Pretérito Imperfeito, livro de B. Kucinski

01/04/2018
KUCINSKI, B. - Pretérito Imperfeito

KUCINSKI, B. – Pretérito Imperfeito – indicação de Amanda

Síndrome da Mãe Morta – Winnicott

Uso de droga, autodestruição, roubo, prisões…

FICÇÃO – AUTOBIOGRAFIA – OU UM CASO ……

UMA CARTA ESCRITA PELO PAI, MAS NÃO REVELADA AOS LEITORES

Carta ao meu pai de Kafka, uma referência

Trechos do romance

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“A Síndrome da mãe morta não consta no catálogo universal das doenças. É uma construção teórica do psicanalista francês André Green que identificou situações em que a criança perde subitamente o afeto da mãe sem que outra a substitua, como ocorre quando a mãe cai em depressão. Ela está lá, mas no imaginário da criança é como se estivesse morta. A criança sofre a catástrofe psíquica, essa é a palavra que o francês usa: catástrofe. Algumas dessas crianças ficarão psicóticas ou esquizofrênicas, mostra outro psicanalista, o americano Bruce Perry, em seu impressionante relato sobre crianças traumatizadas, The Boy who was raised as a dog” —————————- KUCINSKI, B. – Pretérito Imperfeito – Cia. das Letras, 2017 – p. 47″

GREEN, André - O Desligamento

Citado por B, Kucinski em Pretérito Imperfeito. Para o conceito de André Green , “Síndrome da mãe morta”.

The Boy Who Was Raised as a Dog, Bruce Perry

The Boy Who Was Raised as a Dog, Bruce Perry

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“Questiono-me se o impulso autodestrutivo não estava dentro dele desde a infância, sem que soubéssemos, sem que ele próprio soubesse, dentro daquele eu inacessível que Winnicott chamava de “verdadeiro eu”. Se assim for, certamente tentará outra vez e mais outra até conseguir. Passei angustiado as catorze horas da travessia” ——————————————— KUCINSKI, B. – Pretérito Imperfeito, Cia. das Letras, 2017-pág.101

……………………………………………………………………………………………………………………….. foto 2 – Aula do módulo “A clínica do vazio em Winicott” da Escola Paulista de Psicanálise-EPP.https://www.youtube.com/watch… 1. capa do livro de B. Kucinski.

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Resenhas

“E é essa a história que lemos na nova ficção de Kucinski – que de ficção, diz o autor, só tem alguns elementos acessórios. “A essência é real: coisas acontecidas e que ainda estão acontecendo”, conta.” (3)
” protagonista leu os manuscritos. “Leu com dificuldade. Parou, voltou. Apoiou a publicação. Pode ser que isso tudo ainda tenha algum efeito que a gente não sabe porque suscita coisas ruins que estavam esquecidas, mas ter escrito, e ele ter lido, nos ajudou.”(3)
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FICÇÃO – AUTOBIOGRAFIA – OU UM CASO ……
“A carta, por exemplo, é pura invenção”, diz Kucinski,…”…””Foi de fato um aprendizado” afirma o escritor, “que eu achava importante compartilhar”.

Além dos tormentos e das peripécias decorrentes do drama familiar, que se passam em vários países, o narrador volta-se para suas próprias tentativas de encontrar explicações e entender o que estava acontecendo –o que inclui leituras de artigos especializados e consultas a psiquiatras.

Por envolver situações reconhecíveis e delicadas, Kucinski pensou inicialmente em assinar o livro com um nome falso.”(4)
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UMA CARTA ESCRITA PELO PAI, MAS NÃO REVELADA AOS LEITORES

“Pretérito imperfeito [Companhia das Letras, 2017, 151 p.; R$ 39,90, em média; leia um trecho] parte de uma carta escrita pelo pai (mas não revelada aos leitores), desresponsabilizando-se do filho problemático (no fundo, nunca se desliga por completo), a busca frenética deste pelos prazeres proporcionados por estados alterados de consciência (seja lá a substância que se use para obtê-los – ou, antes, com o que quer que se pague para obter estas substâncias), a cruzada em busca de regeneração, recaídas, passagens por presídios e centros de reabilitação.”(6)
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Carta ao meu pai de Kafka, uma referência

319-deangle-dan-c-do-marfim-3 - Memória e Altar- coleção Rogério Cerqueira Leite

Meu comentário.

“A carta ao meu pai”, de Kafka, nem mesmo foi enviada. E talvez aí resida seu poder de verdade, que afasta a auto-censura. Não sei se Kafka pretendia entregar a carta a seu pai. Kucinski entrega o livro para o personagem, seu filho adotivo, que aprova a publicação. Todas as várias vezes que li a “Carta ao meu pai”, de Kafka, minha sempre reforça minha convicção que Kafaka já escreveu para não entregar, ou seja, a carta de Kafka ao pai não tinha nenhum propósito a não ser literário. Pelo livro de kucinski, confessadamente auto-biográfico, e uma exceção seria a carta, ‘mas não revelada aos leitores’, nem mesmo então foi revelada ao filho, talvez para não atrapalhar o propósito do livro, que parace a última tentativa de sensibilizar o filho. As últimas páginas do livro é uma exposição do desejo de que seu filho regenere, ou seja, a ruptura afetiva não foi completa, como parecia narrar o livro.
Refletindo, hoje, depois de semanas da leitura do livro, acho que se houvesse alguma expectativa para esta “criança adotada” seria ela mesma transformar toda esta experiência em literatura. Seria para além da expectativa que escreve uma carta ao meu pai, ou a meus pais. E acho que, como Kafka, só devia publicar depois da morte de seu pai escritor/confessor.

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links

(1).  citação do livro Pretérito Imperfeito, de Bernardo Kucinski
(2).Citação do Livro de B. Kucinski, Pretérito Imperf(eito.

ESCRITOR BERNARDO KUCINSKI

ESCRITOR BERNARDO KUCINSKI. Escritor de Pretérito Imperfeito. Fez 80 anos, segundo artigo de Maria Fernanda Pereira.

(3). Em novo livro, B. Kucinski fala sobre a relação com o filho adotivo e sua jornada de autodestruição-‘Pretérito Imperfeito’ narra história real e de grande aprendizado para o escritor – Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo-04 Dezembro 2017 | 06h02f

KUCINSKI, B. - Pretérito Imperfeito

KUCINSKI, B. – Pretérito Imperfeito – indicação de Amanda………………………….Muitas vezes, me perguntei: para que serve um filho desses? Se eu fosse crente, diria que veio ao mundo para nos pôr à prova. Desperdiçou todos os talentos. Deturpou todos os sentimentos. Fingiu afeição aos pais quando quis dinheiro, fingiu lealdade a amigos quando precisou de um teto. Cedo ou tarde, todos o abandonam. Seguem sua vida e o deixam para trás como a um traste. Tornou-se tão insignificante que, se deixasse subitamente de existir, apenas nós –seus pais– perceberíamos. O homem pode existir de muitas formas e pode sempre mudar a forma de existir; porém o tempo de uma existência é limitado. Metade de seu tempo se foi. Por isso, me pergunto: para que serve um filho desses? Capítulo 54 de ‘Pretérito Imperfeito’, quinto livro de ficção de B. Kucinski

(4) . MARCOS AUGUSTO GONÇALVES DE SÃO PAULO-09/12/2017 02h00 – UOL/FSP

262-mc3a1sc-we-c-do-marfim-5 - Coleção Rogério Cerqueira Leite

Jornal do Porão ……. Jornaldoporao.wordpress.com

(5) 262-mc3a1sc-we-c-do-marfim-5 – Coleção Rogério Cerqueira Leite. …. Máscaras Africanas para o jornaldoporao. CIVILIZAÇÕES AFRICANAS: Memória e Altar: apontamentos 01-LINKS APARA ALGUNS TEXTOS SOBRE ARTE AFRICANA
(6). Bernardo Kucinski cogitou utilizar pseudônimo para o seu novo romance, FSP