TU NÃO TE MOVAS DE TI – Hilda Hilst

25/06/2018

TU NÃO TE MOVAS DE TI – Hilda Hilst

HILST, Hilda - Tu Não Te Moves de Ti - Ed. Nova Fronteira - [E2 - P2 - F1 frente - m1] - 1a Edição -

HILST, Hilda – Tu Não Te Moves de Ti – Ed. Nova Fronteira – [E2 – P2 – F1 frente – m1] – 1a Edição –

…………………………………………………………………………………………………………………………………………….
“(…) Impossível te ler Jorge de Lima, prodigioso Drummond, com os dois me faltavam nas longas madrugadas, então Carlos, te memorizava: “amor é privilégio de maduros, amor é que se aprende no limite / depois de se arquivar toda a ciência / herdada, ouvida / Amor começa tarde”. De cór o princípio e o fim do teu verso. E o do meio? (…) Como desejei ter asas em algumas noites, por te reler, Jorge tão rei : “iam bem juntos, iam resolutos, / olhares cúmplices mas não inpuros / andavam devagar, indissolutos / num vago andar feroz e quase inútil”. HILST, Hilda – Tu Não Te Moves de Ti – Ed. Nova Fronteira – [E2 – P2 – F1 frente – m1] – 1a Edição –

 ………………………………………………………………………………………………………………………………………………..
Poema de Carlos Drummond de Andrade
para Hilda Hilst

Abro a folha da manhã
Por entre espécies grã-finas
Emerge de musselinas
Hilda, estrela Aldebarã.

Tanto vestido enfeitado
Cobre e recobre de vez
Sua preclara nudez
Me sinto mui perturbado.

Hilda girando boates
Hilda fazendo chacrinha
Hilda dos outros, não minha
Coração que tanto bates.

Mas chega o Natal
e chama a ordem Hilda.
Não vez que nesses teus giroflês
Esqueces quem tanto te ama?

Então Hilda, que é sab(ilda)
Manda sua arma secreta:
um beijo em morse ao poeta.
Mas não me tapeias, Hilda.

Esclareçamos o assunto.
Nada de beijo postal
No Distrito Federal
o beijo é na boca e junto.