas  coisas que eu procurava – veio esta imagem. Recusando entrar em critérios morais, a beleza desta figura é estonteante.  Com um corpo que não deve nada às mulatas exuberantes de Di Cavalcanti. Com toda a certeza Di Cavalcanti não as pintou para edificar e santificar o mundo.

Claro que vacilei em colocar essa imagem aqui. Mas refleti. Artistas, intelectuais, filósofos vivem falando em corpo, mas num corpo santificado, assexuado – um dos horrores do momento atual.   Quando olhamos uma estampa de Caravaggio vemos meninos e anjos pintados com uma sensibilidade agressivamente homoérotica. O mesmo se vê em Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti. Ou as mulheres de Modigliani.

Claro que a foto é comum, banal, nada de arte, mas para mim serviu para quebrar tanta seriedade do texto.  E me fez lembrar que, se a arte abre horizontes, ajuda os seres humanos a atravessar os desertos, as montanhas até o abismo final, este percurso da vida e da morte,  essa banal foto alerta que também a vida comum, esta simples e banal imagem comum, da internet, faz muito bem à vida e é uma excepcional manifestação da vida.

E não nos esqueçamos que falar de gravura japonesa teremos de falar em SHUNGA, a arte erótica joponesa.  Alguns textos dizem que esta arte pornográfica era usada com caráter educativo, outros textos contam que o pai doava uma caixa destas gravuras na ocasião do casamento das filhas. E que somente no início do século vinte, quando aumentava o comércio com o ocidente e para limpara a barra dos japoneses, tidos como pornográficos por seus parceiros comerciais, é que as gravuras SHUNGA foram reprimidas no japão. Ou seja, tipicamente um aculturação e vitória do moralismo cristão. Como todo moralismo traz junto a hipocrisia, estas gravuras SHUNGA vão ter preços astronômicos pelo consumo dos ricos ocidentais.  Ver links.

Como atestamos com Caravaggio, Michelangelo Buanarroti, Cézanne, Picasso e tantos outros, nem a chamada arte de cunho religioso,  era muito edificante e vetusta. Nela pulsava muito sexo, erotismo e pornografia – que acho que é a mesma coisa, com nomes diferentes. E a própria conclusão do texto de Michiko Okano é de uma ingenuidade comovente. Nos barracos das favelas não se preserva intimidade alguma. E pelo que vi em filmes japoneses, como Império dos Sentidos, todo mundo vê, ouve  e percebe tudo; e no caso de O Império dos Sentidos, vê, ouve e participa. Biombos, cortinas, praticáveis, papéis japoneses, não garantem qualquer intimidade. E quanto ao japão essa moralidade tem data. Em momento algum do texto a autora toca na questão do erotismo, do sexo e pornografia. Fala várias e várias vezes em dança, esquecendo que dança carrega um imenso conteúdo erótico. E esquece, para o Brasil, que os parangolés também remetem à fantasia, ao carnaval. E como podemos conferir nas danças religiosas de Benin, no pingback acima, há “parangolés” e transe. Vi hoje mesmo entrevista de uma bailarina de flamengo dizendo que dançar, para  ela, era essencialmente entrar em transe. Que o diga Nietzsche/Dionísio. Dionísio o deus que dançava.

Quando peguei o texto de Michiko Okano, como é comum ao comprar um livro novo, fui ver logo as ilustrações que, na verdade, são poucas. Mas este artigo é ilustrado por um desenho de um kimono(desenho reproduzido acima). E o texto se detém muito pouco sobre o kimono e os parangolés. E não diz que os kimonos são usados, hoje, principalmente por gueixas. E que também, no ocidente, estas vestes coloridas são associadas ao erotismo.

Também afasta desse blog os eventuais leitores santarrões.

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links

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01 . Perca Tempo, Blgo do Murilo. Japa Gostosa
02. O Desejo e a Representação nas Gravuras Eróticas Japonesas Shungamore : ESTUDOS JAPONESES : by Amaury A. Garcia

03. Embaixada de Portugal em Tóquio: Arte Nambam
04. Filme sobre Hélio Oiticia
05.Documentário recupera figura de Hélio Oiticica

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Parangolés, Hélio Oiticica. Apontamento 03

06/06/2012

PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN

Apresentação do Vodu Egoun. Uidá, Benin, 2009. Esta é a legenda da foto original. Foto(detalhe) da foto de Ricardo Teles , O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias, ed.Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Esta foto de Ricardo Teles(este detalhe dá uma pálida ideia da expressividade da foto) – em O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias – que me levou a fazer este outro apontamento. O artigo de José D’Assunção Barros martelava, na minha cabeça, que os PARANGOLÉS, de Hélio Oiticica tinham influência da arte africana (cito abaixo o trecho do artigo).Mas achei, vendo a foto, que não é apenas no conceito de “expandido”, ou seja, não uma influência apenas conceitual, apenas uma referência, mas viva, acontecendo ainda hoje. Mas me parece que é a as manifestações culturais africanas, de hoje, atuais, que influenciaram também. E quero procurar estas influências na arte mais contemporânea. Em Hélio Oiticica há uma influência da África atual. Há, talvez, uma profunda continuidade entre a África antiga e a moderna. E a arte de vanguarda de Hélio Oiticica bebe neste arcaico e neste popular, ou mesmo religioso. Neste caso não há dicotomia entre vanguarda e o popular. Ou o popular e laico, influenciando o religioso, como abordarei em outro post sobre a influência do carnaval brasileiro, interferindo nas bandeiras do Vodu, no Haiti.

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biblioteca Mário 000.007

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CAETANO VELOSO NÃO SE LEMBRA DE CAETANO VELOSO

Singer and composer Caetano Veloso wearing Oiticica’s P 04 Parangolé Cape 01 1964 in 1968 © Projeto Hélio Oiticica. Photo: Andreas Valentim.

Durante anos, mantendo e cultivando minha ignorância, todas as vezes que ouviu ou lia a palavra PARANGOLÉ, mais que Hélio Oiticica, me lembrava desta foto de Caetano Veloso. Parece que mantive durante anos um grande equívoco quando leio o livro de Caetano Veloso, Verdades Tropicais, da Cia. das Letras.
Olhando para da data, 1968, da legenda da foto, se exata, acho que Caetano Veloso veste um Parangolé apenas para se enfeitar. Pelo seu livro, não passou disso.

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16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

Dia 16 de outubro de 2009 deve ser recordado como um dia de destruição do patrimônio cultural brasileiro. E parece, passados quase 3 anos, que ninguém se importa. Este blog pretende lembrar esta data todos os anos. E estudar Hélio Oiticica.
REPORTAGEM DO JORNAL O GLOBO

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QUEM REALMENTE SE IMPORTA?

Por exemplo, o artigo José D’Assunção Barros deixa claro a influência da cultura africana nestes parangolés (que não existem mais, que foram queimados, como vimos acima). E seria de interesse de no mínimo, mais de metade da população brasileira, a preservação desta obra. Mas uma pessoa vai determinar o rumo de tudo porque é o herdeiro. Quando o herdeiro deveria ser toda a população brasileira. Arquivos públicos também correm perigo, mas obras amontoadas em casas particulares é pior ainda. Mas a notícia do Globo, abaixo, à certa altura comenta as “briguinhas” com um museu americano, mas não fala de quem deveria esgar brigando é o poder público, para ter estas obras sob sua guarda. O irmão de Hélio Oiticica, singelamente,fala de uma briguinha com um museu americano que queria as obras. Parece que não lamenta a perda. Ou pode ser a família inteira de olho gordo na “herança”. Agora pode até ser que vai aumentar o preço do que sobrou, numa espécie de queima do excesso; já que a reportagem cita uma obra vendida, em maio de 2009, um dos “Metaesquemas”, o de número 19, que era estimado em U$ 80 mil, foi arrematado por U$180 mil. Quanto valerão agora os outros que, como diz a reportagem, foram todos salvos por estar em outra sala. E ainda falando do irmão do artista que lamenta o prejuízo de 200 milhões. É o maldito direito de herança. Este irmão ou a família toda, certamente, vão encher a burra de ganhar dinheiro, com o que pode ser salvo do incêndio. Na reportagem o tal irmão não lamenta, o quê era de se esperar, que os parangolés foram completamente destruídos. E a reportagem comenta que é(era) a principal obra do artista.[A reportagem não diz se sobrou, em algum museu, alguns destes parangolés]. Leia a reportagem: “Em 1981, um ano após a sua morte – em 22 de março de 1980 -, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996”. Leia a reportagem:. Deveria ser óbvio que as obras deveriam estar nos museus e centros culturais. Herdeiros que amontoam obras, para faturar em cima de algo que jamais produziu, dá nisso. Destruição. Direito de herança,direito autoral para herdeiros – ridículo, já que não escreveram nada – é o principal ataque à memória e a cultura.

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

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AS GAIOLAS DE GIACOMETTI E UM PARANGOLÉ DE HÉLIO OITICICA

E não é que fuçando no google, para fazer este post, acabei vendo uma influência, de Giacometti em Hélio Oiticica.

Giacometti, outro exemplo de Gaiola

Alberto Giacometti_The Cage, 1930-31

Parangolé, Hélio Oiticica, fonte Google

Acho que Hélio Oiticica foi buscar este formato nas gaiolas de Giacometti.

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TROPICÁLIA.

O livro de Caetano Veloso diz que o nome, apanhado de Hélio Oiticica, não passou de um nome. Que ele aceito a sugestão a contragosto e porque não tinha como recuar quando todos já falavam que a música, sem título, era tropicália. No livro se diz até conformado com o nome tropicalismo que odiava.

O índice remissivo de “Verdade Tropical”, remete a 12 páginas que falam de Hélio Oiticica. Engano total. Li o livro quando saiu e me passou despercebido o nome de Hélio Oiticica. Revendo as remissões, hoje, constato que, além das páginas 425-427, as outras 10 páginas são apenas breves referências anedóticas. Que me deixou em total ignorância de quem foi, naquele momento, e para a Tropicália, Hélio Oiticica. Nas páginas 425-427 há uma série de adjetivos superlativos. Mas ao que parece, Caetano nega qualquer influência, além do nome Tropicália, de Hélio Oiticica na sua obra. E nem deixa entrever, apesar dos elogios, se esta obra tem alguma importância. Nem fala que vestiu um Parangolé, coisa que, quando vejo o nome de Hélio Oiticica, invade minha memória. ………………………………………………………………………………………………………………………………………….
O artigo de José D’Assunção Barros, sobre a cultura africana,AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANANA ARTE MODERNA já resumido num post neste blog, post cujo titulo é: Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte? e demonstra, neste artigo, que os parangolés são um herança da arte africana. E não esquecer a foto de Ricardo Teles do vodu em Benin. ………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Paarangolé, Hélio Oiticica., Google

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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, de José D’Assunção Barros.
Apenas relaciona Hélio Oiticica com o conceito de “EXPANDIDO”. A citação abaixo é o que fala de Hélio Oiticica.
“O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Um exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo.”
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METAESQUEMAS 19.

Hélio Oiticica (Brazilian, 1937-1980), Metaesquema 19, 1957-58, Gouache on board, 45 x 53.3 cm, © 2007 Projeto Hélio Oiticica.

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links

Parangolé, Hélio Oiticica. Foto que ilustra o artigo de Daniela Name

LINK 02 – Obra de arte não é foto de família, artigo de Daniela Name

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links [atualizações]

03 . Ministério da Cultura Hélio Oiticica – Museu é o Mundo

“A exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo, chega nesta terça-feira (21) ao Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. Essa é a maior mostra já realizada sobre Hélio Oiticica e faz parte da itinerância que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Após Brasília, a exposição segue para Belém.”, querem dizer 21 de dezembro de 2010. Não soube que chegasse à São Paulo. Muito menos à Campinas/SP, onde tem duas universidades, uns 50 mil estudantes, e nenhuma atividade cultural.

04. ANGELA VARELLA SAVINO, LIBERDADE CRIADORA E HIBRIDISMO DE HÉLIO OITICICA À EDUARDO KAC

Partindo do conceito de liberdade criadora de Bergson e a relação da arte com a vida,
o objetivo é ir ao encontro da ação de hibridismo (o movimento de construção de mistura de
linguagens artísticas dos primórdios ao movimento moderno), na trajetória de libertação da
arte de seus suportes convencionais ao corpo, utilizando como cenário de observação além de
exemplos de obras e ações de hibridismo no contexto do período dos anos 50 aos anos 90, as
obras representativas de dois artistas expoentes: Hélio Oiticica e Eduardo Kac, no intuito de
configurar o cenário da relação interdisciplinar dos elementos: corpo, vida, arte e tecnologia.
Palavras-chave: LIBERDADE – HIBRIDISMO – VIDA – ARTE – TECNOLOGIA