Movimento das ruas 2013, imagens

28/06/2013

Tom Zé faz música para o movimento de ruas de julho de 2013:

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Sem crédito do fotógrafo, do facebook

Sem crédito do fotógrafo, do facebook

Everton Nunes Fotógrafo
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links

01. Zine Poder Popular, de Batata sem umbigo
02.Cacrópolis, João da Silva


Debatendo e comentando textos do movimento das ruas – (05)

02/07/1963

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domingo 30 de junho de 2013

PROPOSTA DE DILMA E DOS POLÍTICOS: REFORMA POLÍTICA E PLEBISCITO

Enganar “as ruas” para usurpar a vontade popular

Nos últimos dias o espetacular movimento de massas que tomou as ruas do país mostrou sua força obrigando o governo a responder algumas de suas demandas. A primeira delas foi a redução do reajuste das tarifas de transporte coletivo em diversas cidades. Além disso, o governo federal e os políticos burgueses – rechaçados nas ruas -, temendo um desgaste maior, arquivou a PEC 37, encarada por alguns setores dentre os mobilizados como um projeto de garantia da impunidade dos políticos, enquanto o corrupto Renan Calheiros, presidente do Senado, numa manobra para tentar amenizar o repúdio a esta desgastada instância do regime anunciou que irá acelerar a votação de um projeto de lei que instituiria passe livre aos estudantes. Governadores como Tasso Genro (PT), do Rio Grande do Sul, acordaram e rapidamente encontraram meios para instituir passe livre para os estudantes. Soma-se a isso a prisão (primeira desde 1988) do deputado Natan Donadon (PMDB-RO) por desvio de dinheiro, algo impensável na conjuntura anterior às mobilizações. Foi votada na Câmara dos Deputados uma proposta de destinação de parte dos royalties do petróleo para a educação e a saúde, que já foi questionada no Senado e está há anos-luz de distância da demanda de 10% do PIB para a educação reivindicada por vários movimentos sociais (ver outro artigo sobre esse tema nesse site). E foi aprovada no Senado uma Lei que caracteriza a corrupção como “crime hediondo”, apesar de que os próprios juristas atestam que isso pouco mudará a situação estrutural de impunidade reinante.

Tudo isso expressa a força das mobilizações iniciadas pela juventude em torno do elevado custo dos transportes que se irradiou em todo o país ganhando apoio popular e estimulando uma mobilização social surpreendente. Os políticos, rechaçados pelas massas, agora, mansos e espertos, tentam, com suas medidas e promessas aparecer como quem “escuta as vozes das ruas”. Na verdade, pretendem amortecer o choque e desviar as atenções, atendendo parcialmente algumas questões sociais, para retomar o poder de iniciativa ao mesmo tempo em que esperam “livrar a cara” evitando que a bronca popular avance para questionamentos efetivos dos seus negócios capitalistas em causa própria, deixando o país e a maioria da população imersa no descalabro dos serviços públicos, aumento do custo de vida e opressão de todo tipo.

O vai e vem da Constituinte “Exclusiva” proposta por Dilma e o PT

Porém, a questão que mais se colocou no centro dos debates foi o movimento de Dilma em pronunciamento realizado em 24 de junho de afirmar que proporia ao Congresso um plebiscito para aprovar a convocatória de uma Constituinte “exclusiva” sobre a “reforma política”, criticada pela sua própria base de apoio, e evidentemente pela oposição. Para além do fato de uma Constituinte “exclusiva” ser uma medida antidemocrática e enganadora que trataria apenas de alguns temas previamente definidos e restritos a pautas de interesse do governo e do PT, a gritaria que tomou conta do Congresso se deve ao fato de que uma manobra desse tipo em meio a uma situação de mobilização popular e ampla politização nacional poderia ser um tiro que sairia pela culatra, aumentando a instabilidade política. Esta proposta é antidemocrática porque, primeiro, usurpa as “vozes das ruas” e permite aos políticos rechaçados determinar o quê o povo deve tratar, canalizando todo o debate aberto nacionalmente pelas mobilizações para pequenas mudanças controladas e cosméticas no regime de modo a “maquiar” os aspectos mais monstruosos de autopreservação e privilégios da casta de políticos parasitas que governam o país. O povo nas ruas quer “tratar” dos serviços públicos, da corrupção, dos recursos e prioridades nacionais, enfim, de questões como “quem” detém, controla, administra e distribui a riqueza nacional produzida pelo trabalho da maioria da população, mas os políticos, autoritariamente, querem restringir a vontade popular ao que lhes interessa.

Alguns analistas avaliam que este movimento de Dilma buscava na verdade colocar a presidente como a maior receptora da “voz das ruas”, enquanto o Congresso ficaria como o responsável por colocar limites às mudanças propostas numa tentativa de autopreservação que paralisasse as mobilizações e permitisse retomar o controle da situação. Seja como for, se esse tivesse sido o objetivo de Dilma, o balanço é que ela não obteve mais que críticas, inclusive do próprio Lula, que qualificou a manobra como “barbeiragem”, evidentemente só agora, depois que essa não deu certo, posto que na crise do mensalão o próprio Lula fez essa mesma proposta. Assim, seu retrocesso da já antidemocrática proposta de Assembleia Constituinte “exclusiva” é uma demonstração da covardia do governo frente às mobilizações e da impossibilidade de costurar interesses tão diferenciados entre os diversos partidos e frações burguesas.

Frente a isso, a Assembleia Constituinte “exclusiva” foi substituída pelo governo petista por uma proposta de plebiscito que versaria sobre alguns temas relacionados à reforma política, que o governo já vinha tentando arquitetar. Dentre os temas estariam o financiamento das campanhas políticas (público, privado ou misto), e qual o modelo de voto (distrital, proporcional ou misto), fim das coligações eleitorais, entre outras que poderiam ser negociadas com os partidos do regime. Entretanto, a própria base partidária do governo demonstra que está longe de lhe dar um xeque em branco. Diante da proposta de plebiscito, dez dos principais partidos da base aliada ao PT declararam seu apoio a essa tentativa de desvio, mas sugeriram a inclusão de uma consulta sobre a impossibilidade de reeleição e extensão do mandato presidencial para cinco anos, entre outras “perguntas”. Ainda que todos tenham declarado que isso não visa alterar as regras para as eleições de 2014, quando Dilma tentará sua reeleição, a simples sugestão dessa consulta como parte do plebiscito gerou mal-estar entre o governo e a base aliada, que indica a tendência ao aprofundamento da emergência de contradições neste bloco. Outro debate não solucionado é a partir de quando as resoluções do pretenso plebiscito passariam a vigorar, se antes ou depois das eleições do ano que vem.

Os políticos dizem “ouvir as vozes das ruas”, mas na verdade pretendem garantir seus interesses, evitar ao máximo os riscos de seu poder, fonte de privilégios inexplicáveis e negociatas vergonhosas em favor dos capitalistas e contra os interesses da Nação, dos trabalhadores e do povo. Ainda que isso não esteja definido, bem como a própria realização de tal plebiscito, já que a oposição burguesa declara que só aceita um referendo e não há acordo na própria base governista a respeito de como “organizar” a “consulta popular”, o que está claro é que essa manobra é uma tentativa da casta política nacional de fechar esse momento de mobilização e politização. Trata-se de uma tentativa de autorreforma do regime, à qual precisamos opor uma política efetiva, usurpando a vontade popular de por fim aos mecanismos políticos de corrupção, negociatas e privilégios que primam no Legislativo, mas também no Executivo e no Judiciário (ainda que para a população esta instituição seja falsamente vista como “menos corrupta”). Devemos contrapor a esta manobra “dos de cima” uma resposta efetiva aos mais profundos anseios da juventude, dos trabalhadores e do povo por mudanças reais, tanto políticas como sociais. A vontade popular expressa nas ruas deve ser organizada pela esquerda, organizações sindicais, populares e estudantis com total independência dos partidos políticos patronais e deste regime podre que é o responsável direto das mazelas que afligem a maioria da população enquanto uma minoria parasitária – capitalistas e políticos patronais – vivem como “nobres”.

Os políticos burgueses e corruptos não podem transformar o regime em benefício do povo

A questão mais importante do porque o plebiscito não pode servir aos interesses da maioria da população é que não podemos depender ou acreditar que os próprios políticos burgueses e corruptos seriam os responsáveis por promover as mudanças que necessitarmos. As questões que comporão o plebiscito serão determinadas pela mesma casta política nacional de acordo com seus objetivos próprios, que fariam a população optar entre os interesses de uma ala composta pelo governo e outra composta pela oposição burguesa. Tudo isso em nome de desviar qualquer transformação de fundo e calar “a voz das ruas” que Dilma e os políticos dizem ouvir, mas que não veem a hora de diluir. Questões que realmente são candentes, e levaram a imensa maioria às ruas, como a necessidade do transporte, educação e saúde públicos, gratuitos e de qualidade ficariam de fora. Não é coincidência. Trata-se de transformações que os políticos da burguesia, sejam do governo ou oposição, não podem resolver, pois, na verdade, não são serventes do povo, mas “funcionários” dos grandes monopólios capitalistas nacionais e internacionais que lucram bilhões enquanto os serviços públicos são degradantes e caros para a maioria da população.

A redução dos aumentos das tarifas de transporte a instituição em algumas cidades de passe livre para os estudantes são medidas mínimas que na verdade significaram, para os governantes, “dar alguns anéis para não perder os dedos”, mas de fato o transporte continua caríssimo, de péssima qualidade e fonte de expropriação pelos patrões que monopolizam o setor e os políticos – municipais, estaduais e federal. Essas medidas, da parte do governo, não reduziram um centavo dos exorbitantes lucros e subsídios dos patrões, o que significa que a população continuará arcando com o custo de um serviço público privatizado, inseguro e de péssima qualidade. As mobilizações devem seguir, se organizar e fortalecer para lutar pela causa primeira da crise dos transportes – a privatização, os subsídios – para impor a única medida verdadeiramente capaz de garantir transporte de qualidade, seguro, passe livre e até mesmo gratuito, sem qualquer subsídio aos empresários: a estatização dos transportes (ônibus, metrô, trens), sem indenização, sob controle de comitês de trabalhadores e usuários, e a instituição de impostos progressivos às grandes fortunas e ao faturamento das empresas.

Todos os políticos do Executivo, Legislativo e Judiciário querem enganar o povo. Nem plebiscito nem referendo: por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana

Contra as propostas enganadoras (reforma política, Constituinte Exclusiva, plebiscito ou referendo) que os políticos preparam para fazer parecer que “ouvem as ruas”, mas na verdade buscam “mudar para deixar como está” (altos salários, Executivo, Legislativo e Judiciário serviçais dos empresários e monopólios), todas as correntes, partidos e organizações classistas, combativas, antigovernistas e anticapitalistas que atuam no interior desse processo deveriam formar um Pólo Classista e Democrático (com representantes eleitos nas escolas, universidades, bairros, movimentos sociais, sindicatos) que exija dos sindicatos, da CUT e demais centrais sindicais, do MST e da UNE que rompam com o governo, assumam a luta pelas reivindicações expressas nas mobilizações, unificando os trabalhadores com a juventude e os setores em luta, para impor a convocação de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana

Comentários: 1. Este Pólo Classista e Democrático deveria preparar um Congresso Nacional do Pólo Classista e Democrática, que poderia chamar-se Congresso Nacional das Vozes da Rua, ou coisa assim, para mostrar sua ligação umbilical com as manifestações. E para trabalhar com a urgência de soluções e derrotar as manobras governamentais e dos partidos da ordem. 2 . “ que exija dos sindicatos, da CUT e demais centrais sindicais, do MST e da UNE que rompam com o governo” – devemos exigir o tempo todo, principalmente agora, que estas organizações rompam com o governo. E devemos exigir sempre, nunca abrir mão dessa exigência. Mas não devemos fazer ultimatos. Se fizermos isso, toda nossa energia se voltará para combater essas direções ao invés de exigir que ela assuma as reivindicações das ruas. Nos sabemos e faremos questão de levantar o tempo todo, que a reivindicação política central do movimento das ruas é se livrar dos políticos ,  partidos e governo corruptos e que governam no interesse do capital. Fazer o contrário, ficar exigindo que rompam, é continuar fazendo o que a esquerda sempre fez, modestamente, pois não havia um movimento, como esse das ruas, que permitisse isso. CUT e outras Centrais, MST e UNE são estão preservados e se preservaram. Preservados podem ser uma espécie de reserva do governo e do lulismo. Exigir que eles venham para as ruas e assumam as vozes da ruas é como as ruas mobilizadas farão a experiência com eles. Estamos vendo muitas greves acontecendo, no transporte em recife, etc. A ausência da CUT e das  centrais sindicais é o que pude ver no noticiário. Acho que os dirigentes burocráticos e os governos devem querer tratar essas greves como coisa fora do movimento das ruas. Quando o contrário é que deve acontecer,  já que são ondas das ondas que cresceram nas ruas. Muito correto levantar a questão da auto-organização. O texto não deixa de convocar as organizações tradicionais para que assumam suas reponsabilidades. Meu comentário é para que não tenhamos ilusão que as amplas massas se organizarão contra suas organizações tradicionais. Se fizerem isso, a situação política muda radicalmente.  E nesse texto está ausente a questão do dia 11/07. Um chamamento das centrais sindicais, inclusive da CSP-Conlutas, deve consumir todas as energias militantes. Deve ser a única prioridade. E deve ser um palco de combate para a Construção do Pólo Classista e a começar a luta por uma Assembléia Constituinte Soberana. 

que discuta e imponha a vontade popular sobre todos os problemas e reivindicações que afligem a maioria da população: nacionalização do sistema financeiro, da terra, dos serviços públicos e das empresas estratégicas, emprego, salário, direitos trabalhistas, civis e sociais, não pagamento da dívida pública e a ruptura com os tratados com os grandes monopólios capitalistas e países imperialistas que saqueiam nossas riquezas e recursos [quanto as palavras de ordem aqui levantadas, de acordo com todas. Mas acho que o movimento das ruas, como movimento, colocou aquilo que acha central: Saúde, Educação e Varrer com os Partidos e os Políticos atuais. Na questão dos partidos políticas, acho necessário explicitar a liberdade de formação de partidos, sem excluir o voto em pessoas e grupos, como se formulou nesse texto e no que concordo.  Diante das palavras de  ordem mais gerais, acho que devemos incorporar essas mais específicas que as ruas levantaram. Até mais, acho que devemos detalhá-las, como estatização dos transportes, que seria uma 4a. bandeira. ] . Uma Assembleia verdadeiramente democrática com deputados eleitos proporcionalmente segundo a população de cada lugar, considerando o país um único distrito, onde grupos possam se associar e lançar candidatos sem se restringir aos partidos legais (contestados publicamente), com mandatos revogáveis e sem os escandalosos privilégios da casta política atual do Executivo, Legislativo e Judiciário, decretando que nenhum deputado, juiz e alto funcionário do poder ganhe mais do que um professor.

[Acho que uma das característica desse momento e desse movimento é que as questões são nacionais. E o próprio movimento das ruas teve características muito homogênea em todo o país. O que lhe dá uma grande força centralizadora.  Um dos males da representação no Brasil é, em nome da federação, ter um representação no congresso que dá a um voto do Acre, por exemplo, um peso até 30 vezes ou mais a um voto Paulista. E rebaixa a classe operária e os trabalhadores, concentrados nas grandes cidades. Um Assembléia (nacional) Constituinte e Soberana deveria ser constituída por cada indivíduo um voto.  E se o Brasil deveria ser um único distrito e, juntando-se a isso, o grande poder das redes sociais, qualquer um candidato à constituinte poderia ser votado em por eleitor de qualquer parte do país. ]

Nacional


Debatendo e anotando textos sobre o movimento das ruas 2013 – (04)

28/06/1963

Brasil dice basta

 
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Fecha: Jueves 27 de junio de 2013

Sigamos el ejemplo de las movilizaciones en Brasil / FRENTE DE IZQUIERDA – YouTube

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 <a title=”Imagen: La realidad social del coloso brasilero”
1. ¿Cómo surgió el movimiento y por qué se masificó al punto de convertirse en el mayor proceso desde el “Fora Collor” de 1992?Estamos ya ante un momento histórico. El movimiento empezó por el rechazo al aumento de la tarifa del transporte colectivo en varias ciudades como San Pablo, Rio de Janeiro y Belo Horizonte, que ya de por sí es muy caro e ineficiente. Todos sabemos que es así para garantizar las ganancias patronales, que además de recibir subsidios de los gobiernos cobran una tarifa carísima. Eso desató un movimiento sobre todo de la juventud secundaria y universitaria por la reducción de la tarifa, que ya había ocurrido otros años pero nunca con esa fuerza.Las tres primeras manifestaciones en San Pablo fueron reprimidas por la policía. Pero el movimiento crecía, lo que muestra un nuevo fenómeno en la juventud, que no tiene miedo a la policía ni tampoco se referencia en el PT. Es una juventud que sale por primera vez a la calle superando la ausencia de movilizaciones que caracterizaron los años de gobierno petista. En la tercera manifestación en la capital paulista hubo una represión más dura, con muchos presos y periodistas heridos por bala de goma. Las personas tuvieron una pequeña muestra en plena Av. Paulista de lo que hace la policía a diario en los barrios pobres. Eso desató una bronca mayor que hizo que la siguiente manifestación creciera hasta cien mil personas y obligó al gobierno a retroceder en el aumento del pasaje y la represión policial.En Rio de Janeiro y Belo Horizonte la movilización también fue enorme. En ese momento todos decían ya que no se trataba sólo de los veinte centavos de aumento. El movimiento planteaba menos dinero para el Mundial y más para salud y educación, iba contra la corrupción del país y denunciaba a la casta política, tanto al PT como a la oposición burguesa que no logra capitalizar el proceso.  Además se reclama por los derechos de las mujeres y homosexuales que por la relación de Dilma con la bancada evangélica vienen sido muy atacados. Hay cada vez más manifestaciones menores también en los barrios pobres, con sectores más obreros y populares que salen por sus pésimas condiciones de vida y contra la violencia policial, como lo hicieron recientemente los pobladores de algunas de las principales favelas de Río.2. Las manifestaciones lograron la anulación del aumento de la tarifa del transporte. Pero el gobierno no logró con eso parar las movilizaciones, ¿a qué se debe la continuidad del movimiento?

El movimiento sigue pues la gente es cada vez más consciente de que el “Brasil potencia” no la favoreció como a los grandes empresarios, que sacan millones con sus negocios con el estado, como es la Copa del Mundo que envuelve licitaciones enormes, por ejemplo. Entonces los sectores que están en la calle, en especial la juventud y las clases medias, siguen exigiendo más dinero para la salud, la educación, que se termine con la corrupción. Sobre esto hay mucha rabia pues todos saben que es un mecanismo de funcionamiento normal en la democracia burguesa brasileña practicado por todos los partidos. Pero hacia al PT la bronca se hace mayor pues antes de ser gobierno se presentaba como el partido de la ética. Recientemente se realizó el juicio del mensalão – que fue el escándalo de 2005 cuando se supo que el gobierno de Lula compraba votos de los parlamentarios con un pago mensual – donde se condenó a gente como Zé Dirceu y Genoino, entonces altos dirigentes del PT, pero la pena aún no se efectivizó y el partido de Lula hizo fiestas en homenaje a ambos. Como resultado del juzgamiento se fortaleció Joaquim Barbosa, un ministro negro que defendió penas más duras y que la oposición burguesa adula, mientras el PT salió mal, alegando que todo eso era un intento de la derecha para sacar la popularidad del gobierno. Además la gente está harta de los pactos políticos que hace el PT, que involucran por ejemplo a Maluf, político de derecha defensor de la dictadura militar, que forjó lemas como “si puede robar qnue se robe pero hay que hacer” o entonces “si quieres estuprar, estupren, pero no maten”. Maluf, além de base de apoio do Governo Dilma, foi um homem da ditadura militar, repressor, promotor dos assassinatos da Rota e acobertador do Esquadrão da Morte que matava à larga nas periferias de São Paulo. Mas ele não disse essa primeira frase, nem mesmo a última como está escrito. A primeira frase era atribuída a Adhemar de Barros, governador golpista de São Paulo em 1964, e depois mais ou menos atribuída a Maluf pelos opositores. E a Segunda Maluf pedia maior punição para estupradores que matassem suas vítimas. “estrupem, mas não matem”,  foi um contra-lema forjado pelos opositores. “si quieres estruprar” – nem mesmo os bandidos mais atrozes dizem isso. Na cadeia brasileira, estupradores são estuprados, para horror das cadeias brasileiras.  Mas não esqueçamos que Maluf, apesar de todo seu passado, de todo sua trajetória corrupta e assassina, foi sempre quem decidiu as eleições em São Paulo, onde teve grande apoio nas camadas mais pobres, principalmente entre os mais pobres, também entre taxistas e policiais. 

Otra cuestión es que Dilma por cálculos electorales se alió a la bancada religiosa. Cuestiones que siempre tuvieron eco en el propio electorado del PT como el derecho al aborto seguro, gratuito y legal fueron negados por la presidenta. Ella apoyó la elección de un pastor Marcos Feliciano a la presidencia de la Comisión de Derechos Humanos y Minorías que es un tipo abiertamente homofóbico y racista.Aqui uma glosa bem marginal: Marcos Feliciano é da base de sustentação do Governo Dilma, mas não foi apoiado nem por Dilma nem pelo PT. A importância disso é que Dilma, derrotada que foi, na verdade, é refém da sua base de sustentação, principalmente, digo novamente, principalmente dos chamados evangélicos, pois é nesse setor evangélico que tem também a sua oposição mais eficiente e de apelo popular, como a Assembléia de Deus(as duas facções dela) que é a 1a. igreja evangélica em número de fiéis.

El primer proyecto que se votó en dicha comisión es conocido como “cura gay” ya que autoriza a los psicólogos a participar en terapias para “curar” la homosexualidad. Otro proyecto terrible apoyado por el gobierno es conocido como “beca estupro” o Estatuto del Nascituro en el que la mujer víctima de violencia sexual que quede embarazada tendría el “derecho” de que su violador registre el hijo y que le pague una pensión! Por eso hay sectores que reclaman por los derechos democráticos de las mujeres y homosexuales.

Ahora el gobierno de Dilma está confundido. La presidenta hizo un pronunciamiento criticado por todos diciendo que iba a convocar un plebiscito por una Asamblea Constituyente. Pero después se dio cuenta de que eso en un momento de movilización podría salir al revés de lo deseado, y entonces retrocedió cobardemente declarando que sería una medida ligada solamente a la reforma política que quieren hacer y no una nueva Constituyente. Dilma nunca chamou uma Constituinte Soberana, mas um arremedo de Constituinte circunscrita à reforma política. Uma monobra diversionista. Mas temendo uma Constituinte Soberana, que colocasse em questão todo a ordem, foi que a Oposição, primeiramente a Oposição burguesa, ficou totalmente contra.  Ficou claro que o movimento das ruas não querem estes políticos e esses partidos. Parece, que sem alternativa colocada da Constituinte Soberana, o povo sairá frustrado e talvez, restará, uma abstenção monstro nas eleições que vem, na melhor das hipóteses. Na pior das hipóteses uma votação massiva na direita, junto com abstenção. El PT además se vio obligado a abandonar un proyecto de ley de su propia autoría, llamado PEC 37, frente al temor del repudio de los manifestantes. Este proyecto tenía la finalidad de disminuir el poder del Ministerio Publico para investigar los delitos de los políticos y era rechazado por amplios sectores sociales por ser una verdadera “ley de impunidad”. Además dijeron que 75% de los ingresos que deja el petróleo iban a ser destinados a educación. Todo eso demuestra el temor que tiene el gobierno petista y su intento de cerrar la nueva situación. Pero se le puede volver en contra pues la gente puede entender que es posible ir por más ganando las calles.

3. ¿Qué organizaciones dirigen el movimiento y cuál es su política? ¿Qué posturas ha tenido la izquierda?

El movimiento tiene un carácter muy espontáneo y no se puede decir que hay una dirección clara que lo organice. O movimento superou o passe livre inicial e hoje é antes de mais nada por Educação, Saúde e contra o Políticos e o Governo. E não tem direção alguma. Os grandes atos, foram tentativas de ato, pois ao final foi a polícia que deu os limites  de até onde ia os atos, não qualquer direção. Las primeras manifestaciones fueron llamadas por Facebook por una organización llamada MPL (Movimento pelo Passe Livre). El MPL tiene unas pocas decenas de miembros que son fundamentalmente estudiantes universitarios y tienen una tendencia autonomista. A pesar de plantear que defienden la estatización del transporte en su programa, en la práctica reivindican una política más reformista radical – “Tarifa Cero”- pero sin terminar con los subsidios a los empresarios, reivindicando un proyecto de ley presentado por la prefectura de San Pablo en la época de Luiza Erundina cuando estaba en el PT. Ahora que el movimiento los sobrepasó no saben muy bien qué hacer, pero es claro que no están a la altura de lo que pasa hoy. La izquierda como el PSOL y el PSTU han intervenido en las marchas, pero sin poner en movimiento el peso que tienen en colegios y universidades donde dirigen, como la USP, donde están en el Directorio Central de Estudiantes, al servicio de organizar una dirección basada en las asambleas y comités de delegados electos y revocables, capaz de politizar y unificar en primer lugar a nivel regional y quizá nacionalmente al movimiento. Además, ahora el PSTU reivindica el congelamiento de las tarifas del transporte, pero las tarifas son altísimas incluso sin el aumento. Aunque planteen también la necesidad de luchar por la tarifa cero, el congelamiento hoy no responde a las necesidades del pueblo. El PSOL por su parte se hizo eco, acriticamente, de la demanda de los manifestantes contra la PEC 37, que era entendida como una “ley de impunidad” para los políticos. Sin embargo esta no puede ser una salida para la izquierda ya que deja la tarea de investigación de la corrupción a la policía y al Ministerio Púbico, pero no denuncia que esta MP es la misma que se encarga de los procesamientos de los trabajadores, estudiantes y luchadores sociales como en el caso de los 72 procesados en la Universidad de San Pablo.

Los sindicatos ahora llaman a una paralización general el día 11 de julio, de todas las centrales: la CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, Conlutas, Intersindical, etc. Sin embargo la están convocando con consignas generales que no dialogan con el movimiento. Veremos cómo se desarrolla, pero si entra la clase obrera en escena, la situación se puede acelerar. Se essas centrais podem apenas manobrar para salvar o governo do qual tem sido base de sustentação e fornecedora de quadros e beneficiárias de polpudos empregos. Vamos ver. Podem ficar só frases gerais, sem conteúdo. Mas diante do movimento de rua, podem colocar claramente em suas bandeiras a defesa da Bolsa Família, Do Minha Casa Minha vida, do Prouni, enfrentando o movimento das ruas e isolando mais ainda a esquerda. Diante dos enormes benefícios que essas centrais sindicais angariam nos Governos Lula/Dilma isso não é de todo impossível. Mesmo que não precisem de um movimento de rua, podem, muito sorrateiramente, fazer uma luta propagandística sistemática. Nem excluo o MST dessa frente de salvação do governo Dilma e dos privilégios dessas centrais. 

Um complicador é que a crise econômica no Brasil aumenta exatamente agora. E que, sob o impulso das mobilizações de Rua, a campanha eleitoral vai ser antecipada, ou já foi. O que não descarta novas mobilizações. Até mobiliações espontâneas dos trabalhadores e da classe operária fabril.

4. ¿Cómo está participando la LER-QI y qué programa están levantando ante este gran movimiento que se ha abierto?

Estamos interviniendo con nuestras modestas fuerzas y con mucho entusiasmo, desde las agrupaciones Juventude às Ruas y del colectivo Pão e Rosas. Luchamos ahora por el pase libre para los jóvenes, trabajadores desempleados y jubilados. Exigimos también que se abran los libros de contabilidad de las empresas del transporte colectivo, para que se muestre que ellos tienen ganancias enormes y se puede aumentar los sueldos de sus trabajadores. Para que se termine con la mafia de los transportes y se resuelva ese problema que afecta a millones, peleamos por la estatización del transporte bajo controe de los obreros y usuarios, financiado por impuestos progresivos a las grandes fortunas. Que no salga un solo centavo de la salud y educación. Contra la carestía de la vida peleamos por un sueldo mínimo igual R$2900 y ajuste de los salarios de acuerdo a la inflación. Peleamos contra la represión y por la libertad de los presos por luchar.

Para terminar con la corrupción, planteamos que todo funcionario público, juez y político ganen lo mismo que un trabajador medio. Además peleamos por la disolución del Senado y por la institución de una cámara única, con revocabilidad de los mandatos. Vemos Comentário: Mas como chegar nisso? Com que instrumentos? Agora, só vejo no cenário do provável, Uma Constituinte Soberana, com formação livre de partidos. Porque a vontade desse movimento parece que é varrer todos os políticos. Mas como é impossível governar ou legislar sem políticos teríamos que acenar com a possibilidade de nós livrarmos desses que estão aí, abrindo a possibilidade, de novos partidos e novos políticos. E possibilitar que as organizações e partidos da classe operária possam ter voz nesse processo. Mas a questão não é só do congresso, mas do Governo. Nessa Constituinte Soberana, se se aumenta a luta contra o Governo, deveria se avançar para substituí-lo, com novas eleições e se os trabalhadores construirem órgão de dualidade de poder (conselhos), que eles lutem exatamente para avançar essa dualidade. muy importante terminar con la influencia de la religión sobre el estado, que el gobierno de Dilma profundizó. Mas como, esse é o governo Dilma? ! Numa Constituinte Soberana, podemos e devemos propagandizar e agitar por um Estado totalmente laico. Republicano. Eso se traduce hoy en luchar por la destitución de Marcos Feliciano y todos los integrantes de la Comisión de los Derechos Humanos, que solo actúan en contra de los oprimidos, además de derribar los proyectos “Cura Gay” y “Estatuto do Nascituro”.  Para isso seria preciso uma iniciativa dos movimentos sociais se aproximarem dos movimentos LGBT. E, principalmente, que houvesse uma grande particição das organizações dos trabalhadores nas paradas Gay e cativar os movimentos Gays para que se aproximem das organizações dos trabalhadores.

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS: um tema para um Constituinte Soberana, com total liberdade de formação de partidos.

1. “direitos humanos é direito do bandido” – isso é martelado, dia e noite, nos programas policias e é quase o único discurso que os trabalhadores ouvem (mesmo quando é exatamente os jovens negros e pobres as principais vítima da violência dos policiais e do tráfico de droga e armas);

2 . No Brasil nunca se fez qualquer campanha contra a tortura a presos comuns (serão os mesmos policiais torturadores, que se preparam nessa prática do horror,  para, eventualmente, torturar os presos políticos; e as instituições como MP, OAB, Comissões de Direitos Humanos das Assembléias, fazem de conta que não é com eles; 

3. E a polícia é: racista, torturadora e corrupta. O racismo toma conta de outras instituições brasileiras (as entrevistas para ingresso no serviço público é um instrumento privilegiado para o exercício de todos os preconceitos e exclusões);

4. Diante da Comissão da Verdade. Da impunidade dos torturadores da época da Ditadura Militar. E da Lei, até hoje dúbia, da Anistia. Era preciso revogar essa lei e criar um novo ordenamento jurídico sobre tortura e os chamados órgãos de segurança ou policiais; 

5. Hoje não temos força para nos livrar dessa polícia, nem para nos livrar dessas formas armadas anti-popular(também permeada de racismo) teríamos que avançar para pô-las em questão e enquadrá-las;

Propostas para uma Constituinte Soberana, com liberdade de formação de partidos:

1. pena em dobra para policiais,  procuradores, Juízes e todos os agentes do sistema policial, jurídico e penal em crimes de morte, tortura e corrupção.

2. Concursos públicos, preservando a identidade do concorrente, sem qualquer tipo de entrevista; (para impedir, quando do ingresso, o racismo, sexismo e outros preconceitos);

3. A criação de um programa abrangente de proteção à testemunha  e ao denunciante.  Salário do Dieese(2.900 reais) para as mulheres que são obrigadas a ir para abrigos de proteção(mediante decisão judicial ou de Comissões Populares de Direitos Humanos); 

4.  Criação de Comissões Populares de Direitos Humanos,  votadas em eleições municipais;

5. fim das policias militares; (por policiais concursados, no modelo acima);

6. pela revogação da lei de anistia, processo e prisão para assassinos e torturadores do regime militar.

Num processo de convocação, instalação , debates e decisão  de uma Constituinte Soberana, com total liberdade de criação de partidos, possibilitaria um grande debate e conquistar o povo para teses dos direitos humanos (é preciso detalhar, para combater os ataques genéricos aos direitos humanos que fazem parte, hoje, da consciência deformada da maioria dos pobres e trabalhadores.

4.

4.¿Qué perspectivas ven para el movimiento?

La tendencia general es que se siga fortaleciendo, aunque en ciudades como San Pablo las marchas tienden a ser menores y por reivindicaciones más específicas, como las cuestiones democráticas de las mujeres y de los homosexuales. Sin embargo es claro que el movimiento persiste y ya es histórico, que ha logrado eliminar el aumento del pasaje, poner al gobierno a la defensiva y que la oposición burguesa no capitalice el movimiento. El historiador inglés Perry Anderson decía el año pasado que el gran triunfo del lulismo había sido acabar con las movilizaciones en Brasil a través de una ilusión en mejoras de vida gradualista y pacífica. Eso empieza a llegar a su fin y las protestas toman un claro tono político. Por tanto, hay que seguir peleando por nuestras demandas, con un programa que logre conquistarlas y por la unidad de todos los sectores que ya salieron a la calle con los trabajadores y el pueblo.

Fijas – Internacional


Debatendo e anotando textos do movimento das ruas 2013 – (03)

27/06/1963

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Debate na faculdade de educação da USP: sobre o “pensamento mágico” de Marilena Chauí

junho 27, 2013 – Outros – no comments

Iuri Tonelo e Edison Salles

É aquela velha história, se algum desavisado ousasse entrar na USP e ir até a Faculdade de Educação, na última terça-feira, encontraria na fala da profa. Marilena Chauí um terreno fértil para a confusão.

Numa mesa que esteve composta também por Bianca (militante do Juntos -MES/PSOL), Carlos Carlos (jornalista da TVT, canal demídia da CUT), André Ciola, do MPL, além deDiana Assunção, diretora do Sintusp e dirigente da LER-QI, a profa. Marilena, a mais expressiva intelectual petista hoje, resolveu, em meio a todo esse processo, intervir nodebate como aquela que está com a visão “para além das esquerdas”, que pensam “pequeno”, não veem as grandes barreiras e grandes lutas que terão de ser enfrentadas nesses tempos.

 Comentário: Três problemas com os quais concordo plenamente. É preciso um reforma urbana total, tendo com centro a moradia e o transporte. Significa estatização do transporte coletivo e expropriação para distribuição de lotes e construção de moradias populares de todos os “latifúndios” urbanos

tudofantoche, de Cancrópolis , por João da Silva. Ilustrando os comentários.

tudofantoche, de Cancrópolis , por João da Silva. Ilustrando os comentários.

Marilena Chauí falou de três dos grandes problemas sociais que incendeiam as manifestações atuais: o “inferno urbano”, imerso nas contradições de megalópoles como São Paulo construídas pelo irracionalismo capitalista; a especulação imobiliária e o caos nas questões de moradia no Brasil; o “indecente” e ineficiente transporte coletivo.

Pois bem, segundo a intelectual petista, a grande luta é contra o capital: a chave seria entender que se tratade enfrentar montadoras, empreiteiras e o grande cartel do transporte. Será uma luta dura, que envolve “sangue e mortes” (nas palavras de “quem já viveu isso”).

 Há sempre a justificativa do pequeno tamanho das organizações de esquerda, mas os grupos mais conhecidos sempre colocam com centro do seu combate a questão dos governos. A mim sempre me deu a sensação de que se esquece de combater os monopólios. Por exemplo, sou contra, terminantemente, que se ataque e destrua o Metrô, apesar do preço da passagem. A destruição de ônibus se justificaria nua luta pela estatização, no caminho da tarifa Zero. Assim como sou contra a destruição dos estádios de futebol, que deviam ser estatizados, com ingressos a preço de custo de manutenção deles. Mas antes de mais nada precisa de um lugar e um momento para discutir e votar isso: UMA ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE, COM LIBERDADE TOTAL DE FORMAÇÃO DE PARTIDOS. Acho que a Gavião da Fiel fez bem em defender o estádio do Corinthians. Uma fala de esquerda? Não, nada há de extraordinário no discurso de Chauí: quando um petista enfatiza a direita, a burguesia, o capital financeiro (e até aqui em geral está tudo muito correto), esconde e quer “preservar” sempre sua posição política institucional. Aqui se desfaz o primeiro “mistério” de seu discurso, porque era tudo para a mobilização não se concentrar contra o governo municipal do PT, de Fernando Haddad, ou seja, entender que a luta é contra o grande capital como se nós, os petistas e o governo estivéssemos num bloco só! Abram o olho, Haddad está dentro dessa máquina burguesa e ainda ontem estava com Geraldo Alckmin no pérfido plano de não reduzir R$0,20 centavos “porque não dava no orçamento” (e nos lucros do cartel). Haddad, aliado de Alckmin. Vergonhoso. Mas nos meios decomunicação e na própria esquerda, vi muito mais ataque ao Haddad que ao direitoso e sempre brutal Alckmin.

Mas o discurso de Chauí escondia um “mistério” superior. Começando por supostamente criticar a fluidez do facebook no chamado às manifestações, esses eventos (“passageiros”), Aí mora minha dúvida. Tanto que este movimento tem potencialidade de questionar toda a ordem vigente e se aliar aos trabalhadores, como acho que tem traços de intolerância(proto-fascista), anti-petismo(duma direita, tanto parlamentar como a mais a direita anti-parlamentar) pera direita “indiferenciados””sem controle”, evidente que são (nas palavras dela) acabavam por gerar uma ideia mágica de que após derrubar os R$0,20 centavos, poderia “ousar” ir por mais. Assim, o “pensamento mágico” não entende que a grande luta dura contra o capital é mais difícil do que imagina.

Marilena Chauí, dentro do pensamento que “fala da dura luta contra o capital” mas ainda ontem se calava frente a Haddad dizer que é impossível abaixar R$0,20 centavos no preço da passagem, nos fez lembrar aquela linda frase de maio de 1968: “sejamos realistas, exijamos o impossível” (ela não cabe no pensamentode Chauí, que às vezes parece propor justamente o oposto: “sejamos utópicos, aceitemos o que estámarilena chauidado”).

Voltando ao “mistério chave”, e aqui reside o principal, ela fez questão de dizer que não bastam essas manifestações em Osasco, Guaianazes, zona leste, “aqui e ali”, é preciso se organizar. Está ótimo, Marilena, mas deixe todos nós vibrarmos com a população da Zona Leste, tão arrasada no governo do PSDB e de seu partido, sair às ruas e desbravar as palavras de ordem engasgadas em toda a década de2000. Evidentemente é preciso se organizar, é preciso construir um partido revolucionário que ultrapasse os limites impostos pela degeneração do PT, mas esse partido deve se construir em conexão com a auto-organização dos trabalhadores e da juventude. Comentário: Mas é preciso a auto-organização dos trabalhadores e da juventude. Essa é a principal questão colocada pelos movimentos, exatamente pela ausência dessa “auto-organização dos trabalhadores e da juventude”. Nas manifestações, os mais organizados eram exatamente o que chamaram de “poeira do capitalismo”, os minúsculos grupos de direita. Onde desembocará o ódio, mesmo que tardio,  ao petismo? Como provocar através de uma propaganda eficiente e como aproveitar os elementos de auto-organização que estão circulando nos movimentos, dispersos e espontâneos? O elemento que conheço é o Movimento do Passe Livre. O que desencadeou tudo, mas muito limitado diante da amplitude de questões que o movimento levantou, principalmente sobre saúde e educação. E quanto ao governo, além de denúncias o que podemos esperar e oferecer? Daí uma Constituinte Soberana, com total liberdade partidária, para que aja possibilidade de decantar e centralizar essa vontade, para dar um passo a frente nessa mesma auto-organização e também em conquistas.

 Dessa necessidade de decantar e centralizar em palavras de ordem que o próprio movimento já colocou, remeto ao papel dos bolcheviques que centralizaram sua intervenção , logo depois de revolução de fevereiro, em “Pão, Terra e Paz”. E para conseguir isso impulsionar os soviets(conselhos), para substituir um governo que continuava fazendo a guerra imperialista, não distribuía as terras – num país de maioria absoluta decamponeses – (não consigo deixar de lembar que nosso país hoje é quase 80 por cento urbano, logo terra aqui é terra urbana, moradia e transporte e outros serviços públicos) e um governo que saiu da revolução defevereiro, que substitui o czarismo, mas não consegui resolver a questão elementar da fome, pois seus vínculos com a classe dominante, pois com a continuidade da guerra imperialista que trazia mais fome e penúria, esse governo devia ser derrubado. E os bolcheviques, ainda com aos soviets sendo formados, propõe a Assembléia Constituinte, para acabar com a guerra, para distribuir terra aos componeses (maioria da população, inclusive maioria  de soldados era camponês e acabar com a fome. Constituinte que cumpria um papel tático e também estratégico. Sua dissolução com a revolução de Outubro, deve ser muito estudada, pois ficou no ar a questão de que foi uma dissolução prematura e que isolou bastante o partido bolchevique. É bom aprender com a história, principalmente os métodos empregados, mas não resolve o nosso problema com nossos minúsculos partidos, diante das grandes manifestações. Daí a enorme desorganização desses movimentos.

Por fim, Marilena Chauí falou bastante sobre a manipulação da mídia. Nós também não semeamos nenhuma ilusão no jornalismo burguês e estamos contra qualquer tentativa de transformar o movimento num “grande nacionalismo” que se volte contra os partidos de esquerda. Achamos que faz parte sim da ideologia neoliberal. Mas o mais chocante foi Chauí querer misturar tudo isso no termo “massas”. Ontem nós (a esquerda organizada e classista) combatíamos todo tipo de autonomismo que quisesse dizer que as classes acabaram, que a classe trabalhadora não é mais sujeito, que não se precisa mais de partidos e sindicatos (e mantemos esse combate). Mas, Chauí, seu horror ao termo “massa” Mas podemos ignorar o enorme desatino que atacar lojas e pequenos comércios. Claro que há bandidos e provocadores infiltrados, não se pode negar. A maioria, provavelmente, é formada por  jovens trabalhadores da periferia e estudantes secundaristas. Mas essa raiva dirigida contra comerciantes, bancas de jornal, ou seja, a uma pequena burguesia, só levará a maior isolamento e esvaziamento do movimento – esvaziamento que, até agora, não aconteceu, mas vai acontecer, nesse momento não se refere à ideologia neoliberal, mas sim ao fato demilhões de jovens estarem nas ruas aniquilando um dos pilares do lulismo: a estabilidade social burguesa, o controle da classe trabalhadora e da juventude!  Acho que essa é a política do Lulismo, estabilidade social. Mas o pilar do Lulismo é ainda os sindicatos e o MST. Esse é o problema que nesse dia 11 começa a ser abordado, já que há uma paralisação convocada pelas centrais sindicais. Com que palavras de ordem?

Como terminou dizendo Diana Assunção no mesmo debate, é hora de dar nome aos bois e denunciar que essa fúria das “massas” (num primeiro momento da classe média, mas da juventude trabalhadora que já começa a ganhar cena nos combates) contra a burguesia e o capital mas também contra os governos que, nos termos de Marx, fazem parte do “comitê de negócios comuns da burguesia”, como os do PT, aliado dos mais corruptos e reacionários do parlamento brasileiro. Como afirmou a companheira Diana, toda a tese deChauí sobre o reacionarismo da classe média, termina servindo para ocultar o verdadeiro antagonismo declasse, que é entre os trabalhadores e a grande burguesia (que está com o governo). A professora, com sua tese, sequer se coloca de fato a favor das manifestações, e suas propostas para dialogar com a juventude, como a de apoiar a “reforma política” por meio da “Constituinte específica” proposta por Dilma, nada mais são do que a velha agenda do PT, agora requentada; não passam de tentativas de mudanças cosméticas, a serviço de restaurar a ordem, e nada têm a ver com os anseios profundos da juventude, das mulheres, do povo negro, da classe trabalhadora, anseios que não podem se cumprir sem escancarar aqueles antagonismos e encarar o combate frontal contra esse sistema de exploração e opressão.

É preciso terminar dizendo, a todos os intelectuais da ordem, inclusive e em primeiro lugar aos petistas: vão ter que continuar se horrorizando com os atos “aqui e ali”, na Zona leste de São Paulo e em todo o Brasil, com as “massas” nas ruas. É, professora Marilena, parece que vai ficar cada vez mais claro que o verdadeiro “pensamento mágico”, é achar que será possível mudar de fato a vida da juventude e todos os oprimidos, por dentro desse sistema de miséria. E então a força das ideias revolucionárias e materialistas de Karl Marx, que dizia que “tudo que é estável e sólido desmancha no ar”, podem ganhar corpo no novo país que irá emergir das atuais manifestações, deixando a burguesia e seus partidos, intelectuais petistas incluídos… à espera de uma “solução mágica”.

 Mas o grande problema desse texto, e de outros, é que tem alguma análise, mas nenhuma proposta deatuação, concreta, pão, pão, terra, terra, liberdade, liberdade. O texto parece dizer que Marilena Chauí condena as manifestações. Lamentável. Mas é bom dizer que até os programas policiais, tipo Datena e Marcelo qualquer coisa, apoiam e atacam, dia-e-noite, o governo Dilma e o petismo. Eu concordo com algumas teses de Marilena Chauí, como a questão de que a reivindicações centrais que são de origem urbana, pois vivemos num caos urbano de 80 por cento da população, com os horrores das mortes em corredores hospitalares, um educação, principalmente do ensino médio que é um edifício que não permite, pela degradação arrasadora, nem mesmo qualquer reforma e um transporte que arrebenta o trabalhador, talvez menos pelo preço, mas mais pela sua condição desumana. Mas me incomoda ligar a televisão e ver Datane e Marcelo horroroso dizer do governo e do PT o que eu comecei a dizer desde 1988.

Mas o que, para mim, é a grande ausência deste texto é analisar a participação das chamadas esquerdas, PSOL, PSTU, LER-QI, PCO e outros. Pequenos. Vacilantes. Revolucionários. Antes de mais nada incapazes de se comunicar com o movimento. Ou mesmo isolados pelo movimento. Nalguns casos atacados pelo movimento. Será que o negócio é deixar o tsuname passar e depois juntar o que der?


Debatendo e anotando textos sobre o movimento das ruas 2013 – (02)

26/06/1963

quarta-feira 26 de junho de 2013

DEBATE

“Golpe da direita” ou mobilização progressista das massas?

Por Edison Salles
, Iuri Tonelo

Após os atos da última semana, em que pareceu se repetir em diversas cidades o estranho fenômeno de as organizações de esquerda e alguns movimentos sociais serem hostilizados e até “expulsos” das manifestações, por elementos de ultradireita que conseguiram manipular um setor dos atos, muitos militantes ficaram preocupados, o que é natural. Porém, passada a perplexidade inicial, é necessário analisar friamente o significado desses acontecimentos e sua relação com o conjunto do processo em curso, sem impressionismo ou visões interessadas, que acabam por distorcer o verdadeiro conteúdo das ações massivas nos atos e suas contradições.

Dois medos distintos

Trata-se na verdade de dois processos combinados. De um lado, os setores de militantes de esquerda e dos movimentos sociais que foram surpreendidos pela hostilidade dos grupos de extrema direita, ou, melhor dizendo, pelo insólito “apoio de massas” a tal hostilidade. Já veremos que se trata, na realidade, muito mais de um “pseudo apoio”, uma capacidade momentânea e efêmera de manipular a confusão, mas carente de uma base estável ou permanente. No entanto, o inesperado do fenômeno é o que explica a reação sincera de preocupação (e em alguns casos, de medo mesmo) que se instalou em muitos companheiros do movimento.

Comentário: É preciso dizer porque é uma capacidade “momentânea e efêmera. Sem alarmismo mesmo, não há nenhum Hitler à vista, mas essa esse “momentâneo e efêmero” lembra muito as frases do PC alemão diante de Hitler, que seria um regime decadente e efêmero. Tem que explicar tal análise. Também não esqueçamos o otimismo do PCB quando confiava no seu aparato militar quando estava nas ruas a “marcha com deus, família e propriedade”. Se a traços de direita, mesmo que “momentâneos e efêmeros”, é preciso ser combatidos. E por isso mesmo, por ser momentâneo e efêmero são facilmente combatidos, mas deve ser combatidos.

Do outro lado, o que vimos nos dias seguintes, na repercussão que foi dada a esses acontecimentos, foi uma outra coisa bem distinta: a tentativa (bem sucedida num primeiro momento) dos setores reformistas ligados ao governo federal e ao PT (como CUT, CTB, MST, UNE, PCdoB, UJS, PPL (ex—MR8), entre outros), de instrumentalizar o “susto” da esquerda para tentar retomar o controle, domesticar e direcionar o movimento seja “de volta para casa”, seja para a pauta da “defesa da democracia e dos avanços sociais” (ou seja, defesa do próprio governo e seu modelo de país questionados tão violentamente pela explosão das massas nas ruas).

Para que fique claro: apesar da retórica, o verdadeiro “medo” dos petistas não é com relação aos direitistas infiltrados, nem sequer com a manipulação da mídia e da grande burguesia com relação às pautas do movimento, mas simplesmente… do próprio fato do movimento existir e ter adquirido um caráter de massas em todo o Brasil, levantando as demandas próprias dos diversos setores sociais sem pauta única ou direção burguesa ou burocrática que consiga “domesticar” o movimento. Ou seja, o “susto” dos petistas é por estar diante de mobilizações nunca vistas e sem que tenham o controle e poder de freio, particularmente porque o papel estratégico do petismo foi justamente conter, sufocar a mobilização social, sequestrando os grandes sindicatos e movimentos sociais para a passividade e conciliação com os capitalistas e submissão à institucionalidade e “legalidade” dessa democracia degradada. A função estratégica dessas direções — lulismo — foi impor a contenção social, elemento fundamental num país com tamanhas feridas históricas aprofundadas pelo período neoliberal de Collor a FHC que vivia grave crise desde 1998.

Um massivo sentimento de repúdio ao regime político

Num país que conviveu com mais de uma década de estabilidade burguesa, tendo uma esquerda incapaz de fazer frente à ofensiva lulista dos últimos anos e com uma pressão sectária em relação ao movimento de massas, tem-se disseminado um discurso bastante impressionista ao se lidar com mobilizações massivas sobre “a hegemonia da direita” (alguns dizem até do fascismo) no interior do movimento, especialmente a partir da questão do repúdio as bandeiras dos partidos nos atos.

Comentário: Em que momento e quando a esquerda foi sectária do o movimento de massas. Que atitudes tomou a esquerda? Durante anos, não só nos últimos 10 anos, a esquerda foi sectária é com a própria esquerda. É a principal característica da esquerda o sectarismo e a autofagia. E este próprio parágrafo é tremendamente sectário. Nem mesmo do PT ouvi dizer que é um movimento com hegemonia fascista. Mas hostilizar bandeiras de esquerda, atacar manifestante por suas bandeiras é uma atitude fascista, apoiada por setores muito grandes do movimento. Logo é uma preocupação sim. Da manifestação que participei em Campinas fomos literalmente expulsos da manifestação e desmoralizados. Acho que a esquerda precisa de palavras moralizadoras, mas de instrumentos de luta. Claro que um deles, o principal deles, é compreender corretamente o que está acontecendo.

Ainda que partamos de considerar altamente positiva (e vital em um sentido estratégico) a iniciativa de muitos ativistas independentes de se solidarizar com as organizações e defender o direito de manifestação e dos partidos de esquerda – tão caro num país que vivenciou décadas de ditadura militar -, é preciso entender que a canalização que a direita vem fazendo dessas ações nos atos não se refere a um sentimento da juventude imediatamente antioperário, antissindical ou mesmo contra a esquerda estritamente. O que sim vem existindo é um forte sentimento antirregime, tanto ao parlamento burguês quanto aos partidos que, na leitura das massas, são os instrumentos da corrupção e do ataque aos direitos da juventude e dos trabalhadores e, como parte do mesmo fenômeno, um forte repúdio ao PT, por suas alianças setores mais reacionários e corruptos.

Cometário: Excetuando-se a final da frase que não sublinhei são desejos da direita de recorte fascista ser contra o parlamento burguês e mesmo seus partidos e a luta moralista contra moralista contra a corrupção sempre foi uma justificativa da direita fascista ou autoritária para tentativa de golpes (até mesmo de direita mais moderada como a antiga UDN).

Daí que a extrema direita tenta canalizar esse sentimento contra os partidos em geral (em especial os de esquerda) e que a chave é as organizações da esquerda classista não se isolarem das massas nesse processo, mas disputar a sua consciência com um programa para a juventude e os trabalhadores, dando resposta a essa insatisfação com o regime burguês. Se fica claro, para a esquerda de conjunto, que estamos diante de novos desafios, e que a questão do enraizamento na classe operária e no povo pobre será a chave para fazer frente aos setores de direita que vão sim continuar tentando manipular os setores mais atrasados e atacar a esquerda; por outro lado, também deve ficar que toda leitura que imagina estarmos diante de uma ameaça fascista, e que busque construir uma “frente única antifascista” , ou “frente da esquerda contra o golpismo” (incluindo os defensores do governo na frente), não apenas erra completamente o alvo, mas pode acabar se contrapondo ao sentimento espontâneo mais do que legítimo de revolta popular com o atual estado de coisas.

Por que não faz sentido temer um golpismo de direita na atual situação?

Devemos mostrar que a direita, antes de “estar nas ruas”, está nos governos e alianças petistas (Maluf, Sarney, Collor, Renan, Temer, Feliciano, Marcelo Crivela, Edir Macedo, Ratinho etc.). Mensalão, 33 bi previstos para a Copa, Lei Antiterrorista, repressão nas obras das usinas, entrega das terras indígenas e assassinatos, Código Florestal, abandono dos assentamentos em prol do agronegócio, ataque aos direitos das mulheres e homossexuais etc.

Comentário: São de direita, claro que são. Alguns foram proceres da ditadura militar. Maluf e Collor mandavam espancar e Maluf prender e torturar a esquerda. Não eram fascista pois não existia um movimento fascista que os sustentava. Fascismo como movimento e governo foi derrotado na segunda guerra mundial a custa de 55 milhões de mortos. Mas que estes indivíduos são proto-fascistas, ideologicamente fascistas. E não dirigem, pelo que parece, estes militantes de direita radical que estão nas ruas. Maluf e Collor se aferram nesse parlamento podre. Mas quase sempre são esses podres do parlamento que abrem as portas, aprovam leis, que favorecem a mobilização fascista. Na década de 30 e 40 foi assim. Depois fecharam o parlamento títere e destruíram essas tipo de figura. E destruíram também os socialistas vacilantes e traidores. O fato deles e seus pares, inclusive do PT, não estarem dirigindo essas manifestações faz delas manifestações contra o regime e muito progressistas. Mas nada indica, até agora, que a hostilidade à esquerda vá diminuir. Nos atos de Campinas desapareceu as hostilidades, mesmo porque a esquerda não abaixou as bandeiras no ato de 40 mil e nos outros atos não mais a levantaram. Talvez a orientação prática seja não levantá-las. Talvez seja o único jeito para disputar no interior do movimento. Mas é preciso dizer claramente qual a tática. Numa grande mobilização a tática é muito importante. Talvez a coisa mais importante para viabilizar qualquer estratégia.

A pressão “antidireita” é política petista (e suas alas fora do PT) consciente, mais forte que no tempo do mensalão

Na verdade, a despeito dos “avanços sociais”, as completamente insuficientes concessões que os governos Lula e Dilma fizeram aos setores mais pobres, é na figura desses governos que vem se mantendo a ditadura do capital financeiro, isto é, da burguesia mais concentrada, “nacional” e imperialista, das grandes corporações (bancos, indústrias, empreiteiras, agronegócio), com sede no Brasil ou no exterior, que extraem o grosso das riquezas naturais e do produto do trabalho dos milhões de brasileiros que produzem tudo, e mal recebem em troca o básico para tocar a vida adiante. A verdade é que os grandes burgueses estão contentes, e a parte maior da direita está no governo, não nas ruas.

Uma análise marxista do fascismo e o Brasil atual

Partindo da análise de classe, foi preciso primeiro pontuar os fundamentos de o PT estar em aliança com setores reacionários (portanto, que estão dentro do governo) e, no plano econômico, vermos uma forte hegemonia dos grandes monopólios capitalistas em aliança com o governo.

Mas ainda é preciso ir ainda à raiz dos conceitos para problematizar a questão do fascismo na atual situação brasileira. Nas várias definições dadas pelo dirigente revolucionário Leon Trotski em seus estudos sobre a ascensão fascista na Alemanha, se destaca sempre o seguinte elemento fundamental: o fascismo é a mobilização reacionária da pequena burguesia arruinada contra o proletariado e suas organizações, a serviço do capital financeiro mais concentrado.

Comentário:Aqui uma coisa que não tinha levado em conta. É preciso ter em conta a crise mundial. Esse “capital financeiro mais concentrado” está em crise? um segundo ponto: Nas eleições passadas o discurso, nas ruas e botecos, da pequena burguesia reacionária não era contra a traição do PT. Mas reavivam os ataques a um PT que não mais existia, atacavam um PT que ainda representava os trabalhadores. Na época eu via isso como muito reacionário e preocupante.

Ora, basta relembrar essa definição para, voltando os olhos para a realidade do país hoje, verificar que nada disso se encaixa com o que estamos vendo. E isso, em primeiríssimo lugar, porque o capital financeiro está amplamente satisfeito com o governo, faz “parte” dele, não apresenta nenhum choque importante de interesse com ele e nem vê, no momento, qualquer perda real de sua capacidade de manter a continuidade dos negócios capitalistas no país.

Comentário: mas o governo do PT não é o governo do capital financeiro. Se fosse e mobilasse os sindicatos contra o movimento que está nas ruas, tomaria talvez, por ter base de massa, um perigo de ir adquirindo caráter fascista. Nesse instantes ouvindo que os médicos farão greve contra a contratação de médicos estrangeiros. Um medida progressista. Precisaria ser mais extensiva, como por exemplo, obrigar os médicos formados em escolas públicas em dar 2 ou 3 anos de prestação de serviços em comunidades carentes de médicos. Aqui um exemplo da mobilização da classe média contra os trabalhadores e os pobres.

É preciso olhar as coisas de olhos abertos, e não se levar pelas aparências, nem quando elas são habilmente manipuladas pelos sacerdotes petistas. O fascismo não é simplesmente igual à existência de indivíduos desmiolados e agressivos, portadores de ideias estapafúrdias e reacionárias, e dispostos a brigar fisicamente por elas.

Comentário: Claro que não é fascismo, mas não esqueçamos que o fascismo, em todo o mundo, não se instalou sem essa gente, exatamente esses, desmiolados, agressivos, portadores de idéias estapafúrdias. Essa é uma narrativa da tropa de choque de Hitler. Não há fascismos à vista, mas esse proto-fascismo me preocupa sim. Esses, infelizmente, são um produto do capitalismo decadente, mais um sintoma de que esse sistema social apodreceu há muito tempo e merece ser substituído por uma nova democracia instaurada pelo poder operário e popular.o fascismo também é fruto do capitalismo decadente. Mas é apenas quando o grande capital se vê ameaçado de morte pela organização operária e a revolta de todo o povo, quando a perspectiva da revolução social (não dos inofensivos “avanços sociais” lulistas) se faz sentir e põe a classe dominante a tremer, é só aí, quando a grande burguesia entra em desespero e se vê obrigada a recorrer aos bandos de desmiolados fascistas, essa “poeira de humanidade”, como dizia Trotski, aí sim é que a ameaça fascista pode e deve ser levada em conta, e cumprir um papel determinante na orientação da esquerda classista e revolucionária. Mas a esquerda deve levar em conta, sim, que essa poeirinha da humanidade acabou dando o tom em mobilizações no país inteiro.

Mas quem determina, mais uma vez, é a luta de classes, o verdadeiro motor da história. E hoje o que ela pede[deve ser no sentido mais abstrato e geral do termo, melhor necessita] é uma atuação decidida para aproveitar o abalo sísmico que a irrupção da juventude criou no Brasil, furando a apatia, o tédio e o nojo, para organizar e mobilizar os trabalhadores com suas próprias demandas, para que aliados à juventude explorada e oprimida de todo o país, sejam eles a dar o tom das próximas etapas de um combate que ainda está em seus capítulos iniciais.

Comentários:Agora, dia 27 e dia 11, há a promessa de trabalhadores entrarem em ação. Não é descartável que essas centrais sindicais se mobilizem para sustentarem o governo que está sendo atacado. E virão armados de bandeiras vermelhas. Acho que o isolamento da esquerda vai aumentar.
Diante da proposta Lulista de plebiscito e diante da ampla gama de reinvidicações do movimento que está nas ruas, tendo, no meu ponto de vista, centrado em Saúde e Educação e, contra o regime corrupto e incapaz de satisfazer as reivindicações, teria que caminhar para mudar uma Constituinte Soberana, com total liberdade partidária, para acenar com a possibilidade de conquistas para as massas e avanços na organização da classe operária, que se organizará e buscará aliados.

Debatendo e anotando textos sobre o movimento das ruas 2013 – (01)

25/06/1963

01. Decisões de Conlutas para o dia 27/06 (no Boletim do Sintusp)

link para o documento original

Devemos realinhar rapidamente, diante dos acontecimentos.
Diante da proposta de constituinte da Dilma, da reação medrosa da oposição burguesa, devemos avançar com a proposta de CONSTITUINTE SOBERANA, para discutir tudo e mudar o país.

As propostas de Conlutas, mesmo sem a questão da constuinte soberana ser colada, são muito genéricas. é preciso ler o movimento e concretizar, criativamente, materialmente, seus anseios.

Vou fazer um breve comentário sobre algumas das bandeiras levantadas por Conlutas, procurando dar materialidade a elas.

* no item INVESTIMENTOS:

CONLUTAS:Investimento de recurso público na educação, moradias populares, hospiais e
saúde em geral de forma a garantir atendimento à demanda com qualidade;

COMENTÁRIO: Binômio central do país e que as vêzes apareceu nas manifestações.: SAÚDE E EDUCAÇÃO.
– 100 por cento dos lucros do petróleo para educação e saúde (não somente educação);
– O Petróleo é nosso: reestatização da Petrobrás. Todo lucro investido em Saúde e Educação.
– Federalização da Educação. Carreira Federal para os professores de todos os níveis. Salário de professores de todos os níveis iguais aos dos Generais e Juízes.
– Estatização de todos os Hospitais privados e criação de um banco nacional de leitos. Construção de Novos Hospitais. Carreira Nacional de Médicos e Profissionais de Saúde. Salário dos Médicos igual a Generais, Juízes e Professores.
– Só estuda em universidades públicas alunos da escola pública.(100 por cento de cotas para provenientes da escola pública).

propostas que vão no caminho de:
– Fim da medicina privada e fim do ensino privado e também do exercício da medicina privada.

COMENTÁRIO (INEVITÁVEL): os “vândalos” das manifestações nada mais são que jovens da periferia, movidos pela desesperança.

– Nenhum salário em funções públicas superiores a Professores, Médicos (incluindo presidência, deputados, generais, etc.).
– fixar um salário teto para funções públicas baseado no salário mínimo do DIEESE (por exemplo, 5 salários mínimos do DIEESE). Traduzindo: ninguém pode ganhar mais que …….
– MORADIA:
# COMPLETA REFORMA URBANA. – Confisco das grandes áreas da especulação Imobiliária (pagamento do valor venal). Distribuição de lotes, através de um cadastro nacional, e uma comissão nacional de reforma urbana, formanda por entidades sindicais e populares.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………….
CONLUTAS: • Melhoria da qualidade do transporte pú-
blico e sua estatização;

Acrescento:

# Corredores exclusivos para ônibus em cidades com mais de 200 mil habitantes
# Ciclovias em todo o perímetro das cidades com mais de 200 mil habitantes.
# Fim de qualquer imposto na fabricação e comercialização de bicicletas.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

CONLUTAS: • Congelamento dos preços dos alimentos
e das tarifas públicas;

Proponho na questão dos alimentos:

# Congelamento dos alimentos da Cesta-Básica
# Subsídio para a economia familiar produzir os alimentos da cesta-básica.
# Criação de Mercados Públicos da Cesta-Básica, para os alimentos subsidiados.
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CONLUTAS: • Aumento dos salários frente à elevação
da inflação;

proponho:

# Mínimo do DIEESE,
# Gatilho salarial que antecipe a a inflação.
# Nenhum Salário Público superior a 5 salários mínimos ( do DIEESE.)
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CONLUTAS: • Reforma agrária;

Acrescento:

# Subsídio para a economia familiar que produza alimentos para Cesta-Básica e vendidos em Mercados Públicos da Cesta Básica
# Mercado Público da Cesta-básica (para escoar a produção, sem atravessadores).

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CONLUTAS: • Defesa do patrimônio público, contra as
privatizações e os leilões do petróleo;

Acrescento:

# Estatização de todos os estádios de futebol construídos com dinheiro público (ingressos baratos)
# Estatização de todos os Hospitais (com um banco nacional de leitos)
# 100 por cento de cotas para escolas públicas para acesso às Universidades (Ruma à Estatização das Escolas privadas);
# Reestatização da Petrobrás. O petróleo é nosso. 100 por cento dos lucros com o petróleo para Saúde e Educação. (não só do pré-sal, mas de todo o petróleo);
# Reestatização do Setor elétrico. Tarifa Zero para os Trabalhadores e moradores em favelas e bairros populares.
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CONLUTAS: • Pela desmilitarização das polícias;
• Contra a repressão, a violência policial e
a criminalização das lutas e organizações
dos trabalhadores;

COMENTÁRIO: Não incorporamos que a polícia (civil e a militarizada) humilha, prende, tortura e mata pobres, negros e jovens trabalhadores. às centenas, todos os dias. Agora mesmo, em qualquer delegacia, dezenas ou até milhares estão sendo torturados. É a polícia, que domina mais de 300 favelas do rio, através das milícias, o principal agente da corrupção e da morte traumática de jovens e trabalhadores. Colara com isso o todo sistema prisional e o sistema judiciário. E não podemos fingir que não é conosco quando a classe média e principalmente os jovens de periferia estão envolvidos nessa grande guerra urbana (guerra corrupta e suja, e sem solução fácil). Por não ser fácil, mas por atingir profundamente os trabalhares, seria preciso avançar uma discussão e tirar propostas, pois é a água turva onde a direita vai sempre pescar.

Acrescento:

# Rechaçar a PEC 37.
# Corrução deve ser crime hediondo.
# Fim de qualquer prisão especial (para juízes, parlamentares, curso superior, etc.)
# Todos agentes públicos(servidores públicos, Juízes, militares, policiais e parlamentares) devem ter o dobro de pena por crimes de corrupção, tortura e assassinatos),
# Todos esses agentes públicos, se processados por corrupção, devem ter,imediatamente, seus bens bloqueados;

É preciso, um elaboração e uma intervenção cotidiana nesse tema que parece um patrimônio inalienável da direita.

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Insisto que a proposta de Constituinte Soberana permite canalizar essas manifestações para buscar uma solução para todo o país. Abre a via para uma grande organização dos trabalhadores. Abre uma grande discussão de quem deve dirigir o país.
Repito. Aqui são alguns pequenos comentários daquilo que acho rolava nas manifestações, em seus cartazes e em suas ações. Mas, talvez, muito ainda está por vir. E depende muito da ação. E mesmo da velocidade e da capacidade da organização dos trabalhadores e seus aliados.

Em 25 de junho de 2013 12:55, Mário Martins de Lima escreveu: