Gatinho azul da Liberdade e Luta E o poema sujo de Ferreira Gullar – e os rituais laicos “nacionais e populares” de Trotsky. (02.04.2018)

02/04/2018

(Ferreir Gullar, nascido em 10 de setembro de 1930 – Poema Sujo, publicado 1977 – conhecido desde 1975)

Há Muitas Noites na Noite, de Silvio Tendler – sobre o Poema Sujo)

um bicho que o universo fabrica

e vem sonhando desde as entranhas

Poema Sujo, Ferreira Gullar, capa da primeira edição.

Poema Sujo, Ferreira Gullar, capa da primeira edição. Editado em 1976.

azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu

319-deangle-dan-c-do-marfim-3 - Memória e Altar- coleção Rogério Cerqueira Leite

Meu comentário.

Naqueles anos me incomodava muito saber que tinha esta frase no Poema Sujo de Ferreira Gullar. Comprei o livrinho porque minha musa, meu amor platônico, era uma militante que amava este poema. Eu amava era Castro Alves, uma coisa ridícula para os padrões da Liberdade e Luta. Hoje acho o poema de Ferreira Gullar do cacete e volto a ler Castro Alves com toda a revolta dos meus 16 anos.
……………………………………………………………………………………

São os stalinistas que vão chamar Liberdade e Luta de Libelu. Libelu era a designação

Oficina, Macumba Antropófaga, SESC-Campinas (32)

Oficina, Macumba Antropófaga, SESC-Campinas (32).JPG

para gente festeira e inconsequente. Socialismo de festa e de orgia sexual. E  da droga, apesar de os militantes da OSI, que dirigiam a tendência liberdade e Luta ,serem expulsos ou excluídos se usassem droga. E mesmo hoje, Libelu, é uma maneira de desmerecer toda a importância que teve aquele pequeno grupo por colocar no debate a necessidade de lutar pelas “Liberdades Democráticas” e depois por um Partido Operário Independente e depois pela Assembléia Constituinte Livre e Soberana. Foram propagandas que causaram impactos, apesar do grupo minúsculo que era a OSI.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

“No plano da arte gráfica é possível aprendermos com a criatividade revolucionária que a LIBELU possuía. Enquanto que os stalinistas confeccionavam cartazes com foices, martelos e figuras cinzas, assexuadas e uniformizadas, a LIBELU desenhava no centro do seu cartaz um gatinho. Abaixo da imagem do pequeno felino surgia a seguinte frase: NEM TODOS OS GATOS SÃO PARDOS. Ou seja, existe diversidade (estética, sexual étnica, filosófica, etc) e o marxismo precisa lidar de modo revolucionário com esta questão. A atitude criativa da LIBELU”

Gatinho azul da Liberdade e Luta

Gatinho azul da Liberdade e Luta.

Será possível ignorar ” o nacional e popular”? – E a vida como é que fica?

“Que opor-lhe? Opomos, é certo, às superstições em que assenta a base do ritual, a critica marxista, a relação objectiva com a natureza e as suas forças. Mas esta propaganda cientifica e critica não resolve o problema: desde logo, porque não atinge ainda, nem atingirá durante longo tempo, mais do que uma minoria de pessoas; depois, porque essa própria minoria sente a necessidade de encarecer, de elevar, de enobrecer a sua vida pessoal, pelo menos nos momentos mais importantes.”(7)

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

lavadeira do abaeté -JOSÉ PANCETTI

lavadeira do abaeté -JOSÉ PANCETTI. “sem musa aqui não fico Odorico”

“Sem musa aqui não fico Odorico”
Frase atribuída da José Pancetti, quando foi para a Bahia a convite de seu amigo Odorico Tavares. Outra frase atribuída a Pancetti, que era chamado de comunista. “Partido Comunista me explora”.
As musas não morreram, a arte figurativa também não – é só olhar os muros das grandes cidades. Nem mesmo as vanguardas morreram.Mesmo a arte comtemporânea tem algo de figurativo e até utilitário.(2) Tudo ao mesmo tempo agora.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Os rituais laicos. “O Nacional Popular” não morreu e não deve morrer.

careta de Cazumbá, Maria Mazzillo-pg.51

careta de Cazumbá, Maria Mazzillo-pg.51

Vivemos hoje o crescimento de seitas evangélicas. A maioria apoia a direita. Todas elas atacam a cultura popular do Brasil. Em particular a Umbanda que os pentencostais, maioria destas seitas, atacam. Até mesmo alguns militantes atacam a Umbanda, assentando seus argumentos num pretenso purismo do Candomblé.
O que não podemos esquecer é que grandes manifestações populares são influenciadas pela Umbanda e semelhantes. O Maracatu rural e seus cantos da jurema. Aqui a Umbanda recupera a mata e a cultura indígena.

Reisado de Caretas, por Samuel Macedo

Reisado de Caretas, por Samuel Macedo

Na festividade de reis, os caretas do Reisado, dançam cantam e principalmente contam todas a mentiras possíveis para despistar os soldados de Herodes que procuram o menino Jesus. Uma festa religiosa, com bebida, música e mentiras. E máscaras.E sobem nos telhados, gritando que “vão fazer coco” e outras frases escatológicas, para atrapalhar a reza.
“A Gente brincava cinquenta, sessenta cazumbas num terreirão bonito, todos com caretas simples…
“Na hora da reza, pra atrapalhar o rezador, a gente fazia essas estripulias. Enquanto o pessoal tava rezando a gente tava fazendo toda essa macacagem. Trepava no alto do barracão, arrancava palha, gritava que queria fazer cocô” – idem pág. 28″(10))

Artesão Abel Teixeira - Foto Neidson Moreira (O Imparcial)

Artesão Abel Teixeira – Foto Neidson Moreira (O Imparcial) (Maranhão de Amanda)

No Bumba-meu-boi do Maranhão os cazumbas, mascaradas e paramentados, também vão na contramão da normalidade. Quando estão com a máscara, pais-de-família, ou crianças e mulheres, fazem a maior algazarra, brincam com os passantes, fazem disputas entre si, fingem brigar. Ao tirarem a máscara voltam à “seriedade” e ao bom comportamento.(5)

Foto de Caetano Veloso foi publicada nas redes sociais pelo coletivo Mídia Ninja

Foto de Caetano Veloso foi publicada nas redes sociais pelo coletivo Mídia Ninja

Além do mais as máscaras podem ser reatualizadas em momentos cruciais da nossa história. E provocar debates importantes. E quem diz que não podemos e devemos burlar a democracia, este momento privilegiado de luta, mas também do exercício supremo da sociedade de controle e controladora.
“É uma violência simbólica proibir o uso de mascaras. Dia 7 de setembro, todos deveriam ir às ruas mascarados”, disse Caetano, segundo o Mídia Ninja. O coletivo jornalístico divulgou informações sobre o encontro com o compositor em suas páginas no Facebook e no Twitter.(6)
……………………………………………………………………………………………………………………………………………..

jurema entidade de umbanda de origem indígena.(4)

Maracatu Cambinda Brasileira desfilou em sua cidade natal, Nazaré da Mata,

Maracatu Cambinda Brasileira desfilou em sua cidade natal, Nazaré da Mata-Pernabuco.

O município de Nazaré da Mata, em Pernambuco, capital do Maracatu de Baque Solto
“Dona Biu, uma das remanescentes da família fundadora, também falou sobre o que mantém a agremiação de pé. “Depois de Deus, Rei Salomão e a Jurema Sagrada”, disse referindo-se à religião predominante no maracatu de baque solto. O Cambinda Brasileira desfila na passarela oficial da cidade do Recife, nesta terça-feira (13), onde disputará o título do Carnaval 2018.”(3)
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

link

link

(1).MARANHÃO DE AMANDA(Não é o de Zé Sarney que seria odiável. É o Maranhao de Amanda que é amorável, amável, digno de ser amado.. Significado do Nome Amanda
Amanda: Significa “digna de amor”, “amável”, “aquela que deve ser amada”.

(2)- Parangolés e Penetráveis: a influência japonesa em Hélio Oiticica.
(3)- Maracatu Cambinda Brasileira desfilou em sua cidade natal, Nazaré da Mata, nesta segunda-feira (12)-por Paula Brasileiro
(4)- TORÉ E JUREMA: EMBLEMAS INDÍGENAS NO NORDESTE DO BRASIL – Rodrigo de Azeredo Grünewald
(5)careta de CAZUMBA (livro)
(6)- Caetano Veloso cobre rosto e divulga apoio a máscaras em protestos no RJ
(7)- Questões do Modo de Vida-Leon Trotsky
(8)- A crítica de arte hoje, Ferreira Gullar
(9)- PEDRO VERMELHO, de “UM RELATÓRIO PARA UMA ACADEMIA” , um conto de Kafka
Um grafiteiro que leu Franz Kafka.

(10)- careta de CAZUMBA (livro)-29/03/2018


Dentro da Chuva Amarela, II

27/09/2014

.Dentro da Chuva Amarela, William L.

Dentro da Chuva Amarela, Mendelssohn op.68Dentro da Chuva Amarela, Mendelssohn op.68, cont.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..
PLENITUDE. Dostoiéviski descreve os momentos que antecedem a crise sua aguda crise epiléptica como plenitude. Como algo do reino do maravilhoso. Transformou sua doença em páginas de imensa grandeza.

Veja Dostoiévski e seu personagem príncipe Michkin:
Eis como Dostoiévski descreve as auras de Míchkin, personagem central de O idiota e, certamente, o epiléptico mais célebre da literatura:O Idiota, Dostoiévksi, príncpe Michkin “Ele sonhou com a fase em que se anunciavam os ataques epilépticos quando estes o surpreendiam em estado de vigília. Em plena crise de angústia, embrutecimento e opressão, parecia-lhe de repente que seu cérebro se agitava e que suas forças vitais tomavam um prodigioso impulso. Nesses instantes rápidos como um relâmpago, o sentimento da vida e da consciência se decuplicavam nele. Seu espírito e seu coração se iluminavam com uma claridade intensa; todas as suas emoções, todas as suas dúvidas, todas as suas preocupações se acalmavam ao mesmo tempo para se converterem numa serenidade soberana, feita de alegria luminosa, de harmonia e de esperança, em favor da qual sua razão se elevava à compreensão das causas finais. (…) Estes instantes, para defini-los numa palavra, se caracterizavam por uma fulguração da consciência e por uma suprema exaltação da emotividade subjetiva. Se nesse segundo, isto é, no último período de consciência antes do acesso, ele tivesse tempo de dizer a si mesmo clara e deliberadamente: ‘Sim, por este momento dar-se-ia toda uma vida’, é porque, para ele, este momento valeria de fato toda uma vida”.
Instantes de plenitude”. O mal sagrado de Dostoiévski
A obra do escritor russo é repleta de detalhes que revelam a doença de que ele sofria: a epilepsia. Seus personagens apresentam sintomas como a “aura extática” (sensação de tocar o absoluto), e preocupação intensa com a moral, Deus e o destino.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Outro personagem notável, Kirilov, o ateu místico e suicida de Os demônios:

Outro personagem notável, Kirilov, o ateu místico e suicida de Os demônios, faz a seguinte revelação: “Há instantes, duram cinco ou sei segundos, em que sentimos de repente a presença da harmonia eterna, nós a atingimos. Não é uma coisa terrestre: não quero dizer que seja celeste, mas que o homem em seu aspecto terrestre é incapaz de suportar. Ele precisa se transformar fisicamente ou morrer. É um sentimento claro, indiscutível, absoluto. Abarcamos de repente a natureza inteira e dizemos: ‘Sim, é exatamente isso, é verdade’. Não é enternecimento… é outra coisa, é alegria. (…) Não é nem mesmo amor; oh! é superior ao amor. O mais fantástico é que é assustadoramente claro. E vem uma alegria tão imensa junto! Se ela durasse mais de cinco segundos, a alma não suportaria e talvez desaparecesse. Nesses cinco segundos eu vivo toda uma vida e por eles daria toda a minha vida, pois eles valem isso. Um pouco embaraçado, seu interlocutor pergunta: ‘Você não é epiléptico?’. Kirilov responde que não, mas o outro o previne: ‘Pois vai ser. Cuidado, Kirilov, ouvi dizer que era precisamente assim que começava a epilepsia. Um epiléptico descreveu-me em detalhes as sensações que precediam suas crises: era exatamente o seu estado; ele também falava de cinco segundos e dizia que era impossível suportar aquilo por mais tempo. (…) Cuidado com a epilepsia, Kirilov’ ” O mal sagrado de Dostoiévski

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Patologia e poder criativo

“Henri Gastaut, pioneiro na epileptologia francesa, era muito cético sobre a existência das auras extáticas. Ele dizia até que os médicos eram, na verdade, ludibriados pelas descrições totalmente ficcionais de Dostoiévski e que elas desde então faziam parte do folclore médico sem que ninguém tivesse pensado em questioná-las. Por outro lado, Dostoiévski era muito consciente da origem talvez mórbida de suas idéias. Eis o que ele fez o príncipe Míchkin dizer sobre o assunto: “Que importa que meu estado seja mórbido? Que importa que essa exaltação seja um fenômeno anormal, se o instante em que ela nasce, evocado e analisado por mim depois que retomo a saúde, se assevera como de uma harmonia e de uma beleza superiores, e se este instante me toma, num grau inaudito, inesperado, um sentimento de plenitude, de moderação, de apaziguamento e de fusão, num impulso de prece, com a mais alta síntese da vida?”.O mal sagrado de Dostoiévski

Um texto de psiquiatra que discute questão patológica:

Príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin (“O Idiota”, Fiódor Dostoevsky) e a síndrome de personalidade interictal na epilepsia do lobo temporal

………………………………………………………………………………………………………………………………………:…………………………………………………..

links

ARTES EM REVISTA
um panorama do que acontece em teatro, cinema, música, literatura e artes visuais

O mal sagrado de Dostoiévski

Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Pra ler
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

.
MENDELSSOHN, OP.68.

Não encontrei nem no Youtube e nem no Grooveshark


DENTRO DA CHUVA AMARELA, William L.

27/09/2014
.Dentro da Chuva Amarela, William L.

O Estado de Minas, 07/05/2000 “Livro sobre doença que afeta mais de um milhão de brasileiros ” . William L. pseudônimo de Walther Moreira Santos

Hoje Sou Alice, capa

E os milhões no mundo inteiro. Reféns da indústria farmacêutica. Abandonados, despedidos, desempregados, marginalizados e doentes. Quando li este Alice fiquei emocionado e estou até hoje, dois anos depois. Vou reler. Mesmo que não seja alta-literatura. Nem só de biscoitos finos vivem os homens.

Dentro da Chuva Amarela, ficha
O olhar na montanha de livros do sebo, em promoção de 5 reais, foi para a capa. A da nova edição não me levaria para Van Gogh, o que me fez pegar o livro. Vi logo que tinha um quê de auto-ajuda. E desde que apareceu Paulo Coelho que fiz um juramento de nunca ler um livro de auto ajuda. Mas o tema anunciado na capa me faria comprar qualquer livro se fosse barato. O título me cativou. Não resisto a um bom título. E o título mexeu com algo e misturou-se com a loucura de Van Gogh do sol amarelo da capa. Vacilei por cheirar a abominável auto-ajuda. Mas o sub-título: “Memórias de um maníaco depressivo”. Tento também resistir, em vão, a comprar livros de depoimentos. Li a primeira página e achei que era um grande escritor desconhecido. Li o livro hoje mesmo. Foram 4 ou 5 horas que me fez ter acesso às agruras do doente mental no Brasil.

Aqueles 1 milhão e meio de maníacos-depressivos não sei se beneficiarão do livro, se realmente será um ajuda. Mas para mim, na ânsia, incontrolável de querer acessar as dores de toda a humanidade, valeu a pena.
Depois fui ver, na internet, que o Walther Moreira Santos é um escritor de 26 livros e alguns prêmios. Aprendi algo com a narrativa em primeira pessoa. Me horrorizei com a indigência dos médicos. Sei que o autor riu, mas me penalizei com sua peregrinações por várias medicinas alternativas e charlatões. E tive a felicidade de saber que continua vivo e escrevendo 25 outros livros, convivendo com uma doença tal maltratada e mau tratada.
Com milhares de coisas para ler e ouvir, tenho dúvidas que vou comprar ler algum outro livro dele. Mas se encontrar no sebo, talvez não resista. Nunca resisto a livros baratos. Mais difícil ainda resistir a uma capa e a um título como Dentro da Chuva Amarela.
E o livro é convincente. E ajuda a compreender um pouco do sofrimento de 1 milhão e meio de brasileiros abandonados à própria desventura. E me emocionei o tempo todo. E meu impulso é ler mais. E sei, e como sei, que só aumentará minha impotência diante das tragédias que assolam a humanidade. Ler não deixa de ser uma fuga. Sabemos, qualquer um sabe, que os muitos milhões de doentes mentais, talvez uns 40 milhões só no Brasil, ficarão com seu sofrimento, suas tentativas de suicídio, seus suicídios, a família será destruídas por dores e mais dores; e pouco, muito pouco será feito. A sociedade capitalista precisa descartar estes milhões de seres improdutivos. Pura e simples eugenia. E a sociedade individualista tem horror a se envolver com seres que carregam dor e delírios. E os reformadores e revolucionários são tão poucos e são tantos os problemas que… o que valem 1 milhão e meio de maníaco depressivos que são incuráveis. E os depressivos, bem provavelmente, não tem muito ânimo para lutar. Se maníaco deliram. Além de tudo, fora da medicação, qualquer tratamento é muito caro, inacessível a qualquer trabalhador, até mesmo a grande parcela da classe média. A indústria farmacêutica fica muito feliz com esta dolorosa estatística.capa de  O Tempo e o Cão
Diz Maria Rita Kehl, no seu livro O Tempo e o Cão, que nos Estados Unidos doenças como a depressão cresceu 5% em 10 anos; mas no Brasil, sem estatítica, apela-se para o crescimento da venda de antidepressivos. Pasmem!: cresce a 22,5 por cento ao ano, ou seja, a cada 5 anos a venda de antidepressivos no Brasil cresce mais de 100 por cento. (as cifras dos Estados Unidos tenho que conferir, mas do Brasil tenho total certeza, até pela sua grandeza e descalabro). O horor, o horror, o silencioso horror.

Por isso a dor de todos Willim L. é uma dor fadada aos subterrâneos, silenciosa. O livro comove, mas as vítimas são quase invisíveis. E assim continuarão.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

links

Print Capa Dentro da Chuva.qxd

01. Livro propõe ´alta-ajuda´ para bipolar, Mundo News
02. Entrevista com Walther Moreira Santos
03. Blog do autor

O Estado de Minas, 07/05/2000

“Livro sobre doença que afeta mais de um milhão de brasileiros vai ser adaptado para o teatro por Marcelo Rubens Paiva”.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..


Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

03/12/2013

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta


CANCRÓPOLIS

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………


……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

78 programas num único dia!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

pingback

01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

link

01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

************************************************************************************************************

04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

01. Morreu Gabriela Leite
02. Fátima Oliveira: Os legados de Norma Benguell e Gabriela Leite


BELMONTE, “O maior desenhista do mundo”: Jaguar

14/01/2013

O maior desenhista do mundo. Era assim que Jaguar, em criança, via Belmonte. Neste mesmo prefácio diz que não o vê mais assim, em 1982. Mas que um desenho seu vale por mil palavras.
Queria que os jornais hoje fossem assim. Usando a arte e não a realidade. Em que jornal poderíamos ver Hitler e Stalin vestidos de mulher? Hoje, tendo notícias de que Hitler fazia seus discursos inflamados depois de tomar uma injeção de super-anfetaminas(metanfetaminas) na bunda. Seria maravilhoso vê-lo desenhado assim. Isso faz o desenho ser mais importante que a foto. Gostaria que os jornais, em particular da esquerda, fossem ilustrados com desenhos, caricaturas, charges, xilogravuras…

[Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho maior]
011 - Caricatura dos Tempos, Belmonte

013

Biblioteca Mário

Caricatura dos Tempos, Biblioteca Mário VII-073.000 B001c

Caricatura dos Tempos, Biblioteca Mário VII-073.000 B001c

Caricatura dos Tempos, Belmonte, Introdução

Caricatura dos Tempos, Belmonte, Introdução

008 - Caricatura dos Tempos, Belmonte, Círculo do Livro, 1982
004 - Cópia - Caricatura dos Tempos, Belmonte
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

GALERIA DE FOTOS E TEXTOS.


……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

01. Saldados de Hitler movidos à droga?(Acervo da segunda guerra mundial)

02. Tarso Araujo, autor de “Almanaque das Drogas” no Jô Soares ////////////////////////////////////// direto no na entrevista
03. Biblioteca Mário


Euclydes da Cunha com Y

02/12/2012

Edição crítica, 2000

“Não sei se já aí chegaram notícia da Reforma Orthographica … (Aí deixo, nestes maiusculos e nestes HH, o meu espanto e a minha intransigência etiológica!) […] Há ali coias inviáveis: a expulsão do y, tão expressivo na sua forma de âncora a ligar-nos com a civilização antiga, e a eliminação completa do k, o hierático k, (kapa como dizemos cabalisticamente na Álgebra0… Como poderei eu, rude engenheiro, entender quilômetro, sem o k, o empertigado k, com as suas duas pernas de infatigável caminhante, a dominar distância? Quilômetro, recorda-me kilometro singularmente esmagado ou reduzido; alguma coisa como um relíssimo decímetro, ou grosseira polegada. Mas decretou a enormidade; e terei, doravante, de submeter-me aos ditames dos mestres”.

(Euclides da Cunha, carta a Domício da Gama, Rio, 15.8.1907).

Biblioteca Mário

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Os Sertões, 1902

Nem quero entrar nos méritos de reformas ortográficas. A língua escrita é uma convenção que nunca vai dar conta das diversas pronúncias regionais ou nacionais do português, ou de qualquer língua. Então tanto faz escrever com Y ou com I. Sou contra qualquer reforma ortográfica. Acho que só ajudam as editoras a lançar novos livros e tornar obsoletas bibliotecas inteiras.
Mas mudar o nome das pessoas eu já acho demais. Euclydes da Cunha foi registrado, assinou seus livros com Y. Portanto ele chama Euclydes. Aqui nesse blog, antes de conhecer este seu protesto eu grafava com Y.

Também me lembro da ortografia totalmente espirocada de Glauber Rocha, releitor de Euclydes da Cunha.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..


Falo no Jardim

02/12/2012

Biblioteca Mário

A editora da Unicamp e Ateliê Editorial, numa esmerada edição, publicaram o livro de João Ângelo Oliva Neto. Poemas ao deus Priapo. Poemas eróticos ao falo. E magnificas ilustrações coloridas, coisa rara em publicações universitárias. São publicações caras, mas deixo de lado muita coisa para ir comprando, nas feiras anuais. Reclamo, mas não me arrependo de ter comprado objetos tão caros.Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp - Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp – Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Sei que vou esperar sentado um publicação equivalente, com o mesmo esmero, com tantas ilustrações sobre a história da xoxota. Sei que ela tem papel positivo, de sortilégio, em muitas culturas. Mas seria maravilhoso um livro do mesmo porte do Falo no Jardim. A Unicamp tem uma grande parte, até mesmo maioria, de mulheres nos seus cursos. Na área de humanas, com certeza, é a maioria. Seria de esperar uma pressão para que houvesse uma publicação dessa.

Perdi um livro chamado História de V. Sem ilustrações. No prefácio ou introdução uma antropóloga critica a autora por, conservadoramente, usar a horrorosa palavra vagina. Pior que isso só o termo vagido para o choro de recém nascido. Nem mesmo usa vagina, dá a entender usando um grande V na capa, História da V.

Já mencionei aqui neste blog que o quadro de Gustave Coubert, A Origem do Mundo,  foi censurado por 128 anos. Pior. Lacan o escondeu por décadas e fazia uma espécie de cerimônia para mostrá-lo.  Apenas porque, realisticamente, pintou uma xoxota, quando há pintos em profusão pelos quadros, estatuária, desenhos; e por toda a cultura popular, inclusive nas expressões comuns, muitas que antes ofensivas viraram elogios, como “do cacete” e muitas outras. Não conheço nada parecido com a xoxota. Vi muitas mães ensinarem as filhinhas a chamá-la de baratinha, mas pela repulsa que as baratas causam, o diminutivo não alivia muito. Assim como a mania de ligar xoxota a coisa feia ou mesmo desagradável.

Enquanto não conhecer um bom livro, bem editado, bem ilustrado, vou aqui tentando juntar algumas ilustrações das artes, pintura, poesia, desenho, escultura… que dê um tratamento apaixonado ao corpo da mulher. Aqui, neste blog de elogios e loas, e não de crítica e denúncia,  ignorarei o que não for homenagem.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Este slideshow necessita de JavaScript.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz
Do sexo das meninas

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

fulgaz

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras. Um sexo que passa ligeiramente, mas brilhantemente.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

galeria

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras.
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Esse post será sistematicamente atualizado.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Atualização 28/08/2012

links para este mural de Jamie McCartney

Agradecimentos fervorosos à minha amiga que enviou os links. Fui ao Google e é o esperado. Um monte de abordagens politicamente corretas. Protestos contra cirurgias, este moralismo tolo e inútil. Perdi a paciência e não procurei muito não. Onde tem alguém para ver a beleza das xoxotas. O próprio mural de Jamie McCartney não tem cor, talvez próprio para um consultório ginecológico. Assim como um coleção de moldes de gesso num consultório de dentista. Era preciso um mural com cores e pelos. Xoxotas negras, brancas, asiáticas, mestiças… de todos os tipos.

01. Folha de São Paulo
02. Folha de São Paulo

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Atualização 30/10/2012

KUBIN, Alfred -todessprung (morte súbita)-1902

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..
01/11/2012
Otagawa School – shunga

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
02/12/2012
Arlindo Daibert.

Daibert, Arlindo

Daibert, Arlindo

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
26/07/2013
Enviada por Priscila Salomão
Jami Aka

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

atualização, 25/09/2014

ALENA KUPCIKOVA, 2 ALENA KUPCIKOVA, Aukční síň Vltavín Aukční síň Vltavín, Alena Kupikova Aukční síň Vltavín Pêlos, cláudia ohana.2 Pêlos, cláudia ohana.3 Pêlos, cláudia ohana

 

Alena Kupčíková


Graffiti and Urban Art. Presença, Presente e lance.

18/11/2012

Priscila Salomão, um presente – e um sol na cabeça. Dia 17/11/2012, 60 anos do diretor deste jornaleco, com performance de 40 e desejos de 20. Priscila a personal agitadora cultural e outras bossas.

Graffiti and Urban Art: Cristian Campos:Editorial Projetct. Barcelona, Espain. Biblioteca Mário VII-073.200 C001g

Presente da pequena comemoração dos meus 60 anos. Presente, Priscila. E um presente, foi sua presença, Priscila. E de presente o que poderíamos chamar de um presente, um regalo, um iniciar de presentes cotidianos, comemorações diárias, pela abertura para novas descobertas – obrigado por este caro, já querido, e magnífico livro.       [Biblioteca Mário]

Suso 33, máscara

Priscila chegou mostrando essa página em que viu as máscaras africanas que nos causaram tanto impacto – e causa. Novamente intuiu. A obra chama-se máscara.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Na primeira olhada o que mais impressionou foi SUSO33. Aproveitando os horrores da arquitetura urbana. Principalmente as ruínas e demolições. Este horror que parece provisório terá uma arte provisória. Quase que como se quiséssemos que as ruínas continuassem. Teria, se tivesse contato direto, uma espécie de saudade antecipada.

E Priscila já da a dica:Giacometti. Não é difícil ver nesta máscara de Suso a gaiola de Giacometti enquadra e dirige o olhar.

Á árvore, ao fundo, no cemitério – parece -, também é uma garatuja natural. Como são garatujadas as máscaras, como também podemos ver em Giacometti. [há algo semelhante nas “hachuras” de Toulouse-Lutrec – a estudar e conferir].

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Desavergonhada Utopia Socialista em forma de plataforma

Primeiro uma distopia: quando é que os socialistas vão reconhecer que a chamada história do socialismo real é uma história da inimizade dos socialistas com a arte. Há períodos que fazer arte na Rússia, que se chamava União Soviética, era um crime lesa estado. Põe-se, normalmente, tudo na conta do stalinismo brutal, ignorante e sanguinolento.  Mas eu não tenho provas de que o período bolchevique houve liberdade artística, como deve ser, total absoluta, anárquica.

Gostaria de ver um jornal “nanico”, chamados de operários e de jovens operários, adotar o graffiti, a arte de rua, nas suas imagens.  Uma arte gratuita. Fora do sistema. Inventiva. De intervenção e ação. Não é e nem deve ser a única arte, mas uma intervenção na vida urbana, melhor ainda, uma intervenção na vida. Que deve ser um único metro para medir as coisas. Tudo que representa morte é religião, é cristianismo, eu auto-flagelação, é asceticismo.

E a mais revolucionária, para mim, arte de rua, é exatamente a que não é propaganda política ou social, mas que intervém, pelo visual, a vida nefasta do capitalismo, com suas demolições, degradações, exclusões.

Suso 33 , ausencia. Mas que é antes de mais nada, presença do artista num lugar totalmente inóspito, inesperado, dando vida á destruição e morte que é uma face do capitalismo.

O luta para o socialismo tem que ganhar todos os artistas, do folclórico ao arte de vanguarda-de invenção.  Para isso o total anarquismo em arte. Total e absoluta tolerância.

Substituir os  jornais feios e maçudos da esquerda, por algo ligado a uma vida pulsante seria uma ato de vanguarda revolucionária.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

links

01. SUSO 33

02. google, imagens de Suso 33
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

pingback

01. Alter e Memória, apontamento 01
02. Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

novidade da semana

01.RENAUD GARCIA-FONS [procure no Grooveshark, especialmente por Poussière de Ksar ]. Procurando por violoncelo na música flamenca deparei com este contrabaixo (dauble bass).  Há 3 ou 4 dias que só ouço isso. E não me cansei.


Toda beleza das coisas nasceu da pintura: LEON BATTISTI ALBERTI

29/10/2012

“Talvez não se encontre arte de algum valor que não tenha vínculo com a pintura, de tal forma que se pode dizer que toda beleza que se encontra nas coisas nasceu da Pintura

“O texto de Alberti que se vai ler é o primeiro, na literatura artística, a constituir a pintura como objeto de teoria e doutrina sistematizadas”: Leon Kossovithc na Apresentação de Da Pintura, de Alberti.

“Em que grau contribuiu a pintura para as justíssimas delícias do espírito e para a beleza das coisas pode-se ver não apenas de outras coisas, mas principalmente do seguinte: não se pode conceber nada tão precioso que não tenha se tornado muito mais caro e gracioso pela pintura. O marfim, as gemas e outras coisas caras do gênero tornam-se mais preciosos pela mão do artista.  Até o outro trabalhado com a arte da pintura se equipara a muito mais ouro não trabalhado. Até mesmo o chumbo, o mais barato dos metais, transformado em figura pelas mãos de Fídias ou Praxiteles será tido como mais valioso que a prata.”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

NÃO FOI O MERCADO CAPITALISTA DAS ARTES QUE SUPERVALORIZOU OS QUADROS, COMO COMUMENTE SE DIZ

“Zêuxis pôs-se a doar suas obras porque, como dizia, não podiam ser compradas. Pensava ele que era impossível achar um preço justo que satisfizesse a quem, figurando, pintando animais, se assemelhava quase a um deus”

VÁRIOS PINTORES RETRATARAM A LENDA DE ZÊUXIS

Francesco Solimena – Zeuxis and the Maidens of Croton

Edwin Longesden Long – The Chosen Five (Zeuxis at Crotona)

“Registram-se preços inacreditáveis de quadros pintados. O tebano Aristides vendeu uma só de suas pinturas por 100 talentos.”    (*)

“Dizem que Rodes não foi incendiada pelo rei Demétrio de medo que um quadro de Protógenes pudesse ser destruído. Podemos dizer aqui que a cidade de Rodes foi resgatada do inimigo por uma única pintura”

“Assim, esta arte proporciona prazer, aos que a praticam, e glória, riquezas e fama eternas, aos que nela são mestres”

(*) 100 TALENTOS:  por volta de 342 gramas de ouro, equivalente com o preço do ouro hoje, quase 50 mil reais. Ver tabela

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

CIRCUNSCRIÇÃO, A ORLA, A LINHA

“A circunscrição nada mais é que o delineamento da orla, que se for feito com linha muito aparente, não indicará ser margem da superfície, mas uma fenda…Nenhuma composição e nenhuma recepção de luz se pode louvar onde não exista uma boa circunscrição;:Alberti

A casa do enforcado, Cézanne, 1872; 417 anos depois da questão colocada por Alberti.

A mesma questão na pintura de Cézanne parece ter solução diferente ( conforme “Cézanne, Grandes Mestres, Abril Coleções VII-072.060 Coo1g):   “Desapareceram também os contornos dos objetos, antes traçados com lápis ou carvão vegetal, abrindo espaço em alguns casos para linhas sutis sem pintura, que assinalam os limites entre os vários elementos”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

A COR

Cézanne: “Não há senão um caminho para expressar totalmente, para o interpretar: a cor . A cor está viva: por si só torna viva as coisas”.  O texto do fascículo “A Grande Arte na Pintura” da editora Salvat comenta(VII-073.059 C001s): “Esta foi outra das grandes lições que os pintores do nosso tempo descobriram  na obra de Cézanne”

“Dizem que Zêuxis, pintor muito antigo e famoso, foi quase o príncipe dos pintores por conhecer a força da luz e da sombra”. Alberti, Da Pintura, 1435

“A luz tem força para variar as cores, ensinamos como uma mesma cor, de acordo com a luz que recebe, altera sua aparência”. Alberti

“Concordo que muito contribuem pra a graça e o prestígio da pintura a copiosidade e variedade das cores. Gostaria , porém, que os pintores doutos estivessem convencidos de que o ponto mais alto da competência e da arte está em saber usar o branco e o preto…”Alberti

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“arte agradável aos doutos e indoutos”

“Quanto a mim considero o deleite da pintura como o melhor indício do mais perfeito engenho, embora ocorra que essa arte seja agradável tanto aos doutos quanto aos indoutos.  Em qualquer outra arte raramente acontece  que agrada ao experiente possa comover o inexperiente, nem é frequente encontrar quem não deseje grandemente ser versado em pintura”
“inúmeros cidadãos romanos ensinavam aos filhos a pintura, ao lado das práticas para viver bem e feliz. Esse excelente costume era bem mantido pelos gregos. Eles queriam que seus filhos, bem instruídos, aprendessem a pintura, lado a lado com a geometria e a música. Até mesmo para as mulheres era um honra saber pintar. Márcia, filha de Varrão, é louvada pleos escritores porque sabia pintar”.
“E tal foi a honra e o prestígio da pintura entre os gregos que foi promulgado, por edito e lei, que aos escravos fosse proibido aprendera  pintar”

Da Pintura, Alberti.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

UM SÉCULO DEPOIS DO LIVRO DE ALBERTI. PINTURA PARA INFUNDIR TEMOR E TERROR.

bosch – cristo carregando a cruz

Sabemos que a Igreja Católica usou a pintura para doutrinar e infundir terror aos analfabetos.  Assim foi a indescritível pintura de Hieronimus Bosch.

O movimento barroco foi um subproduto da luta da igreja católica, através da chamada contra-reforma, na sua luta contra a reforma protestante. O Concíilo de Trento propõe aumentar as imagens em reposta aos protestantes que as abolia.  El Grego, grande inovador da pintura, era amigo de inquisidores espanhóis e ele mesmo partidário da contra-reforma. Todo este reacionarismo não impediu que fosse um grande inovador da pintura.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

O inacabado

Alberti, em Da Pintura, 1435, já encontrava lugar para o inacabado na pintura, mesmo que louvando o realismo e a perfeição entre o a representação e o representado.

“Tenho visto alguns pintores, escultores e mesmo retóricos ou poetas – se é que em nossa época se encontrem retóricos e poetas – entregarem-se com empenho ardente a uma obra; posteriormente, esfriado o ardor do engenho, deixam a obra inacabada e tosca e com nova paixão se dão a novas coisas. Eu não tenho dúvida em criticá-los. Todo aquele que deseja que suas coisas sejam agradáveis e aceitas pela posteridade deve primeiramente refletir com cuidado sobre o que tem a fazer e, depois, torná-lo bem-acabado;mas deve-se evitar o escrúpulo daqueles que querem que em tudo não haja nenhum defeito e que tudo seja polido demais. Nas suas mãos a obra se torna velha e desgastada antes de terminada. “Da pintura, Alberti

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Da apresentação de Leon Kossovitch ao livro Da Pintura de Leon Battisti Alberti.

 

APRESENTANDO O LIVRO I DE “Da Pintura”:

“O texto de Alberti… é o primeiro, na literatura artística, a constituir a pintura como objeto de teoria e doutrina”

“Alberti monta seu discurso com geometria e retórica (e poética), instruindo aprendiz distinto do dos autores precedentes, pois familiarizado com artes liberais. Problematizador apesar de didático, o DA PINTURA, como referência da investigação de pintores posteriores (muito de Leonardo dele deriva) e como gênero discursivo (a tratadística do XVI o pressupõe), singulariza-se na história das teorias da pintura…”

…”A geometria de base euclidiana, exposta nas definições elementares e operante na análise da perspectiva, é, todavia, superada por noções tiradas da óptica, porquanto é a visão, no texto, a interessada…”

…”DA PINTURA não se deseja matemático por inteiro: não é obra  de geômetra escrita para geômetra, mas, de pintor, para pintores… Por isso, após a sucessão de definições geométricas, como ponto, linha, etc., a superfície, também assim definida, dirige a análise em outro sentido: distinguindo , por um lado, as qualidades permanentes, que constituem a superfície como tal, independente do olhar, a saber, as linhas e os ângulos …”

“…As superfícies variam com o lugar e a luz, cuja consideração extrapola a geometria…”

“… Implícitos na visão, lugar e luz delineiam dois  dos principais temas do escrito, a perspectiva e a recepção de luzes, respectivamente…”

“A superfície também varia com a luz, tema aflorado nos “rudimentos”, tratá-se da análise gtdos efeitos luminosos na superfície colorida: na sombra a cor fica escura e, na luz, clara…  Luz e sombra pensam a cor, que em si mesma é pouco analisada…”

“Geradoras das mutáveis, as quatro cores são gêneros, e as misturadas, espécies. A verdade das geradoras está em sua correspondência com os quatro elementos (fogo=vermelho, ar=azul, água=verde, terra=cinzento ou pardo)…”

“…No que se refere às cores, são elas pouco desenvolvidas em Alberti, assim como nos autores do século XVI em geral; a cor torna-se objeto de discussão apenas a partir de meados do século XVI veneziano. No Quatrocentos, ela está subordinada ao desenho e ao claro-escuro…”

APRSENTANDO O LIVRO II DE “DA PINTURA”:

“DA PINTURA: ela participa do movimento que expele as referencias cristãs (centrias em Teófilo, Dionísio ou Cennini) em benefício das humanistas…”

“…A arquitetura tira da pintura os ornamentos, no que é acompanhada por outras artes que também têm nela modelo…”

“…a pintura supera a escultura em razão da dificuldade de sue objeto; esta superioridade comporta riscos, pois os defeitos são comuns na pintura e raros na escultura…”

“Desenho e véu estendem-se à composição. Esta noção complexa, excede-os. A composição de partes não trata apenas de superfícies, pois, abrangente, abarca a “história”, o mais elevado dos objetos do pintor. Conceito central, a história, a narração…”

“… a poesia e a pintura. Narrativa, esta determina por propriedade do discurso do poeta e do orador (por isso, aliás, Alberti exorta o pintor a frequentá-los…”

“A história, figurada como cena, é homóloga ao discurso do orador, que, instruindo, agrada e comove o ouvinte…”

“…faz o espectador pensar estar vendo mais do que vê (a recepção pauta-se pela retórica, pois introduz o tema do excedente, do significar-se mais do que se  significa…”, [tendo em conta que Alberti, em todo livro III propõe a imitação da natureza, mas vê-se, que não esquece a distorção para significar, assim como não esquecera do inacabado, quando fala da perfeição]”.

“Comover difere de agradar… A conveniência das partes do corpo para a figuração exata das afecções é difícil, propondo Alberti preceitos para a determinação do efeito visado…”

“… o triste é lento, tem membros pálidos e malseguros, enquanto o melancólico tem testa franzida, cabeça lânguida, membros caídos e descuidados…”

“Os movimentos do corpo são extensamente analisados, pois agradáveis como poses e comoventes expressivos dos sentimentos da alma…”

“…Além dos movimentos dos seres animados (há-os de animais…), os dos seres inanimados detêm Alberti, pois estes participam nas cenas: na figura humana os cabelos e panos movem-se dignamente e, não sendo admitido inverossímel na figuração, de tal movimento representa-se a causa, vento, que, suplementarmente, desnuda as partes belas dos corpos. O Vento está assim figurado no Nascimento de Vênus, de Boticelli.

botticelli, nascimento de vênus

“A terceira parte da pintura, recepção de luzes, conclui o Livro II. dois efeitos da luz são analisados. como se viu, a luz e a sombra, expressas por branco e preto, estendem as quatro cores elementares e, copiosas variadas, suas espécies [misturas]  repropõem, aqui, o ornato. Todavia, o efeito mais louvado, a “maravilha” da Antiguidade, está no relevo, produzido pelo suso parcimonioso do branco e do preto: fingindo escultura, o relevo vence a bidimensionalidade do suprote, fazendo o rosto saltar à sua frente. Tal ilusionismo também é referido à perspectiva, que aprofunda o olhar…”

APRESENTANDO O LIVRO III DE “DA PINTURA”:

Chiaroscuro-Da Vinci

“No “pintor”, Alberti avança pelo ofício e pela conduta. Reinterpreta as partes da pintura, tendo em vista a execução: retomando o fim do Livro II, faz o pintor descrever com linhas e pintar com cores as superfícies dos corpos em tábua ou paredes; seguindo as regras da perspectiva, ele figura o relevo, tornando as superfícies semelhantes aos corpos. Com o claro-escuro, o pintor imita a natureza e, assim, instrui, comove e agrada o espectador…”

O Baglione na tela “Amor sagrado frente ao Amor profano”

Caravaggio-Amore vincitore

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

o autor, retirado do texto de  Cecil Grayson

alberti-leon-battista

Leon Battisti Alberti nasceu em Gênova em 14 de fevereiro de 1404.  Alberti escreveu várias obras literárias, antes e depois de Da Pintura.  Escreveu elegias e églogas e prosa amatória, narrativas de viagem. E provavelmente verteu para o italiano, em versão livre, Dissuasio Valerii ne uxorem ducat, de Walter Map, “expressão extremada de uma misoginia que ocorre com freqüência, a seguir, nas obras de Alberti”. “…É difícil datar as obras em italiano, quase todas amorosas, notáveis pela variedade de forma (sonetos, sextilhas, baladas, madrigais, frottole, églogas), pelo vigor da linguagem e força de expressão, de tal modo que hoje Alberti é reconhecido como um dos mais importantes inovadores do Quatrocento nesse campo.”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

links

Leon Battista Alberti (1404-1472)- Da pintura(1435) – Richard John


CÉZANNE, de Philippe Sollers —————————————————- Eis a moça de nádegas carnudas! Como ela exibe bem em em meio ao prado Seu corpo flexível, esplêndido desabrochador! A serpente não é capaz de tanta sinuosidade, E o sol brilhando lança complascente(sic) Seus raios dourados sobre esta carne bela.

05/10/2012

Auto-retrato. Bibloteca Mário VII-072.030 C001g (1)


Durante semanas que li e anotei sobre Cézanne o fiz, o tempo todo, horas a fio, com  música de Jimi Hendrix.  O velho e  tocante blues, catapultado ao futuro pela guitarra mais inventiva que ouvi. Hoje, se confirma, Jimi Hendrix está à frente da indústria cultural que não o suportaria hoje.  E tão poderosa guitarra que nos faz rir de alegria diante do mais triste e arrasador blues. A tragédia pessoal que o acometeu parece apenas uma anedota diante de seus solos pulsantes. Vivificadores.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cézanne e Picasso. Qual é o tempo de Cézanne?

“É uma estranha experiência descobrir de repente que Cézanne não conduz necessariamente a Picasso, mas ao contrário, vem de novo depois dele. Um outro “antes”? Um outro “depois”? Uma desorientação da história da arte, tão arraigada a suas classificações, seus encadeamentos, suas casualidades mecânicas? Um outra pergunta da história? Cézanne como recusa do mito da modernidade, sem que possa de modo algum significar uma volta ao passado? Cézane não PASSANDO, mas tornando-se sem cessar o que ele foi? 

Qual é o TEMPO de Cézane?”.

O Paraíso de CÉZANNE, de Philippe Sollers . [ Biblioteca Mário]

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Essas anotações são estudos muito preliminares. Há afirmações,  como essa

“Na verdade, todas as árvores são de Cézanne, deveríamos chamá-las assim. Os pinheiros, sobretudo? Sim, mas também as outras árvores”,

precisam de uma capacidade de ver que não tenho. Consigo ver que são coisas totalmente criadas, como desejava Cézane, um natureza a Cézanne – sem poder ter total certeza disso, pelo meu incipiente conhecimento (além de tudo, o pouco conseguido é através de reproduções, pálidas ideias de pintura).  E fico querendo ver mais, e mais e mais. Mas Philippe Sollers adverte:

“Muito poucos indivíduos VÊEM. Isto é mais que estranho, mas é assim. Não devemos, portanto nos surpreender se o menor espetáculo tem, sobre a maioria, tanto efeito. As vociferações, os programas, o dinheiro, o circo, a televisão, o poder, isto é que é normal no que se poderia chamar de psicose narcísica endêmica do gênero humano”.

E Cézanne:

“Eu vos devo a verdade em pintura, e a direi”

Philippe Sollers:

“Então você verá que não vê. Poderá aprender que passa seu tempo sem querer ver nem saber”

Consigo ver sim que não são naturezas mortas, mas coisas bem vivas. E Philippe Sollers faz várias afirmações bastante categóricas que não tenho a menor condição de avaliar. Mas é evidente que não é um crítica bem comportada, facilmente aceitável. Cita, para abonar suas interpretações, Nietzsche, Heidegger, Rimbaud, Lautréamont e Ducasse. E desenca, em particular, Zola e, um pouco, Sartre e Camus.

Há em mim uma ansiedade para dominar esta discussão com todas estas leituras. Há angústia de só poder ver reproduções dos quadros. Mas, mesmo em reproduções, há a determinação de ver e ver. E diz Philippe Sollers que Cézanne achava a pintura mais forte que a vida e a morte. E queria morrer pintando,  o que de fato aconteceu.



………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

Cézanne não é contemporâneo de Zola, diz Philippe Sollers,  como  Zola quis retratar em L’OEUVRE. Obra que levou Cézanne a romper com o amigo de juventude. Ele volta ao passado, sem ser passadista, volta a  Delacroix e Coubert, para dar um salto, como afirma Philippe Solers, para além de Picasso. Picasso e Matisse  que endeusam Cézanne, à contracorrente da direita e da esquerda.

Mas são as mesmas questões colocadas para Michelangelo Buonarroti. Também recusa seu tempo. Volta ao passado dar um salto à frente. Me parece uma das grandes questões da arte este retorno ao passado para alçar voo ao futuro.

Isso parece um constante em grandes criadores, na pintura , que foram anotados em posts do jornaldoporao : El Greco, Michelangelo Caravaggio e Giacometti. Pretendo, breve, fazer um leitura do “ABC da Literatura”, de Ezra Pound que estuda isso em literatura.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

FREUD

Freud dividiu o homem em duas metades, como fez Platão. Metade desejo(Eros), metade Tanatos, ou a pulsão de morte. Para Phillipe Sollers o erro de Freud está na proporção, pois a pulsão de morte ocupada 99 por cento dos caminhos da humanidade, em velocidade crescente. O restante um porcento seria a pintura de Cézanne e outras realizações que afirmam a vida.

E Cézanne se coloca diante da questão: “Não seja crítico de arte! Faça pintura! Aí está a salvação!

“Eros, veja bem, você pode comtemplá-lo de imediato num das últimas telas de Cézanne, NATURE MORTE AVEC L’AMOUR EN PLÂTRE (“natureza morta”!), onde as cebolas dispensam qualquer comentário em face da pintura de uma moldagem – uma estátua de Puget – cheia de energia. Como introduzir a escultura NA pintura, um espaço em outro espaço, um tempo em outro tempo?

Quando, nos EUA,  um menino de 6 anos sai algemado da escola por ter beijado no rosto um colega de 8 anos. Quando a Academia de letras censura uma conferência do professor Jorge Coli, porque ilustrava a sua exposição com o quadro, Origem do Universo, de Courbet (um dos ídolos de Cézanne) e não temos reação quase nenhuma é que o diagnóstico de Philippe Sollers é aterradoramente verdadeiro:

“É finalmente surpreendente que Freud tenha acreditado que devia introduzir uma simetria entre o desejo erótico e a morte, Eros e Tânatos, recorrendo para isto à fábula platônica de uma unidade sexual dividida à procura de si mesma. Dois gêmeos eternos em luta um contra o outro? GÊMEOS, verdadeiramente? Opostos? Prosseguir nesta via diagnosticando uma doença na civilização ou futuro de uma ilusão era, de fato, o menos importante. Aliás, nós não estamos mais doentes disso, não, a catástrofe ocorreu, ganhou depois, se se pode dizer assim, velocidade de cruzeiro. Continuamos a pensar miticamente por complementaridade, mas a morte e pulsão não ocupam a “metade” da cena humana. Noventa e nove por cento? Isto parece mais exato. Este “um por cento” de Eros, veja bem, você pode comtemplá-lo de imediato numa das últimas telas de Cézanne, NATURE MORTE AVEC L’AMOUR EN PLÂTRE(“natureza morta”!)”.

 

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

nota sobre o pequeno cupido

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Uma “natureza morta” explicitamente erótica, pelo que sugere a concha vivamente pintada de carmesim. E para o simbolismo “QUAL É O TEMPO DE CÉZANE?”, notar que o relógio não tem ponteiro. Neste La Pendule Noire (o relógio negro), este substitui a caveira como símbolo da morte. Mas a concha gigantesca simboliza a vida, ao lembrar explicitamente uma xoxota.

“…e ele é ERÓTICO em um por cento num mundo movido noventa e nove porcento pela vontade de esmagamento, de igualização e morte”. p. 35

<img class=” wp-image-5649 ” title=”Sucrier, Poires et Tasse Blue., 1863-1865, Musée Granet, Aix-en-Provence. Biblioteca Mário VII-071.004 B001c detalhe .Cézanne, Les Natures Mortes, Jean-Marie Baron e Pascal Bonafoux, ed. Herscher” alt=”” src=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2012/09/biblioteca-mc3a1rio-vii-071-004-b001c-detalhe-3.jpg&#8221; width=”360″ height=”259″ /> Sucrier, poires et tasse bleue.” Como introduzir a escultura NA pintura, um espaço em outro espaço, um tempo em outro tempo?”, Philippe Sollers. Cores modeladas, em grossas camadas, pela epátula também é trazer a escultura para a tela.

………………………………………………………………………………………….

………………………………………………………………………………………….

O INACABADO.

“O acabado desperta a admiração dos imbecis”,    escreve Cézanne à sua mãe, depois de 1874.

“Não devo procurar completar a não ser pelo prazer de fazer mais verdadeiro e o mais correto”:  Cézanne

A mulher de Cézanne: “Sabe, Cézane não sabia o que fazia. Não sabia como acabar seus quadros. Renoir e Monet, sim, estes conheciam seu métier de pintor”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Philippe Sollers, “O Paraíso de Cézanne:

“Diz-me o que saber ver num quadro e eu lhe direi se conhece verdadeiramente a poesia, toda a poesia”

Cézanne:

“A cor é um ponto em que nosso cérebro e o universo se encontram, eis por que ela se manifesta tão dramática no verdadeiro pintor”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cézanne por Rilke

“Por que este pintor mais que os outros?

Mas é precisamente Rilke que nos responde, em outubro de 1907, em Paris. Ele VÊ Cézanne.

“A grande harmonia de cores da mulher na poltrona vermelha é, na minha lembrança, tão difícil de rememorar quanto um número de muitos algarismos. E, no entanto, guardei muito bem na memória um algarismo após outro. Em meu sentimento, a consciência de que esta harmonia existe transformou-se numa espécie de exaltação que experimento mesmo quando durmo; meu sangue a descreve em mim, mas as palavras passam ao lado em algum lugar, sem serem admitidas dentro de mim”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“Voltar-se para o aberto”: afirmar a vida.

“Voltar-se para o aberto”?      (ou seja, a renúncia de ler “negativamente o que é”).      O que, para mim, é o mesmo que afirmar a vida.    “Sim, trata-se aqui, sem dúvida, de Rilke, poeta em tempo de desgraça, como Holderlin ou Rimbaud. Cézane é um pintor em tempo de desgraça. Ele pinta no mesmo tempo em que a paixão metafísica antimetafísica de Nietzsche. Ele é também um homem do mais fundo, do sem fundo, um explorador, plano por plano, do mais íntimo do coração, lá onde Pensamento e Memória, Pensamento e Reconhecimento, Pensamento e Sensação meditam juntos”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

“o ver não se determina a partir do olho mas a partir da abertura do ser”. Heidegger

Phippe Sollers:  “Em qualquer momento a derrapagem é possível; cair-se na anedota, a visão de época e, finalmente, o preconceito, como esses ideólogos apressados de hoje que, quando se pronuncia o nome do único pensador à altura de nosso tempo, Heidegger,  respondem pavlovianamente, “nazista”, sem se dar conta do que gerou o nazismo”

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Une moderne Olympia(1873-1874)

“Olhamos UNE MODERNE OLYMPIA (1873-1874). Cézanne aceita o desafio de Manet: ele supera a situação exterior do observador de quadros, recusa a comtemplação fascinada ou aterrorizada da cena, ele puxa a cortina, intervém na cena, provoca erupção na sua própria visão movimentada e solitária. A OLYMPIA? Ela é minha e para mim…Não a divido com ninguém…” : Philippe Sollers, p. 62.

Poema de Cézane:

Eis a moça de nádegas carnudas!

Como ela exibe bem em em meio ao prado

Seu corpo flexível, esplêndido desabrochador!

A serpente não é capaz de tanta sinuosidade,

E o sol brilhando lança complascente(sic)

Seus raios dourados sobre esta carne bela.

Trad. Ferreira Gullar.

———————————————————

correção: complascente é complacente.

———————————————————

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Cézanne e Rodin

<img class=”size-full wp-image-5694″ title=”Biblioteca Mário VII-071.004 R001o” alt=”” src=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2012/10/biblioteca-mc3a1rio-vii-071-004-r001o.jpg&#8221; width=”450″ height=”285″ /> Rodin, Le Rêve (O sonho), 1899

Philippe Sollers faz um lista de detratores de Cézanne .   “Assim é este pintor ridicularizado ou insultado pela Direita; ignorado ou desprezado pela esquerda; tratado como fracassado por Zola e como imbecil por Breton; considerado como um Deus por Picasso e Matisse”. Também foi chamado de “degenerado, burguês decadente, esteta impotente, pequeno burgues reacionário, traidor dos valores”. Ver p. 55-56. E Zola ao escrever L’OEUVRE, queria no fundo qu Cézanne se matasse. E desde esta obra de Zola que os amigos que eram banhistas nus e amigos de juventude tornaram-se inimigos.

Nos detratores modernos lista Sartre e Camus.

Mas, lembrando-me do livro  “O Ateliê de Giacometti”, de Jean Genet [https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/06/11/giacometti-por-jean-genet/] onde Genet diz:  

Quando anotei algumas passagens  dos  livros de Jean Genet e de Sartre sobre Giacometti, coloquei a questão importante para mim: que Giacometti retratatava um home desencantado e que Sartre e Genet flertavam com um certo desejo de morte e dor. A grandeza aterradora de Giacometti talvez esteja, usando o que diz Philippe Sollers da análise de Freud sobre o homem: talvez Giacometti retrate, ou melhor ainda, esculpe, um homem devastado pelo desejo de morte, ou seja, descreve os 99 por cento. Este homem de Giacometti seria então o homem derrotado.

As caveiras de Cézanne, para Philippe Sollers, não tem nada  a ver com a iconografia católica, dos santos que desprezam a vida, apesar de Cézanne se dizer católico.  E nem mesmo contém morbidez. Mas apenas retratam vida e morte, e pratica cores e cria objetos, assim como pinta laranjas e peras. Cita Cézanne que diz que é uma metafísica para sair da metafísica. Como seu desejo de morrer pintando, mas não um desejo de morrer ou de sacrifício, mas a alegria de ir até um fim no seu ofício de criar novas coisas. E foi assim que a tempestade o pegou nos bosques de Aix-an-Provence, aos 83 anos.

Biblioteca Mário VII-071.004 B001c

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

O BANHO

Estas anotações já estão ficando longas demais, mas há uma discussão sobre se a obra é explicada por uma psicologia, pela vida de um artista. Mas que há influências que devem ser levantadas e que Philippe Soller, não partidário de um psicologismo, julga pertinente. Que é a história do banho:

“Ah, esta história do “banho”! Trata-se de uma fonte de juventude, de uma cerimônia purificadora, de um batismo? Claro, claro, e de muitas outras coisas mais. A pintura é um banho, ELA SE NADA. Qual diversão lhe agra mais? perguntaram a Cézanne. Resposta: a natação. Na pintura é preciso comportar-se como um peixe dentro d’água”.

E continua, agora com uma referência na mitologia grega que desconheço: “As BANHEUSES de Cézane são suas Vitórias, no sentido grego. Vitória como Victoire de Somothrace.” E não um mito cristão.  Anotado aqui para conferir e estudar, já que Philippe Sollers dá grande importância a esta comparação e pela recorrente pesquisa que Cézane faz sobre o tema “banhistas”.

Mas há outra afirmação que é preciso conferir e estudar.

“Não é proibido olhar de vez em quando o BAPTÊME DU CHRIST de Piero della Francesca e o GRAND BAIGNEUR de Cézane. Se você não percebe o que pretendo dizer, ão posso fazer muita coisa para ajudá-lo”

É um repto de Philippe Sollers. Uma provocação. Começar a dizer que são grandes pintores ou grandes pinturas nada acrescentará. Que banho e batismo são o mesmo tema,  o próprio autor já tinha levantado.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Zola e Cézanne

o amigo de juventude que se tornou, no que lhe dizia respeito, odiosamente desprezível: Zola”.p.15

Zola, ao escrever L’Oeuvre, que no fundo que Cézanne se mate”.p. 20

“Vollard a Zola:

Você possui quadros de Cézanne?

Zola: Eu os havia escondido a casa de campo. Mas jamais os penduraria na parede da minha casa… Os quadros de Cézanne estão trancados ali naquele armário, longe dos olhares malvados. Não me peça que os tire de lá, pois me daria muita pena… Foi pensando nele que escrevi L’OEuvre. O público se apaixonou por esse livro mas Cézanne se manteve fechado. Nada mais poderá arrancá-lo de seus delírios: pouco a pouco, ele se afastará cada vez mais do mundo real”

“Zola, ex-banhista visto nu por Cézanne, sente tão bem o perigo físico (ou, mais exatamente, metafísico) que ele agrava o julgamento em 1896: “É preciso que se diga, nenhum grande pintor novo se revelou,nem um Ingres, um Delacroix, um Courbet”.

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

A COR É O LUGAR ONDE NOSSO CÉREBRO E O UNIVERSO SE ENCONTRAM

Bold As Love
ANGER!

he smiles,
towering in shiny metallic purple armour
Queen Jealousy, envy waits behind him
Her fiery green gown sneers at the grassy ground

Blue are the life-giving waters taken for granted,
They quietly understand
Once happy turquoise armies lay opposite ready,
But wonder why the fight is on
But they’re all bold as love, yeah, they’re all bold as love
Yeah, they’re all bold as love
Just ask the axis

My red is so confident that he flashes trophies of war,
and ribbons of euphoria
Orange is young, full of daring,
But very unsteady for the first go round
My yellow in this case is not so mellow
In fact I’m trying to say it’s frigthened like me
And all these emotions of mine keep holding me from, eh,
Giving my life to a rainbow like you
But, I’m eh , yeah, I’m bold as love
Yeah, yeah
Well I’m bold, bold as love (hear me talking, girl)
I’m bold as love
Just ask the axis (he knows everything)
Yeah,
yeah,
yeah!

Valentes Como o Amor
Raiva!

Ele sorri,
Defendendo-se em uma armadura roxa brilhante e metálica
Rainha do ciúmes, a inveja espera atrás dele
Seu ardente vestido verde zomba sobre o chão gramado

Azuis são as águas revigorantes tomadas por certas,
Elas até que entendem
Uma vez felizes exércitos turquesa se situam opostos e prontos,
Mas imaginam a razão da luta acontecer
Mas eles todos são valentes como o amor, sim, eles todos são valentes como o amor
Sim, eles todos são valentes como o amor
Apenas pergunte ao áxis

Tradução do Google

VERSÃO INSTRUMENTAL DE BOLD AS LOVE

E foi em 20 de outubro que Marie Cézanne, a irmã do pintor, escreveu ao sobrinho:
“Teu pai está doente desde 2a. feira… Ele ficou exposto à chuva durante várias horas; trouxeram-no numa carreta de limpeza e foi preciso dois homens para pô-lo na cama. No dia seguinte, já de manhã, ele foi para o jardim trabalhar no retrato de Vallier sob o pé da tília; quando voltou estava morrendo. Você conhece seu pai; não preciso dizer mais nada….seu pai montou seu ateliê no quarto de vestir de sua mãe e não está disposto a sair de lá tão cedo…
“A mulher de Cézanne e seu filho chegaram depois da morte dele. Fala-se que Hortense partiu tarde demais para Aix por não querer desmarcar um encontro com sua modista. Cézanne, de qualquer modo, havia mudado definitivamente de ateliê.
Cézanne? Onde está?
Por toda parte e em parte alguma.
No fundo do jardim do Tempo, sob o pé de tília.” Philippe Sollers, junho de 1995
……………………………………………………………………………………………………………………………………….

pingback

01.https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/08/25/i-o-inacabado-as-sobras-michelangelo-por-delacroix/
02. https://jornaldoporao.wordpress.com/2012/08/26/ii-o-inacabado-as-sobras-restos-geraldo-de-barros/
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….