Vocabulário de origem africana

28/08/2013

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angu

Angu de fubá

Angu de fubá

angu
an.gu
sm (ioruba angu1 Papa espessa de fubá cozido. 2 Papa espessa de farinha de mandioca, feita com caldo de carne. 3 Banana cozida, formando massa compacta.4 Papa de farinha de milho, espessa, com ou sem açúcar. 5 Salsada, mistura, moxinifada: O baile acabou num angu. 6 Coisa embaraçada, confusa: O congresso dos artistas está um verdadeiro angu. 7 Escrito ininteligível, sem ordem e confuso: Este comentário não passa de um angu. 8 Intriga, mexida. 9Barulho, briga. 10 Ornit O mesmo que japacanim. A. de caroçopop: a) complicação, confusão; b) barulho, briga, conflito, motim. Pl: angus de caroço. Barriga de angu: gordura balofa. Debaixo do angu tem (carne: a coisa não é tão limpa como parece; há marosca oculta. Pegar o angu: ir fazer a refeição.http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=angu
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banguê

banguê, liteiraEngenho de açúcar, gravura de Rugendas

REGO, José Lins do - Bangué  (capa) (1ª ed,)

REGO, José Lins do – Bangué (capa) (1ª ed,)

Engenho de açúcar, gravura de Rugendas

Engenho de açúcar, gravura de Rugendas

ban.guê
(gwe) sm (quimbundo mbangé) 1 Espécie de liteira rasa com teto e cortinas de couro, carregada por dois animais, um adiante, outro atrás, dentro dos varais. 2 Vara comprida de que se suspende a carga e que dois homens, um em cada extremidade, levam apoiada sobre os ombros. 3 Padiola grosseira, para condução de materiais de construção. 4 Padiola de conduzir cadáveres de escravos; esquife. 5 Ladrilho pelo qual, nos engenhos de açúcar, escorrem as espumas, que transbordam às vezes das tachas por ocasião da fervura. 6 Cocho, para curtir peles ou fazer decoada. 7 Engenho de açúcar, de sistema antigo, movido a tração animal.http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/definicao/bangue%20_914041.html
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cacumbu

cacumbu, enxada

cacumbu, enxada

(ca.cum.bu) Bras.

sm.

1. Utensílio cortante (machado, foice etc.) desgastado pelo uso.

2. P.ext. O que resta ou sobra de uma ferramenta desgastada (cacumbu de machado).

3. Fig. Pessoa velha, magra e alquebrada.

[F.: Do quimb. Kakumbu.] – Caldas Aulete, online

Read more: http://aulete.uol.com.br/cacumbu#ixzz2cdO12zUo
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link

01.


TARSILA do Amaral: A Negra

11/06/2013
Coleção Folha

Coleção Folha

Iemanjá, séc. XIX e a Negra de Tarsila do Amaral

Iemanjá, séc. XIX e a Negra de Tarsila do Amaral

Veja Além do sentimento religioso, há um tom de lembrança em sua pintura…

TARSILA – Um dos meus quadros que fez muito sucesso quando eu o expus lá na Europa se chama A Negra. Porque eu tenho reminiscências de ter conhecido uma daquelas antigas escravas, quando eu era menina de cinco ou seis anos sabe? escravas que moravam lá na nossa fazenda, e ela tinha os lábios caídos e os seios enormes, porque, me contaram depois, naquele tempo as negras amarravam pedras nos seios para ficarem compridos e elas jogarem para trás e amamentarem a criança presa nas costas. Num quadro que pintei para o IV Centenário de São Paulo eu fiz uma procissão com uma negra em último plano e uma igreja barroca, era uma lembrança daquela negra da minha infância, eu acho. Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, como um belo por-de-sol ou essa negra, eu estilizo.”

“Diversos já escreveram sobre A negra de Tarsila do Amaral, destacando sua muita ou pouca ousadia face aos padrões vanguardistas, a reminiscência do passado colonial ou pessoal, enraizado nas fazendas do interior paulista. A foto de uma antiga empregada de família [Figura 11] é costumeiramente reproduzida para enfatizar a relação afetiva da artista com seu tema, sugerindo uma possível origem iconográfica[32]. Todavia, sempre que vejo a reprodução de uma pequena imagem de Iemanjá do séc. XIX [Figura 12[33], não posso deixar de reconhecer nela a negra de Tarsila.” Algo além do moderno: a mulher negra na pintura brasileira no início do século XX . Maraliz de Castro Vieira Christo

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links

01. Entrevista concedida a revista Veja (23/02/1972), a Leo Gilson Ribeiro, aos 75 anos. VEJA:
02. Algo além do moderno: a mulher negra na pintura brasileira no início do século XX , Maraliz de Castro Vieira Christo
03. A Negra, MAC/USP


GIACOMETTI por SARTRE

08/06/2012

Capa do livro Alberto Giacometti, textos de Jean-Paul Sartre, Ed. Martins Fontes.

foto da contracapa do livro Alberto Giacometti textos de Jean-Paul Sartre, ed. Martins fontes, 2012
“Não é preciso olhar por muito tempo o rosto antediluviano de Giacometti paa adivinhar seu orgulho e sua vontade de se situar no começo do mundo”. Sartre, A busca do Absoluto.

ALBERTO GIACOMETTI textos de JEAN-PAUL SARTRE

biblioteca Mário 000.005

Li o livro duas vezes. E aqui vou fazer uma leitura dos fragmentos. Como diz a introdção de Célia Euvaldo: “alguns dos mais belos textos sobre arte moderna foram escritos sobre a obra de Alberto Giacometti…, entre os quais os dois ensaios de Jean-Paul Sartre aqui apresentados”. p.7. Estou apostando em o “Ateliê de Giacometti”, de Jean Genet. É uma loa rasgada a Giacometti. Além de um prosa, quase “prosa porosa”, há várias referências filosóficas, de Hegel, Kant. E achei identificar várias referências, sem citação, de Nietzsche. ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

SARTRE: AS PALAVRAS E O PERSONAGEM MARCEL

Da introdução de Célia Euvaldo.
É só clicar sobre as fotos para vê-las em tamanho maior e legíveis.

As-Palavras-Jean-Paul-Sartre, fonte google.
É a capa do meu exemplar. Ao contrário de amigos jovens, adoro capas de discos, de livros. Morrerei com meus discos e livros. Com toda esta inutilidade que acumulo.

Durante a década de 70 e 80 li e reli este texto que achava a maravilha de Sartre e a o estado de arte da autobiografia. Além de me ver no texto por ter também uma mãe bonita e assediada sexualmente. E um livro com frases maravilhosas como “não tive pai, não tive superego”. Faço estas referências usando minhas curta e traiçoeira memória. Não consegui achar o livro na minha abarrotada, desorganizada, empoeirada e cheia da livros B dos sebos, estante. Personagem é invenção. Sartre mesmo mostra que a obra de Giacometti é pura invenção da imaginação. No entanto a personagem Marcel de As Palavras vai causar tal ruptura entre Sartre e Giacometti. Incomoda e atrai esta fúria entre criadores. E o efeito que pode causar uma personagem de ficcção. Me lembro sempre que Jean-Claude Bernadett dedicou um livro de crítica de cinema a Antônio das Mortes, de Glauber Rocha. Dizem que é o único livro dedicado a uma personagem. …………………………………………………………………………………………………………………………………………..

página 13.

O ROSTO DE GIACOMETTI

“Só não julga pela aparência quem não sabe julgar”. É uma frase que vem, dizem, com a chancela de Oscar Wilde. Na extrema juventude da natureza e do homem não existe o belo e feio. Dezenas de estudantes de arte da Unicamp foram a uma assembléia de funcionários da Unicamp dizer que os atos públicos eram barulhentos e feios. Alguns deles vestiam camisetas com a estampa FEIA, do Festival do Instituto de Arte/Unicamp. Nem se deram conta.

fonte: Giacometti, Cosacnaify

pág. 16

Devemos cair no abismo de olhos abertos, foi assim que li Nietzsche. Onde? Tem uma amiga universitária que sempre quer saber onde li as coisas. Mas não leio para citar nem para guardar, mas para viver. Todo escrito só vale a pena se for escrito com sangue. Deve ser de Nietzsche também. ……………………………………………………………………………………………………………………………………….

pág. 17.

Capa do livro de Marcelino Freire, BaléRalé, Ateliê Editorial.
A referência da orelha do livro é: Os homens de Weerding, são chamados de “o casal gay mais antigo da Holanda”. Acerv Drents Museum

Fotomontagem: capa do livro BaléRalé e foto do livro Giacometti, da Cosacnaify.

ATAQUE AO INDIVIDUALISMO, APOLOGIA AO ASCETICISMO, em Sartre

Sartre discute se é uma visão de campos de concentração. Via Giacometti como um detrator do homem. Ainda vejo quando não vejo erotismo nem sexualidade. Sartre escreve também sobre Giacometti e as mulheres inatingíveis. Por acaso peguei no meu amontado de livro o BléRalé, de Marcelino Freire, ed. AE; e não canso de olhar para as duas múmias que não são nada mais que um objeto, sem arte, sem artista. Mas o homem abstrato, geral, também está ali. Mas me preocupa da redução de Sartre faz da arte apenas como representação deste homem geral, como um contraponto, ou mesmo ataque indiscriminado ao individualismo. E pode ir fácil ao ataque á própria arte que depende da liberdade individual ampla e irrestrita. Neste post cito um texto seu de 1948, mesmo ano do texto principal do livro em foco, que ataca o sonho, em arte, como traição do proletariado. Nietzsche foi o único filósofo que tinha pinto e nariz. Parece que as esculturas de Rodin e Degas tem sexo e dançam.Só acreditaria num deus se ele dançasse. Há também as eculturas e máscaras africanas, onde há o homem e não a figura do chefe (há algumas). Mas em geral são esculturas que traduzem uma visão do homem diante do mundo, dos ancestrais e dos deuses. Com grande valor estético e humano. Mas, parece-me, não invalidam as buscas “individualistas” da arte moderna e contemporânea.

Há bastração, deformações, alongamentos, desproporções, tudo em em busca de uma expressão, na arte africana. Mas suas máscaras alongadas e deformadas também são feitas para a dança. Suas deformações são para defender a vida contra a doença e a morte numa luta contra os próprios espíritos ancestrais. Ou há as esculturas de sexo com animais na Grécia que narram aquele homem e o homem de hoje com seu amor profundo pelos animais. E toda arte erótica de Picasso. Há o humano dilacerado que tomou a arte do século XX, mas não acho que é a única possibilidade do homem. Entre a vida e o abismo da morte , da violência e de Deus, há ainda a vida.

Há em Sartre uma apologia ao asceticismo da vida de Giacometti, asceticismo que teria invadido sua arte.

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REFLEXÕES SOBRE A ARTE AFRICANA

Sartre, Reflexões sobre o racismo, capa, Difusão Europeia do Livro.
“Se o proletariado branco raramente usa a linguagem poética para flar de seus sofrimentos…Ao mesmo tempo, a fase atual de seu combate exige, de sua parte, uma ação contínua e positiva: cálculo político, previsões exatas, disciplina, organização de massas; o sonho, no caso, seria traição.”. p. 92. “Entretanto se tais poemas nos dão vergonha…Aos negros é que estes negros se dirigem…porque é necessariamente através de uma experiência poética que o negro, na situação presente, deve primeiro tomar consciência de si mesmo…”p.91-92

Curiosamente, Sartre não aborda a questão das esculturas e máscaras africanas, também da oceania, que foram influências dominantes em Alberto Giacometti. Tem até uma fase chamada africana. Sartre escreveu um texto, Orfeu Negro, em 1948. Está então atento à questão da arte africana. Além do mais Picasso, Blaque, Brancusi e uma gama imensa de artistas vão ser influenciados por ela num período longo que vai do início do século até 1930. E Giacometti será, inclusive, tardiamente influenciado, lá pelo anos de 1927. Influência que permaneceu até o fim da vida. E parece-me que Giacometti foi amigo de Marcel Griaule, grande estudioso da civilização Dogon, de Mali, que em 1947 publicou livro fundamental sobre esta civilização, “Dieu d’eau”, primeira edição de 1947. E para ainda falar das esculturas e máscaras africanas, cito Roger Bastide que devo reler, já que foi de grande impacto, para mim, na década de 70. E parece que vai ser agora, quando relido. “Mas é preciso mostrar ianda que esses cultos não são um tecido de supertiçoes, que, pelo contrário, subtendem um cosmologia, uma psicologia e uma deodicéia; enfim, que o pensamento africano é um pensamento culto”. Pg. 24, Roger Bastide, O candomblé da Bahia, Cia. Das Letras,2001. Este texto, escrito em 1948, é aqui citado pelo motivo de Sartre deixar de lado a questão da fase (melhor ainda, permanência) africana em Giacometti. Cito também por ser de 1948, pois o texto principal de “Alberto Giacometti, textos de Jean-Paul Sartre, Ed. Martins Fontes, traz, “A Busca do Absoluto”, datado de 1948. E, relendo este “Orfeu Negro”, também de 1948 que tanto amei, reli e conversei sobre, chego até horror a certas passagens. Que o proletariado deve ser técnico e não pode ter sonhos e se os tivesse seria traição. Ou que a poesia negra, em língua francesa, seria a única arte revolucionária naquele momento. Absolve certa poesia de má qualidade em nome de uma ideologia e condena o proletariado a aridez totalitária

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O conceito de aparência é fundamental na discussão de arte de Nietzsche, assim como na sua filosofia que, jamais, é desassociada da arte. Pelo menos de ouvir falar, esta questão da aparência e da essência é uma discussão do existencialismo. E nesta citação há acordo com Nietzsche: a aparência é fundamental. …………………………………………………………………………………………………………………………………………….

“Alberto Giacometti”, textos de Sartre.
Impõe-se mais uma citação para remeter à arte africana. Esta cabeça distante e corpo próximo vai lembrar as bonecas da civilização Dogon.

Boneca DOGON, Mali.

FASE AFRICANA DE GIACOMETTI

A influência da arte africana em Giacometti eu pretendo fazer um post inteiro sobre a questão. Aqui apenas para ilustrar que Sartre deixou de abordar a questão em conceitos que, parece-me, estão presentes, ou mesmo são oriundos das civilizações africanas. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Desenho de Sartre, ilustração do livro.

Sartre, por Giacometti, ilustração do livro “Alberto Giacometti”, textos de Jean-Paul Sartre.

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Foto do caríssimo livro/catálogo da exposição. “Giacometti”, ed. Cosac & Naify

EXPOSIÇÃO NA PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Alberto Giacometti, homem caminhando, Gogole

Em Sartre, a palavra mais emblemática do seu texto, falando de Giacometti, é DESOLAÇÃO. Por dois dias, em longas horas na Pinacoteca, anotando todas as obras ali expostas, e sem ter lido os textos de Sartre, a palavra que mais usei foi DESOLAÇÃO. E foi a palavra para todas as pinturas. Mas aqui comecei a falar em destruição e morte. Chamou minha atenção que, Sartre, de passagem fala que a obra de Giacometti não se confunde com visões de campo de concentração. Mas seus dois textos, de 1948 e o outro, sobre a pintura, de 1954, não tem qualquer referência à segunda guerra e nem à primeira. Sartre não aborda e nem nega esta influência.

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O Ateliê de Giacometti, de Jean Genet, contracapa. Ed. Cosac & Naify

JEAN GENET, O Ateliê de Giacometti

Comecei a ler o texto de Jean Genet e parei no primeiro parágrafo, para poder terminar este aqui. A palavra chave de Jean Genet é morte.


Parangolés, Hélio Oiticica. Apontamento 03

06/06/2012

PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN

Apresentação do Vodu Egoun. Uidá, Benin, 2009. Esta é a legenda da foto original. Foto(detalhe) da foto de Ricardo Teles , O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias, ed.Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Esta foto de Ricardo Teles(este detalhe dá uma pálida ideia da expressividade da foto) – em O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias – que me levou a fazer este outro apontamento. O artigo de José D’Assunção Barros martelava, na minha cabeça, que os PARANGOLÉS, de Hélio Oiticica tinham influência da arte africana (cito abaixo o trecho do artigo).Mas achei, vendo a foto, que não é apenas no conceito de “expandido”, ou seja, não uma influência apenas conceitual, apenas uma referência, mas viva, acontecendo ainda hoje. Mas me parece que é a as manifestações culturais africanas, de hoje, atuais, que influenciaram também. E quero procurar estas influências na arte mais contemporânea. Em Hélio Oiticica há uma influência da África atual. Há, talvez, uma profunda continuidade entre a África antiga e a moderna. E a arte de vanguarda de Hélio Oiticica bebe neste arcaico e neste popular, ou mesmo religioso. Neste caso não há dicotomia entre vanguarda e o popular. Ou o popular e laico, influenciando o religioso, como abordarei em outro post sobre a influência do carnaval brasileiro, interferindo nas bandeiras do Vodu, no Haiti.

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biblioteca Mário 000.007

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CAETANO VELOSO NÃO SE LEMBRA DE CAETANO VELOSO

Singer and composer Caetano Veloso wearing Oiticica’s P 04 Parangolé Cape 01 1964 in 1968 © Projeto Hélio Oiticica. Photo: Andreas Valentim.

Durante anos, mantendo e cultivando minha ignorância, todas as vezes que ouviu ou lia a palavra PARANGOLÉ, mais que Hélio Oiticica, me lembrava desta foto de Caetano Veloso. Parece que mantive durante anos um grande equívoco quando leio o livro de Caetano Veloso, Verdades Tropicais, da Cia. das Letras.
Olhando para da data, 1968, da legenda da foto, se exata, acho que Caetano Veloso veste um Parangolé apenas para se enfeitar. Pelo seu livro, não passou disso.

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16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

Dia 16 de outubro de 2009 deve ser recordado como um dia de destruição do patrimônio cultural brasileiro. E parece, passados quase 3 anos, que ninguém se importa. Este blog pretende lembrar esta data todos os anos. E estudar Hélio Oiticica.
REPORTAGEM DO JORNAL O GLOBO

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QUEM REALMENTE SE IMPORTA?

Por exemplo, o artigo José D’Assunção Barros deixa claro a influência da cultura africana nestes parangolés (que não existem mais, que foram queimados, como vimos acima). E seria de interesse de no mínimo, mais de metade da população brasileira, a preservação desta obra. Mas uma pessoa vai determinar o rumo de tudo porque é o herdeiro. Quando o herdeiro deveria ser toda a população brasileira. Arquivos públicos também correm perigo, mas obras amontoadas em casas particulares é pior ainda. Mas a notícia do Globo, abaixo, à certa altura comenta as “briguinhas” com um museu americano, mas não fala de quem deveria esgar brigando é o poder público, para ter estas obras sob sua guarda. O irmão de Hélio Oiticica, singelamente,fala de uma briguinha com um museu americano que queria as obras. Parece que não lamenta a perda. Ou pode ser a família inteira de olho gordo na “herança”. Agora pode até ser que vai aumentar o preço do que sobrou, numa espécie de queima do excesso; já que a reportagem cita uma obra vendida, em maio de 2009, um dos “Metaesquemas”, o de número 19, que era estimado em U$ 80 mil, foi arrematado por U$180 mil. Quanto valerão agora os outros que, como diz a reportagem, foram todos salvos por estar em outra sala. E ainda falando do irmão do artista que lamenta o prejuízo de 200 milhões. É o maldito direito de herança. Este irmão ou a família toda, certamente, vão encher a burra de ganhar dinheiro, com o que pode ser salvo do incêndio. Na reportagem o tal irmão não lamenta, o quê era de se esperar, que os parangolés foram completamente destruídos. E a reportagem comenta que é(era) a principal obra do artista.[A reportagem não diz se sobrou, em algum museu, alguns destes parangolés]. Leia a reportagem: “Em 1981, um ano após a sua morte – em 22 de março de 1980 -, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996”. Leia a reportagem:. Deveria ser óbvio que as obras deveriam estar nos museus e centros culturais. Herdeiros que amontoam obras, para faturar em cima de algo que jamais produziu, dá nisso. Destruição. Direito de herança,direito autoral para herdeiros – ridículo, já que não escreveram nada – é o principal ataque à memória e a cultura.

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

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AS GAIOLAS DE GIACOMETTI E UM PARANGOLÉ DE HÉLIO OITICICA

E não é que fuçando no google, para fazer este post, acabei vendo uma influência, de Giacometti em Hélio Oiticica.

Giacometti, outro exemplo de Gaiola

Alberto Giacometti_The Cage, 1930-31

Parangolé, Hélio Oiticica, fonte Google

Acho que Hélio Oiticica foi buscar este formato nas gaiolas de Giacometti.

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TROPICÁLIA.

O livro de Caetano Veloso diz que o nome, apanhado de Hélio Oiticica, não passou de um nome. Que ele aceito a sugestão a contragosto e porque não tinha como recuar quando todos já falavam que a música, sem título, era tropicália. No livro se diz até conformado com o nome tropicalismo que odiava.

O índice remissivo de “Verdade Tropical”, remete a 12 páginas que falam de Hélio Oiticica. Engano total. Li o livro quando saiu e me passou despercebido o nome de Hélio Oiticica. Revendo as remissões, hoje, constato que, além das páginas 425-427, as outras 10 páginas são apenas breves referências anedóticas. Que me deixou em total ignorância de quem foi, naquele momento, e para a Tropicália, Hélio Oiticica. Nas páginas 425-427 há uma série de adjetivos superlativos. Mas ao que parece, Caetano nega qualquer influência, além do nome Tropicália, de Hélio Oiticica na sua obra. E nem deixa entrever, apesar dos elogios, se esta obra tem alguma importância. Nem fala que vestiu um Parangolé, coisa que, quando vejo o nome de Hélio Oiticica, invade minha memória. ………………………………………………………………………………………………………………………………………….
O artigo de José D’Assunção Barros, sobre a cultura africana,AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANANA ARTE MODERNA já resumido num post neste blog, post cujo titulo é: Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte? e demonstra, neste artigo, que os parangolés são um herança da arte africana. E não esquecer a foto de Ricardo Teles do vodu em Benin. ………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Paarangolé, Hélio Oiticica., Google

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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, de José D’Assunção Barros.
Apenas relaciona Hélio Oiticica com o conceito de “EXPANDIDO”. A citação abaixo é o que fala de Hélio Oiticica.
“O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Um exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo.”
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METAESQUEMAS 19.

Hélio Oiticica (Brazilian, 1937-1980), Metaesquema 19, 1957-58, Gouache on board, 45 x 53.3 cm, © 2007 Projeto Hélio Oiticica.

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links

Parangolé, Hélio Oiticica. Foto que ilustra o artigo de Daniela Name

LINK 02 – Obra de arte não é foto de família, artigo de Daniela Name

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links [atualizações]

03 . Ministério da Cultura Hélio Oiticica – Museu é o Mundo

“A exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo, chega nesta terça-feira (21) ao Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. Essa é a maior mostra já realizada sobre Hélio Oiticica e faz parte da itinerância que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Após Brasília, a exposição segue para Belém.”, querem dizer 21 de dezembro de 2010. Não soube que chegasse à São Paulo. Muito menos à Campinas/SP, onde tem duas universidades, uns 50 mil estudantes, e nenhuma atividade cultural.

04. ANGELA VARELLA SAVINO, LIBERDADE CRIADORA E HIBRIDISMO DE HÉLIO OITICICA À EDUARDO KAC

Partindo do conceito de liberdade criadora de Bergson e a relação da arte com a vida,
o objetivo é ir ao encontro da ação de hibridismo (o movimento de construção de mistura de
linguagens artísticas dos primórdios ao movimento moderno), na trajetória de libertação da
arte de seus suportes convencionais ao corpo, utilizando como cenário de observação além de
exemplos de obras e ações de hibridismo no contexto do período dos anos 50 aos anos 90, as
obras representativas de dois artistas expoentes: Hélio Oiticica e Eduardo Kac, no intuito de
configurar o cenário da relação interdisciplinar dos elementos: corpo, vida, arte e tecnologia.
Palavras-chave: LIBERDADE – HIBRIDISMO – VIDA – ARTE – TECNOLOGIA


Pia de água benta na cidade de Goiás e esculturas das Civilizações Africanas

31/05/2012

Escultura BAOLÊ, Costa do Marfim, “Memória e Altar”, coleção de Rogério Cerqueira Leite. Registro a quantidade de esculturas onde tem um cabeça totalmente trabalhada.
TODAS AS FOTOS PODEM SER VISTAS EM TAMANHO MAIOR, BASTANDO CORRER MOUSE SOBRE ELAS.

As esculturas e máscaras das civilizações africanas influenciaram toda a arte do século XX. De Picasso aos parangolés de Hélio Oiticica. Sabemos também que esta esculturas e máscaras foram saqueadas na África. E no final da década de 20 e início de 30, quando, por exemplo, Alberto Giacometti começou a se interessar e usá-las em suas esculturas e desenhos, estas máscaras e esculturas já estavam totalmente banalizadas e vendidas como suvenires em Paris. Mesmo assim a força destes objetos africanos, também da Oceania, influenciarão decisivamente este grande escultor, pintor, desenhista, xilogravurista…

Pia de água benta de escultor desconhecido, século XVIII.Obra localizada no Museu das Bandeiras, Goiás-GO.

Passando por Goiás, e com a cabeça cheia de Arte Africana, de Giacometti, cuja exposição na Pinacoteca de São Paulo tinha visitado, e na volta de Goiás visitei novamente, vi esta pia de água benta, uma escultura que lembra muito a arte africana. Como é de escultor desconhecido, poderia ser de algum escultor escravo, ou influenciado pela cultura dos escravos brasileiros, tal a semelhança com muitas esculturas expostas na CPFL-Campinas/SP, na exposição denominada “Memória e Altar”, coleção de Rogério Cerqueira Leite. Exposição já comentada aqui e que será por muitos anos, já que pretendo resenhar livros e publicações sobre o tema. Já adquiri alguns livros e pretendo comprar outros.

Escultura da Civilização SONGYE, República Democrática do Congo. Chama a atenção para a cabeça com um recipiente, parecendo um feitiço.
No caso da Pia de água benta, notei que tem feições africanas, quando, quase sempre povoam as igrejas católicas esculturas com feições européias. Da exposição “Memória e Altar”, na CPFL, coleção de Rogério Cerqueira Leite

Cartaz do museu… com a procedência da pia de água benta.

Como podemos ler no cartaz, no museu em Goiás-GO, esta pia de água benta é de escultor desconhecido.

Pia de água benta, Goiás-GO.

Pelas feições à exceção do cabelo, mais ainda pela postura, me levou a acreditar que seja de um escultor de origem africana ou influenciado pela cultura africana. Seria um sincretismo na contramão. Há a famosa lavagem das escadarias do Bonfim, mas escadarias, fora da igreja, ou santos católicos identificados com entidades afros. Mas aqui a pia de água benta faz parte dos rituais da igreja Católica, dentro da igreja. Aqui, talvez, o negro levou para dentro da Igreja Católica a sua visão de mundo. Ou à sua imagem (e semelhança) do seu mundo. Outras ocorrências destas me interessam muitíssimo. Mais uma coisa para estudar!


Dos escombros de PAGÚ , livro de Tereza Freire. E outros apontamentos.

16/05/2012
Comprei o livro por causa de Pagú. O título me causou uma estranheza. Depois da leitura, justifica-se. O PCB, stalinista, escangalhou a vida e a possível obra de Pagú. Ela é realmente uma escombro. O livro mostra que foi um época de grande violência e de grandes escolhas. Eu que durante anos curti o mito Pagú, também saí meio arranhado. Não deveria ser novidade, para mim, que o stalinismo traz sempre consigo brutalidade e horror. CLIQUE SOBRE FOTOS E TEXTOS PARA VÊ-LOS MAIOR.

Tarsila, A NEGRA, MAC/USP, 1923. Destaco que pintava negros. E já nesta obra, buscava novas formas de expressão modernas que antecipavam seu ABAPURU de 1928.

Portinari, baile na roça, 1924. Pintura bem conservadora, parece-me. Mas registra-se, em 1924, portanto naquele ambiente que antecedeu Pagú, havia já em Portinari uma preocupação em registrar o negro. O que vai ser uma tônica de sua obra. Lembremos que ele foi sempre ligado ao PCB, partido que sempre ignorou a questão do negro. O que várias tendências de esquerda ainda faz até hoje. Centro mesmo da estratégia não é mesmo de nenhuma organização de esquerda.

Ainda Tarsila. Que em 1924 pintava o carnaval com a presença pertinente dos negros. O que parece não fazer parte da reflexão da esquerda da época. Neste livro de Tereza Freire a questão, em nenhum momento aparece. A ausência é significativa tanto lá em 1930, como fico atento pelas ausências agora. Acho que é preciso registrar a falta desta questão fundamental e explicar porque foi deixada de lado lá. E é preciso retomar as reflexões que foram feitas na ficção e nas ciências sociais. Voltando a Tarsila. E em questões formais, o quadro de Tarsila também é inovador. Pelo estilo e pelo conteúdo. Vejamos que o revolucionário em arte não se confunde com um panfleto, nem com uma confissão de intenções. Mesmo na ciência social isso pode acontecer. Casa-Grande & Senzala é um livro escrito por Gilberto Freyre, e publicado em 1 de dezembro de 1933, tido como um homem de direita, colocava no centro do debate a questão do negro, ignorada por toda a esquerda, mesmo a não stalinista; claro que a visão ideológica é a do senhor, mas o centro da reflexão é a contribuição avassaladora dos negros para toda a cultura brasileira. A pintura de Tarsila faz uma escolha pela vida, pela festa, pela alegria. Afirmar a vida é revolucionário. O compromisso com a morte é cristão, o supra-sumo do reacionário, qualquer que seja as “boas” intenções. Outros que gostam de carne morta são os burgueses que a acumulam em forma de dinheiro, para transformar em capital, para comprar mais carne barata no mercado, que segundo canta Elza Soares, é a carne negra. Que é a maioria da classe operária no Brasil. Também me chamou a atenção as figuras esguias, alongadas, lembrando a influência que tiveram as esculturas africanas na arte européia desde o início do século XX.

Di Cavalcanti , SAMBA, 1925. A presença dos negros. E a sensualidade. A vida, claro que não existe sem o desejo. Não esqueçamos que o Samba ainda não havia ganhado sua forma atual que se deu pela aparecimento do rádio e das gravações elétricas. Deu Noel Rosa e outros grandes. Curiosamente a ilustração dos versos de Raul Bopp , “coco é Pagú” que consagrou o apelido, foi feita por Di Cavalcanti. Novamente a questão. Qual os livros de ficção ou da ciência colocam, naquele período, a questão negros. Na pintura estou me surpreendendo, cada vez que vou tentando me alfabetizar. Mas cada ausência vai me deixando indignado. Não li o “Parque Industrial” e, então, não sei se Pagú ignorou a questão ou não. Seus desenhos, dos Croquis, parece não incorporar a paisagem humana da Bahia, onde foram feitos. Vou ter que ler o panfletário, no dizer dos comentaristas citados no livro, “Parque Industrial”.

1928 foi o momento que Pagú entrou em contato com Tarsila e Oswald. Visitando a Casa deles. Ou como Tereza Freire, citando Flávio de Carvalho, era vestida e penteada pelo casal. Logo depois se torna amante e mulher de Oswald.

Pagu – Di cavalcanti, para os versos de Raul Bopp,1929. Versos estes que tornaram público o apelido PAGÚ.

Capa do livro de Augusto de Campos que recolocou Pagú em circulação. Infelizmente um livro que li e não me lembro nadinha.

Saibam ser Maricons. Um enfoque claramente moralista, implicando com o modo ser dos homossexuais paulistas. O livro de Tereza Freire não toca no assunto. CLIQUE SOBRE O TEXTO PARA VÊ-LO MAIOR.

Vilar, ex-secretário Geral do PCB, em 1932, foi expulso. Um dos “argumentos” é que fora degenerado pela burguesa Eneida. Isso é fichinha perto dos crimes do Stalinismo. Mas me doeu saber que Pagú foi capaz de usar sua amizade para enganar e trair à serviço dos crimes do PCB. Ela que já se dizia desiludida depois de visitar a União Soviética e ver os burocratas vivendo em luxo e dispêndio, e ela topando com crianças maltrapilhas e esmolando pelas ruas. O camarada militar que a recebia disse que era porque “essa gente é vagabunda”. E tinha passado pela França onde, entre os surrealistas, com que militou e morou junto, havia uma viva discussão sobre o stalinismo. Não foi ingenuidade, mas servilismo. Isso que entristece. E realmente justifica o nome do livro “Dos Escombros de PAGÚ”.

O livro fala em desenho modernista. Mas vendo pinturas de Tarsila, já em 23, e mais ainda em 28, parece muito menos moderno. Ou será por ser desenho?[/captio

[caption id="attachment_2390" align="aligncenter" width="300"] No blog, de onde saiu esta tira, blog que será relacionado abaixo, diz que Pagú imitava os traços de Tarsila. Preciso conhecer um pouco dos desenho da época.

Aqui uma citação de um manifesto de Pagú, de 1950, onde ela faz um balanço das degradações que o PCB lhe impusera durante 10 anos, de 1930 a 1940. Mas, neste trecho escolhido por Tereza Freire, há mais uma queixa das exigências que o PCB lhe fizera, para usar o sexo como chamariz para pessoas de interesse do partido stalinista. Mas minha expectativa era de que Pagú mostrasse o que significa fazer o papel de espiã, como fazia a KGB, a polícia da burocracia russa. Expediente totalitário. Espero ler o “Verdade e Liberdade” e constatar que isso apenas ficou fora da citação de T. Freire.

Capa do livro de Thelma Guedes que analisa o “Parque Industrial” de Pagú. Que está citado aqui como bibliografia, pois não li. O livro de T. Freire mostra que Parque Industrial foi um livro para agradar ao PC, quando o PC a rejeitava. O panfleto também foi rejeitado pelo PCB, conforme seu segundo filho, Geraldo Galvão Ferraz.

Aqui Pagú ataca as feministas burguesas. Nelas inclui Maria Lacerda de Moura que se proclamava anarquista. Ataca suas festas e liberalidade sexual. É um ponto de vista pantanoso, pois católicos, direita radical e, infelizmente, naquela época, como hoje, gente que se diz comunista. Coitado do Engels. Inutilmente escreveu “A origem da família, propriedade e estado”. Mas ela também ataca a reivindicação de mais liberdade sexual. E, assim como os anarquistas, o direito de voto para as mulheres. Claro que a maioria das mulheres proletárias, sendo analfabetas, não votariam. A campanha com a cara operária seria agregar o direito de voto para analfabetos. Pagú militou no PCB durante 10 anos. Ela fez parte dos erros, inclusive dos mais graves, do PCB. Ela escolheu. Viajou. Viu. Mas tomou decisões equivocadas. O livro mostra bem isso e por isso chama “Dos Escombros de Pagú”. Ela pagou e fez outros pagarem alto preço por escolher o stalinismo.

ps. Na pág. 158 há uma afirmação de que a corrente Menchevique, “a princípio”, liderada por Trosty, propunha aliança com burguesia e que a corrente Bolchevique, liderada por Lenin se opunha. Isso é verdade em 1917. Mas aí Trotsky era Bochevique.
Em 1902, quando houve a cisão entre Mencheviques e Bolcheviques, o debate não era sobre aliança, mas sobre como organizar o partido da social-democracia, como chamavam. Em 1905 Trotsky, depois de ser presidente do soviet dos trabalhadores, aos 25 anos, terminada a revolução, escreve o “Resultado e Perspectivas”, propondo o que chamaria mais tarde de revolução permanente. Ou seja, nenhuma etapa, negando qualquer papel da burguesia numa revolução.E Lenin não propunha aliança com a burguesia, mas só vai concluir que ela é mesmo incapaz de qualquer iniciativa democrática em abril de 1917. E aí, Lenin e Trotsky, já no mesmo partido Bolchevique, se opõem ferozmente à política de aliança dos Mencheviques. Política de aliança com a burguesia que será sim, a política da burocracia stalinista e todos os seus partidos, principalmente a partir de 1928. O que custou derrotas e mais derrotas para o proletariado.

BLOGS CONSULTADOS:

Sendas de Bashô MAC/USP
Ensaio » Pagu: Literatura e Revolução

OS CROQUIS

LADY’S COMICS

PATRÍCIA RHEDER GALVÃO

MUSEUSEGALL

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

MULHERES II

SÓ PARA AJUDAR O PESSOAL DO PRÉ-VESTIBULAR

Tarsila do Amaral, Academia n. 4, 1922 – por Fernanda Pitta