NORKA RUSKAIA e Mariátegui, por Rubem Braga

27/09/2012

Biblioteca Mário, I-010.003 B001r

Biblioteca Mário

Leio  crônicas com certa relutância. Não gosto muito do humor melancólico que parece ser uma constante do gênero. Mas leio porque gosto de levar a vida que é do que trata a crônica. Há, claro, disfarçadas em banalidades, reflexões sobre o homens e as coisas.No outro extremo etão os textos de vocação realista. A própria ciência, muito comumente, não passa de repetição burocrática em busca de cargos e verbas. O rigor científico esconde tudo que de ruim tem uma burocracia. Esconde, em particular, os crimes que vão desde a engenharia predatória à física das armas nucleares.  A ciência tornada tecnologia nasceu e prosperou e é, preponderantemente,  uma máquina de guerra e crueldade. Como máquina poderosíssima tem subprodutos muito úteis à humanidade, exatamente a justificativa para que tal máquina continue operando como tal.  E as chamadas ciências humanas que são a máquina ideológica da dominação e da escravização.  O que perturba na crônica é que, apesar de falar de um homem real, cotidiano, quase sempre faz vistas grossas desta realidade pesada. Como se fosse mais uma face, já uma terceira face da conivência; e tem muitas.   Fica parecendo pura banalidade. Mas as grandes crônicas parecem dizer que a vida deve continuar. Assim como faz o nosso ego que não envelhece, que cria milhares de estratégias para fugir da inevitabilidade da morte ,  da dor e, principalmente,  da loucura. Estratégia bem sucedida, quase sempre, mas  que do alheamento profundo pode leva a alienação mental, como apenas um aprofundamento desta mesma estratégia de defesa e saúde. Machado de Assis, no Alienista, mostrou que a tal objetividade científica pode ser um discurso de um alienado.   Mas a crônica nesse empenho de cantar a vida merece fazer parte da nossa vida. Da minha faz. Com relutância.

E o humor melancólico das crônicas são memórias aceitáveis. Narráveis. Assim uma crônica de guerra fala de pequenas grandezas da guerra, pequenos heroísmos. E Rubem Braga, correspondente de guerra, dede a chamada revolução 30 e também da segunda guerra, tem dessas. Dificilmente o gênero crônica daria conta dos campos de concentração. Diferentemente das grandes reportagens ou grandes romances, como George Orwel na revolução espanhola ou Narman Mailer na guerra da Coréia, que nos primeiros parágrafos narram o cheiro das revoluções e da guerra que são as fezes, o sangue e suor frio e fedorento do medo. George Orwel narra que era o cheiro de merda o acompanhou por anos já no café da manhã, confortavelmente instalado na Inglaterra. Uma realidade que não seria narrável em crônicas, deliberadamente escondida em textos políticos e muito suja para entrar em textos científicos.

Este pequeno texto sobre um livro de crônica está enveredando para a defesa do romance que não tem compromisso como qualquer limitação destes campos aí citados. E pode ainda, como os Sertões, de Euclydes da Cunha, que, sem ser ciência, é capaz de manipular conceitos da ciência da época, narrar como um grande reportagem, fazer um crônica dos fenômenos da natureza e do homem e ainda contar com uma  poesia intencional, como demonstrou Haroldo de Campos.   E que faz dele um grande romance: fazer falar a terra, o homem e a luta, como grandes personagens, como invenção. E que não é exigência para um grande romance, mas parece que ao  escrevê-lo, o romance se impôs ao escritor, que passa a denunciar um crime. Cinco anos antes, Euclydes da Cunha, escrevia textos laudatórios à república e exército. Em 1902 são os criminosos denunciados.  Mas  a crônica, compromissada com o cotidiano, tendo mesmo que fazer média com o leitor de jornal, veículo recorrente das crônicas, falta distanciamento e coragem de peitar o leitor. Assim como se dá com nosso   ego é preciso, nem sei se mentir, mas esconder a verdade.

Na mais banal das vidas há epifanias. Ali uma frase perdida. Ou uma cena, como esta de Norka Ruskaia. E conhecendo o moralismo anti-sexo dos comunistas – e dos intelectpuais também –  ver Mariátegui, líder e intelectual comunista peruano, numa festa em um cemitério e nua sob uma manta NORKA RUSKAIA, dançando sobre túmulos, tocada por violões e vinho.  É o tipo de cena que valeu ler Rubem Braga. E vemos uma Mariátegui comprometido com a vida, com o sexo e, pasmem,  com voyeurismo tão condenado pelo politicamente correto. Mas é 1917 e Mariátegui era jovem e ainda vivia.

Mas há frases perdidas que merecem ser anotadas, como essa da crônica “Era um sonho feliz”:

“Senti alguma diferença em sua voz, pressenti que ia acontecer uma tristeza, no mesmo instante senti pena de mim – “

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Biblioteca Mário, I-010.003 B001r

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link

01. 27/01(de 1917): La bailarina rusa Norka Rouskaya escandaliza Lima

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35 segredos para chegar a lugar NENHUM – Literatura de baixo-ajuda.

01/09/2012

Nada está perdido. Aqui tem 35 escritores (mulheres e homens) escrevendo ao arrepio do moralismo cristão/paulino/comunista. Alguns textos fariam jus à comemoração dos 100 anos de Nelson Rodrigues por juntar tragédia e humor,  para continuar sendo bem-humarado, denunciando as tragédias. Alguns títulos são contos de uma linha. “AS SETE VANTAGENS DA DEPRESSÃO CRÔNICA’; ‘COMO APRIMORAR UMA HABILIDADE ANCESTRAL: A MENTIRA”. Ou um cacetada nos cornos do politicamente correto, sem cair na incorreção. “COMO VENCER SENDO DEFICIENTE”. E um manifesto de pessimismo total, mas positivamente a favor da vida e o próprio título já anuncia: “COMO CONTINUAR GOSTANDO DE VIVER MESMO À BEIRA DA DESTRUIÇÃO TOTAL DA HUMANIDADE”. É um livro de 35 autores que sabem que o paradoxo existe. E que o certinho é estupidez autoritária. E que viver e rir é a prova dos noves, ou a prova real.

Todo mundo ficou me olhando no ônibus como se realmente eu fosse um louco feliz. O desfecho de “COMO MANTER A ELEGÂNCIA ENQUANTO SEU MARIDO DÁ EM CIMA DE OUTRA” me disparou o riso incontrolável. Final tão incorreto que ficou tão politicamente correto.

Há um ou dois que não achei muito bons. Alguns vou reler em breve e procurar mais livros dos autores. Deve ter mais gente escrevendo assim, o que me deixa ansioso e feliz.

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Como também vivo em paradoxos, fiz este registro ouvindo um música tão triste, mas tão bela. Brega, breguíssima.  Pior: a ouço sempre, reiteradamente.

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Talvez eu tenha ficado, sem perceber, com um certo acanhamento de nomear o texto que acho um primor no manejo das palavras. Um texto filiado claramente à narração, mas que não recua diante do enternecimento; como é um canto, uma ode à boceta, tem muito de poesia. Destaca a boceta do resto do corpo e aceita que ela tem vida. Para satisfazer minha paixão pela boceta faltou apenas descrever que ela deve ser bebida, quando líquida. “DA NECESSIDADE DO USUFRUTO DA BOCETA”, DE Fernando Bonassi.


Catálogo Biblioteca Mário

28/12/2001

Catálogo Biblioteca Mário

I. Literatura Brasileira
…..ANDRADE, Oswald …..
…..HILST, Hilda….
…..BRAGA, Rubem ….
….. ASSIS, Machado ….
….. CONTOS (coletâneas) ….

 

II. Literatura Estrangeira
…..DOSTOIÉVSKI, Fiódor …..
VII – Artes Plásticas
****Caricaturas e Charges****
****Grafites****
****Xilogravuras****
XIX – Mente Dolorosa

XXIII – Crime
****Tortura****


Catálogo Biblioteca Mário I. LITERATURA BRASILEIRA: Lima Barreto

26/12/2001

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I – 012.001 B001c

BARRETO, Lima

Clara dos Anjos

Ed. Mérito, 1948

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I – 012.002 B002c

BARRETO, Lima

Clara dos Anjos e outras histórias

Pref. de Sérgio Buarque de Hollanda

Biblioteca Folha, 1997

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Catálogo Biblioteca Mário I. LITERATURA BRASILEIRA: HILDA HILST

25/12/2001

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I-012.051 H001b

I – 012.051  H001b

HILST, Hilda

Bufólicas

Ed. Globo, 2002

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Em outras listas

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I-019.003 M001d

I – 019.003 M001n

MARQUES, Sebastian e outros

Não Negócio para Hilda Hilst

Sociedade dos Poetas Vivos, 2000
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Catálogo Biblioteca Mário I.LITERATURA BRASILEIRA: Mário de Andrade

23/12/2001

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I – 013.201 A001m

ANDRADE, Mário de

Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter.

Coleção Folha, Grandes Escritores, v. 17, 2008

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I – 130.202 A002m

ANDRADE, Mário de

Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter

Texto revisto por Telê Porto Ancona Lopez

Livraria Martins Editora e Editora Itatiaia Limitada, 1981

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I – 013.203  A003a

ANDRADE, Mário de

Amar, Verbo Intransitivo – Idílio.

Ensaio de Telê Porto Ancona Lopez: “Uma Difícil Conjugação” e textos de Mário de Andrade sobre Amar, Verbo Intransitivo: Posfácio Inédito” e “A Propósito de Amar, Verbo Intransitivo”

Editora Itatiaia, 1986

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I – 013.204  A004p

ANDRADE, Mário de

Paulicéia Desvairada a Café, de (Poesias Completas)

Círculo do Livro

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I – 013.205  A005t

ANDRADE, Mário de

Turista Aprendiz, O

Livraria Duas Cidades, 1976

* Este exemplar pertence a Maria Cecília Soares (por onde andará?)

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I – 013.206  A006t

ANDRADE, Mário de

Taxi e Crônicas no Diário Nacional

Estabelecimento do Texto, Introdução e Notas de Telê Porto Ancona Lopez

Livraria Duas Cidades, 1976

* Este exemplar pertence a Maria Cecília Soares (por onde andará?)

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I – 013.207  A007t

ANDRADE, Mário de

Taxi e Crônicas no Diário Nacional

Estabelecimento do Texto, Introdução e Notas de Telê Porto Ancona Lopez

Livraria Duas Cidades, 1976

* Este exemplar me pertence.

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I – 013.208 A008f

ANDRADE, Mário de

Filhos da Candinha, Os

(Edição Comemorativa do trigésimo aniversário de morte de Mário de Andrade 1945/1975).

Livraria Martins Editora/MEC, 1976

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I – 013.209  A009m

ANDRADE, Mário de

Melhores Contos, Os

Seleção de Telê Ancona Lopez

Global, 1988

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I – 013.210  A010c

ANDRADE, Mário de

Contos Novos

(Apresentação de Maria Célia de Almeida Paulillo), 1983

Vila Rica Editoras Reunidas Limitada

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I – 013.211  A011c

ANDRADE, Mário de

Contos de Belazarte, Os

Livraria Martins Editora, 1980

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I – 013.212  A012c

ANDRADE, Mário de

Cartas a Murilo Miranda – 1934/1945

Editora Nova Fronteira, 1981

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I – 013.213  A013c

ANDRADE, Mário de

Correspondente Contumaz (Cartas a Pedro Nava) 1925-1944.

Edição preparada por Fernando da Rocha Peres

Ed. Nova Fronteira, 1982

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I – 013.251  C051f

CARNICEL, Amarildo

Fotógrafo Mário de Andrade, O

Editora da Unicamp, 1993

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Catálogo Biblioteca Mário I. LITERATURA BRASILEIRA/POESIA

28/01/2001

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I-019.001 P001p

I – 019.001 P001p

PIVA, Roberto

Paranóia

Desenho de Wesley Duke Lee

Instituto Moreira Sales, 2000

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I-019.002 A001d

I – 019.002 A001d

ANDRADE FILHO, Oswald

Dia Seguinte e outros Dias

ed. Códex, 2004

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Em outras listas

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I-019.003 M001d

I – 019.003 M001n

MARQUES, Sebastian e outros

Não Negócio

(para Hilda Hilst)

Sociedade dos Poetas Vivos, 2000