O Ministério da Justiça (NÃO) alerta: os negros são exterminados

09/11/2012

A matéria de “O Estado de São Paulo” abaixo, tenda interpretar os dados publicados pelo Ministério da Justiça. Ontem os jornais da televisão deram como notícia. Apenas um deles falou dos dados referentes aos negros. Continua a conspiração racista do silêncio. Não é que querem matar somente a memória, querem impedir que ela se constitua. No jornal da TV Cultura um comentarista dizia que não podemos levar em conta as estatísticas dos governos do estado de São Paulo, pois as estatísticas são maquiadas para esconder os homicídios. Mas o Jornal O Estado de São Paulo faz um artigo hoje apologético sobre a segurança pública em São Paulo, a mesma que esconde dados, ou seja, é paga com o imposto do povo para mentir. Daqui do alto do saber na Unicamp não podemos contestar, pois a Unicamp não tem qualquer núcleo de pesquisa sobre a violência. A Unicamp é uma espécie Bahamas da elite branca e refestelada. A Unicamp é um ilha de ignorância sobre a realidade dos negros e pobres.  Outros jornais, como Folha de São Paulo não fez qualquer chamada; o que suponho nem tratau a questão.Mas o que me açulou toda meu ódio foi ver como os jornais televisivos escondem a questão do extermínio dos negros. E os jornais em papel chegam mesmo a ignorar a anúncio do Ministério da Justiça. O ministro veio a público comentar e num tom quase blasé dá sua receita para diminuir a violência (não folou do extermínio dos negros. Não falou da polícia rascista e assassina). Falou que é um problema de todas esferas de governo, que prefeituras, estados e governo federal devem estar juntos, patati-patatá.

Qual saída? No Morro do Café em BH a polícia mineira matou tio e sobrinhos, por serem negros andando na rua. O tio, enfermeiro querido pela comunidade, como os entrevistados disseram. O sobrinho, estudante aplicado. O pai policial militar e irmão do outro assassinado. Os moradores do Morro do Café enfrentaram, em protesto, a polícia das 18 horas até 00 horas. Pedras e até tiros. Fogo em ônibus – os mesmo que carregam as pessoas como gado e ainda cobram alto. O método é este. É precio que a população, os negros e os pobres ,  ponha todo este ódio a serviço de mudanças revolucionárias, como está acontecendo no oriente. É a única esperança.

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Como disse Paulo Lins na TV cultura, no Jornal da Cultura, a democracia brasileira é de uma elite que massacra o negro e o pobre, que o estado brasileiro é genocida, massacra e mata negros e pobres. Claro que a apresentadora, como é do seu costume, mudou logo, logo de assunto.

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FRASES DO ARTIGO DO ESTADÃO

****No Brasil, em cada três assassinatos, dois são de negros. Em 2008, morreram 103% mais negros que brancos
****entre 2002 e 2008, uma diferença de 30%. Enquanto isso, os assassinatos entre os jovens negros passaram de 11.308 para 12.749 – aumento de 13% ****Na Paraíba, em 2008, morreram 1.083% mais negros do que brancos
****Na população jovem, o campeão é Alagoas. Em 2008, morreram 1.304 % mais negros que brancos.
A última frase é uma ironia macabra. Na terra do Quilombo de Palmares e de Zumbi, símbolo da liberdade e convivência entre brancos e negros e símbolo da luta pela libertação é onde o extermínio vai mais longe. E na lista ou rankink ou mapa do extermínio está também a cidade de Palmares, em Pernambuco.

Lisandra Paraguassu – O Estado de S.Paulo

No Brasil, em cada três assassinatos, dois são de negros. Em 2008, morreram 103% mais negros que brancos. Dez anos antes, essa diferença já existia, mas era de 20%. Esses números estão no Mapa da Violência 2011, um estudo nacional que será apresentado hoje pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz.

Os números mostram que, enquanto os assassinatos de brancos vêm caindo, os de negros continuam a subir. De 2005 para 2008, houve uma queda de 22,7% nos homicídios de pessoas brancas; entre os negros, as taxas subiram 12,1%.

O cenário é ainda pior entre os jovens (15 a 24 anos). Entre os brancos, o número de homicídios caiu de 6.592 para 4.582 entre 2002 e 2008, uma diferença de 30%. Enquanto isso, os assassinatos entre os jovens negros passaram de 11.308 para 12.749 – aumento de 13%. Em 2008, morriam proporcionalmente mais 127,6% jovens negros que brancos. Dez anos antes, essa diferença era de 39%.

Paraíba. Os dados são mais impressionantes quando se analisam números de alguns Estados. Na Paraíba, em 2008, morreram 1.083% mais negros do que brancos. Em Alagoas, no mesmo ano, foram 974,8% mais mortes de negros. Em 11 Estados, esse índice ultrapassa 200%. As diferenças são pequenas apenas nos Estados onde a população negra também é menor, como no Rio Grande do Sul, onde a diferença é de 12,5%; Santa Catarina, com 14,7%; e Acre, com 4%.

O Mapa da Violência 2011 mostra que apenas no Paraná morrem mais brancos do que negros, com uma diferença de 34,7%. Na população jovem, o campeão é Alagoas. Em 2008, morreram 1.304 % mais negros que brancos. Na Bahia, onde se concentra a maior população preta e parda do País, a diferença foi de 798,5%.

Pobres. “Alguns Estados têm taxas insuportáveis. Não é uma situação premeditada, mas tem as características de um extermínio”, disse Waiselfisz, em entrevista ontem ao Estado. “A distância entre brancos e negros cresce muito rápido”, ressalta.

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Reli isso neste dia 30/12/2012. E não vi nenhum protesto. Nenhuma grande manifestação contra este extermínio, como chamou a pesquisadora. Poderia chamar de genocídio.

E me lembrei, sempre me lembro, desse lamento de Billie Holiday. Não consegui decidir entre estas 3 de muitas versões, dessa, que para mim, é a maior de todas as intérpretes.

 

 


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O pesquisador credita essa diferença à falta de segurança que envolve a população mais pobre, em que os negros são maioria. “O que acontece com a segurança pública é o que já aconteceu com outros setores, como educação, saúde, previdência social: a privatização. Quem pode paga a segurança privada. Os negros estão entre os mais pobres, moram em zonas de risco e não podem pagar.”

PARA ENTENDER

O Mapa da Violência utiliza o sistema de classificação de cor adotado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para simplificação, negro passou a ser adotado tanto para os que se declaram pretos quanto para os pardos. O sistema só incluiu a informação em 2002, quando 92% dos óbitos já relacionavam a cor da vítima.

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O ARQUIVO, de Victor Giudice

31/10/2012

O arquivo

Victor Giudice

CONTOS DA MEIA NOITE, interpretado por Antônio Abujamra, do conto de Victor Giudice, O Arquivo


curta narrado por Antônio Abujamra

No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.

joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.

Prosseguiu a luta.

Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

Respirou descompassado.

— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.

— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

O coração parava.

— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.

— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.

Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

O corpo era um monte de rugas sorridentes.

Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:

— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:

— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.

O chefe não compreendeu:

— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

A emoção impediu qualquer resposta.

joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.

João transformou-se num arquivo de metal.

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capoeira angola desenhos de Caribé

02/08/2012

Biblioteca Mário XII AfroBrasil 000.001

A esperança é que o livro seja reeditado. No site estante virtual este livro de Waldeloir Rego vai de 395 reais a 1.593 reais. Ou seja, preço proibitivo para os mortais comuns. No Arquivo Edgard Leuenroth tem um exemplar.  Consegui o meu por R$ 100,00. Pretendo fazer uma resenha.
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link

WALDELOIR REGO
CAPOEIRA ANGOLA
ensaio sócio-etnográfico
Salvador
Editora Itapoan
1968

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Música que me fez prestar atenção na capoeira, em 1972. Até hoje, esta é um das minhas músicas prediletas.

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galeria

Claro que a vontade é colocar aqui os 18 desenhos maravilhosos. Aqui vão alguns como propaganda gratuita de um livro que não conheço nova edição.


Um lugar bonito e aprazível e um monumento estranho em Campinas

15/07/2012


Manumentos Campinas 015

Upload feito originalmente por Jornal do Porão


Manumentos Campinas 011

Upload feito originalmente por Jornal do Porão


Manumentos Campinas 009

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Fica ao final da Rua 13 de maio. Não há qualquer monumento ao fim da escravidão.(Vou voltar para ver direito). Parece que para os poderesos de Campinas o nome da rua já foi o suficiente – uns deviam achar inclusive excessivo e incoveniente. Nesta pracinha, em frente à Estação Cultura há este monumento estranho. Quem esculpiu ou erigiu(pois é de cimento) não há qualquer inscrição. A Pracinha fica bem do lado do terminal Miguel Vicente Cury. Não anotei o nome. Ali, como vê-se na foto, fica o hotel das putas e os barzinhos. Um atmosfera quase de velho oeste americano. Os predinhos são bonitos e as cores são ótimas. ****************************************************************************************Se Se quiser ter acesso ao album flickr “Monumentos de Campinas I” é só clicar sobre estas três primeiras fotos. Terá acesso a outros albuns também.
. Mereceria, acho um tombamento, e uma proteção às putas. A chamada Estação Cultura, agora tão morta neste governo do Dr. Hélio, mas aquele pedacinho ali em frente a ela é bem vivo, principalmente em dias de semana (o que não foi o caso desta foto). Fotografar as putas durante o dia o que já tentei e fui mais ou menos dissuadido a deixar prá lá. O Dr. Hélio queria acabar os bares, hotéis e as putas. Este moralismo limpinho e fascista.

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Campinas tem monumentos importantes?

14/07/2012

Campinas tem alguma importancia cultural? O povo de Campinas de algum acesso a objetos, eventos, arquitetura, espaços ou qualquer movimento cultural?
Quem se importa com isso?
Ao clicar sobre estas primeiras fotos terá acesso ao album completo “Monumentos de Campinas I” e outros albuns.


Manumentos Campinas 056

Upload feito originalmente por Jornal do Porão




Manumentos Campinas 049

Upload feito originalmente por Jornal do Porão




Manumentos Campinas 033

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

A Unicamp fecha e apodrece à noite, nem mesmo ensino noturno tem que não seja umas migalhinhas. Imensos prédios públicos na escuridão e fomentando a ingnorância. Isso mesmo, é uma espécie de elemento provocador da ignorância, pois se aqueles monstrengos de prédios, dinheiro do público, repito do público, ali sem qualquer utilidade. É um acinte. É um dizer brutal de que “temos prédios, instalações, máquinas, equipamentos, mas os pobres é que se fodam”. O próprio movimento estudantil não fala nisso. Os “donos” dessa “universidade pública” chamada Unicamp, são patrocinadores da ignorância e da exclusão de negros e pobres.
E a prefeitura de Campinas, esta do fantasioso e eficiente slogan “primeiro os que mais precisam” não propõe nada no setor cultura. As titicas que existiam, como a Estão Cultura, está paralisada, semimorta. As atividades de rua, miseráveis atividades do governo anterior, foram extintas.
E continuo a falar dos monumentos, praças e ruas. O prefeito do “primeiro os que mais precisam” deixa, como seus antecessores deixaram, os trabalhadores serem ofendidos com um nome numa “praça” que não existe. Um canteiro debaixo de um viaduto na Barão de Itapura. Ofendem Tim Maia. Tentam humilhar Noel Rosa que para alguns, como eu, é o maior e mais inventivo compositor popular brasileiro. Um gênio da música e do humor.

Este prefeito que nada construiu, em 6 anos, mamando às golfadas no dinheiro farto de Lula, não só não construiu ou iniciou nada importante no terreno cultural, como acabou com algumas pífias iniciativas e aquilo que tem deixa perecer.
É caso do “monumento aos trabalhadores do café” que foi construído em 1927, pelo bi-centenária da introdução do café no Brasil. Não qualquer placa identificando o escultor. Não há qualquer discussão sobre a importância deste monumento. E até a cerquinha para protegê-lo está toda danificada. E agora a perigosa fiqueira cresce nos vãos e rachaduras ponde em perigo o próprio suporte do monumento.
Como este monumento aos “trabalhadores do café” narra a saga protagonizada por imigrantes europeus, negros e mulheres, o prefeito do “primeiro os que mais precisam” aproveita para continuar ofendendo imigrantes pobres, negros e mulheres, ou seja, a maioria que construiu Campinas e este país.

“A data aceita pela maioria dos historiadores como sendo a da fundação de Campinas é 14 de julho de 1794, quando da inauguração da tosca capela, coberta de sapé, no local onde hoje se situa o monumento de Carlos Gomes, no centro da cidade.” http://pedrobondaczuk.blogspot.com.br/2007/07/fundao-de-campinas.html

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roberto piva

09/06/2012

VÍDEOS DE ROBERTO PIVA LENDO ESTES POEMAS


PRAÇA DA REPÚBLICA DOS MEUS SONHOS
Roberto Piva

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem
de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo e crianças brincando
na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
onde tudo se faz febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde García Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras sexos de papel
anjos deitados nos canteiros cobertos de cal água fumegante nas
privadas cérebros sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da República dos meus
Sonhos última sabedoria debruçada numa porta santa

A PIEDADE Roberto Piva

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos
marcadores: by Roberto Piva in Paranóia (1963) – postado por Uiliam Ferreira Boff

METEORO
Roberto Piva

Eu direi as palavras mais terríveis esta noite
enquanto os ponteiros se dissolvem
contra o meu poder
contra o meu amor
no sobressalto da minha mente
meus olhos dançam
no alto da Lapa os mosquitos me sufocam
que me importa saber se as mulheres são
férteis se Deus caiu no mar se
Kierkegaard pede socorro numa montanha
da Dinamarca?

os telefones gritam
isoladas criaturas caem no nada
os órgãos de carne falam morte
morte doce carnaval de rua do
fim do mundo
eu não quero elegias mas sim os lírios
de ferro dos recintos
há uma epopéia nas roupas penduradas contra
o céu cinza
e os luminosos me fitam do espaço alucinado
quantos lindos garotos eu não vi sob esta luz?

eu urrava meio louco meio estarrado meio fendido
narcóticos santos ó gato azul da minha mente
Oh Antonin Artaud
Oh Garcia Lorca
com seus olhos de aborto reduzidos
a retratos

almas
almas
como icebergs
como velas
como manequins mecânicos
e o clímax fraudulento dos sanduíches almoços
sorvetes controles ansiedades
eu preciso cortar os cabelos da minha alma
eu preciso tomar colheradas de
Morte Absoluta
eu não enxergo mais nada
meu crânio diz que estou embriagado
suplícios genuflexões neuroses
psicanalistas espetando meu pobre
esqueleto em férias

eu apertava uma árvore contra meu peito
como se fosse um anjo
meus amores começam crescer
passam cadillacs sem sangue os helicópteros
mugem
minha alma minha canção bolsos abertos
da minha mente
eu sou uma alucinação na ponta de teus olhos

[clique aqui para vários vídeos com Roberto Piva ]

MAIS LIDOS DE 2011
343 acessos. É o terceiro post do ano. Mas é muito pouco para o grande Roberto Piva. Há uma anedota atribuída Hans Magnus Enzensberger, de o Naufrágio do Titanic, que chamaram de constante de Enzensberger, de que, independente da população de um país, seja a Islândia ou a China, só tem mil leitores de poesia. Então Roberto Piva ainda está por cima.


livro: Consciência Negra do Brasil

05/06/2012


livro: Consciência Negra do Brasil

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

CONSCIÊNCIA NEGRA DO BRASIL: Os principais livros

biblioteca Mário XII- 000.008

Não haverá revolução proletária no Brasil se não for assentada na aliança com os o movimento de emancipação dos negros. Com este espírito recebo o presente de Mário Augusto Medeiros da Silva, o principal colaborador do jornaldoporao.wordpress.com

O que estes livros abordarão. Claro que não sei ainda. Mas aqui mesmo neste jornal vou fazer pequenas resenhas destas leituras e de outras que surgirão. Estarei atento ao doutorado de Mário Augusto que trata também da questão negra, de escritores negros.

Será uma grande jornada pelo que o Brasil tem de mais profundo.

Mário Medeiros também doou um exemplar para o AEL.

MAIS LIDOS DE 2011
A pequena notícia acima teve, até 03/05/2012, 96 leitores.
Curiosamente, à exceção do Mário Medeiros, ninguém se preocupou em me dar alguma dica sobre livros e obras.
Mas solicito encarecidamente.

Ah! Quanta terra e quanto mar! Também dica do Mário Augusto Medeiros da Silva. Com um pequena historinha. Quando me telefonou indo para o lançamento do livro e já tinha adquirido na Estante Virtual. Não sei que milagre que este, mas antes do lançamento já tinha 4 caixas(pois são 4 volumes numa caixa) à venda por preço menor que o que estava sendo lançado.
No entanto ainda não consegui ler nada.
E neste momento estou obcecado pela exposição “Memória e Altar”, da coleção de Rogério Cerqueira Leite. E pretendo que esta obsessão dure, de maneira totalmente absorvente, pelo menos 4 meses; período da exposição na CPFL e depois na Unicamp.
Depois pretendo comentar esta obra aqui

biblioteca Mário 000.009

TEXTOS AFINS NO JORNAL DO PORÃO:
01.

02. bibliografias e resenhas: ATITUDES RACIAIS DE PRETOS E MULATOS EM SÃO PAULO

03.CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: “Altar e Memória” : Exposição da Coleção de Rogério Cerqueira Leite

04. CONSCIÊNCIA NEGRA