B.(1917) Luta de Classes 2, artigo de Flávia Ferreira

25/08/1917

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luta de classes, 2, Flávia Ferreira

Lembrando do Artigo de Val Lisboahttp://www.ler-qi.org/Economia, acho que o maior medo dos trabalhadores é a volta da inflação de 1980. Isso que o PSDB explora e vai explorar nessa campanha eleitoral de 2014. Realmente era um terror. E as perdas salarias daquela época não era exatamente por conta da inflação galopante e os aumentos salárias abaixo da inflação? E quando se recebia os salárias, no outro dia, já começava a perder o poder de compra. Logo, a direita não deve estar tão satisfeita em ver o lulismo dar aumento de 1,34 acima da inflação. Este aumento é tão pífio que talvez o PT não consiga fazer campanha usando isso. E que o PSDB não consiga falar mal de um aumento tão pífio para justificar a inflação. Mas, com certeza, o PSDB e a direita não estão satisfeitos com isso. E procurarão reverter. Mesmo que tenham, se no governo, praticarem uma política inflacionária. Quais componentes da política do governo Dilma é inflacionária? Serão os grandes lucros dos bancos? Por ser uma atividade econômica completamente parasitária acho que deveria ser o foco do combate ao governo Lula, ao lulismo, mas, principalmente, de como levar a compreensão do que é o capitalismo para grandes massas. Lembando Brecht, o maior crime não é assaltar um banco, mas fundar um. Com as taxas de juros para o crédito no caminho dos 100%, os trabalhadores são escorchados pelos bancos. Quantos milhões de pessoas endividadas com o crédito? Este talvez seja o foco principal do ataque ao lulismo, no que tange à economia. Os anos 80 foram do horror do desemprego, inflação galopante, da falta de crédito (da inadimplência). Em qualquer momento devemos atacar os responsáveis por aquele caos, que eram os governos da burguesia e apoiados pelos patrões, mantidos pela pela repressão, prisões e mortes (só no Governo Sarney foram mortos mais de 2000 trabalhadores rurais). Não podemos falar da década de 80 senão dessa forma. E não é apoiar, por momento algum, a política de Dilma, mas atacar os responsáveis por aquele caos.

É preciso partir das jornadas de junho. Não havia nas manifestações, aparentemente, nenhuma reivindicação de mais emprego. Mesmo porque vivemos uma situação no Brasil de quase pleno emprego. Em Campinas, onde participei das colossais manifestações, a maior de toda a história de Campinas, onde há uma situação rigorosamente de pleno emprego. Lembremos que o terror maior da década de 80/90 era o desemprego. “o que será, que será” que movia as manifestações. A falta de esperança e perspectiva da juventude. Os empregos do “pleno emprego” são empregos precários, terceirizados. Acho que a questão central do emprego no Brasil é a qualificação. o ACESSO ao ensino em toda sua extensão. Acesso ao ensino técnico. Acesso ao ensino universitário público. 100% do ensino médio público nas Universidades públicas. Vagas para todos. Mas o trabalho precário, a super-exploração, passa por um transporte de massa que retorna a jornada de trabalho aos tempos do início do capitalismo. Que fecha a porta para os trabalhadores estudarem (a grande demanda da sociedade contemporânea, a subjetividade mais profunda dos trabalhadores). E onde se dará o grande combate ideológico contra a burguesia e seu sistema de destruição (da cultura, do meio ambiente, do lazer e de todas as formas de sociabilidade). E inclusive o aumento da religiosidade está intimamente ligada à precarização das escolas: precisamos hoje lutar contra o criacionismo e a resposta imediata é todas as escolas com laboratórios para estuda ciência e grades inteiras de matérias de esporte, lazer e cultura. Se não pensarmos a revolução apenas como um golpe de estado sangrento, temos que adotar uma plataforma inteira que leve a juventude a ter esperanças no socialismo com liberdade. A esperança da juventude passa pelo anseio de crescimento pessoal. E nisso ela se cola com os socialistas que almejam um futuro. E essa juventude, grande parte dela, deve ir para os professorado. E um grande local de luta ideológica. Os professores, são o serão de fato, se trabalharem com perspectiva. Com o sonho. É um palanque cotidiano para a luta por um sociedade mais justa, ou seja, o socialismo. Junho colocou no centro a juventude e seus anseios. A resposta é o ACESSO. Em particular à universidade. E para dar conta de uma mudança radical no ensino público, um Carreira Nacional de Professores, com um piso salarial, com um orçamento votado no congresso e com um debate nacional sobre os currículos e a importância do ensino para a nação e para a classe trabalhadora. Esperamos ansiosamente que a classe operária entrasse em cena pós-junho de 2013 para por as coisas no lugar, inclusive o temor, que eu tenho profundamente, de jundo ser também um ponto de partida para a organização da direita. Mesmo porque as palavras difusas, anti-partido, anti-governo pode ser levadas em frente por algum coronel nacionalista e populistas, propondo governo forte e quetais. Lembremos que assim apareceu Chaves, quando tentou um fracassado golpe de estado. Mas uma característica fundamental do lulismo e desses doze anos foi o aumento avassalador do crédito e das taxas de juros para o crédito. São milhões de trabalhadores endividados. E veem o crédito como uma conquista, apesar de escravizá-lo. Ninguém quer perder o crédito e ir para o SPC. Daí que a luta contra os bancos e seus lucros é fundamental. Pois é desse jeito que o capitalismo selvagem e parasitário aparece para as massas. Acho que devemos partir do que as massas enxergam mais facilmente para desenvolver um programa que dê conta de todo o programa revolucionário. Um salário mínimo de 3.000,00 reais deve ser vinculado, estreitamente, à nacionalização dos bancos.

Textos de Economia, do Jornal Palavra Operária, LER-QI
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B.(1917) LUTA DE CLASSES N. 2, artigo de Val Lisboa

23/08/1917

 

23/08/2014

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Val Lisboa

Há um equivoco doutrinário: os sindicatos nunca são revolucionários. Arma revolucionária são os partidos e os soviets(QUE AINDA SÃO ÓRGÃO DE FRENTE UNICA, QUE ESTABELECEM O DUPLO PODER E A BASE PARA TOMAR E ASSENTAR O PODER.MAS A OSSATURA DESTES ORGNISMOS DE FRENTE ÚNICA É O PARTIDO REVOLUCIONÁRIO E OS PARTIDOS DA CLASSE OPERÁRIA). Os sindicatos são órgãos de frente única. Como atuar nos sindicatos com uma plataforma que contemple os três estágios, tática de combate e auto-organização, e auto-defesa e apontar, a todo momento, as vias para a superação da burocracia e a construção da unidade da classe operária. Uma propaganda que indique o caminho para o socialismo;Tendo em mente, a todos os momentos, que são táticas e propaganda orientadas para a estratégia de construção dos Conselhos para formar a base da tomada do poder, mostrando que é necessário um partido para consumar a vitória. Mas é preciso partir das táticas mais elementares, propostas pela pequena fração que quer construir um partido revolucionário e de combate, de ações que visem a vitória das reivindicações. E exijam, a todo o momento, a unidade da classe em busca da vitória. Ao comentar a USP vou explicitar.

Val Lisboa - Cópia

O que está borrado, sobre o movimento estudantil e aliança operário estudantil: “e desde as ‘jornadas de junho’ mostra que perdeu uma oportunidade histórica de se construir uma alternativa revolucionária”. O primeiro comentário aqui é que PSTU, para mim, não faz parte de uma esquerda tradicional. Não acho que o trotskismo, qualquer que seja seus erros, faça parte da esquerda tradicional. E o PSOL não faz parte de tradição alguma. Talvez uma recente tradição de ter vindo do petismo. Sobre o movimento estudantil. Sempre a frase do Manifesto Comunista de Marx e Engels, propondo que o papel dos comunista seja atuar no movimento real levantando os interesses históricos da classe operária. Para mim, táticas de frente única, auto-organização e propaganda que mostre o papel da classe operária como condutora de toda a nação, pois só ela pode dar solução para a crise da humanidade. O movimento estudantil tem cumprido, em alguns momentos, papel importante na luta democrática mais elementar. E dificilmente, pela sua composição social, irá muito além disso. Frações desse movimento e desta juventude pode ir mais além, aliando-se com a classe operária, se paridos da classe desenvolverem, no interior do movimento, uma plataforma que, atuando no movimento real, coloque interesses históricos da classe trabalhadora. Para mim: Táticas, Propagandas e Estratégia. Tática: Uma das principal delas é a luta pela acesso de todos os estudantes do ensino médio público à Universidade. Ou 100 de cotas para o ensino médio público. E apoiar a luta pela cotas para negros, inclusive quando falar em 100 de cotas para o ensino médio. E até mais modestamente, num movimento por ensino noturno. Não devemos recusar ganhar reivindicações mais modestas que vão no caminho de mais acesso. Mas a aliança imediata com a classe trabalhadora pode e deve se dar pela própria condição material do estudante. Grande parte deles serão professores. De devemos trabalhar esse futuro de parte considerável dos estudantes. Daí a tática mãe: SUE. Por um Sistema Único de Educação. A principal reivindicação é uma carreira nacional de professores. Um proposta prática e materialista de aliança de trabalhadores e estudantes. A aliança com a classe operária demanda que se levante um plataforma da produção interna dessas universidades: médicos generalistas contra especialistas, departamentos ligados a interesses dos trabalhadores, como investigar acidentes de trabalho; investigar e buscar soluções para as doenças crônicas e tropicais que atinjam a classe trabalhadora e seus aliados pobres. Soluções para o trasporte coletivo de massa. Mas a tática mais importante de todas é a luta anti-imperialista. Que precisa ser reposta dentro do movimento. Um um ensino público, voltado para resolução dos problemas nacionais. Uma plataforma de libertação nacional, possibilita uma profunda propaganda de que só a revolução socialista dará conta de resolvê-los. Mas lutas práticas, exequíves, possíveis de vitória, abre este caminho.

luta de classes, 2

Não sei se há este medo de voltar. Acho mesmo que há um certo consenso de que o governo Lula e Dilma, principalmente na questão econômica e privatizações, foram uma continuidade do governo Fernando Henrique Cardoso. O que me preocupa é que o ataque a Dilma vem, principalmente, de uma direita que se organiza e que já se manifestou no interior dos movimentos de junho e julho de 2013. E não acho que Aécio ou Marina seja uma liderança que essa direita procura. Acho que procuram um via mais autoritária, populista e militarista: “um governo forte”, contra as massas em movimento. Acho que isso se está expressando, embrionariamente, em todos os movimentos, em particular dentro das universidades. Na movimentação dos médicos contra a Dilma, por importar médicos. Mas, mesmo que difusamente, a ataque à Dilma, vem, cotidianamente, sendo feito, por pessoas mais velhas e conservadoras, criticando aquilo de menos ruim na Dilma que tem algo a ver com pobres e trabalhadores. Ataque à questão do pífio reconhecimento que deu aos movimentos sociais em recente decreto. Ataque à bolsa família, como “. Ataque por pretensamente estar ligada à questão indígena e negra. Ataques porque Dilma estaria ligada à questão homossexual e é ataca por supostamente ser uma. Ataques difusos, mas bem dirigidos pelos conservadorismo. Neste quadro a resposta seria mesmo uma unidade das esquerdas para avançar o debate sobre estas questões e toda a plataforma histórica da classe trabalhadora, desde a mais ínfima reivindicação, como a defesa contra a criminalização ostensiva as movimentos sociais. Pode haver perigos de nos confundirmos com Dilma, mas a necessidade premente de atacar a direita que busca de organizar. E por isso vou votar em Zé Maria. E acho mesmo que quem não está incluído nas suas alianças deveria fazer um esforço de organização para aumentar sua votação e o debate sobre as questões colocadas. Outra alternativa, bem mais frágil, seria criar um campanha de voto nulo. Mas acho mais direto, transformar a candidatura de Zé Maria em voto de protesto. E uma firme propaganda pela unidade da classe operária e seus aliados.

luta de classes, USP - Cópia

Este box se inicia dizendo que é uma greve das universidades paulistas. E é assim que deveria ser abordada. E que história tem e que tarefas coloca. Tem uma história. A história da divisão do funcionalismo público, com a chamada autonomia universitária. Autonomia que foi negociada com o governo Quércia, depois da greve de 1988, que impôs uma derrota profunda ao governo estadual. A parte mais combativa daquela greve era os funcionários das universidades. Mas tinha um papel fundamental na luta os funcionários públicos da área de saúde. E claro, a imensa categoria dos professores estaduais. Era uma luta que reunia funcionários de 5 secretárias do estado, com vocação de unir todas elas. Para os trabalhadores, a principal e primeira consequência da autonomia universitária foi a divisão da categoria de funcionários púbicos depois de uma greve vitoriosa contra um governador. Outra consequência funesta para os trabalhadores funcionários públicos foi que ficaram divididas e a mercê de uma brutal terceirização. No caso das universidades, principalmente a Unicamp, junto com a terceirização e o fechamento de mais de 5 mil postos de trabalhadores operacionais, trouxe uma elitização de uma grande camada de trabalhadores que vão exercer cargos de chefia, muito bem remunerados, muito acima do mercada, para gerir a nova ordem com milhares de terceirizados exercendo as funções dos tais operacionais. Houve até uma terceirização por cima, com salários mais altos que da própria carreira de funcionário, para permitir os “cabides” de emprego e também para contratar, por exemplo, médicos. E a pouco tempo, a cartada mais autoritária foi acabar de fato com a estabilidade, colocando os tais estágios probatórios. Tudo isso foi orquestrado pela burocracia universitária, gerindo as verbas que vieram da autonomia universitária. Para os trabalhadores das universidades, em particular os mais pobres, a autonomia significou, na Unicamp, a extinção de 5 mil postos de trabalho e substituídos por trabalho precário e super-explorado. Quem fez isso. A categoria de professores, agora, através da burocracia universitária, uma espécie de donos, de patrões das universidades. Não parou por aí. Junto disso veio, principalmente na USP, a criação das rendáveis, para professores, fundações. E a autonomia trouxe a possibilidade de, livremente, os reitores e a burocracia universitária, começar a construir obras e mais obras, algumas inúteis, outras com preços tão altos que mereciam investigação. E os tais conselhos universitários jamais fizeram. Os diretores das faculdades são os principais interessados nessas obras. Essa situação, após a volta por cima que Quércia deu, impõe tarefas. A primeira delas. Primeiríssima. Fazer uma balanço histórico da autonomia universitária sob o ponto de vista dos trabalhadores e da universidade que queremos. A primeira, depois dessa primeiríssima, é construir um debate que recoloque a questão da unidade da classe trabalhadora. Nesse caso, a unidade de todos os trabalhadores do serviço público. Colocando como aliado principal os trabalhadores do setor saúde, os que mais próximos estão, pela suas atividades, das maiores carências da classe trabalhadora e dos pobres, por lideram com a saúde público (em contraposição ao horror que é a medicina privada). Com o HU USP, em crise, e com as propostas que privatização do HC Unicamp, a questão da saúde é uma questão central pra a classe trabalhadora, inteira, e seus aliados mais pobres.

Mas há uma tarefa imediata, agora mesmo na greve ou com o fim dela. Avançar uma proposta de unir as três universidades em luta contra o governador. Esta lutas contra tal ou qual reitor é uma coisa diversionista. Desvia da questão. Precisamos de uma organização das três universidades, que seja votada pela base, que tenha uma plataforma de enfrentamento da situação. Que um congresso estadual de delegados discuta estes rumas e avance em criar um organização única para os funcionários das universidades. A USP, por mais combativa que seja, com seu sindicato combativo, acaba não saindo do quadro do corporativismo sindical. Suas vitórias reforçam a divisão entre aos trabalhadores das universidades. Até hoje, as organizações, todas, que atuam no movimento, não fizeram uma balanço do que significou o momento pós autonomia universitária. Com um poder de patrão para a burocracia universitária. Com a divisão dos funcionários públicos, imposta por Quércia, que dura até hoje, e o pior, nunca foi discutida e nem buscado, em momento algum, recompor está divisão. Recompor esta Unidade é tarefa que se coloca, principalmente por aqueles que se reivindicam de uma estratégia revolucionária. Coisa só possível com a unidade da Classe Trabalhadora. Tanto na derrota, como nas vitórias momentâneas, cabe às lideranças revolucionárias propor formas de organização que deem conta da situação e permitam se defender ou avançar. No entanto nesses últimos anos nada disso foi proposta. E em todas as lutas, desde 1979, algumas vitórias econômicas e mesmo políticas, tem escondido a profunda derrota que é a divisão da classe trabalhadora das universidades. Que a deixa exposta à precarização e manipulação. A busca da unidade é a tarefa principal. Voltando a questão saúde pública. Essa divisão é ainda mais cruel com o resto da classe e mais cruel ainda com os pobres. A discussão sobre saúde pública ficou para os programas populares ou para demagogia eleitoral. O HU USP deveria provocar o início desta discussão e alavancar o início desta recomposição, após a grande derrota que Quércia nos impôs, logo após ter sofrido uma grande derrota. As organizações e as associações daquela época tem muita responsabilidade por aceitar e até promover tal divisão. Mas não podemos aceitar que continue sem discutir e em propor saídas. Acho que não há futuro nenhum para estes sindicatos isolados. Serão enfraquecidos com privatizações como as dos hospitais universitários. E serão exterminados depois pela repressão e pela direitização das camadas superiores e bem pagas dos funcionários/chefetes, os capatazes da nova ordem das precarização do trabalho.

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