Pornografia é o sexo dos outros, erotismo o meu.

01/12/2013

Nuvens

nua vens
eu nas
nuvens, Oswaldo Martins

Censura e obscurantismo se inserem na mentalidade de nossos tempos, marcados pelo gosto doentio em patrulhar, vigiar e punir; mas quem nos protegerá dos puros?

Jorge Coli,  neste artigo lincado acima,  denunciando a demissão de um professor, por ser poeta. Os puros perguntarão nas suas mentes sórdidas, é poeta erótico? É pornográfico? E se juntam aos ascetas, padres, pastores, policiais e à uma esquerda, que se diz esquerda, moralista. E como a esquerda não moralista se posiciona quanto ao erotismo/pornografia. Uma boa anedota que justifica unir as duas palavras: “qual a diferença entre erotismo e pornografia? Erotismo é o sexo que eu faço, pornografia o dos outros”.

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links

01. Artigo de Jorge Coli na Folha de São Paulo
02. Blog do professor OSWALDO MARTINS
03.Jorge Coli comenta o episódio de censura na ABL
04. Conferencista acusa ABL de censura – Palestra do historiador Jorge Coli teve transmissão pela internet suspensa por tratar de sexo
05. A conferência de Jorge Coli, sem a censura da ABL
06. Blog de Jorge Coli: augôsto augusta – r. augusta 2161 sp
07. Oswaldo Martins Lê seus poemas
08. Pornografia foi usada para subverter a arte nos anos 80 – ARTE & DESIGN
08. A piscadela da diaba, Oswaldo Martins
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01. Obras de arte proibidas à esquerda e à direita: Gustave Courbet. Este post, do jornaldoporao, falava dessa obra que ficou escondida ou censurada por 128 anos. Depois disso, Jorge Coli, foi censurada, ou pior, teve sua conferência na internet interditada, suprimida, porque usava a palavra boceta (que grafo buceta), para falar desse quadro. Um dos donos, o psicanalista Lacan, a escondeu por 30 anos.

A Origem do Mundo, Gustave Courbet

A Origem do Mundo, Gustave Courbet

links

01. Análise da obra “A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet
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links

01. outros poemas eróticos: Bertolt Brecht, outros e outras

Eliane Pantoja Vaidya
Me comovem

Me comovem
tuas mãos limpas
e tua boca suja

02.Isabel Machado, Primeiro suspiro (Arromba!Por todos os meus lados puritanos)

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A Puta, Carlos Drummond de Andrade

26/09/2012


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na Rua de Baixo
onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
e labaredas torram a língua
de quem disser: Eu quero
a puta
quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
de longe. Na mata do cabelo
se abre toda, chupante
boca de mina amanteigada
quente. A puta quente.
É preciso crescer
esta noite a noite inteira sem parar
de crescer e querer
a puta que não sabe
o gosto do desejo do menino
o gosto menino
que nem o menino
sabe, e quer saber, querendo a puta.

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o1. FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.
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link

01. Beijo da Rua

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01. Ana de Amsterdã, elogio a uma prostituta triste e arrependida.
02.Um artigo do Jornal Beijo da Rua
03.Me Gustán las Muchachas Putanas, Mário Bortolotto
04. puta, Newton Peron


Roberto Piva. A PIEDADE. Com Antônio Abujamra

12/06/2012

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A Piedade

Roberto Piva

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso


meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos


roberto piva

09/06/2012

VÍDEOS DE ROBERTO PIVA LENDO ESTES POEMAS


PRAÇA DA REPÚBLICA DOS MEUS SONHOS
Roberto Piva

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde García Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa

A PIEDADE Roberto Piva

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos
marcadores: by Roberto Piva in Paranóia (1963) – postado por Uiliam Ferreira Boff

METEORO
Roberto Piva

Eu direi as palavras mais terríveis esta noite
enquanto os ponteiros se dissolvem
contra o meu poder
contra o meu amor
no sobressalto da minha mente
meus olhos dançam
no alto da Lapa os mosquitos me sufocam
que me importa saber se as mulheres são
férteis se Deus caiu no mar se
Kierkegaard pede socorro numa montanha
da Dinamarca?

os telefones gritam
isoladas criaturas caem no nada
os órgãos de carne falam morte
morte doce carnaval de rua do
fim do mundo
eu não quero elegias mas sim os lírios
de ferro dos recintos
há uma epopéia nas roupas penduradas contra
o céu cinza
e os luminosos me fitam do espaço alucinado
quantos lindos garotos eu não vi sob esta luz?

eu urrava meio louco meio estarrado meio fendido
narcóticos santos ó gato azul da minha mente
Oh Antonin Artaud
Oh Garcia Lorca
com seus olhos de aborto reduzidos
a retratos

almas
almas
como icebergs
como velas
como manequins mecânicos
e o clímax fraudulento dos sanduíches almoços
sorvetes controles ansiedades
eu preciso cortar os cabelos da minha alma
eu preciso tomar colheradas de
Morte Absoluta
eu não enxergo mais nada
meu crânio diz que estou embriagado
suplícios genuflexões neuroses
psicanalistas espetando meu pobre
esqueleto em férias

eu apertava uma árvore contra meu peito
como se fosse um anjo
meus amores começam crescer
passam cadillacs sem sangue os helicópteros
mugem
minha alma minha canção bolsos abertos
da minha mente
eu sou uma alucinação na ponta de teus olhos

[clique aqui para vários vídeos com Roberto Piva ]

MAIS LIDOS DE 2011
343 acessos. É o terceiro post do ano. Mas é muito pouco para o grande Roberto Piva. Há uma anedota atribuída Hans Magnus Enzensberger, de o Naufrágio do Titanic, que chamaram de constante de Enzensberger, de que, independente da população de um país, seja a Islândia ou a China, só tem mil leitores de poesia. Então Roberto Piva ainda está por cima.


me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

11/05/2012

Literatura – De Mário Bortolotto, Me Gustán las Muchachas Putanas

Na voz de Mário Bortolotto

Me Gustán las Muchachas Putanas

Dessas que chupam as bolas,
que entram de sola.
Das que não têm meio termo,
que abrem as pernas
e não pedem arrego.
Dessas depiladas, peladas, liberadas,
eu as quero desarmadas,
eu as quero de boca esporrada,
eu as quero do jeito que for,
eu as quero tocando bongô,
com a boca no microfone,
chamando meu nome,
no meio da chuva.
Dessas que passam gel no cabelo,
que a gente flagra no banco traseiro do carro.
Dessas que dizem os diabos,
que agarram o seu pescoço,
que sempre tem um troco.
Dessas com aros em forma de brinco,
que sabem segurar um pinto,
essas entendem o que eu sinto,
essas sabem que eu não brinco.
Elas se entopem de vodca,
assistindo MTV,
essas nunca vão chorar por você,
elas não vão mentir pra você,
elas não têm porquê.
Elas não vão contar história,
elas não vão dizer que você foi a melhor foda,
não vão querer o seu sangue, só o seu dinheiro,
não vão querer flores nem caixa de bombons,
não te arrastam pra igreja,
elas só se enxarcam de cerveja.
E se eu digo ‘pra mim chega’,
elas guardam o batom e vão embora.
Elas nunca estão de calcinha quando descem as escadas,
elas estão sempre dançando, mordendo,
chegando de táxi a uma da manhã,
elas não são puras, elas são putas.
Elas não querem o céu,
elas não sabem quem é Nina Simone,
elas não querem meu número de telefone.
Paixão elas tiram de letra,
elas encaram qualquer treta,
com uma bela chave de buceta.
Eu adoro essas putas loucas,
caindo de boca,
que nunca ouviram um blues,
elas fazem chupeta
e dão o cu.
Eu as quero sujas,
num beco escuro, atrás do muro,
meu pau duro abrindo caminho,
desprezando carinho,
fissura de vinho na segunda-feira,
gozando de primeira,
comendo pastel na feira.
Eu as quero maquiadas,
peladas, desbocadas,
a mi me gusta.
Que se fodam as puras,
que gozem as putas.

MAIS LIDOS DE 2011
Foram 260 acessos até 03/05/2012

Lançamento da 33ª edição da Revista
Studium será no dia 11 de maio

Divulgação Studium
O lançamento da 33ª edição da Revista Studium, patrocinada pelo Fundo de Investimento de Campinas (FICC) da Secretaria de Cultura de Campinas, será realizado no dia 11 de maio, às 12 horas, na Galeria do Instituto de Artes da Unicamp e estará disponível no mesmo dia no site


AMOR CRISTÃO, de Marcelino Freire

20/02/2011

Publicado, aqui neste jornaldoporao, em 20 de fevereiro de 2010. Neste um ano, é um texto sempre lido. E quando vou falar deste blog acabo recomendando sua leitura. Então aqui vai, republicado, AMOR CRISTÃO, de Marcelino Freire, neste 20 de fevereiro de 2011.

Amor é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga. Na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa. Como todo grande amor. A sua marca.

Amor é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que a minha mulher fez para aquele pentelho comer. Filhinho de papai. Lá no cativeiro. Por mim ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta. Meu irmão. Amor que sobe. Desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que de repente nos assalta. Sem explicação. Amor salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue. Meu filho. Não é amor.

Do “Rasif – mar que arrebenta” (ed.Record, 2008)


A CRISE DO CAPITAL – AS GUERRAS DE OBOMA E O ATUAL MOMENTO DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL, com Gilson Dantas

28/09/2010

CONVITE PARA A PRÓXIMA ATIVIDADE NA CASA HERMÍNIO SACCHETTA, sexta-feira 01/10/2010
“Aproveitamos para fazer dois convites: Neste dia primeiro (sexta-feira), teremos um debate com Gilson Dantas, editor da revista Contra a Corrente e militante da LER-QI, sobre as Guerras de Obama e o atual estágio da crise econômica mundial;




sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 080

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

e no dia 2 (sábado), exibiremos o filme 4 meses, 3 semanas e 2 dias, seguido de um debate com o grupo de mulheres Pão e Rosas sobre a legalização do aborto (confira aqui a programação completa). Compareçam!”

SARAU UM GRANDE SUCESSO




sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 062

Upload feito originalmente por Jornal do Porão




sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 063

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

O lançamento da Casa Hermínio Sacchetta, na sexta-feira foi um tremendo sucesso, as 200 pessoas que por lá passaram sabem disso e os leitores deste Jornal do Porão também. Mas um sarau onde passaram mais de 100 pessoas e que, no momento de maior público, tinha 85 atentos participantes das leituras e falas de poemas, tanto de poetas consagrados como de poetas do público. Foi um momento único. Portanto difícil será repetir. E para quem não viu, tento dar uma pálida e fragmentária idéia do que lá se passou através de um álbum de fotografias que está no flickr.




sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 053

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Para ter acesso ao álbum é só colocar o mouse sobre a foto aqui

E para ter um balanço dos organizadores vá ao blog da casa Hermínio Sacchetta, clicando aqui

Na próxima sexta-feira, 01/10, terá um debate sobre A CRISE DO CAPITAL – AS GUERRAS DE OBOMA E O ATUAL MOMENTO DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL, com Gilson Dantas. Veja convocatória completa no blog da Casa Hermínio Sacchetta