Meias de seda se esgarçando, de Mário Augusto Medeiros da Silva

22/10/2012

Ao som de Gato Barbieri, Last Tango in Paris.

Quando Alice foi embora? Eu não sei muito bem o que senti.
Eu escrevia, no meio da tarde, no meio da sala. Era um domingo. Ela apareceu do nada. Eu, inocentemente, perguntei se havia dormido bem, se estava se sentindo mais disposta. Ela a tudo respondeu que sim. Ambos sorrimos, porque sabíamos que, do contrário, iríamos nos ferir mais que há três horas atrás, quando tentáramos mais uma vez o amor e nada saíra como imagináramos. Nós éramos educados demais para falar a verdade, fosse ela qual fosse. Nós tínhamos nos tornado assim.
Alice, então, se sentou. Cruzou as pernas com a elegância que me fez prestar atenção nela desde aquela primeira vez, no metrô. Ela tinha um jeito infreqüente de cruzar suas pernas. Nada vulgar. Nada forçado. Cruzou suas pernas delicadamente, descrevendo um arco comedido pelo espaço. No metrô, ela vestia uma saia longa e preta, calçava sapatilhas de bailarina, pretas, com fivela por cima, deixando à vista apenas o peito dos pés, com suas veias, azuis esverdeadas. Gostava de notar seus pés e suas veias salientes. Ela sempre me dizia que sentia vergonha que olhassem suas pernas. Mas também gostava de me afirmar que não se sentira devassada pelo meu olhar, quando me notou no metrô. Eu teria sido elegante. Nós gostávamos de nos lembrar desse encontro. Foi esquisito mesmo.
Alice me disse que viu primeiro. Mas que me achara com uma expressão excessivamente séria. Ela não gostava de rostos que poderiam dissertar facilmente sobre vitrais franceses do século XVI. Essa era a sua anedota. Eu lhe perguntava se ela achava mesmo, desde a primeira vez, que eu poderia fazer isso. Alice sorria. Puxava delicadamente um cigarro de menta de seu estojo. Nunca se sabe, ela dizia. Mas desconfiara de mim, porque eu usava um sobretudo bege, com calça preta e tênis. Ah, e a camisa também era importante, ela sempre dizia. Camisa rolê. Mas o que ela mais gostava de frisar era o meu sobretudo bege, que não combinava com nada. E que tinha, às costas, uma foice e um martelo em vermelho, com a sigla U.R.S.S. Comunistas não devem se interessar por vitrais franceses do século XVI, Alice dizia. E, além do mais, era evidente que eu comprara aquilo num brechó, que não me importava com a opinião alheia, porque nada combinava com nada. Nós ríamos do seu acento em evidente.
Alice puxava agora o mesmo cigarro de menta. Ela me olhava doce e tristemente, na sala, a escrever mais alguns contos que ela gostava de ler, mesmo que achasse que nunca seriam publicados. Nós saltamos na mesma estação de metrô. Ela sempre se perguntava – e nós nunca confessamos – se realmente tínhamos de descer ali. Mas ela sempre dizia que gostou quando eu me desequilibrei com o tranco do trem, deixando cair o Cortázar que trazia debaixo do braço. Eu, ela dizia, de propósito teria me deixado cair, deixado cair Octaedro, perto de seus pés, junto com meus olhos. Pois eu não tinha cara de quem se desequilibrasse fácil no metrô ou que deixasse um livro cair ou que olhasse fácil para alguém. Eu era um homem sério, que sabia me segurar nas curvas, com amor aos livros e somente a eles. Alice me fazia rir.
Eu, então, lhe perguntava se ela ensaiara ou improvisara rapidamente – quanta diferença isso fazia? – ao pegar Octaedro, me devolver com um sorriso e um golpe de vista e desdenhar sorrateiramente, ponderando suas palavras, que O perseguidor superava todos os contos de Octaedro. Nesse momento, nossos olhos se fixaram.
Ela me achara um conquistador barato quando eu lhe disse que aquilo tudo era suspeito, considerando que entre nós havia um Manuscrito encontrado num bolso. Ela tinha entendido a senha. Mas não queria se deixar levar. Odiava cantadas intelectuais, confessou-me depois. Nós nos silenciamos. E eu nem havia agradecido por seu gesto.
Alice, agora, dizia, sentada no sofá: Vou partir. No metrô, sem que eu lhe perguntasse – mas ela me dizia que meus olhos queriam saber – ela anunciou que ia descer na próxima estação. Apressado, eu parei de escrever meu conto sobre uma velha senhora que trabalhava num cinema noturno e lhe perguntei o por quê. No metrô, eu lhe disse, sem pensar: aqui é onde eu saio também. Alice, nas duas situações, só apertou os lábios do jeito que sempre gostava de sorrir e me olhou por sobre os óculos.
Eu havia colocado Octaedro no bolso do sobretudo. Alice disse que desde o princípio vira meu bloco de notas no bolso do sobretudo. Mentira, eu dizia. Eu estava em crise naqueles dias, não conseguia escrever nada, nada, nada. Eu não levava o bloco. Aí, ela se saía com sua jogada triunfal: você tinha que ser escritor. Eu o imaginei assim. E os vitrais franceses, eu gargalhava? Ela, séria, dizia que tinha esquecido deles ao ver Octaedro e o meu sobretudo de brechó. E eu era um homem sério, que não combinava com nada, que gostava de olhar e não ser olhado, que não deveria ter muito dinheiro e que comprara meu livro num sebo, porque tinha aspecto velho, bem velho. Eu tinha que ser um escritor.
No começo, depois de fazermos amor, Alice gostava de tomar café. Em geral, eu saía primeiro da cama, para medir o pó e ligar o aparelho. Ela vinha depois. Não gostávamos de ficar abraçados ou de conversar logo depois de fazer o amor. Gostávamos de café e seu cheiro fresco. No metrô, foi ela que se virou e me disse: ei, estranho, quer tomar um expresso? Chorava de rir, contando aos nossos amigos, que eu fechei meu rosto como quem tivesse levado um soco no estômago e anunciei solenemente que, sim, dez minutos.
Sim, dez minutos. Alice, nesta parte, chorava de rir. Agora, no sofá, ela sorria, ela me olhava com seus grandes olhos negros, ela dizia: porque eu só quero te ver de vez em quando e não ao acordar de manhã.
Alice tinha uma memória espetacular. Ela me disse exatamente isso quando terminamos nosso café e combinamos, depois de três horas de uma conversa amena e interessante, de irmos dormir na minha casa, como se já tivéssemos acertado tudo.

***

Eu gosto das suas fotografias em sépia. Eu gosto de suas fotos de outono, em preto e branco. Gosto de seus bancos vazios, de suas folhas caindo, de becos e vielas com folhas dançando ao vento. Gosto dos seus velhos e garotos de rostos devastados. Gosto do seu Chet Baker, anos 80, no quadro da sala, quase rezando num solo. Gosto de sua forma de escrever sobre o filme. Gostei quando ela disse que meu rosto era um tormento.
Eu pedia a Alice que me ensinasse a fotografar. Ela ficava muito séria – mais do que jamais a vi – e respondia duramente: alguém te ensinou a escrever? Alguém te ensinou a respirar? Não me peça para ensinar coisas que eu não sei. Depois ela ria, ria muito, até me deixar constrangido e eu não sabia se eu ou ela havíamos dito algo insólito demais para ser repetido.
Cruzou as pernas como eu gosto de vê-las. Alice veste sapatilhas pretas de dançarina, com a fivela correndo pelo peito dos pés. Gosto de seus pés, Alice. Gosto mesmo. Escreveria páginas e mais páginas sobre as veias dos seus pés, sobre a sua saia ou o vestido. Sobre você vestida, tomando café. Sobre o movimento de sua boca. Sobre o arquear de suas sobrancelhas. Mas o que mais gosto em você é que não me acha idiota ou gargalha na minha cara quando eu te pergunto, antes de tomarmos café e depois de termos feito o amor, se você acha que é realmente possível representar som e fúria, cor e forma através de palavras, se você acredita no poder da palavra. Eu gosto de você, porque você passa olhos em revista por mim e me diz, simplesmente, que a tentativa é uma busca. E você continua a me passar os olhos em revista. Eu volto a olhar para o teto e pensar. Nós não dizemos mais nada, nada, nada até que sorvamos nossas xícaras de café. Alice, eu gosto da sua busca, amargada com o gosto do café.
Nós não estamos vivendo nada novo novamente, Alice. Parece ridículo.
Eu gosto de você, Alice, pelo seu rosto duro de um general em campo de batalha, pronto ao ataque, pronta a disparar pela objetiva a sua visão de mundo e discutí-la o tempo todo. Uma vez eu te perguntei se, nas suas fotografias, não era permitido representar velhos felizes. Você me golpeou sem me olhar: você acha realmente possível ser feliz aos noventa anos? Ninguém mais é inocente nesta idade. Para ser feliz aos oitenta, noventa deve-se ter causado a infelicidade de muita gente pelo caminho. Ou não ter vivido nada para não se deixar ser ferido.
Você vai me deixar, Alice?

Eu gosto de você porque você diz que nós temos e não temos opções. Gosto das inúmeras vezes em que nós discutíamos em alto e bom som numa mesa de bar, Alice. Que nossos amigos diziam que a gente só dava voltas para chegar no mesmo lugar e concordar. Que você dizia que eu ainda não tinha me livrado do meu ranço pequeno-burguês, que eu arrotava a revolução de plantão, permanentemente de guarda, sem mover um fio do meu pijama, que eu usava um sobretudo de brechó com o símbolo da U.R.S.S. E eu te dizia, Alice, tentando me defender, eu te dizia que não era possível, jamais, confiar em alguém que acreditasse em falsa consciência, que se achasse superior por dizer que existia uma verdadeira consciência dos fatos e da realidade e que um dia, um dia sim, todos a enxergariam, como alguns poucos sábios iluminados.
E quantas vezes nós não saímos da mesa do bar sem nos falar. E quantas vezes essas discussões inúteis não se repetiram, para se diluir no ralo do banheiro, numa chuveirada quente, numa noite silenciosa, escura e tensa, com Chet Baker enquadrado no canto da sala e o neon do prédio da frente machucando os olhos de quem dormiu na sala.
Alice, você vai me deixar?

***

Agora a gata não come mais a planta falsa que fica ao chão. Ela aprendeu.
Debaixo do seu sobretudo e óculos escuros, às seis da manhã na metrópole, cavando com os olhos o fato necessário para enviar ao jornal, você me dizia, Alice, sair de casa já é se aventurar. Sair da cama já é se aventurar. Só depois de muito tempo eu entendi o que você queria dizer.
Nós não estamos vivendo nada novo novamente.

Enquanto eu buscava os grandes fatos, o grande ato heróico e glorioso que iria redimir toda essa lama de civilização – ahahahaha, você se lembra quando eu realmente disse isso? – você focava anônimos. Eu demorei para entender. Alice. Sair de casa já é se aventurar. Você os focava ao acordar, com seus olhos ramelentos, trocando notas sebentas por uma média com pão e manteiga no bar. Quantos anos, hoje, Alice?
Lembra do lançamento do nosso livro? Cenas de um Quotidiano Singular. A gente ria, ria, ria e ria do crítico que arrotava o fato extraordinário de alguém ainda escrever a palavra com Q. A gente ria e ria debaixo do balcão da livraria dos nossos amigos impressionados, tristemente impressionados que o lançamento fora numa livraria pequena, numa rua lateral, com mendigos e catadores. Que nós fazíamos a cosmética da pobreza. Alice, tudo era mais engraçado antes. Que nós unimos soberbamente… foi essa a palavra mesmo que o jornal usou? Soberbamente foto e texto, duas linguagens numa só. À noite, comendo uma pizza, a gente ficou se perguntando o que exatamente aquele crítico iria querer de nós mais tarde, enquanto engordurávamos as paginas do livro meio calabresa, meio quatro queijos.

***

Eu acordo com o meu cachimbo pendurado no canto da boca, sem saber por quê. Eu acordo sem um tema, sem um problema. Eu não sei mais escrever. Eu saio às ruas e não vejo nada. Todos os dias se assemelham a domingos interioranos. Todos os domingos se parecem, todos os dias se parecem com a celebração de um funeral indigente, toda essa merda se acumulando entre as nossas peles, entre nossos órgãos, pulsando, pulsando, pulsando, pulsando, pulsando, fluxo fluindo fino, finalmente escorrendo escorraçado bidê abaixo. Ridículo, não, Alice? Se escrever for fazer aliterações e mais aliterações, se escrever for só isso, Alice, eu já não sei mais escrever. Se escrever for técnica, pura técnica, sem nem mesmo a ilusão de um ato exemplar, sem nem mesmo algo que justifique toda essa dúvida idiota que nos move, de que vale? Mais certo não ter dúvida. Mais certo estar crente de que se morrerá como se nem tivesse vivido.
Eu caminho pela avenida de nosso bairro, à cata de um tema. Vampirando existências que não vivo, descrevendo o que não sinto. Você sempre riu dos meus contos. Você dizia: Você faz algo que não consigo: dar charme ao risível, nobilitar o execrável. Como se tudo estivesse resolvido, você puxava sua máquina para o quarto escuro e me deixava ali, com um calhamaço de papel, reduzido ao escritor idiota que conferia charme ao risível e dignificava o execrável.
Você é a própria técnica, gostava de me dizer. Escrever é técnica, é a criação, é o convencimento, é a construção de uma parede sem tijolos que seja uma parede. Mas tem que ter algo mais. E é esse algo mais que eu perdi, junto com você, numa manhã por aí.

***

Pois muito bem. Agora, partir é a solução. Nem fácil, nem tortuoso. Nem nada. É só partir, como se nem tivesse começado. É só mais um domingo atravessado na garganta, que se engole rápido, esperando terminar. É só isso. Os atos exemplares, os grandes atos, se foram. Eu agora trabalho para o jornal, eu escrevo um texto curto por dia. Você me arranjou o emprego, quando eu estava na pior. Foi onde tudo degringolou? Não os chamo de crônicas, de contos, de cartas, de nada. São textos. Eu escrevo uma coluna, cinco parágrafos, cinco linhas, quinhentas palavras, dois mil caracteres bem batidos e sem erros ortográficos ou gramaticais, seguindo o manual do jornal. Sem qualquer tipo de ambigüidade ou dificuldade evidente. A técnica se faz soberba. A seção de cartas do jornal todo dia me elogia. Há algum tempo, um missivista me disse que guardava meus textos e que eles eram ensinados em escolas, para que os estudantes soubessem como e o quê era escrever. Meu editor fica feliz.
Tudo sempre começa com um erro, Alice. Sobre o quê eu escrevo, não importa. Falta tudo. Eu admito. Não há mais tempo para buscar e essa tentativa já se tornou um tanto ridícula. Acorde de manhã e se veja como realmente é. Acorde simplesmente, você disse. Depois de ter entrado em becos e vielas, ziguezagueado entre muros, caçando vida por aí. Você entra no local que procurava. Há música alta, as pessoas bebem e riem. As pessoas pulam ao seu redor. É capaz de um camarada lhe vir apertar a mão e dizer sente-se. Sente-se, meu senhor, sente-se. Você ficaria chocada. Ou então repentinamente, todos param, a música, as risadas, os cigarros. Os dançarinos, os putos no banheiro. Todo mundo pára e você não entende muito bem por quê. Sente-se, sente-se, meu senhor.
Você vai para casa com o ouvido ribombando. E novamente, de maneira repentina, o chuveiro cai na sua cabeça como um golpe de martelo. Você fica lá, deixando a água cair simplesmente. Se quente ou fria, não interessa. Paremos com o tom piegas. Você sai do banho, fecha o box, você está com frio, fecha a janela, porque pode entrar uma corrente de ar. Você pega a toalha e se enxuga rápido, porque não pode se resfriar. Você não quer se masturbar para não perder tempo e voltar a se sujar. E você só consegue pensar no texto em cinco parágrafos, quinhentas palavras, dois mil caracteres que tem de enviar logo pela manhã, se quiser continuar comendo alguma coisa que julga ser decente e fará bem ao seu estômago combalido.
Sente-se, sente-se, meu senhor. E, então, você está um velho.
E você sabe que não há mais tempo para buscar aquilo que você não viveu, que não está mais ao seu alcance. Seu texto, de soberbo, vira um amontoado de citações, de pistas para leitores que se julgam atentos e enigmas para as gerações mais novas. Os críticos comentaram. E, se forem honestos, te denunciarão. Mas não são. Nem podem ser. É a técnica, Alice. É o primado da técnica. Sente-se, sente-se, meu senhor.

***


Nunca soube finalizar bem nada. Aprendi com você. Fez ver que o feijão deve prevalecer sobre o sonho, que fricotes emocionais não caem bem quando o que importa é o preto no branco. Eu aprendi a lição, meu bem. Foi num dia, muitos meses atrás, havia sol e ventava. Você disse: Não dá mais. Não dá mais. Você repetia enlouquecida que alguma coisa não era mais possível. Eu não sabia o quê tinha medo de perguntar. Eu conhecia seus ataques e tinha medo deles. De repente você começou a me apontar e aos meus erros e ao ridículo e risível de ser quem eu sou. Foi feio, baixo e cretino. Mas teve um sentido. No final das contas, era impossível não enxergar. Foi feio, baixo e cretino. Estávamos andando pela calçada. Um rato passou por nós e me senti menos homem que ele. Eu aprendi a lição. Eu soube ali, naquele momento, que algo se partiu, se foi. E quando, talvez com pena, você se aproximou de mim dizendo algo Enfim, não é bem assim, nem sei se você vai entender que… Eu também não sei se… Ali naquele momento algo já tinha ido embora há muito tempo, para jamais voltar. Seja cínico, meu senhor. Seja cínico.

***

Eu gostaria de poder dizer que tenho uma doença terminal. Sim, uma doença. Sei lá, um câncer qualquer, que doa muito, que vá deixar você com pena, que vá deixar qualquer estranho na rua apiedado quando eu disser Tenho câncer, estou morrendo. Que vá fazer com que alguém me pegue pelo braço, e conduza a uma cadeira, me diga Quer algo, Quero, quero sim. Quero. Quero muito. E que eu balbucie apenas, fique assim. A pessoa pergunte Quando Aconteceu. Eu fique ali balbuciando, me babando de raiva ou de dor. Que sirva de consolo para mim ou para ela, que nós dois nos olhemos sem mais. E que um e outro sirva de consolo, de justificativas para as falhas alheias e não assumidas.
Seria fácil, não? Toda a minha culpa, todos os meus fracassos eu colocaria numa doença agônica. Seria bonito. As pessoas teriam dó de mim. Ninguém tem coragem de criticar um doente, mesmo sabendo que no fundo ele é também um chantagista. Todo mundo gosta de redimir o pecado de alguém. Quem não quer brincar de Deus, Pai, Partido? Mas não. Nada disso. Eu estou bem, muito bem, muito lúcido e de olhos bem abertos. E não sinto nada. Nada, nada, nada, nada. Ouviu, bem, Alice: nada. E eu já nem sei se a encontrei de fato num metrô um dia, se estava lendo Cortázar, se tinha um sobretudo com uma foice e um martelo… se essa é história que a gente quis contar para mostrar aos outros, ok somos legais, fomos legais, melhor que a média etc. se era você, se era eu, eu quero mais é que se foda. Alice, eu quero mais é que se dane. A culpa não é toda minha por tudo. Não pode ser. O câncer também alcançou você. E quer saber? Eu não lamento.

***

Você nem sabe mais reconhecer alguém interessante quando tem a chance. Vocês se cruzam, conversam vinte minutos como se fossem velhos amigos, futuros amantes. Vocês não deixam de olhar um no olho do outro. E e então você se levanta, diz que o seu ponto é o próximo e foi um prazer conhecer. Sente-se, sente-se meu senhor.
E então, Alice, você diz que vai partir. E tenho de confessar, não sei se rio, se choro, se chuto uma parede ou imploro para que fique, se anuncio para o mundo, abrindo a janela do nosso quarto, felicidades, canalha, você conseguiu, mais uma vez conseguiu. Ou se simplesmente te digo, como agora, tchau, boa sorte, seja feliz e se puder mande um cartão postal, o que importa é ter saúde. Volto para o meu texto, que pode ser uma crônica, um conto, prosa poética e mudo tudo, tudo, tudo dentro das cinco linhas, cinco parágrafos etc. para que caiba nossa despedida e suas meias de seda se esgarçando no cimento da sacada.


Campinas tem monumentos importantes?

14/07/2012

Campinas tem alguma importancia cultural? O povo de Campinas de algum acesso a objetos, eventos, arquitetura, espaços ou qualquer movimento cultural?
Quem se importa com isso?
Ao clicar sobre estas primeiras fotos terá acesso ao album completo “Monumentos de Campinas I” e outros albuns.


Manumentos Campinas 056

Upload feito originalmente por Jornal do Porão




Manumentos Campinas 049

Upload feito originalmente por Jornal do Porão




Manumentos Campinas 033

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

A Unicamp fecha e apodrece à noite, nem mesmo ensino noturno tem que não seja umas migalhinhas. Imensos prédios públicos na escuridão e fomentando a ingnorância. Isso mesmo, é uma espécie de elemento provocador da ignorância, pois se aqueles monstrengos de prédios, dinheiro do público, repito do público, ali sem qualquer utilidade. É um acinte. É um dizer brutal de que “temos prédios, instalações, máquinas, equipamentos, mas os pobres é que se fodam”. O próprio movimento estudantil não fala nisso. Os “donos” dessa “universidade pública” chamada Unicamp, são patrocinadores da ignorância e da exclusão de negros e pobres.
E a prefeitura de Campinas, esta do fantasioso e eficiente slogan “primeiro os que mais precisam” não propõe nada no setor cultura. As titicas que existiam, como a Estão Cultura, está paralisada, semimorta. As atividades de rua, miseráveis atividades do governo anterior, foram extintas.
E continuo a falar dos monumentos, praças e ruas. O prefeito do “primeiro os que mais precisam” deixa, como seus antecessores deixaram, os trabalhadores serem ofendidos com um nome numa “praça” que não existe. Um canteiro debaixo de um viaduto na Barão de Itapura. Ofendem Tim Maia. Tentam humilhar Noel Rosa que para alguns, como eu, é o maior e mais inventivo compositor popular brasileiro. Um gênio da música e do humor.

Este prefeito que nada construiu, em 6 anos, mamando às golfadas no dinheiro farto de Lula, não só não construiu ou iniciou nada importante no terreno cultural, como acabou com algumas pífias iniciativas e aquilo que tem deixa perecer.
É caso do “monumento aos trabalhadores do café” que foi construído em 1927, pelo bi-centenária da introdução do café no Brasil. Não qualquer placa identificando o escultor. Não há qualquer discussão sobre a importância deste monumento. E até a cerquinha para protegê-lo está toda danificada. E agora a perigosa fiqueira cresce nos vãos e rachaduras ponde em perigo o próprio suporte do monumento.
Como este monumento aos “trabalhadores do café” narra a saga protagonizada por imigrantes europeus, negros e mulheres, o prefeito do “primeiro os que mais precisam” aproveita para continuar ofendendo imigrantes pobres, negros e mulheres, ou seja, a maioria que construiu Campinas e este país.

“A data aceita pela maioria dos historiadores como sendo a da fundação de Campinas é 14 de julho de 1794, quando da inauguração da tosca capela, coberta de sapé, no local onde hoje se situa o monumento de Carlos Gomes, no centro da cidade.” http://pedrobondaczuk.blogspot.com.br/2007/07/fundao-de-campinas.html

MAIS LIDOS DE 2011
Até esta data, 03/05/2012, foram 112 consultas.


Membro Fantasma, por Mário Augusto Medeiros da Silva

22/06/2012


 

Membro Fantasma, por Mário Augusto Medeiros da Silva

Liguei apenas no terceiro dia. Sabia que estavam todos preocupados. Tia Carmem ameaçou um enfarto. Mãe rogou praga. O Pai não disse nada. Nada disse, mas imaginava seu olhar ao longe, de sobrancelha levantada. Mano gozava a cara de todos. Arrumou-me não sei quantas namoradas e aventuras fantásticas. Durante esses três dias, até as vinte horas, vivi intensamente nas imaginações alheias. Raramente com final feliz, invejosamente fabulado.
No terceiro dia fiz tocar o telefone. Deve ter havido uma correria louca em volta da mesa grande da sala. Benedito latindo e correndo atrás do próprio rabo. Maroca irritada com a soneca boa frustrada, na almofada puída. Maroca olhando severa o zanzar de pernas, tão distintas de sua elegância felina. O Pai avisando que não me atenderia, que não falaria comigo, que não estava lá, mas esperando saber se eu precisava de alguma coisa. Mãe gritando seus impropérios e empurrando todo mundo para chegar ao gancho. Mano, de costas largas, pernas longas, músculos másculos, atendeu e suportou gritos, arranhões, chutes e murros, bem como súplicas desesperadas para ouvir minha voz.
Tia Carmem fazia café de cinco colheradas, porque ninguém dormia cedo aos sábados. A trinca, o truco, a canastra, o buraco, a ronda, o dominó. A paciência. A paciência da família reunida, exercitada, em torno da mesa grande, de tampo elegantemente polido e pernas vergonhosamente lascadas. A paciência da espera, dos pigarros censores, dos olhos gulosos, dos homens eunucos e suas senhoras desditosas. A mesa aparentemente velha, aparentemente nova, aparentemente herdada, aparentemente nobre, aparentemente limpa, aparentemente firme. A mesa levou um pontapé do Mano quando o telefone tocou.
Benedito me quer bem. Benê espiava comigo Ana tomar banho com Nina. Benê caçava rolinha e me defendia do Zé Sujeira, quando eu vacilava o repuxo. Maroca é uma dama empertigada, que me ensinou bons modos. De tanto observá-la, acho que aprendi algo de tratar Mercedes. Ela não perguntou se liguei. Duvido que chorasse ou esperasse pelo canto. Tantas idas e vindas, numa dança estranha. Mercedes devia estar como Maroca: altivamente à espreita, enleivada em seu próprio mundo, à espera de um afago em seus pêlos.
Mano atendeu. Ouviu minha voz gravada e programada no equipamento. Será que sorriu antes ou depois? Lembrou da dor do chute na mesa ou de todos esses anos? E quando anunciou o que lhe transmiti, conseguiu disfarçar o que de fato quis dizer? Tia Carmem tomou mais café? Benê fungou e coçou-se a barriga. Maroca fingia dormir. Mãe caiu-se ao sofá? Riu-se de louca? Fê-lo repetir? Mano seguiu as instruções, apertou o teclado para ouvir de novo. Mercedes estaria no Oca´s planejando a revolução com meus camaradas e não seria encontrada. Pena. O Pai, sobranceiro e pragmático preparava o terno e avisava que era hora, então, de mexer nos papéis para abrir o caixão.


Câncer, de Newton Peron

04/06/2012

CÂNCER

acordou, abriu a janela, estufou o peito e desabafou:

– estou com câncer.

a mulher esbranquiçada balbuciou um o quê e um onde gaguejado.

– não sei, mas sinto que sim.

emputecida, virou de lado e dormiu.

não foi ao trabalho, preferiu o consutório. o clínico geral perguntou por dores, caroços, secreções.

– nada.

e acrescentava que queria exames. o médico dissimulou a irritação e receitou um analgésico. uma semana depois, voltou o paciente queixoso:

– não curou. sinto que não.

hipocondríaco. quis encaminhá-lo para um psiquiatra. o homem pedia obstinado pelos exames. não, meu senhor, é impossível fazer um exame se o senhor sequer suspeita onde é o câncer.

mais uma semana, calmantes. mais uma semana, prozac.

– ainda sinto que sim.

pediu furioso para o homem tirar a camisa. apalpou e mentiu ter encontrado um caroço, e que levaria para biópsia. arrancou com o bisturi aleatoriamente um pedaço de carne. resultado: câncer.

pesquisou outros casos e publicou um artigo, de como certos tipos de câncer poderiam originar do desejo do paciente. renomado internacionamente encontrou com o homem um ano depois. e o câncer?

– passou para a corrente sanguínea.

o médico respondeu que não teria duas semanas de vida. exatamente 14 dias depois o homem morreu. enforcou-se.


JORNAL DO PORÃO N. 4, 10 de dezembro de 2009

04/05/2012

O povo carioca perdeu hontem com a morte de Noel Rosa, um dos interpretes mais perfeitos da sua poesia.
Poeta instinctivo, observador profundo da vida das populações pauperrimas da cidade, Noel Rosa, compreendeu, logo no inicio de sua vida de homem a necessidade que havia de realçar-se a lidima poesia popular da terra, a despeito de toda a miseria que assoberbava o modo de viver das populações dos bairros mais afastados da cidade.”
http://musicabrasileira.org/noelrosa/ veja matérias neste endereço.
“Diário Carioca, 6 de maio de 1937

NOEL ROSA MORREU A 4 DE MAIO DE 1937 e morre todos os dias nas mãos dos nossos políticos.
Esta é a página mais lida do Jornal do Porão. Quando lançada, em 10 de dezembro de 2009, teve 119 leitores. Suponho, felizmente, que foi devido a Noel Rosa. Infelizmente a pracita continua lá com seu nome e ninguém mais se lembrou de protestar e dar um nome a uma grande praça, onde vá muita gente, tipo a praça da paz em Campinas, ao lado do parque Portugal (ou lagoa do taquaral, como é conhecido). Ali bem que podia chamar Praça Noel Rosa. Lembrei-me disso, quando vi a Praça da Paz lotada para ouvir Paulinho da Viola e, em outros shows, lotados para ouvir músicos brasileiros.

Mas o mais apropriado é que tivesse um grande centro cultural, de cultura popular, com o nome deste grande compositor. Por exemplo, a tal “estação cultura”.

E para terminar esta introdução desta reedição, no dia do aniversário de morte de Grande Compositor Noel Rosa, fica aqui a lembrança de uma dívida que tenho, escrever neste jornal um protesto pelo nome de TIM MAIA que foi dado a uma outra pracinha, tão minúscula que nem caberia TIM MAIA deitado numa rede. Parece que nossos políticos se lembram dos nossos ídolos populares para humilhá-los!

14 de setembro de 2009

PRAÇA NOEL ROSA PRAÇA DOS TRABALHADORES PRAÇA CHICO MENDES

 

Praça Noel Rosa

1 . NOEL ROSA foi um gênio da música popular brasileira. Talvez o primeiro gênio da música brasileira realmente popular. O samba de Donga, “Pelo Telefone”,[clique para Donga e Chico Buarque de Hollanda] dito o primeiro samba, já era de protesto; mas foi Noel Rosa a praticar o samba de protesto sistematicamente e, sempre, com humor. Humor mesmo no testamento que foi “O Último desejo”, onde a despedida da vida, a dor de cotovelo, era mero pretexto para o humor. Noel Rosa foi cronista do rio de janeiro, em “Com que Roupa”,[clique aqui para ouvir na voz de Noel] glosando o português aproveitador ; ou no carnaval, protestando, bem humoradamente, que o guarda noturno não recebia seu salário, em “O orvalho vem caindo”.[transcrevo as letras no pé da página – pena que sem som]. Noel Rosa foi o precursor de quase tudo que aconteceu na música popular brasileira. Na maneira de escrever versos não pomposos; ou na maneira cantar, pois seus dois intérpretes preferidos eram Mário Reis e Aracy de Almeida que cantavam quase falando (já que a nova técnica de gravações elétricas permitia que se cantasse sem o tal dó de peito). Noel Rosa, depois de esquecido e massacrado pelos boleros, sambas canções e música sertaneja das décadas de 40, 50 e 60, ressurgirá na Bossa Nova e impregnará toda a música popular brasileira da década de 70. E sua alegria não foi superada. E sua crítica bem humorada também é insuperável.

Acho que foi o tal inimigo cantado no “ O Último desejo” que deu no nome de Noel Rosa para esta rotatoriazinha, para este balãozinho no Castelo, perto da Telefônica [veja as fotos].

Praça Chico Mendes

2. CHICO MENDES

[clique para ver 65 anos de Chico Mendes] e

[clique para reportagem sobre Xapuri]

[clique aqui para vídeo herança de Chico Mendes]

[CLIQUE AQUI Jornal Inglês The Guardian – 20 anos da morte de Chico Mendes – Herói de todos os povos]

[clique aqui fotos de Chico Mendes e música de Los Porangas]

[clique aqui para vários vídeos sobre chico Mendes ]

[clique para longo documentário da TV Câmara – Cartas da Floresta – 20 anos da morte de Chico Mendes]

[Michael Jackson EARTH SONG]

parece que vai voltar à moda na próxima campanha eleitoral. Noel com certeza não, neste caso, felizmente. Já pensou os políticos usando o samba de Noel para ganhar voto? Mas Chico Mendes vai voltar. A Marina Silva em cujo período ministerial foi o momento em que mais se destruiu a floresta amazônica[clique e veja reprtagem do The Guardian] deve montar sua campanha em cima da história que compartilhou com Chico Mendes lá nos idos de 70/80. E foi a defesa da floresta que consagrou e levou Chico Mendes à morte. E é a destruição da floresta amazônica que marca a trajetória atual de infeliz ex-ministra do Meio Ambiente e colega de partido do filho de Sarney, do desenfeliz Zequinha Sarney, que também foi ministro do meio ambiente e em cujo período no ministério a devastação da Amazônia continuou na mesma batida.

Mas nossos heróis, ignorados pelo povo, servem para estes políticos cretinos fazerem campanha… ou…

dar nome a uma pracinha insignificante na periferia da nossa cidade. E foi no governo de Jocó Bittar que esta pracinha, um depósito de lixo, sofá velhos, resíduos vários, ganhou o nome de Chico Mendes. E hoje, nem mais ostenta (ou avacalhava) o nome de Chico Mendes. Melhor assim. Melhor não ter praça nenhuma com seu nome do que isso aí.

Praça dos Trabalhadores

3. PRAÇA DOS TRABALHADORES. Parece que campinas é um pólo industrial. Trabalhador é o que não falta por aqui. E já tivemos para governos municipais que fazem campanha eleitoral falando de trabalhadores. Tivemos inclusive dois prefeitos eleitos pelo Partido dos Trabalhadores e temos agora o prefeito do Partido Democrático Trabalhista, cujo vice é do Partido dos Trabalhadores.

E temos em campinas a PRAÇA DOS TRABALHADORES que também é PRAÇA DO TRABALHADOR, um nome mais de acordo, pois nesta praça não deve caber muito deles juntos. Um comício de partido nem se fala. A Praça dos Trabalhadores, na verdade, é uma ponte da Barão de Itapura sobre a Delfino Cintra.

Estas três historinhas reais demonstram que nossos dirigentes tratam nossos heróis. Estas pracinhas (essas fotos) falam tudo sobre o caráter destes políticos que dirigem e dirigiram nossa cidade. Não precisava mais do que estas fotos para sabermos quem são estes políticos que falam em trabalhadores, em cultura ou em liberdade.

Toda manhã eu passo na Praça Noel Rosa e sempre exclamo a mesma frase: estes políticos são uns canalhas. Quando passo na ex-Praça Chico Mendes, lá pertinho de casa, exclamo, estes políticos são uns oportunistas safados. Quando passo , e há mais de 20 anos me enfureço passando por lá ; e durante 10 anos que trabalhei na Andrade Neves, no Projeto Rondon, passei pela Praça dos Trabalhadores, todos os dias, às vezes duas vezes ao dia, dez anos seguidos.

Nunca consegui me conformar com o acinte, com o cinismo e pouco caso destes políticos que falam em nome dos trabalhadores, da cultura ou do progresso. O Discurso deles é lixo puro, mais lixo do que o que infesta a antiga Praça Chico Mendes. As eleições se aproximam e vamos ter que suportar uma quantidade de discurso/lixo e de sentimentalismo sobre os trabalhadores. Mas estas praças (e que praças!!!), demonstram ,concretamente , sem palavras, o quanto são vazios (ou cheios de….) os discursos e as cabeças dos políticos desses partidos.

A UNICAMP CASSA PAULO FREIRE, MAS PAULO VIVE!

Quando recebi a Moção da Congregação, votada por unanimidade, apoiando a mudança do nome do Rodovia Milton Tavares, respondi com o email abaixo. Dizendo que Zeferino Vaz, apesar de não ser um homem típico da Ditadura Militar, como este general, foi um testa de ferro de Ademar de Barros, apoiador de primeira hora do golpe de Estado de 1964. Isso porque não podemos esquecer que o golpe militar de 1964, foi um golpe civil militar. Os civis foram fundamentais para organizar o golpe. Foi Ademar de Barros, Lacerda e Magalhães Pinto os grandes organizadores deste golpe. E como falamos sempre em Ditadura Militar, esquecemos que os governadores civis foram os grandes organizadores e depois avalistas do golpe. E sonhava que a rodovia, num futuro menos covarde, chamaria RODOVIA PAULO FREIRE.

Mas parece que na Unicamp, nossos dirigentes, os chamados intelectuais não prezam muito a memória não. Ou fazem dela uma coisa de circunstância, mas ou menos manejável conforme os interesses do momento. Acabei de saber que a nossa Biblioteca Central, que homenageava o grande educador Paulo Freire mudou de nome. O novo nome seria Milton da Costa, grande matemático e lógico que, como parece, merece ter seu nome em qualquer espaço da Unicamp. Mas para que cassar novamente Paulo Freire? Porque pisar em Paulo Freire novamente como fizeram quando ele foi o mais votado e Maluf (o nefasto Maluf) escolheu Pinotti, o décimo quarto? Porque, por exemplo, não colocar o nome de Milton da Costa no prédio do Instituto de Matemática? Porque não deixam Paulo Freire em paz e com seu honrado nome, honrando nossa biblioteca central?

Tenho medo que daqui a pouco mudem o nome do Arquivo Edgar Leunroth, um anarquista da pesada, para um patrono qualquer… Ou que a biblioteca da Faculdade de Educação que homenageia o maravilhoso professor Maurício Tragtemberg, mude de nome, de uma hora para outra, sem mais nem menos… Mesmo porque o professor Maurício Tragtemberg não poupou os chamados intelectuais no seu conhecido texto “A Delinquência Acadêmica”; cujo o título quase dispensa texto. Porque Paulo Freire, Maurício Tragtemberg, Edgar Leurenroth não morreram e nem morrem, pois vão realmente educar as novas gerações, se tivermos algo que presta nas novas gerações.

Parece que políticos e burocratas querem matar as nossas mais caras lembranças!

Passou da hora. Que tal mudar o nome dos bairros 31 de março e Castelo Branco? E outros lixos. Boa iniciativa. Apenas preferia que esta Estrada chamasse Paulo Freire. Ele faz parte da história de um outra Unicamp. Paulo Freire foi o mais votado na primeira escolha para reitor depois da morte de Zeferino. No entanto foi escolhido o 14 colocado, o Dr. Pinotti, cuja dinastia manda na Unicamp desde então. Emais. Maluf, onefasto governador, neste período, impôs interventores na Universidade. Que foram rechaçados. Desta história que me reivindico. Viva Paulo Freire, oprimeiro Reitor de uma Unicamp que poderia ter sido, mas não foi. Viva Paulo Freire um educador. Equanto a Zeferino, apesar do áulico livro que saiu sobre ele, não esqueçamos, foi um pupilo de Ademar de Barros, aquele mesmo do “roubo, mas faço” e um dos primeiros governadores a apoiar o Golpe de Estado e mais: foi um dos articuladores junto com Magalhães Pinto , de Minas Gerais e Carlos Lacerta, ocorvo, governador da Guanabara do golpe militar, chamado de movimento por eles de movimento civil/militar.

Mário

Sent: Thursday, September 03, 2009 5:59 PM
Subject: MOÇÃO DA CONGREGAÇÃO DO IFCH

Prezados funcionários do CPD,

solicito que a msg abaixo seja enviada à lista de funcionários e deestudantes; atenciosamente,

caio toledo

Caros funcionários e estudantes do IFCH,

por sua relevância, informo que, ontem, por unanimidade, a Congregação do IFCH aprovou MOÇÃO que manifesta seu apoio ao projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa do estado de São Paulo que objetiva mudar o nome da Rodovia 332 próxima a Unicamp. Caso se transforme em lei, a Rodovia deixará de homenagear um “herói” da ditadura militar. O nome do general Milton Tavares de Souza conhecido pela odiosa alcunha de “Milton Caveirinha” deixará de estar nas placas ao longo da rodovia, sendo substituído pelo do PROFESSOR ZEFERINO VAZ.

Uma inestimável vitória no plano simbólico na luta pela eliminação dos extensos vestígios da ditadura militar ainda existentes em nossos logradouros públicos.

sds,

caio

Ifchfuncionariosl mailing list Ifchfuncionariosl@listas.unicamp.br https://www.listas.unicamp.br/mailman/listinfo/ifchfuncionariosl

Último Desejo

Composição: Noel Rosa [clique aqui para interpretação de Rildo Hora e Maysa]
[no filme sobre Noel Rosa] [Cristina Buarque – “Último desejo”, de Noel Rosa]
Nosso amor que eu não esqueço, e que teve
o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você
lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você
me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não
presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim


Com Que Roupa?

Composição: Noel Rosa [clique para vídeo com voz de Noel Rosa]

Agora vou mudar minha conduta, eu vou pra luta
pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bru… .ta, pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Agora, eu não ando mais fagueiro, pois o dinheiro não
é fácil de ganhar.
Mesmo eu sendo um cabra trapacei…..ro, não consigo ter nem pra gastar.Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo, pra ver se escapo
desta praga de urubu.
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar
ficando nu.
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você
me convidou?


(Carnaval de 1934)

Noel Rosa e Kid Pepe

O orvalho vem caindo
Vai molhar o meu chapéu
E também vão sumindo
As estrelas lá no céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é o vasto céu de anil
E o meu despertador
É o guardacivil
Que o salário ainda não viu
A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar
Quem descasque por mim
Vivo triste mesmo assim
A minha sopa não tem osso nem tem sal
Se um dia passo bem,Dois e três passo mal
Isto é muito natural
O meu chapéu vai de mal para pior
E o meu terno pertenceu
A um defunto maior
Dez tostões no belchior

[clique aqui para vários vídeos com músicas de Noel Rosa]

Este slideshow necessita de JavaScript.


AMOR CRISTÃO, de Marcelino Freire

20/02/2011

Publicado, aqui neste jornaldoporao, em 20 de fevereiro de 2010. Neste um ano, é um texto sempre lido. E quando vou falar deste blog acabo recomendando sua leitura. Então aqui vai, republicado, AMOR CRISTÃO, de Marcelino Freire, neste 20 de fevereiro de 2011.

Amor é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga. Na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa. Como todo grande amor. A sua marca.

Amor é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que a minha mulher fez para aquele pentelho comer. Filhinho de papai. Lá no cativeiro. Por mim ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta. Meu irmão. Amor que sobe. Desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que de repente nos assalta. Sem explicação. Amor salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue. Meu filho. Não é amor.

Do “Rasif – mar que arrebenta” (ed.Record, 2008)


PELOS DIREITOS HUMANOS DE ELAINE CESAR, SEU FILHO E O TEATRO OFICINA

17/12/2010

PELOS DIREITOS HUMANOS DE ELAINE CESAR, SEU FILHO E O TEATRO OFICINA


O pai de todas as opressões está em ação. É preciso unirmos todos para destruir o moralismo sexual. O pai da opressão contra as mulheres junta-se à Vara da Família para surrar até a morte Elaine Cesar e seu filho Theo. Fazer teatro, teatro que importa, que dança sobre a cabeça de hidra do moralismo, como é o Teatro Oficina, é atacado por maridos, pais, padres e todos os reacionários. Zé Celso respondeu na sua carta. O ex-marido, macumunado com um tia de uma (in)justiça familiar tenta destruir uma das poucas coisas de arte feitas neste país, usando o moralismo sexual. Nada de novo. A cota diário do moralismo sexual é a destruição.
Mário

14/12/2010

AS DIONIZÍACAS DE 17 a 20 no TEATRO DE ESTÁDIO do ex-ESTACIONAMENTO do BAÚ da FELICIDADE


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 137

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

serão dedicadas à luta pelos DIREITOS HUMANOS DE ELAINE CESAR E À LIBERDADE ARTÍSTICA VIOLADA PELA VARA DE FAMÍLIA DE SÃO PAULO

São 06:16. Acordei, apesar de estar exausto por excesso de trabalho pelos trabalhos de realizar meu maior desejo em 30 anos, de apresentar a partir de 6ª feira as DIONIZÍACAS no Teatro de Estádio que levantamos no Ex-Estacionamento do Baú da Felicidade mas não consigo dormir porque não estou mais suportando a ENORME INJUSTIÇA que a SOCIEDADE BRASILEIRA está cometendo com ELAINE CESAR, que neste momento está na UTI, correndo risco de vida.

Este caso não é diferente do de Sakineh no Irã, do de Lu Xiaobo na China e de Assange na Inglaterra. Vim pro computador porque até agora não conseguí fazer chegar nossas vozes de defesa aos DIREITOS HUMANOS desta Mãe Artista, Diretora de Video do Teatro Oficina Uzyna Uzona, que na semana passada, perdeu em duas jogadas:

1º, a guarda de seu filho THEO, de 3 anos de idade.

2º, seus instrumentos de trabalho confiscados, seus HD’s, que também são do Oficina, com todo material gravado de pelo menos 30 anos de Oficina Uzyna Uzona, e de outros trabalhos seus, e de artistas como Tadeu Jungle.

É um atentado à liberdade de produção artística, um sequestro só comparável à invasão do CCC em 1968 a “Roda Viva”.

E agora esta mulher está incapacitada de estar à frente do trabalho que adora, de comandar a direção de Video e das filmagens das Dionizíacas esta semana, e tem de ver a sociedade, a Mídia sempre tão escandalosa, impassível com este fato.

Porque tudo isso ?

Porque um ex-marido ciumento, totalmente perturbado, teve acolhidos por autoridades da Vara da Família, para esta praticar uma ação absolutamente anti-democrática, para não dizer nazista, todos seus pedidos mais absurdos de ex-marido ególatra, doente, de arrancar o filho do convívio da Mãe,


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 075

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

acusando Elaine de trabalhar num “Teatro Pornográfico” e para lá levar o filho: o Teatro Oficina. Fez oficiais de justiça sequestrarem os HD’s deste Teatro, com um texto de uma obscenidade rara, para procurar cenas de pedofilia e práticas obscenas que Elaine e seu atual marido, o ator Fred Stefen, do Teatro Oficina, teriam cometido com o filho de Elaine, o menino Theo.

Quase todas as 90 pessoas que trabalham na Associação Oficina Uzyna Uzona têm se manifestado por escrito, pois tiveram contato permanente com Theo, Elaine e Fred dentro do teatro e fora dele e não se conformam com a falta de eco de seus protestos.

Porque tudo isso ?

A revolução cultural da liberdade que uma grande parte dos seres humanos vem conquistando determina uma reação absolutamente inquisitorial, fascista, como é o caso dos homofóbicos da Av. Paulista e no caso, não do Estado Brasileiro, mas da própria Sociedade Reacionária incorformada,


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 078

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

querendo novamente impor censura à Arte, aos costumes, e pior à vida dos que escolheram viver livremente o Amor.

E é incrível aqui, a liberdade de imprensa tão fervorosa em escândalos moralistas, se cala totalmente diante de um atentado a dois seres humanos, Elaine, a Mãe, e Theo seu filho, e a um teatro de 52 anos como o Oficina, e não toca no assunto, como se fosse o Partido Comunista Chinês, os Republicanos dos EEUU e os fundamentalistas islâmicos do Irã.

Tenho feito inúmeras reportagens sobre as DIONIZÍACAS, e falado no assunto, mas a divisão ainda tayloriana de trabalho impede que os jornalistas levem a sério o que estou dizendo, por não estar no limite das matérias que estão fazendo comigo.

Enquanto isso uma mulher, ELAINE CESAR, praticamente corre risco de vida na UTI e o Teatro Oficina censurado estreia as DIONIZÍACAS tendo por exemplo de fazer sua propaganda para a TV com material ainda filmadas no edifício do Teatro Oficina, pois as imagens do Teatro de Estádio erguido pelo Brasil em 2010 estão sequestradas pela Vara da Família.

O moralismo desta instiuição, que parece odiar os Artistas como criminosos, dá proteção a um macho ciumento, invejoso, doente, mordido de ciúmes, que está tendo delírios sexuais, projetando em ações discricionárias como as que tem praticado, e pior com apoio da injustiça.

Fazendo um ensaio corrido de BACANTES, que conta a história de Dionisios e da luta de seu adversário moralista, que quer impedir o culto do Teatro em sua cidade, percebi o óbvio. Tudo que Penteu acusa nas BACANTES e em DIONISIOS é projeção de coisas que seu ciúme provocou em sua cabeça.

Elaine, muito tempo depois que se separou deste ex-marido, teve o privilégio de encontrar um novo amor no ator Fred, que é homem muito bonito e muito livre. O macho, ex-Hare Krishna, ciumento, invejoso, então endoidou e começou a imaginar em sua cabeça cenas de pedofilia, sexo de Elaine e de seu novo maravilhoso amor com seu filho, repressão ao TEATRO OFICINA. Elementar, Freud diria.

Os desejos de pedofilia, até de pederastia em relação ao atual marido de Elaine estão nele. Por isso o menino de 3 anos Theo, corre perigo nas mãos deste irreponsável. Uma tia procuradora aposentada, de Brasília, rica, e um deputado devem estar auxiliando o rapaz com seus contatos reacionários aqui na Vara de Família.

Nem sei os nomes das pessoas porque os autos não estão na minha mão. Elaine não tem pai nem mãe, estão mortos. Fred está sem dormir há dias, agora preocupado acima de tudo com a sobrevivência de Elaine. Segunda feira havia uma audiência com o Juiz de família, para copiarmos o absurdo de mais de 400 horas de vídeo dos HD’s. Nenhum de nós nem pôde aparecer, pois estávamos preocupados com a vida de Elaine, hospitalizada na UTI. Fred doi buscá-la no aereoporto, onde voltava de Brasília, para onde tinha ido ver o filho, sob a vigilância de uma babá contratada pela tia. Na despedida Theo o menino chorava, querendo voltar para os braços da mãe em São Paulo, segundo relato de Elaine, que do aeroporto, passando muito mal, teve de ser hospitalizada, e em estado grave o hospital resolveu colocá-la na UTI.


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 129

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Não sei o que fazer para acordar a mídia, esta Justiça Injusta que, querendo defender a Família, destreoi a vida de uma Mãe, de uma Criança e atormenta todo nosso trabalho maravilhoso neste momento vitorioso do Oficina Uzyna Uzona. Este “taylorismo”, (divisão de trabalho e competências do século 19) da vida contemporânea, esta insensibilidade aos direitos humanos que me é revelada agora neste momento, me faz dedicar as DIONIZÍACAS á todos que lutaram em 30 anos por este momento, mas sobretudo a ELAINE CESAR E THEO.

Que esse filho volte imediatamente para os braços da MÃE antes que aconteça o PIOR.

E que o material apreendido retorne imediatamente ao Oficina Uzyna Uzona.

É uma Obra de Arte sequestrada em nome de uma atitude mesquinha provocada pelo Ciúme de um Ególatra,


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 019

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

de uma Justiça cega e de uma Sociedade, Mídia, conivente como a de São Paulo.

Por favor acordem os trabalhadores da difusão do que acontece de bom e de mau no Mundo e revelem isso a todos.


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 053

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Peço a todos, seja quem for, que façam esse favor de amor aos direitos humanos e batam seus tambores.

Me dirijo especialmente a Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. Médica, Professora da UFRJ, Nilcéa ocupa o Ministério há quase 8 anos. Tem feito um excelente trabalho. O endereço da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República é: Esplanada dos Ministérios, Bloco L, Edifício Sede, 2º andar – Brasília/DF. CEP: 70047-900. Fones: (61) 2104 – 9377 e 2104 – 9381. Faxes: (61) 2104 – 9362 e 2104 – 0355.

A OTAVIO FRIAS, na FOLHA, aos diretores do ESTADÃO, do GLOBO, das TV’S, Rádios, que apurem os fatos. Nós estamos envolvidos nos trabalhos de estrear dia 17 as DIONIZÍACAS, um marco na história do TEATRO MUNDIAL, e nos sentimos impotentes diante da gravidade do assunto, de uma VIDA HUMANA CORRENDO O RISCO, POR SEUS SENTIMENTOS DE DIREITOS HUMANOS TEREM SIDO AGREDIDOS.

Colaborem conosco,


sarau Casa HERMINIO SACCHETTA 139

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

estamos sobrecarregados dos trabalhos das DIONIZÍACAS, mas não podemos parar pois é a ARTE somente que temos para dar Vida a Elaine nestes dias.

José Celso Martinez Corrêa

14 de dezembro de 2010, 07:40

MERDA