Cancrópolis, Trilogia da Vadiagem, de João da Silva

14/02/2013

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
Em “Miséria n.1” João da Silva ilustra dois contos.  Gostaria de ter uma biblioteca inteira de livros ilutrados (como faz a editora 34 com os russos). Também esta espécie de Graphic Novel como essas de João da Silva. Me lembro que anos após anos fiquei encantado com o Edíficio de Will Eisner.Will Eisner, o Edifíciowill_eisner_3798
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cancrópolis

13/02/13

Trilogia da Vadiagem

A Bancária e o Vagabundo
(publicada na Revista Miséria número 1, de junho de 2009)

miséria- vagabundo 2 miséria - vagabundo - Cópia

Charles Bukowiski

Charles Bukowiski. Dele o segundo conto “plagiado” por João da Silva

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

01. Cancrópolis: Trilogia da Vadiagem

veja também em:

o monstro 02

Monstro 02. Batatasemumbigo. Adaptado do conto “Tema para São Jorge”, de Julio Cortázar.

batatasemumbigo


PASTOR DANTAS, Cancrópolis, de João da Silva

26/12/2012

pastordantas

Este personagem já é o da minha preferência. Não há vida sem perversão. Jamais um touro beijou a teta da vaca. Nem a vaca e o touro ficaram apaixonados. E o proletariado quer foder. Nem só de pão vive o homem. E a obra de arte, qualquer delas, é uma forma de sublimação dos instintos. As religiões também. Sem remorso, sem culpa, nem mesmo haveria cultura. O Pastor Dantas é um de nós. Que ela seja velho, gordo e careca também faz dele um dos nossos. Enganar, perverter, mentir é matéria da obra de arte.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

Cancrópolis, de João da Silva


O VALE DOS BUROCRATAS MORTOS, desenhos de João da Silva

17/11/2012

(com parece que há uma certa homenagem a mim, republico no dia do meu aniversário)


Aqui vai a reedição, pois Vítor conseguiu me ensinar a fazer em tamanho legível. Além do mais, estou publicando a sequência. E vale a pena a reedição por ser desenhos inéditos, oferecidos ao jornaldo porao como uma homenagem pelos seus 5 mil acessos (agora quase 5.500).

VALE DOS BUROCRATAS II
<
Desenhos de João da Silva, do coletivo Miséria e da Revista Miséria. Entre no site da Revista aqui ao lado, na lista de blogs e sites amigos.
Espero que os burocratas não tenham sossego e os lambe-cus também.

VALE DOS BUROCRATAS MORTOS NÚMERO 3

<

Proponho que leiam ou releiam o conto de Victor Judice, O ARQUIVO. Este conto, dizem, é o conto brasileiro mais publicado. 27 vezes, claro que não conta as duas vezes neste jornaleco.

No terreno fantástico da poesia recomendo A Burocracia, de Francisco de Carvalho


Holocausto 001, desenho de João da Silva….. E pensar que há pouco tempo atrás – em outro país, não no nosso, graças a Deus – prendiam, escravizavam e matavam as pessoas por causa da etnia delas…

12/11/2012

leia e veja mais em Cancrópolis.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Link

Cancrópolis, desenho de João da Silva


O ARQUIVO, de Victor Giudice

31/10/2012

O arquivo

Victor Giudice

CONTOS DA MEIA NOITE, interpretado por Antônio Abujamra, do conto de Victor Giudice, O Arquivo


curta narrado por Antônio Abujamra

No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.

joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.

Prosseguiu a luta.

Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

Respirou descompassado.

— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.

— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

O coração parava.

— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.

— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.

Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

O corpo era um monte de rugas sorridentes.

Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:

— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:

— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.

O chefe não compreendeu:

— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

A emoção impediu qualquer resposta.

joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.

João transformou-se num arquivo de metal.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………


Hora da Canção, Desenhos de João da Silva

31/10/2012

QUADRINHOS DESENHOS SÉRIES CANCRÓPOLIS PUBLICIDADE CANÇÕES CHARGES TEXTOS
19/10/12
Hora da Canção!!

carimba documento, arquiva pasta, carimba documento, arquiva pasta
faz tabela, conta estoque
faz pedido de material
mas a chefe tinha TOC
e vivia controlando a disposição dos objetos na mesa
você sabe, Transtorno Obsessivo-Compulsivo
é o nome da doença
que ela tinha

se eu punha as canetas assim

ela vinha e punha desse jeito

tudo em simetria, tudo em paralelo
mesa, papel, caneta, computador e etcétara

mas o sujeito
o funcionário
esse sujeito e funcionário que era eu
odiava o seu trabalho
e deixava tudo sempre meio torto
era um prazer meio estranho
o único prazer que tinha nessas oito horas
ver a chefe aguniada
o único prazer que tinha na repartição
pois odiava o seu trabalho
odiava o seu salário
odiava o seu trabalho
odiava o seu salário

carimba documento, arquiva pasta, carimba documento, arquiva pasta

(samba-canção que compuz num fim de semana em Americana, no ano de 2007, quando era funcionário burocrata fazedor de crachás no departamento de obras da universidade estadual de campinas)

Saiu novo número da Revisa Eletrônica Cancrópolis, escrita e desenhada por João da Silva. Edição completa, link abaixo.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

link

Cancrópolis, João da Silva

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………


Campus de Limeira, aos pedaços.

10/01/2011

É exagero. É. Mas um prédio de 2 anos de uso neste estado que linguagem traduziria tal descalabro? Quem acompanha este jornaldoporao sabe que no Campus de Campinas é a mesma coisa. Ar-condicionado de 600 mil reais que não funcional. Prédio novo que afunda. Janelas de um prédio inteiro, de um ano de uso, que não podem ser abertas pois caem. Ou seja, não são janelas. Prédio da Física que antes de inaugurar começou a afundar. Biblioteca do IFCH que também fora inundada, com obra abandonada. É outros prédios também abandonados por empresas que falem. Há trabalhadores que não receberam décimo terceiro salário de dois anos atrás, por conta de empresas que faliram.
Tinha prometido nem mais tocar neste assunto de tanto que é recorrente, comum, cotidiano e banal ver nosso dinheiro ser doado à empresas terceirizadas irrresponsáveis e fraudulentas. Mas agora surgiu em Limeira um blog com o intuito de denunciar o mesma festa macabra com o dinheiro público, lá em Limeira. E este pequeno texto tem o intuito de apresentar este blog LARANJAS E BIJUTERIAS. (blog que também publica os desenhos da revista Miséria e de João da Silva). ou seria PIORQUETANUMFICA?

Veja também vídeo com inundação no Campus da Unesp de Bauru

 

ARTIGOS SOBRE O MESMO ASSUNTO:

00. Inundação na Biblioteca Nacional
atinge revistas e jornais antigos

01. MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…
02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
04. AEL mais uma janela caiu (1)
05. Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada
06. FOTO Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada