Giacometti: repercussão na arte brasileira

27/07/2012

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Galeria

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Este post será constantemente atualizado.


Giacometti e a civilização africanas e outras civilizações

18/06/2012

Giacometti, Mulher Colher, 1927 (versão 1953), gesso

Esta influência das Artes Africanas, em Giacometti, está em toda sua obra. Há na exposição da Pinacoteca de São Paulo uma sala especial, mostrando que houve uma fase na sua obra, começando em 1927, onde esta influência era marcante, mas acho que é um influência que perdurou a vida toda. Mesmo porque, como diz Véronique Wiesinger (02), Giacometti fazia constantes “recuos”; e uma obra concebida no início da década de 30 seria executada, por exemplo, na década de 60.

Como podemos ver pelas reproduções aqui, Giacometti, não só sofre influência, ele reaproveita imagens vistas, quase que decalcadas. Gostaria de estudar como estas incorporações são feitas. Que novo significado adquirem. Que nova dimensão Giacometti deu, por exemplo, para máscaras e esculturas que circulavam na frança quase que como souvenirs. Aqui temos duas mulheres colheres quase idênticas: uma é arte moderna, a outra arte africana, chamada por alguns de folclórica.

Certamente isto já tem até um nome no vocabulário das artes, mas eu não sei. E quem souber mande-me. Todas estas nomeclaturas são muito chatas, mas as vezes ajudam a catalogar. Apesar que tem falas e textos que são só uma sucessão de jargões que nós dá impressão de estar lendo um diário oficial da Rússia stalinsita [que, curiosamente, repetiu a o cipoal burocrático do czarismo].

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Colher Cerimonial, Civilização DAN, Libéria
The Art of Africa, the Pacific Islands, and the Americas / The Metropolitan Museum of Art Bulletin

Esta publicação do The Metropolitan Museum of Art Bulletin (Fall, 1981), tem fantásticas reproduções em página inteira. Minha biblioteca parece um sebo. A cada arrumação uma surpresa.
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biblioteca Mário 000.003

 

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O NARIZ, 1947 (versão 1949), bronze, fundição 1965, Fundation Giacometti, Paris.

Isso que eu chamei de incorporação, e que não sei que nome tem no vocabulário da arte moderna, aparece a todo instante. Na exposição, diante do Nariz, de Giacometti, fiquei brincando que era Pinóquio revisitado. E fiquei intrigado até que me deparei com os homens “mosquitos”. Não sei se são apenas canadenses.

Mosquito Mask
Coast Tsimshian
British Columbia
Before 1925
Wood and paint
Canadian Museum of Civilization, VII-C-1188, CD98-20-015

tlingit-mask, anunciada por $400,000

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Esta aqui está à venda por $400,000 [ quatrocentos mil dólares]. Será o efeito do “reaproveitamento” do “folclore” na arte moderna? Não sei destes artefatos do Canadá, mas é sabido que na década de 20 e 30, máscaras e esculturas africanas eram vendidas como souvenirs em qualquer brechó. Pode ser a lei básica e elementar do capitalismo, a da oferta e procura. Um pista é que deve ter menos máscaras Tlingit em circulação do que africanas. O mundo a arte é um mundo do mercado capitalista: “Que produz e destrói coisas belas”, como cantou Caetano Veloso.

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Mosquito Mask, Papua Nova Guiné, Oceania

Mas aqui mesmo já começo a dar alguma resposta sobre os “mosquito mask” serem apenas canadenses. Há esta máscara de Papua Nova Guiné, na Oceania. Outra pergunta já pode ser respondida. Giacometti também desenhou e se influênciou pelas máscaras, totens da Oceania [e fez vários desenhos das máscaras e esculturas da Oceania, presentes na exposição da Pinacoteca].

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LINKS:

01.levantamento de dezenas (com centenas de fotos) de publicações sobre arte africana e ao final links
02 . para imagem do “mosquitos” CANADIAN MUSEUM OF CIVILIZATION

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BIBLIOGRAFIA

01. GIACOMETTI / organização Véronique Wiesinger/ vários tradutores / São Paulo: Cosac & Naify, 2012.

02 . The Art of Africa, The Pacific Islands, and the Americas /text by Douglas Newton / Photographys by Lee Boltin / The Metropolitan Museum of Art Bulletin (Fall, 1981)


GIACOMETTI por JEAN GENET.

11/06/2012

alberto-giacometti, fonte Google, certamente foto de Ernest Scheidegger

O ATELIÊ DE GIACOMETTI, por Jean Genet.
FOTOGRAFIAS DE Ernest Scheidegger.
As fotografias. Aqui, em livro, eu não canso de ver. Na exposição mais ou menos ignorei as fotografias lá expostas. Voltarei para conferir. Foi na foto da página 24 que pude conferir o que Sartre fala de Giacometti e seu rosto antediluviano, para adivinhar seu orgulho e sua vontade de situar-se no começo do mundo”.

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biblioteca Mário 000.004

 

 

 

O Ateliê de Giacometti, de Jean Genet, contracapa. Ed. Cosac & Naify. Fotos de Ernest Scheidegger.

O livro é essencialmente um livro de fotos.

O texto é curto, mas cheio de considerações e assertivas. Quase impossível resumir o que já é quase um resumo de uma longa reflexão e de um longo contato de Jean Genet e Giacometti. Por isso, para facilitar, cito as frases que achei mais contundentes.

AS FRASES:
É a obra de Giacometti, creio, que torna nosso universo ainda mais insuprortável...”.p.12.”A beleza tem apenas uma origem: a ferida...”p.12.”Certas estátuas de Giacometti provocam em mim uma emoção bem próxima desse terror, e uma fascínio quase tão grande“.p.13.”Estão no fundo do tempo, na origem de tudo...”p.14. Assim como Sartre viu. A distância, “a distância entre mim e elas que não tinha notado, distância tão comprimida e reduzida a ponto de eu acreditá-las próximas…“p.14.”… toda obra de arte…deve…descer aos milênios, juntar-se, se possível, à noite imemorial povoada de mortos que irão se reconhecer nessa obra.”p.14-15. “Não, não, a obra de arte não se destina às novas gerações. Ela é ofertada ao inumerável povo dos mortos...”.p.15. “Ainda que presentes, onde estão essas figuras de Giacometti a que me refiro, se não na morte?”. p.15. “Suas estátuas parecem pertencer a uma era defunta”. p. 44. “Giacometti canta que certa vez teve a ideia de modelar uma estátua e enterrá-la...”.p.44. Cada Estátua parece recuar a – ou vir de – uma noite tão distante e espessa que se confunde com a morte...”.p.66

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CONVERSA DE JEAN GENET COM GIACOMETTI:

Giacometti fala a linguagem comum de um trabalhador braçal. “Ele fala áspero“. Emprega com frequência a palavra DESTRAMBELHADA. “Ele também é bastante destrambelhado“. Cabelos desgrenhados. Giacometti continua trabalhando. “Não o interesso nem um pouco“. p.18.

O POVO DOS MORTOS. “Ao povo dos mortos, a obra de Giacometti comunica o conhecimento da solidão de cada ser de de cada coisa..”. p. 21.

Alberto Giacometti, Os olhos. No livro/catálogo Giacometti, da Cosac & Naify o desenho tem fundo pardo. Este parece ter um fundo branco, o que atualizaria a teoria sobre o branco de Jean Genet, de que os traços serviriam para reforçar o branco, o espaço.

Este parece uma coisa de internet, para “melhorar” Giacometti. Coloco aqui para chamar ao cuidado e atenção.

A ABSTRAÇÃO: “…Quero dizer que se o conhecimento de um rosto pretende ser estético, deve recusar ser histórico“.p.22. Não é possível realmente, então, um retrato. Todo retrato é retrato de, Jean Genet, é de um homem em geral. Na verdade, sem rosto. Daí as garatujas e rabiscos. Ou flacidez de Sartre, a redondez, temida, de Jean Genet.

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A MULHER

Mulher em pé, c. 1961, gesso pintado. 46 X 7,6 X 11,2 cm

Nas páginas 22-24 há uma difícil discussão sobre as mulheres de Giacometti, nos bustos de Diego e as suas pinturas. As pinturas seriam muito mais dificeis de situar e entender. Os bustos, por serem mais convencionais, seriam mais próximos. Quando as mulheres seriam mais deusas que mulheres

Chama atenção para o fato de serem pintadas, douradas ou prateadas. Isso na questão mais simples.

A discussão que me pareceu difícil é sobre as mulheres serem de corpo inteiro e Diego um busto. Logo Diego seria mais “socializado“. Depois de um braço, que suponho que é a escultura de um braço que Genet achava que não poderia “viver” sozinho e no entantonão conheço braços mais intensamente, masis expressivamente braço que aquele“.

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O EPISÓDIO DO VELHO SUJO E MALVADO NO TREM.

Alberto Giacometti, Nariz, 1947; versão 1949. bronze, fundição 1965

Uma conversa intolerável, um homem feio, muito sujo e mau . Para Jean Genet, as estátuas de Giacometti narram este homem. Giacometti reconhece, todos nós,  neste homem sórdido. Não bondade, mas reconhecimento.

Jean Genet, mais que Sartre, insiste no homem Giacometti, influenciando sua obra. “Recomeça a caminhar, mancando. Conta que ficou muito contente ao saber que a operação – depois do acidente – o deixaria mae nco. Por isso, vou arriscar o seguinte: suas estátuas me dão a sensação de se refugiarem, em última instância, no sei em que enfermidade secreta que lhes proporciona solidão“. p. 42.

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O CÃO DE BRONZE


O cachorrro de bronze de Giacometti é admirável. Era ainda mais bonito quando sua estranha matéria, gesso misturado com barbante ou estopa, desfiava‘.””Sou eu. um dia me via na rua assim. Um cão“.p. 38. Esta narrativa é a narrativa de uma múmia. No entanto Genet não o diz.

Jean Genet vê estes homens esquálidos na rua. Curvados sob o peso da vida cotidiana e dura. Mas principalmente curvados pela solidão.

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MAS A VIDA  PULSANTE SE IMPÕE PELA JANELA DO ÔNIBUS

Mas Jean Genet faz questão de pontilhar que não vê o mundo da mesma forma. Apesar de todo deslumbramento e entusiasmo com a obra de Giacometti,  de reconhecer que esta solidão é conhecimento, inatacável, este é termo que usa, da condição humana. Mas A cidade – feita solidão – seria admirável de vida, não fosse meu ônibus cruzar com um casal de namorados atravessando uma praça: eles se seguram pela cintura e a moça inventou esse gesto encantador, pôr e tirar a mãozinha do bolso de trás do blue-jeans do rapaz, gesto gracioso e afetado que vulgariza uma página inteira de obras-prima. p. 40.

A desolação que Sartre viu na obra de Giacometti, que Jean Genet chama de solidão, os dois chamam de distância, também é ausência, para mim, de vida. O pulso ainda pulsa, a frase manifesto de Arnaldo Antunes. Sexo é vida, a única propaganda verdadeira que conheço, incluindo as bulas de remédio.

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QUEM FOI FLORA MAYO.

[Cabeça de Mulher (Flora Mayo)], 1926. Gesso trabalhado com canivete e pintado. Giacometti, Ed. Cosac & Naify. Foto Google

Na exposição da Pinacoteca há uma única manifestação deste sexo-sexo. Do erotismo. Flora Mayo.

Giacometti escreve a Matisse: “Eu já não podia suportar uma escultura sem cor e, muitas vezes, tentei pintá-las de observação“. p. 144-145, Giacometti, ed. Cosac & Naify.

Sartre tratou da questão do traço, dos rabiscos de Giacometti. A cor abordada por Jean Genet: “Em meio a velhas garrafas de solvente, sua paleta dos últimos dias: uma poça de lama de vários tons de cinza.

Talvez, em 1926, a cor fosse Flara Mayo. “Arnold e Isabel Geissbuhler a descrevem: Ela era bonita, mas tinha algo de trágico e desequilibrado”. “muito bonita e muito louca”. p. 144 . Giacometti, ed. Cosac & Naify.

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S Sem legenda, (detalhe) foto da foto de Ernest Scheidegger

Uns olhos vazados, apenas as órbitas. Este elemento de terror e morte é uma influência direta da arte africana tradicional, quando estes olhos são uma maneira de contato com a morte e os ancestrais.

Esta fase africana que começa em 1927, tardiamente  comparando com Braque e Picasso, e que, para mim, o acompanhara, essencialmente, a obra inteira: as figuras alongadas, os olhos vazados, este homem geral/abstrato, características das suas esculturas, também presente em pinturas. Os enormes olhos, mas indistintos, com vazados. A sua fase mais abstratas, das mulheres colher, são referências claras aos utensílios cerimoniais. Tudo isso os textos de Sartre não tocam. E também o texto de Jean Genet.

Outra grande ausência do texto são as duas guerras.  Assim como fora em Sartre, mas em Genet com uma agravante que ele fala muito da vida do artista, cuja produção começa depois do horror da primeira guerra, amadurece diante do nazismo e da preparação da segunda guerra mundial. Por mais que Jean Genet, assim como Sartre, afirmem que este rosto, construído por Giacometti, não é histórico, não deixa, para mim, de ser um rosto do horror da condição humana. Que Jean Genet liga, o tempo todo, à morte, à solidão e Sartre à desolação. Isso é a narrativa da guerra.

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O DESENHO

“… Os traços não são utilizados como valor significativo, mas unicamente para dar significado ao Branco. Estão ali para dar forma e solidez ao branco...”. p. 67

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AS ESTÁTUAS:

Sempre a distância, mesmo se estiver muito próximas. Assim como Sartre já tinha abordado. E Jean Genet, neste texto, deixa claro que conversa o tempo todo com Sartre sobre Giacometti.

As mulheres, deusas.  Todo o corpo delas foram modelados mais “amorosamente” que o rosto. “Ao lado delas, como as estátuas de Rodin e de Maillol está prestes a arrotar e em seguida dormir!“. “As estátuas(as mulheres) de Giacometti velam um morto“. A morte é a metáfora dominante em Jean Genet.Parafraseando o título de Sartre: a morte sem sepultura.

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O RETRATO DE JEAN GENET

Giacometti, retrato de Jean Genet. fonte Google

GIACOMETTI-sartre

Eu teria o rosto mais para redondo e gordo“. Sartre anotou o mesmo, a flacidez.Ao contrário das esquálidas esculturas, as pinturas e desenhos de Giacometti tem robustez, mulheres inclusive com ancas largas, rosto cheios e redondos.  Seus rabiscos e garatujas fazem todos, homens e mulheres, ficarem com rostos parecidos. Nisso há aquele homem geral/abstrato. Um homem. E não este ou aquele homem.

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TRISTEZA, SOLIDÃO, DEFORMIDADE.

Diante de suas estátuas, um outro sentimento: são todas pessoas muito belas, contudo me parece que sua tristeza e solidão são comparáveis á tristeza e solidão de um homem disforme que, subitamente nu, veria exposta sua deformidade, ao mesmo tempo oferecida ao mundo para indicar sua solidão e sua glória. Inalteráveis“.

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COMO RECEBO A OBRA DE GIACOMETTI

Acima, neste  último parágrafo do texto acaba matando um pouco a ideia de movimento que Jean Genet afirmou em várias passagens. Se não há vida não há movimento. E experiência é experiência do corpo. A divisão socrática e cristã entre corpo e alma é a danação do homem.

Vejo estes homens e mulheres de Giacometti e penso no Quasímodo de Euclydes da Cunha. Frágeis, esquálidos, desengonçados, mas se transfiguram diante da luta e serão o fundamentos do futuro.

Quem sabem este homem morto esculturado por Giacometti, tão insuportável e doente, é o homem que deve desaparecer.

Acho, é uma obra que faz frente à glorificação estúpida do realismo stalinista. Por negar este horror stalinista teria valor inestimável. Mas ainda assim, acho que há uma grande dose de detratação do homem. Aquilo que o cristianismo fez, cultivando a morte e a dor. E é, acho, uma obra seminal para conhecer  plenamente este homem que deve desaparecer. Mas há um homem que dança, que ri, que festeja, um homem que bebe arco-íris. E este homem para mim é o homem do futuro. O afirmador da vida, até à última gota, até o máximo heroísmo.

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O GATO

Para encerrar vai aqui o gato que Jean Genet achou mais belo e expressivo que o Cão.


GIACOMETTI por SARTRE

08/06/2012

Capa do livro Alberto Giacometti, textos de Jean-Paul Sartre, Ed. Martins Fontes.

foto da contracapa do livro Alberto Giacometti textos de Jean-Paul Sartre, ed. Martins fontes, 2012
“Não é preciso olhar por muito tempo o rosto antediluviano de Giacometti paa adivinhar seu orgulho e sua vontade de se situar no começo do mundo”. Sartre, A busca do Absoluto.

ALBERTO GIACOMETTI textos de JEAN-PAUL SARTRE

biblioteca Mário 000.005

Li o livro duas vezes. E aqui vou fazer uma leitura dos fragmentos. Como diz a introdção de Célia Euvaldo: “alguns dos mais belos textos sobre arte moderna foram escritos sobre a obra de Alberto Giacometti…, entre os quais os dois ensaios de Jean-Paul Sartre aqui apresentados”. p.7. Estou apostando em o “Ateliê de Giacometti”, de Jean Genet. É uma loa rasgada a Giacometti. Além de um prosa, quase “prosa porosa”, há várias referências filosóficas, de Hegel, Kant. E achei identificar várias referências, sem citação, de Nietzsche. ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

SARTRE: AS PALAVRAS E O PERSONAGEM MARCEL

Da introdução de Célia Euvaldo.
É só clicar sobre as fotos para vê-las em tamanho maior e legíveis.

As-Palavras-Jean-Paul-Sartre, fonte google.
É a capa do meu exemplar. Ao contrário de amigos jovens, adoro capas de discos, de livros. Morrerei com meus discos e livros. Com toda esta inutilidade que acumulo.

Durante a década de 70 e 80 li e reli este texto que achava a maravilha de Sartre e a o estado de arte da autobiografia. Além de me ver no texto por ter também uma mãe bonita e assediada sexualmente. E um livro com frases maravilhosas como “não tive pai, não tive superego”. Faço estas referências usando minhas curta e traiçoeira memória. Não consegui achar o livro na minha abarrotada, desorganizada, empoeirada e cheia da livros B dos sebos, estante. Personagem é invenção. Sartre mesmo mostra que a obra de Giacometti é pura invenção da imaginação. No entanto a personagem Marcel de As Palavras vai causar tal ruptura entre Sartre e Giacometti. Incomoda e atrai esta fúria entre criadores. E o efeito que pode causar uma personagem de ficcção. Me lembro sempre que Jean-Claude Bernadett dedicou um livro de crítica de cinema a Antônio das Mortes, de Glauber Rocha. Dizem que é o único livro dedicado a uma personagem. …………………………………………………………………………………………………………………………………………..

página 13.

O ROSTO DE GIACOMETTI

“Só não julga pela aparência quem não sabe julgar”. É uma frase que vem, dizem, com a chancela de Oscar Wilde. Na extrema juventude da natureza e do homem não existe o belo e feio. Dezenas de estudantes de arte da Unicamp foram a uma assembléia de funcionários da Unicamp dizer que os atos públicos eram barulhentos e feios. Alguns deles vestiam camisetas com a estampa FEIA, do Festival do Instituto de Arte/Unicamp. Nem se deram conta.

fonte: Giacometti, Cosacnaify

pág. 16

Devemos cair no abismo de olhos abertos, foi assim que li Nietzsche. Onde? Tem uma amiga universitária que sempre quer saber onde li as coisas. Mas não leio para citar nem para guardar, mas para viver. Todo escrito só vale a pena se for escrito com sangue. Deve ser de Nietzsche também. ……………………………………………………………………………………………………………………………………….

pág. 17.

Capa do livro de Marcelino Freire, BaléRalé, Ateliê Editorial.
A referência da orelha do livro é: Os homens de Weerding, são chamados de “o casal gay mais antigo da Holanda”. Acerv Drents Museum

Fotomontagem: capa do livro BaléRalé e foto do livro Giacometti, da Cosacnaify.

ATAQUE AO INDIVIDUALISMO, APOLOGIA AO ASCETICISMO, em Sartre

Sartre discute se é uma visão de campos de concentração. Via Giacometti como um detrator do homem. Ainda vejo quando não vejo erotismo nem sexualidade. Sartre escreve também sobre Giacometti e as mulheres inatingíveis. Por acaso peguei no meu amontado de livro o BléRalé, de Marcelino Freire, ed. AE; e não canso de olhar para as duas múmias que não são nada mais que um objeto, sem arte, sem artista. Mas o homem abstrato, geral, também está ali. Mas me preocupa da redução de Sartre faz da arte apenas como representação deste homem geral, como um contraponto, ou mesmo ataque indiscriminado ao individualismo. E pode ir fácil ao ataque á própria arte que depende da liberdade individual ampla e irrestrita. Neste post cito um texto seu de 1948, mesmo ano do texto principal do livro em foco, que ataca o sonho, em arte, como traição do proletariado. Nietzsche foi o único filósofo que tinha pinto e nariz. Parece que as esculturas de Rodin e Degas tem sexo e dançam.Só acreditaria num deus se ele dançasse. Há também as eculturas e máscaras africanas, onde há o homem e não a figura do chefe (há algumas). Mas em geral são esculturas que traduzem uma visão do homem diante do mundo, dos ancestrais e dos deuses. Com grande valor estético e humano. Mas, parece-me, não invalidam as buscas “individualistas” da arte moderna e contemporânea.

Há bastração, deformações, alongamentos, desproporções, tudo em em busca de uma expressão, na arte africana. Mas suas máscaras alongadas e deformadas também são feitas para a dança. Suas deformações são para defender a vida contra a doença e a morte numa luta contra os próprios espíritos ancestrais. Ou há as esculturas de sexo com animais na Grécia que narram aquele homem e o homem de hoje com seu amor profundo pelos animais. E toda arte erótica de Picasso. Há o humano dilacerado que tomou a arte do século XX, mas não acho que é a única possibilidade do homem. Entre a vida e o abismo da morte , da violência e de Deus, há ainda a vida.

Há em Sartre uma apologia ao asceticismo da vida de Giacometti, asceticismo que teria invadido sua arte.

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REFLEXÕES SOBRE A ARTE AFRICANA

Sartre, Reflexões sobre o racismo, capa, Difusão Europeia do Livro.
“Se o proletariado branco raramente usa a linguagem poética para flar de seus sofrimentos…Ao mesmo tempo, a fase atual de seu combate exige, de sua parte, uma ação contínua e positiva: cálculo político, previsões exatas, disciplina, organização de massas; o sonho, no caso, seria traição.”. p. 92. “Entretanto se tais poemas nos dão vergonha…Aos negros é que estes negros se dirigem…porque é necessariamente através de uma experiência poética que o negro, na situação presente, deve primeiro tomar consciência de si mesmo…”p.91-92

Curiosamente, Sartre não aborda a questão das esculturas e máscaras africanas, também da oceania, que foram influências dominantes em Alberto Giacometti. Tem até uma fase chamada africana. Sartre escreveu um texto, Orfeu Negro, em 1948. Está então atento à questão da arte africana. Além do mais Picasso, Blaque, Brancusi e uma gama imensa de artistas vão ser influenciados por ela num período longo que vai do início do século até 1930. E Giacometti será, inclusive, tardiamente influenciado, lá pelo anos de 1927. Influência que permaneceu até o fim da vida. E parece-me que Giacometti foi amigo de Marcel Griaule, grande estudioso da civilização Dogon, de Mali, que em 1947 publicou livro fundamental sobre esta civilização, “Dieu d’eau”, primeira edição de 1947. E para ainda falar das esculturas e máscaras africanas, cito Roger Bastide que devo reler, já que foi de grande impacto, para mim, na década de 70. E parece que vai ser agora, quando relido. “Mas é preciso mostrar ianda que esses cultos não são um tecido de supertiçoes, que, pelo contrário, subtendem um cosmologia, uma psicologia e uma deodicéia; enfim, que o pensamento africano é um pensamento culto”. Pg. 24, Roger Bastide, O candomblé da Bahia, Cia. Das Letras,2001. Este texto, escrito em 1948, é aqui citado pelo motivo de Sartre deixar de lado a questão da fase (melhor ainda, permanência) africana em Giacometti. Cito também por ser de 1948, pois o texto principal de “Alberto Giacometti, textos de Jean-Paul Sartre, Ed. Martins Fontes, traz, “A Busca do Absoluto”, datado de 1948. E, relendo este “Orfeu Negro”, também de 1948 que tanto amei, reli e conversei sobre, chego até horror a certas passagens. Que o proletariado deve ser técnico e não pode ter sonhos e se os tivesse seria traição. Ou que a poesia negra, em língua francesa, seria a única arte revolucionária naquele momento. Absolve certa poesia de má qualidade em nome de uma ideologia e condena o proletariado a aridez totalitária

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O conceito de aparência é fundamental na discussão de arte de Nietzsche, assim como na sua filosofia que, jamais, é desassociada da arte. Pelo menos de ouvir falar, esta questão da aparência e da essência é uma discussão do existencialismo. E nesta citação há acordo com Nietzsche: a aparência é fundamental. …………………………………………………………………………………………………………………………………………….

“Alberto Giacometti”, textos de Sartre.
Impõe-se mais uma citação para remeter à arte africana. Esta cabeça distante e corpo próximo vai lembrar as bonecas da civilização Dogon.

Boneca DOGON, Mali.

FASE AFRICANA DE GIACOMETTI

A influência da arte africana em Giacometti eu pretendo fazer um post inteiro sobre a questão. Aqui apenas para ilustrar que Sartre deixou de abordar a questão em conceitos que, parece-me, estão presentes, ou mesmo são oriundos das civilizações africanas. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Desenho de Sartre, ilustração do livro.

Sartre, por Giacometti, ilustração do livro “Alberto Giacometti”, textos de Jean-Paul Sartre.

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Foto do caríssimo livro/catálogo da exposição. “Giacometti”, ed. Cosac & Naify

EXPOSIÇÃO NA PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

Alberto Giacometti, homem caminhando, Gogole

Em Sartre, a palavra mais emblemática do seu texto, falando de Giacometti, é DESOLAÇÃO. Por dois dias, em longas horas na Pinacoteca, anotando todas as obras ali expostas, e sem ter lido os textos de Sartre, a palavra que mais usei foi DESOLAÇÃO. E foi a palavra para todas as pinturas. Mas aqui comecei a falar em destruição e morte. Chamou minha atenção que, Sartre, de passagem fala que a obra de Giacometti não se confunde com visões de campo de concentração. Mas seus dois textos, de 1948 e o outro, sobre a pintura, de 1954, não tem qualquer referência à segunda guerra e nem à primeira. Sartre não aborda e nem nega esta influência.

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O Ateliê de Giacometti, de Jean Genet, contracapa. Ed. Cosac & Naify

JEAN GENET, O Ateliê de Giacometti

Comecei a ler o texto de Jean Genet e parei no primeiro parágrafo, para poder terminar este aqui. A palavra chave de Jean Genet é morte.


Parangolés, Hélio Oiticica. Apontamento 03

06/06/2012

PARANGOLÉS E O VODU DE BENIN

Apresentação do Vodu Egoun. Uidá, Benin, 2009. Esta é a legenda da foto original. Foto(detalhe) da foto de Ricardo Teles , O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias, ed.Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Esta foto de Ricardo Teles(este detalhe dá uma pálida ideia da expressividade da foto) – em O Lado de Lá/Angola, Congo, Benin/Fotografias – que me levou a fazer este outro apontamento. O artigo de José D’Assunção Barros martelava, na minha cabeça, que os PARANGOLÉS, de Hélio Oiticica tinham influência da arte africana (cito abaixo o trecho do artigo).Mas achei, vendo a foto, que não é apenas no conceito de “expandido”, ou seja, não uma influência apenas conceitual, apenas uma referência, mas viva, acontecendo ainda hoje. Mas me parece que é a as manifestações culturais africanas, de hoje, atuais, que influenciaram também. E quero procurar estas influências na arte mais contemporânea. Em Hélio Oiticica há uma influência da África atual. Há, talvez, uma profunda continuidade entre a África antiga e a moderna. E a arte de vanguarda de Hélio Oiticica bebe neste arcaico e neste popular, ou mesmo religioso. Neste caso não há dicotomia entre vanguarda e o popular. Ou o popular e laico, influenciando o religioso, como abordarei em outro post sobre a influência do carnaval brasileiro, interferindo nas bandeiras do Vodu, no Haiti.

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biblioteca Mário 000.007

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CAETANO VELOSO NÃO SE LEMBRA DE CAETANO VELOSO

Singer and composer Caetano Veloso wearing Oiticica’s P 04 Parangolé Cape 01 1964 in 1968 © Projeto Hélio Oiticica. Photo: Andreas Valentim.

Durante anos, mantendo e cultivando minha ignorância, todas as vezes que ouviu ou lia a palavra PARANGOLÉ, mais que Hélio Oiticica, me lembrava desta foto de Caetano Veloso. Parece que mantive durante anos um grande equívoco quando leio o livro de Caetano Veloso, Verdades Tropicais, da Cia. das Letras.
Olhando para da data, 1968, da legenda da foto, se exata, acho que Caetano Veloso veste um Parangolé apenas para se enfeitar. Pelo seu livro, não passou disso.

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16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

Dia 16 de outubro de 2009 deve ser recordado como um dia de destruição do patrimônio cultural brasileiro. E parece, passados quase 3 anos, que ninguém se importa. Este blog pretende lembrar esta data todos os anos. E estudar Hélio Oiticica.
REPORTAGEM DO JORNAL O GLOBO

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QUEM REALMENTE SE IMPORTA?

Por exemplo, o artigo José D’Assunção Barros deixa claro a influência da cultura africana nestes parangolés (que não existem mais, que foram queimados, como vimos acima). E seria de interesse de no mínimo, mais de metade da população brasileira, a preservação desta obra. Mas uma pessoa vai determinar o rumo de tudo porque é o herdeiro. Quando o herdeiro deveria ser toda a população brasileira. Arquivos públicos também correm perigo, mas obras amontoadas em casas particulares é pior ainda. Mas a notícia do Globo, abaixo, à certa altura comenta as “briguinhas” com um museu americano, mas não fala de quem deveria esgar brigando é o poder público, para ter estas obras sob sua guarda. O irmão de Hélio Oiticica, singelamente,fala de uma briguinha com um museu americano que queria as obras. Parece que não lamenta a perda. Ou pode ser a família inteira de olho gordo na “herança”. Agora pode até ser que vai aumentar o preço do que sobrou, numa espécie de queima do excesso; já que a reportagem cita uma obra vendida, em maio de 2009, um dos “Metaesquemas”, o de número 19, que era estimado em U$ 80 mil, foi arrematado por U$180 mil. Quanto valerão agora os outros que, como diz a reportagem, foram todos salvos por estar em outra sala. E ainda falando do irmão do artista que lamenta o prejuízo de 200 milhões. É o maldito direito de herança. Este irmão ou a família toda, certamente, vão encher a burra de ganhar dinheiro, com o que pode ser salvo do incêndio. Na reportagem o tal irmão não lamenta, o quê era de se esperar, que os parangolés foram completamente destruídos. E a reportagem comenta que é(era) a principal obra do artista.[A reportagem não diz se sobrou, em algum museu, alguns destes parangolés]. Leia a reportagem: “Em 1981, um ano após a sua morte – em 22 de março de 1980 -, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996”. Leia a reportagem:. Deveria ser óbvio que as obras deveriam estar nos museus e centros culturais. Herdeiros que amontoam obras, para faturar em cima de algo que jamais produziu, dá nisso. Destruição. Direito de herança,direito autoral para herdeiros – ridículo, já que não escreveram nada – é o principal ataque à memória e a cultura.

fonte google.Incêndio na casa da Família de Hélio Oiticica

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AS GAIOLAS DE GIACOMETTI E UM PARANGOLÉ DE HÉLIO OITICICA

E não é que fuçando no google, para fazer este post, acabei vendo uma influência, de Giacometti em Hélio Oiticica.

Giacometti, outro exemplo de Gaiola

Alberto Giacometti_The Cage, 1930-31

Parangolé, Hélio Oiticica, fonte Google

Acho que Hélio Oiticica foi buscar este formato nas gaiolas de Giacometti.

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TROPICÁLIA.

O livro de Caetano Veloso diz que o nome, apanhado de Hélio Oiticica, não passou de um nome. Que ele aceito a sugestão a contragosto e porque não tinha como recuar quando todos já falavam que a música, sem título, era tropicália. No livro se diz até conformado com o nome tropicalismo que odiava.

O índice remissivo de “Verdade Tropical”, remete a 12 páginas que falam de Hélio Oiticica. Engano total. Li o livro quando saiu e me passou despercebido o nome de Hélio Oiticica. Revendo as remissões, hoje, constato que, além das páginas 425-427, as outras 10 páginas são apenas breves referências anedóticas. Que me deixou em total ignorância de quem foi, naquele momento, e para a Tropicália, Hélio Oiticica. Nas páginas 425-427 há uma série de adjetivos superlativos. Mas ao que parece, Caetano nega qualquer influência, além do nome Tropicália, de Hélio Oiticica na sua obra. E nem deixa entrever, apesar dos elogios, se esta obra tem alguma importância. Nem fala que vestiu um Parangolé, coisa que, quando vejo o nome de Hélio Oiticica, invade minha memória. ………………………………………………………………………………………………………………………………………….
O artigo de José D’Assunção Barros, sobre a cultura africana,AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANANA ARTE MODERNA já resumido num post neste blog, post cujo titulo é: Memória e Altar. Apontamento 02 – CULTURA MATERIAL AFRICANA: arte ou não arte? e demonstra, neste artigo, que os parangolés são um herança da arte africana. E não esquecer a foto de Ricardo Teles do vodu em Benin. ………………………………………………………………………………………………………………………………………..

Paarangolé, Hélio Oiticica., Google

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LINK 01 – AS INFLUÊNCIAS DA ARTE AFRICANA NA ARTE MODERNA, de José D’Assunção Barros.
Apenas relaciona Hélio Oiticica com o conceito de “EXPANDIDO”. A citação abaixo é o que fala de Hélio Oiticica.
“O mundo que permite uma quarta
releitura da arte africana é o da arte ocidental, que se aventura para o
campo expandido.
Um exemplo brasileiro pode ser dado com o Parangolé de Hélio
Oiticica, objetos artísticos que sintonizam com o conceito expandido
de máscara, que traziam os africanos desde as suas origens. O Parangolé
não é para ser contemplado como objeto imobilizado em museu: é para
envolver quem usufrui da arte, para ser vestido, para se oferecer à possibilidade das progressões espaciais e da dança. É um objeto integrador,
que cria conexões com a sociedade, com a natureza e com o mundo.”
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METAESQUEMAS 19.

Hélio Oiticica (Brazilian, 1937-1980), Metaesquema 19, 1957-58, Gouache on board, 45 x 53.3 cm, © 2007 Projeto Hélio Oiticica.

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links

Parangolé, Hélio Oiticica. Foto que ilustra o artigo de Daniela Name

LINK 02 – Obra de arte não é foto de família, artigo de Daniela Name

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links [atualizações]

03 . Ministério da Cultura Hélio Oiticica – Museu é o Mundo

“A exposição Hélio Oiticica – Museu é o Mundo, chega nesta terça-feira (21) ao Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. Essa é a maior mostra já realizada sobre Hélio Oiticica e faz parte da itinerância que já passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Após Brasília, a exposição segue para Belém.”, querem dizer 21 de dezembro de 2010. Não soube que chegasse à São Paulo. Muito menos à Campinas/SP, onde tem duas universidades, uns 50 mil estudantes, e nenhuma atividade cultural.

04. ANGELA VARELLA SAVINO, LIBERDADE CRIADORA E HIBRIDISMO DE HÉLIO OITICICA À EDUARDO KAC

Partindo do conceito de liberdade criadora de Bergson e a relação da arte com a vida,
o objetivo é ir ao encontro da ação de hibridismo (o movimento de construção de mistura de
linguagens artísticas dos primórdios ao movimento moderno), na trajetória de libertação da
arte de seus suportes convencionais ao corpo, utilizando como cenário de observação além de
exemplos de obras e ações de hibridismo no contexto do período dos anos 50 aos anos 90, as
obras representativas de dois artistas expoentes: Hélio Oiticica e Eduardo Kac, no intuito de
configurar o cenário da relação interdisciplinar dos elementos: corpo, vida, arte e tecnologia.
Palavras-chave: LIBERDADE – HIBRIDISMO – VIDA – ARTE – TECNOLOGIA


Pia de água benta na cidade de Goiás e esculturas das Civilizações Africanas

31/05/2012

Escultura BAOLÊ, Costa do Marfim, “Memória e Altar”, coleção de Rogério Cerqueira Leite. Registro a quantidade de esculturas onde tem um cabeça totalmente trabalhada.
TODAS AS FOTOS PODEM SER VISTAS EM TAMANHO MAIOR, BASTANDO CORRER MOUSE SOBRE ELAS.

As esculturas e máscaras das civilizações africanas influenciaram toda a arte do século XX. De Picasso aos parangolés de Hélio Oiticica. Sabemos também que esta esculturas e máscaras foram saqueadas na África. E no final da década de 20 e início de 30, quando, por exemplo, Alberto Giacometti começou a se interessar e usá-las em suas esculturas e desenhos, estas máscaras e esculturas já estavam totalmente banalizadas e vendidas como suvenires em Paris. Mesmo assim a força destes objetos africanos, também da Oceania, influenciarão decisivamente este grande escultor, pintor, desenhista, xilogravurista…

Pia de água benta de escultor desconhecido, século XVIII.Obra localizada no Museu das Bandeiras, Goiás-GO.

Passando por Goiás, e com a cabeça cheia de Arte Africana, de Giacometti, cuja exposição na Pinacoteca de São Paulo tinha visitado, e na volta de Goiás visitei novamente, vi esta pia de água benta, uma escultura que lembra muito a arte africana. Como é de escultor desconhecido, poderia ser de algum escultor escravo, ou influenciado pela cultura dos escravos brasileiros, tal a semelhança com muitas esculturas expostas na CPFL-Campinas/SP, na exposição denominada “Memória e Altar”, coleção de Rogério Cerqueira Leite. Exposição já comentada aqui e que será por muitos anos, já que pretendo resenhar livros e publicações sobre o tema. Já adquiri alguns livros e pretendo comprar outros.

Escultura da Civilização SONGYE, República Democrática do Congo. Chama a atenção para a cabeça com um recipiente, parecendo um feitiço.
No caso da Pia de água benta, notei que tem feições africanas, quando, quase sempre povoam as igrejas católicas esculturas com feições européias. Da exposição “Memória e Altar”, na CPFL, coleção de Rogério Cerqueira Leite

Cartaz do museu… com a procedência da pia de água benta.

Como podemos ler no cartaz, no museu em Goiás-GO, esta pia de água benta é de escultor desconhecido.

Pia de água benta, Goiás-GO.

Pelas feições à exceção do cabelo, mais ainda pela postura, me levou a acreditar que seja de um escultor de origem africana ou influenciado pela cultura africana. Seria um sincretismo na contramão. Há a famosa lavagem das escadarias do Bonfim, mas escadarias, fora da igreja, ou santos católicos identificados com entidades afros. Mas aqui a pia de água benta faz parte dos rituais da igreja Católica, dentro da igreja. Aqui, talvez, o negro levou para dentro da Igreja Católica a sua visão de mundo. Ou à sua imagem (e semelhança) do seu mundo. Outras ocorrências destas me interessam muitíssimo. Mais uma coisa para estudar!