Pornografia é o sexo dos outros, erotismo o meu.

01/12/2013

Nuvens

nua vens
eu nas
nuvens, Oswaldo Martins

Censura e obscurantismo se inserem na mentalidade de nossos tempos, marcados pelo gosto doentio em patrulhar, vigiar e punir; mas quem nos protegerá dos puros?

Jorge Coli,  neste artigo lincado acima,  denunciando a demissão de um professor, por ser poeta. Os puros perguntarão nas suas mentes sórdidas, é poeta erótico? É pornográfico? E se juntam aos ascetas, padres, pastores, policiais e à uma esquerda, que se diz esquerda, moralista. E como a esquerda não moralista se posiciona quanto ao erotismo/pornografia. Uma boa anedota que justifica unir as duas palavras: “qual a diferença entre erotismo e pornografia? Erotismo é o sexo que eu faço, pornografia o dos outros”.

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links

01. Artigo de Jorge Coli na Folha de São Paulo
02. Blog do professor OSWALDO MARTINS
03.Jorge Coli comenta o episódio de censura na ABL
04. Conferencista acusa ABL de censura – Palestra do historiador Jorge Coli teve transmissão pela internet suspensa por tratar de sexo
05. A conferência de Jorge Coli, sem a censura da ABL
06. Blog de Jorge Coli: augôsto augusta – r. augusta 2161 sp
07. Oswaldo Martins Lê seus poemas
08. Pornografia foi usada para subverter a arte nos anos 80 – ARTE & DESIGN
08. A piscadela da diaba, Oswaldo Martins
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pingback

01. Obras de arte proibidas à esquerda e à direita: Gustave Courbet. Este post, do jornaldoporao, falava dessa obra que ficou escondida ou censurada por 128 anos. Depois disso, Jorge Coli, foi censurada, ou pior, teve sua conferência na internet interditada, suprimida, porque usava a palavra boceta (que grafo buceta), para falar desse quadro. Um dos donos, o psicanalista Lacan, a escondeu por 30 anos.

A Origem do Mundo, Gustave Courbet

A Origem do Mundo, Gustave Courbet

links

01. Análise da obra “A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet
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links

01. outros poemas eróticos: Bertolt Brecht, outros e outras

Eliane Pantoja Vaidya
Me comovem

Me comovem
tuas mãos limpas
e tua boca suja

02.Isabel Machado, Primeiro suspiro (Arromba!Por todos os meus lados puritanos)


TRIANON andanças em são Paulo

14/03/2013

Trianon I

MASP, março 2013

MASP, março 2013

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FAUNO, de Victor Brecheret

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (8)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (8). Fotos Mário Martins de Lima

Sobre o Fauno, de Victor Brecheret

01. Paulistanos Ilustres Ilustrados, por Paulo CarusoFauno, de Victor Brecheret, por Paulo Caruso
02. Obra foi transferida para o Trianon por conta da pressão da Igreja Católica
03. Monumentos de São Paulo
04.Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo:Fauno
05. Obra Pública – O Fauno de Victor Brecheret, VÍDEO YOUTUBE.Trabalho para Linguagem Audiovisual, Universidade Belas Artes

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PAN e FAUNO

“Queria falar mais; mas Syntrix, pouco sensível àquelas palavras, deitou a correr, e já chegara perto do rio Ladon, seu pai, quando, vendo-a detida, rogou às ninfas, suas irmãs, que a acudissem. Pã, que lhe saíra no encalço, quis abraçá-la, mas em vez de uma ninfa, só abraçou caniços. Suspirou e os caniços agitados emitiram um som doce e queixoso. O deus, comovido com o que acabava de ouvir, pegou alguns caniços de tamanho desigual e, unindo-os com cera, formou a espécie de instrumentos que se chama syrinx e que constitui a flauta de sete tubos, transformada em atributo de Pã.”Nascimento de Pã.

“Pã foi muitas vezes confundido na literatura latina com Fauno e Silvano. Muitos autores os consideravam como um só divindade com diferentes nomes. As Lupercais eram mesmo celebradas em tríplice honra desses gênios. Entretanto Pã é o único de quem se fez alegoria e que foi considerado como um símbolo da Natureza, conforme a significação do seu nome. Dizem os mitólogos que os seus chifres representam os raios do Sol; a vivacidade de sua tez exprime o fulgor do céu; a pele de cabra estrelada que usa sobre o estômago representa as estrelas do firmamento; enfim os seus pés e as suas pernas eriçados de pêlos designam a parte inferior do mundo, – a terra, as árvores e as plantas.” Nascimento de Pã.
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Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (1)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (2)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (3)

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flauta de pã

” O deus, comovido com o que acabava de ouvir, pegou alguns caniços de tamanho desigual e, unindo-os com cera, formou a espécie de instrumentos que se chama syrinx e que constitui a flauta de sete tubos, transformada em atributo de Pã”

Leia mais:http://www.mundodosfilosofos.com.br/pa.htm#ixzz2NXPEWfFU

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (4)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (5)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (6)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (7)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (8)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (9)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (10)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (11)

Fauno, Vitor Brecheret, Trianon, março 2013 (12)
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Victor Brecheret, links

01. Brecheret, Victor (1894 – 1955), Enciclopédia Itaú Cultural
02. FUNDAÇÃO ESCULTOR VICTOR BRECHERET
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links

01. Nascimento de Pã
02. Pã, divindade Grega; Fauno, divindade Romana
03. Procissão em Roma, jovens nus flagelando as mulheres
04. Pã ou Fauno
05. The Great Pan

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Música

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Google

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Google

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel,  Google (2)

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel, Google (2)

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel,  Google (3)

fauno, Victor Brecheret, déc. 20, Fotos Rômulo fialdini e Horst Merkel, Google (3)


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01. A Flauta de pã, Claude Debussy

02. Prélude à l’après-midi d’un Faune, Claude Debussy

03. Pan, de Mauricio Kagel

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Fauno, Centauro, Minotauro

Faun Revealing a Sleeping Woman (Jupiter and Antiope, after Rembrandt) 1936 by Pablo Picasso 1881-1973

Faun Revealing a Sleeping Woman (Jupiter and Antiope, after Rembrandt) 1936 by Pablo Picasso 1881-1973

Picasso tem dezenas de desenhos e pinturas cujo tema é o Fauno e em muitos aparece a flauta de Pan
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Casa do Fauno, Pompéia

Deus Fauno, dançando

Deus Fauno, dançando

MOSAICO-NA-CASA-DO-FAUNO-POMPEIA

MOSAICO-NA-CASA-DO-FAUNO-POMPEIA

links

01.Casa do Fauno, Wikipédia
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outras imagens

pan_daphnis

pan_daphnis

PABLO-PICASSO-CABEZA-DE-FAUNO-1

PABLO-PICASSO-CABEZA-DE-FAUNO-1

pan, Joseph Sattler

pan, Joseph Sattler


Falo no Jardim

02/12/2012

Biblioteca Mário

A editora da Unicamp e Ateliê Editorial, numa esmerada edição, publicaram o livro de João Ângelo Oliva Neto. Poemas ao deus Priapo. Poemas eróticos ao falo. E magnificas ilustrações coloridas, coisa rara em publicações universitárias. São publicações caras, mas deixo de lado muita coisa para ir comprando, nas feiras anuais. Reclamo, mas não me arrependo de ter comprado objetos tão caros.Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp - Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp – Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Sei que vou esperar sentado um publicação equivalente, com o mesmo esmero, com tantas ilustrações sobre a história da xoxota. Sei que ela tem papel positivo, de sortilégio, em muitas culturas. Mas seria maravilhoso um livro do mesmo porte do Falo no Jardim. A Unicamp tem uma grande parte, até mesmo maioria, de mulheres nos seus cursos. Na área de humanas, com certeza, é a maioria. Seria de esperar uma pressão para que houvesse uma publicação dessa.

Perdi um livro chamado História de V. Sem ilustrações. No prefácio ou introdução uma antropóloga critica a autora por, conservadoramente, usar a horrorosa palavra vagina. Pior que isso só o termo vagido para o choro de recém nascido. Nem mesmo usa vagina, dá a entender usando um grande V na capa, História da V.

Já mencionei aqui neste blog que o quadro de Gustave Coubert, A Origem do Mundo,  foi censurado por 128 anos. Pior. Lacan o escondeu por décadas e fazia uma espécie de cerimônia para mostrá-lo.  Apenas porque, realisticamente, pintou uma xoxota, quando há pintos em profusão pelos quadros, estatuária, desenhos; e por toda a cultura popular, inclusive nas expressões comuns, muitas que antes ofensivas viraram elogios, como “do cacete” e muitas outras. Não conheço nada parecido com a xoxota. Vi muitas mães ensinarem as filhinhas a chamá-la de baratinha, mas pela repulsa que as baratas causam, o diminutivo não alivia muito. Assim como a mania de ligar xoxota a coisa feia ou mesmo desagradável.

Enquanto não conhecer um bom livro, bem editado, bem ilustrado, vou aqui tentando juntar algumas ilustrações das artes, pintura, poesia, desenho, escultura… que dê um tratamento apaixonado ao corpo da mulher. Aqui, neste blog de elogios e loas, e não de crítica e denúncia,  ignorarei o que não for homenagem.

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A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz
Do sexo das meninas

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fulgaz

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras. Um sexo que passa ligeiramente, mas brilhantemente.

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galeria

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras.
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Esse post será sistematicamente atualizado.

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Atualização 28/08/2012

links para este mural de Jamie McCartney

Agradecimentos fervorosos à minha amiga que enviou os links. Fui ao Google e é o esperado. Um monte de abordagens politicamente corretas. Protestos contra cirurgias, este moralismo tolo e inútil. Perdi a paciência e não procurei muito não. Onde tem alguém para ver a beleza das xoxotas. O próprio mural de Jamie McCartney não tem cor, talvez próprio para um consultório ginecológico. Assim como um coleção de moldes de gesso num consultório de dentista. Era preciso um mural com cores e pelos. Xoxotas negras, brancas, asiáticas, mestiças… de todos os tipos.

01. Folha de São Paulo
02. Folha de São Paulo

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Atualização 30/10/2012

KUBIN, Alfred -todessprung (morte súbita)-1902

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01/11/2012
Otagawa School – shunga

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02/12/2012
Arlindo Daibert.

Daibert, Arlindo

Daibert, Arlindo

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26/07/2013
Enviada por Priscila Salomão
Jami Aka

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atualização, 25/09/2014

ALENA KUPCIKOVA, 2 ALENA KUPCIKOVA, Aukční síň Vltavín Aukční síň Vltavín, Alena Kupikova Aukční síň Vltavín Pêlos, cláudia ohana.2 Pêlos, cláudia ohana.3 Pêlos, cláudia ohana

 

Alena Kupčíková


A Puta, Carlos Drummond de Andrade

26/09/2012


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na Rua de Baixo
onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
e labaredas torram a língua
de quem disser: Eu quero
a puta
quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
de longe. Na mata do cabelo
se abre toda, chupante
boca de mina amanteigada
quente. A puta quente.
É preciso crescer
esta noite a noite inteira sem parar
de crescer e querer
a puta que não sabe
o gosto do desejo do menino
o gosto menino
que nem o menino
sabe, e quer saber, querendo a puta.

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pingback

o1. FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.
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link

01. Beijo da Rua

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pingback

 

01. Ana de Amsterdã, elogio a uma prostituta triste e arrependida.
02.Um artigo do Jornal Beijo da Rua
03.Me Gustán las Muchachas Putanas, Mário Bortolotto
04. puta, Newton Peron


ANJO NEGRO, Nelson Rodrigues.

22/08/2012

Anjo Negro, Nelson Rodrigues-1948-Orlando Guy-Nicette Bruno. FUNARTE: Brasil , Memória das Artes. http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/imagens/imagens-fotos/page/119/.

 

Um resumo muito bom sobre “Anjo Negro”

“O que, na peça, é fadado ao silêncio? O que não pode ser mostrado e, ao mesmo tempo, é explicitado no texto? Nelson aponta para a problemática racial em que, certamente, se articulam os subsídios para uma teoria social do Brasil, onde se destaca a violência como fator de base dos fundamentos estruturais do modelo étnico-social brasileiro. A peça explicita a vivência de amor/ódio num casal inter-racial e a ambigüidade diante de sua linhagem mestiça. O estilo poético-realista de Nelson Rodrigues revela, de maneira perturbadora, temas adormecidos no inconsciente. Ele revolve esse universo profundo do espectador trazendo à consciência o recalcado e utiliza-se da tragédia para falar do racismo. Assim, remete-nos ao drama grego: a tragédia, pois somente o trágico daria conta de desvendar essa realidade brasileira relegada às trevas – o racismo. Algo da ordem do trágico, tal qual é explicitado no drama grego, pode estar muito próximo de nós, se considerarmos que, enquanto humanos, vivenciamos as emoções que o perpassam.”  Resumo Comentado:

  Liliane Negrão Pinto, Mestranda (Instituto de Estudos da Linguagem), UNICAMP |Eliana Maria Delfino, José Tiago Reis Filho, Sílvia Regina Gomes Foscarini, Wanda Avelino – Círculo Psicanalítico de Minas Gerais | Seleste Michels da Rosa, formada em Letras (UFRGS), especialista em Literatura Brasileira (PUCRS) e mestranda em Literatura Brasileira (UFRGS)

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” O autor, em várias ocasiões, afirma ter escrito o personagem para seu amigo Abdias representar, pois, segundo ele, era o “único negro do Brasil”.” em “Resumos Comentados: Anjo Negro de Nelson Rodrigues”

” A singularidade Ismael contrasta com a grande galeria de homens e mulheres rodriguianos, onde, em determinado momento da ação, os personagens retiram as máscaras e se apresentam, inesperadamente, na mais completa nudez psíquica.” Idem
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UM NEGRO COMO PROTAGONISTA DE UMA PEÇA EM 1948.

Diz Ruy Castro, em documentário do SESI, que Nelson Rodrigues ficou muito frustrado de ter que aceitar um ator não negro, maquiado, fazer o papel de Ismael, o médico negro da peça.  Orlando Guy foi escalado para que a censura do Ministério da justiça liberasse a peça –  que havia sido interditada.

“Orlando Guy fará o marido preto. O argumento de que não é negro retinto não é válido. Considerado o caso de um estrito e honesto ponto de vista teatral – o único que importa – basta, que sua discreta maquilage e seu desempenho dramático dêem a ilusão do “negro Ismael”. E não teremos direito à menor restrição. E se Ziembinski o escolheu entre muitos que se candidataram ao papel deve-se a que o tipo de Orlando Guy era o único que correspondia à concepção do tipo X que o ensaiador polonês exigia.”, Nelson Rodrigues, para o Correio da Manhã de 02/04/1948, dia da estréia da peça.

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O ODOR E O NOJO: o racista é movido a paixão e violência.

“Reflexões sobre o Racismo”, por Jean-Paul Sartre

Fui à  leitura no SESI/Campinas e  fiz a leitura caseira do texto, sob a influência de Sartre, pois é um influência de mais de 40 anos  de “Reflexão dobre o Racismo”. O livro da Difusão Européia do Livro tem dois textos, o primeiro sobre o anti-semitismo e o segundo sobre o racismo contra os negros. Mas o texto sob cujo olhar vejo a questão racial é, particularmente, o primeiro, o texto que estuda o anti-semitismo. É um texto que vai elencando absurdo trás absurdos, risíveis incoerências das falas dos racistas anti-semitas. Mostrando a irracionalidade completa. É pura paixão e violência.  Usando aqui a terminologia de Sartre, o anti-semita é um ser inautêntico.

No resumo citado acima, e é um resumo, falta uma coisa essencial que está bem chamativo no texto de Nelson Rodrigues que a repulsa da mulher branca ao cheiro e ao suor do negro. Esta invenção odiosa vai ser um dos temas mais agudos da análise de Sartre. A repulso ao judeu pelo seu pretenso cheiro.

Em Sartre, também em Anjo Negro, mas mais central ainda em Sartre,  esta repulsa se traduz em atração para a violência e a curra. As judias serão sempre curradas por anti-semitas.  No texto de Nelson Rodrigues a curra é narrada e o autor não propõe que seja encenada.  O que me leva a pensar que funciona como funcionam as estatísticas.  Acho que encenar é superior  narrar, assim como narrar é mais humanizador do que um levantamento estatístico.

O texto de Sartre analisa dezenas de situações do racismo. Mas acho esta questão odor, ou do cheiro, uma das questões mais profundas, sempre presente nos xingamentos e calúnias, mas, durantes décadas,  só pude encontrar  no texto de Sartre. Mas se trata de  um texto filosófico e tem um frieza insuperável.  No teatro seria diferente. Durante muitos anos fiquei pensando se seria mesmo possível  estar no teatro, vivenciando portanto e não apenas lendo ou ouvindo, frases explicitamente racistas. Vê-se isso em novelas da globo, mas são racistas caricatos. Em Nelson Rodrigues são personagens completos, do mundo aceito e vencedor. O personagem principal é um médico bem sucedido e sua mulher,  extremada racista,  pertence a este mundo  oficial , bem sucedido mundo  e invejado mundo.

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OS FILÓSOFOS: Não têm nariz, negam o corpo, ineptos para a vida.

“A Arte de Ter Prazer – Por um Materialismo Hedonista, por Michel Onfray

Mas há um texto que li nos últimos 5 anos,  para mim mais direto e arrasador.  Um ataque aos próprios filósofos. Os filósofos não têm olfato, paladar ou tato. A exceção dos pré-socráticos, tendo Demócrito o filósofo do nariz,  que coloca no centro da sua percepção.  Dos modernos, Nietzsche, que vai devolver o corpo ao homem. Kant, por exemplo,  vai banir o olfato da filosofia.

Frases de Michel Onfray

“A antiguidade apreciava os perfumes: nos banquetes ofereciam-se aos convivas guirlandas de flores diversas”. p. 111

“Entre os filósofos, o perfume não tem boa reputação: é associado ao luxo, à devassidão, à depravação”. p. 111

“o luxo dos odores da Ásia(…) era tido como suspeito pelo helenismo clássico”. p. 112

“O ódio ao corpo é acompanhado por um ódio tenaz ao olfato. O nariz concentra as aversões e as paixões como um revelador”. p. 112

“Assim veremos alguns filósofos dos mais sérios recorrerem ao olfato…elegem  esse sentido, entre cinco, pra apenas dizer suas repugnâncias: analisará o odor dos negros e tentará compreender por que tal fedor(!), outro se gabará de distinguir o Foetor Judaicus  – o fedor judeu -, um terceiro descreverá com uma complacência afetada o odor dos pobres…”. p. 112

Nietzsche colocou o nariz no centro das suas investigações e transformou o odor numa metáfora sobre a vida. Instinto, em Nietzsche, uma qualidade que tinha que ser defendida e restabelecida, se confundia com o odor, assim como a ruminância.

Mas os mesmos filósofos que baniram o olfato da filosofia vão ser os que usarão o olfato para caluniar os corpos dos que lhes eram diferentes. Numa incoerência tão evidente que beira à estupidez.

Kant que banira o olfato do seu sistema filosófico é com o nariz que vai julgar os negros. “O odor forte dos negros, que nenhum cuidado de limpeza consegue dissipar, permite supor que sua pele elimina  se seu sangue uma grande quantidade de flogístico…”. Miche Onfray diz que Kant lança mão de um emaranhado de hipóteses mais ou menos fantasiosas, lugares comuns mais banais, para assentar sua visão sobre o tal odor do negro. Sem nunca ter visto um negro sequer. ver p. 138

Schopenhauer:  “O bom Deus, prevendo em sua sabedoria que seu povo eleito se dispersaria pelo mundo inteiro, deu a todos os seus membros um odor específico que lhes permitissem reconhecer-se e encontrar-se por toda parte, é o Foetor Judaicus”.  M. Onfray comenta: “O fedor é portanto um toque de reunião, um código”.

Marx descreve a multidão de agentes de câmbio num escritório de Amsterdã nos seguintes termos( em O Capital): “A linguagem falada cheira fortemente a Babel, e aliás, o perfume que invade o recinto não é dos mais refinados”.  M. Onfray: “O judeu portanto, é infecto, nauseabundo e fétido”.p. 149

Depois dos filósofos vem os santos. Os santos  cheiram bem.  O diabo sempre cheira mal. Isabel, um santa católica, que gostava dor rolar na lama, viver com os porcos… dela diz a hagiografia: “É evidente que ela possuía uma grande pureza e uma grande inocência, como prova a exalação do seu corpo. Por ter brilhado na vida de toda inocência e castidade, seu corpo exalou na morte um odor delicioso”. … “Os gnósticos atribuíram a Cristo um existência sem defecção…. E Teresa de Liseux dá a receita para acompanhar Cristo na sua subida aos céus: é só acompanhar o rastro do seu perfume. p. 154-155

Sartre: Michel Onfray questiona o próprio Sartre que, em viagem à Itália, fala em termos depreciativos dos napolitanos, inclusive destacando a questão dos odores e aparência destes. E em suas cartas da Itália ignorar o fascismo; isso em 1936.

Filósofos, deste a antiguidade clássica na Grécia. Cristãos.  Vão atribuir ao bem um cheiro agradável e mal odores fétidos. E este capítulo do livro de Michel Onfray mostra a tradição milenar do racismo e da exclusão. Na filosofia e na religião. São formas de pensamento que destronam e detratam o nariz porque não conseguem aceitar a vida.  Desprezam o nariz porque desprezam a vida. E desprezam tudo que é diferente, pois a vida é formada de formas e corpos diferentes.

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A CIÊNCIA LEGITIMADORA DO RACISMO.

A Falsa Medida do Homem, de Stephen Jay Gould

Mas há um outro grande livro para nos armar contra o racismo que impregnou a filosofia e depois as chamadas ciências biológicas. “A Falsa Medida do Homem”. Stephen Jay Gould, vai mostrar como as ciências, durante décadas, falsificou dados, manipulou resultados, para provar inferioridade de povos e o que, naquela época, denominavam de raças.

Não esqueçamos que a escravidão negra foi aceita e promovida pelo cristianismo católico e protestante. Que o extermínio dos índios foi feito por cristãos. Que o colonialismo , extermínio e dominação do povos e nações foi feito –  e ainda é –  por nações ditas cristãs, sem condenação, ou apenas com tímidas reprovações, bem retóricas.

Se  grande partes destes filósofos vão dirigir seus ataques raciais,  preferencialmente,  ao odor insuportável, ou animalesco, das vítimas de seu racismo, cientistas de muitas áreas vão fazer um ataque concentrado a vários aspectos do homem. Vão criar teorias. Falsificar medidas. Criar infames testes para mostrar inferioridade de todos aqueles que não fossem brancos europeus. Em muitos casos seriam os alemães os superiores. Há um episódio que beira ao mais insano ridículo. Testes nos EUA chegaram ao resultado de que mais de 80 por cento dos estadunidenses teriam deficiência mental. E Stephen Jay Gould alerta. Estes testes, mais ou menos modificados, são usados até hoje em escolas. E outra curiosidade para a história. Grande parte destas teorias e cronometrias para escalonar raças nasceram, ou prosperaram,  nos EUA e não na Alemanha , como comumente se pensa.

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A filha, cegada depois de fixar atentamente o pai negro,  vai “chamar” negros de branco e o que ela chama de brancos são os negros. Acho genial esta simples inversão para mostrar o absurdo do racismo,  já que tudo não passa de convenção, de um nome

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A nova Vanguarda: o teatro sem público. foto do Teatro do IA-Unicamp

 

Campinas, cidade de milhares de universitários, milhares de professores universitários, com a segunda universidade de São Paulo e uma das maiores do país, com uma classe média arrogante e metida a besta, faz um leitura dramática para comemorar os 100 anos de Nelson Rodrigues. Melhor que nada!!!

Campinas de mais de um milhão de habitantes. Tem este Teatro do SESI. Outro do SESC. Ou seja, mantidos pela comércio e pela indústria. Conheço mais dois pequenos teatros de grupos. Na Unicamp constroem um imenso teatro, dentro do campus, para que alunos apresentem suas peças para eles mesmos. De costas para a população, como fica toda a Unicamp, excetuando-se o HC, parasitando a cidade, terão um Teatro contra toda a tradição histórica do teatro que nasceu em praça pública, em arenas; ou como Shakespeare, em zona portuária e de meretrício. Com a Unicamp, para os filhos diletos da burguesia apreciarem a si mesmo, a aplaudirem a si mesmo. Que humanidade apresentarão neste teatro?

Uma  leitura dramática. Melhor ouvir o texto que apenas lê-lo em casa. As falas ditas por atores já se aproxima um pouco do teatro, um teatro falado. As tragédias gregas, em versos, eram declamadas pelos atores.
Mas seguindo o roteiro de texto de Sábato Magaldi (link) ali faltava o encenador que é que realmente responde pelo teatro contemporâneo. Falta o cenógrafo que o grande condutor do teatro brasileiro revolucionário, como em Vestido de Noiva, com cenário de …. Acrescento aqui que em 1946, Anjo Negro teve cenário de Portinari (ver entrevista de Abdias Nascimento, no final da página).
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Palavras de Nelson Rodrigues sobre teatro:

a pretexto da estreia de Senhoras dos Afogados, em 1954:

” O que caracteriza uma peça trágica é, justamente, o poder de crear a vida e não imitá-la. Isso a que chamamos “vida” é o que se apresenta no palco e não a que vivemos cá fora. Evidentemente excluo, daqui, as peças digestivas…”

“O personagem do palco é mil vezes mais real, mais denso e, numa palavra ‘mais homem’ que cada um dos expectores”.

“…Ponha-se do lado de certa senhora na platéia. Perceberemos, então, que a expectadora de carne e osso não vive realmente, imita apenas a vida, Finge que é mulher, finge que é creatura humana e continua fingindo até no leito conjugal…”.

“Não sou pornográfico. Pelo contrário, me chamo de moralista. O único lugar onde o homem sofre e paga pelos pecados é em minhas peças.” Revista Brasilis[frases]

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“O personagem do palco é mil vezes mais real, mais denso e, numa palavra ‘mais homem’ que cada um dos expectores”.

Essa frase de Nelson Rodrigues diz que não é possível discutir a vida sem teatro. Que em Campinas não há vida. Que é ilusão toda acúmulo de teses, dissertações e estatísticas. Precisamos de teatro. Quem reivindica isso? Há candidatos que se dizem de esquerda nestas eleições. Começaram já as arengas. Alguém defende teatros na Cidade de Campinas? Duvido!!!

“Antunes Filho, ao realizar, em 1981, Nelson Rodrigues o eterno retorno, sintetizou a sua visão do universo do dramaturgo também em quatro textos: Álbum de família, Os sete gatinhos, Beijo no asfalto e Toda nudez será castigada, reduzindo-o, depois, em Nelson 2 Rodrigues, a Álbum de família e Toda nudez será castigada.”. link.

Que lástima! Depois de tudo isso olhar em volta e ver que Campinas não tem teatro. E não há perspectiva alguma. Nem um simples rumor.

Aprendi a adorar Nelson Rodrigues no “Beijo no Asfalto”, em “Toda Nudez será Castigada”, o filme de Jabour, “Na vida como ela é”, da Globo, no filme “Bonitinha, mas ordinária”. Mas parece que nunca saberei o que Antunes Filho fala por aí:  que Nelson Rodrigues é o maior dramaturgo do Brasil. Só dá para conhecer um dramaturgo se ele for encenado, acho.   Desde o modernismo, passando pela antropofagia, oswaldiana, até a tropicália, há um anseio profundo de quebrar o isolamento cultural do Brasil, condenado, inclusive, pela barreira da língua minoritária. Mas ser condenado a ignorar o próprio Brasil.  Ter em perto um universidade que pratica  e é ciosa na defesa do seu isolamento. Nossos jovens intelectuais se formam para serem europeus de segunda e brasileiros de quinta.

O teatro privado dos estudantes de arte da Unicamp deveria ser público

E para começar a sonhar haveria de ter um movimento [que não vai ter] para que o Teatro da Unicamp fosse construído no centro de Campinas, perto da catedral, talvez no mesmo lugar onde o antigo teatro foi derrubado e hoje é uma Praça cimentada, com barraca de salgadinhos: um anti-praça.  Ou na antiga rodoviária, hoje um imenso buraco abandonado. Este buraco é uma metáfora explicativa para Campinas.

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links

01. Texto da Peça, Anjo Negro, de Nelson Rodrigues

02. Artigos e fotos da época. Várias encenações. Anjo Negro também.
03. Tendências contemporâneas do teatro brasileiro, Sábato Magaldi

04. Revista Brasilis: Amigos e intelectuais relembram Nelson Rodrigues
05. FUNARTE: Memória das Artes [fotos de montagens de peças de Nelson Rodrigues
06. Bate-papo em torno da obra de Nelson Rodrigues [Funarte]

07. Correio da Manhã, sobre estréia de Anjo Negro 02/04/1948

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Documentário: Abdias Nascimento

Entrevista. Fala dos cenários de Portinari para Anjo Negro.

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Algumas frases publicas pela revista Brasilis

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pingback

o1. Teatro sem público: deve ser a grande sacada da vanguarda da Unicamp


3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai

20/07/2012

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Katsushika Hakusai

(1760-1849)


Bastaria, para mim, essa xilogravura para compartilhar do epíteto de Katsushika Hokusai, o louco, como gostava de chamar a si próprio. Sexo com polvos. Beijo e chupadas. Nossas meninas amazonenses sonham um relés boto sem braços. Aqui é sonho prá valer. Nunca vi paralelo na zoofilia.
É santificado e vendido como o criador que, dizem, foi das MEISHO-E, xilogravuras de paisagens, rivalizando com Hiroshige. Há até livro publicado com suas 36 paisagens do monte Fuji. No interwebsite.com.br/artejaponesa/artistas diz que ele é o mais prolíficoO e renomado artista do UKIYO-E.
Mas não diz que, se consultar na internet, um prolifico, criativo e louco gravurista das SHUNGAs. Vão destacar sua genialidade em produzir paisagens(MEISHO-E) ou genéricamente Ukiyo-e, privilegiando sua tradução literal de “retrato do mundo flutuante”. Ainda não achei qualquer texto que destacasse e analisasse sua produção, e de outros xilogravuristas, das (ou dos) chamados SHUNGAs. Só estes polvos aí acima mereciam algumas páginas, acho.

Queria destacar aqui, antes de reproduzir, no slideshow e na galeria, como é de praxe da série, uma seleção das suas SHUNGAs, duas xilogravuras que me deixaram maravilhado. Pena não poder ver os originais para, num dos casos, poder ver que “cor essa!!!”, numa xilogravura. A outra a gravura deste velho atônito. Como não tenho condições de acreditar em arte velha ou nova, acho que o tipo de coisa que é eterna. Ou eterna para minha breve vida. Como qualquer um que ler isso aqui vai logo ver que este blog não é de crítica, mas laudatório, apologético. As vezes brega, as vezes elitista, as vezes populista e com uma simpatia atoleimada pelas vanguardas, sem nenhum conhecimento técnico. Estes apontamentos são apontamentos. Querendo se divertir, divertir a si mesmo…

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meisho-e 

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links

01.Katsushika Hokusai, [album]
02. Ukyio-e, “retrato do mundo flutuante
[mostra técnicas de UKIYO-E].
03. U K I Y O E
Arte Pop da Antiga Ed

04. [Exposições de Shungas ainda são proibidas no Japão]. Proibida em 1907 sob influência da moral ocidental, diz o texto.
05. Shudō: La homosexualidad entre los samurais

06. 36 imagens do monte Fuji,[as mais badaladas das obras]
07. 36 imagens do monge Fuki[outra versão]
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Slideshow Katushika Hokusai

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Galeria Katushika Hokusai

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Post sobre Xilogravura

0. Xilogravura. Primeiro contato.

1. Xilogravura joponesa: UKIYO-E…….. [primeira anotação]

2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

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A Serbian Film, de Srđan Spasojević

09/07/2012

[Lembrete: quem não assistiu ao filme e não quer saber o final, não leia tal post. Foi inevitável dedurar o final para argumentar]

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“Madeleine Albright, secretária de Estado de Bill Clinton, que, ao responder a uma pergunta em rede nacional de TV sobre as 500 mil crianças mortas no Iraque como resultado das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, asquerosamente afirmou: “Acredito que o custo compensou”.” [ver link 10]. Razões de estado dirão os estudiosos universitários. Talvez se fizesse um filme onde Madeleine Albright aparecesse se masturbando, o filme seria proibido.

E que tal fazer um com Bill Clinton esporrando na cara de Monica Levinski.
Bem ao contrário das crianças mortas no Iraque, Monica Lewinsky é notícia de 1988 até hoje. Este é o peso da moral sexual. Desde Helena e a Guerra de Troia, sexo e a moral sexual é a única coisa que realmente conta. Para mim, aí mora o engano, o auto-engano, ou a enganação de Srđan Spasojević, quando diz que seu filme é uma metáfora sobre aquela guerra na Sérvia[ver link 07] e os ataques da OTAN. Em paz ou em guerra  e revoluções, há, houve e haverá muita tortura, violência e prazer na violência.  Ninguém se surpreenderia de a primavera árabe também fosse chamada de primavera sangrenta. Neste instante mesmo, em qualquer delegacia, em qualquer lugar do mundo, há gente gritando de dor e outros de prazer com a tortura. E bilhões de pessoas fingindo que não é com ele.

Ricardo Kotcho[ver link 01] chama o filme de sórdido. Será que empregaria o mesmo adjetivo para Bill Clinton, Madalena Albright, Churchi[ver link 13]l (o primeiro a usar bombas químicas no Iraque, o primeiro a bombardear civis na segunda guerra). Churchil apenas continuava um tradição inglesa como conta o artigo de Isto É [ver link 13]: “Mas foram os britânicos os primeiros a devastar as fileiras inimigas com a ajuda de métodos biológicos. A chance veio no final das guerras Franco-Indígenas (1754-63), quando a Grã-Bretanha derrotou a França na luta pelo Canadá. Lord Jeffrey Amherst, o comandante-em-chefe das forças britânicas na América, mandou distribuir cobertores e mantas contaminados com varíola para infectar as tropas indígenas do chefe Pontiac”
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Assisti a Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick pelo menos 10 vezes.
Alex comete crimes odiosos e se compraz com a violência. Em comum com Milos, Alex comete os crimes sob efeito de alguma droga. No caso de Alex no inocente – ou até nojento para alguns – leitinho. Milos afoga-se no Whisky e a piadinha, insistentemente lembrada no filme, é que malte é brochante, ninguém acha  leite  excitante. Não sei se são nos filmes de horror e violência, ou se é todo o cinema que as piadinhas e pegadinhas são incontornáveis. A aparência dedes personagens e desse assassino aí parece um charada do filme. Só que Alex tem seu livre arbítrio preservado, pois toma as drogas por livre escolha, portanto sem o perdão fácil que suscitaria se fosse à força, ou ministrada num complô como no caso de Milos de A Serbian Film. Mas Kubrick, crítico feroz da sociedade, também expõe um falso livre arbítrio, quando o religioso, um padre Anglicano, lamenta – Kubrick deixa a dúvida: será que lamenta mesmo?, ou este padre é um filho da puta de um manipulador escorregadio – que Alex escolha submeter-se a um tratamento para perder sua agressividade. E vê-se logo que Alex não é sincero, mas está é querendo se livrar da cadeia. O Alex de Kubrick é colocado entre a ingenuidade e o cinismo. Alex nunca é totalmente vítima. Alex gosta da violência. Alex gosta de lutar. Alex gosta imensamente de sexo e orgia. Alex gosta de música de Bethoven e traduz a violência dos acordes em violência física. Alex é sórdido e grandioso. Ao contrário, Milos de Serbian Film se apresenta como sempre como a vítima, sonha em si castrar, se culpa e destrói sua família que ele julgou culpada de tudo. Milos é um pobre diabo sem pensamento e sem prazer. No final seu suicídio e da sua mulher (que também é uma consciência culpada) e o assassinato da criança é banal e não me comoveu. Nem é vítima, com Alex foi da psiquiatria, do padre, da família, de todo o sistema, mas antes mais nada é um traste.

Torci por Alex, todas as 10 vezes que assisti ao filme, sob o som da arrasador da nona sinfonia. Não me lembro de qualquer música de Serbian Film. E na vida real os bombardeios no Iraque eram feitos sob o som de rock pesado. A arte, a vida, a política: a estética é politizada, a política estetizada. Havia um jogo chamado War, falava-se em jogos de guerra, em games, quando do Iraque.

Em 1988 quando assisti a este filme não tinha dúvida que esta era a mulher mais bonita e tesuda do mundo. E que deveria assistir a todos os filmes de Alan Parker. Nunca mais assisti a qualquer filme dele e nunca mais vi uma cena de Lisa Bonet. Mas também jamais esqueci, ou melhor, lembrei-me quase todos os dias. E continuo fugindo deste poder dominador da imagem, principalmente da imagem cinematográfica ditatorial, acachapante. A Serbian Filme é um filme, neste ponto de vista, inofensivo. Nenhum personagem meu deu tesão ou empatia.
Outro medo é de lembrar dele mais do que o impacto que causou em mim, já que escrevo sobre ele, e este elemento da cultura, escrever ou falar sobre, imprime uma falsa lembrança. Uma lembrança de gabinete. Lisa Bonet parece cinzelada no corpo. Só hoje sei que chama Lisa Bonett.

Há ainda rituais religiosos com derramamento de sangue e vítimas. Há ainda. Mesmo reprimidos continuam existindo. Me pergunto se este cinema de violência, assim como os games para crianças, não encenam estes sacrifícios? Assim como os contos de fadas introduzem as crianças na violência e no sexo, de maneira sub-reptícia ; outros. como Chapeuzinho Vermelho, bem claramente. Estas encenações não aplacam, talvez, a sede de sangue?

Dizem que o quadro é de má qualidade técnica. [ver link 12]. Vendo reproduções da mesma fase azul não consegui ver qualquer diferença técnica. E não acredito que Picasso o escondeu por 28 anos por motivos de insuficiência técnica. Nem os tantos outros anos que ficou escondido.

Alex, em Laranja Mecânica,  é a melhor pessoa do filme. Todos são muito mais sórdidos na sua vidinha comum e horrorosa. As pessoas comuns a idiotia e a covardia repulsiva. Os psiquiatras a violência e a droga para domar e castrar. Políticos de esquerda e de direita manipulam e torturam Alex para torná-lo dócil e usá-lo. Policias e ex-amigos de gangues viram policias para torturarem-no. O escritor, o inelectual, cuja mulher foi estuprada e morta por Alex se tem quase um orgasmo em imaginar a tortura que planeja e executa ministrando drogas na refeição de oferece a Alex. Piedade e tortura se misturam o tempo todo. E Alex se humaniza diante de tanta podridão. Fala-se que é um filme fascista. Talvez seja o fascismo que está em todos nós então, mas, em algum momento da vida, ou em muitos, sonhamos ser, nem que seja por um momento, um furioso Alex.
A Serbian Film, tem algumas citações de Laranja Mecânica. Quando um escultura é usada para esmagar a cabeça da vítima. Nos dois casos não há um esmagamento explícito, mas sugerido.
Quanto ao incesto que Milos comete sob efeito de Viagra para cavalo – outra piadinha – há no cinema hollywoodiano, em Coração Satânico, de Allan Parker, com prazer e erotismo, sob o subterfúgio de se dar sob possessão demoníaca. Parece que a questão é com que maestria ou felicidade cada diretor encontrou sua maneira de mostrar.Assim como a pedofilia que o argumento para proibir o filme. Ela, por exemplo, é mostrada com sinal invertido, mulheres com garotos, e aí não é nem tão chocante, nem há pedidos de proibição. Podemos ver isso, tanto em Picasso ou no Amor Estranho Amor, protagonizado por Xuxa, a rainha dos baixinhos.

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Uma desculpa para proibir o filme foi que é de má qualidade [ver link 08]. Com esta desculpa poderia proibir quase tudo feito em Hollywood,  na Índia ou na Rede Globo.

Me lembrei  bastante de Laranja Mecânica, por ser um filme que me marcou.  Também o diretor de A Serbian Film, Srđan Spasojević,  faz várias referênias e citações do filme de Stanley kubrick.  Kubrick abordava a violência, mas sem moralismos e complexo de culpa. Qualquer um de nós foi ou queria ser, em algum momento, Alex. Já Milos, de Serbian Film, é um pobre diabo, um traste. Ele se julga assim e é. É um joguete que não consegue nem refletir nem lutar.

Esse cartaz me fez lembrar, imediatamente, de o Iluminado de Stanley kubrick, onde não havia droga, mas a loucura do cotidiano e da banalidade. O mal é a banalide.

Homossexuais enforcados em praça pública no Irã. Parece desfocado isso aqui. Mas não há sexo e violência sem deus. E A Serbian Filme não aborda isso. Mesmo as humilhações e torturas em Guantánamo eram feitas em nome da democracia e do cristianismo.

Jeová pede que Jacó sacrifique seu filho único. Isaac sobreviveu para encher a cultura judaica e cristã de neurose. Como discutiu Dostoiévski, um condenado a fuzilamento que foi apenas encenado, narrando que carregou esta tortura pelo resto da vida.

“Sem sangue não há amor”, do Amor Cristão, de Marcelino Freire
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Ainda comparando com Laranja Mecânica. Há a música de Bethoven[trilha sonora,[ ver link 14]. Muitas vezes a música conduz o filme. O cinema, quase sempre, usou a música como um elemento narrativo. Não ouvi isto em A Servian Film.  Há coreografia, figurino e dança em Laranja Mecânica. Há solidariedade e traição. Em a Serbian Film quando o irmão trai não há qualquer grande choque. Como se a traição fizessem parte desta banalidade da vida comezinha. A Serbian Film, muitas vezes, é moralista, mas sempre muito pobre. Não a a grandeza escancarada e ridícula de um Nelson Rodrigues. E também muito maniqueísta. A droga é usada para o mal, uso que Alex e sua Gang faz, mas é também usada para “bem”, para corrigir Alex, e Kubrick faz-nos ver como, a droga na mão dos poderosos pode ser o supremo mal. E nos coloca do lado de Alex contra o poder. Em Laranja Mecânica há sexo e prazer. Em Serbian Film há violência. Não fica nunca evidente se algum personagem sente algum prazer com o que está acontecendo na tela. A não ser que alguém acredite que ejaculação é sinônimo de prazer.

Em O Erotismo, George Bataille registra que o público, masculino claro, ejaculava nos enforcamentos. Dele é a frase: “Deus, sexo e violência são intercambiáveis”

Se houver alguma aposta do diretor é que a platéia, mais violenta que os personagens, vá sentir prazer.
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Alex tem vivo prazer com o que faz. Alex só tenta mudar por puro oportunismo, para escapar da punição. No final de Laranja Mecânica parece recobrar sua humanidade contraditória e prazeroso.

Poderia se dizer que não dá para comparar pois Laranja Mecânica não é um filme pornográfico. O mesmo se pode dizer de A Serbian Film que é mesmo um filme sobre ator do cinema pornográfico, e que vai fazer um filme sobre violência, sob efeito de uma droga poderosa, sem qualquer controle sobre sua vida. Alex também usa droga, mas como os comuns dos mortais. Faz crimes porque os humanos fazem crime, não parece que a droga explique e o absolva. E é pego porque cometeu erros e foi traído. Milos é o erro. É antes um robô, um puro joguete, pois a droga que o conduz, totalmente, inescapavelmente.

O que há de mentiroso no filme é que o diretor parece dizer que só alguns Milos cometeriam tais desatinos, sob efeito destas drogas. Mas ele e todo mundo que gosta ou odeia o filme sabe que não. Que o crime, a violência, a dominação são  a droga mais dominadora que existem. E que os assassinos estão no poder. E que no limite mais baixo, os assassinos tem poder. E que os deuses sempre quiseram sangue, dos deus primevos da Grécia a Jeová.  E que os deuses curraram as virgens, de Zeus a Jeová. Em nome deles foram destruídos homens e nações. Não dá para falar de sexo e violência sem falar de deus.  Uma das grandezas de Laranja Mecânica é o padre bondoso, cuidadoso e, ninguém sabe?!, cínico, aliado do sistema de punição. Milos, o joguete, o menos culpado – e ao final já não mais drogado, aplica a pena de morte nele, na sua mulher (culpada de ganância, já que sóbria) e seu pobre filho. Alex escolhe vida, Milos a morte e o assassinato.
Não achei um mau filme. Acho que pode ser um filme bem feito sobre um homem/robô, levado a total inconsciência. E quando consciente, ao desatino. Mas quando eu quiser refletir, usando um filme, acho que vou assistir pela undécima vez Laranja Mecânica que retrata a humanidade como ela é: multifacetada e perigosa.b

E também se me der na telha assisto novamente A Serbian Film que  agora foi liberado, depois de um ano apreendido. Um ano, quando a justiça tinha estipulado 30 dias para o veredito. Acho até que vou assisti-lo na tela grande, ou seja, ver cinema é no cinema.

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links

01. Justiça está certa, sim, ao proibir filme escabroso.[Ricardo Kotcho apoia a proibição do filme (sem assisti-lo) ]
02. Depois da Caixa e do Ministério da Justiça, agora é o MPF e a Justiça Federal que censuram “A Serbian Film”
[Tinha prazo de 30 dias para “julgar” o filme e levou um ano]
03. Como é determinada a censura de um filme?
04. Brasil censura primeiro filme após 26 anos
05. A Tortura do Medo (Michael Powell, 1960) [diz, a certa altura, que este filme homenageia Blow Up, de Antonioni]
06. A Serbian Film – Terror Sem Limites – Censura É o Melhor Marketing[“Este filme é realmente doentio, violento, polêmico, com muitas transgressões; mas “Irreversível”; “Saló ou 120 Dias de Sodoma”; “O Albergue”; “Ichi, o Assassino”; “Cannibal Holocaust”; “A Vingança de Jennifer” (o original) e muitos outros filmes também o são e tem seu público e fãs.”]
07. A Serbian Film – Censurado no Brasil? [Tem trechos de entrevistas do diretor onde diz de objetivos morais do filme .Mas não fala de estar sob efeito de droga]
08. A Serbian Film – Terror Sem Limites[ Uma crítica com argumentos cinematográficos]
09.Crítica – A Serbian Film: Terror Sem Limites Afirmo também que filmes como, por exemplo, Oldboy (2003), Martyrs (2008), Tetsuo (1989), A Invasora (2007), Audition (1999), me deixaram mais boquiabertos e intrigados do que o filme Sérvio.”]
10. Davis, Mike. Apologia dos bárbaros: ensaios contra o império Resenha de Waldir José Rampinelli

11. Picasso, Erotic Scene, Erotic Scene (known as “La Douleur”) Pablo Picasso  (Spanish, Malaga 1881–1973 Mougins, France)
12. Um Picasso “picante” que ficou guardado durante 28 anos será exibido em NY
13. Uma sedução fatal
Armas químicas e biológicas tornaram-se a “bomba atômica dos pobres”

14 . Trilha Sonora de Laranja Mecânica