Maria Luisa Mendonça

25/01/2013

[clique sobre as fotos para vê-las em tamanho original]

Mandrake, 2007

Mandrake, 2007

Mandrake, 2007 (2)

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Viver a Vida, 2009

Viver a Vida, 2009

Senhora do Destino, 2004

Senhora do Destino, 2004

Querô, 2007

Querô, 2007

Renascer, 1993

Renascer, 1993

Queridos Amigos, 2008

Queridos Amigos, 2008

Os Setes Afluentes do Rio Ota, 2003

Os Setes Afluentes do Rio Ota, 2003

Os Maias, 2001

Os Maias, 2001

O-Magnata, 2007

O-Magnata, 2007

O-Magnata, 2007(2)

O-Magnata, 2007(2)

Na TV Cultura

Na TV Cultura

Nossa-Vida-nao-cabe-num-Opala-2008

Nossa-Vida-nao-cabe-num-Opala-2008

Renascer, 1993

Renascer, 1993

Mandrake, 2007

Mandrake, 2007

Mandrake, 2007 (2)

Mandrake, 2007 (2)

Leticia volta, Engraçadinha

Leticia volta, Engraçadinha

Jogo Subterrâneo, 2005

Jogo Subterrâneo, 2005

Engraçadinha, 1995

Engraçadinha, 1995

Dicas de um Sedutor, 2008

Dicas de um Sedutor, 2008

Coração Iluminado, 1998

Coração Iluminado, 1998

como Amanda, em Corpo Dourado, 1998

como Amanda, em Corpo Dourado, 1998

Casos e Acasos, 2008

Casos e Acasos, 2008

Carandiru, 2003

Carandiru, 2003

Carandiru, 2003(2)

Carandiru, 2003(2)

As três Marias, 2002

As três Marias, 2002

A-muralha-2000

A-muralha-2000

Aline-2011

Aline-2011

Viver a Vida, 2009

Viver a Vida, 2009

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links

01. Personagens (fotos miniaturas legendadas)
02. Carreira de Maria Luiza Mendoça até 2009

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Contos da meia-noite

Na TV Cultura

Na TV Cultura

01. Contos da Meia Noite: A Medalha, de Lygia Fagundes Teles

02. Contos da Meia Noite – O homem de cabeça de papelão 1/2, de João do Rio
………………...Contos da Meia Noite – O homem de cabeça de papelão 2/2
03. Contos da Meia Noite – A moralista:Conto de Dinah Silveira de Queiroz
04. Contos Da Meia-Noite – Vozes Do Morto:Conto de Moreira Campos – Vozes Do Morto

05. Contos da Meia Noite – Conto de Verão N º2 – Bandeira Branca, Luís Fernando Veríssimo
06.Contos da Meia Noite – A Aranha, Orígenes Lessa

07.

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Engraçadinha

leticia_volta, Engraçadinha

Letícia, em Engraçadinha

01. Não chama o meu amor de tara!

02. ENGRAÇADINHA – A volta de Leticia
03. ENGRAÇADINHA – Leticia declara seu amor para Engraçadinha

04.Mini Série Engraçadinha – Leticia lembra quando brincavam de namoro

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Buba, Renascer

maria_luisa_mendonca_e_marco_ricca

Buba, em Renascer

01.Novela Renascer cap. 3-6
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outros links

 

 
01. Atriz Maria Luísa Mendonça fala da emoção de protagonizar um texto de Nelson Rodrigues
02. Filmografia de Maria Luísa Mendonça


Cláudio Assis, Zé Celso com cachaça e Cerveja.

19/08/2012

Zé Celso disse certa vez na Unicamp, vinho deixa leve, cachaça não que deixa a gente muito pesado.

Febre do Rato, Cládio de Assis

PASSIONE. Diabos. Não ouvi a trilha sonora do filme. Nem me lembrei qual, quando li que foi premiada. Vila Brasilândia, década de 70, Odair José, caipirinha, “farmácia”. Sexo com putas. E sonhos de sair. No filme ninguém quer sair dali. Depois da assassinato do poeta  pela polícia, não há nenhum protesto, apenas  a vida continua,  a mesma. A utopia é a festa cotidiana. Dos dois  mirabolantes poetas, o de Febre do Rato, de quem nem lembro o nome, sempre chamado pelos amigos apenas de poeta,  é mais verossímil que Paulo Martins, de Terra em Transe.

Terra em Transe, Paulo Martins

Com o contraditório e dilacerado Paulo Martins morre a utopia política e revolucionária. Com o poeta da Febre do Rato é a vida que continua e vale a pena. É um elogio escancarado da vida como ela é na periferia, com um pouco de orgia e com alguma pitada de poesia.

O poeta Anarquista, nem mesmo fala de anarquismo, não ataca nenhum governo, pai ou patrão. O filme sim mata figura do pai. Não existe nenhum personagem pai. Não há família, pois não há crianças. E a maior febre do rato é procriar adoidado. O poeta apenas quer viver e gozar. E cantar a vida.  A morte dele não é menos política que de Paulo Martins. Ao contrário é mais brutal. E é feita em nome do moralismo sexual. Apenas uma singela atitude de tirar a roupa, como o artilheiro que tira a camisa, celebrando um feito do amor. A  vida burocrática, o cotidiano burocrático, quer matar a vida, que o poeta quer alegre, sexuada, amorosa e de amizade.

E na vida real, os poetas da periferia estão sendo assassinados. Já são cinco funkeiros mortos na baixada santistas. e parece que estão sendo mortos por causa do conteúdo de suas músicas. E pelo que eu saiba, excluindo uma organização de mães, não tenho visto nenhum protesto das esquerdas, estudantes ou artistas. Ou os funkeiros não são artistas, assim como eram os sambistas no início do samba? O samba, no seu início, era coisa de capoeira, que eram malandros perigosos, navalheiros. Não eram artistas, mas vagabundos. O cara era preso apenas por portar um violão. O primeiro samba gravado, que nem era ainda  um samba,  já falava da repressão da  polícia.

Talvez a leveza com que os amigos do poeta de Febre dos Ratos continuam levando em frente suas festas e brincadeiras seja uma metáfora apropriada da realidade. É preciso viver, mesmo quando os melhores de nós é exterminados. E as pessoas comuns, não esperando nenhuma defesa, querem o mais depressa possível continuar com a utopia maravilhosa de viver. Se houvesse algum protesto no filme é que seria uma ficção inverossímil.  Esperar algum protesto era parar a vida.  Era tornar a vida mais pesada que é.

Achei o filme corajoso por, quase o tempo todo, usar a poesia como forma de comunicação. Mesmo que não seja um diálogo poético, como numa ópera. Gostaria de um dia ver um filme operístico,  falado em verso. E os personagens do filme, principalmente as personagens femininas, acham que o poeta merce mais do que tem. O que eu acho de todos os artistas. Que deveriam se tratados com deuses que de fato são.

Adorei a fotografia. O branco e preto leva a uma maior concentração nas cenas. O colorido pode ser bastante dispersivo. Apesar que o povão, a periferia é colorida.  A festa é colorida. A década de 70 foi colorida na periferia e na música mundial.  De Odair José a Jimi Hendrix.


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E não há orgia alguma. Tudo é sugerido. Mesmo as cenas do tanque.  É um filme que poderia passar na televisão, num horário bem tarde, sem protestos de moralistas de plantão. Um prova possível disso entrar com a rubrica “Febre do Rato” no Google imagem e o mesmo com “Teatro Oficina”. Não aparece fotos de sexo ou nus em Febre do Rato.

Adorei  o poeta fazendo sexo com senhoras. É uma metáfora de que qualquer sexo vale a pena. Talvez as prostitutas merecessem uma presença e uma visibilidade maior no filme.

Diante da escolada do moralismo sexual, cristão ou paulino , apesar de ser assumido integralmente por pessoas sem qualquer religião, o filme, foi uma boa armadilha. Pois os moralistas intelectualizados da classe média acabam esquecendo as cenas de sexo e amando um poeta, da sua tribo da classe média, que,mesmo  vivendo em palafitas, como os ratos, e não há ratos no filme

Gabiru

– ratos presentes apenas em desenhos e grafites -,  este poeta usa uma linguagem não popular, mas uma poesia culta. Não é um raper nem um funkeiro. Mas não é inverossímil. Em São paulo há a poesia na laje. Veja um exemplo de poesia na laje que, da maneira mais fantasiosa, quer sair de lá e virar médico.
A premiada trilha sonora é um brega agradável. Com uma letra que não é popularesca, pois usa ordem indireta e palavras não tão cotidianas. Um Odair José mais aceitável. Gosto de música brega e gostei da Passione que ouvi algumas vezes. Não sei como é Recife, mas nas periferias de São Paulo, Rio de Janeiro talvez teria o selvagem e rancoroso rap, ou sexualmente explícito funk.
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Este poeta de Febre do Rato é mais um poeta da minha juventude na periferia nos anos 70. Geração periférica de bailes e pequenas putarias, pouco interessado em política. Mais ou menos insatisfeito como o governo. Em 1972, uma das músicas mais tocadas na Vila Brasilândia, São Paulo, era Ouro de Tolo, de Raul Seixas, que tomávamos como uma música de protesto e nem dávamos conta de seus discos voadores.

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“Descrição: “O surf rock brega iê-iê- iê “Passione” tema composto por Junio Barreto com Jorge Du Peixe, sobre a base levada pelo Mombojó (destaque para o teclado de Chiquinho e a guitarra de Felipe S), para a trilha sonora do filme “Febre do Rato” de Claudio Assis.” PASSIONE (letra e música – Jorge du Peixe e Junio Barreto) PERFUME DO MEU PARAÍSO BONITA ESTRAGO DO MEU CÉU QUE ATÉ ME CUSTE, VALHA A VIDA VOU TE AMAR, VOU TE AMAR PASSIONE, TENHO POR TU TANTO GUARDADINHO AMOR AGRESSIVE NÃO SAFADA, ÉS MEU VÍCIO MORRO EM VOCÊ PRA VIVER EM MIM”.

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links

01. Febre do Rato leva seis trófeus no Festival de Cinema de Triunfo [entre eles de trilha sonora].

02 . Trilha sonara de Febre do Rato
03. Rato, ratazana, Gabiru
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A Serbian Film e Caravaggio

14/07/2012


A Serbian Film, de Srđan Spasojević

09/07/2012

[Lembrete: quem não assistiu ao filme e não quer saber o final, não leia tal post. Foi inevitável dedurar o final para argumentar]

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“Madeleine Albright, secretária de Estado de Bill Clinton, que, ao responder a uma pergunta em rede nacional de TV sobre as 500 mil crianças mortas no Iraque como resultado das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, asquerosamente afirmou: “Acredito que o custo compensou”.” [ver link 10]. Razões de estado dirão os estudiosos universitários. Talvez se fizesse um filme onde Madeleine Albright aparecesse se masturbando, o filme seria proibido.

E que tal fazer um com Bill Clinton esporrando na cara de Monica Levinski.
Bem ao contrário das crianças mortas no Iraque, Monica Lewinsky é notícia de 1988 até hoje. Este é o peso da moral sexual. Desde Helena e a Guerra de Troia, sexo e a moral sexual é a única coisa que realmente conta. Para mim, aí mora o engano, o auto-engano, ou a enganação de Srđan Spasojević, quando diz que seu filme é uma metáfora sobre aquela guerra na Sérvia[ver link 07] e os ataques da OTAN. Em paz ou em guerra  e revoluções, há, houve e haverá muita tortura, violência e prazer na violência.  Ninguém se surpreenderia de a primavera árabe também fosse chamada de primavera sangrenta. Neste instante mesmo, em qualquer delegacia, em qualquer lugar do mundo, há gente gritando de dor e outros de prazer com a tortura. E bilhões de pessoas fingindo que não é com ele.

Ricardo Kotcho[ver link 01] chama o filme de sórdido. Será que empregaria o mesmo adjetivo para Bill Clinton, Madalena Albright, Churchi[ver link 13]l (o primeiro a usar bombas químicas no Iraque, o primeiro a bombardear civis na segunda guerra). Churchil apenas continuava um tradição inglesa como conta o artigo de Isto É [ver link 13]: “Mas foram os britânicos os primeiros a devastar as fileiras inimigas com a ajuda de métodos biológicos. A chance veio no final das guerras Franco-Indígenas (1754-63), quando a Grã-Bretanha derrotou a França na luta pelo Canadá. Lord Jeffrey Amherst, o comandante-em-chefe das forças britânicas na América, mandou distribuir cobertores e mantas contaminados com varíola para infectar as tropas indígenas do chefe Pontiac”
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Assisti a Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick pelo menos 10 vezes.
Alex comete crimes odiosos e se compraz com a violência. Em comum com Milos, Alex comete os crimes sob efeito de alguma droga. No caso de Alex no inocente – ou até nojento para alguns – leitinho. Milos afoga-se no Whisky e a piadinha, insistentemente lembrada no filme, é que malte é brochante, ninguém acha  leite  excitante. Não sei se são nos filmes de horror e violência, ou se é todo o cinema que as piadinhas e pegadinhas são incontornáveis. A aparência dedes personagens e desse assassino aí parece um charada do filme. Só que Alex tem seu livre arbítrio preservado, pois toma as drogas por livre escolha, portanto sem o perdão fácil que suscitaria se fosse à força, ou ministrada num complô como no caso de Milos de A Serbian Film. Mas Kubrick, crítico feroz da sociedade, também expõe um falso livre arbítrio, quando o religioso, um padre Anglicano, lamenta – Kubrick deixa a dúvida: será que lamenta mesmo?, ou este padre é um filho da puta de um manipulador escorregadio – que Alex escolha submeter-se a um tratamento para perder sua agressividade. E vê-se logo que Alex não é sincero, mas está é querendo se livrar da cadeia. O Alex de Kubrick é colocado entre a ingenuidade e o cinismo. Alex nunca é totalmente vítima. Alex gosta da violência. Alex gosta de lutar. Alex gosta imensamente de sexo e orgia. Alex gosta de música de Bethoven e traduz a violência dos acordes em violência física. Alex é sórdido e grandioso. Ao contrário, Milos de Serbian Film se apresenta como sempre como a vítima, sonha em si castrar, se culpa e destrói sua família que ele julgou culpada de tudo. Milos é um pobre diabo sem pensamento e sem prazer. No final seu suicídio e da sua mulher (que também é uma consciência culpada) e o assassinato da criança é banal e não me comoveu. Nem é vítima, com Alex foi da psiquiatria, do padre, da família, de todo o sistema, mas antes mais nada é um traste.

Torci por Alex, todas as 10 vezes que assisti ao filme, sob o som da arrasador da nona sinfonia. Não me lembro de qualquer música de Serbian Film. E na vida real os bombardeios no Iraque eram feitos sob o som de rock pesado. A arte, a vida, a política: a estética é politizada, a política estetizada. Havia um jogo chamado War, falava-se em jogos de guerra, em games, quando do Iraque.

Em 1988 quando assisti a este filme não tinha dúvida que esta era a mulher mais bonita e tesuda do mundo. E que deveria assistir a todos os filmes de Alan Parker. Nunca mais assisti a qualquer filme dele e nunca mais vi uma cena de Lisa Bonet. Mas também jamais esqueci, ou melhor, lembrei-me quase todos os dias. E continuo fugindo deste poder dominador da imagem, principalmente da imagem cinematográfica ditatorial, acachapante. A Serbian Filme é um filme, neste ponto de vista, inofensivo. Nenhum personagem meu deu tesão ou empatia.
Outro medo é de lembrar dele mais do que o impacto que causou em mim, já que escrevo sobre ele, e este elemento da cultura, escrever ou falar sobre, imprime uma falsa lembrança. Uma lembrança de gabinete. Lisa Bonet parece cinzelada no corpo. Só hoje sei que chama Lisa Bonett.

Há ainda rituais religiosos com derramamento de sangue e vítimas. Há ainda. Mesmo reprimidos continuam existindo. Me pergunto se este cinema de violência, assim como os games para crianças, não encenam estes sacrifícios? Assim como os contos de fadas introduzem as crianças na violência e no sexo, de maneira sub-reptícia ; outros. como Chapeuzinho Vermelho, bem claramente. Estas encenações não aplacam, talvez, a sede de sangue?

Dizem que o quadro é de má qualidade técnica. [ver link 12]. Vendo reproduções da mesma fase azul não consegui ver qualquer diferença técnica. E não acredito que Picasso o escondeu por 28 anos por motivos de insuficiência técnica. Nem os tantos outros anos que ficou escondido.

Alex, em Laranja Mecânica,  é a melhor pessoa do filme. Todos são muito mais sórdidos na sua vidinha comum e horrorosa. As pessoas comuns a idiotia e a covardia repulsiva. Os psiquiatras a violência e a droga para domar e castrar. Políticos de esquerda e de direita manipulam e torturam Alex para torná-lo dócil e usá-lo. Policias e ex-amigos de gangues viram policias para torturarem-no. O escritor, o inelectual, cuja mulher foi estuprada e morta por Alex se tem quase um orgasmo em imaginar a tortura que planeja e executa ministrando drogas na refeição de oferece a Alex. Piedade e tortura se misturam o tempo todo. E Alex se humaniza diante de tanta podridão. Fala-se que é um filme fascista. Talvez seja o fascismo que está em todos nós então, mas, em algum momento da vida, ou em muitos, sonhamos ser, nem que seja por um momento, um furioso Alex.
A Serbian Film, tem algumas citações de Laranja Mecânica. Quando um escultura é usada para esmagar a cabeça da vítima. Nos dois casos não há um esmagamento explícito, mas sugerido.
Quanto ao incesto que Milos comete sob efeito de Viagra para cavalo – outra piadinha – há no cinema hollywoodiano, em Coração Satânico, de Allan Parker, com prazer e erotismo, sob o subterfúgio de se dar sob possessão demoníaca. Parece que a questão é com que maestria ou felicidade cada diretor encontrou sua maneira de mostrar.Assim como a pedofilia que o argumento para proibir o filme. Ela, por exemplo, é mostrada com sinal invertido, mulheres com garotos, e aí não é nem tão chocante, nem há pedidos de proibição. Podemos ver isso, tanto em Picasso ou no Amor Estranho Amor, protagonizado por Xuxa, a rainha dos baixinhos.

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Uma desculpa para proibir o filme foi que é de má qualidade [ver link 08]. Com esta desculpa poderia proibir quase tudo feito em Hollywood,  na Índia ou na Rede Globo.

Me lembrei  bastante de Laranja Mecânica, por ser um filme que me marcou.  Também o diretor de A Serbian Film, Srđan Spasojević,  faz várias referênias e citações do filme de Stanley kubrick.  Kubrick abordava a violência, mas sem moralismos e complexo de culpa. Qualquer um de nós foi ou queria ser, em algum momento, Alex. Já Milos, de Serbian Film, é um pobre diabo, um traste. Ele se julga assim e é. É um joguete que não consegue nem refletir nem lutar.

Esse cartaz me fez lembrar, imediatamente, de o Iluminado de Stanley kubrick, onde não havia droga, mas a loucura do cotidiano e da banalidade. O mal é a banalide.

Homossexuais enforcados em praça pública no Irã. Parece desfocado isso aqui. Mas não há sexo e violência sem deus. E A Serbian Filme não aborda isso. Mesmo as humilhações e torturas em Guantánamo eram feitas em nome da democracia e do cristianismo.

Jeová pede que Jacó sacrifique seu filho único. Isaac sobreviveu para encher a cultura judaica e cristã de neurose. Como discutiu Dostoiévski, um condenado a fuzilamento que foi apenas encenado, narrando que carregou esta tortura pelo resto da vida.

“Sem sangue não há amor”, do Amor Cristão, de Marcelino Freire
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Ainda comparando com Laranja Mecânica. Há a música de Bethoven[trilha sonora,[ ver link 14]. Muitas vezes a música conduz o filme. O cinema, quase sempre, usou a música como um elemento narrativo. Não ouvi isto em A Servian Film.  Há coreografia, figurino e dança em Laranja Mecânica. Há solidariedade e traição. Em a Serbian Film quando o irmão trai não há qualquer grande choque. Como se a traição fizessem parte desta banalidade da vida comezinha. A Serbian Film, muitas vezes, é moralista, mas sempre muito pobre. Não a a grandeza escancarada e ridícula de um Nelson Rodrigues. E também muito maniqueísta. A droga é usada para o mal, uso que Alex e sua Gang faz, mas é também usada para “bem”, para corrigir Alex, e Kubrick faz-nos ver como, a droga na mão dos poderosos pode ser o supremo mal. E nos coloca do lado de Alex contra o poder. Em Laranja Mecânica há sexo e prazer. Em Serbian Film há violência. Não fica nunca evidente se algum personagem sente algum prazer com o que está acontecendo na tela. A não ser que alguém acredite que ejaculação é sinônimo de prazer.

Em O Erotismo, George Bataille registra que o público, masculino claro, ejaculava nos enforcamentos. Dele é a frase: “Deus, sexo e violência são intercambiáveis”

Se houver alguma aposta do diretor é que a platéia, mais violenta que os personagens, vá sentir prazer.
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Alex tem vivo prazer com o que faz. Alex só tenta mudar por puro oportunismo, para escapar da punição. No final de Laranja Mecânica parece recobrar sua humanidade contraditória e prazeroso.

Poderia se dizer que não dá para comparar pois Laranja Mecânica não é um filme pornográfico. O mesmo se pode dizer de A Serbian Film que é mesmo um filme sobre ator do cinema pornográfico, e que vai fazer um filme sobre violência, sob efeito de uma droga poderosa, sem qualquer controle sobre sua vida. Alex também usa droga, mas como os comuns dos mortais. Faz crimes porque os humanos fazem crime, não parece que a droga explique e o absolva. E é pego porque cometeu erros e foi traído. Milos é o erro. É antes um robô, um puro joguete, pois a droga que o conduz, totalmente, inescapavelmente.

O que há de mentiroso no filme é que o diretor parece dizer que só alguns Milos cometeriam tais desatinos, sob efeito destas drogas. Mas ele e todo mundo que gosta ou odeia o filme sabe que não. Que o crime, a violência, a dominação são  a droga mais dominadora que existem. E que os assassinos estão no poder. E que no limite mais baixo, os assassinos tem poder. E que os deuses sempre quiseram sangue, dos deus primevos da Grécia a Jeová.  E que os deuses curraram as virgens, de Zeus a Jeová. Em nome deles foram destruídos homens e nações. Não dá para falar de sexo e violência sem falar de deus.  Uma das grandezas de Laranja Mecânica é o padre bondoso, cuidadoso e, ninguém sabe?!, cínico, aliado do sistema de punição. Milos, o joguete, o menos culpado – e ao final já não mais drogado, aplica a pena de morte nele, na sua mulher (culpada de ganância, já que sóbria) e seu pobre filho. Alex escolhe vida, Milos a morte e o assassinato.
Não achei um mau filme. Acho que pode ser um filme bem feito sobre um homem/robô, levado a total inconsciência. E quando consciente, ao desatino. Mas quando eu quiser refletir, usando um filme, acho que vou assistir pela undécima vez Laranja Mecânica que retrata a humanidade como ela é: multifacetada e perigosa.b

E também se me der na telha assisto novamente A Serbian Film que  agora foi liberado, depois de um ano apreendido. Um ano, quando a justiça tinha estipulado 30 dias para o veredito. Acho até que vou assisti-lo na tela grande, ou seja, ver cinema é no cinema.

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links

01. Justiça está certa, sim, ao proibir filme escabroso.[Ricardo Kotcho apoia a proibição do filme (sem assisti-lo) ]
02. Depois da Caixa e do Ministério da Justiça, agora é o MPF e a Justiça Federal que censuram “A Serbian Film”
[Tinha prazo de 30 dias para “julgar” o filme e levou um ano]
03. Como é determinada a censura de um filme?
04. Brasil censura primeiro filme após 26 anos
05. A Tortura do Medo (Michael Powell, 1960) [diz, a certa altura, que este filme homenageia Blow Up, de Antonioni]
06. A Serbian Film – Terror Sem Limites – Censura É o Melhor Marketing[“Este filme é realmente doentio, violento, polêmico, com muitas transgressões; mas “Irreversível”; “Saló ou 120 Dias de Sodoma”; “O Albergue”; “Ichi, o Assassino”; “Cannibal Holocaust”; “A Vingança de Jennifer” (o original) e muitos outros filmes também o são e tem seu público e fãs.”]
07. A Serbian Film – Censurado no Brasil? [Tem trechos de entrevistas do diretor onde diz de objetivos morais do filme .Mas não fala de estar sob efeito de droga]
08. A Serbian Film – Terror Sem Limites[ Uma crítica com argumentos cinematográficos]
09.Crítica – A Serbian Film: Terror Sem Limites Afirmo também que filmes como, por exemplo, Oldboy (2003), Martyrs (2008), Tetsuo (1989), A Invasora (2007), Audition (1999), me deixaram mais boquiabertos e intrigados do que o filme Sérvio.”]
10. Davis, Mike. Apologia dos bárbaros: ensaios contra o império Resenha de Waldir José Rampinelli

11. Picasso, Erotic Scene, Erotic Scene (known as “La Douleur”) Pablo Picasso  (Spanish, Malaga 1881–1973 Mougins, France)
12. Um Picasso “picante” que ficou guardado durante 28 anos será exibido em NY
13. Uma sedução fatal
Armas químicas e biológicas tornaram-se a “bomba atômica dos pobres”

14 . Trilha Sonora de Laranja Mecânica