NAUSEABUNDO, Por Newton Peron (Newtinho)

30/06/2012

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Era indecente, era um insulto, era nojento. Como aquele olho cheio de remela ousava fitá-la? Um sorriso amarelo, com dentes escuros e hálito fétido de fumante titubeava, querendo se estampar na cara. A barba era meio cinza, tinha já mais de uma semana e envolvia todo o pescoço. Era um escândalo. Uma mancha branca escorrida no colarinho, talvez pasta de dente seca. Ao longo da camisa amarrotada, manchas de café, botão pendurado. A bermuda, surrada e furada, tinha cor de velha. As canelas sujas pareciam limpas perto do pé imundo sobre havaianas. Pé rachado, pé barroso, pé-escroto.

Uma estátua de remela, suor e baba; um bicho asqueroso, um verme, ousava fita-la! Ânsia, náusea. A imponência dela, o salto de agulha furante, o vestido vermelho e o corpo de deusa pareciam pouco para esmagar aquele inseto. Onde estava seu namorado, com músculos de caminhonete? Onde estavam suas amigas, com seus comentários víboros? Teria ela sozinha que matar aquele rato?

Odiava o namorado, que não pôde ficar com ela na fila, abandonando-a no meio daquela gentalha. Odiava as amigas, odiava seus pais, sua gente. Odiava o mormaço do verão de seu país. Odiava sobretudo aquela criatura repugnante, fedida e podre. Um ligeira.

Ele era indecente, como arrotar num restaurante caro. Era um insulto, como cagar na sua frente. Era nojento, como achar uma barata no meio da comida.

Olhou-o novamente. E os olhos remelentos fixaram-se na bunda da mulher na frente da fila. Ele era realmente indecente, era um insulto, era nojento.

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Quem é Newtinho

Foi Editor do Antigo Jornal do Porão quando este foi perseguido pela direção do Arquivo Edgard Leuenroth e pelo Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humans, substituindo o editor perseguido Mário Martins de Lima. Newtinho coragem e solidariedade. Foi um dos idealizadores deste Blog e uma espécie de consultor técnico. É um dos editores do “Transe”, jornal que circula, em papel, por anos no IFCH. O fato de “Transe” ser relativamente ignorado no IFCH demonstra o baixo padrão das preocupações literárias no INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS. Newtinho é também um dos promotores do grupo “Corujão”, uma escola livre de filosofia e que é também um cineclube atuante. E como acadêmico, é doutorando em lógica (Lógica Paraconsistente – ou coisa assim).

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MUTAÇÃO, Newton Peron

21/06/2012

MUTAÇÃO

com 10 anos, imaginou ter seis dedos em cada mão. uma semana depois, sentiu um calombo embaixo de cada mindinho. o laudo médico afirmava tumor benigno. seis meses depois tinha doze dedos.

o médico recusou a amputação: veja, é um caso excepcional, não é de nascença, tem sensibilidade, movimento.

zombado na escola, o garoto perdeu interesse pelos dois dedos bônus. escureceu, secou, encolheu e caiu. cólera do médico, que não pôde acabar seu artigo revolucionário a tempo.

com 15 anos teve duas bocas. com 19, uma boca e quatro pulmões. com 27, dois pulmões e três corações. morreu com 45: os corações murcharam, tinha um olho nascendo na nuca e um pinto apodrecendo em cada coxa.


puta, de Newton Peron

14/06/2012

 puta

a professora prosseguia. e você, marcos?, e você, matheus?, e você, nádia?. engenheiro, advogado, enfermeira. eticétera. quase no fim da enquete, uma aluna atirou à queima-roupa:– eu?, eu quero ser puta.e uma vozinha no fundo: e eu quero ser seu cliente!. kkkkkkkkkkk, explodia a sala. a professora gritou por silêncio, bateu palmas, esperneou, mandou dois pra fora e pôde continuar a aula. na semana seguinte, a mãe sentada no sofazinho da sala da diretora.– e ela insiste que quer ser prostituta! diz que já teve relações, que gostou, quer ganhar dinheiro com isso.

em casa, a mãe se desolava em lágrimas com o marido. uma criança, meu deus! reuniram-se os três e a pequena devassa confirmou tudo. o padrasto apelou para a profilaxia:

– e aids? não tem medo de pegar aids?

mas a atleta mirim se esquivou com graça, falou de camisinha, virus incubado, coquetel gratuito. a mãe segurou a adolescente pelos cabelos mas o padrasto interceptou o tapa na cara a tempo. a matriarca recuou, ponderou alguns segundos e proferiu a sentença:

– está proibida de sair de casa até segunda ordem, mocinha.

passou um, dois, três dias. no sétimo, a mãe teve que viajar a serviço, confiando a guarda ao pobre padastro.

a filha não vascilou, vestiu micro-saia, blusa tomara-que-caia, meia calça escandalosa. a carne frágil do padastro não resistiu. a afilhada nem teve misericórdia do velho e soltou:

– 50 reais. aproveita o preço que eu sou só estagiária.

 
 
 
           
 

Câncer, de Newton Peron

04/06/2012

CÂNCER

acordou, abriu a janela, estufou o peito e desabafou:

– estou com câncer.

a mulher esbranquiçada balbuciou um o quê e um onde gaguejado.

– não sei, mas sinto que sim.

emputecida, virou de lado e dormiu.

não foi ao trabalho, preferiu o consutório. o clínico geral perguntou por dores, caroços, secreções.

– nada.

e acrescentava que queria exames. o médico dissimulou a irritação e receitou um analgésico. uma semana depois, voltou o paciente queixoso:

– não curou. sinto que não.

hipocondríaco. quis encaminhá-lo para um psiquiatra. o homem pedia obstinado pelos exames. não, meu senhor, é impossível fazer um exame se o senhor sequer suspeita onde é o câncer.

mais uma semana, calmantes. mais uma semana, prozac.

– ainda sinto que sim.

pediu furioso para o homem tirar a camisa. apalpou e mentiu ter encontrado um caroço, e que levaria para biópsia. arrancou com o bisturi aleatoriamente um pedaço de carne. resultado: câncer.

pesquisou outros casos e publicou um artigo, de como certos tipos de câncer poderiam originar do desejo do paciente. renomado internacionamente encontrou com o homem um ano depois. e o câncer?

– passou para a corrente sanguínea.

o médico respondeu que não teria duas semanas de vida. exatamente 14 dias depois o homem morreu. enforcou-se.


sangue, de Newton Peron

15/11/2010

nunca mais me esqueceria do vermelho e daquela dor gostosa. talvez porque estivesse tomando cerveja num copo sujo quando me vi sentado com ela a boca suculenta e vermelha se mexia sem parar, mas eu só escutava os agudos de sua fala. vez ou outra colocava sua mão enorme sobre a minha e dava uma gargalhada rouca.

ficamos assim por um tempo, ela abrindo e fechando a boca e eu arrotando cerveja. enfim, me perguntou algo que não entendi, mas fiz que sim. então me puxou pelos braços com as unhas vermelhas e me levou para dançar.

começou a se esfregar em mim e a me jogar para os lados. voltei para meu copo sujo porque não gosto de dançar e estava com enjôo. ela também sentou e recomeçaram as gargalhadas, a manzorra e a perna.
a essa hora ela colocava a mão sobre minha perna.

cerveja, copo sujo, amendoim, pagode e aquela boca pornô falou algo sobre carro. respondi que do outro lado da rua. tirei a nota amassada para pagar a bebida e o couver, mas ela já estava berrando de fora.
dentro do carro. vi suas pernas enormes de meia-calça e entendi pela primeira vez sua voz preguiçosa, longe da banda de pagode. já está tarde, não, talvez fosse melhor a gente dormir num motel.
não estava tarde, era onze e meia. mas na hora imaginei a desculpa que iria inventar para minha mulher, porque dormi no paulão se era ele que estava bêbado, ou porque não chamei um taxi se o carro tinha quebrado.

mas já era onze e meia e eu tinha tomado cerveja. que motel, tem um aqui perto e até que é barato, e você é barata?, depende do serviço meu bem. mostrei a nota amassada e ela fez que sim.
quando saímos com o carro, ela começou a cruzar e descruzar as pernas. O carro cheirava cerveja e cigarro, com filtro vermelho. no semáforo, ela se aproximou e pôs minha mão no meio de suas pernas. dava para sentir o perfume e o shampoo que ela usava, ambos vermelhos.
chegamos ao motel de neón. o atendente me disse quarto cento e vinte e dois, senhor. ela saiu do carro rebolando, de mão dada comigo.

depois dele tirar minhas calças e vir por trás de mim eu nunca mais me esqueceria daquela dor gostosa.


coração, de Newton Peron

30/10/2010

o cavaquinho afinava, atravessava a janela fechada. a pálpebra melada insistia em não abrir, apesar do barulho, da frestas com luz, do cheiro de fumaça. acordou. jogou água na cara e foi para o quintal.

mais cavaquinho. cocoricós do quadrado de madeira no fundo do quintal. tijolos bambos em forma de churrasqueira. seus olhos seguiram o rastro de sangue que dava para a vasilha de plástico. lingüiça, asinha, mais uma carne estranha, em bolinhas. laialaiá laialaiá, golpes no surdo.

aproximou-se da mãe. eu refoguei com manteiga, dona cida, depois misturei com a farinha. a mãe gorda, inofensiva e as amigas dela, tão moles que se via dereterem como manteiga na parte concretada do quintal. afastou-se.

o que é isso, pai? o pai engolia mais cerveja, conversava com um amigo barbudo. coração, respondeu o barbudo. mas coração de quê? a barba gargalhou. de galinha, moleque. queria que fosse de boi, é?, interviu o pai.

não faz assim, meu coração, volta pra mim, que solidão. a linguiça estralava, mais fumaça. tá boa, rita?, eu fiz com miúdo de galinha. uma delicía, maria. o que é miúdo? é porque eu refoguei com manteiga. o que é miúdo, mãe? miúdo é figado, coração… mas o pai não tá assando o coração? rá rá rá… o do seu pai é de outra galinha. laialaiá laialaiá. eu quero, mãe. pega!, não com a mão, moleque, é pra passar na carne.

o cavaquinho já se confundia com o cocorejo ouriçado do quadrado. a primeira rodada, de linguiça. pôe o coração, ô silvio. furou as bolinhas de carne no espeto e o repousou nos tijolos. fumaça, estralo. uma rodela de linguiça, pegada por dedos gordos, antes de triturada pelos dentes, tomava banho de farofa. cocoricólaralaiá.

o coração quase pronto. chama o danilo, ele queria experimentar coração. cadê o moleque? tum tum tum não faz assim, meu coração tá pronto. cocoláricá. cadê a faca? có có, gritando. tum volta pra mtum. não é azeite, dona cida, é manteiga, manteiga! có có có. ô maria as galinha o que tá acontecendo? preciso da faca silvio solidão cadê o danilo? vou lá ver essa gritaria.

achei o coração, mãe!

danilo, faca, galinha ainda viva com o coração pra fora.


bom dia, conto de Newton Peron

15/10/2010

bom dia, querido, disse a voz empapuçada do banheiro. bom dia, respondi da cama. estou indo preparar o café, cuspindo espuma de pasta de dente.


Desvario Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

fui para cozinha, comecei a beber seu café doce e frio, beijei sua bochecha áspera enquanto ela preparava sua missa matinal. mergulhou o pão com manteiga no café com leite. partiu o pão e entregou para mim dizendo toma, amorzinho, eu não aguento um inteiro. olhei para seus lábios lambuzados, sua xícara com pedaços de manteiga boiando, e afastei minha metade de pão molhado no pires.

pensei em nosso casamento. ela havia sido bonita, corpo quase atlético. hoje ela era a típica esposa perfeita, dedicada ao marido, velha, insossa. tinha um jeito irritante de ser simpática e era tão agradável quanto seu café da manhã. muitas vezes eu entrava no carro rezando para que ele pegasse antes que desse tempo dela se despedir com um beijo mole no rosto.


Busca Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

mas no trabalho não era diferente. papel, dedo cortado, arquivo, ofício, solicitação, computador, caneta, papel. chefe mal-humorado, cliente mal-humorado, eu mal-humorado. colega de serviço de minissaia se esfregando em mim no bebedouro.

sempre gostei de mulheres, especialmente as de coxas robustas, de seios duros, de barriga definida. prefiro as de cabelos pretos, curtos, pele clara. minha mulher, jovem, era assim, mas sempre de cabelo comprido. parece crente.


carlos Zéfrio

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

a mulher do serviço era loura, meio feia, mas de corpo malhado. não entendia porque queria transar comigo, meu chefe ganhava muito mais do que eu. talvez fosse tara, sei lá. mulher doente. mas nunca achei que valesse a pena.

e não valeu. o motel barato, o champanhe mais doce que o café, sua barriga não tão definida, seu rosto mais feio de perto. beijava mecanicamente, tirava a roupa estupidamente, abria as pernas exageradamente, gemia ridiculamente.

quer que eu esquente o leitinho?. não, sempre odiei leite com café, principalmente no diminutivo. mas olhando de perto aquela cara enrugada, o café melado, o leite com nata, o pão murcho com manteiga light, respondi só um pouco, bem. e derramou o leite na xícara com um sorriso idiota na cara.

mais idiota era a cara que fazia quando transávamos. uma mistura de menina e de puta, com o pior das duas. inexperiente como uma menina, gelada como uma puta. por isso às vezes ia para o puteiro, mas nunca tive dinheiro para pagar uma bonita, malhada. sempre paguei aquilo que poderia achar na rua de graça, ou quase isso.

não vou deixar você ir para escola desse jeito, parece uma puta. virei e olhei para aquela mulher de dezesseis anos. havia cortado o cabelo preto. tinha batom vermelho nos lábios carnudos, leve maquiagem no rosto. a camisa justa, a saia míni. por baixo da meia-calça, pernas longas e roliças. dentro da sandália, pés de porcelana. não parecia minha filha.

Filha de Minha Amante, Carlos Zéfiro

Filha de Minha Amante, Carlos Zéfiro

 

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

era sua mãe, rejuvenescida. os traços mais bonitos do que ela quando jovem. corpo perfeito. não dizia bom dia pai, apenas oi. nunca levava a sério a mãe, apenas sentou e pediu para passar o café, puro. não era sua mãe, nem rejuvenescida.

você não vai dizer nada, bem?. uma mistura de menina e de puta, com o melhor das duas. não, eu não diria nada. apenas olharia seu decote enquanto lhe passava o café. enquanto ela tocava minha mão e olhava para mim lasciva. como uma menina. como uma puta.

estou atrasado. e estava mesmo. o papel, o computador, a caneta e a colega de serviço me esperavam afoitos. me leva na escola?. você não vai na escola desse jeito, menina!. olhadela de desprezo para a mãe. me leva?.


Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

então vamos já!. minha filha saltitou da cadeira e abandonou sua xícara. um naco de pão velho enroscou na minha garganta. dei uma talagada no leite marrom açucarado. levantei fingindo pressa enquanto olhava minha filha de um ângulo melhor. uma mão escamosa me segurou pelo braço e disse eu não acredito que você vai levar ela assim. depois conversamos, querida. soltou meu braço com força e virou a cara bufando. fui lentamente até a porta com minha filha e aguardei por uns instantes o beijo-matinal-no-rosto de minha mulher. pela primeira vez em vinte anos ela não quis dar.

entramos no carro. dei partida. nada. de novo. nada. fuscas sessenta e nove não costumam pegar na primeira vez. eu nunca dei a mínima para isso. minha mulher ficava roxa de vergonha. a colega do serviço me olhava com desdém. de novo. nada. mas quando minha filha me olhou e deu um sorriso de canto de boca, comecei a soar. percebi a carroça que andava, o banco rasgado, a maçaneta pendurada. olhei para o retrovisor, um homem de meia-idade, com resquícios de beleza, barba por fazer, cabelos despenteados. comecei a me pentear com as mãos. ela virou e disse deixa isso comigo. começou a massagear meus cabelos. um pente surgiu de sua mão, talvez da bolsa. me penteava, com calma. de novo. o carro pegou. guardou o pente e me deu um beijo vermelho na bochecha.


A Queda Carlos Zefiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

começamos a andar. gostou do meu cabelo?. sim, adorei. cortei ontem, fiquei esperando até meia noite para mostrar para você. eu não lembrava a que horas havia chegado no dia anterior. havia bebido sozinho em algum boteco, como sempre, para esquecer o serviço burocrático, meu casamento burocrático, meu caso burocrático. havia chegado em casa e me jogado na cama com a mesma roupa, como sempre. se eu a tivesse visto de noite com o cabelo curto e de camisola, provavelmente não teria conseguido dormir. eu sei que você gosta de mulheres de cabelo curto.

eu sei que você gosta de mulheres de cabelo curto. minha mulher tinha cabelo preto, liso, comprido. minha amante louro, crespo, comprido. semáforo fechado. olhei para ela novamente, estava obscena. vamos tomar um café de verdade ali na padaria?, odeio o café dela. também nunca a chamava de mãe. tampouco pelo nome. estou atrasado. eu sei, mas só um cafezinho, vai, eu pago. como eu poderia recusar um convite de uma mulher de lábios carnudos, olhos negros, sobrancelhas delicadas, cabelos curtos?. pode deixar, eu pago. nunca fui cavalheiro, mas com ela eu tinha que ser, era minha filha. mas rápido, einh?, estou atrasado. abriu o semáforo.

dois expressos, por favor. parece que ela não gostou muito da minha roupa – reticências – mas não quero saber a opinião dela, quero saber a opinião de um homem, o que você acha?. levantou do banco, empinou o bumbum, virou um pouco os ombros com os braços para trás. a camisa ficou mais colada e pude ver o contorno do sutiã. eu não acho nada. quase sem voz. aproximou sua boca de minha orelha. fala vai, o que você acha?. você está bem. gaguejando. sentou. pousou sua mão em minha coxa. dedos carinhosos. unhas bem cuidadas. palma macia fazendo círculos lentos sobre minha calça. café de verdade com uma mulher de verdade. estou atrasado, vamos!. paguei o café.


bernini_proserpina3

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

dentro do carro. essa mulher é minha filha lembro dela criança nos seios de minha mulher em meu colo na rua de amarelinha na escola chorando saindo com as amigas de repente acorda de cabelos curtos pescoço longo pernas longas cintura curta sei que nunca terei coragem de fazer algo mais que beijos na bochecha abraços mão no ombro nas costas na barriga mas vou pensar nela semanas meses anos dias horas até ela casar com algum idiota com dinheiro – nunca será minha – mas continuarei abraçando beijando tocando ainda casada – sempre será minha – seu corpo escultural é parte do meu e meu sangue ferve em seus músculos e ela brotou de meu sêmen e eu a quero de volta quero a boca macia que me sussurra quero suas mãos dedos longos unhas curtas – nunca será minha – vou imaginar seu rosto de marfim e olhar para o de granito de sua mãe e vou acabar com meu caso e não suporto aquela mulher desengonçada e vou homenagear todo dia minha filha no banheiro da firma mas nunca serei capaz de tocá-la porque sou covarde porque sou escroto.


FrutosProibidos Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

chegamos na escola. nunca será minha. ela soltou o cinto de segurança e me deu um beijo.

na boca.

newton peron


Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

03/12/2013

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta

João da Silva, de Cancrópolis para o 02 de junho, dia Internacional da prostituta


CANCRÓPOLIS

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Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



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As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


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Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

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“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
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78 programas num único dia!

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A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

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01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

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01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

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04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


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links

01. Morreu Gabriela Leite
02. Fátima Oliveira: Os legados de Norma Benguell e Gabriela Leite


A Puta, Carlos Drummond de Andrade

26/09/2012


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na Rua de Baixo
onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
e labaredas torram a língua
de quem disser: Eu quero
a puta
quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
de longe. Na mata do cabelo
se abre toda, chupante
boca de mina amanteigada
quente. A puta quente.
É preciso crescer
esta noite a noite inteira sem parar
de crescer e querer
a puta que não sabe
o gosto do desejo do menino
o gosto menino
que nem o menino
sabe, e quer saber, querendo a puta.

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o1. FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.
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01. Beijo da Rua

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01. Ana de Amsterdã, elogio a uma prostituta triste e arrependida.
02.Um artigo do Jornal Beijo da Rua
03.Me Gustán las Muchachas Putanas, Mário Bortolotto
04. puta, Newton Peron


Puta por escolha: FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de GABRIELA LEITE

24/09/2012

FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.

Que deixou a USP para ganhar a vida como prostituta………………………………………………………………

Dia 10/10/2013 morreu Gabriela Leite

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Puta que liderou manifestação na Praça da Sé contra repressão e sequestros praticados pela Ditadura Militar………………………………………………………………………………..

Fundadora da DASPU…………………………………………………………….

Uma anti-Ana de Amsterdam…………………………………………………..



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As roupas mais ousadas, aqui, são as fotografadas por Mari Stockler para o livro “Meninas do Brasil”. São 296 fotos de rua ou de bailes funk. E o objeto de Mari Stokler são as roupas, desde a música de Dorival Caymi  que serve de epígrafe do livro e descreve a sedução pela roupa, até a primeira foto de rolos de tecidos ultra-coloridos. E o título, Meninas do Brasil, brinca com a ambiguidade de  “meninas” ser um termo carinhoso entre as prostitutas. [segundo Gabriela Leite é um termo inventado pelo politicamente correto, via Pastoral Católica e do PT de origem católica que querem que as putas se coloquem como vítima – ver. p.142-143] Vi o livro e me remeteu ao seguinte pensamento, sem as prostitutas estas meninas do brasil não se vestiriam assim. Eles se vestem de maneira mais ousadas que as roupas da grife DASPU.  As criaturas superaram as criadoras de moda, as afrontadoras dos costumes, as prostitutas. Sem as prostitutas não haveria nem mesmo o nu da pintura ocidental. Elas são as modelos.


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Em 1973, quando saiu esta música de Chico Buarque de Hollanda, a cabeça política dos jovens era feita pela música popular brasileira. Inclusive a minha. Mas quando comecei a militar no movimento clandestino, escondia dos militantes da célula minha paixão por Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.
Gostei demais do disco Calabar, Chico Buarque. Gosto das duas versões de Ana de Amsterdam. Mas hoje sei que é uma música triste, de uma puta infeliz e arrependida. E existe muitas, principalmente porque são abusadas e abandonadas à sua sorte, sem mesmo um discurso de defesa.Assim como acontece com a maioria dos casamentos, que fabricam tédio e horror em massa.  Mas sempre existiu as putas alegres. Aquelas que conseguiram ser aceitas, como foram muitas vedetes e hoje são muitas das chamadas modelos. Fácil. Conseguiram um discurso de aceitação. Uma espécie de camuflagem. São estratégias de sobrevivência. Bem mais felizes que a coitada da Ana de Amsterdam.

Talvez por causa desta patrulha da esquerda, termo que ficaria consagrado por Cacá Dieges no final da década de 70. Naquele momento, já com uma certa liberdade de imprensa, as produções artísticas eram criticadas como alienadas, ou desbundadas. Enquanto a direita atacava a montagem de Roda Viva de Chico Buarque e Zé Celso, a esquerda vaiava Caetano e Gil e a tropicália. A boa ironia é que depois Zé Celso vai ser o Rei do desbunde e Gilberto Gil, um dos atacados pelo desbunde, fora um dos participantes da marcha nacionalistas contra as guitarras elétricas. E deste período todo, mesmo sendo simpático à esquerda e odiando a direita, o que eu gostava mesmo era do discurso de Caetano Veloso no Tuca, atacando a estupidez da esquerda. E havia um cisão clara. Quem vaiava Caetano no Tuca era a esquerda que amava Chico Buarque. Havia mesmo uma esquerda chicobuarquiana. Bem possível que foi uma espécie de imposição de mercado de discos que obrigou esta união de Chico e Caetano num mesmo disco. Assim soava naquela época. Mas até hoje, muito vivamente, o discurso de Caetano me incomoda, como se fosse feita contra parte de mim que conviveu e convive com a esquerda, herdeira de muitos crimes contra a liberdade. Eu não consigo me colocar fora disso. Daí que este jornaldoporao vive enfocando isso. Acho que Lenin, Trotsky, Mao, Fidel são coisas nossas. São heranças de toda a esquerda.

Mas em 73, sem eu ter noção de toda esta cisão e ojerizas, achava eu que a esquerda era uma defensora das prostitutas, já que Chico, o porta-voz, compôs e cantou Ana de Amesterdam. E eu estava enganado. E é fácil ser enganado sendo militante. Há tanta coisa importante para discutir sobre o proletariado que todo as outras misérias e sofrimentos podem ficar de lado. Que importância tem se Fidel prendeu prostitutas e gays diante da grandeza da revolução cubana? Vi um cara tomar um monte de socos e empurrões quando levantou isso, á pelos idos de 1979, numa reunião pública em defesa de Cuba, contra o embargo americano. O cara que falava a pura verdade foi socado com um agente provocador. Talvez poderia ser. Mas quem devia ter levantado a questão eram representantes da esquerda na mesa. Como não fizeram são coniventes e herdeiros destes crimes contra prostitutas e homossexuais. Registrando que a maioria ali, massacrando o crítico, eram de tendências trotskistas ,assim como eu,  críticos ao que eles chamavam de burocracia cubana É bom dizer que eu também me calei. Diante do embargo americano contra Cuba o que valia meia dúzia de prostitutas e homossexuais presos, torturados ou mortos?

O livro de Gabriela Leite, “a história de uma mulher que decidiu ser prostituta”, que duas prostitutas foram sequestradas por um delegado e que as prostitutas se uniram e foram protestar na praça da Sé. E que tiveram apóio de Ruth Escobar. No livro não fala a data, mas eu que já participava de discussões políticas em 1972 e que comecei a militar oficialmente em 1974 não tinha a menor lembrança deste fato. E não me lembro de qualquer apóio de organizações de esquerda. Se isso foi depois de 1974, o grupo que eu militava, talvez ignorou tais fatos de tamanha importância..[fotos , reproduzindo os textos,  04,05,06 e 07 de XXII-220.001 L001f, na galeria de fotos].

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“Já a Federação Nacional de Deficientes Físicos pretende que o auxílio prestado por algumas prefeituras do país que reembolsam gastos com prostitutas a deficientes físicos seja também possível aos freqüentadores do Dutch Desires.
Hoje na Holanda, existem várias agências de garotas de programa no país especializadas no atendimento a pessoas com deficiência física.”
Holandeses criam bordel especial para deficientes físicos

Já a política Nazistas resolvia o problema de forma mais rápida e barata, eliminando todos os deficientes. Muita gente de esquerda não aceita isso, só não se interessa pela gozo deles. E sexo é vida: uma propaganda que não mente. E também é guerra, como demonstra a Ilíada.
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78 programas num único dia!

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A MORAL PURITANA E CALVINISTA DO TRABALHO: o trabalho dignifica o homem.

Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”).

É a moral dominante à esquerda e à direita. Propõe que a prostituta vá para a fábrica e venda sua força de trabalho, vulgo seu corpo e seu sangue, por algumas ninharias. Só faltam dizer que  “O trabalho dignifica o homem”. Quando todas as correntes socialistas, durante séculos, mostrou que o trabalho escraviza o homem.   No caso a mulher. É a mesma moral do machista que se apaixona pela puta e quer que ela vire uma dona de casa bem comportada. Gabriela Leite narra seu caso. Ela caiu neste conto e enquanto ficava em casa suportando a sogra inimiga o marido puritano pegava seu carro da moda para sair com outras prostitutas. Enfim é a moral de Paulo, o falso apóstolo [porque ele não foi apósto, foi tão apóstolo como o Apóstolo Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial]: se não for possível evitar o sexo é melhor que case do que se abrase. Gabriela Leite conta que em um dia, iniciando-se na prostituição, ganhou mais que um semana de trabalho, como secretária, numa multinacional.

E um governo socialista deveria impor às mulheres o que elas devem fazer com seu corpo? Um governo socialista consideraria o trabalho “inútil” de um poeta ou escritor? Me lembra um anedota de Fernando Sabino que nunca conseguia convencer sua mulher que ele ia à praia trabalhar, buscar material para suas crônicas. Ou apenas toleraria aqueles que fazem o serviço sujo para o governo? Pode-se chamar de jornalista uma pessoa que trabalha num jornal de propaganda do governo ou de um sindicato? Porque um trabalho destes é mais digno que a prostituição? Assim como os sambistas e capoeiras, no início do século XX, eram perseguidos pela polícia como vagabundos. Assim como as cantoras e artistas mulheres eram obrigadas a ter carteirinha de prostitutas. E não esqueçamos que também há e deve haver a prostituição masculina.

E para terminar esta arenga quase elementar. Porque o casamento por interesse, o que são a maioria dos casamentos ainda hoje, é mais digno do que a prostituição. Porque uma mulher, ou homem,  que casa por interesse deve ter todos os direitos garantido e a prostituta, ou prostitutos,  que tem seu preço claramente acertado não deva ter todos os direitos garantidos.  Ou invertendo, porque um cara que compra alguns minutos de sexo com uma prostituta é menos digno que a maioria dos trabalhadores especializados, a classe média inteira , os jogadores de futebol, os proprietários burgueses, os burocratas, os juízes, médicos, professores universitários,  todos os bem-sucedidos que fazem seus casamentos por interesse? Mesmos as uniões informais acabam gerando direitos a bens e propriedades, ou seja, num contrato comercial.   Ou está cheio de vermos estes bem sucedidos casarem com favelados, terceirizados ou empregadas domésticas? O amor romântico é um utopia muito mais distante que o socialismo. Mesmo depois de milênios de socialismo ainda haverá casamento por interesse. E haverá, aceito ou não pelas leis, gente que será obrigado a comprar sexo para tê-lo. O contrário disso é ter um estado policial para controlar desejos.

Em que moral se baseia a condenação da prostituição, ou melhor, o abandono, porque no Brasil nunca foi criminalizada a atividade. No entanto não há qualquer discurso de defesa delas, deixando-as nas mãos de acharcadores, os gigolôs, ou da própria polícia. A esquerda inteira faz de conta que não vê. Deixa tudo para quando vier o socialismo e aí um estado forte as obrigue a ir para uma fábrica.

Este pensamento, para mim, não é socialista, mas autoritarismo moralista, só tendo paralelo com a Igreja Católica queimando as bruxas. A outra herança é do socialismo stalinista, em Cuba, China e mais recentemente no Camboja e no horror que é a Coréia do Norte,  onde prostitutas e homossexuais foram presos, torturados e mortos.  E essa é a nossa herança, a herança da nossa esquerda. De todos nós que nos dizemos de esquerda. Eles ditadores sanguinários e moralistas não nasceram na direita. E não adianta alguém de esquerda dizer que no Nazismo ou Fascismo foi assim ou assado. Seria uma vergonha alguém de esquerda racionar assim.  É preciso ter um projeto de liberdade e não nós guiarmos pelos sanguinários de direita. Socialismo é uma utopia de liberdade e não um pensamento de oposição à direita.

E essa crítica. E a construção deste pensamento libertário tem que ser feita durante períodos de relativa calmaria. Se há uma luta aberta do movimento social, dificilmente se fará esta discussão, pois a necessidade do combate, que acaba juntando, pela necessidade da vitória, frações as mais diversas de pensamento, deixará de lado a questões da liberdade. É onde choca o ovo da serpente.  Neste século XX podemos fazer um balanço. São exatamente os líderes autoritários e ascéticos os mais capazes para a luta de rua, para o enfrentamento da guerra. E destas lutas saem, como Stalin ou Mao, com autoridade tal para praticar todos os horrores, sem oposição. Ou melhor, com força política e apoio para aplastar a mais tênue oposição. Mesmo no terreno da arte, da literatura, ou da opinião. E principalmente no terreno da moral conservadora.

Para pensar em liberdade tem que se desvencilhar desta tralha, ou cangalha, que é a moral do trabalho.

Como alguém disse quando da queda do muro de Berlim: o Socialismo a acabou, viva o socialismo!

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01.me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

02. puta, de Newton Peron

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01. Jornal Beijo da Rua
02. Prostituição: regulamentar não é a solução , por TICIANE NATALE, DA SECRETARIA DE MULHERES DO PSTU-SP

03. Projeto de Lei do dep. Jean Wyllys

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04. Beijo da Rua:

Beijo de Rua 2

Beijo de Rua 2

“Antecipando-se ao que vem por aí, o Beijojojo adverte: boatos e disparates sobre tráfico de mulheres para exploração sexual durante a Copa do Mundo no Brasil serão pretexto para reprimir a prostituição. Assim aconteceu na Alemanha em 2006 – quando surgiu o número de que 40 mil mulheres seriam traficadas – e na África do Sul em 2010, como mostram os textos de abertura desta edição. Nos dois países, nada se comprovou. Apenas que há grande diferença entre alegações e realidade, apontadas em “O preço de um boato”. E que sempre haverá promessas festivas, como se lê em Copa 2014″. Beijo da Rua ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
PASSIONE, Trilha do filme Febre do Rato de Cláudio Assis


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