quem são os homens dispositivos, professores e burocratas? leia o texto do Prof. Francisco Foot Hardman

27/02/2010

O HOMEM DISPOSITIVO, de Francisco Foot Hardman

[Ler texto completo no Portal da Unicamp]

Maestria na arte da devida obediência (O Estado de São Paulo – Aliás – 24/9/2006)
O homem-dispositivo não age só. Ele se apresenta como emissário

Francisco Foot Hardman*

Os nomes desses senhores já são farsa, piadas-prontas antes de serem pronunciados. Pensávamos nesse pesadelo impensável como uma peça de teatro do absurdo, se bem que nem Ionesco nem Arrabal seriam capazes de representar enganos em tal magnitude. Na arte contemporânea do não-sentido, a figuração da mentira alcança a elevação sublime que duvida da razão humana ainda em nome dela mesma. Na cena rasteira da política atual, a mentira não se fantasia de nada: veste o manto da razão cínica e auto-administra-se como dispositivo do poder, alheia não só à tão propalada moral, mas antes e acima disso à própria idéia de qualquer pensamento que restaurasse ao menos as pegadas de nossas utopias perdidas. Aquelas que o iluminismo (ou ilusionismo, conforme PCC) um dia dizia ter inventado.

Por isso, não há que se fazer questão dos nomes, porque os personagens já se embaralharam há muito. Pois todo Lula tem seu Serjão, assim como todo FHC deve ter tido seu PC Farias e, afinal, todo Collor possui seu Zé Dirceu. Vejam que agora mesmo os presidentes do PFL (Jorge Bornhausen) e do PSDB (Tasso Jereissati) não estão muito preocupados com nomes, afora o do candidato-presidente. Para os dois caciques, mais importante até que a origem da grana apreendida com agentes destemidos do “comissariado para mídias arriscadas” do PT, o xis do negócio é o flagrante fotográfico das notas, do cofre, das malas, obsessão que mal disfarça sua nostalgia daquelas imagens quase em tempo real que vieram à TV na campanha presidencial de 2002, diretamente do comitê da candidata Roseana Sarney, ao que tudo indica numa operação mais eficaz que a atual, quando não em truculência, naquela blitz da Polícia Federal com forte cheiro tucano. Pena que tal fúria justiceira tenha se dissipado nos ventos do esquecimento, quando se tratou, pouco tempo atrás, de se concluir a CPI do Banestado, cujo final sem final, que a muitos certamente interessava, contou com a eficiente dupla de homens-dispositivo, irmanados no verbo acobertar, José Mentor (PT) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Mas, afinal, quem são os homens-dispositivo, que a robótica da sociedade global-financista do espetáculo, mais que a ciência política dos estados-nações, poderia nos configurar? Como já sugeri, esqueçamos por ora os nomes, porque a rigor todas as carteiras de identidade já aparecem falsas e fiquemos aqui no esboço preferencial de seu perfil. Fecham-se os círculos e arma-se o circo. Somos 126 milhões de “patrões”, diz-nos, com a mesma pompa que vem de longe, em seu exibicionismo bacharelesco, o presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello. Acredite quem quiser. Os homens-dispositivo não agem sós, mas também não representam vontades particulares ou gerais. Por isso se apresentam indistintamente como emissários. São mestres na arte da obediência devida. Nascem nas ordens discursivas do aparelho jurídico-político, mas se espraiam pelos movimentos sociais. No Brasil recente, são exemplo notável as centrais sindicais, a começar pela CUT, que já nasceu velha em 1983, pois atrelada à estrutura sindical corporativa do Estado, herdada de Vargas, que por sua vez a herdou de Mussolini. Vejam esses homens-dispositivo do dossiê-Vedoin: quase todos fizeram carreira na CUT, quase todos prosperaram muitíssimo na vida, quase todos vivem de expedientes, projetos, dispositivos e ONGs. Retrocedamos ao mensalão (que já parece tão passado): Delúbio e Silvinho, homens de Dirceu, homem do Presidente – cutistas de primeira hora.

Não se restringe à esfera burocrático-sindical, entretanto, o homem-dispositivo. Pode estar nas grandes corporações industrial-financeiras ou de serviços. Estará certamente na grande imprensa, gráfica ou audiovisual. O ramo da propaganda e publicidade é bastante propício a seu florescimento. Idem, o da moda. No mundo do esporte globalizado, futebol à frente, o homem-dispositivo caminha célere para produzir resultados, inventar mitos, ganhar muito na fugacidade do jogo efêmero, das celebridades natimortas, dos patrocínios suspeitos, dos contratos-fantasmas.

Também na universidade contemporânea tomada de assalto pela ideologia produtivista e empresarial, convenhamos: homens-dispositivo ocupam o lugar do antigo poder acadêmico, ditam normas, centralizam recursos dirigidos prioritariamente à auto-reprodução, substituem o eixo ensino-pesquisa por perspectiva de extensão sem limites nem finalidade. O conhecimento desinteressado cede terreno a interesses conhecidos ou obscuros. Em nome da democratização, facilitam-se avaliações. Debates de idéias podem virar meras sessões de entretenimento. A educação sossobra nos corredores das políticas mais obscurantistas e de convênios picaretas.

E do aparato policial, então, claro, sobejam homens-dispositivo. E igualmente das igrejas pós-modernas. Dali e de cá poderão, sempre, nascer vocações irresistíveis. Assessores de campanhas eleitorais, leões-de-chácara de bingos, analistas de mídias arriscadas, capangas de colarinho branco, advogados de criminosos e sobretudo advogados do crime, pouco importa, essas funções se equivalem nos novos modos de dominação. Com alguma prática, a gente pode sacá-los de longe. Com suas pastinhas, laptops e gravatas. Fazendo emendas parlamentares ou parlamentando sobre as emendas feitas e suas respectivas cotações. Sacando dinheiro-vivo. Atravessando fronteiras mortas. Pelos meios de transporte tradicionais, ou on-line. Assim se fazem homens para presidentes. Assim se fazem presidentes reais.

Mas, atenção, esse processo não é em absoluto privilégio do povo brasileiro. O homem-dispositivo, parte dos mecanismos estatal-financeiros globalizados, pode trazer uma bomba na cintura ou dólares na bolsa. Depende. Daí que se redobrem cuidados. A única certeza é de que essa silhueta demasiadamente parecida com humana é só farsa, homem sem sombra, no desassossego da agitação sem causa, porque já sem pensamento, porque já sem palavra com nexo, porque já sem razão para. E nós, sim, seres realmente existentes, que realmente nada sabíamos, tornamo-nos à revelia apêndices vivos dessas marionetes sem vida. Não somos seus “patrões”, mas antes seus servos involuntários. Romper essas engrenagens: é a única condição para voltarmos a sonhar.

*Francisco Foot Hardman é professor de Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

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UNICAMP NA MÍDIA – FALE CONOSCO

Francisco Foot Hardman*

Os nomes desses senhores já são farsa, piadas-prontas antes de serem pronunciados. Pensávamos nesse pesadelo impensável como uma peça de teatro do absurdo, se bem que nem Ionesco nem Arrabal seriam capazes de representar enganos em tal magnitude. Na arte contemporânea do não-sentido, a figuração da mentira alcança a elevação sublime que duvida da razão humana ainda em nome dela mesma. Na cena rasteira da política atual, a mentira não se fantasia de nada: veste o manto da razão cínica e auto-administra-se como dispositivo do poder, alheia não só à tão propalada moral, mas antes e acima disso à própria idéia de qualquer pensamento que restaurasse ao menos as pegadas de nossas utopias perdidas. Aquelas que o iluminismo (ou ilusionismo, conforme PCC) um dia dizia ter inventado.

Por isso, não há que se fazer questão dos nomes, porque os personagens já se embaralharam há muito. Pois todo Lula tem seu Serjão, assim como todo FHC deve ter tido seu PC Farias e, afinal, todo Collor possui seu Zé Dirceu. Vejam que agora mesmo os presidentes do PFL (Jorge Bornhausen) e do PSDB (Tasso Jereissati) não estão muito preocupados com nomes, afora o do candidato-presidente. Para os dois caciques, mais importante até que a origem da grana apreendida com agentes destemidos do “comissariado para mídias arriscadas” do PT, o xis do negócio é o flagrante fotográfico das notas, do cofre, das malas, obsessão que mal disfarça sua nostalgia daquelas imagens quase em tempo real que vieram à TV na campanha presidencial de 2002, diretamente do comitê da candidata Roseana Sarney, ao que tudo indica numa operação mais eficaz que a atual, quando não em truculência, naquela blitz da Polícia Federal com forte cheiro tucano. Pena que tal fúria justiceira tenha se dissipado nos ventos do esquecimento, quando se tratou, pouco tempo atrás, de se concluir a CPI do Banestado, cujo final sem final, que a muitos certamente interessava, contou com a eficiente dupla de homens-dispositivo, irmanados no verbo acobertar, José Mentor (PT) e Antero Paes de Barros (PSDB).

Mas, afinal, quem são os homens-dispositivo, que a robótica da sociedade global-financista do espetáculo, mais que a ciência política dos estados-nações, poderia nos configurar? Como já sugeri, esqueçamos por ora os nomes, porque a rigor todas as carteiras de identidade já aparecem falsas e fiquemos aqui no esboço preferencial de seu perfil. Fecham-se os círculos e arma-se o circo. Somos 126 milhões de “patrões”, diz-nos, com a mesma pompa que vem de longe, em seu exibicionismo bacharelesco, o presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello. Acredite quem quiser. Os homens-dispositivo não agem sós, mas também não representam vontades particulares ou gerais. Por isso se apresentam indistintamente como emissários. São mestres na arte da obediência devida. Nascem nas ordens discursivas do aparelho jurídico-político, mas se espraiam pelos movimentos sociais. No Brasil recente, são exemplo notável as centrais sindicais, a começar pela CUT, que já nasceu velha em 1983, pois atrelada à estrutura sindical corporativa do Estado, herdada de Vargas, que por sua vez a herdou de Mussolini. Vejam esses homens-dispositivo do dossiê-Vedoin: quase todos fizeram carreira na CUT, quase todos prosperaram muitíssimo na vida, quase todos vivem de expedientes, projetos, dispositivos e ONGs. Retrocedamos ao mensalão (que já parece tão passado): Delúbio e Silvinho, homens de Dirceu, homem do Presidente – cutistas de primeira hora.

Não se restringe à esfera burocrático-sindical, entretanto, o homem-dispositivo. Pode estar nas grandes corporações industrial-financeiras ou de serviços. Estará certamente na grande imprensa, gráfica ou audiovisual. O ramo da propaganda e publicidade é bastante propício a seu florescimento. Idem, o da moda. No mundo do esporte globalizado, futebol à frente, o homem-dispositivo caminha célere para produzir resultados, inventar mitos, ganhar muito na fugacidade do jogo efêmero, das celebridades natimortas, dos patrocínios suspeitos, dos contratos-fantasmas.

Também na universidade contemporânea tomada de assalto pela ideologia produtivista e empresarial, convenhamos: homens-dispositivo ocupam o lugar do antigo poder acadêmico, ditam normas, centralizam recursos dirigidos prioritariamente à auto-reprodução, substituem o eixo ensino-pesquisa por perspectiva de extensão sem limites nem finalidade. O conhecimento desinteressado cede terreno a interesses conhecidos ou obscuros. Em nome da democratização, facilitam-se avaliações. Debates de idéias podem virar meras sessões de entretenimento. A educação sossobra nos corredores das políticas mais obscurantistas e de convênios picaretas.

E do aparato policial, então, claro, sobejam homens-dispositivo. E igualmente das igrejas pós-modernas. Dali e de cá poderão, sempre, nascer vocações irresistíveis. Assessores de campanhas eleitorais, leões-de-chácara de bingos, analistas de mídias arriscadas, capangas de colarinho branco, advogados de criminosos e sobretudo advogados do crime, pouco importa, essas funções se equivalem nos novos modos de dominação. Com alguma prática, a gente pode sacá-los de longe. Com suas pastinhas, laptops e gravatas. Fazendo emendas parlamentares ou parlamentando sobre as emendas feitas e suas respectivas cotações. Sacando dinheiro-vivo. Atravessando fronteiras mortas. Pelos meios de transporte tradicionais, ou on-line. Assim se fazem homens para presidentes. Assim se fazem presidentes reais.

Mas, atenção, esse processo não é em absoluto privilégio do povo brasileiro. O homem-dispositivo, parte dos mecanismos estatal-financeiros globalizados, pode trazer uma bomba na cintura ou dólares na bolsa. Depende. Daí que se redobrem cuidados. A única certeza é de que essa silhueta demasiadamente parecida com humana é só farsa, homem sem sombra, no desassossego da agitação sem causa, porque já sem pensamento, porque já sem palavra com nexo, porque já sem razão para. E nós, sim, seres realmente existentes, que realmente nada sabíamos, tornamo-nos à revelia apêndices vivos dessas marionetes sem vida. Não somos seus “patrões”, mas antes seus servos involuntários. Romper essas engrenagens: é a única condição para voltarmos a sonhar.

*Francisco Foot Hardman é professor de Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

CONCEITOS RETIRADOS DOS TEXTOS ABAIXO, CUJO TÍTULO E CONTEÚDO DO ORIGINAL SÃO MANTIDOS AO CLICAR NOS LINKS.

1. DELINQUÊNCIA ACADÊMICA, de Maurício Tragtemberg

2. BAGRINHOS, do texto de Alfredo Marques

3. HOMEM-DISPOSITIVO, do texto de Francisco Foot Hardman

4. FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, do texto de Marilena Chauí

5. ETHOS DE GANGUE, do texto de Luiz Felipe Pondé

6. MIKE BONGIORNO, do ensaio de Umberto Eco

7. CASTA DOS INTOCÁVEIS, da entrevista de Chico de Oliveira


O IFCH ESTÁ AGONIZANDO DIZEM OS 80 PROFESSORES

24/11/2009

O CACH é obrigado a levantar a bandeira da defesa do IFCH e do ensino público.

Em 2011 o IFCH não terá como funcionar, diz a carta de 2009, assinada por 80 professores. Este é o momento em que se dá a eleição do CACH. Esperamos, desde o primeiro semestre de 2009, que os professores cumpram sua palavra de parar o IFCH e exigir do reitor que reponho mais de 80 professore que faltarão para repor o que havia há 15 anos atrás, como diz a carta.
Upload feito originalmente por Jornal do Porão


IFHC CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO 008

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Esta carta foi postada no jornaldoporao em 10/02/2010 e teve 231 leitores. Muito pouco. Mas foi postada quase em protesto aos silêncios dos 80 professores que não cumpriraram com a palavra dada, numa espécie de falsidade ideológica.

Espero que mais gente a leia e debata.

Os estudantes da chapa “A poesia está nas ruas” têm debatido e publicaram a carta dos professores na revista ISKRA, cuja publicação alguns dos membros da chapa impulsionam. O CACH precisará de gente de muita luta para romper este silêncio conivente dos professores do IFCH. Enquanto eles catam as migalhas que caem da mesa do poder, a Unicamp ligada aos interesses burgueses cresce (o Campus de Limeira é um exemplo gritante disso). Estes 80 professores diziam que em 2011 o IFCH ficaria inviável. Os estudantes precisam de um CACH de luta e que procurem, insistentemente, a aliança com os trabalhadores.

Este é sentido de republicar aqui esta carta que já está indo para seu 2º. Aniversário.


CARTA ABERTA DOS DOCENTES DO IFCH AO REITOR DA UNICAMP

O IFCH EM ESTADO DE EMERGÊNCIA

Ao Magnífico Reitor da Unicamp
Professor Dr. Fernando Costa

O IFCH está agonizando. O trabalho de pelo menos duas décadas, que resultou na excelência desse Instituto, está em sério risco de extinguir-se.
Nos últimos anos, temos encaminhado à Reitoria diversos ofícios justificando pormenorizadamente a necessidade urgente de novas contratações de docentes e nossas demandas não têm sido atendidas. No contexto da limitada política de contratações vigente, é preciso sublinhar que as quatro vagas destinadas ao IFCH no ano de 2009 são absolutamente insuficientes para recompor o quadro docente no patamar em que esse se encontrava há 15 anos.
Atendendo a necessidades acadêmicas ou a exigências da LDB, a Graduação e a Pós-Graduação do IFCH experimentaram nos últimos quinze anos uma expansão de cursos, de cargas horárias e de vagas discentes sem precedentes. Desde 1994, o número de vagas oferecidas no vestibular pelos cinco cursos de graduação aumentou 28% (de 140 para 180 em 2008) – sem contar as vagas do curso de Arquitetura, criado em 1998 e do qual participam professores do IFCH – e o total de alunos matriculados na graduação passou de 707 em 1998 para 1048 em 2008 (um aumento de 48%). Chegamos assim ao índice de 11,6 alunos por professor, superior à média da Unicamp que é de 8,3, conforme pode ser constatado no Anuário Estatístico da Unicamp (2009). No mesmo período, os cursos na pós-graduação passaram de 5 mestrados e 4 doutorados para 7 mestrados e 11 doutorados – e o total de alunos matriculados aumentou de 741 em 1998 para 885 em 2008. Se contarmos os alunos de graduação e pós-graduação, num total de 1933 em 2008, a relação número de alunos por professor sobe para 21,5. Nesse ano, também segundo o Anuário Estatístico da Unicamp, o IFCH era a terceira unidade em número de alunos na graduação e a segunda em número de programas e alunos de mestrado e doutorado, ficando atrás apenas da FCM. No mesmo período, entretanto, o número de docentes diminuiu drasticamente. Éramos 128 docentes em 1994, 101 em 1998, 90 em 2008 – e somos hoje apenas 89: uma diminuição de 30% do corpo docente.
Isso não significa apenas sobrecarga de trabalho. Certamente há mais cursos a serem dados e mais alunos a serem orientados, mais bancas para participar, mais coordenações de programas para serem exercidas. Ao mesmo tempo, as demandas por projetos e pareceres cresceram, assim como aumentou muito a pressão para ocupar cargos administrativos e acadêmicos. O crescimento de nossa produção e dos indicadores numéricos que contabilizam nossas atividades cotidianas básicas esconde, entretanto, uma crise acadêmica substantiva.
É lamentável constatar, por exemplo, que nossos alunos podem concluir a Graduação ou a Pós-Graduação sem a chance de cursar disciplinas eletivas importantes, simplesmente por falta de professores especialistas para ministrá-las. O vínculo entre as aulas e a experiência de pesquisa, que sempre caracterizou os cursos do IFCH está se perdendo: diante da necessidade de cobrir a oferta de disciplinas obrigatórias, muitos de nossos professores não têm mais a oportunidade de oferecer disciplinas nas áreas em que atuam e publicam – e nas quais são nacional e internacionalmente reconhecidos. Nesse quadro é praticamente impossível pensar em criar novas disciplinas na graduação, mesmo as que têm sido demandadas pelos alunos nas avaliações de curso feitas a cada semestre.
Áreas importantes de conhecimento na Antropologia, na Ciência Política, na Demografia, na Filosofia, na História e na Sociologia estão desguarnecidas, por falta de docentes especialistas para ministrar aulas, coordenar pesquisas e orientar novos pesquisadores. Há linhas de pesquisa na pós-graduação e nos centros de pesquisa que tiveram uma produção acadêmica densa e expressiva que praticamente desapareceram por falta de professores plenos. Há cursos de pós-graduação que estão na iminência de fechar áreas e linhas de pesquisa, pois contam com apenas um professor. Não temos condições, portanto, de criar novas áreas de pesquisa que seriam necessárias para continuar a oferecer um ensino de ponta e acompanhar os avanços científicos e as novas demandas da sociedade.
A projeção internacional de nossos docentes é notória e facilmente verificável em uma consulta aos currículos e grupos de pesquisa da Plataforma Lattes. Os Anuários Estatísticos da UNICAMP também reconhecem essa liderança intelectual e acadêmica: desde 2006, pelo menos, temos sido a primeira Unidade em produtividade intelectual em termos proporcionais (em relação à quantidade de docentes), e a segunda em termos numéricos absolutos. A CAPES também reconhece essa liderança, já que nossos programas de pós-graduação vêm conseguindo manter notas altas: um programa com nota 7, dois com nota 6 e quatro com nota 5; nos últimos anos, várias das teses defendidas no IFCH obtiveram prêmios da CAPES, do Arquivo Nacional e da ANPOCS. Esta liderança está sendo ameaçada pela estagnação de contratações e a conseqüente sobrecarga de trabalho; não é sem sacrifícios que vimos conseguindo manter a qualidade e a excelência do nosso desempenho acadêmico e científico.
O futuro é alarmante: em 2010 teremos 42 aposentáveis, 6 dos quais pela compulsória. Ou seja: em um ano podemos perder 47% do atual quadro docente do Instituto, perfazendo uma possível diminuição total de 63% do corpo docente do IFCH entre 1994 e 2010 (queda de 128 professores para 47). Com tantas perdas acumuladas, está em risco também a larga experiência do trabalho que conseguimos acumular até aqui. É eloqüente o que esses dados apontam: o corpo docente está envelhecendo. A formação de grupos de pesquisa demanda a construção de patamares comuns de trabalho conjunto, o amadurecimento de discussões e a consolidação de eixos de investigação. Essa não é uma tarefa que possa ser simplesmente transmitida por escrito: demanda convivência, laços institucionais e trocas intelectuais que não podem ser empreendidas da noite para o dia. Novos docentes necessariamente devem conviver com seus colegas mais experientes. A convivência é um modo de formar novos quadros e manter a continuidade na excelência da pesquisa e da docência que tem nos caracterizado. Há, portanto, prejuízos evidentes se continuarmos a contar com uma reposição das vagas em futuro indefinido ou depois que departamentos e linhas de pesquisa estiverem extintos.
Também é preocupante nossa posição no cenário científico nacional. Nos últimos anos, temos assistido a uma incorporação crescente de novos docentes (muitos dos quais formados por nós) em outras universidades, por meio de concursos públicos. O quadro é particularmente alarmante quando comparado ao das universidades federais, que hoje oferecem salários mais altos do que os nossos. Ou quando comparado à própria USP que, na última reunião com o Fórum das Seis, anunciou a contratação de 1285 docentes na atual gestão – um número surpreendente diante das melancólicas 55 contratações previstas para este ano pela Unicamp. Em breve os Programas de Pós-Graduação do IFCH poderão perder pontos nas avaliações da CAPES, deixando de ser competitivos na disputa por recursos e na procura dos estudantes por uma formação de excelência.
Diante deste quadro crítico, não basta simplesmente repor a perda de 39 docentes que sofremos nos últimos 15 anos. É preciso mais que isso. Queremos redimensionar o quadro docente de acordo com as necessidades acadêmicas de nossos cursos, considerando a expansão dos últimos anos, e assegurar a dinâmica criativa das linhas de pesquisa para continuar a desenvolver um trabalho de excelência. Queremos também ter o direito de realizar uma expansão de nossas atividades assentada nos desdobramentos de nossas pesquisas e na combinação entre elas e o exercício da docência.
É preciso, portanto, que a Reitoria da Unicamp reflita sobre o seu próprio projeto para o futuro do IFCH e reavalie o tratamento que tem dispensado às nossas necessidades ao longo dos últimos anos, sob pena de que o patrimônio que duramente construímos ao longo dos anos soçobre em meio ao descaso e à indiferença. Não podemos aceitar que seja esse o projeto para o futuro do IFCH. O IFCH e a UNICAMP não podem sobreviver por muito mais tempo apenas com base na reputação construída ao longo da sua história. Restaurar e ampliar esse patrimônio é uma responsabilidade inescapável da atual Reitoria.
Convidamos, pois, o Reitor de nossa Universidade a vir ao IFCH o quanto antes. Esperamos que essa visita possa ser agendada rapidamente, pois precisamos ter a garantia de uma política de contratações que atenda de fato a essas demandas: reivindicamos medidas urgentes para que possamos continuar a trabalhar. Estamos em ESTADO DE EMERGÊNCIA!

Campinas, 30 de junho de 2009

Os Docentes do IFCH:
Álvaro Gabriel Bianchi Mendez – matrícula 286817
Amnéris A. Maroni – matrícula 075663
Andrei Koerner – matrícula 285394
Ângela Maria Carneiro Araújo – matrícula 103872
Arley Ramos Moreno – matrícula 087467
Armando Boito – matrícula 075701
Bela Feldman Bianco – matrícula 054810
Bruno Speck – matrícula 256021
Cláudio Henrique de Moraes Batalha – matrícula 165115
Cristina Meneguello – matrícula 278611
Daniel Joseph Hogan – matrícula 038229
Emília Pietrafesa de Godoi – matrícula 252531
Enéias Forlin – matrícula 288083
Evelina Dagnino – matrícula 039098
Fátima Rodrigues Évora – matrícula 174947
Fernando Antonio Lourenço – matrícula 106844
Fernando Teixeira da Silva – matrícula 286457
Gilda Figueiredo Portugal Gouvea – matrícula 039802
Guita G. Debert – matrícula 106330
Heloisa André Pontes – matrícula 118559
Itala M. L. D’Ottaviano – matrícula 040436
Jesus José Ranieri – matrícula 287264
John Manuel Monteiro – matrícula 252557
Jorge Sidney Coli Junior – matrícula 116335
José Alves de Freitas Neto – matrícula 287069
José Carlos Pinto de Oliveira – matrícula 237108
José Marcos Pinto da Cunha – matrícula 268593
José Oscar de Almeida Marques – matrícula087467
Josué Pereira da Silva – matrícula 272787
Laymert Garcia dos Santos – matrícula 057614
Leandro Karnal – matrícula 273597
Leila da Costa Ferreira – matrícula: 220884
Leila Mezan Algranti – matrícula 165263
Luciana Ferreira Tatagiba – matrícula 286986
Luiz César Marques Filho – matrícula 198935
Luzia Margareth Rago – matrícula 117021
Marcelo Siqueira Ridenti – matrícula 274941
Marcio Bilharinho Naves – matrícula 053554
Marcos Lutz-Müller – matrícula 288083
Marcos Nobre – matrícula 237574
Maria Coleta Ferreira Albino de Oliveira – matrícula 073466
Maria Filomena Gregori – matrícula 222861
Maria Helena Guimarães de Castro – matrícula 088595
Maria Lygia Quartim de Moraes – matrícula 249068
Maria Stella Bresciani – matrícula 043842
Mauro W. B. de Almeida – matrícula 048071
Michael McDonald Hall – matrícula 043222
Nelson Alfredo Aguilar – matrícula 214141
Néri de Barros Almeida – matrícula 286112
Omar Ribeiro Thomaz – matrícula 28293
Oswaldo Giacoia Junior – matrícula 251470
Paulo Celso Miceli – matrícula 117030
Rachel Meneguello – matrícula 152790
Renato Ortiz – matrícula 206547
Ricardo Antunes – matrícula 144061
Rita de Cássia Lahoz Morelli – matrícula 220752
Robert Wayne Andrew Slenes – matrícula 087092
Roberto Luiz do Carmo – matrícula 290280
Roberto Romano – matrícula 069311
Ronaldo de Almeida – matrícula 286526
Rosana Baeninger – matrícula 273996
Rubem Murilo Leão Rêgo – matrícula 045721
Sebastião Velasco e Cruz – matrícula 129062
Shiguenoli Miyamoto – matrícula 20.4722
Silvana Barbosa Rubino – matrícula 285534
Silvia Hunold Lara – matrícula 14634-9
Suely Kofes – matrícula 043851
Thomas Patrick Dwyer – matrícula 100455
Tirza Aidar – matrícula 292552
Valeriano Mendes Ferreira Costa – matrícula 274887
Vanessa R. Lea – matrícula 079154
Walquiria Domingues Leão Rego – matricula 224812
Yara Adário Frateschi – matrícula 287070

Professores Colaboradores:
Arlete Moysés Rodrigues – matrícula 283825
Caio Toledo – matrícula 28374-0
Elide Rugai Bastos – matrícula 292167
Izabel Andrade Marson – matrícula 220426
Luis Orlandi – matrícula 292557
Maria Clementina Pereira Cunha – matrícula 053309
Mariza Correa – matrícula 290598
Vera H. F. P. Borges Itala M. L.

Veja coletânea de textos sobre a academia, acadêmicos, homens-dispositivo, Mike Bongiorno, cães pastores , delinqüência acadêmica, ethos de quadrilha e bagrinhos

MAIS LIDOS DE 2011
Continua, nestes 03/05/2012, sendo acessado. Já perfazem 128 acessos. Talvez só os professores do IFCH esqueceram da carta, alarmante e dramática, que 80 deles assinaram.


Massacre da escola Santa María de Iquique: 21 de dezembro de 1907

28/12/2014

Anotações feitas em 28 de dezembro de 2014

Quilapayún, Santa Maria de Iquique

Quilapayun – 1970 – кантата “Санта Мария де Икике”
……………………………………………………………………………………………….. …………………………….
Cantata Santa Maria de Iquique Autor Luis Advis, Interprete: Grupo Quilapayún,Textos completos.

 

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sta_iquique1 matanza

UMA PROPOSTA E UMA IRONIA. Os trabalhadores reivindicavam escola noturna para si ,  e filhos. [ Uma reivindicação, que passados mais de 100 anos, ainda não foi adotada pelos nossos sindicatos, movimentos populares e partidos. E as escolarização, hoje, é muito mais importante para o trabalhador. Grande parte dos empregos, mesmo nos setores mais tipicamente operário, o estudo regular, estudos técnicos e universitários são cada mais necessários ao trabalhador e à produção. O trabalhador de hoje terá um papel ainda mais fundamental na direção de uma sociedade socialista. Além de um possível domínio, infinitamente maior da herança da cultura socialista – dos clássicos. E que podemos sonhar muito mais tranquilos que vasta gama de trabalhadores, dominando esta cultura ideológica, poderá enfrentar qualquer traço de degeneração de uma sociedade socialista, se apossando de pensadores anti-burocráticos como Trotsky]. A IRONIA. Os mineiros de Iquique não conseguiram as escolas e a formação que reivindicavam e foram morrer dentro de uma escola. Serve de emblema para toda uma geração. Devemos levar nossas lutara para o interior de todas as escolas. E pós as jornadas de 2013 há uma proposta que venho reteirando: 1.Por um Sistema Único (Federal) de Educação; 2. Por uma Carreira Nacional de Professores (“Todos somos Professores”); 3. Piso salarial Nacional, para todos os professores; 4. 100 por cento de cotas para o ensino médio público para ingresso nas universidades públicas; 5. Que o orçamento para educação seja discutido no orçamento nacional; 6. Que todo formado em uma universidade pública tenha que dar aula por 5 anos no ensino médio público;………………………………………………………………………………………………………..UM TEXTO QUE JUSTIFICA ESTAS PROPOTAS:https://jornaldoporao.wordpress.com/…/junho-e-possivel-acha…/

…….Solicitan la apertura de escuelas nocturnas en los poblados para poder alfabetizarse, ellos y sus hijos

“Miles de obreros con sus familias marchan hacia Iquique. Piden que sus salarios sean pagados en peñiques, porque el salitre se comercializaba en libras esterlinas. Exigen también libertad de comercio y el poder contar con una balanza y una vara para controlar la mercadería que adquieren, hartos de las estafas de los patrones. Solicitan la apertura de escuelas nocturnas en los poblados para poder alfabetizarse, ellos y sus hijos/as. Y por supuesto, que ningún trabajador sea despedido por participar de la lucha”. La Izquierda Diario
…………………………………………………
PABLO NERUDA
Una vez a Iquique, en la costa,
hicieron venir a los hombres
que pedían escuela y pan.
Allí confundidos, cercados
en un patio, los dispusieron
para la muerte.
Dispararon
con silbante ametralladora,
con fusiles tácticamente
dispuestos, sobre el hacinado
montón de dormidos obreros.
La sangre llenó como un río
la arena pálida de Iquique,
Y allí está la sangre caída,
ardiendo aún sobre los años
como una corona implacable. En el Canto General (1950), Pablo Neruda le canta a Recabarren
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O TEXTO COMPLETO DA CANTATA: cliqueCantata Santa Maria de Iquique Autor Luis Advis, Interprete: Grupo Quilapayún,Textos completos.

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….La Cantata Santa María, del iquiqueño Luis Advis, habla de 3.600 muertos, aunque dicha cifra tenía un fin más musical que histórico

¿Cuántas personas murieron en 1907?
Una incógnita de la historia es cuántas personas murieron en la Escuela Santa María. Hace un par de años se exhumaron 2.232 desde una fosa ubicada a un costado del Servicio Médico Legal, sin embargo, se comprobó que databan de 1917 a 1930 y todavía no hay certeza científica. Los muertos de esa jornada, también denominada “Suceso de la Plaza Montt” fueron sepultados en el cementerio N° 2 Iquique. Dicho camposanto desapareció en 1960 bajó una población y muchos cuerpos fueron lanzados a fosas comunes. Se sabe que en 1911 la comunal de obreros levantó un memorial para los obreros pampinos. En 1957 dichas estructura es demolida y los restos fueron dejados en una fosa, contabilizando 267 cráneos, los cuales hasta la fecha siguen en el sector aunque no se sabe dónde y quizás están bajo viviendas.
La Cantata Santa María, del iquiqueño Luis Advis, habla de 3.600 muertos, aunque dicha cifra tenía un fin más musical que histórico
El historiador iquiqueño Mario Zolezzi señala que el general Roberto Silva Renard fija en 140 las víctimas, mientras que el cónsul peruano de esa época informa de 140 muertos y 200 heridos. “El empresario salitrero inglés John Lockett señala 200 muertos y 300 heridos, mientras que el cónsul británico dice 120 muertos y 230 heridos. El corresponsal de “El Comercio”, de Lima, escribe que se calculaba que dentro y fuera de la escuela habían unos 300 muertos e innumerables heridos. El historiador Leopoldo Castedo da a conocer otras cifras mayores y el corresponsal de The Economist informó a Londres de 500 muertos. Venegas Arroyo dice de 2.000 muertos, corroborada por Armando Jovet Angevín, padre del historiador y suboficial del Carampangue, que en el primer turno de entrega de cadáveres a él encomendado, contó novecientos muertos. Otros heridos fallecieron en el Hospital de Beneficencia”.
Publicado hace 8th February 2011 .Reconstruirán la escuela Santa María
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“Veamos las relaciones con respecto al número de muertos y heridos. En el imaginario colectivo han quedado grabadas a fuego las palabras de la Cantata Santa María de Iquique de nuestro Luis Advis Vitaglich: “Fueron 3.600”, olvidando que la creación literaria o musical, aunque tenga una base histórica, no es historia, sino ficción y como tal debe cumplir las reglas, en este caso de armonía, rima, entonación y otros elementos del universo musical que no son de mi especialización. Considere el lector/a que el número redondo que utiliza Advis que es 3.600 fuera reducido históricamente a 2.357 ó 1.235. Se perdería el elemento fundamental de la Cantata, la rima interna.” Anarkismo/net

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links

01. Quilapayun – 1970 – кантата “Санта Мария де Икике”
01A- Cantata Santa Maria de Iquique Autor Luis Advis, Interprete: Grupo Quilapayún,Textos completos.

O2. Dolores Mujica
03. A 107 años de la matanza de Santa María de Iquique;La historia de la heroica huelga y posterior represión en Santa María de Iquique, Chile se populariza en los años ´70 a través de la Cantata interpretada por el grupo Quilapayún
04. sábado, 25 de agosto de 2007,Exhuman 820 presuntas víctimas de histórica matanza de obreros en Chile

05. Recuento de los masacrados en la Escuela Santa María. Las Versiones.Anarkismo/Net
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anotados: LA IZQUIERDA DIARIO E PALAVRA OPERÁRIA. ¿Y si Syriza gobierna Grecia en 2015?

19/12/2014

“Desde el comienzo de la crisis en Grecia se han vivido 32 huelgas generales, miles de manifestaciones, represión y choques con la policía.”

 

¿Y si Syriza gobierna Grecia en 2015? La Izquierda Diario

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TROSTSKY:
“Tentemos, porém, aplicar à nossa época a contradição entre a ações de massas espontâneas e o trabalho de organização consciente de seus fins. Foram enormes os gastos em forças e desinteresse que as massas trabalhadoras de todos os países civilizados ou semicivilizados fizeram desde a guerra mundial! Não encontramos um precedente semelhante em toda a história da humanidade. Nesta medida, Rosa Luxemburgo tinha totalmente razão contra os filisteus e os cretinos do conservadorismo burocrático, “coroado de vitórias”. Mas, justamente o desperdício dessas incomensuráveis energias constitui um terreno favorável à grande depressão do proletariado e à vitória do fascismo. [gm] [Podemos afirmar sem qualquer exagero: a situação mundial está determinada pela crise da direção do proletariado. O campo do movimento operário encontra-se ainda bloqueado pelas sobras poderosas das velhas organizações falidas. Depois de numerosas derrotas e desilusões, ,o grosso do proletariado europeu encontra-se fechado em si mesmo.” Palavra Operária, citação de Rosa Luxemburgo e a IV Internacional,   (Rápidas Observações a respeito de uma importante questão), Trotsky., introdução a ROSA LUXEMBURGO , Greve de Massas, Partido e Sindicatos, Kairós, 1979.

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ROSA LUXEMBURGO:

 

“… a revolução russa (1905, gm) ensina-nos assim uma coisa: é que a greve de massas nem é “fabricada” artificialmente nem “decidida” ou “difundida” no éter imaterial e abstrato, é tão somente um fenômeno histórico, resultante, em certo momentos, de uma situação social a partir de uma necessidade histórica[gm]“. pág. 19

 

 

“…É por isso que temer a propaganda em favor da greve de massas e pretender excomungar formalmente os culpados deste crime é ser vítima de um absurdo equívoco. É tão difícil “propagar” a greve de massas como meio abstrato de luta, como “propagar” a revolução. A “revolução” e a “greve de massas” são conceitos que não representam mais do que a forma exterior da luta de classes e só tem sentido e conteúdo quando referidas a situações políticas bem determinadas”. pág. 19

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As 8 horas de trabalho

Depois de 1905:

“…Atualmente a Rússia está à frente, no que se refere à duração real do trabalho, não somente da legislação russa que prevê um dia de trabalho de 11 horas e meia, mas também das condições efetivas de trabalho na Alemanha. Na maior parte dos ramos da grande indústria russa, adota-se o dia de trabalho de 8 horas, o que constitui, aos olhos da social-democracia alemã, um objetivo inatingível. ainda mais, este “constitucionalismo indústrial” tão desejado na Alemanha, objeto de todos os votos, em nome do qual os adeptos duma tática oportunista queriam manter as águas paradas do parlamentarismo…” pág. 35

CCOMENTÁRIO:
Anotei este parágrafo para colocar em pauta a aceitação, quase como inevitável, das 8 horas de trabalho. Como se fosse algo do direito natural.
Para avançar, na crise do desemprego, é claro que a escala móvel do Programa de Transição.
Mas nos tempos atuais, onde o proletariado é muito mais escolarizado e que a possibilidade de melhora em várias camadas do proletariado e dos trabalhadores depende de ensino e formação profissional, acho, que a questão de horas para estudo seria fundamental, assim como uma propaganda constante para que abram-se vagas e mais vagas para o ensino técnico e universitário.
– 100 por cento dos de vagas nas universidades públicas para o ensino médio público;
– Carreira Nacional de Professores: “todos somos professores”
– Sistema Único de Ensino (com verbas discutidas no orçamento nacional).

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Novembro/dezembro de 1905:

“…Em novembro, por apelo da social-democracia, é organizada primeira greve demonstrativa de protesto contra a repressão sangrenta em São Petersburgo e a proclamação do estado de sítio em Livônia e Polônia. O sonho da Constituição é seguido de um despertar brutal. A surda agitação acaba por desencadear a terceira greve geral de massas de dezembro, a qual se estende a todo império…” pág. 40

1906:

“1906 é o ano das eleições e do episódio da Duma. O proletariado, movido por um poderoso instinto revolucionário que lhe permite ver claramente a situação, boicota a farsa constitucional czarista...”.pág. 40

“…A tentativa da social-democracia para organizar uma quarta manifestação de greve de massas em favor da Duma e do restabelecimento da liberdade de expressão cai por terra. A greve política de massas esgotou seu papel, e passagem da greve ao levantamento geral do povo e aos combates de rua não é mais possível. O episódio liberal acabou, o episódio proletário não começou ainda. A cena fica provisoriamente vazia”. pág. 41

COMENTÁRIO:
O encadeamento das ações. Greves econômicas. Lutas políticas (democráticas). Lutas políticas da classe operária para se defender de ataques do estado e da burguesia. E que acontecem no mesmo bojo da questão democrática da Duma. O boicote a Duma, por ser uma farsa czarista. E um tentativa, frustrada, da social-democracia em defender a Duma dos ataques czaristas.
Encadeamento que ajuda a pensar a questão da Constituinte e as lutas reivindicativas.
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“Assim, é a revolução que cria por si só as condições sociais que permitem uma passagem imediata da luta econômica à luta política, e vice-versa, que se traduz pela greve de massas. O esquema vulgar só compreende a relação entre greve e a revolução nos combates sangrentos a que conduzem as greves de massas; mas, um exame mais profundo dos acontecimentos russos obriga-nos a detectar uma relação inversa: na realidade, não é a greve de massas que produz a revolução, mas é a revolução que produz a greve de massas[gm]“. p. 47

 

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IDEALISMO REVOLUCIONÁRIO, DE ONDE VEM ISSO?

idealismo, psicologia, revolucionário romântico: de onde vem, para onde vai, o que mantém depois da revolução?

“… O preço que a massa proletária paga por cada revolução é com efeito um oceano de privações e sofrimentos horríveis. Um período revolucionário resolve esta dificuldade aparentemente insolúvel, desencadeando na massa tão grande idealismo que esta se mantém insensível aos sofrimentos mais atrozes. Não se pode uma revolução nem uma greve com a psicologia de um sindicalizado que só consentiria em suspender o trabalho no dia 1o. de maio na condição de poder contar, se for despedido, com um subsídio determinado com precisão anteriormente. No entanto, na tempestade revolucionária, o proletário, prudente pai de família desejoso de assegurar o subsídio, transforma-se num “revolucionário romântico para quem o bem supremo – a vida – e com mais razão o bem estar-material tem uma importância diminuta em comparação com o ideal de luta…”p.49

 
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Comentário:Questões que pretendo me aproximar lendo os três volumes de Ernest Bloch, “O Princípio Esperança”.

O Princípio Esperança, de Ernest Bloch

 

 

 

 
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Máfia de Branco, II. O Ensino Médico no Brasil, a formação da máfia.

07/12/2014

 

wdolaro Ensino universitário no Brasil é para a elite. Os estudantes de medicina são da classe média alta ou filhos da burguesia. Acostumados com o luxo, tem nojo dos pobres. Depois, como especialistas, se empregam nas empresas de medicina privada que exploram a dor, a doença e a morte. São propagandistas de laboratórios. São como traficantes, viciam as pessoas com um cem número de  drogas. E como máfias se auto-protegem e levam uma vida de semi-ilegalidade e com uma moral de comerciantes; e até numa espécie de pirataria, ou mesmo no crime aberto nas clínicas de aborto. Mas o normal é se formarem para servir à empresas de
medicina privada ou a laboratórios. A medicina, no Brasil, formam exploradores da fragilidade humana. Fazem parte da indústria da morte.
Tanto horror é virou uma banalidade. E o poder de humilhar, explorar, assediar ou mesmo estuprar continua. E este poder, com os anos, só aumenta. Em 1970 O Pasquim denunciava a máfia de Branco. Hoje esta Máfia é muito maior, mais rica e mais inatingível.
Um das características deste momento que vivemos, de excesso de informação, de redes sociais é que você pode falar o que quiser, mas também ninguém lhe ouve.
É preciso mudar é a composição social dos estudantes de Medicina. De resto de todo ensino.

UM COMENTÁRIO:
Claro que pobres também cometem abusos. Mas este elitismo dos médicos (e de todo o ensino no Brasil) que os coloca acima de todos, e por cima de quase todos, permitem a impunidade.
Anos e anos ouço e já vi denúncias formais de abusos em hospitais e até profanação de cadáveres em festas. Nenhum medida nunca é tomada.

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PROPOSTAS:

1. Precisamos de 100 por cento de acesso às universidades públicas sejam destinados a alunos do ensino público, mantendo a cota para negros e indígenas;
2 . Por uma carreira nacional de professores que iguale todos os professores: “todos somos professores”;
3. Por um Sistema Único de Educação (pelo fim da educação parcelada dos municípios e estados);
4 . Mudança radical na formação dos médicos (pelos menos 85 por cento de médicos generalistas, médicos de família e 15 por cento para especialidades – invertendo a lógica de hoje);
5. que todo médico formado tenha que trabalhar por 4 anos em unidades de saúde pública, onde for designado – que, para começar, todas a cidades do interior do Brasil tenham 6,9 médicos por mil habitantes, a taxa Cubana;
6. Que os médicos ganhem como professores de um Sistema Único de Educação (e que os professores ganhem como juízes)
7. Defensores públicos (advogados) que ganhem como juízes, para defender os pobres dos erros médicos;
8 .E será preciso complementar tudo isso com uma campanha sistemática, dia pós dia, ano pós anos, anos a fio, contra a medicina privada.

Caos

(Até um antigo secretário do Maluf e Ministro da saúde de Collor e FHC, em uma entrevista, deixou implícito o ensino das escolas privadas de medicina produz gente incapaz que vai cometer crimes e que nas escolas públicas o ensino voltado para especializações vai pelo mesmo caminho de produzir horrores e exclusão, que na medicina significa morte.). E num ensaio que escreveu para a Revistada USP http://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/76170/79914, o primeiro diagnóstico que faz é que desde Ditatura Militar e principalmente no período posterior, foram criadas mais de uma centena de faculdades de medicina, faculdades privadas sem qualquer qualificação. Ele não diz neste artigo, mas num outro http://febrasgo.luancomunicacao.net.br/artigo-exagero-de-escolas-medicas-por-adib-jatene/ mostra grande preocupação com medidas judiciais contra os médicos.

 

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Devemos denunciar sim, mas é preciso avançar. Das denúncias devemos passar a propostas para revirar o ensino de medicina no Brasil e a prática de medicina.
Para isso é preciso que organizações de trabalhadora assuma a luta para mudanças. Cada dia que passar serão contabilizados em dor e mortes.
As organizações de trabalhares devem buscar aliados nas filas dos postos de saúde, dos hospitais do INSS. Aliados dos pobres nas periferias. Dos sem-médicos de todo interior do país. É uma tarefa democrático/nacional que precisa da intervenção da classe operária para ter uma solução. Para avançar outras lutas (mesmo porque os mortos e doentes não farão luta nenhuma).
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VIRAR A MEDICINA DE CABEÇA PARA BAIXO É UMA TAREFA DEMOCRÁTICA QUE A CLASSE OPERÁRIA DEVE ASSUMIR E DIRIGIR, BUSCANDO ALIADOS NA CLASSE MÉDIA POBRE, NOS POBRES URBANOS, NUM PROCESSO REVOLUCIONÁRIO.

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Se um movimento deste tipo conseguir vitórias e, nestas lutas, houver o protagonismo da classe operária e dos trabalhadores, será uma mostra patente que que a classe operária caminha para dirigir todo o país.
Ainda que a classe operária e trabalhadora não conseguisse este protagonismo a luta não pode ser adiada.
Acho que o processo revolucionário depende muito de vitórias, mesmo que parciais, nesta área que permite que a classe operária leve atrás de si amplas massas oprimidas. Num breve levantamento: a questão da saúde da mulher, a questão do aborto, o tratamento da anemia falciforme que atinge a população negra, ou a pressão alta que atinge em primeiro lugar esta mesma população, ou ainda, os mais de 40 milhões de pessoas que se declaram com alguma deficiências (o que podemos ver em um estudo da FGV, de 2000, Retrato da Deficiência no Brasil.

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A VIDA, PARA UM MATERIALISTA, É O ÚNICO PATRIMÔNIO
E a questão da medicina concentra este problema em grau máximo. E é o maior anseio da população. É só conferir quantos planos de saúde privados tem no Brasil; e montante de dinheiro que os trabalhadores gastam.

“Virar a medicina brasileira de cabeça para baixo é uma tarefa para a revolução operária e socialista. (01). Este é o fecho de um artigo de um ex-aluno de Medicina de uma escola privada. Espero que uma revolução socialista que se preze realmente faça isso. Mesmo Cuba, onde nem houve uma revolução socialista exemplar e que logo, muito cedo se burocratizou, a Medicina foi virada de cabeça para baixo. Haja vista que Cuba tem 6,9 médicos para cada mil habitantes, 3,5 vezes ao que tem o Brasil, quase 11 vezes a Índia e o dobro da Alemanha.
Abaixo destes apontamentos faço um pequeno resumo do ensino de Medicina no Brasil. Adib Jatene, um dos que faz este levantamento, apesar de ter sido Secretário de Saúde de Maluf, Ministro de Collor e FHC e professor de rede de ensino privado, não deixa de mostrar que este ensino privado é uma espécie de crime. E termina vários de seus artigos expressando, no espírito de corpo comum aos médicos, o temor de processos judiciais contra médicos. E diz mesmo que este ensino chegou ao máximo do perigo. E não só o privado. Pois no ensino público de Medicina a distorção que é a formação de especialistas é uma acinte. Pois forma com dinheiro público milhares de médicos que vão servir a uma minoria. E pior, vão tratar de 10 ou 15 por cento de doenças, quando 85 por cento são doenças que atingem a maioria do povo. E que precisam de outro tipo de Medicina.

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Assédios, estupros e racismo na Faculdade de Medicina da USP

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Funcionários do restaurante da USP se mobilizam contra e estupros, assédio e homofobia. Vários setores da USP fizeram os mesmos cartazes e uma campanha no facebook. O mesmo fizeram outros trabalhadores do Movimento Nossa Classe e do Jornal Palavra Operária.

 

 

 

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Paulo Saldiva. Indignado com as atitudes dos dirigentes da USP

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links da campanha no facebook

01. Trabalhadores do Hospital Universitário da USP
02.Diana Assunção: “Na Faculdade de Medicina da USP há métodos profissionalizados de estupro”
03. Folha e Estadão divulgam campanha dos trabalhadores da USP contra estupros na Faculdade de Medicina
04. Funcionários da USP fazem fotos em apoio as vítimas de estupro
05. Show de horrores na Faculdade de Medicina da USP, Palavra Operária
06. Campanha contra machismo e homofobia chega a centenas de milhares de pessoa, Palavra Operária
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 links

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01. Medicina, racismo e elitismo no Brasil: uma combinação de classe feita para matar
02 .Conselho Federal de Medicina deu atestado de ignorância ao repudiar campanha contra racismo<a href=”https://jornaldoporao.files.wordpress.com/2014/12/20141125160716424093u.jpg”>20141125160716424093u

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ADIB JATENE, na revista da USP
Brasil precisa de muito mais médicos.
Alguns exemplos da tabela de quantidade de Médicos por mil habitantes. Alemanha são 3,64 para cada mil. Brasil 1,95. Índia 0,60 por mil. E cuba 6,39 por mil.
Distribuição dos Médicos.
60% deles estão nas capitais onde residem apenas 20% da população. A maior das distorções é Vitória que tem 10 médicos para cada mil habitantes. 5 vezes mais que o Brasil. Quase 3 vezes mais que Alemanha. E quase 20 vezes mais que a Índia.

As especialidades.mafia-de-branco-1
Quem dá aula na graduação são Médicos especialistas que, por óbvio, dão aulas sobre sua especialidade. Há especialidades que um médico trabalhando 3 anos num posto de saúde não encontrará um caso sequer. A graduação precisa forma médicos e não especialistas.

“A situação atual do ensino médico tem causado
muita preocupação, mas acredito que estamos no
limiar de mudanças, já que a coisa chegou a um
nível intolerável.” Como termina o texto de Adib Jatene

Ensino privado.

“Em 1996 tí-
nhamos, portanto, 82 faculdades de medicina. E
daquele ano até 2011 abrimos mais 103, com uma
particularidade: mais de 50% eram privadas, com
os mesmos defeitos das anteriormente criadas.DESCASO COM A SAÚDE
Em 2012, no dia 5 de junho, o governo autorizou
mais nove faculdades privadas, além de 18
novos cursos em universidades federais. Ficamos,
assim, com 63 federais, 27 estaduais, 7 municipais
e 115 privadas, num total de 212 faculdades de medicina.” Adib Jatene
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DEMOGRAFIA MÉDICA NO BRASIL, VOL. 2,
Cenário e Indicadores. Relatório de pequisa, fevereiro de 2013, CMF/CREMESP (02)

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ESPECIALIDADES MÉDICAS.

Eram, em 2013, 387.289 médicos. Destes por volta de 180 mil são generalistas, e o restante, por volta de 54% são especialistas.
Mas o número de quase 180 mil generalistas tem que ser relativizados. Destes 46 mil são jovens até 29 anos que podem se especializar, ou provavelmente vão se especializar não grande maioria; nesta faixa de idade apenas 5% são especialistas. E a maioria absoluta dos generalistas tem mais de 40 anos, o que indica que não serão substituídos quando chega a idade, pois ao vermos a tebela CREMESC, p. 135 do relatório,verificamos que da faixa do 35 aos 54 anos a porcentagem de especialistas beira a quase 70 por cento. Ou seja, mesmo que não tivesse um onda de especialização, se se mantivesse um ritmo constante como o que até aqui, teríamos de qualquer maneira, 70 por cento de especialistas. Mas não é assim. Adib Jatene, no seu artigo para a revista da USP, que a maioria, quase a totalidade dos estudantes hoje, buscam a especialização. Como ele mesmo diz, especialistas não vão atender a população carente e vão praticar uma medicina de luxo.

“A tendência de crescimento dos especialistas
pode ser observada entre os mais jovens
– 52,06% dos médicos entre 30 e 34 anos
já estão com título. Nas faixas etárias seguintes,
a porcentagem de especialistas cresce até
atingir 72,20% entre aqueles com 40 a 44.”  CFM/CREMESP

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Máfia de Branco 2

links

01. O Ensino Médico no Brasil, por Adib Jatene
02. Demografia Médica no Brasil, vol. 2, Cenários e Indicadores. Relatório de pesquisa, fevereiro/2013 CFM/CREMESP

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pingback

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01. https://jornaldoporao.wordpress.com/2013/07/29/mafia-de-branco/
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A.(1917) Considerações ao Léo

19/12/2013

Quero comentar, Léo, em primeiro lugar uma ausência nos seus comentários. A questão da Cosntituinte. Veja oque coloco no item 5 das minhas anotações. A principal questão política das manifestações de junho de 2013 foi o repúdio a todos os partidos políticos. E como eram as bandeiras das organizações de esquerda que estava lá, elas foram o alvo do ódio dos manifestantes, insuflados por pequenos grupos de direita. Sem dar resposta a esse desejo de varrer todos os políticos, foram as esquerdas enxovalhadas. Em Campinas tivemos que sair logo do ato. E só não foi pior porque havia, via organização do Ifch/Unicamp, um bloco das esquerdas que pode agir em comum, até mesmo para decidir, em bloco, sair do ato quando a agressividade da “direita” ficou maior. Naquele momento, se fosse possível, se já houvesse um debate e decisões nesse sentido, seria a bandeira mais adequada para centralizar a vontade de varrer todos os políticos. E hoje é ainda a bandeira central para lutas vindouras. Esse vazio é que, para mim, permite à Dilma recuperar, rapidamente, quase toda sua popularidade nas pesquisas de opinião. Como se a população, simpática na maioria às manifestações de rua, concluíssem, rapidamente que não a nada para fazer para se livrar desses políticos tão desacreditados. Tirando fora a questão da corrupção, em particular o mensalão, parece que o povo não quer os políticos porque concluíram que eles não servem para nada. Nem mesmo é um ódio de classe, do tipo “eles não prestam porque votaram coisas contra o povo”. Eles não prestam porque não fazem nada. Logo o ódio pela conduta moral desses políticos não faz avançar muito para se colocar questões estratégicas para o país no debate. O que um movimento por uma constituinte permitiria, por estar implícito, e deve ser tornado explícito, que seriam novos políticos, novas leis, novas políticas que deveriam ser tratadas. O risco de não ter um movimento por uma Constituinte Livre e Soberana é que continuará na mão de pequenos grupos de direita o patrimônio de ser anti-políticos. E que pode muito bem ser, com o andar das coisas nesse sentido, um ódio contra a democracia, que como sabemos, é a anti-sala para o fascismo se há uma crise muito grande. A democracia burguesa não resolve problemas do proletariado, mas sem ela quem paga primeiro o pato é o proletariado. Os ataques à direita, no caso muito difusos agora por não ter partido de direita anti-parlamentar se formando ou formado, pode muito bem ser uma bandeira apropriada pela classe média, desencantada, sem futuro, que é mais ou menos o grasso das manifestações. Ou mesmo não esqueçamos que uma juventude sub-proletarizada, ou quase lúmpen-proletariado, que enfrenta a polícia a pau, skate, pode ser ganha para a luta do proletariado, mas em momentos de crise, como foi na Alemanha, foram ganhos para o nacional-socialismo, com uma retórica nacionalista e contra o imperialismo (que significava, para a Alemanha, a humilhação do tratado de Versalhes). É muito longo, mas a própria questão da técnica, e depois técnica de armas de guerra, foi guindada a ideologia nazista (mesmo sabendo que o Nazismo nasceu com uma retórica romântica e anti-técnica). Há um livro que mostra como os engenheiros e revistas de engenharia alemã(livro que vou ter que reler e resenhar aqui no blog), convenceram o dirigentes nazistas da necessidade de colocar a técnica no centro das preocupações para “livrar” a Alemanha da vergonha do final das I Guerra Mundial.
Um partido da classe operária só de constituirá, para a vitória, se alçando em dirigente da toda a nação, logo de todas as massas não proletárias. Assim em escala mundial.

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“2. Quando fala da campanha nacional chave, da educação, a coloca também como a via do reagrupamento em torno à necessidade de um partido da classe operária de combate, revolucionário. Essa é minha dúvida central por ora, como vê esse desenvolvimento? Há algum par na história? Há uma diferença entre “Partidos de Trabalhadores” em geral, de classe, porém não necessariamente revolucionário, e “Partido Operário Revolucionário”, nós trabalhamos com essas duas hipóteses de surgimento de partido, a depender do desenvolvimento histórico concreto. Precisamos, mais do que nunca, debater a questão do partido brasileiro. Como você vê? Como aparece? Como devemos trabalhar?”Comentários de Léo.
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Veja a indtrodução às minhas anotações sobre as jornadas de junho de 2013
Retomando em citação livre a frase de Marx/Engels no Manifesto Comunista de que o papel dos comunistas seria de levantar no movimento real as bandeiras históricas da classe operária. Acho que em vários momentos históricos esquerdas de diversas matizes interpretaram essa frase como se a única bandeira histórica da classe operária fosse a revolução socialista. Mas a classe operária tem bandeiras históricas que estavam e ainda estão no campo de reformas. Por exemplo as horas de trabalho. E que não é bandeira só da classe operária, mas também de trabalhadores de diversos ramos, seus aliados mais próximos. Daí a importância que teve e junho a questão dos transportes, para uma classe média, que na sua maioria, nem mesmo usa transporte público (ou está em perspectiva de deixar, logo, logo, de usar, se é estudante). E muitas bandeiras da mais elementar democracia e reivindicações que a própria burguesia encaminhara no séc. XIX, caíram nas mãos da classe operária no século XX. Exemplo a questão da terra. A questão do laicismo na educação. A questão maior ainda, a libertação nacional. Pois a época imperialista é de reação em toda linha. A burguesia responde às crises é com fascismo ou medidas proto-fascistas.
Então para mim, a formação do partido revolucionário, depende de como se levar essas bandeiras. E como alçar o proletariado como direção desse processo. Em primeiro lugar a luta anti-imperialista, as organizações ou organização que se quer construir como partido revolucionário, falar em nome de todo o povo, contra o imperialismo e priorizar todas as lutas que possibilitam por a nú, por a claro, a luta pela libertação do jugo imperialista. E a palavra mais cara para isso é liberdade. Essa velha palavra da burguesia das revoluções francesas e dos Estados Unidos, é hoje bandeira da classe operária e de seus aliados. Daí que invejo um pouco o PSOL quando este se apropriou da “Socialismo e Liberdade”. Depois do Stalinismo, depois das Guerras imperialistas, depois da sociedade de controle, imperialista e global, é uma questão internacional de todos os povos, de todos os oprimidos, da juventude e dos operários, a questão da liberdade. E uma simples questão do controle da internet, por exemplo, é uma questão que só se resolverá mesmo com uma revolução socialista, mas que tenha no centro o compromisso férreo com a liberdade (não esqueçamos, depois dos horrores do século XX, Stalinismo e Fascismo, que as massas do mundo inteiro, proletários e aliados potenciais, desconfiam da capacidade dos socialista de sustentarem, numa revolução e na construção do socialismo, o primado da liberdade. Muito pelo contrário, Ditadura do Proletariado, para a maioria que ouve essa frase, soa apenas como ditadura. E quem se aprofunda um pouco vai ver que é ditadura e sanguinária, de Cuba, Vietnã, Camboja, China, Coréia, Hungria e todos os outros do chamado socialismo real). A velha e desgastada palavra liberdade é a única ponte possível entre o socialismo e as grandes massas. E não é possível, como propaganda, construir partidos revolucionários sem um ataque sistemático aos horrores stalinistas, repito, sistematicamente.
Ia escrever, voltando a questões mais concretas. Mas o que digo acima não só é questão concreta, mas tem que ser o dia-dia-dia, a justificativa para cada texto. O centro de toda comunicação. Sem trabalhar todos os aspectos da liberdade e da falta dela não comunicaremos com a juventude operária, nem com os velhos operários, nem com a grande massa de trabalhadores de serviços e a classe média citadina. Reagiram em junho de 2013, mas não perceberam que o sufoco está na dominação imperialista, onde a liberdade é sufocada mesmo nos países centrais, como o endurecimento reacionário, nos EUA, depois dos atentados de 11 de setembro (naquele momento mais de 90 por cento do povo, via pesquisa de opinião, estavam a favor dos ataques à liberdade). Possivelmente, nos EUA, hoje, qualquer atitude mais radical de grupos de esquerda, será enquadrada como terrorismo e punido com as penas mais severas que inclui a pena de morte. Logo a palavra liberdade está hoje, como questão central para formação do partido operário internacional.
E na há educação sem liberdade.
Mas na questão nacional, como anotei no que chamei de “junho: é possível achar algum ordem no caos? (anotações)”
há outra velha palavra chave, que a burguesia levantou no século XIX, que é a igualdade. Um projeto para o Brasil passa pela igualdade entre os estados(províncias). Na mais elementar questão eleitoral é inaceitável, para o proletariado de São Paulo, ter seu peso diminuído dezenas de vezes em relação ao Acre, por exemplo. Na questão da educação, da tecnologia e da ciência, a questão se inverte. São os proletários e seus aliados do norte e nordeste os principais prejudicados, fazendo com que haja, para a manutenção da exploração capitalista, que é sinônimo de exploração imperialista dos povos, uma espécie de sub-imperialismo do Sudeste e Sul, com destaque para São Paulo. E miséria não faz revolução, mas luta social-democrata coloca a revolução em pauta. E a simples luta republicana pela igualdade entre os estados brasileiros. E a educação é chave para isso. Caberia uma análise mais aprofundada, mas peguemos a construção do PT: seu núcleo inicial, sua potência de dar passos no sentido mais radical, estava assentada no proletariado industrial de São Paulo e ABC. No resto do país e PT só implementou mesmo depois que virou um partido bem sucedido de eleições. E no Nordeste só vai emplacar mesmo como partido que distribui migalhas, como bolsa família. Essas diferenças regionais e carências são um grande entrave à formação de partidos da classe operária.
Acho que a questão da educação, tecnologia e ciência, é um interesse estratégico para a classe operária formar seu partido revolucionário. Na perspectiva de resolver as misérias internas alça-se como interlocutor privilegiado para arrastar a grande massa de seus aliados potenciais na luta pela libertação, pela luta anti-imperialista e pela luta contra as misérias imperialistas nos próprios centros da dominação (repito a luta pela liberdade é a principal luta que espero ver nos EUA).
Para abreviar: O partido do proletariado não se forma apenas com proletários e muito menos por reivindicações imediatas da classe operária. Assim seria sindicalismo ou até um sindicalismo revolucionário anarquista ou algo parecido. A luta do proletariado é social-democrata, no sentido de estar do lado de todas as heranças do progresso, da ciência, da filosofia, da arte, da cultura. E não é tarefa para depois da revolução. São tarefas de agora e da revolução permanente.
Por isso a questão da educação, traduzida em campanha nacional por uma carreira única de professores, por 100 de cotas na universidades, quem vem do ensino médio público, e tudo que deriva disso, como já apontei nas minhas “anotações”. Acho mesmo que construir o partido proletário hoje passa, principalmente, por levar até o fim a lutas democráticas pendentes, ligar as reivindicações históricas e as imediatas também, da classe operária, ligando tudo, na luta central neste mundo de hoje, que é a luta contra a dominação imperialista e pela opressão imperialista nos sobre a classe operárias e seus aliados nos próprios centros imperialistas.
E essa luta, para mim, se desdobra no cotidiano. No movimento estudantil hoje, se traduziria essa luta internacional, agora mesmo, por milhares de vagas para intercâmbio nas universidades, as nações africanas, em primeiro lugar (porque se liga imediatamente com a questão negra no Brasil), e com todos os países dominados pelo imperialismo tanto na América, Ásia, Oceania. E até mesmo para estudantes pobres do centros imperialistas. Porque acho também que as universidades são um campo privilegiado para o debate da luta anti-imperialista. E da solidariedade prática com povos oprimidos. Não só num futuro de revolução socialista, mas essa luta prepara o terreno ideológico para esse combate.


A.(1917) junho: é possível achar algum ordem no caos? (anotações)

19/12/2013

Gostaria que fosse lido e questionado sobre essas anotações. E procurarei responder, como vou fazer, logo em seguida, com algumas objeções de Léo, de Campinas. O propósito primeiro destas anotações é deixar registrado o que vi e pensei sobre as manifestações, assim como um diário ou arquivo pessoal. Um dos propósitos parque criei o jornaldoporao. Registrar. E o desejo de escrever, mesmo que muito preguiçosamente. Este texto aqui, são mesmos anotações, feitas de um fôlego só, sem correção, sem reeleitura. Hoje mesmo, 19/12/2013 vou começar a dialogar com Léo, pois o que mais espero é que alguém comente para me forçar a aprofundar esta reflexão.
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a-marcha-do-dia-17-de-junho-de-2013
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01.As jornadas de junho em 1917, dirigidas pelo ultradieitista General Kornilov, colocou mais de um milhão nas ruas de São Petersburgo, Trotsky narra na História da Revolução Russa, que o partido bolchevique, ele e Lenin, puderam ler os cartazes, aos milhares, pedindo “Paz, Pão e Terra”, a palavra de ordem central do Partido Bolchevique. O povo nas ruas, dirigido pela direita golpista, era bolchevique inconscientes. Diz Trostsky que essa manifestão, com esses cartazes e faixas “bolcheviques” indicavam que estavam na hora de se preparar para tomar o poder, mesmo que fossem cartazes empunhados por um massa dirigida por um General direitista, golpista e anti-bolchevique, pois grande partes dos cartazes atacavam o partido bolchevique como agentes alemães, pedindo sua exterminação e morte como traidores da pátria.

As jornadas de junho de 2013, que tomaram todo o país, não tinham palavra de ordem central. Fragmentos e caos são sua marca. Ler o que aconteceu em junho teremos que lançar mão dos método da arqueologia ou da paleontologia. Com pequenos fragmentos tentar montar algumas peças mais significativas dessa cultura que se expressou em junho. Sabendo que é parcial. Por maior sucesso na montagem, ainda assim será fragmentário.

Junho de 2013 não tem texto. Tem fragmentos de textos. Milhares de fragmentos. Muito lixo ideológico. Convívio de “culturas” diferente. Manifestações direitistas, nacionalistas, moralistas e reivindicações as mais díspares e contraditórias.

Acho que nesse caos deveríamos achar o eixo. O que disseram, centralmente, as manifestações de junho de 2013. É possível achar alguma ordem nesse caos?

Não basta, para mim, comemorar que foram grandes manifestações. Que o país adormecido acordou. Que o país não será mais o mesmo. São coisas que dizem pouco, exatamente por serem muito óbvias. O ponto de partida é aí, não o ponto de chegada. Não é possível fazer um balanço da participação da esquerda, pois ela é quase nula, menor talvez que o seu próprio tamanho. As grandes manifestações de junho, não alavancaram a pequena esquerda brasileira. Pelo contrário, parece que essa pequena esquerda reduziu sua importância. Apequenou-se o que já era pequeno.
O que tem de importante para a classe trabalhadora e à classe operária nesse movimento, onde ela estava ausente?
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02.Onde estava a revolução em junho de 2013?

Monte de cartazes precários

Comumente acostumamos, pleonasticamente acostumamos, a analisar todos os acontecimentos pela questão da crise econômica mundial. Os próprios ideólogos da burguesia, a pequena burguesia universitárias, os jornais burgueses e as publicações da esquerda de diversas matizes, desde 1972 que leio tais coisas, falam sempre num economês. Uns buscando saída para crise capitalista outros para a saída revolucionária.

Mas a crise econômica estava ausente das manifestações de junho no Brasil. Mas não quer dizer que não houvesse crise profunda nesse dominação capitalista no Brasil. Mais apropriadamente, qualquer falta de saída é a crise. É crise geral e sem saída. A ausência da classe operária na cena é a crise mais profunda. É um crise política maior que qualquer crise econômica. Por mais que não sinta qualificado para isso, não conseguiria ficar sem dizer que todas os levantes no oriente médio, alguns colossais e sangrentos, ao final, pioraram a situação da classe operária e trabalhadora. Até mesmo a mais elementar democracia burguesa saiu derrotada desses grandes levantes. E a perspectiva de organização da classe operária mais reduzida. No Egito, as manifestações que derrubaram Mubarak contavam com a militância da irmandade muçulmana, até dita nos jornais como moderada, que não queria o poder religioso. A Irmandade no governo teve que ser derrubada pelos militares que dizem querem impedir um governo de autocracia religiosa. Hoje, na oposição, a Irmandade Muçulmana, seria, por critérios democráticos a legítima herdeira do poder. Na Síria o drama é mais patético. A oposição em guerra, por dois anos, como milhres de mortos e atrocidades mil, é formada por setores imperialistas e Al Qaeda. A bárbarie aliada a super-barbárie e vice-versa. E novamente a crise aqui é sem saída. E tem o nome. A ausência de qualquer eixo mundial da luta de classe. A crise é claramente a crise de ausência do setor fundamental para a saída: a ausência do partido mundial da classe operária, por menor que fosse. Nada mais atual do que o vaticínio de Trotsky de que estamos mais perto da barbárie do que do socialismo.

Essa digressão é para colocar que o Governo Dilma, questionado nas ruas em Junho, despencando sua aprovação nas pesquisas, nada tinha ver com crise econômica e, pasmado, vejo que nem um crise moral ou política. E agora, neste mês de dezembro, tem seus índices de aprovação bem satisfatórios, para ela e para o PT, quando em junho parecia que era o fim dos dois.[veja dados pulicados no momento que estou escrevendo: 01/12/2013 – 03h00 Aprovação de Dilma sobe para 41%, mas 66% pedem mudança]. O texto diz que a aprovação de Dilma beira a 50% e que 66% querem mudanças. Ou seja, junho de 2013 continua vivo, no entanto ainda querem Dilma, pelo menos parte dos que querem mudança, querem mudança com Dilma. Junho de 2013 foi um ensaio de uma peça sem texto. Um espécie de mímica ou expressão corporal. Potente, assustadora pelo número, pujança e contradições, mas que para ser entendida e continuar seu trabalho de sapa é preciso de um texto. Um caos de bandeirolas, cartazes díspares e contraditórios, que é preciso antes de mais nada podar as frases que não prestam e procurar as que dão um rumo.
Se a crise econômica não foi elemento propulsor da manifestações de junho de 2013, se não é crise política os embates de classe e frações de classe poem em cheque o governo e a governança, se não é uma crise moral, como um corrupção inaceitável que comova e mobilize (cujas saídas são medíocres, com substituição de uma corrução pela outra. E no Brasil a corrupção é epidêmica desde o império, aumentando na república, crescendo ainda mais nas ditaduras tanto de Vargas como dos militares de 1964 e na democratização tivemos Sarney, atacado por Collor e Lula, por ser um governo corrupto, Collor derrubado por corrupção, sob fogo do hoje hípe-rcorrupto PT e, ainda teve o super-badalado governo FHC, que tornou a corrupção algo irrelevante diante da sua tarefa de entregar o país ao imperialismo).

Que mistério é esse das manifestações de Junho de 2013
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03.Uma digressão necessária para que o texto avance

No mundo medieval, na Europa, Deus é o centro. Se podemos falar em luta política ela se dava no seio da religião. Mesmo as lutas políticas da burguesia nascente,principalmente da burguesia comercial, as disputas pela divisão do novo mundo, vão passar por disputas no seio da religião católica e sua oposição protestante.
No século XIX, o demiurgo é o Estado. A Revolução Francesa, a Americana que a antecedeu, põe no centro o estado nacional. E o termidor naopoleônico, o retrocesso na revolução, vai ser um elemento para levar a revolução para a Europa inteira. Napoleão vai aparecer para os intelectuais e filósofos alemães como a encarnação do espirito absoluto, como a chegada da revolução francesa, a última palavra do progresso. No entanto reacionário. Apesar que só um ato mais reacionário ainda fundará o Estado alemão na figura de Bismarck. Essa tarefa burguesa de construção de seus estados nacionais permear todo século XIX e na África será o sonho revolucionário da década de 70. E é talvez o debate central que envolve os grandes revolucionários de século XX, Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo. E dará o triste colorido da atuação de Stalin e do estado burocrático na União soviética. E com o fim da chamado socialismo real, em meio a mais selvagem neoliberalismo e globalização, é ainda a questão nacional, dos estados nacionais que dará o tom, com guerras regionais, como Bósnia e tantas outras.
Assim como Deus está morto, apesar de suas religiões crescerem exponencialmente. O Estado burguês e toda sua potencialidade, como na época da formação da burguesia como classe hegemônica, está morto, mas continua sendo um questão pendente e profunda. Esta é, para mim, a tradução da dominação imperialista
Tanto esse morto Deus medieval, como esse estado burguês putrefazendo-se, gestor mesmo da barbárie, continuam sendo o mistério por trás dos levantes, das decadências e das dores do mundo. E tem um nome não mais pronunciado, imperialismo.
A ausência da palavra faz parte, hoje, da estratégia de dominação no terreno ideológico. O pensamento único, hoje, o politicamente correto exige que não pronunciemos a palavra imperialismo. A última vez que isso foi possível numa escala significativa foi na America Central, de Cuba, passando por Nicaragua e El Salvado, nos anos 60 a 80. A palavra imperialismo sumiu do mapa há mais de 30 anos. Quem tem menos de 40 anos talvez nunca ouviu tal som. E sem texto não há drama, nem comédia, nem tragédia a ser encenadas.
A burguesia, na época de dominação imperialista, é reacionária por completo. Serve dos Estados da autocracia religiosa para impor sua dominação. O Estado laico não lhe diz mais respeito, como fora na revolução francesa. As ditaduras foram seu método de governo em quase todos países atrasados em todo o século XX. E no século XX é o terror de Estado a sua política mais visível. Nos Estados Unidos tudo é pretexto para castrar a democracia. A Rússia burguesa de hoje é um autocracia mafiosa e herdeira da estado policial stalinista. Na China algo assim. E é com seu lixo cultural, lixo tecnológico que se apresenta ao mundo. E as drogas e as armas dão o sentido para a vida sem sentido de grande parte da juventude, até mesmo nos país chamados desenvolvidos. E grande parte da acumulação e circulação do capital se dá pela indústria do lixo cultural, do tráfico de drogas e armas(os dois últimos dependem de altos financiamentos bancários). E sobre nossas cabeças dominadas o terror de estado, as potencias nucleares, as armas químicas, as armas bacteriológicas, as armas da nanotecnologia capazes de extermínios invisíveis. A contra-revolução tomou nosso cérebro, em escala planetária. O nome da contra-revolução, hoje, é terror de Estado. O nome que não faz mais parte do nosso cotidiano, nem mesmo na nossa cultura erudita ou mesmo os textos revolucionários é imperialismo. Se o século XX foi chamado de século das guerras e revoluções. Talvez esse século que se inicia possa ser chamado do século do Terror. Terror de Estado. Terror imperialista. E também Terror das organizações religiosas, querendo um estado “medieval”, para colocar no lugar do vazio que a burguesia deixou, quando abandonou, para sobreviver como imperialismo, quase todas as chamadas tarefas democráticas. E sob o Terror, principalmente o terror do Estado, vivemos numa sociedade que se traduziria facilmente pela palavra horror, horror, horror.
50 mil mortes no trânsito, num ano no Brasil, 50 mil mulheres mortas em 10 anos no Brasil, tendo como a maior causa de morte entre jovens o tráfico de drogas. Terror, horror e barbárie.
Distorcido, confuso, caótico, esse horror permeia as manifestações de junho. E o nome, talvez difuso demais disso tudo, circulando no interior das manifestações, é o medo do futuro. O medo dos sem futuro. O medo dos sem saída. As manifestações de junho de 2013 sem texto, sem som, sem cor, sem saída.
Se Deus está morto, tudo é permitido. Se o Estado Nacional de revoluções de libertação está morto, qualquer dominação é permitida e aceita naturalmente. O que chamaram de pensamento único é, para mim, a naturalização da dominação, da miséria e do horror, sob esse deus moderno, o Terror de Estado.

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04.A juventude, a maioria de classe média, foi para as ruas em Junho carregado um caos de papeizinhos acanhados. Cada um escrevia o que queria ou que leu na internet. Os cartazes minúsculos para participar de imensas manifestações é uma confissão da mediocridade de cada indivíduo que estava ali, sem perspectiva. Talvez a grandeza desse movimento não seja possível ler nos cartazes, como Lênin e Trostsky fizeram em junho de 1917. Até mesmo as manifestações da direita contra os partidos repercutia muito mais em quem não tinha qualquer sentimento ou pensamento de direita. E a própria direita ali era órfã, pois seus partidos mais tradicionais, como DEM está no governo petista. Os religiosas das novas seitas pentecostais fazem parte da base do governo Lula e Dilma. Uma manifestação de órfãos.
A ausência da burocracia sindical é uma outra política ser analisada. Estava ausente porque não sabia o que estava acontecendo. E na raiz das manifestações não havia nem a mais incipiente iniciativa dos sindicatos. Nem mesmo os dirigidos pelos pequenos setores da esquerda mais radical. A ausência dos sindicatos faz com que analisemos que eles estão completamente por fora do país real e vivem apenas às expensas do governo e dos seus cargos no aparato sindical e estatal. Vivem a mesma crise sonolenta do aparato estatal. Sem política, sem qualquer programa que não seja se manter no poder enquanto der. Daí poderem sofrer uma repulsa que os partidos sofreram.
Os Partidos. A repulsa aos partidos era quase unânime. Em Campinas a esquerda, foi expulsa do ato, ou melhor achou por bem cair fora antes que apanhasse bastante dos manifestantes impulsionados pelos gritos da direita(agrupamentos de direita que também não tem partido, órfão. Mas que podem, com seus pequenos grupos, assenhorem dos impulsos mais obscuros das manifestações de junho de 2013).
Aquele momento pedia clareza e agilidade.
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No CongressoNo Congresso Nacional
05.Sabendo da repulsa ao políticos, repulsa momentânea, hoje sabemos, ao Governo Dilma, os manifestantes aos milhares que caminhavam para o Congresso Nacional precisavam que se apontasse uma saída. Os sem futuro e os sem saída que é toda a juventude brasileira (não esqueçamos que o conceito de jovem hoje é bem mais elástico que em 1968. Hoje um indivíduo de 40 anos podem estar começando sua carreira. Outros de 30 nem mesmo tem família constituída, ou já a desfizeram. Sem perspectiva, sem deus, sem família, podem caminhar com os sem saída e perspectiva, juntando com os sentido para a vida – os drogados, os doentes nervosos, os que sofrem depressão, os desesperados, nem porque não têm emprego, ou não têm o que comer, mas porque não têm futuro, nem mesmo uma simples palavra que aponte o futuro.Talvez 50 milhões de doentes crônicos no Brasil. Os sem texto).
Ali caminhando para o Congresso Nacional o grito seria Constituinte Livre e Soberana, com liberdade de formação de partidos e candidaturas avulsas, para nos livrar, já, de todos esse políticos. E ali mesmo avançaríamos alguns gritos entalados, exigindo que as tarefas democráticas avançassem. A primeira delas, nos livrar da dominação imperialista. E devemos ainda voltar a isso. Não há qualquer saída, nem a mais comezinha, nem revolucionária, a não ser se livrando da dominação imperialista.

Mas repito, antes de mais nada centralizar a vontade de se livrar desse políticos corruptos, mas antes de mais nada, inoperantes, precisava-se de apontar para uma nova legislação, sobre todas as coisas, todas as carências, todas as reivindicações. O povo não, acho, odeia os políticos porque vivem votando coisas nefastas contra o povo. Não é uma reação de ódio. Mas é uma reação diante da inutilidade deles que não fazem nada para o povo.[Os programas policiais e populares exploram a exaustão esse imobilismo dos políticos. Evidentemente pedindo legislações mais reacionárias contra o crime, contra menores, etc.] Esse vazio, inclusive é muito perigoso. Um direita que não quer congresso algum, democracia nenhuma, pode muito bem ter um audiência muito superior ao seu número. E na verdade se formar uma direita a partir dessa letargia. Ou seja, os políticos congressuais nem mesmo tem força para defender o próprio congresso. Quando os manifestantes “tomaram” o congresso nem mesmo houve reação, ou qualquer alarme. Na Alemanha o povo correu para as ruas para ver o incêndio do se Congresso e festejar a “coragem” dos nazistas.

O momento passou. Não. Continua tudo de pé. Já que nada foi resolvido, nem mesmo como engando.
Dilma e seu Staff leu corretamente. Imediatamente propôs uma constituinte temática. Logo abandonada, pois ninguém queria isso na classe dominante. E os de baixo não tinha ninguém para se interessar por isso. E tudo deveria continuar como antes, e hoje sabemos, até mesmo a popularidade da Dilma. E Dilma, no meu ponto de vista, foi lendo a realidade de junho de maneira eficiente. Depois veremos.
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06.Sobre a Constituinte Livre e Soberana

A pressão da convocar uma Constituinte, na década de 80, veio diretamente das mobilizações pelas Diretas-já em 1984. A vontade do povo foi fraudada em 1984 por um congresso que manteve a eleição indireta. Acho que não devemos ignorar o desejo de democracia de um povo e dos trabalhadores. A a democracia burguesa é fundamental para avançar a organização dos trabalhadores, operários e de todos os setores oprimidos. O PT, na final da Constituinte de 1978, não assinou o texto em protesto contra suas limitações. Foi correto. Mas não esqueçamos que a liberdade de organização e manifestação é uma das cláusulas daquela constituição saída ali. As próprias manifestações de junho de 2013, são herdeiras da luta pelas Diretas-já, que eram contra a ordem política da época, os políticos corruptos e inoperantes da época, contra os políticos da época que comiam na mão da ditadura militar. Naquelas manifestações de 1984 o a Direção do PT põe o olho grande no Governo, decide criar um direção, com embates e mais embates, para construir um centro para ganhar o Governo. Deflaga-se ali o processo para construir a Articulação, articulando-se no PT e nos sindicalista da CUT, para domesticar completamente o PT. Um processo que há meu ver já estará consolidado em 1988, mesmo o PT ainda sendo obrigado a fazer movimento tímidos à esquerda (como não assinar a nova Constituição). Não me lembro de outro momento do PT indo à esquerda.
O grande esforço para construir o PT drenou todas as energias dos trabalhadores mais enérgicos e organizados. E na maioria organizados pela Igreja Católica, organizados em comunidades e pastorais. A esquerda toda, e infelizmente aos trotskistas sucumbiram a essa imensa pressão que era o poder de atração que exercia o PT sobre os trabalhadores. Grupos trotskistas ficaram no PT muitos depois de 1988, quando ficava claro, pelo seu regime interno e pela suas propostas públicas que o PT era, já aí, uma partido parlamentar, e que fazia de tudo para se livrar da pressão das bases. Uma das maneiras de impedir, foi transforma se regime interno, seus encontros e congressos, em votação em urna, sem debate, sestm disputa, esvaziando suas instâncias para que elas sucumbissem se sentido inúteis. Ou uteis apenas para escolher a direção e textos que já estavam escolhidos em conchavos bem articulados. E o PT morreu para a classe sem qualquer alternativa no lugar.
As chamadas esquerdas, no processo constituinte, não tentou construir organismo de base, nas fábricas, repartições ou escolas, para criar organismo de duplo poder, que num primeiro momento fossem para fazer com a constituinte ouvisse as reivindicações. A força persuasiva do PT esvaziou a vontade de construir algo. Tudo ficou na mão da direção do PT e, pasmem, dos seus pouquíssimos parlamentares.
No entanto a fraude não foi completa. Para fraudar a constituinte tiveram que atender centenas de demandas advinda da vontade popular.
Então deveríamos construir os organismos de base antes de pressionar para convocar uma Constituinte?
Qualquer organismo de base, mesmo nua situação revolucionária, não tem poder para convocar uma constituinte a não ser se tomar o poder. E se tomar o poder uma constituinte não está descartada, mas é uma constituinte pós-revolucionária, para negociar uma forma de governar com aliados refratários ao poder da classe operária. Por hipótese, no Brasil, ou nos Estados Unidos, se se tivesse um grande partido negro. Ou um partido camponês em países de economia agrária, como na Bolívia. Ou mesmo reivindicações tribais em certos países africanos. Ou mesmo reivindicações separatistas como na Espanha de hoje. Cabe uma constituinte depois de revolução. Antes da revolução, independente do grau de organização da classe trabalhador, operários e seus aliados, ela é um instrumento, dentro da democracia, para permitir centralizar reivindicações democráticas e populares e demonstrar para a nação inteira que a burguesia é incapaz de resolver as mais elementares reivindicações. E no processo mesmo de pressão para sua convocação, no momento de sua instalação, dentro dos seus debates, preparar a classe operária, os trabalhodores e os aliados, para se organizar sob um programa de tomada do poder para resolver estas questões colocadas.
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07.a questão nacional, a questão das questões democráticas

Como traduzir a luta anti-imperialista para a linguagem comum. Mesmo porque a tarefa de “explicar e explicar pacientemente” quase sempre é uma questão de traduzir. Ou ainda, quando Marx no Manifesto Comunista diz, mais ou menos assim, que a tarefa dos comunistas não é fazer revolução, mas atuar no processo revolucionário em curso levantado as palavras de ordem que apontam para as necessidades históricas da classe operária. Há, todos nós já conhecemos, processos revolucionários sem a presença de um comunista sequer, como foi a luta guerrilheira em Cuba, ou insurreições populares, ou revoluções políticas ue se inciam, como Tchecoslováquia ou Hungria, onde não há presença de uma organização revolucionária, mas que precisa, mesmo que fosse de pequenos grupos colocando as bandeiras revoucionárias. O primeiro exemplo disso foi a Comuna de Paris.
A luta anti-imperialista é a saída que concentra todas as necessidades históricas para avançar na revolução. Não é possível atender qualquer reivindicação mais significativa, as vezes as mais elementares, sem um rompimento com o imperialismo.
E onde estava a luta anti-imperialista nas jornadas de junho de 2013. Na Rússia de 1917 estava em “paz, pão e terra”. Três palavras que concentravam a luta democrática e anti-imperialista. Paz: porque a guerra era imperialista (mesmo que confundisse e almalgamasse com um certo pacifismo), “pão: óbvio, porque a fome grassava, até por conta da guerra”, Terra: porque a maioria do povo russo era camponês, na ordem de 80 por cento da população. Cadê as palavras de ordem socialistas? Todas elas eram no sentido de que só a classe operária, organizada e assumindo o interesse de toda a nação, poderia resolver essas tarefas. A classe operária, na voz do Partido Bolchevique, falava em nome de todo o povo.
E nas jornadas de junho de 2013 que reivindicação ou desejo falava em nome de toda a nação e colocava as massas em choque com o imperialismo?
A classe operária mobilizada pelos seus interesses imediatos é sindicalista. E se minoria numa sociedade, será incapaz fazer qualquer revolução. A classe operária e os trabalhadores, pelo lugar que ocupa na produção, pode, por essa força econômica, dar soluções para toda a nação oprimida e para a opressão em escala internacional. Mas o território concreto da revolução é o território nacional. E o terreno da revolução é social-democrata, porque é uma luta política pelo poder. Greve Geral não faz revolução, como explicou Rosa Luxemburgo, em “Sindicatos Partidos e direção”. É a revolução em curso que faz a Greve Geral, em particular a Greve Geral política, que permite avançar na dualidade de poder e impulsionar os organismos de duplo poder.
Na década de 80 inteira, organização tratkista, como a Conversgência Socialita, fazia um fetiche tremendo quanto à Greve Geral. Era uma espécie de Deus ex-machina. Com a Greve Geral tudo estava resolvido. Um fracasso total de política, ou falta dela. Imobilizava todo mundo diante de algo que cada vez parecia mais inviável. Parecia porque não existia essa luta revolucionária em curso. A greve de 1979 e 1980, começando em S. Bernardo do Campo, tinha seu conteúdo revolucionário expresso no desejo de derrubar a ditadura. Em 1980 era totalmente explícito. A junção da reivindicação econômica com a luta política, mesmo que apenas como um desejo não expresso, como foi mais ou menos em 1979, é que fez a grande potencialidade política das greves do início. Não é fortuito, nem coincidência, que Lula em 1978 falava que jamais participaria de um partido político, para esta na frente da fundação de um, o PT, já em 1980.
E o PT nascia para desenvolver o que estava intestino ou não claramente explícito nas greves de 1979/1980, como que para centralizar e dar voz ao movimento, sendo fruto de um processo revolucionário, e ao mesmo tempo, pela composição e pelo programa que a sua direção tentava construir, e construiu, para frear a revolução e colocar tudo a serviço da ordem. Houve um dos primeiros manifestos do PT assinado por Enos Amorina, grã-pelego de Osasco, Cid Ferreira, arqui-pelego de Campinas(traidor da greve de 1979 e expulso a cusparada do sede do sindicato) e presidente do sindicato dos metalúrgicos de Santo André,qualquer coisa Marcílio, naquele momento estreito aliado dos trotskistas da Convergência Socialista. Este manifesto, assinado por três pelegos traidores, nada mais era que um acinte e traição da vontade expressa nas greves. No entanto, não serão eles que vão construir o PT. Isso é para dizer que nem a revolução, nem a contra-revolução vão por caminhos retos. E que o PT nunca abandonará essa dualidade: em expressar uma vontade revolucionária e uma luta encarniçada para colocar o PT a serviço da ordem burguesa. Uma dualidade que acabou quando conseguiram colocar o partido dos trabalhadores a serviço da ordem e hoje, com as privatizações principalmente, cristalinamente a serviço do imperialismo.

Parece que a questão nacional morreu. A questão da terra foi esquecida e fraudada também pelo MST em aliança com o PT. Logo nenhuma mobilização popular coloca a questão da terra e se mobilizações, em grande parte, da classe média, jovem, urbana, nem mesmo se pronuncia contra. Um questão que não existe. E também esvaziada pelo aprofundamento do papel do agro-negócio na composição do capital, na ordem de 48 por cento. Na fundação do PT e da CUT as discussão giravam e as composições das direções se revolviam como os representantes dos sindicatos rurais. Parece que nem existe mais o sindicato de Guaíba tão importante nas greves dos cortadores de cana em 1979/80. Acho que um estudo vai comprovar que muitos sindicatos rurais desapareceram. E o próprio MST parece algo que caminha para a extinção.

A questão negra. Um questão democrática não resolvida.No meu ponto de vista, a segunda questão mais importante da luta democrática, e o aliado mais próximo da classe operária. E acredito nessa escala de valores. A maioria absoluta dos negros e seus descentes fazem parte da classe operária e dos chamados pobres.Portanto com o menor grau de heterogeneidade em comparação com qualquer outro setor aliado da classe operária. Grande parte do movimento negro das décadas de 70 e 80 foram cooptados pelo poder. E interromperam seu processo de luta independente, e como consequência, interrompeu o processo de formação de lideranças e organizações independentes. E as migalhas de cotas limitadas acabam atenuando a crítica de alguns. Ou até mesmo contentando outros. Esvaziando o movimento.

Quanto às mulheres quero escrever um parágrafo um box à parte.
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08.”É muito mais que 20 centavos”

Esses movimentos e reivindicações estavam nas ruas em junho 2013? Estavam. Difusos como tudo que estava manifestando lá. Fragmentário. Misturado. Caótico. Mas estava. Como?
Este é o motivo desse texto.
O movimento que se destacou foi o do passe livre, quando tudo começou em São Paulo. Logo havia dezenas de reivindicações na rua. Para dar conta de tal confusão o movimento de rua começou logo a gritar que “era mais que 20 centavos
Logo a questão dos transportes era um agudo problema, capaz de mobilizar inclusive que não usa transporte coletivo normalmente que parece o caso da maioria dos manifestantes. Logo não era mesmo só por causa dos 20 centavos.
Então o a questão dos transportes era a questão central ali colocada? A que deve ser desenvolvida. A que tem potencialidade de colocar no movimento geral, majoritariamente pequeno-burguês, necessidades históricas da classe operária e dos trabalhadores? – Como deve ser o papel dos comunistas. Acho que não.
O movimento dessa classe média é o movimento que colocou tudo. Tudo é o sem futuro, o sem saída, o sem esperança, o sem hospital, o sem atendimento médico, o sem moradia, sem isso, sem aquilo, mas antes de mais nada sem perspectiova.
E a uma questão de falar em coisas exequíveis. Que é possível crer que há mesmo solução. Na questão do transporte nas grandes cidades (mais de 1 milhão de habitantes) é impossível falar em estatizar transportes e ser crível, sabendo que economicamente inviável, mesmo no socialismo, manter um transporte tão caro e ineficiente. Só trens, metros, ou mesmo os simples bondes elétricos são viáveis. E não é uma questão que envolve toda a nação. A não ser que falemos em transporte fluvial e indústria naval para o norte, junto com energia solar, ou para o nordeste energia solar e trens inter-ubanos, e isso tudo junto, nas devidas proporções para o sudeste. Ao contrário, para um ataque ao imperialismo, no terreno ideológico, que pressupõe uma plataforma exequível, é preciso atacar a indústria automobilística, o transporte individual que torna as cidades um caos e faz um trabalhador voltar a trabalhar 12, 14 ou 16 horas, voltando a ser totalmente escravo do trabalho como o era antes da luta vitoriosa pelas 8 horas.
Além da cultura individualista e predatória do carro. Só estaríamos antenados com a época se falarmos em trens, metrôs, barcos e, em consequência, de energia solar e eólica. O máximo que vamos conseguir são os inoperantes corredores ônibus. Ou se formos muitos vitoriosas, falirmos todas as prefeituras com transporte estatizado, assentado sobre ônibus. Além de destruir a vida e o planeta com ônibus poluidores. Ou na melhor das hipóteses ônibus elétricos. Porque a invés de corredores de ônibus, propor, já, par este momento, corredores de trens nessas mesmas grandes avenidas? Ou um Tietê, em são Paulo, navegável, muito antes de totalmente despoluído e as suas marginais, com linhas de trens, modernos e rápidos? A brutalidade da burguesia predatório é em particular reproduzir os modelos perversos. Mesmo que isso custe 50 mil mortes por ano, e a maioria de jovens. Esse talvez seja o verdadeiro “custo Brasil” de que devemos falar.

A classe operária na voz dos seus pequeniníssimos representantes , organizados em quase seitas pequeniníssimas, isolados, tem a tarefa, a única realmente importante, que é descobrir o que interessa à classe operária que estava circulando ali. Vivemos uma situação bloqueada. Vivemos num mundo e aqui no Brasil numa espécie de fundo do poço ideológico. As palavras mais caras ao movimento operário de 200 anos nem mesmo podem ser pronunciada sem causar risotas, como se fosse algo pornográfico. Internacionalismo. Anti-imperialismo. ou até mesmo o relés solidariedade, a mesma que deu origem às primeiras organizações de apoio mútuo. E ao mesmo tempo discutimos grandes questões estratégicas. Tudo em vão, acho, se não falarmos ao coração do povo oprimido. Se não falarmos em nome de toda a nação.
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09.Olhar a realidade com os olhos do futuro e das metas históricas da classe operária, dos trabalhadores e seus aliados.

Logo precisamos de campanha sistemática para colocar no centro necessidades de todos os trabalhadores e que tenha vocação de soldar um aliança, para hoje e para a construção do socialismo, como todas as massas oprimidas e até miseráveis. Que una toda a nação. Que a classe operária possa dirigir esse processo, ganha do a hegemonia dentro desse movimento. Colocando o futuro como o centro do debate. E o futuro é o desbloquei do cerco imperialista. Ruptura possível com o Terror imperialista que paralisa e massacra a juventude e os trabalhadores e seus aliados.
Na década de 50 e um pouco antes, no rio e são paulo, qualquer greve na light colocava na rua o debate da luta contra o imperialismo. Getúlio, Jango e Brizola se notabilizaram por falar, demagogicamente, ou por necessidade de aliar-se com burguesia nacional, ou para paralisar o movimento operário, contando com o trabalho de sapa do PCB, emitiam ruídos nacionalistas aqui e acolá, e denuncias contra o imperialismo. E o imperialismo hegemônico dos EUA patrocinou o golpe militar de 64, para impedir que os trabalhadores fossem mais longe, caminhado dentro dessa demagogia janguista e do PCB. Vemos de novo que revolução e contra-revolução não são caminhos retos.
Poderia ser a questão do transporte, no caso estatização dos transportes, que realmente era uma aguda questão colocado pelo movimento.
Poderia ser a questão da saúde pública que é o caos. E aí Dilma responde, ou seja lê o movimento, propondo médicos estrangeiros. Qual um pode ver a falácia. Precisamos é de milhares de médicos generalistas, médicos de família, ou pé descalços, precisamos de acabar com subnutrição, verminose, ou lepra no Acre, ou mesmo a simples saúde dentária. A igreja Católica, propagandizando o soro caseiro e a multimistura, salvou mais vida no nordeste que toda a política governamental ou médica de toda história do Brasil (é um chute, mas se pesquisar vão confirmar isso). A medicina privada é um crime. Ela vive e especula com a doença e a morte, macumunada com os grandes laboratórios multinacionais/imperialistas. A medicina pública, junto com o elitismo da privada, aliada com os laboratórios, é uma gritante e eficiente campanha de extermínio de pobres e em particular das crianças e particularissimamente dos idosos (os mesmos que sustentaram o Brasil com seu sangue). Logo deveria ser a campanha central. Inclusive coloca, ao meu ver, com mais potencia a luta anti-imperialista e pode falar em nome de toda a nação. O programa dos médicos da Dilma é uma demagogia nesse sentido. Mas na verdade nem de longe raspa no problema.

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10.Então que mágica é essa, que mistério houve empurrando milhares de jovens de classe média e alguns da periferia. Esses da periferia, os black blocks, ou mascarados, a fim de enfrentar a polícia na sua tática, espontânea, nem por isso menos suicida e desesperada.
Nem era a palavra mais explícita. Não fazia parte da maioria dos cartazes que vi. Mas ao meu ver é centro e estava presente lá por qualquer ângulo que se olhe o problema brasileiro de país dominada pelo imperialismo.
É tão modesto chamar de problema da educação. Mas é o olhar que devemos ter sobre a realidade brasileira, dominada, bloqueada pelo imperialismo. Nenhum reivindicação será possível ser romper com o imperialismo. Nesse momento sem guerra de libertação nacional em qualquer lugar do planeta (talvez à exceção e quase sem saída plausível, estão os palestinos). No entanto, libertação nacional é centro da política revolucionária na época imperialista.
Como traduzir isso nesse fundo do poço ideológico?
Alguns países deram passos na sua relativa e estreita libertação do jugo imperialista quando para sair do atraso crônico investiu em educação e tecnologia própria, mesmo que tecnologia de segunda linha e super-exploração da classe trabalhador como na China. A Educação é o carro chefe os chamados tigres asiáticos, imunes, em décadas às crises capitalistas. Tudo no marco do capitalismo e de papéis subordinados a ele.
Proponho que todas as palavras de ordem, o mais simples cartaz, a própria bandeira brasileira enrolada no corpo de uma manifestante idiota, ou até mesmo da direita que lá estava, sob o ângulo da educação para a libertação nacional e a luta anti-imperialista.
Como? Será substituir a realidade pelo desejo, algo completamente paralisante e ridículo? Vejamos. Desdobremos. Argumentemos. Mesmo que a jornada seja longa.
Vamos pegar do mais geral e chegar no mais particular.

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11.Para romper com o imperialismo é preciso uma ciência, uma tecnologia e uma cultura própria

Tentarei escrever pequenas teses.

a. A educação e o professor ocupam o lugar que ocuparam a religião na idade média, e o Estado para burguesia, como elemento centralizador da vontade de toda a nação.

Vontade de avançar para o futuro, completamente impossível com a dominação imperialista. Vontade explora todas as potencialidades da nação, no caso Brasileiro, água, florestas, sol e suas ricas manifestações culturais (em particular as festas).

b. Educação e Ciência, coloca o laicismo no centro da questão,

quando se desenvolve os mais nefastos obscurantismos religiosos, no Brasil, agudamente na África, e epidemicamente no Oriente Médio; O laicismo, no Brasil, é uma potência a ser explorada urgentemente; nada, na que tange as tais super-estruturas, tão eficiente contra o socialismo e o internacionalismo do que um Estado religioso ou os retrocessos que vemos em busca dele (como Egito). É um elemento contra-revolucionário, uma volta a épocas anteriores às revoluções burguesas; que nos obriga a por em circulação ideários da revolução francesa. E o imperilalismo, usa, manobra, e se mantém alicerçado nesses regimes autocráticos/religiosos, veja o papel Arábia Saudita e os estados Unidos, e outros também.
c. A educação não provoca de imediato um boom na mobilidade social. Mas os trabalhadores e principalmente a classe média sabem que estão condenados à paralisia, ou mesmo jogados fora do tal mercado de trabalho, se não tiverem uma educação continuada. Hoje isso é um senso comum universal. E verdadeiro. Vi pesquisas que mostravam que em Brasília a educação de multiplicado os salários de 22 por cento da população. Suponho que o inverso deve acontecer noutros estados, onde a falata de educação escolar deve jogar milhões na falta de perspectiva.

d. uma carreira nacional de professores. Mas eu acho que é essa a campanha central que deve ser desenvolvida e dela derivar o debate que envolve as questões nacionais e a luta anti-imperialista.

Campanha que  obriga os outros debates, e pode ser o elemento que faltava para construir um movimento amplo, ca permitir falar em nome de toda a nação. Pode ser, acho, o fator para construir o partido operário, em particular na juventude operária e trabalhadora. Se ninguém, parece-me, falou nisso no meio das mobiliações de junho de 2013. Mas no entanto acho que estava lá em potência. Porque será que, logo em seguida, eclodiram o movimento dos professores no Rio de Janeiro, com apoio de população e dos black blocks? E colocavam o governo Sérgio Cabral em questão. Mas o jogo é outro. É uma questão nacional, de desenvolvimento nacional e de luta contra o imperialismo, por um ciência, uma tecnologia e uma cultura própria.

Luta contra a burocracia sindical.

Uma carreira única dos professores esvaziaria as burocracias estaduais e locais. Não esqueçamos que a burocracia sindical dos professores, principalmente da APEOESP, deram os chamados quadros para administração petista. Dirigiram a CUT e produzem deputados em profusão (gostaria até de saber quantos, mas são muitos). Lutar contra a burocracia sindical não basta um diagnóstico, mostrado seu papel nefasto e contra-revolucionário, o que todas as tendências trotskistas sempre fizeram, por décadas, desde que tive contato com essas tendências, sempre fizeram esse diagnóstico. E nas greves de 1979/80 eram os principais impulsionadores da luta contra a burocracia. No entanto essa burocracias continuam intactas em muitos lugares, como metalúrgicos de São Paulo, ou renovadamente mais eficientes no caso dos petistas e cutistas. “não dá prá vencer satã só com orações”, como dizia Aldir Blanc. Acho que vencer a burocracia é conseguir criar uma plataforma que fale a amplas massas e que eles não possam carregar. Para assumir tal plataforma seriam jogadas no furacão revolucionário. Vou repetir à exaustão, o olho do furacão revolucionário é traduzir tudo em luta anti-imperialista. No mundo de hoje o olhar é a educação, o agente imediato é o professorada, os estudantes, os deserdados de cultura e perspectiva, os jovens. Jovens operários, jovens trabalhadores e jovens da classe média (lembrando aqui, o conceito de jovem, hoje, vai para muito além dos adolesce

A carreira única dos professores coloca a questão o orçamento para educação como um questão nacional e que desemboca no congresso. E que coloca, sempre, o próprio governo em questão, e a sua posição diante do imperialismo. Sua vontade de romper ou não.Uma simples greve salarial seria sempre um palanque para grandes questões nacionais.

Para lutar contra as desigualdades regionais.

Na esqueçamos que o imperialismo também explora e fossiliza as desigualdades entre as nações, mas também sabe explorar bem as desigualdades regionais. Sabre explorar as contradições internas. Sabe como f orça uma migração interna para explorar mão-de-obra barata e desqualificada, quando interessa. Portanto as desigualdades entre as regiões e “províncias” provoca uma questão central da divisão no interior da classe operária e trabalhador. Pegando São Paulo como exemplo, seria uma espécie de imperialismo interno. Que se desenvolve explorando e oprimindo os outros estados da federação. Essa carreira única permitira uma mobilidade dos próprios professores que escolheria em que estado se fixar para dar aulas e produzir conhecimento. E tarefa principal dos professores seja produzir conhecimento e cultura. Se um professor do berçário que produza conhecimento sobre educação da tenra infância, que faça doutorados sobre isso.

Criar um currículo mínimo obrigatório; Na carreira nacional todos seriam professores.

e. 100 por cento de estudantes do ensino médio nas universidades públicas,mantendo a cota para os negros , conforme a população negra e descentes em cada região ou cidade:

Mais vagas. Para mais vagas: ensino noturno, já, em massa. Criação de novas universidades, depois de um debate e levantamento nas escolas públicas. Universidades temáticas. Consequentemente fim do vestibular. Estatização das escolas privadas.  Aqui uma argumentação necessária. Falar em fim do vestibular a ceco parece algo impossível, ou até impertinente, já que muitos jovens vem o vestibular com algo limpo ou onde passa o melhor, pelo critério elitista da excelência.  100 por cento de estudantes das escolas públicas na universidade, ou sistema público de ensino do elementar a universidade, todo ele público, esvazia essa discussão de mérito e coloca a questão no âmbito da igualdade de direitos. E esvazia tanto a questão do ensino privado que amacia o caminho para que a questão da privatização das escolas públicas seja uma derivação da primeira. E 100 por cento nas universidades advindo da escola pública coloca a questão do acesso como uma questão de classe, os pobres, os operários, os trabalhadores e classe média desde que queiram terão acesso. É preciso de mais vagas, é preciso estatizar as escolas privadas.  Exigir as cotas para negros, mesmo com os 100 vindos da escola pública é porque, mesmo vitoriosa, um luta dessa demoraria algum tempo para criar vagas para todos, logo é preciso manter a questão de cotas para negros.  E colocar as escolas e universidades sob a ótica da luta anti-imperialista só pode ser uma tarefa estatal e federal. É um ataque direto, uma desconfiança generalizada contra o ensino privado. Assim justifica-se obviamente o fim do vestibular. Fim dos vestibular justifica-se com luta por vagas para todos. E a estatização das do ensino privado, justifica-se facilmente por precisarmos de um ensino voltado para as necessidades de toda a nação e também porque precisa-se de todas as vagas disponíveis para esse projeto. Seria os agrupamentos, partidos e organizações dos trabalhadores se alçando a carregar o projeto de libertação de todo o povo. E classe operária, com suas organizações, pode de alçar a isso, porque ocupa um lugar ímpar na produção, portando na capacidade de executar o que pensa.

f . As escolas devem ser todas escolas técnicas para adultos e jovens que assim quiserem.

Como subproduto cultura disso, com a vinda dos pais para a escola, haverá a possilidade de combate à violência. E aumenta a responsabilidade dos pais pela educação dos filhos, aliviando professores dessa carga inadequado.

g. As escolas devem ser todas centros culturais.

Espaços largos e sem muros (contra as escolas prisões).
As escolas tem que ter centros esportivos para toda a população, em horários estipulados na semana, e completamente abertas nos fins de semana. Todas as escolas tem que ter aprendizado de instrumentos musicais, para alunos, pais e moradores. A escola, espaço laico, deve se transformar no centro das preocupação e para onde se dirige toda população fisicamente e para ela deve se voltar todos os olhares.

h. A questão dos transportes passa pelas escolas e universidades..
Universidades temáticas que deverão ocupar de vários temas nacionais e regionais, como centro solucionar a questão republicana das diferenças regionais, que provoca divisões profundas no interior da classe operária, dos trabalhadores e seus aliados. Não esqueçamos nunca que o socialismo é republicano. Menos,claro, o “socialismo norte-coreano” que é uma espécie de reinado, e também o cubano tem um quê de dinastia.
Já comentado parágrafos acima, no norte falar em estrada por terra é uma aberração completa. Grande partes das estradas estão abertas que são os rios navegáveis. Parte do amazonas comporta até navegação de grande porte. É preciso universidades ali que estudem e construam projetos de navios e barcos. Inclusive tendo como centro a energia solar e eólica.
Cabe também na região do São Francisco que deveria ser recuperado, principalmente para a navegação, e não transposto e esgotado, como Lula começou a fazer e Dilma continua.
Assim como São Paulo precisa de transportes sobre trens urbanos. É preciso desenvolver, nas centros tecnológicos, formas mais baratas deles, formas de usar com mais eficiência a energia elétrica. Por exemplo, como evitar uma parafernália de fios enfeiando a cidade.
Como desenvolver uma forte navegação de cabotagem em todo literal, barcos mais baratos, com energia solar, combinada com outras fontes energéticas.
O transporte barato e eficiente, por exemplo, permitiria uma forte indústria pesqueira na região do São Francisco, em grande parte do Norte e em toda a costa. Baseado na economia familiar.
E evidente, todas essas universidades e escolas públicas federalizadas, seriam plenamente ocupada por ensino técnico necessário às atividades da indústria das pequenas famílias.
E repitamos, a questão dos transportes pode levantar uma grande batalha contra as indústrias de automóvel, as que conformaram o desenvolvimento brasileiro sobre estradas, estrangulando o país e criando caos urbano, e fazendo a classe operária voltar a trabalhar como o início da industrialização na Inglaterra. Com 2, 3, 4, 5 ou 6 horas dentro de ônibus e trens lentos e lotados, somando as 8 costumeiras e já exaustivas horas, soma-se 10 e até 14 horas de trabalho. Neste ritmo nem há vida e sem vida e sociabilidade a luta principal é arranjar tempo para dormir.
Claro que numa revolução socialista muito mais eficiente seriam grandes cooperativas. Mas lembremos sempre da política de Stalin e a mecanização forçada: há ritmos e prazos. Muitas vezes coletivização forçadas é o caminha mais curto para o fracasso, a brutalidade policial, o estado policial.
Mas nesse momento de campanha pós-junho, é preciso mesmo convencer os jovens sem perspectiva que há uma perspectiva para eles. Instaurar um profissionalização em todas escolas públicas e universidades, federalizadas, em horário diurno e noturno. E uma campanha de vagas para todos.
09. Universidades temáticas
Não é contraditório uma carreira nacional de professores, um ensino da infantil às universidades, totalmente federalizado e universidades e escolas técnicas temáticas, regionais. Isso permitira a emergência de vocações científicas e técnicas. E mais um elemento de na direção da quebra das desigualdades regionais. Mas há mais. Permitiria que a universidade e as escolas públicas pudessem desenvolver técnicas e mesmo descobertas, como por exemplo na biodiversidade, nas culturas se sementes, que nos levassem no caminha da ruptura com a dependência. A batalha por isso é a luta ideológica contra o imperialismo.
Evitar o risco de uma nacionalismo estreito é desenvolver junto a esse programa a luta para construir organismo de controle da classe trabalhadora, em todos os locais de trabalho, estudo e produção de conhecimento. Hoje a burguesia, a Montesanto, mantém segredos industriais, para sua dominação imperialista, macumunada e macumunados com governos vendidos e pró-imperialistas. E o próprio pensamento da elite formada nas universidades públicas elitistas e formadoras do cães de guarda do capitalismo.
Mas há uma programa que deve ser desenvolvido, preparando as bases para o um política socialista e internacionalista no poder. Nossas instituições escolares, federalizadas, devem ter como meta uma profunda cooperação com os países dominadas pela imperialismo, em particular todo o continente Africano.
Hoje é um combate ideológico, num governo socialista é a única diplomacia capaz de desenvolver um solidariedade entre povos e abrir vias para o socialismo. Nada vem antes nem depois. É já. O futuro se constrói no presente. O socialismo é hoje lutar por uma cultura de solidariedade entre as classes oprimidas e as nações oprimidas. As universidades de hoje, as de amanha devem estar voltadas para essa colaboração. Os lutadores socialistas, dentro de escolas e universidades, devem batalhar para que pesquisas, conhecimentos sejam voltados para essa solidariedade imediata, construindo bases para o internacionalismo. Princípio não devem ficar nas gavetas. Devemos forjar, dia-a-dia, situações para provocar e desenvolver nossa ideologia anti-imperialista, calcando-a em práticas cotidianas. Por exemplo, os revolucionários nas escolas devem propor e batalhar para uma ampla colaboração e solidariedade com os estudantes estrangeiros, principalmente dos países atrasados. Mas principalmente ainda da África, para quem devemos quase todo nosso chamado desenvolvimento econômico, quando surrupiamos 4 milhões de vidas escravas. Nossos socialistas na universidades devem estar na linha de frente dessa reparação: luta por cotas para os negros, mas lutar para abrir vagas para estudantes africanos. E obrigar a criação de linha de pequisa voltadas para África. Essa colaboração é uma luta que deve começar agora, já, forjando um ideologia, preparando as bases para um colaboração estreita no futuro, trabalhando hoje e sempre para aprofundar a solidariedade e uma unidade na luta anti-imperialista.
i.
Poderia, como já dissemos, ser a saúde pública a campanha derivada da chamada voz das ruas.

Dilma, novamente, tentou ler na direção correta. Primeiro com a demagogia dos médicos estrangeiros. Logo em seguida propondo 50 por cento dos royalties do petróleo do pré-sal para a saúde e os outros 50 para educação. O congresso votou 25 para saúde e 50 para educação. No fundo uma mixaria. E um mixaria que via apenas servir para fortalecer um pouquinho as universidades elitistas e formadoras de algozes da classe operária. E quanto a tecnologia, replicadores de tecnologia produzidas nos países imperialista, que fortalecem a dependência. O que é comum na química, na indústria automobilística (na Unicamp, por exemplo, a coqueluche agora é um grande laboratório da Petrobrás, o que vai reforçar a dependência do automóvel e da indústria automobilística, a mesma que aprofundou nossa dependência do capital imperialista. A piada é chamar as Universidades Brasileiras, as paulistas em particular, de autônomas. Falaremos um pouquinho, abaixo, sobre autonomia universitária. Voltemos à saúde pública e aos médicos.  A morte é a opressão suprema para um materialista consequente. O metro, o instrumento de medida do materialista é a vida. Qualquer outra foram de ver o mundo não é materialista. Logo a suprema opressão do capitalismo, da violência de classe contra classe, é o sistema de saúde, o acesso à prevenção (que envolve nutrição, claro), os acidentes de trabalho, o escabroso tratamento no serviço público de saúde e a total canalhice que se chama laudo médico, que os trabalhadores chamam apenas de laudo, para comprovar para pedir aposentadoria por invalidez. E sistema cruel coloca o médico como um dos principais algozes dos trabalhadores, dos operários e dos pobres. E a medicina privada é um acinte. E um forma clara de dizer que há gente que merece viver e gente que deve morrer (no caso do Brasil, li que as pessoas morrem com um quantidade de dor dez vezes ou mais que um americano, já que analgésicos de primeira linha são muito mais caros e, claro, sonegados aos pobres). Hospitais e seus corredores são câmeras de tortura.

Os médicos das nossa universidades públicas e privadas são formados para isso. 85 ou 90 por cento dos cursos médicos formam especialistas. Na verdade especialistas em ler exames caríssimos. Enquanto isso 40 milhões de deficientes ficam sem atendimento algum, sobrecarregando famílias. Enquanto isso os remédios para depressão crescem sua venda 22 por cento ao ano, perfazendo um crescimento de mais de 100 por cento ao ano. Não sabemos quantos são já que sem atendimento, sem profissionais, a maioria não é atendida. Os corredores dos hospitais são masmorras fedorentas.

Tanta miséria devia revoltar. Por milhões de doentes, deficientes e mutilados pelo trabalho nas ruas acho que seria um pouco difícil. Parte dos seus parentes estão cuidando deles, ou sofrendo jundo com eles. Nos protestos de junho essa questão estava lá, naquele tudo que devia mudar.

Mas a principal questão é a já tratada em mais de um lugar aqui, e que voltará sempre. As escolas médicas formam seus médicos para eliminar os mais fracos, como uma eutanásia coletiva e dolorosa. Os médicos, formados nas nossas universidades, os grandes especialistas formados nas nossas escolas públicas, paga pelo povo, são especialista em deixar morrer os trabalhadores, os pobres e os operários.

Um ataque direto a medicina privada é exigir formação de médicos generalistas, criar profissionais de saúde para tratar a população pobre. E romper com os laboratórios e criar um indústria farmacêutica estatizada.

Poderia sim ser uma campanha central advinda das vozes da rua de junho.  Tem inclusive elementos fortes de independência nacional que falaria em nome de toda nação, como estatização dos laboratórios e criação de laboratórios estatais para produzir remédios adequados e baratos.

Mas ao mesmo tempo isso tudo passa pela formação do médico como foi dito e passa pela pesquisa feita no sistema educacional, nos laboratórios das universidades e escolas.

Vendo a realidade pelo olhar da educação para a libertação nacional, na luta anti-imperialista, em certo momento, talvez a saúde pública, a luta conta a medicina privada, a estatização dos laboratórios, tome um lugar até preponderante.  Mas é que acho, ainda, que a questão da produção de ciência, tecnologia e cultura própria é o lugar, o campo, privilegiado para se dar essa luta.

Dizendo de outra forma, coisas já ditas, essa plataforma da educação, vista assim, é plataforma de lançamento para uma luta hoje de solidariedade, amanhã de colaboração e organização da luta internacional para o socialismo, ou para a construção da revolução socialista mundial.

Acredito que a classe operária poderá se alçar a dirigir todo o povo porque ela ocupa um lugar ímpar na produção. Mas hoje, século XXI, acho que ela precisa mais que em toda sua história de luta, dos conhecimentos científicos, da tecnologia e do saber. E, principalmente, da apropriação e do controle.  Talvez seja a revolução a única forma de impedir, o que já está em andamento, a criação de uma “raça” superior, através da engenharia genética. Uma “raça” superior, imune a milhares de doenças genéticas, capaz, de unidas ao capital, criar o “Admirável mundo novo”, na verdade uma escravização, tendo por base castas ou “raça”.  Sem delírios futuristas, a eutanásia coletiva já uma realidade na maioria dos países pobres: velhos, doentes crônicos, inúteis para a produção, são deixados morrer a míngua de alimentação e remédios. A solução final nazista parece menos cruel. Mas faz parte dos esgotos da sociedade capitalista. É um trabalho subterrâneo, obscuro, quase invisível.


Sua autonomia consiste em criar uma espécie de casta burocrática com um imenso poder de mando e privilégio. Autônomos seriam se pesquisassem, já que os sustentam é do povo, na busca de independência desse mesmo povo. Mas novamente acho que a classe operária é a vocacionada, pelo lugar que ocupa na produção a colocar a Universidade a serviço dos interesses nacionais e produtora de projetos dirigidos a solidariedade internacional. A Universidade de hoje, cada dia que passa, só ajuda a aprofundar nossa dependência. É preciso lutar para inverter isso hoje, não só depois no socialismo.
O movimento por uma carreira federal de professores, de todos os professores, faz parte dessa luta anti-imperialista, traduzida para uma categoria que está no centro dessa questão. E o movimento estudantil teria de ter uma plataforma calcada na luta pela libertação nacional e a luta anti-imperialista. Assim iria no rumo da aliança com os operários.
j. O movimento Estudantil.
. Quando, em momentos muitos especiais, como na década de 70, que o movimento estudantil levantou bandeira pelo democracia e contra a ditadura, ele teve um papel importante e progressista. Quando o movimento estudantil fica pedindo mais verbas, verbas essas que vão fortalecer o elitismo e a exclusão dos pobres, quando pedem autonomia que é autonomia para que os professores, aumentando seu poder de casta, possa oprimir mais e mais os trabalhadores das universidades, que tenham autonomia para implementar a terceirização generalizada, como foi na Unicamp e USP esse movimento, para mim, é totalmente reacionário. Recentemente, com a reivindicação de 10 por cento para educação, para um educação elitista e excludente, 10 por cento para ajudar a elitização e exclusão. Reacionário. O debate que coloca a questão sob a bandeira a aliança operário estudantil é a bandeira da luta anti-imperialista em primeiro lugar. Produzir ciência voltada para um projeto nacional, de libertação nacional, produzir tecnologias nas universidades temáticas, criar estudos e projetos de colaboração com povos oprimidos, devolver conhecimento em forma de divulgação e acesso à tecnologia produzida (em universidades e escolas técnicas temáticas, nas regiões, na direção da superação das diferenças regionais, se preparando para promover, e promovendo já, intercâmbio com as nações oprimidas, e distribuindo conhecimento e tecnologias para pobres e oprimidos do Brasil), esse é um movimento estudantil aliado da classe operária e dos trabalhadores.
A Universidade pode até ser defendida se acaso há uma ataque da direita. Mas hoje ele tem que ser denunciada como produtora de exclusão e alimentadora de dependência diante do imperialismo.
A carreira nacional de professores se efetivada detona o privilégio dos professores universitários. E coloca que o conhecimento deve estar a serviço dos bebês, dos trabalhadores, dos pobres, de todo povo. É um jeito possível hoje de falar em nome de toda a nação, de interesses nacionais profundos.


Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

03/12/2013

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta


CANCRÓPOLIS

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Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



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As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


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Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

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“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
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78 programas num único dia!

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A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

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01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

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link

01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

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04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


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links

01. Morreu Gabriela Leite
02. Fátima Oliveira: Os legados de Norma Benguell e Gabriela Leite


Em defesa do Jornal do Porão, de seu criador e de todos nós.

04/03/2013

IDÉIAS SE COMBATEM COM IDÉIAS

Publicado em 14 de novembro de 2009.

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ARQUIVOS PÚBLICOS EM PERIGO.

Incêndio na biblioteca do IEL. Qual será o próximo? 

Republico porque por escrever e-mails defendendo o Arquivo Edgard Leuenroth me custou várias e várias admoestações, pressões, chamadas nos cantos, nas salas, para ouvir ameaças veladas, algumas explícitas, outras aos brados. Depois por falar do descalabro que era a situação da biblioteca do IFCH que inundou, torrencialmente, como foi torrencial a inundação no AEL (não foram infiltrações, nem goteiras, nem os destelhamentos atualmente constantes no AEL, mas inundação torrencial, colocando em risco memoráveis acervos. Contra o silêncio conivente dos responsáveis e sua pressão constante sobre quem ousou perguntar , onde estão e quem são os responsáveis e que medidas tomaram para que não mais aconeça. Mas aconteceu novamente no IEL.

É preciso mudar, radicalmente, a maneira de tratar os acervos e documentos da história.  Não são medidas paliativas, mas mudanças.  É preciso mudanças urgentes e centralizadas. É preciso ter um órgão central para cuidar desse patrimônio histórico, tonto do AEL, CEDAE, Centro de Memória e bibliotecas. É só fazer uma visita a cada um desses prédios para ver diferenças enormes de equipamentos, de condições para a preservação (armários, ar-condicionado, prédios, recursos técnicos) para logo se notar que a própria disparidade de tratamento expõe o problema.  Essa multidão de locais serve a uma coisa óbvia: criar diretorias, poderzinhos, chefias aos montes. É indefensável.  E os prédios não tem condições. O melhor deles, ou a pirâmide branca, concentra problemas gravíssimos: Ar-condicionado de 600 mil reais que nunca funcionou e inundou torrencialmente o arquivo, janelas que vivem caindo, telhado que destelha a qualquer tempestade de verão. Estamos falando do melhor. Não fui à Unicamp, mas garanto que se houve incêndio no biblioteca do IEL a primeira coisa que suportará é estes predinhos fuleiros, os “pinotinhos”.

É preciso de um arquivo único. Num mesmo prédio. Com diretoria única e enxuta (nada dessa proliferação de inúteis chefias). Com um tratamento que merece a memória das lutas e da culttura desse país. Nada da suntuosidade novo-rico de um tal BORA. Que um prédio para todos os arquivos tenha um andar, por exemplo, para obras raras.

É preciso de um único prédio para todos os arquivos, e até mesmos para as bibliotecas, planejado para alta-segurança (como se faz com os inúteis prédios militares no mundo todo – suponho). Ar-condicionado dimensionado por firmas de renome. E um corpo de bombeiro (com funcionários públicos concursados), com permanente treinamento, com funções de prevenção cotidianamente supervisionadas e relatadas, com um contingente que trabalhe durante 24 horas. Acho que já corremos riscos demais.

E dinheiro. Recente reportagem dava conta de que havia “restos de caixa” enormes da Fapesp e das Universidades. A Unicamp, recentemente, comprou uma fazenda. Provavelmente para sua megalomania tecnológica. Mais provavelmente para trabalhar para o agronegócio e indústrias. Com essa rendição completa ao capitalismo quem acredita que a Unicamp se preocupará com arquivos e memórias? E as chamadas ciências humanas, seus dirigentes e professores, com seu complexo de vira-latas não chiarão. Espremidos chiam baixinho, se chiarem.

O ditado popular “Bom cabrito não berra” é um difamação dos rústicos e briguentos cabritos. Talvez o lado ultra-conservador da mentalidade popular quer transformar o cabrito, tão rústico, montanhês, devoratudo, altivo, marrento, escandaloso,  num desprezível carneiro. A mesma mente que quer transformar  a luta em  colaboração cidadã.

Foram exatamente os próceres da ciências humanas, tão  admirada esquerda universitária, a tentar me calar. Mário Medeiros, aluno dessa esquerda universitária, ainda, e espero, não corrompido e não será corrompido, espero, e como dói a esperança, pelos cargos e comissões, pode e pôde, ainda, se solidarizar com o debate que , mesmo sob pressão e ameaças, continuei propondo. E continuo. Vida longo a esse meu amigo Mário Medeiros.

Escrito por Mário Martins de Lima, editor desse, em 04/03/2013

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Doutorado, Mário Medeiros

Doutorado, Mário Medeiros

Mário, leitores e colaboradores do Jornal do Porão,

Como prometi, escrevo.

Só pude fazer isso agora, com pouco mais de tempo e depois de ler as mensagens enviadas pelos outros, além das do antigo Editor/ Redator-Chefe do Jornal.

Este texto não é só um desagravo em favor de Mário Martins de Lima, meu xará, meu amigo de todos esses anos na Unicamp. É também uma tentativa de defender o livre pensar, a expressão do posicionamento perante os fatos. Coisas que nosso editor chefe sempre defendeu.

Idéias se combatem com com idéias. Contra um texto, outro texto. Contra um manifesto, outro manifesto.

O ato de acochambrar pelo poder, alcoviltar, escorchar e tomar atitudes numa relação de desigualdade (chefe-subordinado) é o elogio da estupidez. O chefe que precisa usar da força – censurar, chamar em sala, beco, alcova, colocar no canto, ameaçar, impor-se pelo cargo – demonstra que a sua suposta autoridade não possui nenhuma legitimidade, para além do cargo institucional e do medo que inspira. Respeito, então, nem se fale. É um estúpido. Uma besta com polegares. É indigno de ser chamado de intelectual, de pensador. É o ato de um delinqüente acadêmico, de homem-dispositivo, na melhor acepção que deram a esses termos Maurício Tragtenberg e Franciso Foot Hardman.

Mário Martins edita seu Jornal do Porão corajosamente. Expondo aquilo que observa, que deduz, que pensa, que conclui dos fatos quotidianos, referente à Universidade, ao seu local de trabalho, à cidade que adotou, ao país em que nasceu e aos fatos que viveu nos últimos quarenta anos de história. Ganha muito com isso. O debate com alguns interlocutores sérios e abertos lhe faz bem. Mas também ganha a violência quotidiana da censura, da ameaça, da intimidação. Ossos do ofício. Alegria e dor da atividade.

Suas opiniões, até mesmo por alguns dos leitores do seu Jornal, foram consideradas fortes, incômodas, desagradáveis ou deselegantes.

Curiosamente, a não ser pelos chefetes ilegítimos e os cidadãos delinqüentes, jamais o adjetivo mentiroso (ou seus sinônimos) foi associado às opiniões que expõe.

Ele não gosta de memórias. Presenciei, há algumas semanas, na companhia de nosso atual editor – Newtinho Peron – um momento raro: Mário Martins dando uma entrevista para dois estudantes. O tema era “Ignorância”. Pediam os dois estudantes que meu xará discutisse sobre isso. Algo que parece tão geral não o melindrou. E ele ali, numa sala do AEL que tanto defende, expôs o que pensava sobre o assunto. Tomando a idéia de ignorância como fio condutor, Mário repassou a sua origem, de como passou de trabalhador rural, cortador de cana no interior de Minas Gerais, a um dos principais líderes da greve de Campinas em 1978. De sua vinda a São Paulo com a mão na frente e outra atrás, em meados dos anos 1960 a aluno de Ciências Sociais na PUC-SP, tendo como mestre Maurício Tragtenberg. De operário que lia livros de Marx sentado nas latrinas fétidas das fábricas ao militante da Libelu e do PT. Do apreço por Freud, dos filósofos alemães, de Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Dostoiévski e toda boa Literatura que lhe caia nas mãos. De música clássica, de história do cinema, de Poesia Concreta, da paixão pela Tradução e o estudo das línguas, dos debates sobre os problemas nacionais. Do futebol, do sexo, das relações humanas, vista pela Psicanálise e pela Sociologia. E, principalmente, do silêncio dos intelectuais – o que sempre mais o incomoda e o que mais combate.

Mário Martins não gosta de memórias. Eu tomei como ofício entender as memórias alheias. Eu sempre quis que ele escrevesse as suas – coisa que ele revelou numa das edições deste Jornal. E começou a fazê-lo. Mas parou. Entretanto, quem o conhece e tem a possibilidade de trocar dedos de prosa com ele – o que não é difícil – sabe que as suas memórias perpassam os debates que ele propõe. Mas não é a memória morta, dos fatos assentados e bem organizados que o encanta. É a a vida, o eu como potência, a pulsão da vida que o faz detonar os fatos que viveu, atrelá-los com o presente e, de alguma maneira, provocar seu interlocutor. Sempre um provocador, o Mário Martins.

Com Mário Martins o debate é sempre franco, aberto, sem meandros, direto. Olho no Olho. Idéia com idéia, contra idéia outra idéia. Em voz alta, sem sussurros, sem modulação menor. Alguns dos seus interlocutores – como foi dito por leitores desse jornal – não concordam com o tom, melindram. Eu já discuti muitas vezes com meu xará. Já disse e ouvi coisas ásperas. E isso nunca me fez perder o respeito ou perder o seu respeito. Idéia com idéias, idéias contra idéias.
Gosto de memórias, ao contrário de Mário Martins. Mas, como ele, não gosto de contar as minhas. Farei aqui uma breve licença a nós dois.

Greve de 2011

Greve de 2011

Conheci meu xará na primeira greve que participei na minha vida. Era o meu primeiro ano de Unicamp, meus primeiros meses, em 2000. Houve uma manifestação, na Praça da Reitoria, em apoio a greve dos funcionários públicos. Eu fui até com alguns amigos, todos ingressantes em Ciências Sociais. Falas, debates, carro de som, alto-falantes etc. O comum nas manifestações. Ainda existia o antigo bandejão na praça, que estava lotada. As pessoas passavam, olhavam, paravam. Alguns estudantes de vários cursos estavam por ali e, como se aproximava o horário do bandejão abrir, ficavam. Debaixo de uma árvore, perto do carro de som, de camiseta e calça azul, um homem com bigode, altura mediana interpela um membro do sindicato que falava no carro de som. Ele não precisava de microfone. E o que mais me chamou atenção é que a maioria das pessoas ali o conheciam – funcionários e estudantes, alguns professores. O homem com bigode e todo vestido de azul falava alto, grosso, gesticulava muito. Em resposta, recebia o apoio de várias pessoas que estavam na Praça. Questionava de dedo em riste quem falava no carro de som. Pediram que falasse ao microfone. As idéias eram claras, diretas, distintas. Podia-se discordar delas. Causavam estranhamento em alguns. Mesmo com microfone, o homem de azul não baixou o tom de voz. Gritava. Estava indignado com o sindicato, com os funcionários, com os professores, com a reitoria, com os estudantes, com todos. Refletia, conclamava à reflexão, expunha fatos, denunciava, propunha. Recebia aplausos, jamais uma vaia. Sinais de apoio, como também sinais de desaprovação. Mas ninguém jamais correu ao microfone para lhe dizer “É mentira!” Ou o chamou de mentiroso na praça. Mesmo os interlocutores acusados de desleixo com as lutas dos trabalhadores o respeitaram. Jamais um mentiroso. Contras idéias que lhe foram lançadas, retornou com outras.

Não sei porque eu associei o homem de bigode e todo vestido de azul com o nome de Pedro. Alguns meses depois eu comecei a fazer uma pesquisa, cuja fonte material descobri que se encontrava no AEL. Fui até lá e eis que o homem de azul – acho que agora sem bigode – era o atendente do arquivo. Não tive dúvidas. “Bom dia, seu Pedro”. Cometi dois equívocos no mesmo cumprimento. Chamá-lo de senhor e trocar o nome. O primeiro ele corrigiu na hora. O segundo demorou muitas semanas para corrigir – o que serviu para muita piada ao meu respeito. Na minha primeira pesquisa, de iniciação científica, comecei e consolidei minha amizade com o meu xará. No balcão de atendimento do AEL, muitas vezes, conversamos horas em pé. Fomos tomar café na sala dos fundos ou fora do arquivo. Discutimos ásperamente. Trocamos confidências, livros, cds. Descobrimos gostos comuns e divergentes. Enfim, nos tornamos amigos. Conhecemos outros amigos, que formaram um negócio aberto chamado O Café das Cinco. Por quê o nome? Porque às 17h, cinco da tarde, acaba o expediente no AEL. E durante muitos meses, vários de nós, amigos do Mário Martins, chegamos perto do horário do aquivo fechar para tomar um café com ele. Muitas vezes, alguns dos seus chefes o censuraram por aquela concentração no balcão e na porta do arquivo. No Café das Cinco, sediado no cantina da Matemática, ficamos muitas vezes até o Marcão – dono da cantina – fechar. Fazendo o quê? Trocando idéias, debatendo idéias, compartilhando idéias, combatendo idéias, refutando idéias. Em alto e bom som. Podia parecer às vezes que estávamos até brigando. E quem sabe estivéssemos? Mas ali todos se respeitavam por suas idéias, pela defesa dos seus argumentos. Ali não era lugar de mentiras, de ficar em silêncio, de sussurrar, ameaçar, melindrar. Olho no olho, cara a cara. Idéia com idéia. Contra idéia, outra idéia. Futebol, literatura, sociologia, política, sexo, homossexualismo, família, paternidade, maternidade, cinema, música, dança, pesquisas, greves, memórias, textos (nossos)… tudo discutimos ali. Trocamos livros, impressões, discos. Várias monografias, dissertações, teses e livros agradecem o Café das Cinco e seus membros. E, especialmente, Mário Martins de Lima. O Bigode. O Homem de Azul. O Bartleby Falante (ver Hermam Mellville). O Velho Safado (ver Charles Bukowiski). O Porteiro do AEL. O xará. O Mário.

Francamente. Diretamente. Prá valer, como tem que ser.

Acho que está bom essas duas memórias.

Escrevi no começo que este texto é um desagravo em favor do Mário Martins de Lima, meu xará e meu amigo.

É também uma defesa do Jornal do Porão, este espaço democrático que o Mário criou para poder expor suas e nossas idéias.

Mas é também uma defesa daquilo que tem pautado as relações e ações do Mário, das quais muitas pude estar presente e observar.

IDÉIAS COM IDÉIAS, CONTRA IDÉIAS, OUTRAS IDÉIAS. CONTRA UM TEXTO, OUTRO TEXTO. FRANCAMENTE. DIRETAMENTE. DEMOCRATICAMENTE.

Mário Augusto Medeiros da Silva

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links

01.Biblioteca do Iel na Unicamp é atingida por incêndio

02. Incêndio atinge prédio da biblioteca do Instituto de Letras da Unicamp

03. nota da Unicamp (sobre o incêndio)
04. Fotos dos Estragos na Biblioteca IEL Unicamp
05. Incêndio na biblioteca pública Luis Bessa, Belo Horizonte
06.Fogo destruiu interior de casa que foi moradia de poeta Castro Alves.
07 Presença de dois vigias minimizam o incêndio na Biblioteca Luis Bessa, projetada por Oscar Niemayer
08.Chuva inunda sala de obras raras de biblioteca da UFRJ Alba Valéria Mendonça, O Globo, 3 de dezembro, 2003 (com obras raras)
09.Chuvas inundam arquivos do Instituto Micael, Peruíbe
10.A privataria arruina a Biblioteca Nacional, Elio Gaspari


Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

24/09/2012

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

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Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



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As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


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Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

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“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
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78 programas num único dia!

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A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

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01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

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link

01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

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04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


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