TARSILA do Amaral: A Negra

11/06/2013
Coleção Folha

Coleção Folha

Iemanjá, séc. XIX e a Negra de Tarsila do Amaral

Iemanjá, séc. XIX e a Negra de Tarsila do Amaral

Veja Além do sentimento religioso, há um tom de lembrança em sua pintura…

TARSILA – Um dos meus quadros que fez muito sucesso quando eu o expus lá na Europa se chama A Negra. Porque eu tenho reminiscências de ter conhecido uma daquelas antigas escravas, quando eu era menina de cinco ou seis anos sabe? escravas que moravam lá na nossa fazenda, e ela tinha os lábios caídos e os seios enormes, porque, me contaram depois, naquele tempo as negras amarravam pedras nos seios para ficarem compridos e elas jogarem para trás e amamentarem a criança presa nas costas. Num quadro que pintei para o IV Centenário de São Paulo eu fiz uma procissão com uma negra em último plano e uma igreja barroca, era uma lembrança daquela negra da minha infância, eu acho. Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, como um belo por-de-sol ou essa negra, eu estilizo.”

“Diversos já escreveram sobre A negra de Tarsila do Amaral, destacando sua muita ou pouca ousadia face aos padrões vanguardistas, a reminiscência do passado colonial ou pessoal, enraizado nas fazendas do interior paulista. A foto de uma antiga empregada de família [Figura 11] é costumeiramente reproduzida para enfatizar a relação afetiva da artista com seu tema, sugerindo uma possível origem iconográfica[32]. Todavia, sempre que vejo a reprodução de uma pequena imagem de Iemanjá do séc. XIX [Figura 12[33], não posso deixar de reconhecer nela a negra de Tarsila.” Algo além do moderno: a mulher negra na pintura brasileira no início do século XX . Maraliz de Castro Vieira Christo

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links

01. Entrevista concedida a revista Veja (23/02/1972), a Leo Gilson Ribeiro, aos 75 anos. VEJA:
02. Algo além do moderno: a mulher negra na pintura brasileira no início do século XX , Maraliz de Castro Vieira Christo
03. A Negra, MAC/USP

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Robert CRUMB

11/04/2013

Meus_Problemas_com_as_Mulheres

do prefácio de Meus Problemas com as Mulheres

do prefácio de Meus Problemas com as Mulheres

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Mr_Natural

The Fatal Flower Garden

The Fatal Flower Garden


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Bob_e_Harv
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links

01. Fatal Flower Garden Lyrics
02. Youtube Nelstone’s Hawaiians – Fatal flower garden


30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.

27/01/2013

“…Telas valiosas são mais frequentemente expostas, enquanto as exposições de gravuras acontecem com certa raridade, embora grandiosos e ríquissimos sejam os acervos, como a coleção de 30 mil obras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriga. Introdução ao “Mestres da Gravura”, coleção Fundação Biblioteca Nacional.

 

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Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001

Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001. http://eaisimpatia.wordpress.com/

Toda arte vive de citações. Todo livro cita o primeiro livro, parafraseando Borges. 

Le carcere d'invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de "Mestres da Gravura"

Le carcere d’invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de “Mestres da Gravura”

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Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

MESTRES DA GRAVURA: Coleção Fundação Biblioteca Nacional

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário  VII-073.302 T001m

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 T001m. Compare com http://eaisimpatia.wordpress.com/

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

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A exposição abarca 81 artistas e 170 obras. Das 30 mil gravuras da coleção.

Quantos artistas serão? Serão apenas 81 mestres ou 81 já são mestres demais? São perguntas que o catálogo não se propõe abordar nem responder. E para abordá-las precisaria uma bibliografia. E mais que uma bibliografia, um ver as obras, mais de uma vez. Precisaria comparação, muito mais que estudo da história da gravura. Os museus e arquivos não prestam e não se prestam para isso.
A gravura nasceu para ser reproduzida. Era a técnica de imprensa da época. Há mais de 500 anos temos a imprensa, os livros impressos e agora a formidável ferramenta da Internet. A gravura não tem espírito de museu. Deve ser popular.

Bansky

Bansky

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Em que prateleira estão os mestres, salvos das intempéries?

Houve um tempo que os mestres andavam pelas ruas e praias, à moda de Aristóteles.

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico  , cuja  obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico , cuja obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

“Não gostaria de encerrar este comentário sobre a arte de Gilvan Samico sem assinalar um traço especial que distingue a sua gravura da dos demais gravadores brasileiros. É que nela a lição dos mestres modernistas se funde à linguagem popular da gravura de cordel -herança portuguesa que sobreviveu na cultura popular nordestina-, incutindo-lhe a significação e a beleza da grande arte”.Ferreira Goulart
Novamente a questão. A gravura estocada aos montões em museus e arquivos precisam, urgentemente, de edições em livros e digitalização. Sem isso resta-nos, bem possivelmente, os grafites, a arte de rua, para buscar a fusão entre o erudito e o popular. A gravura erudita,histórica, também tinha a vocação de ser popular, atingir públicos mais vastos que obras de galerias e museus. Parafraseando Benjamin, já nasceu sem áurea. Não nasceu para a escuridão dos museus.

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A Xilogravura nasceu no século XV, ou final do século XIV, para reproduzir santos e carta de baralho. Nasceu para ir para a rua, igrejas e bordéis.

Dürer, as 4 feiticeiras

Dürer, as 4 feiticeiras

ALBERCHT DÜRER tem reproduzidas no catálogo 10 obras. 9 totalmente pias. Uma, as 4 feiticeiras, nus, talvez exercesse o feitiço bem pornográficos à épocaa do, para um elite. Hoje o muro pode ser de grande valia para milhões. Diz o texto que era um humanista e ligado ao renascentismo italiano e mesmo um dos grandes artista no renascentismo italiano.(ver Luzes do Norte, Masp). E ainda no texto, que publicou 3 livros em vida. Um sobre as proporções do corpo logo apos sua morte, em 1528.“Entre as mais célebres obras produzidas pelo Dürer, destaca-se O Apocalipse, série de 15 xilogravuras dramáticas[7 delas reproduzidas no catálogo Mestres da Gravura], consideradas uma das maiores criações da arte alemã…”.pg.32.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

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Segundo vi no Google, não nas informações de “Mestres da Gravura”, estas 15 gravuras são ilustrações para o livro do Apocalipse, livro da Bíblia. Será que a mediocridade da igreja católica hoje e dos protestantes (Mestres da Gravura informa que a gravura cresceu e se popularizou, principalmente a de cunho profano, com o advento do protestantismo) poderia, hoje, publicar tal livro ilustrado por Dürer. Quem souber me informe. Os livros ilustrados, quase desaparecidos das edições modernas – louve-se a editora 34 -, é um objeto de amor e veneração, a manuseio constante, diário. Meu filho me deu notícias de vários deles, em inglês, na Saraiva. Maldito monoglotismo.

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As técnicas da gravura

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Há na página 86 do catálogo uma bibliografia sobre técnica.  Nas páginas 9-11 do catálogo há um didático e proveitoso resumo das técnicas: Xilogravura, gravura a buril, gravura á ponta seca, gravura à água-forte, gravura à maneira-negra, gravura à água-tinta. O que resumi em outro post.  Entre coisas que faltou e que não achei no google foi uma técnica chamada pontilhado. Cito o parágrado de “Mestres da Gravura”: “De meados para o fim do século XVIII, surgem técnicas à maneira de crayon, do verniz e do pontilhado. Este, presente na exposição, é um método que utiliza a água-forte, o buril curvo ou a ponta-seca. Primeiro, faz-se uma leve gravação do contorno do desenho; em seguida, obtêm-se os tons do trabalho, pontilhando-se a chapa com a ponta do buril curvo ou com a ponta-seca sobre um segundo verniz, posteriormente banhado em ácido”. p. 11.

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Sem digitalização, já, para ontem, a resposta, para mim é mesmo um murundum(1), um aranzéu(2).

Biblioteca Nacional sem ar-condicionado—— Vazamento de água,—- como aconteceu com o AEL(Arquivo Edgard Leuenroth) , ou ainda será que ainda corre, vários riscos: na Biblioteca Nacional, danificando parte do acervo.. Bibliotecas que inundam (já aconteceu na Biblioteca do IFCH, unicamp (Lá agora tem uma placa anunciando uma cobertura). Quem esqueceu o incêndio no acervo de Hélio Oiticica..—- Sabemos também que o ar-condicionado mal cuidado, ou mal dimensionado, tanto pode inundar, como incendiar. (clique e veja as reportagens). Depois que acontecer vem um burocrata lamentar com lágrimas de jacaré, ou de crocodilo. Por isso, insistimos em escrever, nesse blog, sobre este assunto chato. A tranquilide desses burocratas já diz tudo: são uns mortos vivos, como denunciou João da Silva, no seu HQ “Vale dos Burocratas Mortos” Mas o que eles gostam mesmo é de perseguir e tentar amedrontar quem cobra deles. O jornal do Porão nasceu fazendo tais denúncias. Hoje, com mais de 100 mil acesso, continua na obrigação de não deixar passar ou esquecer. Principalmente não deixar esquecer. Preservar acervos qualquer burocrata sem alma e sem cultura é capaz e até se vangloria de guardar, como os acumuladores, uma terrível doença. Mas colocar em uso, colocar em circulação, precisa de criatividade, ousadia, política agressiva e política mesmo: exigências diante dos governos. Para uma política cultural não servem burocratas semi-ignorantes, ciosos dos seus empregos e da sua rotina de acumuladores.

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Vocabulário

(1) MURUNDUM. Nos dicionários online que consultei acho murundu. No Preberam, português de portugal, a defininção é mais próxima do amontoado de coisas, disparatadas e atravancantes que minha expressiva e semi-analfabeta mãezinha tinha sempre na ponta da língua. O Michaelis registra a variante murundum, desde que chamemos por murundu. Caldas Aulete registra murundum, mas com uma pobreza lapidar; registra ainda mulundu e murundu, com a mesma inexpressividade. Como podem ver, meus amigos e filhinhos, preciso de dicionários online de qualidade!!! Meu velho e esmaecido (e estou ficando, lentamente, cego) Aurélio registra a mesma pobreza e economia. Registra ainda a variante munduru. Na definição 2, registra montão, que é pouco para murundum. E esse M faz muita diferença. a. Cemitério do Murundu b. 4 artistas criam um murundu c. Pseudopaludicola murundu Toledo d. O Fenômeno Murundu. Nesse artigo, no meio da página, há uma foto de um trem que é uma perfeita ilustração do murundum da minha mãe, apesar de ainda chamar murundu.Fenômeno Murundu

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum.

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum. http://fredraposo.blogspot.com.br/2007/05/o-fenmeno-murundu.html

(2) ARANZÉU. No cada vez mais pálido Aurélio de papel está lá Aranzel como arenga, uma falação de deputado. Pior que a falta do M em murundum é esse L. Bendita a contribuição de todos os erros. Se aranzel for pronunciado a gaúcha aí tá tudo perdido. Aranzel aí não seria mesmo um arranha-céu de murunduns, como frisava bem minha mãe. Será que o murundum não seria a herança negra da minha mãe para meus ouvidos embranquecidos? E creio nela nas suas raízes mais que nos dicionários. Nota: “O Léxico de Guimarães Rosa”, de Nilce Sant’Anna Martins registra murundu, como monte vermelhos de cupins, mas não aranzel. E “A Lexologia de ‘Os Sertões’: o vocabulário de Euclides da Cunha, de Manif Zacharias não registra nenhum dos dois termos.Apesar do peso das abonações ainda fico com as “contribuição de todos os erros” do murundum. e do aranzéu.     ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Jornal do Porão cem mil acessos. Precisamente, neste sábado, 27/01/2013, ás 0,04hs, 102.822 acessos. Quando comemoramos 5 mil, fizemos um pequeno balanço, achando um grande feito. Agora com mais de 100 mil não haverá balanço formal algum. E por pura coincidência, não fortuitamente, voltamos ao tema do primeiro Jornal do Porão. É pé na tábua. É continuar. Mesmo porque esse jornaldoporao nem mesmo conseguiu falar de seu título: ainda não amadureceu e aprendeu o suficiente para escrever um post sobre o “Memórias do Subsolo”, de Dostoiévski.

Nos cinco mil acessos tinha a musa Josephine Baker. Agora nos cem mil tem Maria Luisa Mendonça. São oposto que se completam. Nem erudito nem popular, nem tanto ao mar nem tanto a terra. O pulso ainda pulsa. Nada melhor que Josephine Baker na companhia de Maria Luísa Mendonça.

josepnhine-baker-

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Mandrake, 2007

Mandrake, 2007

josephine-baker

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Mandrake, 2007 (2)

Mandrake, 2007 (2)

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01. Xilogravura: Primeiro contato:Breve História da Xilogravura

02.3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai

03. 2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

04. 1. Xilogravura joponesa: UKIYO-E…….. [primeira anotação]

05. Maria Bonomi: tropicália.

06.Gravura, xilogravura, Litogravura, Linogravura… Ponta-seca, Água-forte, Buril…: TÉCNICA


BELMONTE, “O maior desenhista do mundo”: Jaguar

14/01/2013

O maior desenhista do mundo. Era assim que Jaguar, em criança, via Belmonte. Neste mesmo prefácio diz que não o vê mais assim, em 1982. Mas que um desenho seu vale por mil palavras.
Queria que os jornais hoje fossem assim. Usando a arte e não a realidade. Em que jornal poderíamos ver Hitler e Stalin vestidos de mulher? Hoje, tendo notícias de que Hitler fazia seus discursos inflamados depois de tomar uma injeção de super-anfetaminas(metanfetaminas) na bunda. Seria maravilhoso vê-lo desenhado assim. Isso faz o desenho ser mais importante que a foto. Gostaria que os jornais, em particular da esquerda, fossem ilustrados com desenhos, caricaturas, charges, xilogravuras…

[Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho maior]
011 - Caricatura dos Tempos, Belmonte

013

Biblioteca Mário

Caricatura dos Tempos, Biblioteca Mário VII-073.000 B001c

Caricatura dos Tempos, Biblioteca Mário VII-073.000 B001c

Caricatura dos Tempos, Belmonte, Introdução

Caricatura dos Tempos, Belmonte, Introdução

008 - Caricatura dos Tempos, Belmonte, Círculo do Livro, 1982
004 - Cópia - Caricatura dos Tempos, Belmonte
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GALERIA DE FOTOS E TEXTOS.


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links

01. Saldados de Hitler movidos à droga?(Acervo da segunda guerra mundial)

02. Tarso Araujo, autor de “Almanaque das Drogas” no Jô Soares ////////////////////////////////////// direto no na entrevista
03. Biblioteca Mário


Parangolés e Penetráveis: a influência japonesa em Hélio Oiticica.

12/11/2012

O MA

“Espacialidade do Ma”

O MA torna-se verbalizável no momento em que ele aparece no mundo, estado esse que será denominado Espacialidade Ma. Quando MA se faz representável ou concretamento visível no mundo da existência, aparece como um “espaço-entre” e ganha manifestações múltiplas: intervalo, passagem, pausa, não-ação, silêncio, etc. Essa semântica é identificada na própria composição do ideograma MA (ver ilustração acima), que se constitui de duas portinholas, através das quais, no seu entre-espaço, se avista o Sol”.

Essa espacialidade do MA vai estar presente em várias formas da cultura japonesa e em vários ambientes da sua arquitetura. Percebido e teorizado por seus arquitetos, como Teiji Itoh(1978) que chamou de “um espaço em fluxo”.

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As frases aqui citadas são de  Michiko Okano, retiradas do artigo O Espaço MA e Hélio Oiticica.  Bem possivelmente,  o tema do espaço-tempo MA será desenvolvido no livro “Ma entre espaços”, da mesma autora (capa reproduzida aqui). Livro que será adquirido e resenhado nesse jornaldoporao.

MA entre-espacos, livro de Michiko Okano

TOKYOGAQUI um Japão Imaginado, Org. Christine Greiner e Ricardo Muniz Fernandes, edições SESC/SP.

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“Há certas coisas na vida que não se explicam ou a linguagem verbal não se presta a esclarecer suficiente. O MA, uma noção peculiar da cultura japonesa, faz parte desse universo, cujo entendimento se realiza, essencialmente, por meio da intuição, do corpo e, portanto, da vivência…”

“Texto não-verbal“, segundo a semioticista Lucrécia D’Alessio Ferrara (2002): “se apresenta diluído no cotidiano”; “nada impõe à nossa atenção”; “é mudo porque não agride nossa atenção”.

MA se caracteriza pelo seu dinamismo, portanto de difícil apreensão por meios lógicos. Exige um “olhar tátil, multissensorial e sinestético”.

“Apesar dessa inefabilidade, o espaço-tempo MA é reconhecido naturalmente pelos japoneses no seu dia-a-dia e encontra-se, inclusive na própria linguagem…”. A expressão Manuke (MA+tirar=falta de MA). Falta de MA corresponderia à falta de inteligência, também para designar pessoa ignorante. “É um senso comum enraizado na vida cotidiana, sem necessidade de explicações lógicas ou conceituais”.

Idéia de MA, originariamente, é relacionada ao espaço mitológico vazio, demarcado por pilastras, que podem ser atadas por uma corda, onde haveria a aparição divina no território criado. É um território vazio no qual é possível ocorrer um acontecimento…”

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Dialógos entre o MA e as obras de Hélio Oiticica

Ilustração da coletânea Tokyogaqui

Hélio Oiticica buscou, em sua obra “propostas de desenvolvolvimento de atos de vida”, transgredindo a consideração da arte como mera representação.

Parangolés, de Penetráveis têm grande influência da estética da favela, do samba e da Mangueira dos anos 1960.

“Em ambos os casos, japonês e brasileiro, nota-se a presença do ESPAÇO-DISPONIBILIDADE….DO ESPAÇO MOVIMENTO…. em conjunção com o ESPAÇO-TEMPO… e do ESPAÇO-CONVIVÊNCIA, no qual o corpo desenvolve uma estreita relação com o ambiente por meio de sua vivência”
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ESPAÇO DISPONIBILIDADE: A ESTÉTICA DO INACABADO

O espaço MA oferta um ambiente disponível, a princípio vazio, para uma possível ação”

“Um mesmo recinto de quatro tatami e meio, (aproximadamente 2,70 X 2,70), geralmente desprovido de móveis, pode transformar-se quer num dormitório, … quer numa sala de estar…. ou de jantar…. constitui-se numa ambiente em eterna mutação”

Claude Monet-madame Monet. Coloco Monet aqui para remeter à influência das artes francesas sobre o Brasil, outra via possível. Mas abaixo veremos que a presença portuguesa no Japão criou toda uma iconografia.

“Uma espécie de capa maleável feita de materiais diversos… vestir, em vez de se limitar ao ver e atentar, … o observador passivo, em sujeito ativo usuário…Maleável e fluido…desenha formas sempre em transformação… (adaptando-se ao corpo)…. O artista é um propositor…. Cria um espaço aberto que incita a novas experiências… São obras que não se limitar a expressar-se por si sós, mas a expressão ocorre ‘por meio delas’…

“Tanto o trabalho artístico de Hélio Oiticica, quanto o recinto Ma não fazem parte do universo das criações imóveis, ms se tornam ponto de partida para um possível acontecimento, ou seja, um gatilho para a ação a ser desenvolvida a posteirori pelo ser humano. Participantes da estética do inacabado, essas espacialidades encontram-se em constante construção”

Hélio Oiticica, parangole1964, máscaras africanas extendidas. E não esquecer jamais as influências africanas nos Parangolés. Já descrita em outro post (veja Pingback).

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ESPAÇO-MOVIMENTO:CONSTRUÇÃO DE UM PROCESSO

Hélio Oiticica frequentava a escola de Samba Mangueira quando cria os Parangolés.

Estética da Ginga”: assim chama a arquiteta Paola Berenstein Jacques (2003):

– composta de fragementos;

– do movimento dos corpos que dançam;

– os próprios barracos são construções em processo: materiais novos são sempre acrescentados ou substituídos,  no já construído;

– “É uma espacialidade movente que, necessariamente, envolve o espaço e o tempo, dialoga com o acaso e tem como consequência algo sempre inacabado, aberto a participação e complementações eternas, chamado pela pesquisadora de espaço-movimento”

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SANDÔ: “Na espacialidade Ma presente no sandô , perscurso de peregrinação de um santuário xintoísta, é elaborado um espaço-tempo adaptativo da zona profana para a divina. No Santuário de Ise, da província japonesa de Mie, o transeunte passa por um portal denominado torii e por uma ponte sobre o rio Isuzu, ambos elementos primeiros que demarcam a passagem para o território divino, quando se descortina uma floresta e, através dela, caminhos tortuosos de pedregulhos. Não só o visual, mas os outros sentidos são aguçados durante a caminhada: a audição, pelo som das águas do rio e pelo barulho dos pedregulhos sob os pés dos transeuntes; o olfato, pelo aroma do verde das florestas; o paladar e o tato, pela água que purifica a boca e a mão…”

Ponte sobre o rio Isuzu, em Ise

Santuário de Ise, ponte Uji, sobre o rio Isuzu e portal Torii

O Grande Labirinto, de Hélio Oiticica:

tateoiticicafiltro. Não foi possível achar no Google o labirinto citado no texto. Substituo aqui por outra obra labirinto:
Filtros
A obra Projeto Filtro – para Vergara NY 1972 de Hélio Oiticica (1937-1980)

Disse dele Oiticica: “o espaço e o tempo se casam em definitivo(1968).” ” O espectador, além de penetrar na obra e escolher o percurso, que se apresenta como um labirinto, pode também manipular o objeto, trocando a posição das placas: os participantes são vivenciadores e construtores do seu próprio labirinto.”

Na espacialidade do sandô ,      a sensação do labirinto não é tanto no sentido físico, mas sobretudo de origem espiritual…”

XX

“A sensorialidade está implícita no labirinto e está relacionada não à forma, mas na experiência de nele penetrar…”

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ESPAÇO-CORPÓREO: VIVÊNCIA DO CORPO NO ESPAÇO

“O Parangolé, por Hélio Oiticica denominado cor-estrutura em razão de estruturar ações humanas, efetua o deslocamento do suporte tradicional pra o corpo de quem veste, e permite um brincar, dançar e elaborar a sua forma de participação na arte…”

“…movimento dançante, que envolve não só a visualidade mas todos os sentidos…”

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ESPAÇOS EM CONSTRUÇÃO

A FAVELA:   “…divide-se à noite em vários compartimentos por intermédio de cortinas de tecido ou plástico, pra preservar a intimidade das pessoas…”

A CASA JAPONESA: “…espacialidade única, flexível, a ser dividida por portas de correr de papel ou biombos…”

Os biombos, palavra que vem do japonês Biobu, fruto da chegada dos portugueses no japão. O que gerou toda uma arte no japão. Veja página da embaixada portuguesa: http://www.embaixadadeportugal.jp/centro-cultural/portugal-e-japao/arte-namban/pt/. Seria interessante saber o quanto isso influenciou a arte em portugal.

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01. PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN
02. Maria Bonomi: tropicália

03 .2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

04. 3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai
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A INTERNET É MESMO MUITO, MUITO MALUCA

Procurava no Google imagens de Michiko Okano,  para ilustrar conceitos propostos no livro Tokyogaqui: um Japão Imaginado. Junto com ilustrações de templos, torii, pontes, tatames, labirintos, parangolés e penetráveis – todas essas  coisas que eu procurava – veio esta imagem. Recusando entrar em critérios morais, a beleza desta figura é estonteante.  Com um corpo que não deve nada às mulatas exuberantes de Di Cavalcanti. Com toda a certeza Di Cavalcanti não as pintou para edificar e santificar o mundo.

Claro que vacilei em colocar essa imagem aqui. Mas refleti. Artistas, intelectuais, filósofos vivem falando em corpo, mas num corpo santificado, assexuado – um dos horrores do momento atual.   Quando olhamos uma estampa de Caravaggio vemos meninos e anjos pintados com uma sensibilidade agressivamente homoérotica. O mesmo se vê em Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti. Ou as mulheres de Modigliani.

Claro que a foto é comum, banal, nada de arte, mas para mim serviu para quebrar tanta seriedade do texto.  E me fez lembrar que, se a arte abre horizontes, ajuda os seres humanos a atravessar os desertos, as montanhas até o abismo final, este percurso da vida e da morte,  essa banal foto alerta que também a vida comum, esta simples e banal imagem comum, da internet, faz muito bem à vida e é uma excepcional manifestação da vida.

E não nos esqueçamos que falar de gravura japonesa teremos de falar em SHUNGA, a arte erótica joponesa.  Alguns textos dizem que esta arte pornográfica era usada com caráter educativo, outros textos contam que o pai doava uma caixa destas gravuras na ocasião do casamento das filhas. E que somente no início do século vinte, quando aumentava o comércio com o ocidente e para limpara a barra dos japoneses, tidos como pornográficos por seus parceiros comerciais, é que as gravuras SHUNGA foram reprimidas no japão. Ou seja, tipicamente um aculturação e vitória do moralismo cristão. Como todo moralismo traz junto a hipocrisia, estas gravuras SHUNGA vão ter preços astronômicos pelo consumo dos ricos ocidentais.  Ver links.

Como atestamos com Caravaggio, Michelangelo Buanarroti, Cézanne, Picasso e tantos outros, nem a chamada arte de cunho religioso,  era muito edificante e vetusta. Nela pulsava muito sexo, erotismo e pornografia – que acho que é a mesma coisa, com nomes diferentes. E a própria conclusão do texto de Michiko Okano é de uma ingenuidade comovente. Nos barracos das favelas não se preserva intimidade alguma. E pelo que vi em filmes japoneses, como Império dos Sentidos, todo mundo vê, ouve  e percebe tudo; e no caso de O Império dos Sentidos, vê, ouve e participa. Biombos, cortinas, praticáveis, papéis japoneses, não garantem qualquer intimidade. E quanto ao japão essa moralidade tem data. Em momento algum do texto a autora toca na questão do erotismo, do sexo e pornografia. Fala várias e várias vezes em dança, esquecendo que dança carrega um imenso conteúdo erótico. E esquece, para o Brasil, que os parangolés também remetem à fantasia, ao carnaval. E como podemos conferir nas danças religiosas de Benin, no pingback acima, há “parangolés” e transe. Vi hoje mesmo entrevista de uma bailarina de flamengo dizendo que dançar, para  ela, era essencialmente entrar em transe. Que o diga Nietzsche/Dionísio. Dionísio o deus que dançava.

Quando peguei o texto de Michiko Okano, como é comum ao comprar um livro novo, fui ver logo as ilustrações que, na verdade, são poucas. Mas este artigo é ilustrado por um desenho de um kimono(desenho reproduzido acima). E o texto se detém muito pouco sobre o kimono e os parangolés. E não diz que os kimonos são usados, hoje, principalmente por gueixas. E que também, no ocidente, estas vestes coloridas são associadas ao erotismo.

Também afasta desse blog os eventuais leitores santarrões.

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links

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01 . Perca Tempo, Blgo do Murilo. Japa Gostosa
02. O Desejo e a Representação nas Gravuras Eróticas Japonesas Shungamore : ESTUDOS JAPONESES : by Amaury A. Garcia

03. Embaixada de Portugal em Tóquio: Arte Nambam
04. Filme sobre Hélio Oiticia
05.Documentário recupera figura de Hélio Oiticica

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CÉZANNE, de Philippe Sollers —————————————————- Eis a moça de nádegas carnudas! Como ela exibe bem em em meio ao prado Seu corpo flexível, esplêndido desabrochador! A serpente não é capaz de tanta sinuosidade, E o sol brilhando lança complascente(sic) Seus raios dourados sobre esta carne bela.

05/10/2012

Auto-retrato. Bibloteca Mário VII-072.030 C001g (1)


Durante semanas que li e anotei sobre Cézanne o fiz, o tempo todo, horas a fio, com  música de Jimi Hendrix.  O velho e  tocante blues, catapultado ao futuro pela guitarra mais inventiva que ouvi. Hoje, se confirma, Jimi Hendrix está à frente da indústria cultural que não o suportaria hoje.  E tão poderosa guitarra que nos faz rir de alegria diante do mais triste e arrasador blues. A tragédia pessoal que o acometeu parece apenas uma anedota diante de seus solos pulsantes. Vivificadores.

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Cézanne e Picasso. Qual é o tempo de Cézanne?

“É uma estranha experiência descobrir de repente que Cézanne não conduz necessariamente a Picasso, mas ao contrário, vem de novo depois dele. Um outro “antes”? Um outro “depois”? Uma desorientação da história da arte, tão arraigada a suas classificações, seus encadeamentos, suas casualidades mecânicas? Um outra pergunta da história? Cézanne como recusa do mito da modernidade, sem que possa de modo algum significar uma volta ao passado? Cézane não PASSANDO, mas tornando-se sem cessar o que ele foi? 

Qual é o TEMPO de Cézane?”.

O Paraíso de CÉZANNE, de Philippe Sollers . [ Biblioteca Mário]

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Essas anotações são estudos muito preliminares. Há afirmações,  como essa

“Na verdade, todas as árvores são de Cézanne, deveríamos chamá-las assim. Os pinheiros, sobretudo? Sim, mas também as outras árvores”,

precisam de uma capacidade de ver que não tenho. Consigo ver que são coisas totalmente criadas, como desejava Cézane, um natureza a Cézanne – sem poder ter total certeza disso, pelo meu incipiente conhecimento (além de tudo, o pouco conseguido é através de reproduções, pálidas ideias de pintura).  E fico querendo ver mais, e mais e mais. Mas Philippe Sollers adverte:

“Muito poucos indivíduos VÊEM. Isto é mais que estranho, mas é assim. Não devemos, portanto nos surpreender se o menor espetáculo tem, sobre a maioria, tanto efeito. As vociferações, os programas, o dinheiro, o circo, a televisão, o poder, isto é que é normal no que se poderia chamar de psicose narcísica endêmica do gênero humano”.

E Cézanne:

“Eu vos devo a verdade em pintura, e a direi”

Philippe Sollers:

“Então você verá que não vê. Poderá aprender que passa seu tempo sem querer ver nem saber”

Consigo ver sim que não são naturezas mortas, mas coisas bem vivas. E Philippe Sollers faz várias afirmações bastante categóricas que não tenho a menor condição de avaliar. Mas é evidente que não é um crítica bem comportada, facilmente aceitável. Cita, para abonar suas interpretações, Nietzsche, Heidegger, Rimbaud, Lautréamont e Ducasse. E desenca, em particular, Zola e, um pouco, Sartre e Camus.

Há em mim uma ansiedade para dominar esta discussão com todas estas leituras. Há angústia de só poder ver reproduções dos quadros. Mas, mesmo em reproduções, há a determinação de ver e ver. E diz Philippe Sollers que Cézanne achava a pintura mais forte que a vida e a morte. E queria morrer pintando,  o que de fato aconteceu.



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Cézanne não é contemporâneo de Zola, diz Philippe Sollers,  como  Zola quis retratar em L’OEUVRE. Obra que levou Cézanne a romper com o amigo de juventude. Ele volta ao passado, sem ser passadista, volta a  Delacroix e Coubert, para dar um salto, como afirma Philippe Solers, para além de Picasso. Picasso e Matisse  que endeusam Cézanne, à contracorrente da direita e da esquerda.

Mas são as mesmas questões colocadas para Michelangelo Buonarroti. Também recusa seu tempo. Volta ao passado dar um salto à frente. Me parece uma das grandes questões da arte este retorno ao passado para alçar voo ao futuro.

Isso parece um constante em grandes criadores, na pintura , que foram anotados em posts do jornaldoporao : El Greco, Michelangelo Caravaggio e Giacometti. Pretendo, breve, fazer um leitura do “ABC da Literatura”, de Ezra Pound que estuda isso em literatura.

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FREUD

Freud dividiu o homem em duas metades, como fez Platão. Metade desejo(Eros), metade Tanatos, ou a pulsão de morte. Para Phillipe Sollers o erro de Freud está na proporção, pois a pulsão de morte ocupada 99 por cento dos caminhos da humanidade, em velocidade crescente. O restante um porcento seria a pintura de Cézanne e outras realizações que afirmam a vida.

E Cézanne se coloca diante da questão: “Não seja crítico de arte! Faça pintura! Aí está a salvação!

“Eros, veja bem, você pode comtemplá-lo de imediato num das últimas telas de Cézanne, NATURE MORTE AVEC L’AMOUR EN PLÂTRE (“natureza morta”!), onde as cebolas dispensam qualquer comentário em face da pintura de uma moldagem – uma estátua de Puget – cheia de energia. Como introduzir a escultura NA pintura, um espaço em outro espaço, um tempo em outro tempo?

Quando, nos EUA,  um menino de 6 anos sai algemado da escola por ter beijado no rosto um colega de 8 anos. Quando a Academia de letras censura uma conferência do professor Jorge Coli, porque ilustrava a sua exposição com o quadro, Origem do Universo, de Courbet (um dos ídolos de Cézanne) e não temos reação quase nenhuma é que o diagnóstico de Philippe Sollers é aterradoramente verdadeiro:

“É finalmente surpreendente que Freud tenha acreditado que devia introduzir uma simetria entre o desejo erótico e a morte, Eros e Tânatos, recorrendo para isto à fábula platônica de uma unidade sexual dividida à procura de si mesma. Dois gêmeos eternos em luta um contra o outro? GÊMEOS, verdadeiramente? Opostos? Prosseguir nesta via diagnosticando uma doença na civilização ou futuro de uma ilusão era, de fato, o menos importante. Aliás, nós não estamos mais doentes disso, não, a catástrofe ocorreu, ganhou depois, se se pode dizer assim, velocidade de cruzeiro. Continuamos a pensar miticamente por complementaridade, mas a morte e pulsão não ocupam a “metade” da cena humana. Noventa e nove por cento? Isto parece mais exato. Este “um por cento” de Eros, veja bem, você pode comtemplá-lo de imediato numa das últimas telas de Cézanne, NATURE MORTE AVEC L’AMOUR EN PLÂTRE(“natureza morta”!)”.

 

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nota sobre o pequeno cupido

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Uma “natureza morta” explicitamente erótica, pelo que sugere a concha vivamente pintada de carmesim. E para o simbolismo “QUAL É O TEMPO DE CÉZANE?”, notar que o relógio não tem ponteiro. Neste La Pendule Noire (o relógio negro), este substitui a caveira como símbolo da morte. Mas a concha gigantesca simboliza a vida, ao lembrar explicitamente uma xoxota.

“…e ele é ERÓTICO em um por cento num mundo movido noventa e nove porcento pela vontade de esmagamento, de igualização e morte”. p. 35

<img class=” wp-image-5649 ” title=”Sucrier, Poires et Tasse Blue., 1863-1865, Musée Granet, Aix-en-Provence. Biblioteca Mário VII-071.004 B001c detalhe .Cézanne, Les Natures Mortes, Jean-Marie Baron e Pascal Bonafoux, ed. Herscher” alt=”” src=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2012/09/biblioteca-mc3a1rio-vii-071-004-b001c-detalhe-3.jpg&#8221; width=”360″ height=”259″ /> Sucrier, poires et tasse bleue.” Como introduzir a escultura NA pintura, um espaço em outro espaço, um tempo em outro tempo?”, Philippe Sollers. Cores modeladas, em grossas camadas, pela epátula também é trazer a escultura para a tela.

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O INACABADO.

“O acabado desperta a admiração dos imbecis”,    escreve Cézanne à sua mãe, depois de 1874.

“Não devo procurar completar a não ser pelo prazer de fazer mais verdadeiro e o mais correto”:  Cézanne

A mulher de Cézanne: “Sabe, Cézane não sabia o que fazia. Não sabia como acabar seus quadros. Renoir e Monet, sim, estes conheciam seu métier de pintor”.

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Philippe Sollers, “O Paraíso de Cézanne:

“Diz-me o que saber ver num quadro e eu lhe direi se conhece verdadeiramente a poesia, toda a poesia”

Cézanne:

“A cor é um ponto em que nosso cérebro e o universo se encontram, eis por que ela se manifesta tão dramática no verdadeiro pintor”.

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Cézanne por Rilke

“Por que este pintor mais que os outros?

Mas é precisamente Rilke que nos responde, em outubro de 1907, em Paris. Ele VÊ Cézanne.

“A grande harmonia de cores da mulher na poltrona vermelha é, na minha lembrança, tão difícil de rememorar quanto um número de muitos algarismos. E, no entanto, guardei muito bem na memória um algarismo após outro. Em meu sentimento, a consciência de que esta harmonia existe transformou-se numa espécie de exaltação que experimento mesmo quando durmo; meu sangue a descreve em mim, mas as palavras passam ao lado em algum lugar, sem serem admitidas dentro de mim”

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“Voltar-se para o aberto”: afirmar a vida.

“Voltar-se para o aberto”?      (ou seja, a renúncia de ler “negativamente o que é”).      O que, para mim, é o mesmo que afirmar a vida.    “Sim, trata-se aqui, sem dúvida, de Rilke, poeta em tempo de desgraça, como Holderlin ou Rimbaud. Cézane é um pintor em tempo de desgraça. Ele pinta no mesmo tempo em que a paixão metafísica antimetafísica de Nietzsche. Ele é também um homem do mais fundo, do sem fundo, um explorador, plano por plano, do mais íntimo do coração, lá onde Pensamento e Memória, Pensamento e Reconhecimento, Pensamento e Sensação meditam juntos”.

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“o ver não se determina a partir do olho mas a partir da abertura do ser”. Heidegger

Phippe Sollers:  “Em qualquer momento a derrapagem é possível; cair-se na anedota, a visão de época e, finalmente, o preconceito, como esses ideólogos apressados de hoje que, quando se pronuncia o nome do único pensador à altura de nosso tempo, Heidegger,  respondem pavlovianamente, “nazista”, sem se dar conta do que gerou o nazismo”

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Une moderne Olympia(1873-1874)

“Olhamos UNE MODERNE OLYMPIA (1873-1874). Cézanne aceita o desafio de Manet: ele supera a situação exterior do observador de quadros, recusa a comtemplação fascinada ou aterrorizada da cena, ele puxa a cortina, intervém na cena, provoca erupção na sua própria visão movimentada e solitária. A OLYMPIA? Ela é minha e para mim…Não a divido com ninguém…” : Philippe Sollers, p. 62.

Poema de Cézane:

Eis a moça de nádegas carnudas!

Como ela exibe bem em em meio ao prado

Seu corpo flexível, esplêndido desabrochador!

A serpente não é capaz de tanta sinuosidade,

E o sol brilhando lança complascente(sic)

Seus raios dourados sobre esta carne bela.

Trad. Ferreira Gullar.

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correção: complascente é complacente.

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Cézanne e Rodin

<img class=”size-full wp-image-5694″ title=”Biblioteca Mário VII-071.004 R001o” alt=”” src=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2012/10/biblioteca-mc3a1rio-vii-071-004-r001o.jpg&#8221; width=”450″ height=”285″ /> Rodin, Le Rêve (O sonho), 1899

Philippe Sollers faz um lista de detratores de Cézanne .   “Assim é este pintor ridicularizado ou insultado pela Direita; ignorado ou desprezado pela esquerda; tratado como fracassado por Zola e como imbecil por Breton; considerado como um Deus por Picasso e Matisse”. Também foi chamado de “degenerado, burguês decadente, esteta impotente, pequeno burgues reacionário, traidor dos valores”. Ver p. 55-56. E Zola ao escrever L’OEUVRE, queria no fundo qu Cézanne se matasse. E desde esta obra de Zola que os amigos que eram banhistas nus e amigos de juventude tornaram-se inimigos.

Nos detratores modernos lista Sartre e Camus.

Mas, lembrando-me do livro  “O Ateliê de Giacometti”, de Jean Genet [https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/06/11/giacometti-por-jean-genet/] onde Genet diz:  

Quando anotei algumas passagens  dos  livros de Jean Genet e de Sartre sobre Giacometti, coloquei a questão importante para mim: que Giacometti retratatava um home desencantado e que Sartre e Genet flertavam com um certo desejo de morte e dor. A grandeza aterradora de Giacometti talvez esteja, usando o que diz Philippe Sollers da análise de Freud sobre o homem: talvez Giacometti retrate, ou melhor ainda, esculpe, um homem devastado pelo desejo de morte, ou seja, descreve os 99 por cento. Este homem de Giacometti seria então o homem derrotado.

As caveiras de Cézanne, para Philippe Sollers, não tem nada  a ver com a iconografia católica, dos santos que desprezam a vida, apesar de Cézanne se dizer católico.  E nem mesmo contém morbidez. Mas apenas retratam vida e morte, e pratica cores e cria objetos, assim como pinta laranjas e peras. Cita Cézanne que diz que é uma metafísica para sair da metafísica. Como seu desejo de morrer pintando, mas não um desejo de morrer ou de sacrifício, mas a alegria de ir até um fim no seu ofício de criar novas coisas. E foi assim que a tempestade o pegou nos bosques de Aix-an-Provence, aos 83 anos.

Biblioteca Mário VII-071.004 B001c

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O BANHO

Estas anotações já estão ficando longas demais, mas há uma discussão sobre se a obra é explicada por uma psicologia, pela vida de um artista. Mas que há influências que devem ser levantadas e que Philippe Soller, não partidário de um psicologismo, julga pertinente. Que é a história do banho:

“Ah, esta história do “banho”! Trata-se de uma fonte de juventude, de uma cerimônia purificadora, de um batismo? Claro, claro, e de muitas outras coisas mais. A pintura é um banho, ELA SE NADA. Qual diversão lhe agra mais? perguntaram a Cézanne. Resposta: a natação. Na pintura é preciso comportar-se como um peixe dentro d’água”.

E continua, agora com uma referência na mitologia grega que desconheço: “As BANHEUSES de Cézane são suas Vitórias, no sentido grego. Vitória como Victoire de Somothrace.” E não um mito cristão.  Anotado aqui para conferir e estudar, já que Philippe Sollers dá grande importância a esta comparação e pela recorrente pesquisa que Cézane faz sobre o tema “banhistas”.

Mas há outra afirmação que é preciso conferir e estudar.

“Não é proibido olhar de vez em quando o BAPTÊME DU CHRIST de Piero della Francesca e o GRAND BAIGNEUR de Cézane. Se você não percebe o que pretendo dizer, ão posso fazer muita coisa para ajudá-lo”

É um repto de Philippe Sollers. Uma provocação. Começar a dizer que são grandes pintores ou grandes pinturas nada acrescentará. Que banho e batismo são o mesmo tema,  o próprio autor já tinha levantado.

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Zola e Cézanne

o amigo de juventude que se tornou, no que lhe dizia respeito, odiosamente desprezível: Zola”.p.15

Zola, ao escrever L’Oeuvre, que no fundo que Cézanne se mate”.p. 20

“Vollard a Zola:

Você possui quadros de Cézanne?

Zola: Eu os havia escondido a casa de campo. Mas jamais os penduraria na parede da minha casa… Os quadros de Cézanne estão trancados ali naquele armário, longe dos olhares malvados. Não me peça que os tire de lá, pois me daria muita pena… Foi pensando nele que escrevi L’OEuvre. O público se apaixonou por esse livro mas Cézanne se manteve fechado. Nada mais poderá arrancá-lo de seus delírios: pouco a pouco, ele se afastará cada vez mais do mundo real”

“Zola, ex-banhista visto nu por Cézanne, sente tão bem o perigo físico (ou, mais exatamente, metafísico) que ele agrava o julgamento em 1896: “É preciso que se diga, nenhum grande pintor novo se revelou,nem um Ingres, um Delacroix, um Courbet”.

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A COR É O LUGAR ONDE NOSSO CÉREBRO E O UNIVERSO SE ENCONTRAM

Bold As Love
ANGER!

he smiles,
towering in shiny metallic purple armour
Queen Jealousy, envy waits behind him
Her fiery green gown sneers at the grassy ground

Blue are the life-giving waters taken for granted,
They quietly understand
Once happy turquoise armies lay opposite ready,
But wonder why the fight is on
But they’re all bold as love, yeah, they’re all bold as love
Yeah, they’re all bold as love
Just ask the axis

My red is so confident that he flashes trophies of war,
and ribbons of euphoria
Orange is young, full of daring,
But very unsteady for the first go round
My yellow in this case is not so mellow
In fact I’m trying to say it’s frigthened like me
And all these emotions of mine keep holding me from, eh,
Giving my life to a rainbow like you
But, I’m eh , yeah, I’m bold as love
Yeah, yeah
Well I’m bold, bold as love (hear me talking, girl)
I’m bold as love
Just ask the axis (he knows everything)
Yeah,
yeah,
yeah!

Valentes Como o Amor
Raiva!

Ele sorri,
Defendendo-se em uma armadura roxa brilhante e metálica
Rainha do ciúmes, a inveja espera atrás dele
Seu ardente vestido verde zomba sobre o chão gramado

Azuis são as águas revigorantes tomadas por certas,
Elas até que entendem
Uma vez felizes exércitos turquesa se situam opostos e prontos,
Mas imaginam a razão da luta acontecer
Mas eles todos são valentes como o amor, sim, eles todos são valentes como o amor
Sim, eles todos são valentes como o amor
Apenas pergunte ao áxis

Tradução do Google

VERSÃO INSTRUMENTAL DE BOLD AS LOVE

E foi em 20 de outubro que Marie Cézanne, a irmã do pintor, escreveu ao sobrinho:
“Teu pai está doente desde 2a. feira… Ele ficou exposto à chuva durante várias horas; trouxeram-no numa carreta de limpeza e foi preciso dois homens para pô-lo na cama. No dia seguinte, já de manhã, ele foi para o jardim trabalhar no retrato de Vallier sob o pé da tília; quando voltou estava morrendo. Você conhece seu pai; não preciso dizer mais nada….seu pai montou seu ateliê no quarto de vestir de sua mãe e não está disposto a sair de lá tão cedo…
“A mulher de Cézanne e seu filho chegaram depois da morte dele. Fala-se que Hortense partiu tarde demais para Aix por não querer desmarcar um encontro com sua modista. Cézanne, de qualquer modo, havia mudado definitivamente de ateliê.
Cézanne? Onde está?
Por toda parte e em parte alguma.
No fundo do jardim do Tempo, sob o pé de tília.” Philippe Sollers, junho de 1995
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III – O negro como protagonista na pintura antes do século XX

30/09/2012

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8. Paul Cézanne: O Negro Cipião (30)

A pincelada fluida e construtiva, os brancos intensos, a exagerada extensão de alguns membros, como os braços, o abandono da pose traduz a condição humana do modelo. Nessa obra Cézanne abre o caminho da arte contemporânea desvendando a autonomia da forma em relação aos dados da realidade, e a sua natureza emotiva.


1866-1868 / Cézanne
O negro Cipião
107 x 83 / Óleo sobre tela
Ver link 01

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Clique sobre as fotos para ver em grande formato
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link

01. AS 100 MARAVILHAS: MOSTRA DE OBRAS DE ARTE SOBRE CAVALETES DE VIDRO

ARQUITETO JULIO NEVES / PRESIDENTE DA DIRETORIA DO MASP

 

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01 . https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/09/08/ii-o-negro-como-protagonista-na-pintura-antes-do-seculo-xx-3/

02. https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/07/24/o-negro-na-pintura-antes-do-seculo-xx/