O olor fugaz do sexo das meninas

24/04/2013
Biblioteca Mário XXII-220.002 S001m

Biblioteca Mário XXII-220.002 S001m

Mari Stockler: Meninas do Brasil

Mari Stockler: Meninas do Brasil

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o homem velho

, Caetano Veloso

Ao vivo, com introdução de assobio


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links

01. Songbook de Caetano Veloso
02. PASQUALE CIPRO NETO:”O Homem Velho”
03. Site de Caetano Veloso
04. Mari Stockler

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vocabulário

Fugaz (ou Fulgaz)

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A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz

Do sexo das meninas

Ver no songbook:O olor fugaz do sexo das meninas

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(fu.gaz)

a2g.

1. Que tem velocidade, ligeireza, rapidez; RÁPIDO; LIGEIRO

2. Fig. Que não dura muito, que passa ou desaparece depressa (momento fugaz; alegria fugaz); EFÊMERO; FUGIDIO; TRANSITÓRIO; PASSAGEIRO

[Superl.: fugacíssimo]

[F.: Do lat. fugax, acis.]

Read more: http://aulete.uol.com.br/fugaz#ixzz2ROct7eP0

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Jimi Hendrix e a delícia de não saber inglês

25/09/2012

Hey Joe. Desde que ouvi a primeira vez, em 1972, nunca deixei de querer ouvir sempre, quase todos os dias, Jimi Hendrix.
Hey Joe. A importância desta música, o que só agora eu sei, é dada pela quantidade de vezes que é citada com destaque nas diversas capas. Nalgumas ocupa quase toda a capa.

Hey Joe. Ouvi um anedota de que Haroldo de Campos, ouvindo seu filho ouvir no rádio Star Splanged Banner (Woostock, 1969), rádio que anunciava morte de Hendrix, e exclamou: olha o que eu perdi. O poeta concreto e radical passara sem notar a existência de Jimi Hendrix. E aquele anuncio era o anúncio de uma dupla perda. O grande Haroldo ali era um déficit. E Haroldo de Campos é sempre um poeta, tradutor e crítico que quero ir conhecendo. Sem saber Inglês, Francês, Alemão, Grego e Latim, vou lendo suas traduções e notas de tradução, tentando pegar alguns fragmentos. É duro ser monoglota. E também ser poliglota [Millôr Fernandes ao ouvir dizer que Paulo Leminski  estudara 16 idiomas: “Paulo Leminski fala 16 idiomas: que solidão!”.]

Hey Joe. Durante décadas quando me lembro de Jimi Hendrix, e me lembros quase todos os dias, as vezes várias vêzes ao dia, é essa música, Hey Joy, que vem primeiro.  Está longe da radicalidade de Star Splanged Banner que sempre ouvi como um protesto à guerra do Vietnã. Pode ser mais uma lenda que criei. Como é instrumental, permite que eu sinta o que eu quiser e crie a lenda que eu quiser.

Hey Joe. É a música que me vem à cabeça sempre que penso em um amigo. Esta banalidade do ” Hey Joe”  na voz de Jimi Hendrix me parece uma grito de amizade quase primal. Agora mesmo uma jovem virou amiga no facebook e diz-se fanática por Jimi Hendrix. Quase fiquei amigo, claro, quase amigo de verdade dela, só por isso; apesar de não ser tão fanático, pois, mesmo na música tenho outros heróis, muitos, dezenas. São tantos meus heróis na música, na literatura, na poesia, na pintura, na escultura que acho que não tenho ídolo nenhum. O que me é muito pesado. Todo o dia eu quero dedicar minha vida a um destes heróis, por exemplo Dostoiévski, mas no outro dia é Nietzsche, noutro é Stravinsky, noutro é Tom Zé, noutro é o balé, o Grupo Corpo. São meus ídolos, mas não consigo ser fiel a nenhum deles, noutro é Freud. E eu não consigo me livrar destes ídolos. E noutro dia é mais outro e noutro dia arranjo um novo. E se minha casa está abarrotada de livros, discos e filmes, minha cabeça está abarrotada de querer mais. E acho que sou um acumulador de frases, de músicas, de textos, de capas. E cada vez sei que sei menos, inclusive do próprio Sócrates que Platão disse que ele disse isso. Mas como parar se eu não quero parar.

Estas letras mal traduzidas, mesmo não sabendo Inglês vê-se logo que são mal traduzidas, estragam nossas mais caras fantasias. Hoje conhecendo o sentido da música não se o que fazer com ela.

Quando Gilberto Gil lançou Domingo no Parque fiquei fascinado pelos arranjos de Rogério Duprat. Até hoje, acho, um dos melhore arranjos da música popular brasileira, assim como os arranjos de Construção de Chico Buarque,  arranjos também de Rogério Duprat. Mas ficava mortificado com esta carnificina passional, dois corpos no chão de Juliana e do amigo João.  Mas não deixei de ficar fascinando pelo sorvete vermelho, morango e sangue. Arranjei até uma fuleira justificativa erudita, uma tal de psicologia do Gestalt, da qual  não manjo bulhufas, que num dos seus conceitos postula que o meio ambiente circundante como formas e cores, inclusive palavras e letras, influenciariam as decisões das pessoas.


E há muitos anos eu não sabia o que fazer o Noel Rosa, o meu primeiro grande ídolo na música popular brasileira. Ainda o maior.  Uma das músicas que mais me lembra Noel Rosa narra um maldito crime passional. De novo é uma amigo que perde a vida por causa de uma cabrocha. Mário Reis foi um dos intérpretes. Mário Reis, cuja maneira coloquial de cantar, dizem, antecipa a Bossa Nova e o canto quase falado. Para a época do império do dó de peito um marco e, dizem, um choque.

Hey Joe. Porque músicas tão lindas falam de coisas tão horrorosas. Matar mulheres, matar amigos em disputa por mulher, nenhum desprezo por mulher, mas total desprezo pela disputa.  Não entanto Joe não vou deixar de ouvir estas músicas. O diabo é que as duas da minha língua, que eu acho que entendo, tem versos maravilhosos, além da própria música. Versos maravilhosos que narram horrores.  Também sou fanático pelos versos traduzidos, por Haroldo de Campos, da Ilíada que narra um guerra de dez anos, com massacres e hecatombes, tudo por uma tal Helena. Destruíram um cidade, morrem reis e heróis. Mulheres foram estupradas, como são em todas guerras. Os chefes guerreiros incitam seus homens a sonharem com a invasão de Tróia  e com o estupro de suas mulheres. E como diz Haroldo de Campos, a Ilíada é tão grandiosa enquanto poesia que não há nunca o verso inferior ao outro, como ele diz, ela nunca decaí.

E música  Hey Joe canta o amigo que acabou de assassinar a mulher por ciúme.  E parece ser solidário que este assassino  e narra sua fuga para o México.  Durante décadas, sem saber o sentido, ouvi o som. E captei o tom de amizade profunda que a música traduz.  As Letras (mal) Traduzidas, na internet, fizeram um grande estrago. Pois se a Ilíada é supremamente bem traduzida. Se Noel e Gilberto Gil fazem versos maravilhosos; eu gostaria de ter ficado com a voz de amizade e som de Jimi Hendrix e não este versos fuleiros, para uma grande música.

E sei que em busca de sentido, acabarei sempre matando os sonhos.
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Talvez haja um consolo. Com a formidável evolução do homem não haverá mais necessidade de Ilíadas. Nem mesmo os horrores do Auschautz, Teblinka ou Gullag. Nunca houve guerra ou revolução sem estupros. Mas com a evolução das guerras modernas os massacres são como videogames, que todos mundo assiste pela televisão. Madeleine Albright pode dizer que 500 mil crianças mortas como consequência da primeira guerra contra o Iraque valeu a pena. Já que guerra de massacre e mesmo os cercos e a fome exclui o contato humano e a guerra suja. Vivemos um mundo maravilhoso onde estas 500 mil crianças não viram literatura. Ou porque é horror demais ou porque nem é mais horror? Agora é a guerra limpa. Guerra corpo a corpo, com toda a sujeira e crimes, fica para a África, Ásia e Oriente Médio, claro, entre eles. As grandes potências tem sua reluzente e limpinha máquina de esmagar carne humana.
Talvez aqui tenha um paralelo a fazer. Como são assinadas mais de 2 mil mulheres no Brasil, por ano, não é mais o horroroso crime passional que atraia, mas também horrizava, e era matéria para poetas e escritores. Mas o massacre é banal. Massacre vira estatística ou folha de jornal. Talvez vire tese científica com bolsa Fapesp, mas geral pouca indignação ou dor, matéria das artes.
Recentemente vemos 150 mil mortos na Síria, sem comover ninguém. E sabemos que quem morre, hoje, numa guerra, ou revolução, em primeiríssimo lugar são os civis indefesos, crianças, velhos e mulheres.
Talvez a destruição em massa não comova mais ninguém.

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Aqui vai a versão de Noel Rosa, na voz de Mário Reis. Mas como é o Youtube, logo logo eles retirarm.
A versão do Grooveshard, penso, a voz é do próprio Noel, apesar de lembrar muito a interpretação de Máriko Reis.

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pingback

01. Madeleine Albright [ em A Serbian Film, de Srđan Spasojević]
02. Noel Rosa [Jornal do Porão n. 4]
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link

01. Madeleine Albright diz que 500 crianças mortas no Iraque : ” valeu a pena


Pintura. Deformações dos corpos: Alongamento dos corpos 1. El Greco.

14/08/2012

El Greco (1541-1614).

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Biblioteca Mário, VII-070.031 .
Destes dois livros foram retirados citações e algumas reproduções para iniciar um estudo do fenômeno da deformação dos corpos ou, aqui, alongamento dos corpos. VER GALERIA.

Que efeito buscam os pintores, escultures e desenhistas  com a deformação dos corpos? Vimos, aqui, em Memória e Altar, que é constante na arte Africana, como se quisessem “enganar” os espíritos dos antepassados, forjando formas não realistas, quando as representações de animais eram bem realistas, provando que era uma escolha representar alongadamente, ou com outras deformações, a figura humana.
Debita-se mesmo à Arte Africana grande influência na arte do chamado ocidente, principalmente na arte moderna e contemporânea.

Folheando livros de arte ocidental podemos ver vários exemplos deste procedimento. Aqui no blog pretendo fazer uma recolha deste fenômeno, tentando entender, e sentir, estes efeitos.

Em Modigliani o alongamento dos corpos é dominante, tanto na pintura como na escultura. Nas figuras femininas, para mim, ajudou a destacar a sensualidade. Numa espécie de estranheza positiva, cativante. Como deformar pode tornar mais belo?

Em Giacometti o alongamento dos corpos provoca desolação, desencanto. Uma solidão, mesmo em suas florestas de figuras. Achei quase uma desumanização. E em El Greco, vai haver uma descarnação em relação à arte renascentista. Um descarnação, uma espiritualização que, para mim, vai dar em Giacometti.

Deformação dos corpos, El Greco (1). Mestre da Pintura, Abril Cultura, 1977. Biblioteca Mário, VII-070.001

A questão que se coloca é porque um procedimento que remonta à Arte Africana, muitas vezes chamada de folclore, e, no caso de El Grego, um retorno a formas arcaicas, bizantinas e medievais, vai estar presente, de maneira sistemática na arte moderna e contemporânea. Naquele momento, de Contra-Reforma católica, da Inquisição, em Toledo, centro da inquisição, os procedimentos estéticos, de retorno ao antigo, praticado por El Grego tem um conteúdo de inovação. É uma ruptura com as repetições nada criativa do maneirismo, estética que, vejam bem, colocava como mandamento a criatividade e era pura estagnação. Assim como a busca pela África vai arejar a arte moderna e contemporânea.

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SÓ ACREDITARIA NUM DEUS QUE DANÇASSE: NIETZSCHE.

Como acho que a música é a mais alta e importante atividade humana, procuro ligar os períodos da história à música. O mundo que quero conhecer tem que ter música ou não quero conhecer. Diferente da pintura, escultura ou desenho, cujas manifestações estão gravadas nas cavernas há 50 mil anos. A música que deixou registro começa no ocidente no século XI ou XII. Mas não é difícil imaginar que todos os povos, desde sempre, cantaram e dançaram. Todos os povos cantam e dançam. Me considero um aleijão, uma espécie de gabiru, por não conhecer tecnicamente música, nem tocar qualquer instrumento. E nem mesmo conseguir cantar. Portanto meu conhecimento será sempre precário, insuficiente, parcial.

A MÚSICA NO TEMPO DE EL GRECO

…………………………………………UM DOS INSTRUMENTOS MAIS PODEROSOS DA PROPAGANDA JESUÍTICA FOI A LITURGIA ROMANA………………………………………….escreve Otto Maria Carpeaux………………………………………..“o Officium defunctorum(1605), missa de réquiem e “orações de tumba”(seis vozes)…obra de solenidade sombria, e em certos momentos, de exaltação mística; é essa que já fez pensar no Entierro del conde Orgaz, de Domenico Theotocopuli el Greco”. Música de Victoria(Tomás Luís de)”.

Enterro do Conde de Orgaz, 1586-1588. Os dois planos é volta à pintura da Idade Média. Mas os rostos, destes aristocratas, com suas barbas pontiagudas permitem um alongamento dos rostos. os corpos são alongados, radicalizando este procedimento já estava presente até em Michelangelo. Mas os amarelos e pretos são cores berrantes e contrastantes, não tão convencionais ao maneirismo. Em meio ao conservadorismo a evolução e a mudança.

A Contra-Reforma católica, cuja ideologia El Greco tentava seguir, botava muita atenção à música. O Concílio de Trento, o Concílio da Contra-Reforma, tirou diretrizes severas para domar a música. Assim escreveu Otto Maria Carpeaux: “Mas na Igreja Católica colaboraram as artes plásticas as artes plásticas e a música para representar a verdade religiosa: de uma maneira que assombra os espíritos simples, eleva os de elite e confunde a todos”. E, para isso, “Quanto à música, trata-se de uma reforma não somente litúrgica, mas também musical”. A arte tomará seu curso e, mesmo com toda repressão da Santa Inquisição, terão músicos revolucionários e obras revolucionárias na pintura.

Aqui, para anotação e sentir um pouco a época – e sem música não dá para sentir, acho – vão dois momentos de músicas grandiosas. Um mais conservador outro já no caminho de mudanças dentro daquele ambiente de repressão e controle.

“Giovanni Gabrieli já um mestre pré-barroco. Antecipa fases posteriores da evolução da música. Algumas daquelas músicas podem ser executadas ad libitum…Os musicólogos têm dedicado estudo intenso a uma obra como a Sonata Piano e Forte, de Giavanni Gabrieli, obra puramente instrumental, na qual dois coros de vozes são substituídos por dois coros de trombonees. No seu tempo, Giavanni Gabrieli foi certamente um inovador revolucionário”. Otto Maria Carpeaux, História da Música. Lembrando que o Concílio de Trento cogitou proibir qualquer instrumento, pois só a voz humana poderia cantar a deus. Permitiu apenas como acompanhamento simples ou simples introdução. No entanto a arte seguiu seu curso…tortuoso

“Quando, em 1956, Igor Stravinsky regeu na basílica de San Marco, em Veneza, seu Canticum Sacrum ad honorem Sancti Marci nominis, a execução da obra moderna foi recedida pela de alguns coros de Andrea e Giovanni Gabrieli”.


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Visitação, 1607-1614. “”Nesse cotexto, é possível entender as características conscientemente subjetivas da pintura de El Greco não como traços visionários ou místicos, mas como fruto de idéias estéticas determinadas. Quer dizer, a definição de sue estilo obedece conceitos claros, e sua obra é mental com um componente expressionista que o pintor deixar transparecer deliberadamente, cada vez em maior medida, consciente de sua genialidade individual”. Gênios da Arte”, ed. Girassol.

MODERNIDADE… Parece a mim obra moderna. Me remeteu a muitos reproduções de modernos e contemporâneos que vi. Aqui mesmo neste blog reproduzi um quadro também “fantasmagórico” de Nolde, apesar de ser uma dança, mas parecia uma dança ritual e não um carnaval. Nolde me lembrou Stravinksy. Votarei sempre a essa reprodução de El Greco e também ao quadro de Nolde. Mais que conhecer correntes quero conhecer obras, não quero uma sociologia, mas um certo catálogo de meus gostos.
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Galeria de reproduções e texto

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links

01. Modigliani: “Eu agora possuo o orgasmo…”
02. GIACOMETTI por JEAN GENET.
03. Giacometti por Sartre
04. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: Memória e Altar: apontamentos 01
05. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Memória e Altar”: Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite
06.El Greco:” A tendência do pintor para alongar a figura humana, aprendida em Miguel Ângelo, mas também em Tintoretto e Paolo Veronese, e em pintores maneiristas vai caracterizar toda a sua pintura”.


Stabat Mater

01/08/2012

É a ignorância que estravanca  progressio – bordão de um humorista da Escolinha do Professor Raimundo. Há alguns anos, todos os dias, ouço Stabat Mater, de Dovak que me comove, todos os dias ,como da primeira vez que ouvi. Hoje acho na internet uma  lita de dezenas de compositores que musicaram tal texto. Digitei no Google Stabat Mater, Otto Maria Carpeaux, único crítico de música que li na vida algum dia lá num passado distante.  E o primeiro texto que aparece traz o seguinte parágrafo:

“Stabat Mater (“Estava a mãe”) corresponde às duas primeiras palavras do hino Mariano, a partir de um poema medieval, que descreve a angústia da Virgem Maria durante a crucifixão. Comecei a me interessar pelos Stabat Mater a partir de dois dos considerados cinco grandes exemplos de composição musical para esse magnífico texto, o de Vivaldi e o de Pergolesi, reunidos num único CD adquiridos em 1996. De acordo com Otto Maria Carpeaux, os cinco grandes Stabats foram compostos por Vivaldi, Pergolesi, Haydn, Verdi e Rossini, embora alguns ainda atribuam ao Stabat de Emmanuelle d’Astorga, como maior que o de Pergolesi. O Stabat de  Pergolesi é talvez o mais famoso e mais executado…”.

Como se vê não fala do meu amado Dvorak. E fiquei realmente perplexo. Será que é possível algo mais tocante que a música de Dvorak?  Na lista tem Bach. Durante muitos anos, antes de ouvir Stabat Mater, de Dvorak, eu achava a Paixão de São Mateus, de Bach, um coisa insuperável, e não só como música religiosa, como música. É um trio com Selva Morale a sei voci, de Moneverdi.

Mas o texto acima diz que estou por fora. Bem possível já que não sou nem músico, nem religioso.

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Esssa versão é com o mesmo maestro, Marko Munich,  e a mesma orquestra, não sei se com o mesmo coro, já que o Grooveshark não indica.

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Tradução:

Stabat mater dolorosa juxta crucem lacrimosa,dum pendembat filius

Estava a mãe dolorosa

chorando junto à cruz

da qual seu filho pendia

Cujus animam gementemcontristatam et dolentem,pertransivit gladius sua alma soluçanteinconsolável e angustiadaera atravessada por um punhal
O quam tristis et aflictafuit illa benedictamater unigeniti! Ó, quão triste e aflitaestava a bendita mãedo Filho Unigênito!
Quae  moerebat et dolebat,et tremebat, cum videbat,nat poenas incliti Transpassada de dor,chorava, vendoo tormento do seu Filho
Quis est homo, qui non fleret,Christi matrem si videret,in tanto supplicio? Quem poderia não se entristecerAo contemplar a Mãe de Cristosofrendo tanto suplício
Quis non posset contristaripiam matrem contemplaridolentem cum filio? Quem poderia conter as lágrimasvendo a mãe de Cristodolorida junto ao seu Filho?
Pro pecatis suae gentisvidit Jesum in tormentiset flagellis subditum Pelos pecados do seu povoEla viu Jesus no tormento,Flagelado por seus súditos
Vidit suum dulcem natummoriendo desolatum,dum emisit spiritum Viu seu doce Filhomorrendo desoladoao entregar seu espírito.
Eia, mater, fons amorisme sentire vim dolorisfac, ut tecum lugeam Ó mãe, fonte de amor,faz como que eu sinta toda a sua dorpara que eu chore contigo.
Fac, ut ardeat cor meumin amando Christum Deum,ut sibi complaceam Faz com que meu coração ardano amor a Cristo Senhorpara que possa consolar-me
Sancta Mater, istud agas,Crucifixi fige plagas,cordi meo valide Mãe Santa, marca profundamenteno meu coraçãoas chagas do teu Filho crucificado
Tui nati vulnerati,tam dignati pro me pati,poenas mecum divide Por mim, teu Filho coberto de chagasquis sofrer seus tormentos,quero compartilhá-los
Fac me vere tecum flere,crucifixo condolere,donec ego vixere Faz com que eu choree que suporte com Ele a sua cruzenquanto dure a minha existência
Juxta crucem tecum starete libenter sociatein planctu desidero Quero estar em pé.ao teu lado, junto à cruzchorando junto a ti.
Virgo virginum praeclara,mihi jam non sis amarafac me tecum plangere Virgem de virgens notável,não sejas rigorosa comigo,deixam-me chorar junto a ti
Fac ut portem Christi mortempassionis fac consortemet plagas recolere. Faz com que eu compartilhe a morte de Cristoque participe da Sua paixãoe que rememore suas chagas
Fac me plagis vulnerari,cruce hac inebriariob amorem filii Faz como que me firam suas feridas,que sofra o padecimento da cruzpelo amor do teu Filho
Inflammatus et accensus,per te, virgo, sim defensusin die judicii. Inflamado e elevado pelas chamasseja defendido por ti, ó Virgem,no dia do juízo final.
Fac me cruce custodiri,morte Christi praemuniri,conforverti gratia. Faz com que eu seja custodiado pela cruz,fortalecido pela morte de Cristoe confortado pela graça.
Quando corpus morieturfac, ut animae doneturparadisi gloria. Quando o corpo morrer,faz com que minha alma alcancea glória do paraíso.
Amen. In sempiterna saecula. Amém. Pelos séculos dos séculos

Este texto pertence à versão de Giacomo Rossini. Há muita variação nos diversos textos musicados, com mudança de algumas poucas palavras, mas que mantém o mesmo sentido. No Speciosa,  trocam-se algumas palavras como neste exemplo da primeira stanza:

Stabat mater speciosajuxta foenum gaudiosadum jacebat filius Estava a mãe radiantejunto à manjedora, cheia de júbilopelo seu Filho deitado

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Essa arte para caber aqui juntou palavras. Veja como está na página da internet, link 01, abaixo.

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links

01. Stabat Mater. Texto em latim e tradução. [ Nota: tem uma lista de compositores de Stabat Mater, menos Dvorak]
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