Dentro da Chuva Amarela, II

27/09/2014

.Dentro da Chuva Amarela, William L.

Dentro da Chuva Amarela, Mendelssohn op.68Dentro da Chuva Amarela, Mendelssohn op.68, cont.

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PLENITUDE. Dostoiéviski descreve os momentos que antecedem a crise sua aguda crise epiléptica como plenitude. Como algo do reino do maravilhoso. Transformou sua doença em páginas de imensa grandeza.

Veja Dostoiévski e seu personagem príncipe Michkin:
Eis como Dostoiévski descreve as auras de Míchkin, personagem central de O idiota e, certamente, o epiléptico mais célebre da literatura:O Idiota, Dostoiévksi, príncpe Michkin “Ele sonhou com a fase em que se anunciavam os ataques epilépticos quando estes o surpreendiam em estado de vigília. Em plena crise de angústia, embrutecimento e opressão, parecia-lhe de repente que seu cérebro se agitava e que suas forças vitais tomavam um prodigioso impulso. Nesses instantes rápidos como um relâmpago, o sentimento da vida e da consciência se decuplicavam nele. Seu espírito e seu coração se iluminavam com uma claridade intensa; todas as suas emoções, todas as suas dúvidas, todas as suas preocupações se acalmavam ao mesmo tempo para se converterem numa serenidade soberana, feita de alegria luminosa, de harmonia e de esperança, em favor da qual sua razão se elevava à compreensão das causas finais. (…) Estes instantes, para defini-los numa palavra, se caracterizavam por uma fulguração da consciência e por uma suprema exaltação da emotividade subjetiva. Se nesse segundo, isto é, no último período de consciência antes do acesso, ele tivesse tempo de dizer a si mesmo clara e deliberadamente: ‘Sim, por este momento dar-se-ia toda uma vida’, é porque, para ele, este momento valeria de fato toda uma vida”.
Instantes de plenitude”. O mal sagrado de Dostoiévski
A obra do escritor russo é repleta de detalhes que revelam a doença de que ele sofria: a epilepsia. Seus personagens apresentam sintomas como a “aura extática” (sensação de tocar o absoluto), e preocupação intensa com a moral, Deus e o destino.
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Outro personagem notável, Kirilov, o ateu místico e suicida de Os demônios:

Outro personagem notável, Kirilov, o ateu místico e suicida de Os demônios, faz a seguinte revelação: “Há instantes, duram cinco ou sei segundos, em que sentimos de repente a presença da harmonia eterna, nós a atingimos. Não é uma coisa terrestre: não quero dizer que seja celeste, mas que o homem em seu aspecto terrestre é incapaz de suportar. Ele precisa se transformar fisicamente ou morrer. É um sentimento claro, indiscutível, absoluto. Abarcamos de repente a natureza inteira e dizemos: ‘Sim, é exatamente isso, é verdade’. Não é enternecimento… é outra coisa, é alegria. (…) Não é nem mesmo amor; oh! é superior ao amor. O mais fantástico é que é assustadoramente claro. E vem uma alegria tão imensa junto! Se ela durasse mais de cinco segundos, a alma não suportaria e talvez desaparecesse. Nesses cinco segundos eu vivo toda uma vida e por eles daria toda a minha vida, pois eles valem isso. Um pouco embaraçado, seu interlocutor pergunta: ‘Você não é epiléptico?’. Kirilov responde que não, mas o outro o previne: ‘Pois vai ser. Cuidado, Kirilov, ouvi dizer que era precisamente assim que começava a epilepsia. Um epiléptico descreveu-me em detalhes as sensações que precediam suas crises: era exatamente o seu estado; ele também falava de cinco segundos e dizia que era impossível suportar aquilo por mais tempo. (…) Cuidado com a epilepsia, Kirilov’ ” O mal sagrado de Dostoiévski

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Patologia e poder criativo

“Henri Gastaut, pioneiro na epileptologia francesa, era muito cético sobre a existência das auras extáticas. Ele dizia até que os médicos eram, na verdade, ludibriados pelas descrições totalmente ficcionais de Dostoiévski e que elas desde então faziam parte do folclore médico sem que ninguém tivesse pensado em questioná-las. Por outro lado, Dostoiévski era muito consciente da origem talvez mórbida de suas idéias. Eis o que ele fez o príncipe Míchkin dizer sobre o assunto: “Que importa que meu estado seja mórbido? Que importa que essa exaltação seja um fenômeno anormal, se o instante em que ela nasce, evocado e analisado por mim depois que retomo a saúde, se assevera como de uma harmonia e de uma beleza superiores, e se este instante me toma, num grau inaudito, inesperado, um sentimento de plenitude, de moderação, de apaziguamento e de fusão, num impulso de prece, com a mais alta síntese da vida?”.O mal sagrado de Dostoiévski

Um texto de psiquiatra que discute questão patológica:

Príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin (“O Idiota”, Fiódor Dostoevsky) e a síndrome de personalidade interictal na epilepsia do lobo temporal

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links

ARTES EM REVISTA
um panorama do que acontece em teatro, cinema, música, literatura e artes visuais

O mal sagrado de Dostoiévski

Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Pra ler
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MENDELSSOHN, OP.68.

Não encontrei nem no Youtube e nem no Grooveshark

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DENTRO DA CHUVA AMARELA, William L.

27/09/2014
.Dentro da Chuva Amarela, William L.

O Estado de Minas, 07/05/2000 “Livro sobre doença que afeta mais de um milhão de brasileiros ” . William L. pseudônimo de Walther Moreira Santos

Hoje Sou Alice, capa

E os milhões no mundo inteiro. Reféns da indústria farmacêutica. Abandonados, despedidos, desempregados, marginalizados e doentes. Quando li este Alice fiquei emocionado e estou até hoje, dois anos depois. Vou reler. Mesmo que não seja alta-literatura. Nem só de biscoitos finos vivem os homens.

Dentro da Chuva Amarela, ficha
O olhar na montanha de livros do sebo, em promoção de 5 reais, foi para a capa. A da nova edição não me levaria para Van Gogh, o que me fez pegar o livro. Vi logo que tinha um quê de auto-ajuda. E desde que apareceu Paulo Coelho que fiz um juramento de nunca ler um livro de auto ajuda. Mas o tema anunciado na capa me faria comprar qualquer livro se fosse barato. O título me cativou. Não resisto a um bom título. E o título mexeu com algo e misturou-se com a loucura de Van Gogh do sol amarelo da capa. Vacilei por cheirar a abominável auto-ajuda. Mas o sub-título: “Memórias de um maníaco depressivo”. Tento também resistir, em vão, a comprar livros de depoimentos. Li a primeira página e achei que era um grande escritor desconhecido. Li o livro hoje mesmo. Foram 4 ou 5 horas que me fez ter acesso às agruras do doente mental no Brasil.

Aqueles 1 milhão e meio de maníacos-depressivos não sei se beneficiarão do livro, se realmente será um ajuda. Mas para mim, na ânsia, incontrolável de querer acessar as dores de toda a humanidade, valeu a pena.
Depois fui ver, na internet, que o Walther Moreira Santos é um escritor de 26 livros e alguns prêmios. Aprendi algo com a narrativa em primeira pessoa. Me horrorizei com a indigência dos médicos. Sei que o autor riu, mas me penalizei com sua peregrinações por várias medicinas alternativas e charlatões. E tive a felicidade de saber que continua vivo e escrevendo 25 outros livros, convivendo com uma doença tal maltratada e mau tratada.
Com milhares de coisas para ler e ouvir, tenho dúvidas que vou comprar ler algum outro livro dele. Mas se encontrar no sebo, talvez não resista. Nunca resisto a livros baratos. Mais difícil ainda resistir a uma capa e a um título como Dentro da Chuva Amarela.
E o livro é convincente. E ajuda a compreender um pouco do sofrimento de 1 milhão e meio de brasileiros abandonados à própria desventura. E me emocionei o tempo todo. E meu impulso é ler mais. E sei, e como sei, que só aumentará minha impotência diante das tragédias que assolam a humanidade. Ler não deixa de ser uma fuga. Sabemos, qualquer um sabe, que os muitos milhões de doentes mentais, talvez uns 40 milhões só no Brasil, ficarão com seu sofrimento, suas tentativas de suicídio, seus suicídios, a família será destruídas por dores e mais dores; e pouco, muito pouco será feito. A sociedade capitalista precisa descartar estes milhões de seres improdutivos. Pura e simples eugenia. E a sociedade individualista tem horror a se envolver com seres que carregam dor e delírios. E os reformadores e revolucionários são tão poucos e são tantos os problemas que… o que valem 1 milhão e meio de maníaco depressivos que são incuráveis. E os depressivos, bem provavelmente, não tem muito ânimo para lutar. Se maníaco deliram. Além de tudo, fora da medicação, qualquer tratamento é muito caro, inacessível a qualquer trabalhador, até mesmo a grande parcela da classe média. A indústria farmacêutica fica muito feliz com esta dolorosa estatística.capa de  O Tempo e o Cão
Diz Maria Rita Kehl, no seu livro O Tempo e o Cão, que nos Estados Unidos doenças como a depressão cresceu 5% em 10 anos; mas no Brasil, sem estatítica, apela-se para o crescimento da venda de antidepressivos. Pasmem!: cresce a 22,5 por cento ao ano, ou seja, a cada 5 anos a venda de antidepressivos no Brasil cresce mais de 100 por cento. (as cifras dos Estados Unidos tenho que conferir, mas do Brasil tenho total certeza, até pela sua grandeza e descalabro). O horor, o horror, o silencioso horror.

Por isso a dor de todos Willim L. é uma dor fadada aos subterrâneos, silenciosa. O livro comove, mas as vítimas são quase invisíveis. E assim continuarão.
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links

Print Capa Dentro da Chuva.qxd

01. Livro propõe ´alta-ajuda´ para bipolar, Mundo News
02. Entrevista com Walther Moreira Santos
03. Blog do autor

O Estado de Minas, 07/05/2000

“Livro sobre doença que afeta mais de um milhão de brasileiros vai ser adaptado para o teatro por Marcelo Rubens Paiva”.

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Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

03/12/2013

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta


CANCRÓPOLIS

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Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



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As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


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Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

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“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
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78 programas num único dia!

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A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

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01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

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link

01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

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04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


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links

01. Morreu Gabriela Leite
02. Fátima Oliveira: Os legados de Norma Benguell e Gabriela Leite


BELMONTE, “O maior desenhista do mundo”: Jaguar

14/01/2013

O maior desenhista do mundo. Era assim que Jaguar, em criança, via Belmonte. Neste mesmo prefácio diz que não o vê mais assim, em 1982. Mas que um desenho seu vale por mil palavras.
Queria que os jornais hoje fossem assim. Usando a arte e não a realidade. Em que jornal poderíamos ver Hitler e Stalin vestidos de mulher? Hoje, tendo notícias de que Hitler fazia seus discursos inflamados depois de tomar uma injeção de super-anfetaminas(metanfetaminas) na bunda. Seria maravilhoso vê-lo desenhado assim. Isso faz o desenho ser mais importante que a foto. Gostaria que os jornais, em particular da esquerda, fossem ilustrados com desenhos, caricaturas, charges, xilogravuras…

[Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho maior]
011 - Caricatura dos Tempos, Belmonte

013

Biblioteca Mário

Caricatura dos Tempos, Biblioteca Mário VII-073.000 B001c

Caricatura dos Tempos, Biblioteca Mário VII-073.000 B001c

Caricatura dos Tempos, Belmonte, Introdução

Caricatura dos Tempos, Belmonte, Introdução

008 - Caricatura dos Tempos, Belmonte, Círculo do Livro, 1982
004 - Cópia - Caricatura dos Tempos, Belmonte
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GALERIA DE FOTOS E TEXTOS.


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links

01. Saldados de Hitler movidos à droga?(Acervo da segunda guerra mundial)

02. Tarso Araujo, autor de “Almanaque das Drogas” no Jô Soares ////////////////////////////////////// direto no na entrevista
03. Biblioteca Mário


Euclydes da Cunha com Y

02/12/2012

Edição crítica, 2000

“Não sei se já aí chegaram notícia da Reforma Orthographica … (Aí deixo, nestes maiusculos e nestes HH, o meu espanto e a minha intransigência etiológica!) […] Há ali coias inviáveis: a expulsão do y, tão expressivo na sua forma de âncora a ligar-nos com a civilização antiga, e a eliminação completa do k, o hierático k, (kapa como dizemos cabalisticamente na Álgebra0… Como poderei eu, rude engenheiro, entender quilômetro, sem o k, o empertigado k, com as suas duas pernas de infatigável caminhante, a dominar distância? Quilômetro, recorda-me kilometro singularmente esmagado ou reduzido; alguma coisa como um relíssimo decímetro, ou grosseira polegada. Mas decretou a enormidade; e terei, doravante, de submeter-me aos ditames dos mestres”.

(Euclides da Cunha, carta a Domício da Gama, Rio, 15.8.1907).

Biblioteca Mário

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Os Sertões, 1902

Nem quero entrar nos méritos de reformas ortográficas. A língua escrita é uma convenção que nunca vai dar conta das diversas pronúncias regionais ou nacionais do português, ou de qualquer língua. Então tanto faz escrever com Y ou com I. Sou contra qualquer reforma ortográfica. Acho que só ajudam as editoras a lançar novos livros e tornar obsoletas bibliotecas inteiras.
Mas mudar o nome das pessoas eu já acho demais. Euclydes da Cunha foi registrado, assinou seus livros com Y. Portanto ele chama Euclydes. Aqui nesse blog, antes de conhecer este seu protesto eu grafava com Y.

Também me lembro da ortografia totalmente espirocada de Glauber Rocha, releitor de Euclydes da Cunha.
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Falo no Jardim

02/12/2012

Biblioteca Mário

A editora da Unicamp e Ateliê Editorial, numa esmerada edição, publicaram o livro de João Ângelo Oliva Neto. Poemas ao deus Priapo. Poemas eróticos ao falo. E magnificas ilustrações coloridas, coisa rara em publicações universitárias. São publicações caras, mas deixo de lado muita coisa para ir comprando, nas feiras anuais. Reclamo, mas não me arrependo de ter comprado objetos tão caros.Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp - Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp – Biblioteca Mário IX-090.001 On001f

Falo no Jardim, Ateliê Editorial, Unicamp (2)

Sei que vou esperar sentado um publicação equivalente, com o mesmo esmero, com tantas ilustrações sobre a história da xoxota. Sei que ela tem papel positivo, de sortilégio, em muitas culturas. Mas seria maravilhoso um livro do mesmo porte do Falo no Jardim. A Unicamp tem uma grande parte, até mesmo maioria, de mulheres nos seus cursos. Na área de humanas, com certeza, é a maioria. Seria de esperar uma pressão para que houvesse uma publicação dessa.

Perdi um livro chamado História de V. Sem ilustrações. No prefácio ou introdução uma antropóloga critica a autora por, conservadoramente, usar a horrorosa palavra vagina. Pior que isso só o termo vagido para o choro de recém nascido. Nem mesmo usa vagina, dá a entender usando um grande V na capa, História da V.

Já mencionei aqui neste blog que o quadro de Gustave Coubert, A Origem do Mundo,  foi censurado por 128 anos. Pior. Lacan o escondeu por décadas e fazia uma espécie de cerimônia para mostrá-lo.  Apenas porque, realisticamente, pintou uma xoxota, quando há pintos em profusão pelos quadros, estatuária, desenhos; e por toda a cultura popular, inclusive nas expressões comuns, muitas que antes ofensivas viraram elogios, como “do cacete” e muitas outras. Não conheço nada parecido com a xoxota. Vi muitas mães ensinarem as filhinhas a chamá-la de baratinha, mas pela repulsa que as baratas causam, o diminutivo não alivia muito. Assim como a mania de ligar xoxota a coisa feia ou mesmo desagradável.

Enquanto não conhecer um bom livro, bem editado, bem ilustrado, vou aqui tentando juntar algumas ilustrações das artes, pintura, poesia, desenho, escultura… que dê um tratamento apaixonado ao corpo da mulher. Aqui, neste blog de elogios e loas, e não de crítica e denúncia,  ignorarei o que não for homenagem.

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A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz
Do sexo das meninas

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fulgaz

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras. Um sexo que passa ligeiramente, mas brilhantemente.

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galeria

No Dicionário Aulete online não existe Fulgaz. Também no Aurélio edição de 1978. Consta Fulgor que é brilho e Fugaz que é passageiro, ligeiro, momentâneo. Talvez Caetano Veloso juntou as duas palavras.
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Esse post será sistematicamente atualizado.

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Atualização 28/08/2012

links para este mural de Jamie McCartney

Agradecimentos fervorosos à minha amiga que enviou os links. Fui ao Google e é o esperado. Um monte de abordagens politicamente corretas. Protestos contra cirurgias, este moralismo tolo e inútil. Perdi a paciência e não procurei muito não. Onde tem alguém para ver a beleza das xoxotas. O próprio mural de Jamie McCartney não tem cor, talvez próprio para um consultório ginecológico. Assim como um coleção de moldes de gesso num consultório de dentista. Era preciso um mural com cores e pelos. Xoxotas negras, brancas, asiáticas, mestiças… de todos os tipos.

01. Folha de São Paulo
02. Folha de São Paulo

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Atualização 30/10/2012

KUBIN, Alfred -todessprung (morte súbita)-1902

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01/11/2012
Otagawa School – shunga

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02/12/2012
Arlindo Daibert.

Daibert, Arlindo

Daibert, Arlindo

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26/07/2013
Enviada por Priscila Salomão
Jami Aka

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atualização, 25/09/2014

ALENA KUPCIKOVA, 2 ALENA KUPCIKOVA, Aukční síň Vltavín Aukční síň Vltavín, Alena Kupikova Aukční síň Vltavín Pêlos, cláudia ohana.2 Pêlos, cláudia ohana.3 Pêlos, cláudia ohana

 

Alena Kupčíková


Graffiti and Urban Art. Presença, Presente e lance.

18/11/2012

Priscila Salomão, um presente – e um sol na cabeça. Dia 17/11/2012, 60 anos do diretor deste jornaleco, com performance de 40 e desejos de 20. Priscila a personal agitadora cultural e outras bossas.

Graffiti and Urban Art: Cristian Campos:Editorial Projetct. Barcelona, Espain. Biblioteca Mário VII-073.200 C001g

Presente da pequena comemoração dos meus 60 anos. Presente, Priscila. E um presente, foi sua presença, Priscila. E de presente o que poderíamos chamar de um presente, um regalo, um iniciar de presentes cotidianos, comemorações diárias, pela abertura para novas descobertas – obrigado por este caro, já querido, e magnífico livro.       [Biblioteca Mário]

Suso 33, máscara

Priscila chegou mostrando essa página em que viu as máscaras africanas que nos causaram tanto impacto – e causa. Novamente intuiu. A obra chama-se máscara.

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Na primeira olhada o que mais impressionou foi SUSO33. Aproveitando os horrores da arquitetura urbana. Principalmente as ruínas e demolições. Este horror que parece provisório terá uma arte provisória. Quase que como se quiséssemos que as ruínas continuassem. Teria, se tivesse contato direto, uma espécie de saudade antecipada.

E Priscila já da a dica:Giacometti. Não é difícil ver nesta máscara de Suso a gaiola de Giacometti enquadra e dirige o olhar.

Á árvore, ao fundo, no cemitério – parece -, também é uma garatuja natural. Como são garatujadas as máscaras, como também podemos ver em Giacometti. [há algo semelhante nas “hachuras” de Toulouse-Lutrec – a estudar e conferir].

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Desavergonhada Utopia Socialista em forma de plataforma

Primeiro uma distopia: quando é que os socialistas vão reconhecer que a chamada história do socialismo real é uma história da inimizade dos socialistas com a arte. Há períodos que fazer arte na Rússia, que se chamava União Soviética, era um crime lesa estado. Põe-se, normalmente, tudo na conta do stalinismo brutal, ignorante e sanguinolento.  Mas eu não tenho provas de que o período bolchevique houve liberdade artística, como deve ser, total absoluta, anárquica.

Gostaria de ver um jornal “nanico”, chamados de operários e de jovens operários, adotar o graffiti, a arte de rua, nas suas imagens.  Uma arte gratuita. Fora do sistema. Inventiva. De intervenção e ação. Não é e nem deve ser a única arte, mas uma intervenção na vida urbana, melhor ainda, uma intervenção na vida. Que deve ser um único metro para medir as coisas. Tudo que representa morte é religião, é cristianismo, eu auto-flagelação, é asceticismo.

E a mais revolucionária, para mim, arte de rua, é exatamente a que não é propaganda política ou social, mas que intervém, pelo visual, a vida nefasta do capitalismo, com suas demolições, degradações, exclusões.

Suso 33 , ausencia. Mas que é antes de mais nada, presença do artista num lugar totalmente inóspito, inesperado, dando vida á destruição e morte que é uma face do capitalismo.

O luta para o socialismo tem que ganhar todos os artistas, do folclórico ao arte de vanguarda-de invenção.  Para isso o total anarquismo em arte. Total e absoluta tolerância.

Substituir os  jornais feios e maçudos da esquerda, por algo ligado a uma vida pulsante seria uma ato de vanguarda revolucionária.

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links

01. SUSO 33

02. google, imagens de Suso 33
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pingback

01. Alter e Memória, apontamento 01
02. Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações
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novidade da semana

01.RENAUD GARCIA-FONS [procure no Grooveshark, especialmente por Poussière de Ksar ]. Procurando por violoncelo na música flamenca deparei com este contrabaixo (dauble bass).  Há 3 ou 4 dias que só ouço isso. E não me cansei.