Pornografia é o sexo dos outros, erotismo o meu.

01/12/2013

Nuvens

nua vens
eu nas
nuvens, Oswaldo Martins

Censura e obscurantismo se inserem na mentalidade de nossos tempos, marcados pelo gosto doentio em patrulhar, vigiar e punir; mas quem nos protegerá dos puros?

Jorge Coli,  neste artigo lincado acima,  denunciando a demissão de um professor, por ser poeta. Os puros perguntarão nas suas mentes sórdidas, é poeta erótico? É pornográfico? E se juntam aos ascetas, padres, pastores, policiais e à uma esquerda, que se diz esquerda, moralista. E como a esquerda não moralista se posiciona quanto ao erotismo/pornografia. Uma boa anedota que justifica unir as duas palavras: “qual a diferença entre erotismo e pornografia? Erotismo é o sexo que eu faço, pornografia o dos outros”.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

01. Artigo de Jorge Coli na Folha de São Paulo
02. Blog do professor OSWALDO MARTINS
03.Jorge Coli comenta o episódio de censura na ABL
04. Conferencista acusa ABL de censura – Palestra do historiador Jorge Coli teve transmissão pela internet suspensa por tratar de sexo
05. A conferência de Jorge Coli, sem a censura da ABL
06. Blog de Jorge Coli: augôsto augusta – r. augusta 2161 sp
07. Oswaldo Martins Lê seus poemas
08. Pornografia foi usada para subverter a arte nos anos 80 – ARTE & DESIGN
08. A piscadela da diaba, Oswaldo Martins
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

pingback

01. Obras de arte proibidas à esquerda e à direita: Gustave Courbet. Este post, do jornaldoporao, falava dessa obra que ficou escondida ou censurada por 128 anos. Depois disso, Jorge Coli, foi censurada, ou pior, teve sua conferência na internet interditada, suprimida, porque usava a palavra boceta (que grafo buceta), para falar desse quadro. Um dos donos, o psicanalista Lacan, a escondeu por 30 anos.

A Origem do Mundo, Gustave Courbet

A Origem do Mundo, Gustave Courbet

links

01. Análise da obra “A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

01. outros poemas eróticos: Bertolt Brecht, outros e outras

Eliane Pantoja Vaidya
Me comovem

Me comovem
tuas mãos limpas
e tua boca suja

02.Isabel Machado, Primeiro suspiro (Arromba!Por todos os meus lados puritanos)

Anúncios

TARSILA do Amaral: A Negra

11/06/2013
Coleção Folha

Coleção Folha

Iemanjá, séc. XIX e a Negra de Tarsila do Amaral

Iemanjá, séc. XIX e a Negra de Tarsila do Amaral

Veja Além do sentimento religioso, há um tom de lembrança em sua pintura…

TARSILA – Um dos meus quadros que fez muito sucesso quando eu o expus lá na Europa se chama A Negra. Porque eu tenho reminiscências de ter conhecido uma daquelas antigas escravas, quando eu era menina de cinco ou seis anos sabe? escravas que moravam lá na nossa fazenda, e ela tinha os lábios caídos e os seios enormes, porque, me contaram depois, naquele tempo as negras amarravam pedras nos seios para ficarem compridos e elas jogarem para trás e amamentarem a criança presa nas costas. Num quadro que pintei para o IV Centenário de São Paulo eu fiz uma procissão com uma negra em último plano e uma igreja barroca, era uma lembrança daquela negra da minha infância, eu acho. Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, como um belo por-de-sol ou essa negra, eu estilizo.”

“Diversos já escreveram sobre A negra de Tarsila do Amaral, destacando sua muita ou pouca ousadia face aos padrões vanguardistas, a reminiscência do passado colonial ou pessoal, enraizado nas fazendas do interior paulista. A foto de uma antiga empregada de família [Figura 11] é costumeiramente reproduzida para enfatizar a relação afetiva da artista com seu tema, sugerindo uma possível origem iconográfica[32]. Todavia, sempre que vejo a reprodução de uma pequena imagem de Iemanjá do séc. XIX [Figura 12[33], não posso deixar de reconhecer nela a negra de Tarsila.” Algo além do moderno: a mulher negra na pintura brasileira no início do século XX . Maraliz de Castro Vieira Christo

………………………….………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

links

01. Entrevista concedida a revista Veja (23/02/1972), a Leo Gilson Ribeiro, aos 75 anos. VEJA:
02. Algo além do moderno: a mulher negra na pintura brasileira no início do século XX , Maraliz de Castro Vieira Christo
03. A Negra, MAC/USP


Toda beleza das coisas nasceu da pintura: LEON BATTISTI ALBERTI

29/10/2012

“Talvez não se encontre arte de algum valor que não tenha vínculo com a pintura, de tal forma que se pode dizer que toda beleza que se encontra nas coisas nasceu da Pintura

“O texto de Alberti que se vai ler é o primeiro, na literatura artística, a constituir a pintura como objeto de teoria e doutrina sistematizadas”: Leon Kossovithc na Apresentação de Da Pintura, de Alberti.

“Em que grau contribuiu a pintura para as justíssimas delícias do espírito e para a beleza das coisas pode-se ver não apenas de outras coisas, mas principalmente do seguinte: não se pode conceber nada tão precioso que não tenha se tornado muito mais caro e gracioso pela pintura. O marfim, as gemas e outras coisas caras do gênero tornam-se mais preciosos pela mão do artista.  Até o outro trabalhado com a arte da pintura se equipara a muito mais ouro não trabalhado. Até mesmo o chumbo, o mais barato dos metais, transformado em figura pelas mãos de Fídias ou Praxiteles será tido como mais valioso que a prata.”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

NÃO FOI O MERCADO CAPITALISTA DAS ARTES QUE SUPERVALORIZOU OS QUADROS, COMO COMUMENTE SE DIZ

“Zêuxis pôs-se a doar suas obras porque, como dizia, não podiam ser compradas. Pensava ele que era impossível achar um preço justo que satisfizesse a quem, figurando, pintando animais, se assemelhava quase a um deus”

VÁRIOS PINTORES RETRATARAM A LENDA DE ZÊUXIS

Francesco Solimena – Zeuxis and the Maidens of Croton

Edwin Longesden Long – The Chosen Five (Zeuxis at Crotona)

“Registram-se preços inacreditáveis de quadros pintados. O tebano Aristides vendeu uma só de suas pinturas por 100 talentos.”    (*)

“Dizem que Rodes não foi incendiada pelo rei Demétrio de medo que um quadro de Protógenes pudesse ser destruído. Podemos dizer aqui que a cidade de Rodes foi resgatada do inimigo por uma única pintura”

“Assim, esta arte proporciona prazer, aos que a praticam, e glória, riquezas e fama eternas, aos que nela são mestres”

(*) 100 TALENTOS:  por volta de 342 gramas de ouro, equivalente com o preço do ouro hoje, quase 50 mil reais. Ver tabela

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

CIRCUNSCRIÇÃO, A ORLA, A LINHA

“A circunscrição nada mais é que o delineamento da orla, que se for feito com linha muito aparente, não indicará ser margem da superfície, mas uma fenda…Nenhuma composição e nenhuma recepção de luz se pode louvar onde não exista uma boa circunscrição;:Alberti

A casa do enforcado, Cézanne, 1872; 417 anos depois da questão colocada por Alberti.

A mesma questão na pintura de Cézanne parece ter solução diferente ( conforme “Cézanne, Grandes Mestres, Abril Coleções VII-072.060 Coo1g):   “Desapareceram também os contornos dos objetos, antes traçados com lápis ou carvão vegetal, abrindo espaço em alguns casos para linhas sutis sem pintura, que assinalam os limites entre os vários elementos”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

A COR

Cézanne: “Não há senão um caminho para expressar totalmente, para o interpretar: a cor . A cor está viva: por si só torna viva as coisas”.  O texto do fascículo “A Grande Arte na Pintura” da editora Salvat comenta(VII-073.059 C001s): “Esta foi outra das grandes lições que os pintores do nosso tempo descobriram  na obra de Cézanne”

“Dizem que Zêuxis, pintor muito antigo e famoso, foi quase o príncipe dos pintores por conhecer a força da luz e da sombra”. Alberti, Da Pintura, 1435

“A luz tem força para variar as cores, ensinamos como uma mesma cor, de acordo com a luz que recebe, altera sua aparência”. Alberti

“Concordo que muito contribuem pra a graça e o prestígio da pintura a copiosidade e variedade das cores. Gostaria , porém, que os pintores doutos estivessem convencidos de que o ponto mais alto da competência e da arte está em saber usar o branco e o preto…”Alberti

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“arte agradável aos doutos e indoutos”

“Quanto a mim considero o deleite da pintura como o melhor indício do mais perfeito engenho, embora ocorra que essa arte seja agradável tanto aos doutos quanto aos indoutos.  Em qualquer outra arte raramente acontece  que agrada ao experiente possa comover o inexperiente, nem é frequente encontrar quem não deseje grandemente ser versado em pintura”
“inúmeros cidadãos romanos ensinavam aos filhos a pintura, ao lado das práticas para viver bem e feliz. Esse excelente costume era bem mantido pelos gregos. Eles queriam que seus filhos, bem instruídos, aprendessem a pintura, lado a lado com a geometria e a música. Até mesmo para as mulheres era um honra saber pintar. Márcia, filha de Varrão, é louvada pleos escritores porque sabia pintar”.
“E tal foi a honra e o prestígio da pintura entre os gregos que foi promulgado, por edito e lei, que aos escravos fosse proibido aprendera  pintar”

Da Pintura, Alberti.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

UM SÉCULO DEPOIS DO LIVRO DE ALBERTI. PINTURA PARA INFUNDIR TEMOR E TERROR.

bosch – cristo carregando a cruz

Sabemos que a Igreja Católica usou a pintura para doutrinar e infundir terror aos analfabetos.  Assim foi a indescritível pintura de Hieronimus Bosch.

O movimento barroco foi um subproduto da luta da igreja católica, através da chamada contra-reforma, na sua luta contra a reforma protestante. O Concíilo de Trento propõe aumentar as imagens em reposta aos protestantes que as abolia.  El Grego, grande inovador da pintura, era amigo de inquisidores espanhóis e ele mesmo partidário da contra-reforma. Todo este reacionarismo não impediu que fosse um grande inovador da pintura.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

O inacabado

Alberti, em Da Pintura, 1435, já encontrava lugar para o inacabado na pintura, mesmo que louvando o realismo e a perfeição entre o a representação e o representado.

“Tenho visto alguns pintores, escultores e mesmo retóricos ou poetas – se é que em nossa época se encontrem retóricos e poetas – entregarem-se com empenho ardente a uma obra; posteriormente, esfriado o ardor do engenho, deixam a obra inacabada e tosca e com nova paixão se dão a novas coisas. Eu não tenho dúvida em criticá-los. Todo aquele que deseja que suas coisas sejam agradáveis e aceitas pela posteridade deve primeiramente refletir com cuidado sobre o que tem a fazer e, depois, torná-lo bem-acabado;mas deve-se evitar o escrúpulo daqueles que querem que em tudo não haja nenhum defeito e que tudo seja polido demais. Nas suas mãos a obra se torna velha e desgastada antes de terminada. “Da pintura, Alberti

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Da apresentação de Leon Kossovitch ao livro Da Pintura de Leon Battisti Alberti.

 

APRESENTANDO O LIVRO I DE “Da Pintura”:

“O texto de Alberti… é o primeiro, na literatura artística, a constituir a pintura como objeto de teoria e doutrina”

“Alberti monta seu discurso com geometria e retórica (e poética), instruindo aprendiz distinto do dos autores precedentes, pois familiarizado com artes liberais. Problematizador apesar de didático, o DA PINTURA, como referência da investigação de pintores posteriores (muito de Leonardo dele deriva) e como gênero discursivo (a tratadística do XVI o pressupõe), singulariza-se na história das teorias da pintura…”

…”A geometria de base euclidiana, exposta nas definições elementares e operante na análise da perspectiva, é, todavia, superada por noções tiradas da óptica, porquanto é a visão, no texto, a interessada…”

…”DA PINTURA não se deseja matemático por inteiro: não é obra  de geômetra escrita para geômetra, mas, de pintor, para pintores… Por isso, após a sucessão de definições geométricas, como ponto, linha, etc., a superfície, também assim definida, dirige a análise em outro sentido: distinguindo , por um lado, as qualidades permanentes, que constituem a superfície como tal, independente do olhar, a saber, as linhas e os ângulos …”

“…As superfícies variam com o lugar e a luz, cuja consideração extrapola a geometria…”

“… Implícitos na visão, lugar e luz delineiam dois  dos principais temas do escrito, a perspectiva e a recepção de luzes, respectivamente…”

“A superfície também varia com a luz, tema aflorado nos “rudimentos”, tratá-se da análise gtdos efeitos luminosos na superfície colorida: na sombra a cor fica escura e, na luz, clara…  Luz e sombra pensam a cor, que em si mesma é pouco analisada…”

“Geradoras das mutáveis, as quatro cores são gêneros, e as misturadas, espécies. A verdade das geradoras está em sua correspondência com os quatro elementos (fogo=vermelho, ar=azul, água=verde, terra=cinzento ou pardo)…”

“…No que se refere às cores, são elas pouco desenvolvidas em Alberti, assim como nos autores do século XVI em geral; a cor torna-se objeto de discussão apenas a partir de meados do século XVI veneziano. No Quatrocentos, ela está subordinada ao desenho e ao claro-escuro…”

APRSENTANDO O LIVRO II DE “DA PINTURA”:

“DA PINTURA: ela participa do movimento que expele as referencias cristãs (centrias em Teófilo, Dionísio ou Cennini) em benefício das humanistas…”

“…A arquitetura tira da pintura os ornamentos, no que é acompanhada por outras artes que também têm nela modelo…”

“…a pintura supera a escultura em razão da dificuldade de sue objeto; esta superioridade comporta riscos, pois os defeitos são comuns na pintura e raros na escultura…”

“Desenho e véu estendem-se à composição. Esta noção complexa, excede-os. A composição de partes não trata apenas de superfícies, pois, abrangente, abarca a “história”, o mais elevado dos objetos do pintor. Conceito central, a história, a narração…”

“… a poesia e a pintura. Narrativa, esta determina por propriedade do discurso do poeta e do orador (por isso, aliás, Alberti exorta o pintor a frequentá-los…”

“A história, figurada como cena, é homóloga ao discurso do orador, que, instruindo, agrada e comove o ouvinte…”

“…faz o espectador pensar estar vendo mais do que vê (a recepção pauta-se pela retórica, pois introduz o tema do excedente, do significar-se mais do que se  significa…”, [tendo em conta que Alberti, em todo livro III propõe a imitação da natureza, mas vê-se, que não esquece a distorção para significar, assim como não esquecera do inacabado, quando fala da perfeição]”.

“Comover difere de agradar… A conveniência das partes do corpo para a figuração exata das afecções é difícil, propondo Alberti preceitos para a determinação do efeito visado…”

“… o triste é lento, tem membros pálidos e malseguros, enquanto o melancólico tem testa franzida, cabeça lânguida, membros caídos e descuidados…”

“Os movimentos do corpo são extensamente analisados, pois agradáveis como poses e comoventes expressivos dos sentimentos da alma…”

“…Além dos movimentos dos seres animados (há-os de animais…), os dos seres inanimados detêm Alberti, pois estes participam nas cenas: na figura humana os cabelos e panos movem-se dignamente e, não sendo admitido inverossímel na figuração, de tal movimento representa-se a causa, vento, que, suplementarmente, desnuda as partes belas dos corpos. O Vento está assim figurado no Nascimento de Vênus, de Boticelli.

botticelli, nascimento de vênus

“A terceira parte da pintura, recepção de luzes, conclui o Livro II. dois efeitos da luz são analisados. como se viu, a luz e a sombra, expressas por branco e preto, estendem as quatro cores elementares e, copiosas variadas, suas espécies [misturas]  repropõem, aqui, o ornato. Todavia, o efeito mais louvado, a “maravilha” da Antiguidade, está no relevo, produzido pelo suso parcimonioso do branco e do preto: fingindo escultura, o relevo vence a bidimensionalidade do suprote, fazendo o rosto saltar à sua frente. Tal ilusionismo também é referido à perspectiva, que aprofunda o olhar…”

APRESENTANDO O LIVRO III DE “DA PINTURA”:

Chiaroscuro-Da Vinci

“No “pintor”, Alberti avança pelo ofício e pela conduta. Reinterpreta as partes da pintura, tendo em vista a execução: retomando o fim do Livro II, faz o pintor descrever com linhas e pintar com cores as superfícies dos corpos em tábua ou paredes; seguindo as regras da perspectiva, ele figura o relevo, tornando as superfícies semelhantes aos corpos. Com o claro-escuro, o pintor imita a natureza e, assim, instrui, comove e agrada o espectador…”

O Baglione na tela “Amor sagrado frente ao Amor profano”

Caravaggio-Amore vincitore

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

o autor, retirado do texto de  Cecil Grayson

alberti-leon-battista

Leon Battisti Alberti nasceu em Gênova em 14 de fevereiro de 1404.  Alberti escreveu várias obras literárias, antes e depois de Da Pintura.  Escreveu elegias e églogas e prosa amatória, narrativas de viagem. E provavelmente verteu para o italiano, em versão livre, Dissuasio Valerii ne uxorem ducat, de Walter Map, “expressão extremada de uma misoginia que ocorre com freqüência, a seguir, nas obras de Alberti”. “…É difícil datar as obras em italiano, quase todas amorosas, notáveis pela variedade de forma (sonetos, sextilhas, baladas, madrigais, frottole, églogas), pelo vigor da linguagem e força de expressão, de tal modo que hoje Alberti é reconhecido como um dos mais importantes inovadores do Quatrocento nesse campo.”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

Leon Battista Alberti (1404-1472)- Da pintura(1435) – Richard John


CÉZANNE, de Philippe Sollers —————————————————- Eis a moça de nádegas carnudas! Como ela exibe bem em em meio ao prado Seu corpo flexível, esplêndido desabrochador! A serpente não é capaz de tanta sinuosidade, E o sol brilhando lança complascente(sic) Seus raios dourados sobre esta carne bela.

05/10/2012

Auto-retrato. Bibloteca Mário VII-072.030 C001g (1)


Durante semanas que li e anotei sobre Cézanne o fiz, o tempo todo, horas a fio, com  música de Jimi Hendrix.  O velho e  tocante blues, catapultado ao futuro pela guitarra mais inventiva que ouvi. Hoje, se confirma, Jimi Hendrix está à frente da indústria cultural que não o suportaria hoje.  E tão poderosa guitarra que nos faz rir de alegria diante do mais triste e arrasador blues. A tragédia pessoal que o acometeu parece apenas uma anedota diante de seus solos pulsantes. Vivificadores.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cézanne e Picasso. Qual é o tempo de Cézanne?

“É uma estranha experiência descobrir de repente que Cézanne não conduz necessariamente a Picasso, mas ao contrário, vem de novo depois dele. Um outro “antes”? Um outro “depois”? Uma desorientação da história da arte, tão arraigada a suas classificações, seus encadeamentos, suas casualidades mecânicas? Um outra pergunta da história? Cézanne como recusa do mito da modernidade, sem que possa de modo algum significar uma volta ao passado? Cézane não PASSANDO, mas tornando-se sem cessar o que ele foi? 

Qual é o TEMPO de Cézane?”.

O Paraíso de CÉZANNE, de Philippe Sollers . [ Biblioteca Mário]

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Essas anotações são estudos muito preliminares. Há afirmações,  como essa

“Na verdade, todas as árvores são de Cézanne, deveríamos chamá-las assim. Os pinheiros, sobretudo? Sim, mas também as outras árvores”,

precisam de uma capacidade de ver que não tenho. Consigo ver que são coisas totalmente criadas, como desejava Cézane, um natureza a Cézanne – sem poder ter total certeza disso, pelo meu incipiente conhecimento (além de tudo, o pouco conseguido é através de reproduções, pálidas ideias de pintura).  E fico querendo ver mais, e mais e mais. Mas Philippe Sollers adverte:

“Muito poucos indivíduos VÊEM. Isto é mais que estranho, mas é assim. Não devemos, portanto nos surpreender se o menor espetáculo tem, sobre a maioria, tanto efeito. As vociferações, os programas, o dinheiro, o circo, a televisão, o poder, isto é que é normal no que se poderia chamar de psicose narcísica endêmica do gênero humano”.

E Cézanne:

“Eu vos devo a verdade em pintura, e a direi”

Philippe Sollers:

“Então você verá que não vê. Poderá aprender que passa seu tempo sem querer ver nem saber”

Consigo ver sim que não são naturezas mortas, mas coisas bem vivas. E Philippe Sollers faz várias afirmações bastante categóricas que não tenho a menor condição de avaliar. Mas é evidente que não é um crítica bem comportada, facilmente aceitável. Cita, para abonar suas interpretações, Nietzsche, Heidegger, Rimbaud, Lautréamont e Ducasse. E desenca, em particular, Zola e, um pouco, Sartre e Camus.

Há em mim uma ansiedade para dominar esta discussão com todas estas leituras. Há angústia de só poder ver reproduções dos quadros. Mas, mesmo em reproduções, há a determinação de ver e ver. E diz Philippe Sollers que Cézanne achava a pintura mais forte que a vida e a morte. E queria morrer pintando,  o que de fato aconteceu.



………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

Cézanne não é contemporâneo de Zola, diz Philippe Sollers,  como  Zola quis retratar em L’OEUVRE. Obra que levou Cézanne a romper com o amigo de juventude. Ele volta ao passado, sem ser passadista, volta a  Delacroix e Coubert, para dar um salto, como afirma Philippe Solers, para além de Picasso. Picasso e Matisse  que endeusam Cézanne, à contracorrente da direita e da esquerda.

Mas são as mesmas questões colocadas para Michelangelo Buonarroti. Também recusa seu tempo. Volta ao passado dar um salto à frente. Me parece uma das grandes questões da arte este retorno ao passado para alçar voo ao futuro.

Isso parece um constante em grandes criadores, na pintura , que foram anotados em posts do jornaldoporao : El Greco, Michelangelo Caravaggio e Giacometti. Pretendo, breve, fazer um leitura do “ABC da Literatura”, de Ezra Pound que estuda isso em literatura.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

FREUD

Freud dividiu o homem em duas metades, como fez Platão. Metade desejo(Eros), metade Tanatos, ou a pulsão de morte. Para Phillipe Sollers o erro de Freud está na proporção, pois a pulsão de morte ocupada 99 por cento dos caminhos da humanidade, em velocidade crescente. O restante um porcento seria a pintura de Cézanne e outras realizações que afirmam a vida.

E Cézanne se coloca diante da questão: “Não seja crítico de arte! Faça pintura! Aí está a salvação!

“Eros, veja bem, você pode comtemplá-lo de imediato num das últimas telas de Cézanne, NATURE MORTE AVEC L’AMOUR EN PLÂTRE (“natureza morta”!), onde as cebolas dispensam qualquer comentário em face da pintura de uma moldagem – uma estátua de Puget – cheia de energia. Como introduzir a escultura NA pintura, um espaço em outro espaço, um tempo em outro tempo?

Quando, nos EUA,  um menino de 6 anos sai algemado da escola por ter beijado no rosto um colega de 8 anos. Quando a Academia de letras censura uma conferência do professor Jorge Coli, porque ilustrava a sua exposição com o quadro, Origem do Universo, de Courbet (um dos ídolos de Cézanne) e não temos reação quase nenhuma é que o diagnóstico de Philippe Sollers é aterradoramente verdadeiro:

“É finalmente surpreendente que Freud tenha acreditado que devia introduzir uma simetria entre o desejo erótico e a morte, Eros e Tânatos, recorrendo para isto à fábula platônica de uma unidade sexual dividida à procura de si mesma. Dois gêmeos eternos em luta um contra o outro? GÊMEOS, verdadeiramente? Opostos? Prosseguir nesta via diagnosticando uma doença na civilização ou futuro de uma ilusão era, de fato, o menos importante. Aliás, nós não estamos mais doentes disso, não, a catástrofe ocorreu, ganhou depois, se se pode dizer assim, velocidade de cruzeiro. Continuamos a pensar miticamente por complementaridade, mas a morte e pulsão não ocupam a “metade” da cena humana. Noventa e nove por cento? Isto parece mais exato. Este “um por cento” de Eros, veja bem, você pode comtemplá-lo de imediato numa das últimas telas de Cézanne, NATURE MORTE AVEC L’AMOUR EN PLÂTRE(“natureza morta”!)”.

 

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

nota sobre o pequeno cupido

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Uma “natureza morta” explicitamente erótica, pelo que sugere a concha vivamente pintada de carmesim. E para o simbolismo “QUAL É O TEMPO DE CÉZANE?”, notar que o relógio não tem ponteiro. Neste La Pendule Noire (o relógio negro), este substitui a caveira como símbolo da morte. Mas a concha gigantesca simboliza a vida, ao lembrar explicitamente uma xoxota.

“…e ele é ERÓTICO em um por cento num mundo movido noventa e nove porcento pela vontade de esmagamento, de igualização e morte”. p. 35

<img class=” wp-image-5649 ” title=”Sucrier, Poires et Tasse Blue., 1863-1865, Musée Granet, Aix-en-Provence. Biblioteca Mário VII-071.004 B001c detalhe .Cézanne, Les Natures Mortes, Jean-Marie Baron e Pascal Bonafoux, ed. Herscher” alt=”” src=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2012/09/biblioteca-mc3a1rio-vii-071-004-b001c-detalhe-3.jpg&#8221; width=”360″ height=”259″ /> Sucrier, poires et tasse bleue.” Como introduzir a escultura NA pintura, um espaço em outro espaço, um tempo em outro tempo?”, Philippe Sollers. Cores modeladas, em grossas camadas, pela epátula também é trazer a escultura para a tela.

………………………………………………………………………………………….

………………………………………………………………………………………….

O INACABADO.

“O acabado desperta a admiração dos imbecis”,    escreve Cézanne à sua mãe, depois de 1874.

“Não devo procurar completar a não ser pelo prazer de fazer mais verdadeiro e o mais correto”:  Cézanne

A mulher de Cézanne: “Sabe, Cézane não sabia o que fazia. Não sabia como acabar seus quadros. Renoir e Monet, sim, estes conheciam seu métier de pintor”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Philippe Sollers, “O Paraíso de Cézanne:

“Diz-me o que saber ver num quadro e eu lhe direi se conhece verdadeiramente a poesia, toda a poesia”

Cézanne:

“A cor é um ponto em que nosso cérebro e o universo se encontram, eis por que ela se manifesta tão dramática no verdadeiro pintor”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cézanne por Rilke

“Por que este pintor mais que os outros?

Mas é precisamente Rilke que nos responde, em outubro de 1907, em Paris. Ele VÊ Cézanne.

“A grande harmonia de cores da mulher na poltrona vermelha é, na minha lembrança, tão difícil de rememorar quanto um número de muitos algarismos. E, no entanto, guardei muito bem na memória um algarismo após outro. Em meu sentimento, a consciência de que esta harmonia existe transformou-se numa espécie de exaltação que experimento mesmo quando durmo; meu sangue a descreve em mim, mas as palavras passam ao lado em algum lugar, sem serem admitidas dentro de mim”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“Voltar-se para o aberto”: afirmar a vida.

“Voltar-se para o aberto”?      (ou seja, a renúncia de ler “negativamente o que é”).      O que, para mim, é o mesmo que afirmar a vida.    “Sim, trata-se aqui, sem dúvida, de Rilke, poeta em tempo de desgraça, como Holderlin ou Rimbaud. Cézane é um pintor em tempo de desgraça. Ele pinta no mesmo tempo em que a paixão metafísica antimetafísica de Nietzsche. Ele é também um homem do mais fundo, do sem fundo, um explorador, plano por plano, do mais íntimo do coração, lá onde Pensamento e Memória, Pensamento e Reconhecimento, Pensamento e Sensação meditam juntos”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“o ver não se determina a partir do olho mas a partir da abertura do ser”. Heidegger

Phippe Sollers:  “Em qualquer momento a derrapagem é possível; cair-se na anedota, a visão de época e, finalmente, o preconceito, como esses ideólogos apressados de hoje que, quando se pronuncia o nome do único pensador à altura de nosso tempo, Heidegger,  respondem pavlovianamente, “nazista”, sem se dar conta do que gerou o nazismo”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Une moderne Olympia(1873-1874)

“Olhamos UNE MODERNE OLYMPIA (1873-1874). Cézanne aceita o desafio de Manet: ele supera a situação exterior do observador de quadros, recusa a comtemplação fascinada ou aterrorizada da cena, ele puxa a cortina, intervém na cena, provoca erupção na sua própria visão movimentada e solitária. A OLYMPIA? Ela é minha e para mim…Não a divido com ninguém…” : Philippe Sollers, p. 62.

Poema de Cézane:

Eis a moça de nádegas carnudas!

Como ela exibe bem em em meio ao prado

Seu corpo flexível, esplêndido desabrochador!

A serpente não é capaz de tanta sinuosidade,

E o sol brilhando lança complascente(sic)

Seus raios dourados sobre esta carne bela.

Trad. Ferreira Gullar.

———————————————————

correção: complascente é complacente.

———————————————————

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cézanne e Rodin

<img class=”size-full wp-image-5694″ title=”Biblioteca Mário VII-071.004 R001o” alt=”” src=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2012/10/biblioteca-mc3a1rio-vii-071-004-r001o.jpg&#8221; width=”450″ height=”285″ /> Rodin, Le Rêve (O sonho), 1899

Philippe Sollers faz um lista de detratores de Cézanne .   “Assim é este pintor ridicularizado ou insultado pela Direita; ignorado ou desprezado pela esquerda; tratado como fracassado por Zola e como imbecil por Breton; considerado como um Deus por Picasso e Matisse”. Também foi chamado de “degenerado, burguês decadente, esteta impotente, pequeno burgues reacionário, traidor dos valores”. Ver p. 55-56. E Zola ao escrever L’OEUVRE, queria no fundo qu Cézanne se matasse. E desde esta obra de Zola que os amigos que eram banhistas nus e amigos de juventude tornaram-se inimigos.

Nos detratores modernos lista Sartre e Camus.

Mas, lembrando-me do livro  “O Ateliê de Giacometti”, de Jean Genet [https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/06/11/giacometti-por-jean-genet/] onde Genet diz:  

Quando anotei algumas passagens  dos  livros de Jean Genet e de Sartre sobre Giacometti, coloquei a questão importante para mim: que Giacometti retratatava um home desencantado e que Sartre e Genet flertavam com um certo desejo de morte e dor. A grandeza aterradora de Giacometti talvez esteja, usando o que diz Philippe Sollers da análise de Freud sobre o homem: talvez Giacometti retrate, ou melhor ainda, esculpe, um homem devastado pelo desejo de morte, ou seja, descreve os 99 por cento. Este homem de Giacometti seria então o homem derrotado.

As caveiras de Cézanne, para Philippe Sollers, não tem nada  a ver com a iconografia católica, dos santos que desprezam a vida, apesar de Cézanne se dizer católico.  E nem mesmo contém morbidez. Mas apenas retratam vida e morte, e pratica cores e cria objetos, assim como pinta laranjas e peras. Cita Cézanne que diz que é uma metafísica para sair da metafísica. Como seu desejo de morrer pintando, mas não um desejo de morrer ou de sacrifício, mas a alegria de ir até um fim no seu ofício de criar novas coisas. E foi assim que a tempestade o pegou nos bosques de Aix-an-Provence, aos 83 anos.

Biblioteca Mário VII-071.004 B001c

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

O BANHO

Estas anotações já estão ficando longas demais, mas há uma discussão sobre se a obra é explicada por uma psicologia, pela vida de um artista. Mas que há influências que devem ser levantadas e que Philippe Soller, não partidário de um psicologismo, julga pertinente. Que é a história do banho:

“Ah, esta história do “banho”! Trata-se de uma fonte de juventude, de uma cerimônia purificadora, de um batismo? Claro, claro, e de muitas outras coisas mais. A pintura é um banho, ELA SE NADA. Qual diversão lhe agra mais? perguntaram a Cézanne. Resposta: a natação. Na pintura é preciso comportar-se como um peixe dentro d’água”.

E continua, agora com uma referência na mitologia grega que desconheço: “As BANHEUSES de Cézane são suas Vitórias, no sentido grego. Vitória como Victoire de Somothrace.” E não um mito cristão.  Anotado aqui para conferir e estudar, já que Philippe Sollers dá grande importância a esta comparação e pela recorrente pesquisa que Cézane faz sobre o tema “banhistas”.

Mas há outra afirmação que é preciso conferir e estudar.

“Não é proibido olhar de vez em quando o BAPTÊME DU CHRIST de Piero della Francesca e o GRAND BAIGNEUR de Cézane. Se você não percebe o que pretendo dizer, ão posso fazer muita coisa para ajudá-lo”

É um repto de Philippe Sollers. Uma provocação. Começar a dizer que são grandes pintores ou grandes pinturas nada acrescentará. Que banho e batismo são o mesmo tema,  o próprio autor já tinha levantado.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Zola e Cézanne

o amigo de juventude que se tornou, no que lhe dizia respeito, odiosamente desprezível: Zola”.p.15

Zola, ao escrever L’Oeuvre, que no fundo que Cézanne se mate”.p. 20

“Vollard a Zola:

Você possui quadros de Cézanne?

Zola: Eu os havia escondido a casa de campo. Mas jamais os penduraria na parede da minha casa… Os quadros de Cézanne estão trancados ali naquele armário, longe dos olhares malvados. Não me peça que os tire de lá, pois me daria muita pena… Foi pensando nele que escrevi L’OEuvre. O público se apaixonou por esse livro mas Cézanne se manteve fechado. Nada mais poderá arrancá-lo de seus delírios: pouco a pouco, ele se afastará cada vez mais do mundo real”

“Zola, ex-banhista visto nu por Cézanne, sente tão bem o perigo físico (ou, mais exatamente, metafísico) que ele agrava o julgamento em 1896: “É preciso que se diga, nenhum grande pintor novo se revelou,nem um Ingres, um Delacroix, um Courbet”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

A COR É O LUGAR ONDE NOSSO CÉREBRO E O UNIVERSO SE ENCONTRAM

Bold As Love
ANGER!

he smiles,
towering in shiny metallic purple armour
Queen Jealousy, envy waits behind him
Her fiery green gown sneers at the grassy ground

Blue are the life-giving waters taken for granted,
They quietly understand
Once happy turquoise armies lay opposite ready,
But wonder why the fight is on
But they’re all bold as love, yeah, they’re all bold as love
Yeah, they’re all bold as love
Just ask the axis

My red is so confident that he flashes trophies of war,
and ribbons of euphoria
Orange is young, full of daring,
But very unsteady for the first go round
My yellow in this case is not so mellow
In fact I’m trying to say it’s frigthened like me
And all these emotions of mine keep holding me from, eh,
Giving my life to a rainbow like you
But, I’m eh , yeah, I’m bold as love
Yeah, yeah
Well I’m bold, bold as love (hear me talking, girl)
I’m bold as love
Just ask the axis (he knows everything)
Yeah,
yeah,
yeah!

Valentes Como o Amor
Raiva!

Ele sorri,
Defendendo-se em uma armadura roxa brilhante e metálica
Rainha do ciúmes, a inveja espera atrás dele
Seu ardente vestido verde zomba sobre o chão gramado

Azuis são as águas revigorantes tomadas por certas,
Elas até que entendem
Uma vez felizes exércitos turquesa se situam opostos e prontos,
Mas imaginam a razão da luta acontecer
Mas eles todos são valentes como o amor, sim, eles todos são valentes como o amor
Sim, eles todos são valentes como o amor
Apenas pergunte ao áxis

Tradução do Google

VERSÃO INSTRUMENTAL DE BOLD AS LOVE

E foi em 20 de outubro que Marie Cézanne, a irmã do pintor, escreveu ao sobrinho:
“Teu pai está doente desde 2a. feira… Ele ficou exposto à chuva durante várias horas; trouxeram-no numa carreta de limpeza e foi preciso dois homens para pô-lo na cama. No dia seguinte, já de manhã, ele foi para o jardim trabalhar no retrato de Vallier sob o pé da tília; quando voltou estava morrendo. Você conhece seu pai; não preciso dizer mais nada….seu pai montou seu ateliê no quarto de vestir de sua mãe e não está disposto a sair de lá tão cedo…
“A mulher de Cézanne e seu filho chegaram depois da morte dele. Fala-se que Hortense partiu tarde demais para Aix por não querer desmarcar um encontro com sua modista. Cézanne, de qualquer modo, havia mudado definitivamente de ateliê.
Cézanne? Onde está?
Por toda parte e em parte alguma.
No fundo do jardim do Tempo, sob o pé de tília.” Philippe Sollers, junho de 1995
……………………………………………………………………………………………………………………………………….

pingback

01.https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/08/25/i-o-inacabado-as-sobras-michelangelo-por-delacroix/
02. https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/08/26/ii-o-inacabado-as-sobras-restos-geraldo-de-barros/
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….


III – O negro como protagonista na pintura antes do século XX

30/09/2012

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

8. Paul Cézanne: O Negro Cipião (30)

A pincelada fluida e construtiva, os brancos intensos, a exagerada extensão de alguns membros, como os braços, o abandono da pose traduz a condição humana do modelo. Nessa obra Cézanne abre o caminho da arte contemporânea desvendando a autonomia da forma em relação aos dados da realidade, e a sua natureza emotiva.


1866-1868 / Cézanne
O negro Cipião
107 x 83 / Óleo sobre tela
Ver link 01

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………


……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Clique sobre as fotos para ver em grande formato
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

 

link

01. AS 100 MARAVILHAS: MOSTRA DE OBRAS DE ARTE SOBRE CAVALETES DE VIDRO

ARQUITETO JULIO NEVES / PRESIDENTE DA DIRETORIA DO MASP

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

pingback

 

01 . https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/09/08/ii-o-negro-como-protagonista-na-pintura-antes-do-seculo-xx-3/

02. https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/07/24/o-negro-na-pintura-antes-do-seculo-xx/


A Puta, Carlos Drummond de Andrade

26/09/2012


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na Rua de Baixo
onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
e labaredas torram a língua
de quem disser: Eu quero
a puta
quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
de longe. Na mata do cabelo
se abre toda, chupante
boca de mina amanteigada
quente. A puta quente.
É preciso crescer
esta noite a noite inteira sem parar
de crescer e querer
a puta que não sabe
o gosto do desejo do menino
o gosto menino
que nem o menino
sabe, e quer saber, querendo a puta.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

pingback

o1. FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

link

01. Beijo da Rua

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

pingback

 

01. Ana de Amsterdã, elogio a uma prostituta triste e arrependida.
02.Um artigo do Jornal Beijo da Rua
03.Me Gustán las Muchachas Putanas, Mário Bortolotto
04. puta, Newton Peron


II – O negro como protagonista na pintura antes do século XX

08/09/2012

, começar com a música de um gênio do violão e do Afro-Samba, para não esquecer do Brasil quando estamos falando do Brasil.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“Uma coisa é saber da história segundo historiadores, e outra é vê-la através dos olhos que a viram. Por mais verdadeiro que possa parecer um documento, por mais nítida que seja uma crônica e por mais ressonantes que seja uma tradição, nada se assemelha à pintura feita por quem apenas desejou deixar para o sempre a imagem porventura contemplada.
Especialmente quando o pintor não estava a serviço de um gosto dominante, mas casualmente dotado da liberdade que era dada àqueles que se encarregavam de registrar a natureza de um NOVO MUNDO.
Aqueles que não dependiam de modelos convencionais, de composições e posturas comportadas e, ou, de rígidos padrões iconográficos a serviço de temas religiosos”. p. 15
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Este slideshow necessita de JavaScript.


Como se fosse possível escolher uma música preferida no “maior” disco que já ouvi, o que mais ouço. Ou seja, ouço quase todos os dias. Como não dá para colocar o disco inteiro aqui e nem devo, escolhi a música que mais ouço, não sei se é a que mais gosto. Todos os dias eu elejo uma e no outro dia já acho que é outra.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

O texto diz: “Eles limparam a barra pesada e suja da iconografia precedente, fantasiosa e fantasmagórica como configuraram a imagem plena e serena do universo exótico”.

Afinal o índio brasileiro –  ou quais povos indígenas  brasileiros –  comiam carne humana por prazer ou necessidade? Nas poucas aulas de antropologia que tive os professores afirmaram que era um canibalismo ritual. Sempre me pareceu que era um desconversa. Umas saídas pela tangente. A antropofagia Oswaldiana recorre ao canibalismo como metáfora. Entrando na estante virtual topo no topo da página com dois livros, consultando por canibalismo, “Canibalismo Amoroso”, Affonso Romano de Sant’Ana e “Canibalismo dos Fracos – Cinema e História do Brasil”, de Alcides Freire Ramos. Zé Celso nunca esquece do devoramento do Bispo Sardinha. Afinal os índios brasileiros comiam carne  humana. Comiam-se.  E porque os relatos e as lendas eram tão macabras e a antropologia tão “científica”? E então, porque esta metáfora ou mito continua tão forte, dando título a vários livros e pensamentos artísticos?

Aqui mesmo dá para ver a imagem negando a escrita. O texto citado fala em “limpar a barra” e de uma “imagem serena” que foi restabelecida. E a imagem mostra uma índia com um balaio com pedaços humanos. Os pedaços são pernas e braços. Os professores me diziam que o canibalismo ritual comia as vísceras dos guerreiros mortos ou capturados.


…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

O Guerreiro Negro, de Albert Eckhout é de classe alta ou de uma nobreza. No livro diz que foram descobertos 800 croquis e desenhos do pintor numa biblioteca da Polônia. Mas não fala se retrata a escravidão negra no Brasil. Suponho que sim, em 800 desenhos!!!

Os quadros no livro, e o livro só fala e reproduz os quadros, todos, 4 reproduções, são de negros africanos, uma espécie de delegação diplomática e de negócios e a já citada do Guerreiro Negro.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..


Faço quase tudo na vida ouvindo música. Leio sobre negros ouvindo música africana, ou dos negros norte-americanos e de negros brasileiros. É um mero pretexto para ouvir sempre essas imensas músicas. KORA, um instrumento milenar do país Mali – há cidade do mesmo nome na Nigéria . E Toumani Diabaté um dos grandes músicos do mundo.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Os modelos, tanto de Rubens quanto de Eckhout estão vestidos à Européia.


…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“Único exemplar de pintura holandesa capaz de aparelhar com essas telas, acreditem, só pode ser Peter Paul Rubens (1577-1640), hoje intitulada “Cabeça de Negros” (head negroes), conservada no museu de Bruxelas”.


…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………