Em defesa do Jornal do Porão, de seu criador e de todos nós.

04/03/2013

IDÉIAS SE COMBATEM COM IDÉIAS

Publicado em 14 de novembro de 2009.

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ARQUIVOS PÚBLICOS EM PERIGO.

Incêndio na biblioteca do IEL. Qual será o próximo? 

Republico porque por escrever e-mails defendendo o Arquivo Edgard Leuenroth me custou várias e várias admoestações, pressões, chamadas nos cantos, nas salas, para ouvir ameaças veladas, algumas explícitas, outras aos brados. Depois por falar do descalabro que era a situação da biblioteca do IFCH que inundou, torrencialmente, como foi torrencial a inundação no AEL (não foram infiltrações, nem goteiras, nem os destelhamentos atualmente constantes no AEL, mas inundação torrencial, colocando em risco memoráveis acervos. Contra o silêncio conivente dos responsáveis e sua pressão constante sobre quem ousou perguntar , onde estão e quem são os responsáveis e que medidas tomaram para que não mais aconeça. Mas aconteceu novamente no IEL.

É preciso mudar, radicalmente, a maneira de tratar os acervos e documentos da história.  Não são medidas paliativas, mas mudanças.  É preciso mudanças urgentes e centralizadas. É preciso ter um órgão central para cuidar desse patrimônio histórico, tonto do AEL, CEDAE, Centro de Memória e bibliotecas. É só fazer uma visita a cada um desses prédios para ver diferenças enormes de equipamentos, de condições para a preservação (armários, ar-condicionado, prédios, recursos técnicos) para logo se notar que a própria disparidade de tratamento expõe o problema.  Essa multidão de locais serve a uma coisa óbvia: criar diretorias, poderzinhos, chefias aos montes. É indefensável.  E os prédios não tem condições. O melhor deles, ou a pirâmide branca, concentra problemas gravíssimos: Ar-condicionado de 600 mil reais que nunca funcionou e inundou torrencialmente o arquivo, janelas que vivem caindo, telhado que destelha a qualquer tempestade de verão. Estamos falando do melhor. Não fui à Unicamp, mas garanto que se houve incêndio no biblioteca do IEL a primeira coisa que suportará é estes predinhos fuleiros, os “pinotinhos”.

É preciso de um arquivo único. Num mesmo prédio. Com diretoria única e enxuta (nada dessa proliferação de inúteis chefias). Com um tratamento que merece a memória das lutas e da culttura desse país. Nada da suntuosidade novo-rico de um tal BORA. Que um prédio para todos os arquivos tenha um andar, por exemplo, para obras raras.

É preciso de um único prédio para todos os arquivos, e até mesmos para as bibliotecas, planejado para alta-segurança (como se faz com os inúteis prédios militares no mundo todo – suponho). Ar-condicionado dimensionado por firmas de renome. E um corpo de bombeiro (com funcionários públicos concursados), com permanente treinamento, com funções de prevenção cotidianamente supervisionadas e relatadas, com um contingente que trabalhe durante 24 horas. Acho que já corremos riscos demais.

E dinheiro. Recente reportagem dava conta de que havia “restos de caixa” enormes da Fapesp e das Universidades. A Unicamp, recentemente, comprou uma fazenda. Provavelmente para sua megalomania tecnológica. Mais provavelmente para trabalhar para o agronegócio e indústrias. Com essa rendição completa ao capitalismo quem acredita que a Unicamp se preocupará com arquivos e memórias? E as chamadas ciências humanas, seus dirigentes e professores, com seu complexo de vira-latas não chiarão. Espremidos chiam baixinho, se chiarem.

O ditado popular “Bom cabrito não berra” é um difamação dos rústicos e briguentos cabritos. Talvez o lado ultra-conservador da mentalidade popular quer transformar o cabrito, tão rústico, montanhês, devoratudo, altivo, marrento, escandaloso,  num desprezível carneiro. A mesma mente que quer transformar  a luta em  colaboração cidadã.

Foram exatamente os próceres da ciências humanas, tão  admirada esquerda universitária, a tentar me calar. Mário Medeiros, aluno dessa esquerda universitária, ainda, e espero, não corrompido e não será corrompido, espero, e como dói a esperança, pelos cargos e comissões, pode e pôde, ainda, se solidarizar com o debate que , mesmo sob pressão e ameaças, continuei propondo. E continuo. Vida longo a esse meu amigo Mário Medeiros.

Escrito por Mário Martins de Lima, editor desse, em 04/03/2013

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Doutorado, Mário Medeiros

Doutorado, Mário Medeiros

Mário, leitores e colaboradores do Jornal do Porão,

Como prometi, escrevo.

Só pude fazer isso agora, com pouco mais de tempo e depois de ler as mensagens enviadas pelos outros, além das do antigo Editor/ Redator-Chefe do Jornal.

Este texto não é só um desagravo em favor de Mário Martins de Lima, meu xará, meu amigo de todos esses anos na Unicamp. É também uma tentativa de defender o livre pensar, a expressão do posicionamento perante os fatos. Coisas que nosso editor chefe sempre defendeu.

Idéias se combatem com com idéias. Contra um texto, outro texto. Contra um manifesto, outro manifesto.

O ato de acochambrar pelo poder, alcoviltar, escorchar e tomar atitudes numa relação de desigualdade (chefe-subordinado) é o elogio da estupidez. O chefe que precisa usar da força – censurar, chamar em sala, beco, alcova, colocar no canto, ameaçar, impor-se pelo cargo – demonstra que a sua suposta autoridade não possui nenhuma legitimidade, para além do cargo institucional e do medo que inspira. Respeito, então, nem se fale. É um estúpido. Uma besta com polegares. É indigno de ser chamado de intelectual, de pensador. É o ato de um delinqüente acadêmico, de homem-dispositivo, na melhor acepção que deram a esses termos Maurício Tragtenberg e Franciso Foot Hardman.

Mário Martins edita seu Jornal do Porão corajosamente. Expondo aquilo que observa, que deduz, que pensa, que conclui dos fatos quotidianos, referente à Universidade, ao seu local de trabalho, à cidade que adotou, ao país em que nasceu e aos fatos que viveu nos últimos quarenta anos de história. Ganha muito com isso. O debate com alguns interlocutores sérios e abertos lhe faz bem. Mas também ganha a violência quotidiana da censura, da ameaça, da intimidação. Ossos do ofício. Alegria e dor da atividade.

Suas opiniões, até mesmo por alguns dos leitores do seu Jornal, foram consideradas fortes, incômodas, desagradáveis ou deselegantes.

Curiosamente, a não ser pelos chefetes ilegítimos e os cidadãos delinqüentes, jamais o adjetivo mentiroso (ou seus sinônimos) foi associado às opiniões que expõe.

Ele não gosta de memórias. Presenciei, há algumas semanas, na companhia de nosso atual editor – Newtinho Peron – um momento raro: Mário Martins dando uma entrevista para dois estudantes. O tema era “Ignorância”. Pediam os dois estudantes que meu xará discutisse sobre isso. Algo que parece tão geral não o melindrou. E ele ali, numa sala do AEL que tanto defende, expôs o que pensava sobre o assunto. Tomando a idéia de ignorância como fio condutor, Mário repassou a sua origem, de como passou de trabalhador rural, cortador de cana no interior de Minas Gerais, a um dos principais líderes da greve de Campinas em 1978. De sua vinda a São Paulo com a mão na frente e outra atrás, em meados dos anos 1960 a aluno de Ciências Sociais na PUC-SP, tendo como mestre Maurício Tragtenberg. De operário que lia livros de Marx sentado nas latrinas fétidas das fábricas ao militante da Libelu e do PT. Do apreço por Freud, dos filósofos alemães, de Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Dostoiévski e toda boa Literatura que lhe caia nas mãos. De música clássica, de história do cinema, de Poesia Concreta, da paixão pela Tradução e o estudo das línguas, dos debates sobre os problemas nacionais. Do futebol, do sexo, das relações humanas, vista pela Psicanálise e pela Sociologia. E, principalmente, do silêncio dos intelectuais – o que sempre mais o incomoda e o que mais combate.

Mário Martins não gosta de memórias. Eu tomei como ofício entender as memórias alheias. Eu sempre quis que ele escrevesse as suas – coisa que ele revelou numa das edições deste Jornal. E começou a fazê-lo. Mas parou. Entretanto, quem o conhece e tem a possibilidade de trocar dedos de prosa com ele – o que não é difícil – sabe que as suas memórias perpassam os debates que ele propõe. Mas não é a memória morta, dos fatos assentados e bem organizados que o encanta. É a a vida, o eu como potência, a pulsão da vida que o faz detonar os fatos que viveu, atrelá-los com o presente e, de alguma maneira, provocar seu interlocutor. Sempre um provocador, o Mário Martins.

Com Mário Martins o debate é sempre franco, aberto, sem meandros, direto. Olho no Olho. Idéia com idéia, contra idéia outra idéia. Em voz alta, sem sussurros, sem modulação menor. Alguns dos seus interlocutores – como foi dito por leitores desse jornal – não concordam com o tom, melindram. Eu já discuti muitas vezes com meu xará. Já disse e ouvi coisas ásperas. E isso nunca me fez perder o respeito ou perder o seu respeito. Idéia com idéias, idéias contra idéias.
Gosto de memórias, ao contrário de Mário Martins. Mas, como ele, não gosto de contar as minhas. Farei aqui uma breve licença a nós dois.

Greve de 2011

Greve de 2011

Conheci meu xará na primeira greve que participei na minha vida. Era o meu primeiro ano de Unicamp, meus primeiros meses, em 2000. Houve uma manifestação, na Praça da Reitoria, em apoio a greve dos funcionários públicos. Eu fui até com alguns amigos, todos ingressantes em Ciências Sociais. Falas, debates, carro de som, alto-falantes etc. O comum nas manifestações. Ainda existia o antigo bandejão na praça, que estava lotada. As pessoas passavam, olhavam, paravam. Alguns estudantes de vários cursos estavam por ali e, como se aproximava o horário do bandejão abrir, ficavam. Debaixo de uma árvore, perto do carro de som, de camiseta e calça azul, um homem com bigode, altura mediana interpela um membro do sindicato que falava no carro de som. Ele não precisava de microfone. E o que mais me chamou atenção é que a maioria das pessoas ali o conheciam – funcionários e estudantes, alguns professores. O homem com bigode e todo vestido de azul falava alto, grosso, gesticulava muito. Em resposta, recebia o apoio de várias pessoas que estavam na Praça. Questionava de dedo em riste quem falava no carro de som. Pediram que falasse ao microfone. As idéias eram claras, diretas, distintas. Podia-se discordar delas. Causavam estranhamento em alguns. Mesmo com microfone, o homem de azul não baixou o tom de voz. Gritava. Estava indignado com o sindicato, com os funcionários, com os professores, com a reitoria, com os estudantes, com todos. Refletia, conclamava à reflexão, expunha fatos, denunciava, propunha. Recebia aplausos, jamais uma vaia. Sinais de apoio, como também sinais de desaprovação. Mas ninguém jamais correu ao microfone para lhe dizer “É mentira!” Ou o chamou de mentiroso na praça. Mesmo os interlocutores acusados de desleixo com as lutas dos trabalhadores o respeitaram. Jamais um mentiroso. Contras idéias que lhe foram lançadas, retornou com outras.

Não sei porque eu associei o homem de bigode e todo vestido de azul com o nome de Pedro. Alguns meses depois eu comecei a fazer uma pesquisa, cuja fonte material descobri que se encontrava no AEL. Fui até lá e eis que o homem de azul – acho que agora sem bigode – era o atendente do arquivo. Não tive dúvidas. “Bom dia, seu Pedro”. Cometi dois equívocos no mesmo cumprimento. Chamá-lo de senhor e trocar o nome. O primeiro ele corrigiu na hora. O segundo demorou muitas semanas para corrigir – o que serviu para muita piada ao meu respeito. Na minha primeira pesquisa, de iniciação científica, comecei e consolidei minha amizade com o meu xará. No balcão de atendimento do AEL, muitas vezes, conversamos horas em pé. Fomos tomar café na sala dos fundos ou fora do arquivo. Discutimos ásperamente. Trocamos confidências, livros, cds. Descobrimos gostos comuns e divergentes. Enfim, nos tornamos amigos. Conhecemos outros amigos, que formaram um negócio aberto chamado O Café das Cinco. Por quê o nome? Porque às 17h, cinco da tarde, acaba o expediente no AEL. E durante muitos meses, vários de nós, amigos do Mário Martins, chegamos perto do horário do aquivo fechar para tomar um café com ele. Muitas vezes, alguns dos seus chefes o censuraram por aquela concentração no balcão e na porta do arquivo. No Café das Cinco, sediado no cantina da Matemática, ficamos muitas vezes até o Marcão – dono da cantina – fechar. Fazendo o quê? Trocando idéias, debatendo idéias, compartilhando idéias, combatendo idéias, refutando idéias. Em alto e bom som. Podia parecer às vezes que estávamos até brigando. E quem sabe estivéssemos? Mas ali todos se respeitavam por suas idéias, pela defesa dos seus argumentos. Ali não era lugar de mentiras, de ficar em silêncio, de sussurrar, ameaçar, melindrar. Olho no olho, cara a cara. Idéia com idéia. Contra idéia, outra idéia. Futebol, literatura, sociologia, política, sexo, homossexualismo, família, paternidade, maternidade, cinema, música, dança, pesquisas, greves, memórias, textos (nossos)… tudo discutimos ali. Trocamos livros, impressões, discos. Várias monografias, dissertações, teses e livros agradecem o Café das Cinco e seus membros. E, especialmente, Mário Martins de Lima. O Bigode. O Homem de Azul. O Bartleby Falante (ver Hermam Mellville). O Velho Safado (ver Charles Bukowiski). O Porteiro do AEL. O xará. O Mário.

Francamente. Diretamente. Prá valer, como tem que ser.

Acho que está bom essas duas memórias.

Escrevi no começo que este texto é um desagravo em favor do Mário Martins de Lima, meu xará e meu amigo.

É também uma defesa do Jornal do Porão, este espaço democrático que o Mário criou para poder expor suas e nossas idéias.

Mas é também uma defesa daquilo que tem pautado as relações e ações do Mário, das quais muitas pude estar presente e observar.

IDÉIAS COM IDÉIAS, CONTRA IDÉIAS, OUTRAS IDÉIAS. CONTRA UM TEXTO, OUTRO TEXTO. FRANCAMENTE. DIRETAMENTE. DEMOCRATICAMENTE.

Mário Augusto Medeiros da Silva

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links

01.Biblioteca do Iel na Unicamp é atingida por incêndio

02. Incêndio atinge prédio da biblioteca do Instituto de Letras da Unicamp

03. nota da Unicamp (sobre o incêndio)
04. Fotos dos Estragos na Biblioteca IEL Unicamp
05. Incêndio na biblioteca pública Luis Bessa, Belo Horizonte
06.Fogo destruiu interior de casa que foi moradia de poeta Castro Alves.
07 Presença de dois vigias minimizam o incêndio na Biblioteca Luis Bessa, projetada por Oscar Niemayer
08.Chuva inunda sala de obras raras de biblioteca da UFRJ Alba Valéria Mendonça, O Globo, 3 de dezembro, 2003 (com obras raras)
09.Chuvas inundam arquivos do Instituto Micael, Peruíbe
10.A privataria arruina a Biblioteca Nacional, Elio Gaspari


JORNAL DO PORÃO N. 4, 10 de dezembro de 2009

04/05/2012

O povo carioca perdeu hontem com a morte de Noel Rosa, um dos interpretes mais perfeitos da sua poesia.
Poeta instinctivo, observador profundo da vida das populações pauperrimas da cidade, Noel Rosa, compreendeu, logo no inicio de sua vida de homem a necessidade que havia de realçar-se a lidima poesia popular da terra, a despeito de toda a miseria que assoberbava o modo de viver das populações dos bairros mais afastados da cidade.”
http://musicabrasileira.org/noelrosa/ veja matérias neste endereço.
“Diário Carioca, 6 de maio de 1937

NOEL ROSA MORREU A 4 DE MAIO DE 1937 e morre todos os dias nas mãos dos nossos políticos.
Esta é a página mais lida do Jornal do Porão. Quando lançada, em 10 de dezembro de 2009, teve 119 leitores. Suponho, felizmente, que foi devido a Noel Rosa. Infelizmente a pracita continua lá com seu nome e ninguém mais se lembrou de protestar e dar um nome a uma grande praça, onde vá muita gente, tipo a praça da paz em Campinas, ao lado do parque Portugal (ou lagoa do taquaral, como é conhecido). Ali bem que podia chamar Praça Noel Rosa. Lembrei-me disso, quando vi a Praça da Paz lotada para ouvir Paulinho da Viola e, em outros shows, lotados para ouvir músicos brasileiros.

Mas o mais apropriado é que tivesse um grande centro cultural, de cultura popular, com o nome deste grande compositor. Por exemplo, a tal “estação cultura”.

E para terminar esta introdução desta reedição, no dia do aniversário de morte de Grande Compositor Noel Rosa, fica aqui a lembrança de uma dívida que tenho, escrever neste jornal um protesto pelo nome de TIM MAIA que foi dado a uma outra pracinha, tão minúscula que nem caberia TIM MAIA deitado numa rede. Parece que nossos políticos se lembram dos nossos ídolos populares para humilhá-los!

14 de setembro de 2009

PRAÇA NOEL ROSA PRAÇA DOS TRABALHADORES PRAÇA CHICO MENDES

 

Praça Noel Rosa

1 . NOEL ROSA foi um gênio da música popular brasileira. Talvez o primeiro gênio da música brasileira realmente popular. O samba de Donga, “Pelo Telefone”,[clique para Donga e Chico Buarque de Hollanda] dito o primeiro samba, já era de protesto; mas foi Noel Rosa a praticar o samba de protesto sistematicamente e, sempre, com humor. Humor mesmo no testamento que foi “O Último desejo”, onde a despedida da vida, a dor de cotovelo, era mero pretexto para o humor. Noel Rosa foi cronista do rio de janeiro, em “Com que Roupa”,[clique aqui para ouvir na voz de Noel] glosando o português aproveitador ; ou no carnaval, protestando, bem humoradamente, que o guarda noturno não recebia seu salário, em “O orvalho vem caindo”.[transcrevo as letras no pé da página – pena que sem som]. Noel Rosa foi o precursor de quase tudo que aconteceu na música popular brasileira. Na maneira de escrever versos não pomposos; ou na maneira cantar, pois seus dois intérpretes preferidos eram Mário Reis e Aracy de Almeida que cantavam quase falando (já que a nova técnica de gravações elétricas permitia que se cantasse sem o tal dó de peito). Noel Rosa, depois de esquecido e massacrado pelos boleros, sambas canções e música sertaneja das décadas de 40, 50 e 60, ressurgirá na Bossa Nova e impregnará toda a música popular brasileira da década de 70. E sua alegria não foi superada. E sua crítica bem humorada também é insuperável.

Acho que foi o tal inimigo cantado no “ O Último desejo” que deu no nome de Noel Rosa para esta rotatoriazinha, para este balãozinho no Castelo, perto da Telefônica [veja as fotos].

Praça Chico Mendes

2. CHICO MENDES

[clique para ver 65 anos de Chico Mendes] e

[clique para reportagem sobre Xapuri]

[clique aqui para vídeo herança de Chico Mendes]

[CLIQUE AQUI Jornal Inglês The Guardian – 20 anos da morte de Chico Mendes – Herói de todos os povos]

[clique aqui fotos de Chico Mendes e música de Los Porangas]

[clique aqui para vários vídeos sobre chico Mendes ]

[clique para longo documentário da TV Câmara – Cartas da Floresta – 20 anos da morte de Chico Mendes]

[Michael Jackson EARTH SONG]

parece que vai voltar à moda na próxima campanha eleitoral. Noel com certeza não, neste caso, felizmente. Já pensou os políticos usando o samba de Noel para ganhar voto? Mas Chico Mendes vai voltar. A Marina Silva em cujo período ministerial foi o momento em que mais se destruiu a floresta amazônica[clique e veja reprtagem do The Guardian] deve montar sua campanha em cima da história que compartilhou com Chico Mendes lá nos idos de 70/80. E foi a defesa da floresta que consagrou e levou Chico Mendes à morte. E é a destruição da floresta amazônica que marca a trajetória atual de infeliz ex-ministra do Meio Ambiente e colega de partido do filho de Sarney, do desenfeliz Zequinha Sarney, que também foi ministro do meio ambiente e em cujo período no ministério a devastação da Amazônia continuou na mesma batida.

Mas nossos heróis, ignorados pelo povo, servem para estes políticos cretinos fazerem campanha… ou…

dar nome a uma pracinha insignificante na periferia da nossa cidade. E foi no governo de Jocó Bittar que esta pracinha, um depósito de lixo, sofá velhos, resíduos vários, ganhou o nome de Chico Mendes. E hoje, nem mais ostenta (ou avacalhava) o nome de Chico Mendes. Melhor assim. Melhor não ter praça nenhuma com seu nome do que isso aí.

Praça dos Trabalhadores

3. PRAÇA DOS TRABALHADORES. Parece que campinas é um pólo industrial. Trabalhador é o que não falta por aqui. E já tivemos para governos municipais que fazem campanha eleitoral falando de trabalhadores. Tivemos inclusive dois prefeitos eleitos pelo Partido dos Trabalhadores e temos agora o prefeito do Partido Democrático Trabalhista, cujo vice é do Partido dos Trabalhadores.

E temos em campinas a PRAÇA DOS TRABALHADORES que também é PRAÇA DO TRABALHADOR, um nome mais de acordo, pois nesta praça não deve caber muito deles juntos. Um comício de partido nem se fala. A Praça dos Trabalhadores, na verdade, é uma ponte da Barão de Itapura sobre a Delfino Cintra.

Estas três historinhas reais demonstram que nossos dirigentes tratam nossos heróis. Estas pracinhas (essas fotos) falam tudo sobre o caráter destes políticos que dirigem e dirigiram nossa cidade. Não precisava mais do que estas fotos para sabermos quem são estes políticos que falam em trabalhadores, em cultura ou em liberdade.

Toda manhã eu passo na Praça Noel Rosa e sempre exclamo a mesma frase: estes políticos são uns canalhas. Quando passo na ex-Praça Chico Mendes, lá pertinho de casa, exclamo, estes políticos são uns oportunistas safados. Quando passo , e há mais de 20 anos me enfureço passando por lá ; e durante 10 anos que trabalhei na Andrade Neves, no Projeto Rondon, passei pela Praça dos Trabalhadores, todos os dias, às vezes duas vezes ao dia, dez anos seguidos.

Nunca consegui me conformar com o acinte, com o cinismo e pouco caso destes políticos que falam em nome dos trabalhadores, da cultura ou do progresso. O Discurso deles é lixo puro, mais lixo do que o que infesta a antiga Praça Chico Mendes. As eleições se aproximam e vamos ter que suportar uma quantidade de discurso/lixo e de sentimentalismo sobre os trabalhadores. Mas estas praças (e que praças!!!), demonstram ,concretamente , sem palavras, o quanto são vazios (ou cheios de….) os discursos e as cabeças dos políticos desses partidos.

A UNICAMP CASSA PAULO FREIRE, MAS PAULO VIVE!

Quando recebi a Moção da Congregação, votada por unanimidade, apoiando a mudança do nome do Rodovia Milton Tavares, respondi com o email abaixo. Dizendo que Zeferino Vaz, apesar de não ser um homem típico da Ditadura Militar, como este general, foi um testa de ferro de Ademar de Barros, apoiador de primeira hora do golpe de Estado de 1964. Isso porque não podemos esquecer que o golpe militar de 1964, foi um golpe civil militar. Os civis foram fundamentais para organizar o golpe. Foi Ademar de Barros, Lacerda e Magalhães Pinto os grandes organizadores deste golpe. E como falamos sempre em Ditadura Militar, esquecemos que os governadores civis foram os grandes organizadores e depois avalistas do golpe. E sonhava que a rodovia, num futuro menos covarde, chamaria RODOVIA PAULO FREIRE.

Mas parece que na Unicamp, nossos dirigentes, os chamados intelectuais não prezam muito a memória não. Ou fazem dela uma coisa de circunstância, mas ou menos manejável conforme os interesses do momento. Acabei de saber que a nossa Biblioteca Central, que homenageava o grande educador Paulo Freire mudou de nome. O novo nome seria Milton da Costa, grande matemático e lógico que, como parece, merece ter seu nome em qualquer espaço da Unicamp. Mas para que cassar novamente Paulo Freire? Porque pisar em Paulo Freire novamente como fizeram quando ele foi o mais votado e Maluf (o nefasto Maluf) escolheu Pinotti, o décimo quarto? Porque, por exemplo, não colocar o nome de Milton da Costa no prédio do Instituto de Matemática? Porque não deixam Paulo Freire em paz e com seu honrado nome, honrando nossa biblioteca central?

Tenho medo que daqui a pouco mudem o nome do Arquivo Edgar Leunroth, um anarquista da pesada, para um patrono qualquer… Ou que a biblioteca da Faculdade de Educação que homenageia o maravilhoso professor Maurício Tragtemberg, mude de nome, de uma hora para outra, sem mais nem menos… Mesmo porque o professor Maurício Tragtemberg não poupou os chamados intelectuais no seu conhecido texto “A Delinquência Acadêmica”; cujo o título quase dispensa texto. Porque Paulo Freire, Maurício Tragtemberg, Edgar Leurenroth não morreram e nem morrem, pois vão realmente educar as novas gerações, se tivermos algo que presta nas novas gerações.

Parece que políticos e burocratas querem matar as nossas mais caras lembranças!

Passou da hora. Que tal mudar o nome dos bairros 31 de março e Castelo Branco? E outros lixos. Boa iniciativa. Apenas preferia que esta Estrada chamasse Paulo Freire. Ele faz parte da história de um outra Unicamp. Paulo Freire foi o mais votado na primeira escolha para reitor depois da morte de Zeferino. No entanto foi escolhido o 14 colocado, o Dr. Pinotti, cuja dinastia manda na Unicamp desde então. Emais. Maluf, onefasto governador, neste período, impôs interventores na Universidade. Que foram rechaçados. Desta história que me reivindico. Viva Paulo Freire, oprimeiro Reitor de uma Unicamp que poderia ter sido, mas não foi. Viva Paulo Freire um educador. Equanto a Zeferino, apesar do áulico livro que saiu sobre ele, não esqueçamos, foi um pupilo de Ademar de Barros, aquele mesmo do “roubo, mas faço” e um dos primeiros governadores a apoiar o Golpe de Estado e mais: foi um dos articuladores junto com Magalhães Pinto , de Minas Gerais e Carlos Lacerta, ocorvo, governador da Guanabara do golpe militar, chamado de movimento por eles de movimento civil/militar.

Mário

Sent: Thursday, September 03, 2009 5:59 PM
Subject: MOÇÃO DA CONGREGAÇÃO DO IFCH

Prezados funcionários do CPD,

solicito que a msg abaixo seja enviada à lista de funcionários e deestudantes; atenciosamente,

caio toledo

Caros funcionários e estudantes do IFCH,

por sua relevância, informo que, ontem, por unanimidade, a Congregação do IFCH aprovou MOÇÃO que manifesta seu apoio ao projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa do estado de São Paulo que objetiva mudar o nome da Rodovia 332 próxima a Unicamp. Caso se transforme em lei, a Rodovia deixará de homenagear um “herói” da ditadura militar. O nome do general Milton Tavares de Souza conhecido pela odiosa alcunha de “Milton Caveirinha” deixará de estar nas placas ao longo da rodovia, sendo substituído pelo do PROFESSOR ZEFERINO VAZ.

Uma inestimável vitória no plano simbólico na luta pela eliminação dos extensos vestígios da ditadura militar ainda existentes em nossos logradouros públicos.

sds,

caio

Ifchfuncionariosl mailing list Ifchfuncionariosl@listas.unicamp.br https://www.listas.unicamp.br/mailman/listinfo/ifchfuncionariosl

Último Desejo

Composição: Noel Rosa [clique aqui para interpretação de Rildo Hora e Maysa]
[no filme sobre Noel Rosa] [Cristina Buarque – “Último desejo”, de Noel Rosa]
Nosso amor que eu não esqueço, e que teve
o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você
lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você
me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não
presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim


Com Que Roupa?

Composição: Noel Rosa [clique para vídeo com voz de Noel Rosa]

Agora vou mudar minha conduta, eu vou pra luta
pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bru… .ta, pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Agora, eu não ando mais fagueiro, pois o dinheiro não
é fácil de ganhar.
Mesmo eu sendo um cabra trapacei…..ro, não consigo ter nem pra gastar.Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo, pra ver se escapo
desta praga de urubu.
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar
ficando nu.
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você
me convidou?


(Carnaval de 1934)

Noel Rosa e Kid Pepe

O orvalho vem caindo
Vai molhar o meu chapéu
E também vão sumindo
As estrelas lá no céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é o vasto céu de anil
E o meu despertador
É o guardacivil
Que o salário ainda não viu
A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar
Quem descasque por mim
Vivo triste mesmo assim
A minha sopa não tem osso nem tem sal
Se um dia passo bem,Dois e três passo mal
Isto é muito natural
O meu chapéu vai de mal para pior
E o meu terno pertenceu
A um defunto maior
Dez tostões no belchior

[clique aqui para vários vídeos com músicas de Noel Rosa]

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Mas o prédio novo e pomposo do laboratório da Física está afundando

23/04/2010

A UNICAMP QUE AFUNDA NAS MÃOS DAS EMPRESAS TERCEIRIZADAS.

Você não acredita nisso. Mas o prédio novo e pomposo do laboratório do Instituto de Física está afundando. Vá lá ver ou olhe as fotos aqui. Como podem ver nas fotos, vão fazer nove pilotes para tentar sustentar o prédio. Chegamos, com as empresas terceirizadas, à arquitetura das “palafitas”.

Parece incrível o Instituto de Física expunha restos de laboratório, confessadamente contaminados, a céu aberto. É de uma banalidade inenarrável escrever aqui que poderia contaminar qualquer incauto ou que não soubesse ler. Expunha, pois este blog serve para alguma coisa, pois um dia após estas fotos eles retiraram os restos contaminados. Ou foi uma coincidência. Não podem nem negar ignorância, pois estava escrito nas caixas, mais ou menos visível, os perigos.

Bom seria se acontecesse o mesmo com o alojamento das trabalhadoras terceirizadas, do outro lado da rua, no Instituto de Química. Alojamento até, surpreendentemente, bem aparentado. Só que do lado de um laboratório e de um, acreditem, olhem na foto, do lado inflamáveis. E do lado dos inflamáveis ficam alojamento, banheiro e refeitório, dos operários das empresas terceirizadas que tentam impedir que o prédio do laboratório da Física afunde. Será de mau gosto escrever aqui que o refeitório destes operários, um muquifo, fica contíguo, separado por tábuas, a um banheiro. Seria de mau tom, de gosto duvidoso, coisa de ex-peão, escrever aqui que eles comem perto da bosta. E que é o que, por certo, tem na cabeça dos nossos dirigentes que permitem isso!

Perguntas que o Jornal do Porão sabe que ficarão sem respostas. Quem é responsável por tais descalabros? Quem foi responsabilizado até hoje? Quem pagará os prejuísos?

Ou perguntas mais simplesinhas que também ficarão sem respostas. Mesmo porque vivemos num ambiente acadêmico sui generis, onde quase ninguém faz perguntas e menos gente ainda tem respostas. E a biblioteca do Instituto de Biologia tantos anos parada? Ou e o prédio das Geociências que parece que já comemora alguma boda? E o aranzel que é o prédio dos núcleos do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas?

Os professores do IFCH escreveram ao Reitor, constatando que o “IFCH agoniza”, que “está em estado de emergência”. Um dia vão descobrir que na Unicamp as empresas terceirizadas, além de super-explorar a mão-de-obra, levam dinheiro DO público, o chamado impropriamente de dinheiro público, para instaurar a má qualidade, o desperdício, o desmazelo e o desmantelo do patrimônio público. E ainda tem um montão de burocratas, ricamente pagos, para gestar este descalabro.

Este Blog espera reações indignadas dos leitores.
Acompanhe a luta contra as empresas terceirizadas que danam e dominam a Unicamp, neste blog, no jornal e blog do CACH, ou nas páginas dos materiais de LER-QI, que faz uma campanha nacional, principalmente na USP, contra as terceirizações e precarização do trabalho.

Aqui um album de fotos da entrega da Carta contra as terceirizações para a Diretoria do IFCH, cobrando que se pronuciem, já que o IFCH é um dos grandes atingidos pelos contratos feitos pela reitoria que lesam o interesse do IFCH, como disse certa vez o vice-diretor.


quem está vivo e quem está morto

07/04/2010


No Maranhão, propriedade particular de José Sarney, ou José Ribamar, que adotou Sir Ney, com pronúncia da inglaterra, para homenagear o capataz da fazenda onde o pai dele trabalhava (a subserviência, a tacanhez até no nome); José Sarney é nome de ponte, viaduto, rua e avenida. Assim também na Bahia, antigo feudo do coronel da mídia Antônio Carlos Magalhães. A moda parece que chegou até a Unicamp. O manchete podia ser também O PT E O NOVO CORONELISMO ACADÊMICO (sindical também).

PS. Faça parte da lista de e-mails do jornal do Porão, mariomartinsdelima53@gmail.com


cuba 50 anos da revolução

06/04/2010


Fotos (mal)feitas a partir do Jornal Gramma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano. Mostra o que o trabalhador cubano pôde fazer de uma bicleta um meio de transporte coletivo e de sua revolução em 1959 um despertar para toda América Latina. Hoje cercada pelo embargo dos EUA, cada vez mais isolada, mesmo no pensamento dos partidos de esquerda, burocratizada, mas mesmo assim merece ser defendida pelo que significa na luta contra o imperialismo e pelo socialismo. Assim como defendemos um sindicato invadido pela polícia, mesmo que dirigido por uma burocracia anti-operária, corporativista e até mesmo de direita; da mesma forma não pode haver dúvida que devemos defender o que resta de propriedade estatal em Cuba, apesar da burocracia cubana, autoritária e contra-revolucionária. Defendemos apesar dos pelegos e apesar da burocracia.
Vi, pena que não anotei, nem tinha meios de fotografar ou gravar, um documentário onde um trabalhador vietinamita pedalava com três porcos vivos, amarrados na sua bicicleta. Gravou na minha mente quase a fogo, pois vietcong, como eram chamados os vietnamitas pelos estadunidenses invasores, queria dizer, pelo menos é o que diziam no início da década de 70, porcos do vietnã. E, com certeza, eram como os invadores estadunidenses e os traidores chamavam os guerrilheiros. Não devia ser um elogio.

PS. Quem quiser ser comunicado, via e-mail, por novos textos postados, contate-nos pelo e-mail mariomartinsdelima53@gmail.com e será acrescentado(a) na lista Jornal do Porão.


Um relatório para a Academia, de LUIZ FELIPE PONDÉ

27/02/2010

LUIZ FELIPE PONDÉ

Um relatório para a Academia

——————————————————————–
Cálculos para garantia do emprego ocupam o tempo da classe
acadêmica
——————————————————————–

CLÓVIS ROSSI pergunta em sua coluna do dia 8 de setembro, página

Pondé

A2,
se no Brasil vivemos algo como o que acontece na vida universitária
da Espanha hoje: desinteresse dos alunos e asfixia burocrática dos
professores. Sim, há semelhanças.
Nos anos 50, o filósofo norte-americano Russel Kirk descrevia um
fenômeno interessante nas universidades americanas.
A partir do momento em que a vida acadêmica se tornou objetivo da
“classe média”, gente sem posses, a vida universitária entrou em
agonia porque a proletarização dos acadêmicos se tornou inevitável.

Dar aula numa universidade passou a ter algum significado de
ascensão social. A partir de então o carreirismo necessariamente
assolaria a academia, assim como assola qualquer emprego.
Cálculos estratégicos para garantia do emprego passaram a ocupar o
tempo da classe acadêmica. E muita gente que vai dar aulas na
universidade não é tão brilhante assim ou tão interessada em
conhecimento.

O cálculo estratégico hoje passa pelo número de alunos que implica

Pondé

uma redução ou não de aulas e orientações de teses.
Ou mesmo nas públicas, onde você está mais protegido da
proletarização imediata, uma verba maior ou menor para seu projeto e
mais ou menos discípulos causarão impacto na renda final e na imagem
pública.

Daí o desenvolvimento em nós de um espírito selvagem: o
corporativismo em detrimento do ensino ou o ethos de gangues em meio
à retórica da qualidade.

Muitas pessoas (alunos e professores) buscam a universidade não para
“conhecer” o mundo, mas sim “para transformá-lo” ou ascender
socialmente.

E aqui, revolucionários (“criando o mundo que eles acham melhor”) e
burgueses (interessados em aprender informática para “melhorarem de
vida”) se dão as mãos.

Este pode ser mais individualista do que o outro, mas ambos fazem da
universidade uma tenda de utilidades.
Para mim não faz muita diferença, para a banalização da
universidade, se você quer formar gestores de negócios ou gestores
de favelas. Nenhum dos dois está interessado em “conhecer” o mundo,
mas sim “transformá-lo”.

ETHOS DE GANGUES

É claro que nos gestores de favelas o espírito selvagem pode
funcionar tão bem quanto entre os gestores de negócios. A obrigação
da universidade em produzir “conhecimento de impacto social” é tão
instrumental quanto produzir especialistas na última versão do
Windows.

Pondé

O utilitarismo quase sempre ama a mediocridade intelectual. Falemos
a verdade: a mediocridade funciona.
Ela gera lealdades, produz resultados em massa, convive bem com a
estatística, evita grandes ideias. Enfim, caminha bem entre pessoas
acuadas pela demanda de sobreviver.

A instrumentalização é quase sempre outro nome para utilitarismo.
I

sso não quer dizer que devamos excluir da universidade as almas que
querem ser gestores de negócios ou gestores de favelas -elas é que
excluem todo o resto.

Precisamos dos dois tipos de almas, e cá entre nós, acho que os
gestores de favelas são moralmente mais perigosos do que os gestores
de negócios. Como todos nós, ambos irão para o inferno, a diferença
é que os gestores de favelas acham que não.

E a asfixia burocrática? Ahhh, a asfixia burocrática! Esta contamina
tudo e em nome da democratização da produção e da produtividade da
produção.

A burocracia na universidade nasce, como toda burocracia, da
necessidade de organização, controle, avaliação.

Não é um sintoma externo a busca de aperfeiçoamento do sistema, é
parte intrínseca ao sistema. A pressão pela produtividade
proletariza tanto quanto a pressão pela carreira.

Soa absurdo, caro leitor? Quer mais?

Em nome da transparência da produção, atolamos esses indivíduos de
classe média na burocracia da transparência e do acesso à produção
universitária.

Enfim, a “produção” asfixia a universidade em nome de uma
“universidade mais produtiva, democrática e transparente em sua
produtividade”. Estamos sim falando da passagem da universidade a
banal categoria de indústria de conhecimento aplicado, e sob as
palmas bobas de quem quer “fazer o mundo melhor”. Tudo bem que
queira, mas reconheça sua participação na comédia.
Kafka, em seu conto “Um Relatório para a Academia”, já colocava um
ex-macaco, recém-homem, fazendo um relatório para os acadêmicos.
Ali ele já suspeitava que a academia continha algo de circo ou show
de variedades. Hoje sabemos que isto já aconteceu.

ponde.folha@uol.com.br
São Paulo, segunda-feira, 14 de setembro de 2009



CONCEITOS RETIRADOS DOS TEXTOS ABAIXO, CUJO TÍTULO E CONTEÚDO DO ORIGINAL SÃO MANTIDOS AO CLICAR NOS LINKS.

1. DELINQUÊNCIA ACADÊMICA, de Maurício Tragtemberg

2. BAGRINHOS, do texto de Alfredo Marques

3. HOMEM-DISPOSITIVO, do texto de Francisco Foot Hardman

4. FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, do texto de Marilena Chauí

5. ETHOS DE GANGUE, do texto de Luiz Felipe Pondé

6. MIKE BONGIORNO, do ensaio de Umberto Eco

7. CASTA DOS INTOCÁVEIS, da entrevista de Chico de Oliveira


quem são os homens dispositivos, professores e burocratas? leia o texto do Prof. Francisco Foot Hardman

27/02/2010

O HOMEM DISPOSITIVO, de Francisco Foot Hardman

[Ler texto completo no Portal da Unicamp]

Maestria na arte da devida obediência (O Estado de São Paulo – Aliás – 24/9/2006)
O homem-dispositivo não age só. Ele se apresenta como emissário

Francisco Foot Hardman*

Os nomes desses senhores já são farsa, piadas-prontas antes de serem pronunciados. Pensávamos nesse pesadelo impensável como uma peça de teatro do absurdo, se bem que nem Ionesco nem Arrabal seriam capazes de representar enganos em tal magnitude. Na arte contemporânea do não-sentido, a figuração da mentira alcança a elevação sublime que duvida da razão humana ainda em nome dela mesma. Na cena rasteira da política atual, a mentira não se fantasia de nada: veste o manto da razão cínica e auto-administra-se como dispositivo do poder, alheia não só à tão propalada moral, mas antes e acima disso à própria idéia de qualquer pensamento que restaurasse ao menos as pegadas de nossas utopias perdidas. Aquelas que o iluminismo (ou ilusionismo, conforme PCC) um dia dizia ter inventado.

Por isso, não há que se fazer questão dos nomes, porque os personagens já se embaralharam há muito. Pois todo Lula tem seu Serjão, assim como todo FHC deve ter tido seu PC Farias e, afinal, todo Collor possui seu Zé Dirceu. Vejam que agora mesmo os presidentes do PFL (Jorge Bornhausen) e do PSDB (Tasso Jereissati) não estão muito preocupados com nomes, afora o do candidato-presidente. Para os dois caciques, mais importante até que a origem da grana apreendida com agentes destemidos do “comissariado para mídias arriscadas” do PT, o xis do negócio é o flagrante fotográfico das notas, do cofre, das malas, obsessão que mal disfarça sua nostalgia daquelas imagens quase em tempo real que vieram à TV na campanha presidencial de 2002, diretamente do comitê da candidata Roseana Sarney, ao que tudo indica numa operação mais eficaz que a atual, quando não em truculência, naquela blitz da Polícia Federal com forte cheiro tucano. Pena que tal fúria justiceira tenha se dissipado nos ventos do esquecimento, quando se tratou, pouco tempo atrás, de se concluir a CPI do Banestado, cujo final sem final, que a muitos certamente interessava, contou com a eficiente dupla de homens-dispositivo, irmanados no verbo acobertar, José Mentor (PT) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Mas, afinal, quem são os homens-dispositivo, que a robótica da sociedade global-financista do espetáculo, mais que a ciência política dos estados-nações, poderia nos configurar? Como já sugeri, esqueçamos por ora os nomes, porque a rigor todas as carteiras de identidade já aparecem falsas e fiquemos aqui no esboço preferencial de seu perfil. Fecham-se os círculos e arma-se o circo. Somos 126 milhões de “patrões”, diz-nos, com a mesma pompa que vem de longe, em seu exibicionismo bacharelesco, o presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello. Acredite quem quiser. Os homens-dispositivo não agem sós, mas também não representam vontades particulares ou gerais. Por isso se apresentam indistintamente como emissários. São mestres na arte da obediência devida. Nascem nas ordens discursivas do aparelho jurídico-político, mas se espraiam pelos movimentos sociais. No Brasil recente, são exemplo notável as centrais sindicais, a começar pela CUT, que já nasceu velha em 1983, pois atrelada à estrutura sindical corporativa do Estado, herdada de Vargas, que por sua vez a herdou de Mussolini. Vejam esses homens-dispositivo do dossiê-Vedoin: quase todos fizeram carreira na CUT, quase todos prosperaram muitíssimo na vida, quase todos vivem de expedientes, projetos, dispositivos e ONGs. Retrocedamos ao mensalão (que já parece tão passado): Delúbio e Silvinho, homens de Dirceu, homem do Presidente – cutistas de primeira hora.

Não se restringe à esfera burocrático-sindical, entretanto, o homem-dispositivo. Pode estar nas grandes corporações industrial-financeiras ou de serviços. Estará certamente na grande imprensa, gráfica ou audiovisual. O ramo da propaganda e publicidade é bastante propício a seu florescimento. Idem, o da moda. No mundo do esporte globalizado, futebol à frente, o homem-dispositivo caminha célere para produzir resultados, inventar mitos, ganhar muito na fugacidade do jogo efêmero, das celebridades natimortas, dos patrocínios suspeitos, dos contratos-fantasmas.

Também na universidade contemporânea tomada de assalto pela ideologia produtivista e empresarial, convenhamos: homens-dispositivo ocupam o lugar do antigo poder acadêmico, ditam normas, centralizam recursos dirigidos prioritariamente à auto-reprodução, substituem o eixo ensino-pesquisa por perspectiva de extensão sem limites nem finalidade. O conhecimento desinteressado cede terreno a interesses conhecidos ou obscuros. Em nome da democratização, facilitam-se avaliações. Debates de idéias podem virar meras sessões de entretenimento. A educação sossobra nos corredores das políticas mais obscurantistas e de convênios picaretas.

E do aparato policial, então, claro, sobejam homens-dispositivo. E igualmente das igrejas pós-modernas. Dali e de cá poderão, sempre, nascer vocações irresistíveis. Assessores de campanhas eleitorais, leões-de-chácara de bingos, analistas de mídias arriscadas, capangas de colarinho branco, advogados de criminosos e sobretudo advogados do crime, pouco importa, essas funções se equivalem nos novos modos de dominação. Com alguma prática, a gente pode sacá-los de longe. Com suas pastinhas, laptops e gravatas. Fazendo emendas parlamentares ou parlamentando sobre as emendas feitas e suas respectivas cotações. Sacando dinheiro-vivo. Atravessando fronteiras mortas. Pelos meios de transporte tradicionais, ou on-line. Assim se fazem homens para presidentes. Assim se fazem presidentes reais.

Mas, atenção, esse processo não é em absoluto privilégio do povo brasileiro. O homem-dispositivo, parte dos mecanismos estatal-financeiros globalizados, pode trazer uma bomba na cintura ou dólares na bolsa. Depende. Daí que se redobrem cuidados. A única certeza é de que essa silhueta demasiadamente parecida com humana é só farsa, homem sem sombra, no desassossego da agitação sem causa, porque já sem pensamento, porque já sem palavra com nexo, porque já sem razão para. E nós, sim, seres realmente existentes, que realmente nada sabíamos, tornamo-nos à revelia apêndices vivos dessas marionetes sem vida. Não somos seus “patrões”, mas antes seus servos involuntários. Romper essas engrenagens: é a única condição para voltarmos a sonhar.

*Francisco Foot Hardman é professor de Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

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UNICAMP NA MÍDIA – FALE CONOSCO

Francisco Foot Hardman*

Os nomes desses senhores já são farsa, piadas-prontas antes de serem pronunciados. Pensávamos nesse pesadelo impensável como uma peça de teatro do absurdo, se bem que nem Ionesco nem Arrabal seriam capazes de representar enganos em tal magnitude. Na arte contemporânea do não-sentido, a figuração da mentira alcança a elevação sublime que duvida da razão humana ainda em nome dela mesma. Na cena rasteira da política atual, a mentira não se fantasia de nada: veste o manto da razão cínica e auto-administra-se como dispositivo do poder, alheia não só à tão propalada moral, mas antes e acima disso à própria idéia de qualquer pensamento que restaurasse ao menos as pegadas de nossas utopias perdidas. Aquelas que o iluminismo (ou ilusionismo, conforme PCC) um dia dizia ter inventado.

Por isso, não há que se fazer questão dos nomes, porque os personagens já se embaralharam há muito. Pois todo Lula tem seu Serjão, assim como todo FHC deve ter tido seu PC Farias e, afinal, todo Collor possui seu Zé Dirceu. Vejam que agora mesmo os presidentes do PFL (Jorge Bornhausen) e do PSDB (Tasso Jereissati) não estão muito preocupados com nomes, afora o do candidato-presidente. Para os dois caciques, mais importante até que a origem da grana apreendida com agentes destemidos do “comissariado para mídias arriscadas” do PT, o xis do negócio é o flagrante fotográfico das notas, do cofre, das malas, obsessão que mal disfarça sua nostalgia daquelas imagens quase em tempo real que vieram à TV na campanha presidencial de 2002, diretamente do comitê da candidata Roseana Sarney, ao que tudo indica numa operação mais eficaz que a atual, quando não em truculência, naquela blitz da Polícia Federal com forte cheiro tucano. Pena que tal fúria justiceira tenha se dissipado nos ventos do esquecimento, quando se tratou, pouco tempo atrás, de se concluir a CPI do Banestado, cujo final sem final, que a muitos certamente interessava, contou com a eficiente dupla de homens-dispositivo, irmanados no verbo acobertar, José Mentor (PT) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Mas, afinal, quem são os homens-dispositivo, que a robótica da sociedade global-financista do espetáculo, mais que a ciência política dos estados-nações, poderia nos configurar? Como já sugeri, esqueçamos por ora os nomes, porque a rigor todas as carteiras de identidade já aparecem falsas e fiquemos aqui no esboço preferencial de seu perfil. Fecham-se os círculos e arma-se o circo. Somos 126 milhões de “patrões”, diz-nos, com a mesma pompa que vem de longe, em seu exibicionismo bacharelesco, o presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello. Acredite quem quiser. Os homens-dispositivo não agem sós, mas também não representam vontades particulares ou gerais. Por isso se apresentam indistintamente como emissários. São mestres na arte da obediência devida. Nascem nas ordens discursivas do aparelho jurídico-político, mas se espraiam pelos movimentos sociais. No Brasil recente, são exemplo notável as centrais sindicais, a começar pela CUT, que já nasceu velha em 1983, pois atrelada à estrutura sindical corporativa do Estado, herdada de Vargas, que por sua vez a herdou de Mussolini. Vejam esses homens-dispositivo do dossiê-Vedoin: quase todos fizeram carreira na CUT, quase todos prosperaram muitíssimo na vida, quase todos vivem de expedientes, projetos, dispositivos e ONGs. Retrocedamos ao mensalão (que já parece tão passado): Delúbio e Silvinho, homens de Dirceu, homem do Presidente – cutistas de primeira hora.

Não se restringe à esfera burocrático-sindical, entretanto, o homem-dispositivo. Pode estar nas grandes corporações industrial-financeiras ou de serviços. Estará certamente na grande imprensa, gráfica ou audiovisual. O ramo da propaganda e publicidade é bastante propício a seu florescimento. Idem, o da moda. No mundo do esporte globalizado, futebol à frente, o homem-dispositivo caminha célere para produzir resultados, inventar mitos, ganhar muito na fugacidade do jogo efêmero, das celebridades natimortas, dos patrocínios suspeitos, dos contratos-fantasmas.

Também na universidade contemporânea tomada de assalto pela ideologia produtivista e empresarial, convenhamos: homens-dispositivo ocupam o lugar do antigo poder acadêmico, ditam normas, centralizam recursos dirigidos prioritariamente à auto-reprodução, substituem o eixo ensino-pesquisa por perspectiva de extensão sem limites nem finalidade. O conhecimento desinteressado cede terreno a interesses conhecidos ou obscuros. Em nome da democratização, facilitam-se avaliações. Debates de idéias podem virar meras sessões de entretenimento. A educação sossobra nos corredores das políticas mais obscurantistas e de convênios picaretas.

E do aparato policial, então, claro, sobejam homens-dispositivo. E igualmente das igrejas pós-modernas. Dali e de cá poderão, sempre, nascer vocações irresistíveis. Assessores de campanhas eleitorais, leões-de-chácara de bingos, analistas de mídias arriscadas, capangas de colarinho branco, advogados de criminosos e sobretudo advogados do crime, pouco importa, essas funções se equivalem nos novos modos de dominação. Com alguma prática, a gente pode sacá-los de longe. Com suas pastinhas, laptops e gravatas. Fazendo emendas parlamentares ou parlamentando sobre as emendas feitas e suas respectivas cotações. Sacando dinheiro-vivo. Atravessando fronteiras mortas. Pelos meios de transporte tradicionais, ou on-line. Assim se fazem homens para presidentes. Assim se fazem presidentes reais.

Mas, atenção, esse processo não é em absoluto privilégio do povo brasileiro. O homem-dispositivo, parte dos mecanismos estatal-financeiros globalizados, pode trazer uma bomba na cintura ou dólares na bolsa. Depende. Daí que se redobrem cuidados. A única certeza é de que essa silhueta demasiadamente parecida com humana é só farsa, homem sem sombra, no desassossego da agitação sem causa, porque já sem pensamento, porque já sem palavra com nexo, porque já sem razão para. E nós, sim, seres realmente existentes, que realmente nada sabíamos, tornamo-nos à revelia apêndices vivos dessas marionetes sem vida. Não somos seus “patrões”, mas antes seus servos involuntários. Romper essas engrenagens: é a única condição para voltarmos a sonhar.

*Francisco Foot Hardman é professor de Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

CONCEITOS RETIRADOS DOS TEXTOS ABAIXO, CUJO TÍTULO E CONTEÚDO DO ORIGINAL SÃO MANTIDOS AO CLICAR NOS LINKS.

1. DELINQUÊNCIA ACADÊMICA, de Maurício Tragtemberg

2. BAGRINHOS, do texto de Alfredo Marques

3. HOMEM-DISPOSITIVO, do texto de Francisco Foot Hardman

4. FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, do texto de Marilena Chauí

5. ETHOS DE GANGUE, do texto de Luiz Felipe Pondé

6. MIKE BONGIORNO, do ensaio de Umberto Eco

7. CASTA DOS INTOCÁVEIS, da entrevista de Chico de Oliveira