Oaxaca

10/09/2006

Oaxaca, 2006

Citações do Texto:

01.”Para Margarita Dalton, que mora em Oaxaca, o movimento é espontâneo. “Todos os grupos marginalizados se uniram por um governo mais horizontal e que dê respostas à pobreza. Até os guerrilheiros fazem propostas na Assembléia e sugerem mudanças na Constituição, ou seja, optam pela via legal, não só pela via armada.”

asamblea-popular-de-los-pueblos-de-oaxaca

Talvez para a generalização da luta em nível nacional necessitasse uma proposta de Constituinte Livre e Soberana. Principalmente se colocava, nas reivindicações, questões nacionais e democráticas, como a questão índigena, as desigualdades regionais( as opressões no interior do próprio país, dada as necessidades da exploração imperialista), os privilégios na educação ( e consequente exclusão), necessidade de combater o racismo (na questão indígena e negra). No fundo qual é a agudeza da exploração imperialista no México.

 

Hoje, dez 2014, quando o Movimiento de los Trabajadores Socialistas coloca a questão da Constituinte Livre e Soberana como uma maneira de centralizar todas as reivindicações democráticas, agora colocadas. E a conquista da legalidade do Movimiento de los Trabajadores Socialistas ganha uma importância considerável para construir um partido de massa no interior deste movimento, que é longo, pois a resolução das questões democráticas e anti-imperialistas só se darão mesmo com a revolução socialista.

latuff oaxaca

Veja apontamentos que fiz em dezembro de 2013 sobre o movimento de junho de 2013:

oaxacamarchaconmemora2006120614

15.000 manifestantes, convocados pelos professores dissidentes da Seção XXII do SNTE-CNTE, marcham em Oaxaca o 14 de junho para conmemorar a repressão e resistência de 2006. (Foto: Sección XXII, SNTE-CNTE)

2. OS PROFESSORES.

“Uma greve de professores iniciada em 22 de maio desembocou em uma revolta que uniu indígenas, desempregados, sindicalistas e até grupos guerrilheiros, todos pedindo a renúncia do governador do Estado, além de combate à pobreza regional.”

A dimensão que tem uma greve de professores, e os professores, numa luta democrática e anti-imperialista. Foi o que tentei ver o que daria um centro para as múltiplas reivindicações das jornadas de junho de 2013, no Brasil. Aquele caos, aquela manifestação ampla da juventude de classe média tinha como tônus a desesperança. Assim via e assim vejo. Daí minhas propostas para um SISTEMA ÚNICO DE EDUCAÇÃO, que está umbilicalmente ligado à questão da Constituinte Livre e Soberana.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..
wdolar

Veja texto completo:

1. Precisamos de 100 por cento de acesso às universidades públicas sejam destinados a alunos do ensino público, mantendo a cota para negros e indígenas;
2 . Por uma carreira nacional de professores que iguale todos os professores: “todos somos professores”;
3. Por um Sistema Único de Educação (pelo fim da educação parcelada dos municípios e estados);
4 . Mudança radical na formação dos médicos (pelos menos 85 por cento de médicos generalistas, médicos de família e 15 por cento para especialidades – invertendo a lógica de hoje);
5. que todo médico formado tenha que trabalhar por 4 anos em unidades de saúde pública, onde for designado – que, para começar, todas a cidades do interior do Brasil tenham 6,9 médicos por mil habitantes, a taxa Cubana;
6. Que os médicos ganhem como professores de um Sistema Único de Educação (e que os professores ganhem como juízes)
7. Defensores públicos (advogados) que ganhem como juízes, para defender os pobres dos erros médicos;
8 .E será preciso complementar tudo isso com uma campanha sistemática, dia pós dia, ano pós anos, anos a fio, contra a medicina privada.

 

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

São Paulo, domingo, 10 de setembro de 2006
Revolta de Oaxaca é Chiapas ampliada
Para Margarita Dalton, estudiosa da revolta que paralisa Estado mexicano, estereótipo da submissão de índios está desatualizado

Antropóloga diz que educação e posse de terra conscientizaram indígenas; prédios públicos estão ocupados por movimento

RAUL JUSTE LORES
DA REPORTAGEM LOCAL

Por muito tempo considerados “submissos”, os indígenas mexicanos lideram o maior movimento de revolta social no México, que praticamente deixou sem governo o Estado de Oaxaca, no sul do país.
Uma greve de professores iniciada em 22 de maio desembocou em uma revolta que uniu indígenas, desempregados, sindicalistas e até grupos guerrilheiros, todos pedindo a renúncia do governador do Estado, além de combate à pobreza regional.
Todos os prédios públicos estaduais estão ocupados pelo movimento, que fundou a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO).
“A insensibilidade do governador com os professores foi a faísca que acendeu a fogueira que estava pronta para arder”, disse à Folha a antropóloga e historiadora Margarita Dalton, do Centro de Estudos em Antropologia Social.
“O estereótipo do indígena submisso que prevaleceu na América Latina por muito tempo foi derrubado aqui. A consciência e a atitude deles mudaram. A partir da Revolução Mexicana, que fez a reforma agrária, e com a educação nas décadas seguintes, surgiram líderes locais, intelectuais orgânicos, que atuam nos movimentos sociais. Os pobres de Oaxaca estão lutando por seus direitos.”
Oaxaca (pronuncia-se “oarraca”) é o segundo Estado mais pobre do México, depois de Chiapas, justamente onde eclodiu o movimento zapatista em 1994, liderado pelo subcomandante Marcos. Os dois Estados são os de maior população indígena no país. Oaxaca repete Chiapas, mas com possibilidade de mudar a política do Estado na marra.
“Ao contrário de Chiapas, os indígenas oaxaquenhos sempre tiveram terras. As fazendas coloniais não funcionaram bem no Estado porque os índios preferiam trabalhar seu pedacinho. Esse é o ponto de partida para uma atitude política diferente”, diz Margarita.
Depois da confirmação, na última terça-feira, de que o conservador Felipe Calderón venceu as eleições presidenciais de 2 de julho, depois de dois meses de batalha jurídica, a crise de governabilidade em Oaxaca é o tema que ocupa as manchetes dos principais jornais mexicanos.

Cidade sitiada
Para Margarita Dalton, que mora em Oaxaca, o movimento é espontâneo. “Todos os grupos marginalizados se uniram por um governo mais horizontal e que dê respostas à pobreza. Até os guerrilheiros fazem propostas na Assembléia e sugerem mudanças na Constituição, ou seja, optam pela via legal, não só pela via armada.”
Nos últimos dias, porém, o movimento se tornou mais violento. Na quinta-feira, até os escritórios provisórios do governo foram tomados pelo movimento, e pichados com os dizeres: “Território da APPO”.
Funcionários públicos e policiais foram amarrados e levaram um banho de tinta verde ao tentarem impedir a ocupação de uma repartição estadual. Há apenas dez dias o governo nacional começou a fazer uma mediação entre os manifestantes e o governo.
Como a greve dos professores atraiu a solidariedade dos movimentos sociais após uma violenta repressão policial, a polícia agora tem ordem de não intervir, e está praticamente ausente do conflito.
Sem policiamento, a capital do Estado, também chamada Oaxaca, vive um toque de recolher. Às oito da noite, suas ruas estão vazias. Lojas funcionam com as portas fechadas. Cartazes informam: “Estamos trabalhando, toque a campainha”.

Encarecida pelo turismo
Bem diferente do que costumava acontecer até maio. A cidade de Oaxaca era presença constante em revistas americanas e européias de turismo. Tinha o centro histórico colonial mais bem conservado do México e um dos mais vistosos da América Latina. Em 2002, foi proibida a abertura de um Mac Donalds para não interferir no patrimônio arquitetônico.
Cheia de turistas endinheirados, a cidade vivia um boom de ateliês de arte, galerias e dezenas de lojas de artesanato. “A cidade ficou muito cara para os locais; essa é uma das causas que motivou as reivindicações salariais do magistério”, diz a antropóloga.
Oaxaca está quase irreconhecível agora. Foi sitiada por barricadas, que fecharam os acessos de veículos ao centro histórico. Ônibus incendiados servem de barreiras. Faltam frutas e legumes no mercado municipal porque fornecedores têm medo de entrar na cidade.
Os poucos turistas que ainda se atrevem a visitar a cidade vêem prédios coloniais e barrocos com a pichação, muito realista: “No hay gobierno”.

Texto Anterior: Comediante se descobriu árabe depois de atentados
Próximo Texto: Frase
Índice