JORNAL DO PORÃO N. 4, 10 de dezembro de 2009

04/05/2012

O povo carioca perdeu hontem com a morte de Noel Rosa, um dos interpretes mais perfeitos da sua poesia.
Poeta instinctivo, observador profundo da vida das populações pauperrimas da cidade, Noel Rosa, compreendeu, logo no inicio de sua vida de homem a necessidade que havia de realçar-se a lidima poesia popular da terra, a despeito de toda a miseria que assoberbava o modo de viver das populações dos bairros mais afastados da cidade.”
http://musicabrasileira.org/noelrosa/ veja matérias neste endereço.
“Diário Carioca, 6 de maio de 1937

NOEL ROSA MORREU A 4 DE MAIO DE 1937 e morre todos os dias nas mãos dos nossos políticos.
Esta é a página mais lida do Jornal do Porão. Quando lançada, em 10 de dezembro de 2009, teve 119 leitores. Suponho, felizmente, que foi devido a Noel Rosa. Infelizmente a pracita continua lá com seu nome e ninguém mais se lembrou de protestar e dar um nome a uma grande praça, onde vá muita gente, tipo a praça da paz em Campinas, ao lado do parque Portugal (ou lagoa do taquaral, como é conhecido). Ali bem que podia chamar Praça Noel Rosa. Lembrei-me disso, quando vi a Praça da Paz lotada para ouvir Paulinho da Viola e, em outros shows, lotados para ouvir músicos brasileiros.

Mas o mais apropriado é que tivesse um grande centro cultural, de cultura popular, com o nome deste grande compositor. Por exemplo, a tal “estação cultura”.

E para terminar esta introdução desta reedição, no dia do aniversário de morte de Grande Compositor Noel Rosa, fica aqui a lembrança de uma dívida que tenho, escrever neste jornal um protesto pelo nome de TIM MAIA que foi dado a uma outra pracinha, tão minúscula que nem caberia TIM MAIA deitado numa rede. Parece que nossos políticos se lembram dos nossos ídolos populares para humilhá-los!

14 de setembro de 2009

PRAÇA NOEL ROSA PRAÇA DOS TRABALHADORES PRAÇA CHICO MENDES

 

Praça Noel Rosa

1 . NOEL ROSA foi um gênio da música popular brasileira. Talvez o primeiro gênio da música brasileira realmente popular. O samba de Donga, “Pelo Telefone”,[clique para Donga e Chico Buarque de Hollanda] dito o primeiro samba, já era de protesto; mas foi Noel Rosa a praticar o samba de protesto sistematicamente e, sempre, com humor. Humor mesmo no testamento que foi “O Último desejo”, onde a despedida da vida, a dor de cotovelo, era mero pretexto para o humor. Noel Rosa foi cronista do rio de janeiro, em “Com que Roupa”,[clique aqui para ouvir na voz de Noel] glosando o português aproveitador ; ou no carnaval, protestando, bem humoradamente, que o guarda noturno não recebia seu salário, em “O orvalho vem caindo”.[transcrevo as letras no pé da página – pena que sem som]. Noel Rosa foi o precursor de quase tudo que aconteceu na música popular brasileira. Na maneira de escrever versos não pomposos; ou na maneira cantar, pois seus dois intérpretes preferidos eram Mário Reis e Aracy de Almeida que cantavam quase falando (já que a nova técnica de gravações elétricas permitia que se cantasse sem o tal dó de peito). Noel Rosa, depois de esquecido e massacrado pelos boleros, sambas canções e música sertaneja das décadas de 40, 50 e 60, ressurgirá na Bossa Nova e impregnará toda a música popular brasileira da década de 70. E sua alegria não foi superada. E sua crítica bem humorada também é insuperável.

Acho que foi o tal inimigo cantado no “ O Último desejo” que deu no nome de Noel Rosa para esta rotatoriazinha, para este balãozinho no Castelo, perto da Telefônica [veja as fotos].

Praça Chico Mendes

2. CHICO MENDES

[clique para ver 65 anos de Chico Mendes] e

[clique para reportagem sobre Xapuri]

[clique aqui para vídeo herança de Chico Mendes]

[CLIQUE AQUI Jornal Inglês The Guardian – 20 anos da morte de Chico Mendes – Herói de todos os povos]

[clique aqui fotos de Chico Mendes e música de Los Porangas]

[clique aqui para vários vídeos sobre chico Mendes ]

[clique para longo documentário da TV Câmara – Cartas da Floresta – 20 anos da morte de Chico Mendes]

[Michael Jackson EARTH SONG]

parece que vai voltar à moda na próxima campanha eleitoral. Noel com certeza não, neste caso, felizmente. Já pensou os políticos usando o samba de Noel para ganhar voto? Mas Chico Mendes vai voltar. A Marina Silva em cujo período ministerial foi o momento em que mais se destruiu a floresta amazônica[clique e veja reprtagem do The Guardian] deve montar sua campanha em cima da história que compartilhou com Chico Mendes lá nos idos de 70/80. E foi a defesa da floresta que consagrou e levou Chico Mendes à morte. E é a destruição da floresta amazônica que marca a trajetória atual de infeliz ex-ministra do Meio Ambiente e colega de partido do filho de Sarney, do desenfeliz Zequinha Sarney, que também foi ministro do meio ambiente e em cujo período no ministério a devastação da Amazônia continuou na mesma batida.

Mas nossos heróis, ignorados pelo povo, servem para estes políticos cretinos fazerem campanha… ou…

dar nome a uma pracinha insignificante na periferia da nossa cidade. E foi no governo de Jocó Bittar que esta pracinha, um depósito de lixo, sofá velhos, resíduos vários, ganhou o nome de Chico Mendes. E hoje, nem mais ostenta (ou avacalhava) o nome de Chico Mendes. Melhor assim. Melhor não ter praça nenhuma com seu nome do que isso aí.

Praça dos Trabalhadores

3. PRAÇA DOS TRABALHADORES. Parece que campinas é um pólo industrial. Trabalhador é o que não falta por aqui. E já tivemos para governos municipais que fazem campanha eleitoral falando de trabalhadores. Tivemos inclusive dois prefeitos eleitos pelo Partido dos Trabalhadores e temos agora o prefeito do Partido Democrático Trabalhista, cujo vice é do Partido dos Trabalhadores.

E temos em campinas a PRAÇA DOS TRABALHADORES que também é PRAÇA DO TRABALHADOR, um nome mais de acordo, pois nesta praça não deve caber muito deles juntos. Um comício de partido nem se fala. A Praça dos Trabalhadores, na verdade, é uma ponte da Barão de Itapura sobre a Delfino Cintra.

Estas três historinhas reais demonstram que nossos dirigentes tratam nossos heróis. Estas pracinhas (essas fotos) falam tudo sobre o caráter destes políticos que dirigem e dirigiram nossa cidade. Não precisava mais do que estas fotos para sabermos quem são estes políticos que falam em trabalhadores, em cultura ou em liberdade.

Toda manhã eu passo na Praça Noel Rosa e sempre exclamo a mesma frase: estes políticos são uns canalhas. Quando passo na ex-Praça Chico Mendes, lá pertinho de casa, exclamo, estes políticos são uns oportunistas safados. Quando passo , e há mais de 20 anos me enfureço passando por lá ; e durante 10 anos que trabalhei na Andrade Neves, no Projeto Rondon, passei pela Praça dos Trabalhadores, todos os dias, às vezes duas vezes ao dia, dez anos seguidos.

Nunca consegui me conformar com o acinte, com o cinismo e pouco caso destes políticos que falam em nome dos trabalhadores, da cultura ou do progresso. O Discurso deles é lixo puro, mais lixo do que o que infesta a antiga Praça Chico Mendes. As eleições se aproximam e vamos ter que suportar uma quantidade de discurso/lixo e de sentimentalismo sobre os trabalhadores. Mas estas praças (e que praças!!!), demonstram ,concretamente , sem palavras, o quanto são vazios (ou cheios de….) os discursos e as cabeças dos políticos desses partidos.

A UNICAMP CASSA PAULO FREIRE, MAS PAULO VIVE!

Quando recebi a Moção da Congregação, votada por unanimidade, apoiando a mudança do nome do Rodovia Milton Tavares, respondi com o email abaixo. Dizendo que Zeferino Vaz, apesar de não ser um homem típico da Ditadura Militar, como este general, foi um testa de ferro de Ademar de Barros, apoiador de primeira hora do golpe de Estado de 1964. Isso porque não podemos esquecer que o golpe militar de 1964, foi um golpe civil militar. Os civis foram fundamentais para organizar o golpe. Foi Ademar de Barros, Lacerda e Magalhães Pinto os grandes organizadores deste golpe. E como falamos sempre em Ditadura Militar, esquecemos que os governadores civis foram os grandes organizadores e depois avalistas do golpe. E sonhava que a rodovia, num futuro menos covarde, chamaria RODOVIA PAULO FREIRE.

Mas parece que na Unicamp, nossos dirigentes, os chamados intelectuais não prezam muito a memória não. Ou fazem dela uma coisa de circunstância, mas ou menos manejável conforme os interesses do momento. Acabei de saber que a nossa Biblioteca Central, que homenageava o grande educador Paulo Freire mudou de nome. O novo nome seria Milton da Costa, grande matemático e lógico que, como parece, merece ter seu nome em qualquer espaço da Unicamp. Mas para que cassar novamente Paulo Freire? Porque pisar em Paulo Freire novamente como fizeram quando ele foi o mais votado e Maluf (o nefasto Maluf) escolheu Pinotti, o décimo quarto? Porque, por exemplo, não colocar o nome de Milton da Costa no prédio do Instituto de Matemática? Porque não deixam Paulo Freire em paz e com seu honrado nome, honrando nossa biblioteca central?

Tenho medo que daqui a pouco mudem o nome do Arquivo Edgar Leunroth, um anarquista da pesada, para um patrono qualquer… Ou que a biblioteca da Faculdade de Educação que homenageia o maravilhoso professor Maurício Tragtemberg, mude de nome, de uma hora para outra, sem mais nem menos… Mesmo porque o professor Maurício Tragtemberg não poupou os chamados intelectuais no seu conhecido texto “A Delinquência Acadêmica”; cujo o título quase dispensa texto. Porque Paulo Freire, Maurício Tragtemberg, Edgar Leurenroth não morreram e nem morrem, pois vão realmente educar as novas gerações, se tivermos algo que presta nas novas gerações.

Parece que políticos e burocratas querem matar as nossas mais caras lembranças!

Passou da hora. Que tal mudar o nome dos bairros 31 de março e Castelo Branco? E outros lixos. Boa iniciativa. Apenas preferia que esta Estrada chamasse Paulo Freire. Ele faz parte da história de um outra Unicamp. Paulo Freire foi o mais votado na primeira escolha para reitor depois da morte de Zeferino. No entanto foi escolhido o 14 colocado, o Dr. Pinotti, cuja dinastia manda na Unicamp desde então. Emais. Maluf, onefasto governador, neste período, impôs interventores na Universidade. Que foram rechaçados. Desta história que me reivindico. Viva Paulo Freire, oprimeiro Reitor de uma Unicamp que poderia ter sido, mas não foi. Viva Paulo Freire um educador. Equanto a Zeferino, apesar do áulico livro que saiu sobre ele, não esqueçamos, foi um pupilo de Ademar de Barros, aquele mesmo do “roubo, mas faço” e um dos primeiros governadores a apoiar o Golpe de Estado e mais: foi um dos articuladores junto com Magalhães Pinto , de Minas Gerais e Carlos Lacerta, ocorvo, governador da Guanabara do golpe militar, chamado de movimento por eles de movimento civil/militar.

Mário

Sent: Thursday, September 03, 2009 5:59 PM
Subject: MOÇÃO DA CONGREGAÇÃO DO IFCH

Prezados funcionários do CPD,

solicito que a msg abaixo seja enviada à lista de funcionários e deestudantes; atenciosamente,

caio toledo

Caros funcionários e estudantes do IFCH,

por sua relevância, informo que, ontem, por unanimidade, a Congregação do IFCH aprovou MOÇÃO que manifesta seu apoio ao projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa do estado de São Paulo que objetiva mudar o nome da Rodovia 332 próxima a Unicamp. Caso se transforme em lei, a Rodovia deixará de homenagear um “herói” da ditadura militar. O nome do general Milton Tavares de Souza conhecido pela odiosa alcunha de “Milton Caveirinha” deixará de estar nas placas ao longo da rodovia, sendo substituído pelo do PROFESSOR ZEFERINO VAZ.

Uma inestimável vitória no plano simbólico na luta pela eliminação dos extensos vestígios da ditadura militar ainda existentes em nossos logradouros públicos.

sds,

caio

Ifchfuncionariosl mailing list Ifchfuncionariosl@listas.unicamp.br https://www.listas.unicamp.br/mailman/listinfo/ifchfuncionariosl

Último Desejo

Composição: Noel Rosa [clique aqui para interpretação de Rildo Hora e Maysa]
[no filme sobre Noel Rosa] [Cristina Buarque – “Último desejo”, de Noel Rosa]
Nosso amor que eu não esqueço, e que teve
o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você
lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você
me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não
presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim


Com Que Roupa?

Composição: Noel Rosa [clique para vídeo com voz de Noel Rosa]

Agora vou mudar minha conduta, eu vou pra luta
pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bru… .ta, pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Agora, eu não ando mais fagueiro, pois o dinheiro não
é fácil de ganhar.
Mesmo eu sendo um cabra trapacei…..ro, não consigo ter nem pra gastar.Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo, pra ver se escapo
desta praga de urubu.
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar
ficando nu.
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você
me convidou?


(Carnaval de 1934)

Noel Rosa e Kid Pepe

O orvalho vem caindo
Vai molhar o meu chapéu
E também vão sumindo
As estrelas lá no céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é o vasto céu de anil
E o meu despertador
É o guardacivil
Que o salário ainda não viu
A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar
Quem descasque por mim
Vivo triste mesmo assim
A minha sopa não tem osso nem tem sal
Se um dia passo bem,Dois e três passo mal
Isto é muito natural
O meu chapéu vai de mal para pior
E o meu terno pertenceu
A um defunto maior
Dez tostões no belchior

[clique aqui para vários vídeos com músicas de Noel Rosa]

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A INFLUÊNCIA DO JORNAL DO PORÃO. Um balanço pelos cinco mil acessos.

24/10/2010

Mike Bongiorno. FENOMENOLOGIA DE MIKE BONGIORNO, de Umberto Eco. Este ensaio de 1961 foi publicado aqui no Jornal do Porão em 21 de fevereiro de 2009. Apesar de um longo ensaio para um blog é um dos textos mais lidos. Quando foi publicado em fevereiro de 2009, digite-o inteiro de um livro, pela indignação de ver a pobreza intelectual, o servilismo e as bobagens que ouvi de alguns professores do IFCH. Como por exemplo, diante da comemoração dos 50 anos do Teatro Oficina, certo professor de história dizer que “falei durante três aulas que o Zé Celso só quer chocar as pessoas”. Pior foi outro dizendo sobre o acervo do Teatro Oficina no Arquivo Edgard Leuenroth: “Aquela bicha…”. Nem pensava em Berlusconi, mas em professores do IFCH, arrivistas, carreiristas e especialistas em exercer seus poderes.

O texto mais lido, quase todas as semanas tem 4 ou 5 pessoas acessando-o, é o Jornal do Porão 4. É um Jornal que fala de Noel Rosa, de Chico Mendes e da Praça dos Trabalhadores. Mostrando a violência da pequenez dos políticos. São os próprios Mike Bogiornos.
Como colocar numa pracinha minúscula o nome de um dos maiores compositores e personalidade da cultura popular brasileira? Estudante de medicina que se liga, imediatamente, aos fundadores do samba. O samba tem várias vertentes, mas aquela que proliferou que tomou os rádios, e que tomou a país inteiro, foi arquitetada no Estácio. Noel Rosa logo vai ser parceiro de Ismael Silva, o grande do Estácio. E a antiga tripinha chamada Praça Chico Mendes cheia de lixo, tendo hoje uma desconhecida como nome oficial. Aqui Chico Mendes foi salvo da humilhação. E a praça dos trabalhadores então que nem existe, é um canteiro debaixo de uma ponte. E aqui neste Jornal do Porão ainda virá um artigo com fotos da Praça Tim Maia, um canteirizinho de terra batida e sujo. Os políticos são uns pobre-diabos.




Mário Medeiros contra a terceirização

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Outro texto que todas as semanas têm leitores é “UMA SEGUNDA MORTE PARA CLÓVIS GARICA”, de Mário Augusto Medeiros da Silva. Como os leitores já sabem, Mário Medeiros já teve os dois contos mais lidos neste blog. “Meias de seda se esgarçando”, provocou 104 leitores num dia, um segundo lugar de leitores, pois Jornal do Porão número 4 teve 119 no dia em que foi lançado, em fevereiro de 2009. Mas seu “Membro Fantasma” será o terceiro texto mais lido do blog: 84 leitores no dia que foi lançado o conto. Mário Medeiros da Silva deixa de ser colaborador para se tornar uma co-autor do blog. Não posso deixar de citar a melhor frase escrita neste blog foi quando Mário Augusto Medeiros da Silva, escrevendo um artigo em defesa de Mário Martins, perseguido pelos Mike Bongiornos do IFCH, cunhou esta: “O ato de acochambrar pelo poder, alcoviltar, escorchar e tomar atitudes numa relação de desigualdade (chefe-subordinado) é o elogio da estupidez. O chefe que precisa usar da força – censurar, chamar em sala, beco, alcova, colocar no canto, ameaçar, impor-se pelo cargo – demonstra que a sua suposta autoridade não possui nenhuma legitimidade, para além do cargo institucional e do medo que inspira. Respeito, então, nem se fale. É um estúpido. Uma besta com polegares. É indigno de ser chamado de intelectual, de pensador. É o ato de um delinqüente acadêmico, de homem-dispositivo, na melhor acepção que deram a esses termos Maurício Tragtenberg e Franciso Foot Hardman.”
Em defesa do Jornal do Porão, de seu criador e de todos nós.
14/11/2009 IDÉIAS SE COMBATEM COM IDÉIAS.

Há textos no Jornal do Porão que não são originais, mas que são constantemente lidos. Mas são originais no sentido que foram escolhidos para serem editados aqui. E porque cumprem a função de criar o debate. Textos também esquecidos que entram novamente em circulação. O principal deles é “A Delinqüência Acadêmica”, de Maurício Tragtemberg. Sempre lido, mas ainda não lido suficientemente. É um texto de 1978, mas parece que fala de agora. E dentro desta questão da academia o texto fundamental é “Segunda Refundação”, de Marilena Chauí. Na verdade pouco lido, mesmo porque é um ensaio imenso. Texto escrito em 1994 e ainda não assimilado. O movimento estudantil, segundo minha leitura do texto, fala de uma Universidade que nem existe mais. E Marilena Chauí prova isso. Sem este texto, acho, falar de universidade é fazer um debate sobre o vazio, como se fôssemos fantasmas.

E um texto querido. É muito lido, mas eu queria que fosse mais e mais. “AMOR CRISTÃO”, de Marcelino Freire. É uma porrada nos bem pensantes e sentimentalóides. Assim como são os poemas de Roberto Piva que também são lidos, toda a semana tem pelo menos 1 leitor aqui no Jornal do Porão.




terceirização coletivo Miséria 004

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Mas o Jornal do Porão vive um momento especial. Os desenhos de João da Silva. O coletivo Miséria e sua revista Miséria é algo único na Unicamp. Algo criativo, inventivo e que marcará época. Haverá uma época da Unicamp que, no futuro, falaremos da época da Revista Miséria. Que outra época a Unicamp tem? No futuro falaremos de um passado bem distinto, marcante. Convoco as pessoas a falarem destes momentos realmente marcantes e fundadores da Unicamp, se os houver.




churrasco Hélio (7)

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

O momento especialíssimo das contribuições de Mário Augusto Medeiros da Silva. Sempre presente no Jornal do Porão e sempre criando impacto e leitores. Mas alerto aos desatentos. Newton Perón eu recomendo. Minha leitura e releituras tem sido, constantemente, ir ilustrando os textos. Aos textos de Newton Perón eu tenho dedicado esta leitura ilustrativa, ALGUNS AINDA INÉDITOS, em comemoração aos 5 mil acessos ao Jornal do Porão. Tenho, acho, conseguido ponto alto. A conferir.

O Jornal do Porão nasceu para ser um jornaleco litero/político/jocoso. Tem sido. Mas sua vocação tem sido de ser uma revista de onde amigos dialogam e tentam influir, criando uma visão de mundo assentada na cultura, na luta contra opressão e toda espécie de moralismo pequeno-burguês ou carola. Tem avançado. Pois, como vimos, textos difíceis são lidos e relelidos.
Se perceberam há dois contos inéditos de Newton Peron, ainda agendadados para serem publicados, mas que podem ser lidos já. Mas para página ainda tem algo mais que é publicado hoje. Acessem o no Flicker album com algumas fotos de Josephine Baker, comentada no texto de Umberto Ecco, Mike Bongiorno.

E já ia me esquecendo de Mário Bortolotto e seu sempre lido, aqui, “Me gústan las muchachas putanas”. Que iniciou neste Jornal do Porão os textos contra o moralismo idiota. Este mesmo que não fosse lido por ninguém eu republicaria até para relelê-lo.

As fotos do Flickr são muito vistas através deste Jornal do Porão. As campeãs são as fotos da “Capoeira Angola”, desenhos de Carbé. Só na sexta-feira, 22 de outubro 2010, a página com os desenhos “capoeira angola, de Caribé” teve 9(nove) acessos.
Pretendo em todos os aniversários da primeira publicação destes textos republicá-los.
PS. Newton Peron, além de ser um formidável coloborador deste Jornal do Porão, no auge da perseguição dos “burocratas mortos” a este editor e a este jornal, Newtinho assumiu a edição deste. Portanto ele será sempre um dos editores deste jornaldoporao.

Alguns textos de Mário Augusto (Medeiros da Silva), neste blog.

Este blog, nos seus mais de 5 mil acessos, reafirma um dos seus eixos, que é a preocupação política cotidiana. Interviu. Incomodou. Mas há uma grande curiosidade e uma sociologia inteira do profressorado do IFHC. No primeiro semestre de 2009, 80 professores do IFHC, assinaram uma carta que termina de maneira arrogante diante do Reitor. Nesta carta que inicia dizendo que o ‘IFHC ESTÁ AGONIZANDO’ e na reunião que a votou diziam que não iniciariam o segundo semestre, pois era impossível continua sem enfrentar radicalmente o problema, pois em 2011 o IFCH FALIRIA. Hoje está carta só pode ser lida aqui. Nenhum professor a cita. O que mostra que todos os 80 são coniventes com a agonia do IFCH. Mais. Devem ganhar com isso. No album Flickr do Jornal do Porão você pode ver a reação e mobilização dos estudantes.Mas há muito gente atenta a esta carta, muito menos do que devia, mas toda semana, aqui no blog, ela tem pelo menos 3 leitores. A carta não dá para ser resumida. Cada parágrafo dela é um diagjnóstico profundo o IFHC, das Ciências Humanas relegada para último plano. Diante da covardia que os professeores demonstraram depois de assinarem a carta, me obrigo a lembram Nelson Rodrigues e seu complexo de vira-latas para definir a subserviência.

Veja Blog de João da Silva
Revista Miséria

Alguns textos do Jornal do Porão também foram publicados na Revista Iskra, uma revista teórica de Jovem marxistas traz artigos sobre a repressão as festas no IFCH e na Unicamp.

Um conto dos mais lidos, so de consulta pelo nome, foram 31 vezes em 2010. Um grande achado. O Arquivo, de Victor Giudice. Dizem que é o conto brasileiro mais publicado no mundo. 27 vezes.


Um artigo profético, Jornal do Porão no. 1

05/10/2010

Para quê reeditar um jonalzinho? Para não precisar escrever outro quase igual. E para provar que dava prever o que iria acontecer. A burocracia não vive sem se reproduzir. E quando ela perde um tentáculo, nasce automaticamente outro, como os dentes dos tubarões, feitos para devorar. Quando foi escrito este Jornal do Porão 1, a celeuma foi grande. O antigo diretor ameaçava de punição. Puniu, na verdade, chamando na sua sala. Diga-se de passagem, os 10 números do Jornal do Porão foram assediados, ameaçados. Como uma agenda do IFCH registrou, em foto de uma faixa, “no IFCH tem fala-se muito em democracia, o que falta são democratas”. A previsão fundamental deste Jornal de mais de um ano é que voltaríamos a ter 6 chefes. E todas as mudanças era para voltar mais ou menos o mesmo, piorado. Se antes tínhamos 7 chefes, voltaríamos a ter 6, mas destes, um super-chefe. Piores dias virão. Porque tanta certeza? Porque burocracia é algo parasitário. E quanto mais burocratas, pior ficam as coisas.

[Jornal do Porão n. 1 – A DANÇA DOS NÚMEROS]
26 de agosto de 2009

Acabei de me dar conta que no ARQUIVO, notem bem, no AEL não tem arquivista. É um pequeno exagero, pois entre os atuais 17 funcionários, se incluirmos 2 chefes, talvez destes 17, 2 destes funcionários têm curso de especialização em arquivo e exerce a função. Há outros 2 que têm mas não exerce. Veremos que não apenas os números do Arquivo são dúbios, oscilantes…

Outra notícia intrigante é que no AEL tínhamos 7 chefes para 18 funcionários; ou seja, 1 chefe para 2,5 funcionários. Está havendo mudanças. Agora temos 4 chefes para…. 15 …. , pois às 4 chefes das antigas seções que estão sendo reestruturadas, foram solicitadas a entregar seus cargos e foi nomeada uma “chefia técnica”.

[ E aqui começa a dança dos números e das palavras]

Se são, atualmente, 4 chefes para 15 funcionários, mas quem manda mesmo são dois professores , o Diretor e o Vice.

Então poderíamos ser 19, mas não somos, continuamos 17. Pois professores são, ocupam o topo da carreira de funcionário, mas não exerce qualquer função de funcionário. Eles são super-funcionários, mas nunca simples funcionários. Não estão submetidos ao estatuto dos funcionários, mas ganham as gratificações que seriam dos funcionários. Por exemplo, já houve caso de antigo Diretor do AEL saiu para assumir outro posto, deixando coisas para assinar. Isto pelo estatuto dos funcionários daria demissão por justa causa. Outros dois antigos diretores foram embora sem mesmo se despedir; de repente soubemos que tinham desistido de ser diretores. Também numa espécie de abandono de suas responsabilidades. Mas quem iria responsabilizá-los? Não foram e não serão.

Podemos ter nomeado mais dois chefes para os atuais 15 funcionários, pois as antigas 4 secções virariam 2. Então seriamos 13 funcionários para 6 chefes, ou seja, 1 chefe para cada 2.

Voltando a falar em 15. Destes 15 uma funcionária já é aposentada. Outra aposenta em outubro, o que nos tornaríamos 13; está para chegar uma bibliotecária para o arquivo, seríamos então 14. {Parece piada pronta mais não é. Recrutaram para um arquivo que não tem arquivista uma bibliotecária}. Terminaremos o ano com 14 funcionários para 4 (ou 6) chefes.

Notícia fresquinha, neste momento chegou um patrulheiro.

SAÍDAS DO AEL. Uma das ex-chefes que ajudou a destruir sua secção, brigando com 5 funcionários que por isso mesmo saíram do arquivo, esta ex-chefe “responsável” por um das principais atividades do arquivo, saiu, com vaga e verba, ou seja, ela não pode ser substituída. A atual direção do instituto permitiu este desfalque. Talvez porque tenhamos muitos funcionários!!!! E foi esta mesma ex-chefe, numa secção que precisa muito de arquivista, que ficou na banca, para selecionar, segunda a sua própria sugestão, uma bibliotecária, para um seção que precisa de arquivista (seção que pelo organograma de 10 anos atrás previa 10 funcionários e hoje tem 3, uma podendo aposentar a qualquer momento.

É para o bem do Arquivo e da Unicamp que alguns funcionários morram. Os dirigentes esperam ansiosamente por isso. Pois existe uma lei estadual que veta a substituição dos funcionários estatutários (CLE) quando aposentam. Um deles é este que vos escreve. Em 18 meses me aposento e sou CLE. Logo é um dos motivos para torcerem para que eu morra, ou o Arquivo não poderá contar com um novo funcionário. Perderão, agora não poderei usar mais o nós, perderão portanto mais uma vaga. Acrescentando um pitadinha de caos à notícia, as duas anteriores funcionárias que se aposentam também são CLE e não podem ser substituídas. Ou melhor, talvez serão por terceirizados ou contratados.

Outra noticinha funesta. Um das melhores funcionárias do Arquivo, do meu ponto de vista. Cheia de iniciativa. Determinada. Responsável. Pau-para-toda-obra. Trabalhou tanto e com tanto afinco que teve sua coluna comprometida e passou por uma operação de risco. Talvez nunca mais poderá fazer tanto esforço. O capitalismo é cruel, mas as pessoas são mais ainda. Ela será demitida, quase que por justa causa, pois não receberá nada, pois teve seu contrato considerado nulo. Ela pagará pelos erros e …. dos nossos reitores e administradores… Ela não poderá trabalhar mais como sempre trabalhou. Por ser uma “subalterna”, ela deixa aqui no Arquivo um pedaço fundamental do seu próprio corpo. Vai embora sem glória e sem nada daqui a três meses. Poderia dizer que ficaríamos então com 13 funcionários para 4 (ou 6 ) chefes. Mas os números aqui também mentem. Pois a Neidinha trabalhou pelo Arquivo muito mais que todos os ex-chefes e, bem provável, muito mais trabalhou, ralou, deformou-se, trabalhando pelo Arquivo mais que a maioria dos funcionários também. Mais que trabalhou, mostrou sua inteligência e disposição para aprender, cumprindo com excelência tarefas bem complexas. Acho que seremos muito menos que 13 com a saída da Neidinha, apesar da aritmética dizer que seremos 13 para 4 (ou 6) chefes.

Nosso Arquivo é conhecido e reconhecido pela qualidade do seu atendimento, pelo seu acervo, pelas suas publicações… Mas isso está em risco. Esta qualidade foi mantida também pelo nível de seus funcionários. A decadência começou quando 6 deles, de nível superior , foram meio que chutados do arquivo. Destes 6 pelo menos 3 eram arquivistas . 3 destes 6 foram expelidos por aquela chefe muito responsável que saiu do arquivo com vaga e verba, desfalcando para sempre os nossos quadros. Esta chefe responsável que saiu também tinha curso superior. Saiu uma outra chefe, ou ex-chefe, também com curso superior. E aí vem a notícia do nosso atual diretor do Arquivo que vai pedir funcionários de nível médio, pois de nível seria impossível conseguir. Não há demérito algum, já que precisamos também, no arquivo, de funcionários de nível médio e muitos. O que não dá é para trocar 8 funcionários de nível superior + 1 que já está aposentada, portanto 9 funcionários de nível superior , por 2 de nível médio. É aceitar a decadência como nosso futuro. É aceitar que os funcionários de nível superior que existiam no Arquivo não eram necessários. Mas acho é que vamos decair mais ainda de qualidade.

Outra possível noticinha que não põe em risco o arquivo, nem muito menos significa qualquer caos ou problema grave, já que nossos diretores e chefes abominam qualquer destas palavras, mas que deve ser prevista, é que destes 13 presumíveis funcionários do AEL para 4 (ou 6) chefes ; que sem a Neidinha que vale por muitos, podemos ter ainda 2 outras aposentadorias a qualquer momento, ao que tudo indica. O que restaria 11 funcionários para 4 (ou 6) chefes. Ou mesmo voltaríamos a ter 13 funcionários para 4 (ou 6) chefes, caso nosso diretor conseguisse a “troca” dos 9 de nível superior que saíram por 2 de nível médio. Mas a conta se complica quando poderíamos ter 2 chefes saídos dos 11 ou 13 funcionários; o que nos tornaríamos 9 ou 11. Na melhor das hipóteses, destas duas hipóteses , seríamos 11 funcionários para 6 chefes,ou seja, 1 chefe para cada quase 2 funcionários. Mas, acho, há hipóteses muitos melhores que ter 6 chefes para 9, quase um chefe para cada funcionário, ou 6 chefes para 11 funcionários!!!! Mas a aritmética bastante complicada, esta dança de números, daria lugar ao caos/cômico, pois, nossa principal chefe, a Diretora Técnica, recém escolhida para o posto, a responsável por todo o quadro atual, poderia simplesmente aposentar a hora que quisesse, ou pelo menos brevemente se quisesse.

O número de funcionários, e mesmo de chefes, como quis demonstrar é um número flutuante e aleatório e com perspectiva nada animadoras. Saíram 9. Podem aposentar 4, digamos nos próximos 2 anos. Veio um. Virá mais 1. Podem vir mais 2. Este quadro é, para mim, um catástrofe. Indica um futuro de sobrecarga, doença (como já aconteceu com a Neidinha), afastamento por doença… Ou o que é pior, terceirização e contratação por tempo determinado, o que seria um risco maior ainda para um Arquivo do movimento operário (a biblioteca, e o risco que correu, atesta do que pode a terceirização para gerar catástrofes e irresponsabilidade).

A importância do Arquivo para a pesquisa acadêmica é mais que comprovada pelas quase 500 teses ou dissertações produzidas aqui. No entanto há outra importância muito maior. Aqui estão documentos originais e únicos do movimento operário, popular e democrático deste país. Qualquer ataque a este arquivo, por negligência, cupim ou água, ou até sabotagem da direita, coloca em risco documentos dos heróis do nosso povo. A classe dominante sempre soube prezar pela sua história e pagar regiamente seus escribas para contá-la. A história dos de baixo quase sempre foi contada pelos escribas a soldo dos de cima. Há muito pouco tempo na história que trabalhadores, operários ou escravos juntam e guardam documentos. Mas guardar documentos também é um documento da luta dos trabalhadores contra a opressão, pois ditadores, é até mesmo “democratas” como o presidente Sarney, mandou destruir documentos dos trabalhadores (pior, quase sem protesto na democracia da nova república de Sarney – é uma outra história). E é com estas pessoas, ligadas e amantes da luta do povo com que eu gostaria de corresponder, para cumprir nosso papel também nesta frente de luta árdua que é preservar a história dos trabalhadores, que, repito, está sempre em risco, por cupim, traça, descaso, fogo, água, desorganização, ideologia…

Pretendo manter este tipo “jornalzinho”, com notícias e lembranças. Mas esperaria que as pessoas se correspondessem comigo, dando sugestões e fazendo perguntas.

Um abraço,


JORNAL DO PORAO N. 5

08/03/2010

1 de outubro de 2009

QUASE INCÊNDIO NO ARQUIVO EDGAR LEUENROTH

Quase incêndio no AEL


Quem tem lido o jornal do Porão, principalmente o número 0 e o número 1, leu que é bibliotecas e arquivos da Unicamp correm riscos. Já correram riscos demais.

Ontem, 29/09, por 10 minutos o Arquivo correu grande risco e virar cinzas. Às 10 pra as cinco um máquina de Ar-condicionado dentro do Arquivo começou a esquentar, enfumaçando todo arquivo (dá para ver em uma foto, apesar da fumaça ser clara), cheirando insuportavelmente a queimado. Se fosse depois das cinco muito provavelmente, estaríamos lamentando por um ex-maravilhoso e insubstituível arquivo.

1. Já disse, redisse, tredisse, que falta manutenção preventiva nos prédios da Unicamp, pondo em risco patrimônios como as bibliotecas e Arquivos; PORQUE A UNICAMP ACABOU COM O SETOR DE MANUTENÇÃO E LANÇA MÃO DE INOPERANTES TERCEIRIZADOS? Como disse naquele número O e número 1 do Jornal do Porão é brincar com a catástrofe; e é irresponsabilidade dos nossos dirigentes!

2. No caso do Arquivo, mas também, acho, das bibliotecas, é fundamental, à noite um funcionário, concursado, treinado, para tomar todas as medidas em caso, principalmente, de incêndio. Por exemplo, desligar, imediatamente o ar-condicionado que alimenta com oxigênio o fogo; ato contínuo, desligar a energia e ter telefone de todos que possam socorrer pela ordem de importância; O MAIS IMPORTANTE. QUE ESTE FUNCIONÁRIO FIQUE À NOITE INTEIRA DENTRO DO AQUIVO (E BIBLIOTECA); o bancos fazem isso, pois sabem zelar pelo seu patrimônio; ontem, aqui no Arquivo, ninguém sabia desligar a máquina, nem mesmo a energia, e ninguém que veio “socorrer” também sabia; somente foi possível desligar a máquina e impedir um  incêndio um funcionário do CEMEC, um setor de manutenção que ainda funciona na Unicamp, e que conhece a máquina e naquele dia estava lidando com a máquina para consertá-la; no caso do Arquivo que vai ficar longe, este funcionário, concursado, treinado, e responsável, terá que cuidar do patrimônio contra incêndio, sabotagem, intempérie (por exemplo um sobrecarga por um raio);

3 . Mais importante ainda é que o Arquivo funcionasse à noite, possibilitando que uso neste período, facilitasse a sua defesa e conservação; e melhor, favorecesse os estudantes do noturno ou que estudam e trabalham;

4. É irresponsável e inconcebível a Unicamp não ter uma brigada anti-icêndio e sinistros. Para arquivos e bibliotecas seria necessário ter os produtos químicos (são caros mas, mas existem no mercado) que possibilitassem apagar fogo sem danificar os papéis;

5 . É totalmente irresponsável todos nós funcionários (e além dos dirigentes, nós funcionários temos nossa responsabilidade e culpa) por não termos um treinamento para proceder corretamente e combater, no que for possível, inícios de incêndio, mas principalmente sermos treinados para evitá-los. O acontecimento do AEL deixou a nú esta fragilidade, ninguém sabia o mínimo do que fazer, nem siquer tinha chave dos locais, e as pessoas chamadas em socorro nada sabiam do que fazer; lastimável!

Termino dizendo, com tristeza, que  podíamos dormir hoje sem o Arquivo, este bem cultural fantástico que a Unicamp tem a guarda, cujos donos são heróis do povo e da cultura.

Vamos mudar para o prédio novo, mas as questões de segurança não só se matém, mas se agravam, pela distância e o local é de fácil acesso para quem vem do bairro (sem nem mesmo vigilância, hoje, naquela entrada oficiosa;  pelo tamanho do prédio, pela quantidade de equipamentos elétricos e eletrônicos que aumentaram e aumentarão, e pelo número cada vez menor de funcionários (que vão ter, ou deveriam ter,  que dividir estas responsabilidades); e sem qualquer sistema de combate a incêndio (há sim, como já foi narrado noutros números do Jornal do Porão, mais de 70 pontos de aviso de incêndio, mas nenhum sistema de combate; e na Unicamp inteira não há, repetindo, sistema eficaz de combate a incêndio. E se for combater incêndio pelos métodos convencionais, em bibliotecas e arquivos, por exemplo com água, seria um desastre.

Envio algumas fotos que registram o olhar de pânico dos funcionários que saíram correndo amedrontados e até dos socorristas com cara de que não sabiam o que fazer [e não sabiam mesmo].

Mário

PS. AS FOTOS VÃO EM SEPARADO PELO PESO DO ARQUIVO.

O ARQUIVO EDGAR LEUENROTH FOI INUNDADO POR AR-CONDICIONADO
BIBLIOTECA NACIONAL INUNDADA POR DEFEITO EM AR-CONDICIONADO


ENTREVISTAS EM CONCURSOS Uma das artimanhas DOS CORRUPTOS

08/02/2010

Uma das artimanhas
é incluir uma “entrevista” classificatória,

CLIQUE AQUI PARA VER “DELINQUÊNCIA ACADÊMICA”, de Maurício Tragtemberg “O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de “exclusão” que possui a empresa em relação ao futuro empregado.”

Parentes e amigos aprovados em concursos
Eventualmente, concursos públicos podem ser abertos
pelas autoridades recém–empossadas para pagar promessas
de campanha e dar empregos para correligionários, amigos e parentes. Isso acontece mesmo quando a
prefeitura se encontra em situação de déficit orçamentário
e impedida de contratar funcionários por força da Lei
de Responsabilidade Fiscal, que impede a administração
pública de gastar mais do que arrecada e impõe à folha
salarial um limite de 60% dos gastos totais.
Esses concursos públicos arranjados normalmente incluem
provas com avaliações subjetivas, que permitem à
banca examinadora habilitar os candidatos segundo os
interesses das autoridades municipais. Uma das artimanhas
é incluir uma “entrevista” classificatória, realizada
com critérios que retiram a objetividade da escolha.
Concursos com essas características têm sido anulados,
quando examinados pelo Judiciário, pois há uma reiterada
jurisprudência determinada pelos tribunais sobre o
assunto, inclusive por parte do Tribunal de Contas do
Estado de São Paulo.”

“O COMBATE À CORRUPÇÃO Nas Prefeituras do Brasil”, Ateliê Editorial, 2a. ed., 2003 ou no link


JORNAL DO PORAO N. 3

10/12/2009

Um jornaleco litero-informativo-jocoso

“A lembrança é uma forma de atualidade” , NOVALIS.

O Jornal do Porão está aberto à contribuições assinadas, tanto notícias, ficções que qualquer “forma”, principalmente as cartas dos leitores que serão publicadas na íntegra, desde que assinadas, durante a semana sob a rubrica de JORNAL DO PORÃO REPERCUSSÃO.  Se houver alguma censura será autocensura, pois ninguém é herói/sem/glória, o tempo todo, nesta democracia de fancaria.

Irão misturados ficções e realidades. E onde começa uma e acaba a outra? Muita gente já foi condenada à morte, prisão ou degredo  por conta de romances e historinhas, de Thomas Morus , Salman Rushdie ,  Galileu e Giordano Bruno.  Parece que hoje morre-se,  aos montes,   escritores e jornalistas nas periferias do mundo, quando suas histórias atingem algum poderoso. Aqui na civilização os poderosos, com cercas e muros,  não precisam usar a espada. O peso do poder, quase por inércia,  promove o silêncio. E os de baixo sabem que falar não adianta nada, e também promovem o silêncio sobre Eldorado dos Carajás ou Heliópolis. Como diria João Bosco e Aldir Blanc: é impossível vencer satã só com orações. Perdemos o senso, mas  salvamos nossas cabeças. Ou num ditado antigo, quando os deuses querem por a perder um povo primeiro o enlouquece. Somos loucos do silêncio ou do alheamento.

O Jornal do Porão, que se pretende semanal, começa este número 3 com um conto de Mário Medeiros e duas pequenas historinhas de Mário Martins.

UMA SEGUNDA MORTE PARA CLÓVIS GARCIA

Ao som do disco Summit, de Gerry Mulligan e Astor Piazzolla.

Uma estória do Café das Cinco. Para o Mário Martins.

Clóvis Garcia morreu vítima de um erro médico, que não diagnosticou uma apendicite, confundindo-a com excesso de gases no intestino. Supurada, o matou. Uma morte ridícula, todos concordaram, para alguém como ele. Uma morte ridícula, com um homem ridículo, estendido numa cama de hospital público, na área reservada à caridade aos pobres, ladeado por cortinas de banheiro e outros moribundos, com uma amante envelhecida aos pés de sua cama, chamada às pressas por aquele homem, agora tão comum e mortal, implorando perdão, juras e amor eterno. Um homem, uma cena, um quarto: fotografia amarelada pelo tempo, queimando e incensando a memória.

Quando, por fim, o lençol azul e manchado lhe cobriu a face inerte, Clóvis Garcia deixou, oficialmente, de existir. E, protocolarmente, com ele, toda a falta de potência de ser que os últimos anos acompanharam, colados à pele como uma armadura de ferro. Os anos foram implacáveis com Clóvis Garcia, e ele se deixou abater, não fazendo jus à personagem que construiu sem muitos dedos ou cuidados. Um herói é um arquiteto e o único responsável pelo edifício de símbolos e desejos que ergue em torno de si.

No fundo, apesar de mito coletivo, um herói é solitário.

E agora, Clóvis Garcia? Agora que você é isto: um pesado corpo de 120 quilos, um aglomerado de carne, sebo e sangue que, dentro em breve, irá se enrijecer e feder. E que uma infecção generalizada continua a lhe comer as entranhas, as forças que lhe vinham das entranhas, enquanto esta pele ainda tem algum calor e suor para perder? E o médico, Clóvis? Sorrindo amarelo para mim, explicando sem explicar o erro. Sem processo, ele pede. Em outros tempos, você o mataria, o esganaria milhares de vezes, sem suar. E agora, Clóvis, que sua velha amante recheada de perfume barato e dançando na calcinha larga e suja com a qual eu a encontrei e com a qual mal se vestiu e veio rapidamente te visitar, depois de todos estes anos? E agora, que ela molha a minha camisa com estas lágrimas que, tenha cá para nós, são falsas; molha e mancha não somente as minhas roupas, mas a sua memória. Clóvis Garcia, enquanto ela chora por você, alisa o meu pescoço, roça suas coxas nas minhas. Enquanto vêm os homens do necrotério, eu a levo para casa e você bem sabe o que irei fazer para consolá-la, Clóvis. Nos áureos tempos, você faria o mesmo.

Agora, Clóvis Garcia, você repousa debaixo de sete palmos de terra, ridículos e comuns, com suas pernas quebradas por nós, pois seu corpo não cabia neste caixão barato. E dentro em breve, seu corpo começará a inchar, suas extremidades crescerão e serão comidas por vermes, bem como seus olhos. Esta roupa que os amigos fizeram uma vaquinha para comprar no brechó, se deteriorará. E a pressão da terra sobre a madeira de terceira quebrará o caixão. Os vermes que entrarão comerão as carnes, dançarão nas órbitas vazias. E quando não for mais que ossos, cabelos e mau cheiro, virão os coveiros, comandados pela Administração do Cemitério Municipal, para lhe exumar o corpo, quebrar-lhe os ossos restantes e colocá-lo numa parede, com um número qualquer, dentro de uma caixa, ladeado por milhares de outros. Você ocupa muito espaço, Clóvis, no maior cemitério da América Latina.

E, daqui alguns anos, quando for a minha vez de morrer, ninguém mais se lembrará de você. Os poucos presentes no enterro comentarão a indignidade de você não ter sido cremado, Clóvis. Mas o fato é que você estava ali para ser degustado, não é?

Nem lhe depositarão flores, nem lhe acenderão velas, nem lhe cantarão os feitos, nem lhe suspirarão de amores, nem lhe repetirão o nome. Mas há muitos anos que não lhe fazem nada disso, Clóvis. Você sabe: a história oficial que hoje o Sindicato escreve não tem seu nome em lugar algum. As greves que ajudou a garantir, à base de balas e falas de seus revólveres, dizem agora que foram feitas à uma mesa de negociação. Negociação, você, Clóvis? E o dinheiro? E o dinheiro, Clóvis? Aquele dinheiro que você e outros roubavam e que eu calei, com quem estará, Clóvis? Com quem estará? Você dizia, rindo muito: Tenho fé no materialismo. Hoje e sempre. E sou herói.

E as mulheres, Clóvis, onde andarão? Quantas vezes as levamos para a cama, para o chão, para o mato, para detrás das estantes, para atrás dos carros de som, para quartos de limpezas e outros lugares mais, depois de nossos discursos, de nossas ações extraordinárias? Todas queriam dormir com o herói. E ele era você, Clóvis. Nós só pegávamos carona na sua fama. Hoje, elas querem dormir com o futuro, de preferência sem aventuras e com conforto. Protocolo sexual burocrático. Com a aposentadoria segura, com os filhos, com a casa e os carros e as poupanças. Com os nossos inimigos.

Clóvis, quantos você salvou naquela manifestação em 77? Lembra? Quando os seus lendários 38 canos longos, escondidos no jaquetão, deram tiros para o alto, para frente, para os lados, para trás? Quando você gritou: Chega de ser isca de polícia! Quando você, entrevistado pelos grandes jornais do Brasil, sentenciou: Se for para morrer, que se dane. Que venham. O proletariado já morre de fome. Agora tem de morrer de pé. E chumbo grosso. Você e sua jaqueta, Clóvis. Você e os livros de Mao Tsé nos bolsos internos. E, as balas, nos externos. Você e o seu cabelo, contra o vento. Você e o seu jeans apertado. Você e o seu sexo latejante. Você e o seu peito aberto, corpo fechado, filho de Xangô. Você sua voz, trovão em cima do caminhão. Você era o máximo, Clóvis.

E, agora, é isto.

Clóvis, eu poderia inventar uma estória mais feliz, mais a contento, para que os rostos que me ouvem no Café das Cinco se iluminem e se iludam. Os garotos do Café das Cinco se lembrariam de você, então, Clóvis. Mas, não. Você não fez por merecer. Os meninos do Café são bons. Mas eles não se lembrarão de você. Os heróis, Clóvis Garcia, devem, têm a obrigação de morrer cedo, jovens, de uma morte fatídica, trágica, súbita, de agonia rápida. Têm de morrer em batalha, epopéia a ser cantada, com sangue, muito sangue, embebidos em sangue. Era assim que tinha de ser com você, Clóvis Garcia. Você morrendo, trocando balas com a polícia política. Você morrendo em combate feroz, com algum adversário. Você caindo em agonia, numa tortura, sem dedurar ninguém, nenhum companheiro. Você sendo traído por alguma amante, arrastado para uma cilada. Você morto no campo de batalha, com o corpo desaparecido. Você num livro de memórias, num filme biográfico, numa canção nacional. Você…

Não isto. Não isto, Clóvis Garcia!

É engraçado – e curioso até – que eu, logo eu, aquele que o desprezava e, quem sabe?, o amei, que o tivesse como um ser abjeto e a quem devo a minha vida, por me ter salvo de um espancamento, à base de suas balas; que sabia de muitas das suas mutretas e seus roubos no Sindicato, mas que fechava com você – o que me fazia, claro, seu cúmplice – porque você era meu companheiro – o que não me fazia menos ladrão – ah, enfim, é engraçado, Clóvis, que seja eu, logo eu, a te contar aqui, agora, com estes olhos baços e desesperançados diante de mim, aqui, agora, para os meninos do Café das Cinco, Clóvis. Não tenho vocação para Esfinge, nem para Oráculo, nem para Pandora.

Você repousa numa sepultura. Você se livrou de toda a dor, do ridículo, do passado, do herói, da leveza e do peso de ser. Você é livre, Clóvis Garcia. Livre. Você é livre, livre, mas não de mim. Que estória eu devo contar a teu respeito? Que estória, Clóvis? A do ridículo? A do enfermo de apendicite mandado para casa com comprimidos para alívio de gases e dor de barriga? Ou a do herói?

Você é livre, é livre, mas não de mim.

Nem eu de você. É verdade. Eu quero o herói. E quem não quer? Clóvis Garcia, você não tinha o direito de se deixar acabar assim. De se deixar de ser, de se tornar um impotente ridículo, gordo, mal cheiroso, delicado e suplicante. Você não era só você. Não foi só você quem morreu, percebe? Foi um tempo inteiro. Clóvis Garcia, seria melhor que nem tivesse existido. E nem nós. Nem que nos tivéssemos conhecido. Não morreríamos de vergonha. Foi isso que o matou e será isso que nos levará junto com você, até o último de nós.

É compreensível que o Sindicato esconda o seu nome da História Oficial. Quem éramos nós perto de você, Clóvis? Seu nome ecoa, reboa, ressoa, enche a boca, preenche os espaços, emprenha ouvidos. Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia… Pode ouvir a multidão, a massa te gritando lá embaixo do caminhão? Menos que um poema, quase uma poesia: Clóvis Garcia, dizia uma de suas namoradas, estudante burguesa, com quem você gostava de desfilar como um troféu, apequenando, para nos deixar a ver navios. Você era o pirata, o bárbaro, você era livre. Livre, livre, mas não de mim. Nem eu de você, atado ao nosso passado, ao seu passado.

E agora, Clóvis Garcia?

Onde estão teus amigos? E as tuas amadas? E as tuas armas? Tudo desfeito, doado, vendido barato, penhorado, perdido ao longo dos anos, em tuas rondas noturnas e fantasmas matinais. Você é isto, agora, Clóvis, para alguns: menos que um fantasminha camarada, assombrado durante anos pela Era dos Resultados. Logo você, Clóvis. Quem diria? Logo você. Sindicato de Resultados, Futebol de Resultados, Relacionamento de Resultados, Sexo de Resultados, Partido de Resultados, Combate de Resultados… Não para você, não é, Clóvis? Força viva, pulsante. Não havia mais lugar para você. Nem mesmo dentro de você. Mas precisava se deixar matar assim?

Apendicite supurada. Gases. Erro médico. Não é morte de herói.

O jogo é jogado, parceirinho, você citaria João Antônio. É. Mas nunca é fair play.

Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia… Pode ouvir a multidão, a massa te gritando lá embaixo do caminhão? Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia, Cló-vis Garcia……

Sigo, não sei se sorrindo, assobiando e contando você. E te conto tantas vezes que, chutando pedregulhos no caminho, sou até capaz de te esquecer. O sol esfria junto com o que me lembro de você.

Mário Augusto Medeiros da Silva

MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE

Por Mário Martins de Lima

Esta letra de Cazuza sempre me coloca na no devido lugar da minha pequeneza. Meu principal herói morreu atropelado. E o outro,  Mário Medeiros contou uma história dele. Dele há muitas histórias heróicas. Mas a que mais me afetou é bem banal, nem teve seus arroubos de violência justa, desencadeada. E  se não salvou minha vida, pelo menos permitiu que eu estivesse aqui escrevendo.

Lamentei, nalguns momentos,  que, por causa do jornaleco( mal redigido, sem importância e de pequena tiragem), fui chamado à direção do AEL, chamado às falas por redigir mal, por mentir, por escrever um artigo autoritário, querendo ser o dono da verdade e lá fiquei por mais de 2 horas ouvindo tais diatribes. O primeiro espanto é uma artigo escrito em 15 minutos ser achincalhado em 2 horas e com audiência obrigatória [ e como subalterno sou realmente obrigado a ouvir].  E achei a “crítica literária” um pouco truculenta, não tanto como o Goebels, ministro da propaganda de Hitler, que se propunha a puxar o revólver(na verdade mandava puxar o revólver, pois uma das características dos poderosos é sua covardia física. Não matam ou torturam, mandam fazer). É ! Mas 2 horas de assédio chama atenção pelo quantidade de coisas que podem ser ditas. E se ficasse em silêncio seria mais doloroso ainda. Mas não me espantei tanto, pois detenho o recorde, não registrado a não ser aqui neste jornaleco, ficando  2 meses na sala do chefe, por causa de greve de 1983. Dois meses da sala do alto funcionário, ainda funcionários espiritual  da ditadura, apesar do governo democrático de Montoro. E dois meses em silêncio ou tendo que ouvir a conversa fiada, ou os  zunidos,  do sr. Zuair; tão afável era o homem no seu terno cinza impecável , mas temido por todos os funcionários naqueles idos da Ditadura e da Reitoria Zeferino Vaz/Plínio.

Mas as coisas são desimportantes e cômicas na sua brutalidade. Quando disseram sobre a banalidade do mal, tendo a achar que o mal é a banalidade. Depois de 2 meses, em silêncio, na sala do super-chefe, sem poder ler ou escrever, folheando processos que ele mandou que eu folheasse, por puro sadismo, processos que não entendia , não podia e nem devia entender, o temível, naquela época, Zuair, veio com uma proposta de promoção. Eu iria para o Acre, onde havia um Campus Avançado da Unicamp, ganhando, sei lá, o dobro que ganhava;  e mais todo o mundo dourado do acre que ele que ele desfiava, monótona e insistentemente,  para mim. Aí que apareceu meu herói, Clóvis Garcia – que morreu jovem de apendicite e dentro de um hospital – , surgiu, impetuoso, furioso e enraivecido, pois naquela época a esquerda era chamada de  raivosa, acho que não tinha ainda sido domada pela cretinice parlamentar( LENIN), comandando sei lá quantos, – diziam e acho que era mesmo uns 200 – , furiosos funcionários que me resgataram de lá; e conforme a acusação dos burocratas da  época, os funcionários praticaram cárcere privado, já que o poderoso e temível Zuair, tremia, encurralado. Ali mesmo c foi obrigado a aceitar, de livre espontânea pressão, de que eu não iria mais ser promovido para o Acre. Depois fiquei encostado num no mesmo Projeto Rondon, em Campinas, por 10 anos, sem nada para fazer ou quase nada. Mas aqui também tem sua comicidade, paga com o dinheiro público, fiquei lotado neste Projeto Rondon, muitos anos, talvez cinco  anos,  depois do novo republicano Sarney ter extinto o tal Projeto Rondon.

Não Sei porque fico tão indignado com estas histórias. Se apenas eu fui espezinhado e era apenas dinheiro público jogado fora, e não o meu! Quando conto ninguém fica.  E porque ficariam? Se hoje mesmo pudemos ver ao vivo e em cores a repressão aos vândalos da favela de heliópolis, que protestavam contra uma simples, cotidiana, repetitiva, bala perdida no peito de uma jovem evangélica. E na TV os responsáveis por tudo  são as próprias vítimas. Fico um pouco envergonhado de contar uma historieta diante de tantas, cotidianas, repetitivas histórias brutais . Ficar indignado para que serve?  Mas vamos lá, se me propus a contar estes caquinhos sem importância.  Mas  fico puto, sim,  de ter sido punido, ficando  2 meses incomunicável na sala de um chefão e  10 anos numa sala, exilado no centro da cidade,  repito, punido por ter feito um greve em  1983. Fico agora mesmo indignado em ter sido  um preso-albergado ao-contrário, livre para dormir em casa e preso no trabalho, massacrado pela banalidade, pelo silêncio de todos, inclusive do sindicato. E quantas coisas mais fizeram para tentar me calar. Seria fastidioso continuar contando…

Mas a história aqui deveria ser do meu herói Clóvis Garcia, militante da Convergência Socialista,  que morreu jovem  e de apendicite.

TOCA RAUL

Por Mário Martins de Lima

Como é legal ir em shows da prefeitura na praça. Covers. Uns horrosos. Outros maravilhosos que nunca mais vai se ouvir falar. Pena que só alguns prefeitos promovem. E se um faz, o sucessor acaba com a graça.

O cara era Cover de Legião Urbana e Raul Seixas. Enquanto cantou uns15 músicas de Legião Urbana vários jovens aplaudiam, pois o cara imitava realmente bem. Mas quando começou a cantar Raul Seixas o cheiro da praça começou a mudar. Mendigos e loucos mendigos iam aparencendo de tudo quanto era canto, como se houvesse buracos em todos os cantos. Apareciam em toda volta , arrastando seus imundos cobertores. Dançavam, abaixando e levantando, abrindo largamente os braços quase encostando-os  no chão, querendo abraçar o mundo, como os bêbados desesperados bebem como se tragassem o mar, outros se abraçando e fundindo-se, como se fosse para sempre, imundície com  imundície;  gruniam palavras ininteligíveis e algumas bem claras, maluco beleza, sociedade alternativa, quero dizer agora o oposto do que disse antes, controlando minha maluquez,  oh baby a gente ainda nem começou…

Eu e meu filho guitarrista nos abraçamos de olhos mareados. Sentimos que tínhamos que ir embora antes de acabar, ouvindo ainda de lá da esquina

cadê meu rock and roll?
cadê meu velho blues?
está tudo tão chato,
cadê o grande Raul?

TRANSE

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Um jornaleco litero-jocoso-informativo-pornográfico, melhor e mais completo que este Jornal do Porão que é apenas um jornaleco litero-informativo-jocoso. Mas os dois não prestam,  pois  não conseguem falar de futebol.

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JORNAL DO PORÃO N. 2

09/12/2009

28 de agosto de 2009

Ele devia ter uma apresentação. Ele teve um número zero, mesmo antes de ter nome. Não é um jornal, mas um e-mail. Não é um e-mail, pois acabo enviando-o para quem não pediu. E para não continuar sendo deselegante peço às pessoas que se sintam incomodadas, tenham um pequeno trabalho, mas me avisem para tirá-la da lista.

A primeira idéia deste Jornal do Porão era atender um repto, há anos feito, pelo meu amigo Mário Medeiros, para que eu escrevesse memórias. Resisti por anos. Sempre tinha uma desculpa diferente para não fazê-lo. E hoje, de manhã, ou de madrugada, parece que encontrei uma resposta, corri para escrever, pois à tarde posso achar outra explicação. É que sempre disse que odeio memórias, mas acho que na verdade amo demais. Exatamente porque não tenho memória. E também não acho que minha vida foi medíocre, pelo contrário, acho que tive uma vida grandiosa, desde a mais tenra idade. O que justificaria um memória. Mas hoje de manhã achei que minha relutância em escrever memória era porque gosto de contá-la em voz alta. E conto-a de maneira diferente para conforme a pessoa que está ouvindo. Sem nunca inventar, mas sempre diferente, sempre uma outra história. Como se não houvesse passado. Que o passado nem passou, pois o presente toma conta da história. E que não há futuro. E minha vida consiste em contar minhas histórias para mim e para os amigos. E que depois de escrevê-las eu não teria mais memória; e estaria matando, todas as vezes que contasse uma, um pedaço do futuro. Conclui que eu nem existo, sou uma memória que se faz presente. Então porque resolvi matar o que me mantém vivo? Já disse que quero agradar o meu amigo Mário que, além de cientista, é contista. Quem sabe ele não melhora esta minhas memórias com sua capacidade de ficção e eu possa ficar melhor na fita sem ser cabotino. Outra explicação é que talvez eu queira ir matando aos poucos o que me mantém vivo, para quando muito velho, não ter que carregar fardo muito pesado. Mas meu intuito é só entregar aos leitores, se houver, as partes mais leves, ou torná-las assim.

No número 1 do Jornal do Porão tentei ser o mais leve possível diante de uma situação que achei muito grave. Não quis fazer discursos e a gritaria que normalmente faço diante dos poderes do mundo com quem tenho um incompatibilidade de gênio. Me dei mal. A principal acusação dos sensores é que eu estava tratando problemas sérios com galhofa. Então tentei, hoje, enveredar por memórias, coisa que são só minhas, cortando as asas agourentas da realidade, e faça , realmente, um número mais leve do Jornal do Porão e me poupe também de ser convocado para mais uma passagem numa sala qualquer de admoestação.

Dos meus leitores, se houver, dos meus amigos que tenho, aceito todas as críticas e principalmente as galhofeiras. Que sério mesmo só o próximo beijo da amante e o afago dos amigos.

PRIMEIRA HISTÓRIA

Não é a primeira da minha vida, mas que para mim é muito cômica. Quereria contá-la em 10 linhas como faz Dalton Trevisan depois de 50 anos de treino em cortar, burilar as mesmas histórias. Só que, infelizmente, não terei nem 50 minutos.

Digo que meu herói sou eu mesmo. Que não quero viver, vivendo vida dos outros. Mas meu primeiro herói, nada de novo para uma criança, foi um dos irmãos mais velho dos 7 mais velhos que eu. Nasceu, acho tresloucado. Comecei a vê-lo montando burro bravo, andando em pé sobre os cavalos, toureando vaca de bezerro novo. Mas a primeira história deste meu grande herói tresloucado, desdentado e feio eu não vi, mas ouvi contar de fontes seguras – meu pai.

A professor da escola de roça, escola contígua a própria casa, com 9 aos sem receber salários – assim eram as professores da roça em Minas.
A escola tinha três séries, todas juntas, e a professora só tinha feito até a terceira série. Podia ser um heroína, mas era na verdade uma torturadora consumada. Eu vi. Ela batia e jogava a cabeça do seu próprio filho, seu aluno, na lousa até o sangue manchar o chão e verde da lousa ficar mais escuro.

Aqui a história que prometi cômica. Dona Nininha colocou, como fazia sempre, depois de espancar, colocou meu irmão de castigo no quarto de dormir dela, o mais perto da sala de aula. Quando terminou a aula vem ela aos berros puxando meu irmão pelas orelhas, para o riso, um imenso riso dos 40 diabinhos que invadiram o quarto para ver o colchão pontilhado de vários e vários montes de fezes verdes, moles e fedidas, como eram as nossas fezes em Minas, onde comíamos de tudo que topássemos, principalmente pedaços e torrões deliciosos de terra vermelha ou branca. Cada um delas com seu sabor . E cada degustador com sua preferência.

Assim como nunca serei Trotsky , nunca analisarei como Freud, nunca escreverei como Dostoievsky, nunca pude fazer esta obra revolucionária que meu herói, meu irmão, meu grande herói hoje e sempre, meu caro Zé Geraldo. Ele não acreditava em Deus, nem eu. Então, que sua natureza prevaleça nos nossos filhos.

ERRATA
11 de Setembro de 2009
No Jornal do Porão n. 2 escrevi censor com s.
Escrever censor com s é quase um elogia a eles. Eles geralmente não entendem nada. São burocratas arrecadores de impostos na Roma antiga, mas principalmente burocratas. E além do mais não têm senso algum. Cometi um trocadilho involuntário. O máximo que um censor é capaz de fazer é um censo.

Houaiss

sensor (Datação c1928)

Acepções
■ adjetivo e substantivo masculino
diz-se de ou dispositivo que responde a estímulos físicos (calórico, luminoso, sonoro, pressional, magnético, motor) e transmite um impulso (mensurável ou operante) correspondente

Etimologia
ing. sensor (c1928) ‘id.’ < lat. sensus, part.pas. de sentíre ‘perceber pelos sentidos, sentir, ter sentimento, conhecer, experimentar uma sensação ou sentimento’ + -or; ver sens- e sen(t/s)-

Homônimos
censor /ô/ (s.m.)