Pintura. Deformações dos corpos: Alongamento dos corpos 1. El Greco.

14/08/2012

El Greco (1541-1614).

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Biblioteca Mário, VII-070.031 .
Destes dois livros foram retirados citações e algumas reproduções para iniciar um estudo do fenômeno da deformação dos corpos ou, aqui, alongamento dos corpos. VER GALERIA.

Que efeito buscam os pintores, escultures e desenhistas  com a deformação dos corpos? Vimos, aqui, em Memória e Altar, que é constante na arte Africana, como se quisessem “enganar” os espíritos dos antepassados, forjando formas não realistas, quando as representações de animais eram bem realistas, provando que era uma escolha representar alongadamente, ou com outras deformações, a figura humana.
Debita-se mesmo à Arte Africana grande influência na arte do chamado ocidente, principalmente na arte moderna e contemporânea.

Folheando livros de arte ocidental podemos ver vários exemplos deste procedimento. Aqui no blog pretendo fazer uma recolha deste fenômeno, tentando entender, e sentir, estes efeitos.

Em Modigliani o alongamento dos corpos é dominante, tanto na pintura como na escultura. Nas figuras femininas, para mim, ajudou a destacar a sensualidade. Numa espécie de estranheza positiva, cativante. Como deformar pode tornar mais belo?

Em Giacometti o alongamento dos corpos provoca desolação, desencanto. Uma solidão, mesmo em suas florestas de figuras. Achei quase uma desumanização. E em El Greco, vai haver uma descarnação em relação à arte renascentista. Um descarnação, uma espiritualização que, para mim, vai dar em Giacometti.

Deformação dos corpos, El Greco (1). Mestre da Pintura, Abril Cultura, 1977. Biblioteca Mário, VII-070.001

A questão que se coloca é porque um procedimento que remonta à Arte Africana, muitas vezes chamada de folclore, e, no caso de El Grego, um retorno a formas arcaicas, bizantinas e medievais, vai estar presente, de maneira sistemática na arte moderna e contemporânea. Naquele momento, de Contra-Reforma católica, da Inquisição, em Toledo, centro da inquisição, os procedimentos estéticos, de retorno ao antigo, praticado por El Grego tem um conteúdo de inovação. É uma ruptura com as repetições nada criativa do maneirismo, estética que, vejam bem, colocava como mandamento a criatividade e era pura estagnação. Assim como a busca pela África vai arejar a arte moderna e contemporânea.

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SÓ ACREDITARIA NUM DEUS QUE DANÇASSE: NIETZSCHE.

Como acho que a música é a mais alta e importante atividade humana, procuro ligar os períodos da história à música. O mundo que quero conhecer tem que ter música ou não quero conhecer. Diferente da pintura, escultura ou desenho, cujas manifestações estão gravadas nas cavernas há 50 mil anos. A música que deixou registro começa no ocidente no século XI ou XII. Mas não é difícil imaginar que todos os povos, desde sempre, cantaram e dançaram. Todos os povos cantam e dançam. Me considero um aleijão, uma espécie de gabiru, por não conhecer tecnicamente música, nem tocar qualquer instrumento. E nem mesmo conseguir cantar. Portanto meu conhecimento será sempre precário, insuficiente, parcial.

A MÚSICA NO TEMPO DE EL GRECO

…………………………………………UM DOS INSTRUMENTOS MAIS PODEROSOS DA PROPAGANDA JESUÍTICA FOI A LITURGIA ROMANA………………………………………….escreve Otto Maria Carpeaux………………………………………..“o Officium defunctorum(1605), missa de réquiem e “orações de tumba”(seis vozes)…obra de solenidade sombria, e em certos momentos, de exaltação mística; é essa que já fez pensar no Entierro del conde Orgaz, de Domenico Theotocopuli el Greco”. Música de Victoria(Tomás Luís de)”.

Enterro do Conde de Orgaz, 1586-1588. Os dois planos é volta à pintura da Idade Média. Mas os rostos, destes aristocratas, com suas barbas pontiagudas permitem um alongamento dos rostos. os corpos são alongados, radicalizando este procedimento já estava presente até em Michelangelo. Mas os amarelos e pretos são cores berrantes e contrastantes, não tão convencionais ao maneirismo. Em meio ao conservadorismo a evolução e a mudança.

A Contra-Reforma católica, cuja ideologia El Greco tentava seguir, botava muita atenção à música. O Concílio de Trento, o Concílio da Contra-Reforma, tirou diretrizes severas para domar a música. Assim escreveu Otto Maria Carpeaux: “Mas na Igreja Católica colaboraram as artes plásticas as artes plásticas e a música para representar a verdade religiosa: de uma maneira que assombra os espíritos simples, eleva os de elite e confunde a todos”. E, para isso, “Quanto à música, trata-se de uma reforma não somente litúrgica, mas também musical”. A arte tomará seu curso e, mesmo com toda repressão da Santa Inquisição, terão músicos revolucionários e obras revolucionárias na pintura.

Aqui, para anotação e sentir um pouco a época – e sem música não dá para sentir, acho – vão dois momentos de músicas grandiosas. Um mais conservador outro já no caminho de mudanças dentro daquele ambiente de repressão e controle.

“Giovanni Gabrieli já um mestre pré-barroco. Antecipa fases posteriores da evolução da música. Algumas daquelas músicas podem ser executadas ad libitum…Os musicólogos têm dedicado estudo intenso a uma obra como a Sonata Piano e Forte, de Giavanni Gabrieli, obra puramente instrumental, na qual dois coros de vozes são substituídos por dois coros de trombonees. No seu tempo, Giavanni Gabrieli foi certamente um inovador revolucionário”. Otto Maria Carpeaux, História da Música. Lembrando que o Concílio de Trento cogitou proibir qualquer instrumento, pois só a voz humana poderia cantar a deus. Permitiu apenas como acompanhamento simples ou simples introdução. No entanto a arte seguiu seu curso…tortuoso

“Quando, em 1956, Igor Stravinsky regeu na basílica de San Marco, em Veneza, seu Canticum Sacrum ad honorem Sancti Marci nominis, a execução da obra moderna foi recedida pela de alguns coros de Andrea e Giovanni Gabrieli”.


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Visitação, 1607-1614. “”Nesse cotexto, é possível entender as características conscientemente subjetivas da pintura de El Greco não como traços visionários ou místicos, mas como fruto de idéias estéticas determinadas. Quer dizer, a definição de sue estilo obedece conceitos claros, e sua obra é mental com um componente expressionista que o pintor deixar transparecer deliberadamente, cada vez em maior medida, consciente de sua genialidade individual”. Gênios da Arte”, ed. Girassol.

MODERNIDADE… Parece a mim obra moderna. Me remeteu a muitos reproduções de modernos e contemporâneos que vi. Aqui mesmo neste blog reproduzi um quadro também “fantasmagórico” de Nolde, apesar de ser uma dança, mas parecia uma dança ritual e não um carnaval. Nolde me lembrou Stravinksy. Votarei sempre a essa reprodução de El Greco e também ao quadro de Nolde. Mais que conhecer correntes quero conhecer obras, não quero uma sociologia, mas um certo catálogo de meus gostos.
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Galeria de reproduções e texto

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links

01. Modigliani: “Eu agora possuo o orgasmo…”
02. GIACOMETTI por JEAN GENET.
03. Giacometti por Sartre
04. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: Memória e Altar: apontamentos 01
05. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Memória e Altar”: Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite
06.El Greco:” A tendência do pintor para alongar a figura humana, aprendida em Miguel Ângelo, mas também em Tintoretto e Paolo Veronese, e em pintores maneiristas vai caracterizar toda a sua pintura”.


Stabat Mater

01/08/2012

É a ignorância que estravanca  progressio – bordão de um humorista da Escolinha do Professor Raimundo. Há alguns anos, todos os dias, ouço Stabat Mater, de Dovak que me comove, todos os dias ,como da primeira vez que ouvi. Hoje acho na internet uma  lita de dezenas de compositores que musicaram tal texto. Digitei no Google Stabat Mater, Otto Maria Carpeaux, único crítico de música que li na vida algum dia lá num passado distante.  E o primeiro texto que aparece traz o seguinte parágrafo:

“Stabat Mater (“Estava a mãe”) corresponde às duas primeiras palavras do hino Mariano, a partir de um poema medieval, que descreve a angústia da Virgem Maria durante a crucifixão. Comecei a me interessar pelos Stabat Mater a partir de dois dos considerados cinco grandes exemplos de composição musical para esse magnífico texto, o de Vivaldi e o de Pergolesi, reunidos num único CD adquiridos em 1996. De acordo com Otto Maria Carpeaux, os cinco grandes Stabats foram compostos por Vivaldi, Pergolesi, Haydn, Verdi e Rossini, embora alguns ainda atribuam ao Stabat de Emmanuelle d’Astorga, como maior que o de Pergolesi. O Stabat de  Pergolesi é talvez o mais famoso e mais executado…”.

Como se vê não fala do meu amado Dvorak. E fiquei realmente perplexo. Será que é possível algo mais tocante que a música de Dvorak?  Na lista tem Bach. Durante muitos anos, antes de ouvir Stabat Mater, de Dvorak, eu achava a Paixão de São Mateus, de Bach, um coisa insuperável, e não só como música religiosa, como música. É um trio com Selva Morale a sei voci, de Moneverdi.

Mas o texto acima diz que estou por fora. Bem possível já que não sou nem músico, nem religioso.

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Esssa versão é com o mesmo maestro, Marko Munich,  e a mesma orquestra, não sei se com o mesmo coro, já que o Grooveshark não indica.

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Tradução:

Stabat mater dolorosa juxta crucem lacrimosa,dum pendembat filius

Estava a mãe dolorosa

chorando junto à cruz

da qual seu filho pendia

Cujus animam gementemcontristatam et dolentem,pertransivit gladius sua alma soluçanteinconsolável e angustiadaera atravessada por um punhal
O quam tristis et aflictafuit illa benedictamater unigeniti! Ó, quão triste e aflitaestava a bendita mãedo Filho Unigênito!
Quae  moerebat et dolebat,et tremebat, cum videbat,nat poenas incliti Transpassada de dor,chorava, vendoo tormento do seu Filho
Quis est homo, qui non fleret,Christi matrem si videret,in tanto supplicio? Quem poderia não se entristecerAo contemplar a Mãe de Cristosofrendo tanto suplício
Quis non posset contristaripiam matrem contemplaridolentem cum filio? Quem poderia conter as lágrimasvendo a mãe de Cristodolorida junto ao seu Filho?
Pro pecatis suae gentisvidit Jesum in tormentiset flagellis subditum Pelos pecados do seu povoEla viu Jesus no tormento,Flagelado por seus súditos
Vidit suum dulcem natummoriendo desolatum,dum emisit spiritum Viu seu doce Filhomorrendo desoladoao entregar seu espírito.
Eia, mater, fons amorisme sentire vim dolorisfac, ut tecum lugeam Ó mãe, fonte de amor,faz como que eu sinta toda a sua dorpara que eu chore contigo.
Fac, ut ardeat cor meumin amando Christum Deum,ut sibi complaceam Faz com que meu coração ardano amor a Cristo Senhorpara que possa consolar-me
Sancta Mater, istud agas,Crucifixi fige plagas,cordi meo valide Mãe Santa, marca profundamenteno meu coraçãoas chagas do teu Filho crucificado
Tui nati vulnerati,tam dignati pro me pati,poenas mecum divide Por mim, teu Filho coberto de chagasquis sofrer seus tormentos,quero compartilhá-los
Fac me vere tecum flere,crucifixo condolere,donec ego vixere Faz com que eu choree que suporte com Ele a sua cruzenquanto dure a minha existência
Juxta crucem tecum starete libenter sociatein planctu desidero Quero estar em pé.ao teu lado, junto à cruzchorando junto a ti.
Virgo virginum praeclara,mihi jam non sis amarafac me tecum plangere Virgem de virgens notável,não sejas rigorosa comigo,deixam-me chorar junto a ti
Fac ut portem Christi mortempassionis fac consortemet plagas recolere. Faz com que eu compartilhe a morte de Cristoque participe da Sua paixãoe que rememore suas chagas
Fac me plagis vulnerari,cruce hac inebriariob amorem filii Faz como que me firam suas feridas,que sofra o padecimento da cruzpelo amor do teu Filho
Inflammatus et accensus,per te, virgo, sim defensusin die judicii. Inflamado e elevado pelas chamasseja defendido por ti, ó Virgem,no dia do juízo final.
Fac me cruce custodiri,morte Christi praemuniri,conforverti gratia. Faz com que eu seja custodiado pela cruz,fortalecido pela morte de Cristoe confortado pela graça.
Quando corpus morieturfac, ut animae doneturparadisi gloria. Quando o corpo morrer,faz com que minha alma alcancea glória do paraíso.
Amen. In sempiterna saecula. Amém. Pelos séculos dos séculos

Este texto pertence à versão de Giacomo Rossini. Há muita variação nos diversos textos musicados, com mudança de algumas poucas palavras, mas que mantém o mesmo sentido. No Speciosa,  trocam-se algumas palavras como neste exemplo da primeira stanza:

Stabat mater speciosajuxta foenum gaudiosadum jacebat filius Estava a mãe radiantejunto à manjedora, cheia de júbilopelo seu Filho deitado

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Essa arte para caber aqui juntou palavras. Veja como está na página da internet, link 01, abaixo.

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links

01. Stabat Mater. Texto em latim e tradução. [ Nota: tem uma lista de compositores de Stabat Mater, menos Dvorak]
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