Máfia de Branco, II. O Ensino Médico no Brasil, a formação da máfia.

07/12/2014

 

wdolaro Ensino universitário no Brasil é para a elite. Os estudantes de medicina são da classe média alta ou filhos da burguesia. Acostumados com o luxo, tem nojo dos pobres. Depois, como especialistas, se empregam nas empresas de medicina privada que exploram a dor, a doença e a morte. São propagandistas de laboratórios. São como traficantes, viciam as pessoas com um cem número de  drogas. E como máfias se auto-protegem e levam uma vida de semi-ilegalidade e com uma moral de comerciantes; e até numa espécie de pirataria, ou mesmo no crime aberto nas clínicas de aborto. Mas o normal é se formarem para servir à empresas de
medicina privada ou a laboratórios. A medicina, no Brasil, formam exploradores da fragilidade humana. Fazem parte da indústria da morte.
Tanto horror é virou uma banalidade. E o poder de humilhar, explorar, assediar ou mesmo estuprar continua. E este poder, com os anos, só aumenta. Em 1970 O Pasquim denunciava a máfia de Branco. Hoje esta Máfia é muito maior, mais rica e mais inatingível.
Um das características deste momento que vivemos, de excesso de informação, de redes sociais é que você pode falar o que quiser, mas também ninguém lhe ouve.
É preciso mudar é a composição social dos estudantes de Medicina. De resto de todo ensino.

UM COMENTÁRIO:
Claro que pobres também cometem abusos. Mas este elitismo dos médicos (e de todo o ensino no Brasil) que os coloca acima de todos, e por cima de quase todos, permitem a impunidade.
Anos e anos ouço e já vi denúncias formais de abusos em hospitais e até profanação de cadáveres em festas. Nenhum medida nunca é tomada.

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PROPOSTAS:

1. Precisamos de 100 por cento de acesso às universidades públicas sejam destinados a alunos do ensino público, mantendo a cota para negros e indígenas;
2 . Por uma carreira nacional de professores que iguale todos os professores: “todos somos professores”;
3. Por um Sistema Único de Educação (pelo fim da educação parcelada dos municípios e estados);
4 . Mudança radical na formação dos médicos (pelos menos 85 por cento de médicos generalistas, médicos de família e 15 por cento para especialidades – invertendo a lógica de hoje);
5. que todo médico formado tenha que trabalhar por 4 anos em unidades de saúde pública, onde for designado – que, para começar, todas a cidades do interior do Brasil tenham 6,9 médicos por mil habitantes, a taxa Cubana;
6. Que os médicos ganhem como professores de um Sistema Único de Educação (e que os professores ganhem como juízes)
7. Defensores públicos (advogados) que ganhem como juízes, para defender os pobres dos erros médicos;
8 .E será preciso complementar tudo isso com uma campanha sistemática, dia pós dia, ano pós anos, anos a fio, contra a medicina privada.

Caos

(Até um antigo secretário do Maluf e Ministro da saúde de Collor e FHC, em uma entrevista, deixou implícito o ensino das escolas privadas de medicina produz gente incapaz que vai cometer crimes e que nas escolas públicas o ensino voltado para especializações vai pelo mesmo caminho de produzir horrores e exclusão, que na medicina significa morte.). E num ensaio que escreveu para a Revistada USP http://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/76170/79914, o primeiro diagnóstico que faz é que desde Ditatura Militar e principalmente no período posterior, foram criadas mais de uma centena de faculdades de medicina, faculdades privadas sem qualquer qualificação. Ele não diz neste artigo, mas num outro http://febrasgo.luancomunicacao.net.br/artigo-exagero-de-escolas-medicas-por-adib-jatene/ mostra grande preocupação com medidas judiciais contra os médicos.

 

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Devemos denunciar sim, mas é preciso avançar. Das denúncias devemos passar a propostas para revirar o ensino de medicina no Brasil e a prática de medicina.
Para isso é preciso que organizações de trabalhadora assuma a luta para mudanças. Cada dia que passar serão contabilizados em dor e mortes.
As organizações de trabalhares devem buscar aliados nas filas dos postos de saúde, dos hospitais do INSS. Aliados dos pobres nas periferias. Dos sem-médicos de todo interior do país. É uma tarefa democrático/nacional que precisa da intervenção da classe operária para ter uma solução. Para avançar outras lutas (mesmo porque os mortos e doentes não farão luta nenhuma).
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VIRAR A MEDICINA DE CABEÇA PARA BAIXO É UMA TAREFA DEMOCRÁTICA QUE A CLASSE OPERÁRIA DEVE ASSUMIR E DIRIGIR, BUSCANDO ALIADOS NA CLASSE MÉDIA POBRE, NOS POBRES URBANOS, NUM PROCESSO REVOLUCIONÁRIO.

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Se um movimento deste tipo conseguir vitórias e, nestas lutas, houver o protagonismo da classe operária e dos trabalhadores, será uma mostra patente que que a classe operária caminha para dirigir todo o país.
Ainda que a classe operária e trabalhadora não conseguisse este protagonismo a luta não pode ser adiada.
Acho que o processo revolucionário depende muito de vitórias, mesmo que parciais, nesta área que permite que a classe operária leve atrás de si amplas massas oprimidas. Num breve levantamento: a questão da saúde da mulher, a questão do aborto, o tratamento da anemia falciforme que atinge a população negra, ou a pressão alta que atinge em primeiro lugar esta mesma população, ou ainda, os mais de 40 milhões de pessoas que se declaram com alguma deficiências (o que podemos ver em um estudo da FGV, de 2000, Retrato da Deficiência no Brasil.

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A VIDA, PARA UM MATERIALISTA, É O ÚNICO PATRIMÔNIO
E a questão da medicina concentra este problema em grau máximo. E é o maior anseio da população. É só conferir quantos planos de saúde privados tem no Brasil; e montante de dinheiro que os trabalhadores gastam.

“Virar a medicina brasileira de cabeça para baixo é uma tarefa para a revolução operária e socialista. (01). Este é o fecho de um artigo de um ex-aluno de Medicina de uma escola privada. Espero que uma revolução socialista que se preze realmente faça isso. Mesmo Cuba, onde nem houve uma revolução socialista exemplar e que logo, muito cedo se burocratizou, a Medicina foi virada de cabeça para baixo. Haja vista que Cuba tem 6,9 médicos para cada mil habitantes, 3,5 vezes ao que tem o Brasil, quase 11 vezes a Índia e o dobro da Alemanha.
Abaixo destes apontamentos faço um pequeno resumo do ensino de Medicina no Brasil. Adib Jatene, um dos que faz este levantamento, apesar de ter sido Secretário de Saúde de Maluf, Ministro de Collor e FHC e professor de rede de ensino privado, não deixa de mostrar que este ensino privado é uma espécie de crime. E termina vários de seus artigos expressando, no espírito de corpo comum aos médicos, o temor de processos judiciais contra médicos. E diz mesmo que este ensino chegou ao máximo do perigo. E não só o privado. Pois no ensino público de Medicina a distorção que é a formação de especialistas é uma acinte. Pois forma com dinheiro público milhares de médicos que vão servir a uma minoria. E pior, vão tratar de 10 ou 15 por cento de doenças, quando 85 por cento são doenças que atingem a maioria do povo. E que precisam de outro tipo de Medicina.

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Assédios, estupros e racismo na Faculdade de Medicina da USP

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Funcionários do restaurante da USP se mobilizam contra e estupros, assédio e homofobia. Vários setores da USP fizeram os mesmos cartazes e uma campanha no facebook. O mesmo fizeram outros trabalhadores do Movimento Nossa Classe e do Jornal Palavra Operária.

 

 

 

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Paulo Saldiva. Indignado com as atitudes dos dirigentes da USP

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links da campanha no facebook

01. Trabalhadores do Hospital Universitário da USP
02.Diana Assunção: “Na Faculdade de Medicina da USP há métodos profissionalizados de estupro”
03. Folha e Estadão divulgam campanha dos trabalhadores da USP contra estupros na Faculdade de Medicina
04. Funcionários da USP fazem fotos em apoio as vítimas de estupro
05. Show de horrores na Faculdade de Medicina da USP, Palavra Operária
06. Campanha contra machismo e homofobia chega a centenas de milhares de pessoa, Palavra Operária
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 links

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01. Medicina, racismo e elitismo no Brasil: uma combinação de classe feita para matar
02 .Conselho Federal de Medicina deu atestado de ignorância ao repudiar campanha contra racismo<a href=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2014/12/20141125160716424093u.jpg”>20141125160716424093u

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ADIB JATENE, na revista da USP
Brasil precisa de muito mais médicos.
Alguns exemplos da tabela de quantidade de Médicos por mil habitantes. Alemanha são 3,64 para cada mil. Brasil 1,95. Índia 0,60 por mil. E cuba 6,39 por mil.
Distribuição dos Médicos.
60% deles estão nas capitais onde residem apenas 20% da população. A maior das distorções é Vitória que tem 10 médicos para cada mil habitantes. 5 vezes mais que o Brasil. Quase 3 vezes mais que Alemanha. E quase 20 vezes mais que a Índia.

As especialidades.mafia-de-branco-1
Quem dá aula na graduação são Médicos especialistas que, por óbvio, dão aulas sobre sua especialidade. Há especialidades que um médico trabalhando 3 anos num posto de saúde não encontrará um caso sequer. A graduação precisa forma médicos e não especialistas.

“A situação atual do ensino médico tem causado
muita preocupação, mas acredito que estamos no
limiar de mudanças, já que a coisa chegou a um
nível intolerável.” Como termina o texto de Adib Jatene

Ensino privado.

“Em 1996 tí-
nhamos, portanto, 82 faculdades de medicina. E
daquele ano até 2011 abrimos mais 103, com uma
particularidade: mais de 50% eram privadas, com
os mesmos defeitos das anteriormente criadas.DESCASO COM A SAÚDE
Em 2012, no dia 5 de junho, o governo autorizou
mais nove faculdades privadas, além de 18
novos cursos em universidades federais. Ficamos,
assim, com 63 federais, 27 estaduais, 7 municipais
e 115 privadas, num total de 212 faculdades de medicina.” Adib Jatene
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DEMOGRAFIA MÉDICA NO BRASIL, VOL. 2,
Cenário e Indicadores. Relatório de pequisa, fevereiro de 2013, CMF/CREMESP (02)

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ESPECIALIDADES MÉDICAS.

Eram, em 2013, 387.289 médicos. Destes por volta de 180 mil são generalistas, e o restante, por volta de 54% são especialistas.
Mas o número de quase 180 mil generalistas tem que ser relativizados. Destes 46 mil são jovens até 29 anos que podem se especializar, ou provavelmente vão se especializar não grande maioria; nesta faixa de idade apenas 5% são especialistas. E a maioria absoluta dos generalistas tem mais de 40 anos, o que indica que não serão substituídos quando chega a idade, pois ao vermos a tebela CREMESC, p. 135 do relatório,verificamos que da faixa do 35 aos 54 anos a porcentagem de especialistas beira a quase 70 por cento. Ou seja, mesmo que não tivesse um onda de especialização, se se mantivesse um ritmo constante como o que até aqui, teríamos de qualquer maneira, 70 por cento de especialistas. Mas não é assim. Adib Jatene, no seu artigo para a revista da USP, que a maioria, quase a totalidade dos estudantes hoje, buscam a especialização. Como ele mesmo diz, especialistas não vão atender a população carente e vão praticar uma medicina de luxo.

“A tendência de crescimento dos especialistas
pode ser observada entre os mais jovens
– 52,06% dos médicos entre 30 e 34 anos
já estão com título. Nas faixas etárias seguintes,
a porcentagem de especialistas cresce até
atingir 72,20% entre aqueles com 40 a 44.”  CFM/CREMESP

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Máfia de Branco 2

links

01. O Ensino Médico no Brasil, por Adib Jatene
02. Demografia Médica no Brasil, vol. 2, Cenários e Indicadores. Relatório de pesquisa, fevereiro/2013 CFM/CREMESP

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01. https://jornaldoporao.wordpress.com/2013/07/29/mafia-de-branco/
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