Gatinho azul da Liberdade e Luta E o poema sujo de Ferreira Gullar – e os rituais laicos “nacionais e populares” de Trotsky.

02/04/2018

um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas

Poema Sujo, Ferreira Gullar, capa da primeira edição.

Poema Sujo, Ferreira Gullar, capa da primeira edição. Editado em 1976.

azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu

319-deangle-dan-c-do-marfim-3 - Memória e Altar- coleção Rogério Cerqueira Leite

Meu comentário.

Naqueles anos me incomodava muito saber que tinha esta frase no Poema Sujo de Ferreira Gullar. Comprei o livrinho porque minha musa, meu amor platônico, era uma militante que amava este poema. Eu amava era Castro Alves, uma coisa ridícula para os padrões da Liberdade e Luta. Hoje acho o poema de Ferreira Gullar do cacete e volto a ler Castro Alves com toda a revolta dos meus 16 anos.
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São os stalinistas que vão chamar Liberdade e Luta de Libelu. Libelu era a designação

Oficina, Macumba Antropófaga, SESC-Campinas (32)

Oficina, Macumba Antropófaga, SESC-Campinas (32).JPG

para gente festeira e inconsequente. Socialismo de festa e de orgia sexual. E  da droga, apesar de os militantes da OSI, que dirigiam a tendência liberdade e Luta ,serem expulsos ou excluídos se usassem droga. E mesmo hoje, Libelu, é uma maneira de desmerecer toda a importância que teve aquele pequeno grupo por colocar no debate a necessidade de lutar pelas “Liberdades Democráticas” e depois por um Partido Operário Independente e depois pela Assembléia Constituinte Livre e Soberana. Foram propagandas que causaram impactos, apesar do grupo minúsculo que era a OSI.
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“No plano da arte gráfica é possível aprendermos com a criatividade revolucionária que a LIBELU possuía. Enquanto que os stalinistas confeccionavam cartazes com foices, martelos e figuras cinzas, assexuadas e uniformizadas, a LIBELU desenhava no centro do seu cartaz um gatinho. Abaixo da imagem do pequeno felino surgia a seguinte frase: NEM TODOS OS GATOS SÃO PARDOS. Ou seja, existe diversidade (estética, sexual étnica, filosófica, etc) e o marxismo precisa lidar de modo revolucionário com esta questão. A atitude criativa da LIBELU”

Gatinho azul da Liberdade e Luta

Gatinho azul da Liberdade e Luta.

Será possível ignorar ” o nacional e popular”? – E a vida como é que fica?

“Que opor-lhe? Opomos, é certo, às superstições em que assenta a base do ritual, a critica marxista, a relação objectiva com a natureza e as suas forças. Mas esta propaganda cientifica e critica não resolve o problema: desde logo, porque não atinge ainda, nem atingirá durante longo tempo, mais do que uma minoria de pessoas; depois, porque essa própria minoria sente a necessidade de encarecer, de elevar, de enobrecer a sua vida pessoal, pelo menos nos momentos mais importantes.”(7)

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lavadeira do abaeté -JOSÉ PANCETTI

lavadeira do abaeté -JOSÉ PANCETTI. “sem musa aqui não fico Odorico”

“Sem musa aqui não fico Odorico”
Frase atribuída da José Pancetti, quando foi para a Bahia a convite de seu amigo Odorico Tavares. Outra frase atribuída a Pancetti, que era chamado de comunista. “Partido Comunista me explora”.
As musas não morreram, a arte figurativa também não – é só olhar os muros das grandes cidades. Nem mesmo as vanguardas morreram.Mesmo a arte comtemporânea tem algo de figurativo e até utilitário.(2) Tudo ao mesmo tempo agora.
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Os rituais laicos. “O Nacional Popular” não morreu e não deve morrer.

careta de Cazumbá, Maria Mazzillo-pg.51

careta de Cazumbá, Maria Mazzillo-pg.51

Vivemos hoje o crescimento de seitas evangélicas. A maioria apoia a direita. Todas elas atacam a cultura popular do Brasil. Em particular a Umbanda que os pentencostais, maioria destas seitas, atacam. Até mesmo alguns militantes atacam a Umbanda, assentando seus argumentos num pretenso purismo do Candomblé.
O que não podemos esquecer é que grandes manifestações populares são influenciadas pela Umbanda e semelhantes. O Maracatu rural e seus cantos da jurema. Aqui a Umbanda recupera a mata e a cultura indígena.

Reisado de Caretas, por Samuel Macedo

Reisado de Caretas, por Samuel Macedo

Na festividade de reis, os caretas do Reisado, dançam cantam e principalmente contam todas a mentiras possíveis para despistar os soldados de Herodes que procuram o menino Jesus. Uma festa religiosa, com bebida, música e mentiras. E máscaras.E sobem nos telhados, gritando que “vão fazer coco” e outras frases escatológicas, para atrapalhar a reza.
“A Gente brincava cinquenta, sessenta cazumbas num terreirão bonito, todos com caretas simples…
“Na hora da reza, pra atrapalhar o rezador, a gente fazia essas estripulias. Enquanto o pessoal tava rezando a gente tava fazendo toda essa macacagem. Trepava no alto do barracão, arrancava palha, gritava que queria fazer cocô” – idem pág. 28″(10))

Artesão Abel Teixeira - Foto Neidson Moreira (O Imparcial)

Artesão Abel Teixeira – Foto Neidson Moreira (O Imparcial) (Maranhão de Amanda)

No Bumba-meu-boi do Maranhão os cazumbas, mascaradas e paramentados, também vão na contramão da normalidade. Quando estão com a máscara, pais-de-família, ou crianças e mulheres, fazem a maior algazarra, brincam com os passantes, fazem disputas entre si, fingem brigar. Ao tirarem a máscara voltam à “seriedade” e ao bom comportamento.(5)

Foto de Caetano Veloso foi publicada nas redes sociais pelo coletivo Mídia Ninja

Foto de Caetano Veloso foi publicada nas redes sociais pelo coletivo Mídia Ninja

Além do mais as máscaras podem ser reatualizadas em momentos cruciais da nossa história. E provocar debates importantes. E quem diz que não podemos e devemos burlar a democracia, este momento privilegiado de luta, mas também do exercício supremo da sociedade de controle e controladora.
“É uma violência simbólica proibir o uso de mascaras. Dia 7 de setembro, todos deveriam ir às ruas mascarados”, disse Caetano, segundo o Mídia Ninja. O coletivo jornalístico divulgou informações sobre o encontro com o compositor em suas páginas no Facebook e no Twitter.(6)
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jurema entidade de umbanda de origem indígena.(4)

Maracatu Cambinda Brasileira desfilou em sua cidade natal, Nazaré da Mata,

Maracatu Cambinda Brasileira desfilou em sua cidade natal, Nazaré da Mata-Pernabuco.

O município de Nazaré da Mata, em Pernambuco, capital do Maracatu de Baque Solto
“Dona Biu, uma das remanescentes da família fundadora, também falou sobre o que mantém a agremiação de pé. “Depois de Deus, Rei Salomão e a Jurema Sagrada”, disse referindo-se à religião predominante no maracatu de baque solto. O Cambinda Brasileira desfila na passarela oficial da cidade do Recife, nesta terça-feira (13), onde disputará o título do Carnaval 2018.”(3)
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link

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(1).MARANHÃO DE AMANDA(Não é o de Zé Sarney que seria odiável. É o Maranhao de Amanda que é amorável, amável, digno de ser amado.. Significado do Nome Amanda
Amanda: Significa “digna de amor”, “amável”, “aquela que deve ser amada”.

(2)- Parangolés e Penetráveis: a influência japonesa em Hélio Oiticica.
(3)- Maracatu Cambinda Brasileira desfilou em sua cidade natal, Nazaré da Mata, nesta segunda-feira (12)-por Paula Brasileiro
(4)- TORÉ E JUREMA: EMBLEMAS INDÍGENAS NO NORDESTE DO BRASIL – Rodrigo de Azeredo Grünewald
(5)careta de CAZUMBA (livro)
(6)- Caetano Veloso cobre rosto e divulga apoio a máscaras em protestos no RJ
(7)- Questões do Modo de Vida-Leon Trotsky
(8)- A crítica de arte hoje, Ferreira Gullar
(9)- PEDRO VERMELHO, de “UM RELATÓRIO PARA UMA ACADEMIA” , um conto de Kafka
Um grafiteiro que leu Franz Kafka.

(10)- careta de CAZUMBA (livro)-29/03/2018

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anotados: LA IZQUIERDA DIARIO E PALAVRA OPERÁRIA. ¿Y si Syriza gobierna Grecia en 2015?

19/12/2014

“Desde el comienzo de la crisis en Grecia se han vivido 32 huelgas generales, miles de manifestaciones, represión y choques con la policía.”

 

¿Y si Syriza gobierna Grecia en 2015? La Izquierda Diario

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TROSTSKY:
“Tentemos, porém, aplicar à nossa época a contradição entre a ações de massas espontâneas e o trabalho de organização consciente de seus fins. Foram enormes os gastos em forças e desinteresse que as massas trabalhadoras de todos os países civilizados ou semicivilizados fizeram desde a guerra mundial! Não encontramos um precedente semelhante em toda a história da humanidade. Nesta medida, Rosa Luxemburgo tinha totalmente razão contra os filisteus e os cretinos do conservadorismo burocrático, “coroado de vitórias”. Mas, justamente o desperdício dessas incomensuráveis energias constitui um terreno favorável à grande depressão do proletariado e à vitória do fascismo. [gm] [Podemos afirmar sem qualquer exagero: a situação mundial está determinada pela crise da direção do proletariado. O campo do movimento operário encontra-se ainda bloqueado pelas sobras poderosas das velhas organizações falidas. Depois de numerosas derrotas e desilusões, ,o grosso do proletariado europeu encontra-se fechado em si mesmo.” Palavra Operária, citação de Rosa Luxemburgo e a IV Internacional,   (Rápidas Observações a respeito de uma importante questão), Trotsky., introdução a ROSA LUXEMBURGO , Greve de Massas, Partido e Sindicatos, Kairós, 1979.

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ROSA LUXEMBURGO:

 

“… a revolução russa (1905, gm) ensina-nos assim uma coisa: é que a greve de massas nem é “fabricada” artificialmente nem “decidida” ou “difundida” no éter imaterial e abstrato, é tão somente um fenômeno histórico, resultante, em certo momentos, de uma situação social a partir de uma necessidade histórica[gm]“. pág. 19

 

 

“…É por isso que temer a propaganda em favor da greve de massas e pretender excomungar formalmente os culpados deste crime é ser vítima de um absurdo equívoco. É tão difícil “propagar” a greve de massas como meio abstrato de luta, como “propagar” a revolução. A “revolução” e a “greve de massas” são conceitos que não representam mais do que a forma exterior da luta de classes e só tem sentido e conteúdo quando referidas a situações políticas bem determinadas”. pág. 19

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As 8 horas de trabalho

Depois de 1905:

“…Atualmente a Rússia está à frente, no que se refere à duração real do trabalho, não somente da legislação russa que prevê um dia de trabalho de 11 horas e meia, mas também das condições efetivas de trabalho na Alemanha. Na maior parte dos ramos da grande indústria russa, adota-se o dia de trabalho de 8 horas, o que constitui, aos olhos da social-democracia alemã, um objetivo inatingível. ainda mais, este “constitucionalismo indústrial” tão desejado na Alemanha, objeto de todos os votos, em nome do qual os adeptos duma tática oportunista queriam manter as águas paradas do parlamentarismo…” pág. 35

CCOMENTÁRIO:
Anotei este parágrafo para colocar em pauta a aceitação, quase como inevitável, das 8 horas de trabalho. Como se fosse algo do direito natural.
Para avançar, na crise do desemprego, é claro que a escala móvel do Programa de Transição.
Mas nos tempos atuais, onde o proletariado é muito mais escolarizado e que a possibilidade de melhora em várias camadas do proletariado e dos trabalhadores depende de ensino e formação profissional, acho, que a questão de horas para estudo seria fundamental, assim como uma propaganda constante para que abram-se vagas e mais vagas para o ensino técnico e universitário.
– 100 por cento dos de vagas nas universidades públicas para o ensino médio público;
– Carreira Nacional de Professores: “todos somos professores”
– Sistema Único de Ensino (com verbas discutidas no orçamento nacional).

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Novembro/dezembro de 1905:

“…Em novembro, por apelo da social-democracia, é organizada primeira greve demonstrativa de protesto contra a repressão sangrenta em São Petersburgo e a proclamação do estado de sítio em Livônia e Polônia. O sonho da Constituição é seguido de um despertar brutal. A surda agitação acaba por desencadear a terceira greve geral de massas de dezembro, a qual se estende a todo império…” pág. 40

1906:

“1906 é o ano das eleições e do episódio da Duma. O proletariado, movido por um poderoso instinto revolucionário que lhe permite ver claramente a situação, boicota a farsa constitucional czarista...”.pág. 40

“…A tentativa da social-democracia para organizar uma quarta manifestação de greve de massas em favor da Duma e do restabelecimento da liberdade de expressão cai por terra. A greve política de massas esgotou seu papel, e passagem da greve ao levantamento geral do povo e aos combates de rua não é mais possível. O episódio liberal acabou, o episódio proletário não começou ainda. A cena fica provisoriamente vazia”. pág. 41

COMENTÁRIO:
O encadeamento das ações. Greves econômicas. Lutas políticas (democráticas). Lutas políticas da classe operária para se defender de ataques do estado e da burguesia. E que acontecem no mesmo bojo da questão democrática da Duma. O boicote a Duma, por ser uma farsa czarista. E um tentativa, frustrada, da social-democracia em defender a Duma dos ataques czaristas.
Encadeamento que ajuda a pensar a questão da Constituinte e as lutas reivindicativas.
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“Assim, é a revolução que cria por si só as condições sociais que permitem uma passagem imediata da luta econômica à luta política, e vice-versa, que se traduz pela greve de massas. O esquema vulgar só compreende a relação entre greve e a revolução nos combates sangrentos a que conduzem as greves de massas; mas, um exame mais profundo dos acontecimentos russos obriga-nos a detectar uma relação inversa: na realidade, não é a greve de massas que produz a revolução, mas é a revolução que produz a greve de massas[gm]“. p. 47

 

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IDEALISMO REVOLUCIONÁRIO, DE ONDE VEM ISSO?

idealismo, psicologia, revolucionário romântico: de onde vem, para onde vai, o que mantém depois da revolução?

“… O preço que a massa proletária paga por cada revolução é com efeito um oceano de privações e sofrimentos horríveis. Um período revolucionário resolve esta dificuldade aparentemente insolúvel, desencadeando na massa tão grande idealismo que esta se mantém insensível aos sofrimentos mais atrozes. Não se pode uma revolução nem uma greve com a psicologia de um sindicalizado que só consentiria em suspender o trabalho no dia 1o. de maio na condição de poder contar, se for despedido, com um subsídio determinado com precisão anteriormente. No entanto, na tempestade revolucionária, o proletário, prudente pai de família desejoso de assegurar o subsídio, transforma-se num “revolucionário romântico para quem o bem supremo – a vida – e com mais razão o bem estar-material tem uma importância diminuta em comparação com o ideal de luta…”p.49

 
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Comentário:Questões que pretendo me aproximar lendo os três volumes de Ernest Bloch, “O Princípio Esperança”.

O Princípio Esperança, de Ernest Bloch

 

 

 

 
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