AEL mais uma janela caiu (1)

13/10/2010

Mais uma página do pequeno diario de uma tragédia anunciada. Dezenas de janela da Pirâmide Branca, o novíssimo novo rico prédio do AEL, tem grande parte de suas janelas comprometidas. Uma parte inteira do AEL, no seu suntuoso e novíssimo e branqíssimo prédio que foi construído por empresas terceirizadas terão que ter todas suas janelas trocadas. Quem pagará por isso? E quem ganhou para fazer esta porcaria, e quanto ganhou? Quanto a Unicamp irá perder? Não esqueçamos do ar-condicionado de 600 mil reais que não funciona, desde 12 de novembro de 2009, data da inauguração, quando este ar-condicionado, ligado sem testes prévios, inundou o arquivo e quase pôs a perder mais de 40 mil fotos(acervo Voz da Unidade). Quanto a Unicamp perderá com isso? Que riscos o Arquivo Edgard Leuenroth corre sem ar-condicionado? Dizem os chefes que nenhum? Então para quê um ar-condicionado de 600 mil reais (que não funciona, repitamos)?

AS EMPRESAS TERCEIRIZADAS DEITAM E ROLAM (E RIEM)




AEL mais uma janela caiu (1)

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

OUTROS ARTIGOS SOBRE MESMO ASSUNTO:

00. Inundação na Biblioteca Nacional
atinge revistas e jornais antigos

01. MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…
02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
03. Campus de Limeira, aos pedaços.
05. Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada
06. FOTO Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada


Infiltrações no AEL, dentro e fora

17/09/2010

 


Inflitrações no AEL, dentro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Sobre as construções feitas por empresas terceirizadas já criei uma seção, aqui neste blog, chamada de “Peqlueno Diário de Uma Tragédia Anunciada”.
Vou continuar repetindo que, até hoje, quase um ano depois da inauguração do prédio novo do Arquivo Edgard Leuenroth, a Pirâmide Branca, o Ar-condicionado continua não funcionando, artefato que custou quase 600 mil reais; ou que as janelas continuam quebrando quando abrem e há ordem expressa para que não sejam abertas (deve ser uma campanha a favor do contágio por tuberculose ou gripe).
Este prédio que levou perto de 7 anos para ser construído, com falências e desistências, como acontece com outros prédios, citemos aqui a biblioteca do IFCH e o prédio da Geociência. Pois não é o Pirâmide Branca, que acabou de ser inaugurada, está apresentando infiltração internamente e pinturas descascando nas paredes externas, em vários locais.
Pena que este jornaldoporao não pode fiscalizar e acompanhar todas as mazelas da terceirização na Unicamp. Espero que outras pessoas, leitores deste, possam contribuir, fotografando e escrevendo sobre este fragelo contra o patrimônio e dinheiro do público, chamado empresas de terceirizadas. E que, para fazer este estrago todo, usa mão de obra escrava.

Veja isso no album no Flickr.com
clilque sobre a foto que abrirá album flickr. Pode ir em minhas coisas, clicar album e ver vários albuns.

Leia na Revista Eletrônica ISKRA, várias matérias sobre terceirização. Leia principalmente artigo de Gilson Dantas narrando greve de trabalhadores terceirizados em Brasília

ARTIGOS SOBRE MESMO ASSUNTO:

00. INUNDAÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL ATINGE REVISTAS E JORNAIS ANTIGOS

01.MAUSOLÉU
DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA…

02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
03. Campus de Limeira, aos pedaços.
04. AEL mais uma janela caiu (1)
05. Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada
06. FOTO Pequeno Diário de Uma Tragédia Anunciada


INAUGURAÇÃO DO AEL texto na revista casuistica.tk

21/12/2009

Sobre a Operação fogo no Edgard

[clique aqui para ver na Casuística 14, o texto e o vídeo, na ordem 92 e 93]

Uma crítica a uma inauguração de um local ainda não plenamente concluído. Uma crítica a mais um evento de muita pompa e pouca (ou nenhuma) utilidade. Uma crítica ao arquivo de um libertário ser mandado por professores amantes da hierarquia e da ordem. Uma crítica a todo mundo fazer seu papel conforme o esperado: professores, funcionários, alunos, integrantes do movimento estudantil.

Os primeiros estavam lá por um mero ritual anacrônico. Alguns, mais ambiciosos, para afagarem o ego de um figurão da República. Os segundos, para bajularem os primeiros. Os alunos, pela boquinha livre. E o movimento estudantil, para fazer o que dele se esperava – devia estar até no programa do mestre de cerimonias “hora tal entra o ME com alguma palavra de ordem”.

Para quebrar esse marasmo, esse evento morto, para dar a ele um pouco de vida, de sopro libertário mínimo, I Maledetti resolveram intervir. Fomos vestidos como manda o figurino para tais momentos solenes (e não tiramos a roupa, como muitos esperavam ao nos ver).

Acompanhamos as homenagens, os discursos, as palavras de ordem, respeitando o espaço de cada um. O único momento que nos intrometemos e não deixamos acontecer foi quando o mestre de cerimônias ia encerrar o evento. O saxofone, a poesia, a arte performática ofuscaram e impediram a concretização desse ato performativo. Assim, inauguração da nova sede do AEL não foi encerrada, aquele espaço ainda está em sendo inaugurado, ainda permite novas intervenções.

Se se resumirão a coffe-breaks, discursos vazios e palavras gastas de teorias mortas, não seremos nós quem determinaremos. Apenas deixamos em aberto a possibilidade do AEL ser mais que um arquivo morto em um local cada dia mais estéril.
93


INAUGURAÇÃO DO AEL (texto dos estudantes)

21/12/2009

Oi, Mário. Como vai? Seguem as palavras que pretendiam inaugurar o AEL, o
que acha?

Abraços,

[clique aqui para ver na Casuística 14 o vídeo, item 93]

“Salve, salve todos;
salve, salve encadernadores, coordenadores,
curadores, encruadores, salve concursores,
saravá,

às extasiantes arqui-personalidades aqui presentes, aos emissários da Stasi,
os meus solenes cumprimentos
e a base
arquitetônica

Gratos por resgatar o nosso arquivo das cavernas penumbrosas do infeliz
instituto aonde estava encerrado,

E que bom que os senhores compareceram para prestigiar
o lançamento do fogete.

Cumprimento-vos, portanto,
e saúdo a sapientíssima e serpentíssima idéia
de levar o arquivo embora do Ifch e de seus recônditos úmidos
e estalagmites e estalactites
e de toda a sua tectônica e escolástica
estética

para, por fim, como é merecedor
de um movimento de vanguarda,
salvaguardá-lo dos olores que por lá se esmorecem.

Dentro da modéstia, inspiro-me na sapiência dos senhores
para fazer um par de últimos pedidos

com a esperança de tornar perfeitos esses feitos dos senhores que provém da
boníssima e melhor intenção
ao dar à luz o presente arquivo precedente.

Agora as naçoes começaram a repartir os terrenos no espaço
e dentro em breve poderemos construir, na Lua, a nossa casa mais segura,

Rememoremos sempre, porém, os homens bravos
que lutaram por esse sonho, e que tiveram
até as tripas corroídas na poeira do cosmo, aventurando-se
eles mesmos através do vácuo,

antes que os novos tempos inventassem as naves não-tripuladas e os controles
remotos

É por sua memória valorosa que pedimos aos senhores reverendíssimos, em
derradeiro gesto de magnanimidade, considerarem

que esse magma tectônico e a poeira subterrânea que se sedimentou aqui em
nossos arquivos devem ser tao perigosos aos pilotos do AEL como a poeira
cósmica era perigosa aos antigos pilotos do espaço sideral.

Deve ser, portanto, em consideração à classe e à memória desses heróicos
trabalhadores que por beatitude os reverendíssimos conseguiram reduzir a
quase zero a tripulação do arquivo,

que se tornará finalmente um arquivo 100% seguro tão logo se transforme de
todo em uma nave não-tripulada.

Regamo-lhes, pois, a benevolência de pôr fim de uma vez por todas ao
funcionarismo no arquivo,

para dar preferência ao bem-estar e à paz dos pilotos automáticos e o vácuo
em lugar do temperamento e dos princípios sediciosos
da areia movediça de nosso campus campineiro.

O experimento
tem se mostrado muito eficaz no Ifch, que,
embora por inconstância de vapores esporadicamente paralise-se,
em razao dos nossos afâs de esvaziá-lo, termina por nao feder e nem cheirar.

Onde nao há estômago nao há ronco.

Celebremos, enfim, o lançamento do foguete, agora que mandaremos toda a
Universidade para o espaço

e, para breve, vao passar no Zeferino o gume da navalha e repartir-lhe em
gomos, como uma pocâ, pra distribuir à irmandade das Stasis estelares e
entre os membros da Associaçao de Moradores da Cidade Universitária e seus
conselheiros maiores e suseranos maiorais que dentro em breve inaugurarao
também a sua sede no espaço.

Conclamo
a todos, pois, que dêem luz aos seus vapores e mais íntimos gazes e cores
purpurínicas,

Que só assim, no carnaval do “tudo igual”, os compatriótas, ao fingir nao
ter dignidade, disfarçamos a dignidade que já nao temos!

Apenas tenhamos atençao para esses gazes, porque se um fósforo for aceso, o
AEL vai pegar fogo em um instânte,

E o incêndio se alastrará através primeiro da imensa galeria de salas de
chefia, após os microfilmes, microfones, saxofones, vibra-fones, raios
laser, microships, shoppings, robocopes, pôquer, robes, hebes e mercedes
conversíveis, clepsidras anti-aérias, mísseis e missigenaçoes venérias,
etc…”

[Texto nao-terminado]


Vocabulário de origem africana

28/08/2013

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angu

Angu de fubá

Angu de fubá

angu
an.gu
sm (ioruba angu1 Papa espessa de fubá cozido. 2 Papa espessa de farinha de mandioca, feita com caldo de carne. 3 Banana cozida, formando massa compacta.4 Papa de farinha de milho, espessa, com ou sem açúcar. 5 Salsada, mistura, moxinifada: O baile acabou num angu. 6 Coisa embaraçada, confusa: O congresso dos artistas está um verdadeiro angu. 7 Escrito ininteligível, sem ordem e confuso: Este comentário não passa de um angu. 8 Intriga, mexida. 9Barulho, briga. 10 Ornit O mesmo que japacanim. A. de caroçopop: a) complicação, confusão; b) barulho, briga, conflito, motim. Pl: angus de caroço. Barriga de angu: gordura balofa. Debaixo do angu tem (carne: a coisa não é tão limpa como parece; há marosca oculta. Pegar o angu: ir fazer a refeição.http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=angu
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banguê

banguê, liteiraEngenho de açúcar, gravura de Rugendas

REGO, José Lins do - Bangué  (capa) (1ª ed,)

REGO, José Lins do – Bangué (capa) (1ª ed,)

Engenho de açúcar, gravura de Rugendas

Engenho de açúcar, gravura de Rugendas

ban.guê
(gwe) sm (quimbundo mbangé) 1 Espécie de liteira rasa com teto e cortinas de couro, carregada por dois animais, um adiante, outro atrás, dentro dos varais. 2 Vara comprida de que se suspende a carga e que dois homens, um em cada extremidade, levam apoiada sobre os ombros. 3 Padiola grosseira, para condução de materiais de construção. 4 Padiola de conduzir cadáveres de escravos; esquife. 5 Ladrilho pelo qual, nos engenhos de açúcar, escorrem as espumas, que transbordam às vezes das tachas por ocasião da fervura. 6 Cocho, para curtir peles ou fazer decoada. 7 Engenho de açúcar, de sistema antigo, movido a tração animal.http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/definicao/bangue%20_914041.html
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cacumbu

cacumbu, enxada

cacumbu, enxada

(ca.cum.bu) Bras.

sm.

1. Utensílio cortante (machado, foice etc.) desgastado pelo uso.

2. P.ext. O que resta ou sobra de uma ferramenta desgastada (cacumbu de machado).

3. Fig. Pessoa velha, magra e alquebrada.

[F.: Do quimb. Kakumbu.] – Caldas Aulete, online

Read more: http://aulete.uol.com.br/cacumbu#ixzz2cdO12zUo
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link

01.


Chuvas (sempre) Inundam Arquivo Nacional.

12/03/2013

O Bom Dia Brasil, da Rede Globo entrevistou o presidente da Associação dos Servidores do Arquivo Nacional e ele afirmou que o problema é antigo.
Estarrecedor ver documentos de mais de 200 anos cobertos com plástico preto. Plásticos pretos também cobrem armários deslizantes novinhos.
Consternador ver um murundum de documentos molhados e amontoados, como se pode ver na foto publicada na página do jornal o Globo.

Documentos molhados do Arquivo Nacional, fonte google

Documentos molhados do Arquivo Nacional, fonte google

.
Onde estão os historiadores e os profissionais das chamadas ciências humanas? Como chamar o sujeito que mandou queimar documentos da justiça do trabalho. O tal sujeito é da Academia Brasileira de Letras, ostentou o título de presidente da República e foi presidente do Senado não sei por quantas vezes. Sarney (Sir Ney) é o mesmo José Ribamar. E foi muito tímida a reação diante de tal crime contra a história do país.
Amedrontadora é a notícia de que documentos do período da ditadura militar vão ser transferido para o Arquivo Nacional, que há muito tempo inunda. No noticiário da Globo, citado acima e reproduzido no facebook da Associação dos Servidores do Arquivo Nacional, relata que documentos da Comissão da Verdade foram afetados pelas águas de março.
No mesmo noticiário diz que o governo vai estudar reformas no prédio e que deve demorar essa avaliação. Artigo de Elio Gaspari, “Privataria arruina a Biblioteca Nacional”, relata gastos astronômicos com a Biblioteca Nacional e que nada adiantaram. Na Biblioteca Nacional é o ar-condicionado que inundou-a, assim como aconteceu com o Arquivo Edgard Leuenroth. Ar-condicionados caríssimos que não funcionam e poem em risco os arquivos–Será que paióis militares ou instalações nucleares também são inundadas por ar-condicionado? Ou foram contratadas empresas incapazes? — O Artigo de Elio Gaspari mostra que o problema da Biblioteca Nacional não é falta de dinheiro. Bilhões foram gastos para fins os mais esdrúxulos que nada tinham a ver com a função da Biblioteca Nacional. São burocratas gastando dinheiro do povo, não como se fosse seu, pois não são tolos, gastam mesmo é o tal dinheiro público (que soa como se não fosse de ninguém), que é mesmo dinheiro DO público (o dinheiro dos nossos impostos).
Não é possível que essas instituições públicas gozem de tal autonomia. É preciso controle externo. Essas instituições tem que ser geridas por organizações cientificas e populares. É preciso um conselho diretor destes arquivos públicos, com poder de voto e que escolha a própria direção dos arquivos, formada por representantes de associações de historiadores e demais ciências humanas, inclusive com representantes de sindicatos e associações de trabalhadores. Deixar arquivos importantes nas mãos de burocratas é correr totais riscos. E quando se trata de acervos de cunho claramente políticos, como documentos da época da ditadura, é mesmo uma irresponsabilidade. É conhecida a heroica história de como foram salvos os documentos do Arquivo de História Social de Amsterdam: grupos políticos, anarquistas em particular, espalharam os documentos pela Europa e, depois do pós-guerra, foram reunidos. Documentos militantes só estarão mesmo garantidos se houver envolvimento de militantes, de não profissionais burocráticos. Burocratas também são pesquisadores que usam os arquivos apenas para arranjar um título e um emprego. É o perigoso arrivismo. Claro que há exceções, mas somente exceções.(veja a história do IIHS de Amesterdam).

 Annie Adama van Scheltema-Kleefstra

Annie Adama van Scheltema-Kleefstra

Nehemia de Lieme

Nehemia de Lieme

N.W. Posthumus

N.W. Posthumus

Estes prédios do Biblioteca Nacional e do Arquivo Nacional não prestam para a finalidade de arquivos. São velhos e perigosos. Se não são as inundações é o perigo de incêndio. Assim como arquivos da Unicamp, como Centro de Memória em prédio completamente inadequado, pondo em risco a memória de Campinas, especialidade desse arquivo. Mesmo o AEL, Arquivo Edgard Leuenroth, com prédio novo, inaugurado em 2009, mostrou-se inadequado. Vive sendo destelhado em qualquer chuva. Suas janelas vivem caindo, pois são de péssima qualidade. E o Ar-condicionado que custou 600 mil reais, naqueles idos, jamais funcionou e, na inauguração do AEl, inundou parte do acervo, como aconteceu com o ar-condicionado da Biblioteca Nacional. Atestando, no mínimo, tremenda incompetência e provando que os burocratas são incapazes de guardar a memória nacional.
Precisam-se, antes de mais nada, de prédios adequados. Que tenham engenharia para isso. Que tenham toda uma engenharia para evitar sinistros (como porta corta-fogo, escadas externas, elevadores externos, brigadas de incêndio 24 horas por dia e outros recursos). A proliferação de arquivos em predinhos inadequados é um grande risco. Não é economicamente viável ter uma brigada de incêndio para cada predinho isolado. É preciso de grandes prédios, com engenharia de alta segurança, com corpo de funcionários (concursados), com treinamento constante, com ordens de serviço preventivas executadas e relatadas todos os dias, em todas as horas do dia e da noite.
Tanto o dinheiro enfiado na Biblioteca Nacional, como a compra da fazenda pela Unicamp, atestam que dinheiro está é sobrando. Precisa-se é envolvimento da sociedade. Vê-se, principalmente no caso da Biblioteca Nacional, uma autonomia para jogar dinheiro fora, como mostrou Elio Gaspari. E a Unicamp, até prova em contrário, é hoje um dos latifundiários improdutivos do país – pelo menos até sabermos o que vão fazer com a tal fazenda. Professor da Unicamp fala até em possibilidade de ocupação (ou invasão) de tal área improdutiva..
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links

01.Biblioteca do Iel na Unicamp é atingida por incêndio
02. Incêndio atinge prédio da biblioteca do Instituto de Letras da Unicamp
03. nota da Unicamp (sobre o incêndio)
04. Fotos dos Estragos na Biblioteca IEL Unicamp
05. Incêndio na biblioteca pública Luis Bessa, Belo Horizonte
06.Fogo destruiu interior de casa que foi moradia de poeta Castro Alves.
07 Presença de dois vigias minimizam o incêndio na Biblioteca Luis Bessa, projetada por Oscar Niemayer
08.Chuva inunda sala de obras raras de biblioteca da UFRJ Alba Valéria Mendonça, O Globo, 3 de dezembro, 2003 (com obras raras)
09.Chuvas inundam arquivos do Instituto Micael, Peruíbe
10.A privataria arruina a Biblioteca Nacional, Elio Gaspari
11. Chuvas alagam salas e molham documentos do Arquivo Nacional, O Globo, terça-feira, 12/03/2013

12.Segunda, 4 de Março de 2013 às 09h 03 Casa Civil enviará ao Arquivo Nacional documentos da ditadura
13. Associação dos Funcionários do Arquivo Nacional (facebook)

14.14/03/2013 13h36 – Atualizado em 14/03/2013 15h02 Após incêndio na biblioteca, protesto de alunos cobra ação da Unicamp
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pingback

quase-incendio-no-ael-2. Foto Mário Martins de Lima

quase-incendio-no-ael-2. Foto Mário Martins de Lima

01.ARQUIVOS PÚBLICOS EM PERIGO. Incêndio na biblioteca do IEL
02. Infiltrações no AEL, dentro e fora
03. Campus de Limeira, aos pedaços
04 .AEL MAIS UMA JANELA CAIU (1)
05. Pequeno Diário de uma Tragédia Anunciada

Quase Incêndio no AEL, foto Mário Martins de Lima

Quase Incêndio no AEL, foto Mário Martins de Lima

06. MAUSOLÉU DE OURO, PIRÂMIDE BRANCA, emBORA… O QUE ACONTECE COM AS OBRAS ABANDONADAS NA UNICAMP?
07. INAUGURAÇÃO DO AEL texto na revista casuistica.tk Sobre a Operação fogo no Edgard
08. INAUGURAÇÃO DO AEL (texto dos estudantes) 21/12/2009
09. 30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.
10. Enquanto uma empresa terceirizada inunda, outra fale na biblioteca do IFCH. COISAS TOTALMENTE SEM IMPORTÂNCIA.
11. JORNAL DO PORAO N. 5. 1 de outubro de 2009. QUASE INCÊNDIO NO ARQUIVO EDGAR LEUENROTH
12.Fogo no acervo de Hélio Oiticica. 16 DE OUTUBRO DE 2009. DIA DE DESTRUIÇÃO DE UM PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO

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Em defesa do Jornal do Porão, de seu criador e de todos nós.

04/03/2013

IDÉIAS SE COMBATEM COM IDÉIAS

Publicado em 14 de novembro de 2009.

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ARQUIVOS PÚBLICOS EM PERIGO.

Incêndio na biblioteca do IEL. Qual será o próximo? 

Republico porque por escrever e-mails defendendo o Arquivo Edgard Leuenroth me custou várias e várias admoestações, pressões, chamadas nos cantos, nas salas, para ouvir ameaças veladas, algumas explícitas, outras aos brados. Depois por falar do descalabro que era a situação da biblioteca do IFCH que inundou, torrencialmente, como foi torrencial a inundação no AEL (não foram infiltrações, nem goteiras, nem os destelhamentos atualmente constantes no AEL, mas inundação torrencial, colocando em risco memoráveis acervos. Contra o silêncio conivente dos responsáveis e sua pressão constante sobre quem ousou perguntar , onde estão e quem são os responsáveis e que medidas tomaram para que não mais aconeça. Mas aconteceu novamente no IEL.

É preciso mudar, radicalmente, a maneira de tratar os acervos e documentos da história.  Não são medidas paliativas, mas mudanças.  É preciso mudanças urgentes e centralizadas. É preciso ter um órgão central para cuidar desse patrimônio histórico, tonto do AEL, CEDAE, Centro de Memória e bibliotecas. É só fazer uma visita a cada um desses prédios para ver diferenças enormes de equipamentos, de condições para a preservação (armários, ar-condicionado, prédios, recursos técnicos) para logo se notar que a própria disparidade de tratamento expõe o problema.  Essa multidão de locais serve a uma coisa óbvia: criar diretorias, poderzinhos, chefias aos montes. É indefensável.  E os prédios não tem condições. O melhor deles, ou a pirâmide branca, concentra problemas gravíssimos: Ar-condicionado de 600 mil reais que nunca funcionou e inundou torrencialmente o arquivo, janelas que vivem caindo, telhado que destelha a qualquer tempestade de verão. Estamos falando do melhor. Não fui à Unicamp, mas garanto que se houve incêndio no biblioteca do IEL a primeira coisa que suportará é estes predinhos fuleiros, os “pinotinhos”.

É preciso de um arquivo único. Num mesmo prédio. Com diretoria única e enxuta (nada dessa proliferação de inúteis chefias). Com um tratamento que merece a memória das lutas e da culttura desse país. Nada da suntuosidade novo-rico de um tal BORA. Que um prédio para todos os arquivos tenha um andar, por exemplo, para obras raras.

É preciso de um único prédio para todos os arquivos, e até mesmos para as bibliotecas, planejado para alta-segurança (como se faz com os inúteis prédios militares no mundo todo – suponho). Ar-condicionado dimensionado por firmas de renome. E um corpo de bombeiro (com funcionários públicos concursados), com permanente treinamento, com funções de prevenção cotidianamente supervisionadas e relatadas, com um contingente que trabalhe durante 24 horas. Acho que já corremos riscos demais.

E dinheiro. Recente reportagem dava conta de que havia “restos de caixa” enormes da Fapesp e das Universidades. A Unicamp, recentemente, comprou uma fazenda. Provavelmente para sua megalomania tecnológica. Mais provavelmente para trabalhar para o agronegócio e indústrias. Com essa rendição completa ao capitalismo quem acredita que a Unicamp se preocupará com arquivos e memórias? E as chamadas ciências humanas, seus dirigentes e professores, com seu complexo de vira-latas não chiarão. Espremidos chiam baixinho, se chiarem.

O ditado popular “Bom cabrito não berra” é um difamação dos rústicos e briguentos cabritos. Talvez o lado ultra-conservador da mentalidade popular quer transformar o cabrito, tão rústico, montanhês, devoratudo, altivo, marrento, escandaloso,  num desprezível carneiro. A mesma mente que quer transformar  a luta em  colaboração cidadã.

Foram exatamente os próceres da ciências humanas, tão  admirada esquerda universitária, a tentar me calar. Mário Medeiros, aluno dessa esquerda universitária, ainda, e espero, não corrompido e não será corrompido, espero, e como dói a esperança, pelos cargos e comissões, pode e pôde, ainda, se solidarizar com o debate que , mesmo sob pressão e ameaças, continuei propondo. E continuo. Vida longo a esse meu amigo Mário Medeiros.

Escrito por Mário Martins de Lima, editor desse, em 04/03/2013

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Doutorado, Mário Medeiros

Doutorado, Mário Medeiros

Mário, leitores e colaboradores do Jornal do Porão,

Como prometi, escrevo.

Só pude fazer isso agora, com pouco mais de tempo e depois de ler as mensagens enviadas pelos outros, além das do antigo Editor/ Redator-Chefe do Jornal.

Este texto não é só um desagravo em favor de Mário Martins de Lima, meu xará, meu amigo de todos esses anos na Unicamp. É também uma tentativa de defender o livre pensar, a expressão do posicionamento perante os fatos. Coisas que nosso editor chefe sempre defendeu.

Idéias se combatem com com idéias. Contra um texto, outro texto. Contra um manifesto, outro manifesto.

O ato de acochambrar pelo poder, alcoviltar, escorchar e tomar atitudes numa relação de desigualdade (chefe-subordinado) é o elogio da estupidez. O chefe que precisa usar da força – censurar, chamar em sala, beco, alcova, colocar no canto, ameaçar, impor-se pelo cargo – demonstra que a sua suposta autoridade não possui nenhuma legitimidade, para além do cargo institucional e do medo que inspira. Respeito, então, nem se fale. É um estúpido. Uma besta com polegares. É indigno de ser chamado de intelectual, de pensador. É o ato de um delinqüente acadêmico, de homem-dispositivo, na melhor acepção que deram a esses termos Maurício Tragtenberg e Franciso Foot Hardman.

Mário Martins edita seu Jornal do Porão corajosamente. Expondo aquilo que observa, que deduz, que pensa, que conclui dos fatos quotidianos, referente à Universidade, ao seu local de trabalho, à cidade que adotou, ao país em que nasceu e aos fatos que viveu nos últimos quarenta anos de história. Ganha muito com isso. O debate com alguns interlocutores sérios e abertos lhe faz bem. Mas também ganha a violência quotidiana da censura, da ameaça, da intimidação. Ossos do ofício. Alegria e dor da atividade.

Suas opiniões, até mesmo por alguns dos leitores do seu Jornal, foram consideradas fortes, incômodas, desagradáveis ou deselegantes.

Curiosamente, a não ser pelos chefetes ilegítimos e os cidadãos delinqüentes, jamais o adjetivo mentiroso (ou seus sinônimos) foi associado às opiniões que expõe.

Ele não gosta de memórias. Presenciei, há algumas semanas, na companhia de nosso atual editor – Newtinho Peron – um momento raro: Mário Martins dando uma entrevista para dois estudantes. O tema era “Ignorância”. Pediam os dois estudantes que meu xará discutisse sobre isso. Algo que parece tão geral não o melindrou. E ele ali, numa sala do AEL que tanto defende, expôs o que pensava sobre o assunto. Tomando a idéia de ignorância como fio condutor, Mário repassou a sua origem, de como passou de trabalhador rural, cortador de cana no interior de Minas Gerais, a um dos principais líderes da greve de Campinas em 1978. De sua vinda a São Paulo com a mão na frente e outra atrás, em meados dos anos 1960 a aluno de Ciências Sociais na PUC-SP, tendo como mestre Maurício Tragtenberg. De operário que lia livros de Marx sentado nas latrinas fétidas das fábricas ao militante da Libelu e do PT. Do apreço por Freud, dos filósofos alemães, de Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Dostoiévski e toda boa Literatura que lhe caia nas mãos. De música clássica, de história do cinema, de Poesia Concreta, da paixão pela Tradução e o estudo das línguas, dos debates sobre os problemas nacionais. Do futebol, do sexo, das relações humanas, vista pela Psicanálise e pela Sociologia. E, principalmente, do silêncio dos intelectuais – o que sempre mais o incomoda e o que mais combate.

Mário Martins não gosta de memórias. Eu tomei como ofício entender as memórias alheias. Eu sempre quis que ele escrevesse as suas – coisa que ele revelou numa das edições deste Jornal. E começou a fazê-lo. Mas parou. Entretanto, quem o conhece e tem a possibilidade de trocar dedos de prosa com ele – o que não é difícil – sabe que as suas memórias perpassam os debates que ele propõe. Mas não é a memória morta, dos fatos assentados e bem organizados que o encanta. É a a vida, o eu como potência, a pulsão da vida que o faz detonar os fatos que viveu, atrelá-los com o presente e, de alguma maneira, provocar seu interlocutor. Sempre um provocador, o Mário Martins.

Com Mário Martins o debate é sempre franco, aberto, sem meandros, direto. Olho no Olho. Idéia com idéia, contra idéia outra idéia. Em voz alta, sem sussurros, sem modulação menor. Alguns dos seus interlocutores – como foi dito por leitores desse jornal – não concordam com o tom, melindram. Eu já discuti muitas vezes com meu xará. Já disse e ouvi coisas ásperas. E isso nunca me fez perder o respeito ou perder o seu respeito. Idéia com idéias, idéias contra idéias.
Gosto de memórias, ao contrário de Mário Martins. Mas, como ele, não gosto de contar as minhas. Farei aqui uma breve licença a nós dois.

Greve de 2011

Greve de 2011

Conheci meu xará na primeira greve que participei na minha vida. Era o meu primeiro ano de Unicamp, meus primeiros meses, em 2000. Houve uma manifestação, na Praça da Reitoria, em apoio a greve dos funcionários públicos. Eu fui até com alguns amigos, todos ingressantes em Ciências Sociais. Falas, debates, carro de som, alto-falantes etc. O comum nas manifestações. Ainda existia o antigo bandejão na praça, que estava lotada. As pessoas passavam, olhavam, paravam. Alguns estudantes de vários cursos estavam por ali e, como se aproximava o horário do bandejão abrir, ficavam. Debaixo de uma árvore, perto do carro de som, de camiseta e calça azul, um homem com bigode, altura mediana interpela um membro do sindicato que falava no carro de som. Ele não precisava de microfone. E o que mais me chamou atenção é que a maioria das pessoas ali o conheciam – funcionários e estudantes, alguns professores. O homem com bigode e todo vestido de azul falava alto, grosso, gesticulava muito. Em resposta, recebia o apoio de várias pessoas que estavam na Praça. Questionava de dedo em riste quem falava no carro de som. Pediram que falasse ao microfone. As idéias eram claras, diretas, distintas. Podia-se discordar delas. Causavam estranhamento em alguns. Mesmo com microfone, o homem de azul não baixou o tom de voz. Gritava. Estava indignado com o sindicato, com os funcionários, com os professores, com a reitoria, com os estudantes, com todos. Refletia, conclamava à reflexão, expunha fatos, denunciava, propunha. Recebia aplausos, jamais uma vaia. Sinais de apoio, como também sinais de desaprovação. Mas ninguém jamais correu ao microfone para lhe dizer “É mentira!” Ou o chamou de mentiroso na praça. Mesmo os interlocutores acusados de desleixo com as lutas dos trabalhadores o respeitaram. Jamais um mentiroso. Contras idéias que lhe foram lançadas, retornou com outras.

Não sei porque eu associei o homem de bigode e todo vestido de azul com o nome de Pedro. Alguns meses depois eu comecei a fazer uma pesquisa, cuja fonte material descobri que se encontrava no AEL. Fui até lá e eis que o homem de azul – acho que agora sem bigode – era o atendente do arquivo. Não tive dúvidas. “Bom dia, seu Pedro”. Cometi dois equívocos no mesmo cumprimento. Chamá-lo de senhor e trocar o nome. O primeiro ele corrigiu na hora. O segundo demorou muitas semanas para corrigir – o que serviu para muita piada ao meu respeito. Na minha primeira pesquisa, de iniciação científica, comecei e consolidei minha amizade com o meu xará. No balcão de atendimento do AEL, muitas vezes, conversamos horas em pé. Fomos tomar café na sala dos fundos ou fora do arquivo. Discutimos ásperamente. Trocamos confidências, livros, cds. Descobrimos gostos comuns e divergentes. Enfim, nos tornamos amigos. Conhecemos outros amigos, que formaram um negócio aberto chamado O Café das Cinco. Por quê o nome? Porque às 17h, cinco da tarde, acaba o expediente no AEL. E durante muitos meses, vários de nós, amigos do Mário Martins, chegamos perto do horário do aquivo fechar para tomar um café com ele. Muitas vezes, alguns dos seus chefes o censuraram por aquela concentração no balcão e na porta do arquivo. No Café das Cinco, sediado no cantina da Matemática, ficamos muitas vezes até o Marcão – dono da cantina – fechar. Fazendo o quê? Trocando idéias, debatendo idéias, compartilhando idéias, combatendo idéias, refutando idéias. Em alto e bom som. Podia parecer às vezes que estávamos até brigando. E quem sabe estivéssemos? Mas ali todos se respeitavam por suas idéias, pela defesa dos seus argumentos. Ali não era lugar de mentiras, de ficar em silêncio, de sussurrar, ameaçar, melindrar. Olho no olho, cara a cara. Idéia com idéia. Contra idéia, outra idéia. Futebol, literatura, sociologia, política, sexo, homossexualismo, família, paternidade, maternidade, cinema, música, dança, pesquisas, greves, memórias, textos (nossos)… tudo discutimos ali. Trocamos livros, impressões, discos. Várias monografias, dissertações, teses e livros agradecem o Café das Cinco e seus membros. E, especialmente, Mário Martins de Lima. O Bigode. O Homem de Azul. O Bartleby Falante (ver Hermam Mellville). O Velho Safado (ver Charles Bukowiski). O Porteiro do AEL. O xará. O Mário.

Francamente. Diretamente. Prá valer, como tem que ser.

Acho que está bom essas duas memórias.

Escrevi no começo que este texto é um desagravo em favor do Mário Martins de Lima, meu xará e meu amigo.

É também uma defesa do Jornal do Porão, este espaço democrático que o Mário criou para poder expor suas e nossas idéias.

Mas é também uma defesa daquilo que tem pautado as relações e ações do Mário, das quais muitas pude estar presente e observar.

IDÉIAS COM IDÉIAS, CONTRA IDÉIAS, OUTRAS IDÉIAS. CONTRA UM TEXTO, OUTRO TEXTO. FRANCAMENTE. DIRETAMENTE. DEMOCRATICAMENTE.

Mário Augusto Medeiros da Silva

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links

01.Biblioteca do Iel na Unicamp é atingida por incêndio

02. Incêndio atinge prédio da biblioteca do Instituto de Letras da Unicamp

03. nota da Unicamp (sobre o incêndio)
04. Fotos dos Estragos na Biblioteca IEL Unicamp
05. Incêndio na biblioteca pública Luis Bessa, Belo Horizonte
06.Fogo destruiu interior de casa que foi moradia de poeta Castro Alves.
07 Presença de dois vigias minimizam o incêndio na Biblioteca Luis Bessa, projetada por Oscar Niemayer
08.Chuva inunda sala de obras raras de biblioteca da UFRJ Alba Valéria Mendonça, O Globo, 3 de dezembro, 2003 (com obras raras)
09.Chuvas inundam arquivos do Instituto Micael, Peruíbe
10.A privataria arruina a Biblioteca Nacional, Elio Gaspari


30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.

27/01/2013

“…Telas valiosas são mais frequentemente expostas, enquanto as exposições de gravuras acontecem com certa raridade, embora grandiosos e ríquissimos sejam os acervos, como a coleção de 30 mil obras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriga. Introdução ao “Mestres da Gravura”, coleção Fundação Biblioteca Nacional.

 

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Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001

Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001. http://eaisimpatia.wordpress.com/

Toda arte vive de citações. Todo livro cita o primeiro livro, parafraseando Borges. 

Le carcere d'invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de "Mestres da Gravura"

Le carcere d’invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de “Mestres da Gravura”

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Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

MESTRES DA GRAVURA: Coleção Fundação Biblioteca Nacional

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário  VII-073.302 T001m

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 T001m. Compare com http://eaisimpatia.wordpress.com/

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

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A exposição abarca 81 artistas e 170 obras. Das 30 mil gravuras da coleção.

Quantos artistas serão? Serão apenas 81 mestres ou 81 já são mestres demais? São perguntas que o catálogo não se propõe abordar nem responder. E para abordá-las precisaria uma bibliografia. E mais que uma bibliografia, um ver as obras, mais de uma vez. Precisaria comparação, muito mais que estudo da história da gravura. Os museus e arquivos não prestam e não se prestam para isso.
A gravura nasceu para ser reproduzida. Era a técnica de imprensa da época. Há mais de 500 anos temos a imprensa, os livros impressos e agora a formidável ferramenta da Internet. A gravura não tem espírito de museu. Deve ser popular.

Bansky

Bansky

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Em que prateleira estão os mestres, salvos das intempéries?

Houve um tempo que os mestres andavam pelas ruas e praias, à moda de Aristóteles.

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico  , cuja  obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico , cuja obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

“Não gostaria de encerrar este comentário sobre a arte de Gilvan Samico sem assinalar um traço especial que distingue a sua gravura da dos demais gravadores brasileiros. É que nela a lição dos mestres modernistas se funde à linguagem popular da gravura de cordel -herança portuguesa que sobreviveu na cultura popular nordestina-, incutindo-lhe a significação e a beleza da grande arte”.Ferreira Goulart
Novamente a questão. A gravura estocada aos montões em museus e arquivos precisam, urgentemente, de edições em livros e digitalização. Sem isso resta-nos, bem possivelmente, os grafites, a arte de rua, para buscar a fusão entre o erudito e o popular. A gravura erudita,histórica, também tinha a vocação de ser popular, atingir públicos mais vastos que obras de galerias e museus. Parafraseando Benjamin, já nasceu sem áurea. Não nasceu para a escuridão dos museus.

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A Xilogravura nasceu no século XV, ou final do século XIV, para reproduzir santos e carta de baralho. Nasceu para ir para a rua, igrejas e bordéis.

Dürer, as 4 feiticeiras

Dürer, as 4 feiticeiras

ALBERCHT DÜRER tem reproduzidas no catálogo 10 obras. 9 totalmente pias. Uma, as 4 feiticeiras, nus, talvez exercesse o feitiço bem pornográficos à épocaa do, para um elite. Hoje o muro pode ser de grande valia para milhões. Diz o texto que era um humanista e ligado ao renascentismo italiano e mesmo um dos grandes artista no renascentismo italiano.(ver Luzes do Norte, Masp). E ainda no texto, que publicou 3 livros em vida. Um sobre as proporções do corpo logo apos sua morte, em 1528.“Entre as mais célebres obras produzidas pelo Dürer, destaca-se O Apocalipse, série de 15 xilogravuras dramáticas[7 delas reproduzidas no catálogo Mestres da Gravura], consideradas uma das maiores criações da arte alemã…”.pg.32.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

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Segundo vi no Google, não nas informações de “Mestres da Gravura”, estas 15 gravuras são ilustrações para o livro do Apocalipse, livro da Bíblia. Será que a mediocridade da igreja católica hoje e dos protestantes (Mestres da Gravura informa que a gravura cresceu e se popularizou, principalmente a de cunho profano, com o advento do protestantismo) poderia, hoje, publicar tal livro ilustrado por Dürer. Quem souber me informe. Os livros ilustrados, quase desaparecidos das edições modernas – louve-se a editora 34 -, é um objeto de amor e veneração, a manuseio constante, diário. Meu filho me deu notícias de vários deles, em inglês, na Saraiva. Maldito monoglotismo.

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As técnicas da gravura

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Há na página 86 do catálogo uma bibliografia sobre técnica.  Nas páginas 9-11 do catálogo há um didático e proveitoso resumo das técnicas: Xilogravura, gravura a buril, gravura á ponta seca, gravura à água-forte, gravura à maneira-negra, gravura à água-tinta. O que resumi em outro post.  Entre coisas que faltou e que não achei no google foi uma técnica chamada pontilhado. Cito o parágrado de “Mestres da Gravura”: “De meados para o fim do século XVIII, surgem técnicas à maneira de crayon, do verniz e do pontilhado. Este, presente na exposição, é um método que utiliza a água-forte, o buril curvo ou a ponta-seca. Primeiro, faz-se uma leve gravação do contorno do desenho; em seguida, obtêm-se os tons do trabalho, pontilhando-se a chapa com a ponta do buril curvo ou com a ponta-seca sobre um segundo verniz, posteriormente banhado em ácido”. p. 11.

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Sem digitalização, já, para ontem, a resposta, para mim é mesmo um murundum(1), um aranzéu(2).

Biblioteca Nacional sem ar-condicionado—— Vazamento de água,—- como aconteceu com o AEL(Arquivo Edgard Leuenroth) , ou ainda será que ainda corre, vários riscos: na Biblioteca Nacional, danificando parte do acervo.. Bibliotecas que inundam (já aconteceu na Biblioteca do IFCH, unicamp (Lá agora tem uma placa anunciando uma cobertura). Quem esqueceu o incêndio no acervo de Hélio Oiticica..—- Sabemos também que o ar-condicionado mal cuidado, ou mal dimensionado, tanto pode inundar, como incendiar. (clique e veja as reportagens). Depois que acontecer vem um burocrata lamentar com lágrimas de jacaré, ou de crocodilo. Por isso, insistimos em escrever, nesse blog, sobre este assunto chato. A tranquilide desses burocratas já diz tudo: são uns mortos vivos, como denunciou João da Silva, no seu HQ “Vale dos Burocratas Mortos” Mas o que eles gostam mesmo é de perseguir e tentar amedrontar quem cobra deles. O jornal do Porão nasceu fazendo tais denúncias. Hoje, com mais de 100 mil acesso, continua na obrigação de não deixar passar ou esquecer. Principalmente não deixar esquecer. Preservar acervos qualquer burocrata sem alma e sem cultura é capaz e até se vangloria de guardar, como os acumuladores, uma terrível doença. Mas colocar em uso, colocar em circulação, precisa de criatividade, ousadia, política agressiva e política mesmo: exigências diante dos governos. Para uma política cultural não servem burocratas semi-ignorantes, ciosos dos seus empregos e da sua rotina de acumuladores.

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Vocabulário

(1) MURUNDUM. Nos dicionários online que consultei acho murundu. No Preberam, português de portugal, a defininção é mais próxima do amontoado de coisas, disparatadas e atravancantes que minha expressiva e semi-analfabeta mãezinha tinha sempre na ponta da língua. O Michaelis registra a variante murundum, desde que chamemos por murundu. Caldas Aulete registra murundum, mas com uma pobreza lapidar; registra ainda mulundu e murundu, com a mesma inexpressividade. Como podem ver, meus amigos e filhinhos, preciso de dicionários online de qualidade!!! Meu velho e esmaecido (e estou ficando, lentamente, cego) Aurélio registra a mesma pobreza e economia. Registra ainda a variante munduru. Na definição 2, registra montão, que é pouco para murundum. E esse M faz muita diferença. a. Cemitério do Murundu b. 4 artistas criam um murundu c. Pseudopaludicola murundu Toledo d. O Fenômeno Murundu. Nesse artigo, no meio da página, há uma foto de um trem que é uma perfeita ilustração do murundum da minha mãe, apesar de ainda chamar murundu.Fenômeno Murundu

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum.

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum. http://fredraposo.blogspot.com.br/2007/05/o-fenmeno-murundu.html

(2) ARANZÉU. No cada vez mais pálido Aurélio de papel está lá Aranzel como arenga, uma falação de deputado. Pior que a falta do M em murundum é esse L. Bendita a contribuição de todos os erros. Se aranzel for pronunciado a gaúcha aí tá tudo perdido. Aranzel aí não seria mesmo um arranha-céu de murunduns, como frisava bem minha mãe. Será que o murundum não seria a herança negra da minha mãe para meus ouvidos embranquecidos? E creio nela nas suas raízes mais que nos dicionários. Nota: “O Léxico de Guimarães Rosa”, de Nilce Sant’Anna Martins registra murundu, como monte vermelhos de cupins, mas não aranzel. E “A Lexologia de ‘Os Sertões’: o vocabulário de Euclides da Cunha, de Manif Zacharias não registra nenhum dos dois termos.Apesar do peso das abonações ainda fico com as “contribuição de todos os erros” do murundum. e do aranzéu.     ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Jornal do Porão cem mil acessos. Precisamente, neste sábado, 27/01/2013, ás 0,04hs, 102.822 acessos. Quando comemoramos 5 mil, fizemos um pequeno balanço, achando um grande feito. Agora com mais de 100 mil não haverá balanço formal algum. E por pura coincidência, não fortuitamente, voltamos ao tema do primeiro Jornal do Porão. É pé na tábua. É continuar. Mesmo porque esse jornaldoporao nem mesmo conseguiu falar de seu título: ainda não amadureceu e aprendeu o suficiente para escrever um post sobre o “Memórias do Subsolo”, de Dostoiévski.

Nos cinco mil acessos tinha a musa Josephine Baker. Agora nos cem mil tem Maria Luisa Mendonça. São oposto que se completam. Nem erudito nem popular, nem tanto ao mar nem tanto a terra. O pulso ainda pulsa. Nada melhor que Josephine Baker na companhia de Maria Luísa Mendonça.

josepnhine-baker-

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Mandrake, 2007

Mandrake, 2007

josephine-baker

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Mandrake, 2007 (2)

Mandrake, 2007 (2)

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01. Xilogravura: Primeiro contato:Breve História da Xilogravura

02.3. Xilogravura japonesa [Ukiyo-e] erótica [shunga]: Katsuhika Hokusai

03. 2. Xilogravuras japonesas eróticas: SHUNGA. Utamaro Kitagawa

04. 1. Xilogravura joponesa: UKIYO-E…….. [primeira anotação]

05. Maria Bonomi: tropicália.

06.Gravura, xilogravura, Litogravura, Linogravura… Ponta-seca, Água-forte, Buril…: TÉCNICA


ANJO NEGRO, Nelson Rodrigues.

22/08/2012

Anjo Negro, Nelson Rodrigues-1948-Orlando Guy-Nicette Bruno. FUNARTE: Brasil , Memória das Artes. http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/imagens/imagens-fotos/page/119/.

 

Um resumo muito bom sobre “Anjo Negro”

“O que, na peça, é fadado ao silêncio? O que não pode ser mostrado e, ao mesmo tempo, é explicitado no texto? Nelson aponta para a problemática racial em que, certamente, se articulam os subsídios para uma teoria social do Brasil, onde se destaca a violência como fator de base dos fundamentos estruturais do modelo étnico-social brasileiro. A peça explicita a vivência de amor/ódio num casal inter-racial e a ambigüidade diante de sua linhagem mestiça. O estilo poético-realista de Nelson Rodrigues revela, de maneira perturbadora, temas adormecidos no inconsciente. Ele revolve esse universo profundo do espectador trazendo à consciência o recalcado e utiliza-se da tragédia para falar do racismo. Assim, remete-nos ao drama grego: a tragédia, pois somente o trágico daria conta de desvendar essa realidade brasileira relegada às trevas – o racismo. Algo da ordem do trágico, tal qual é explicitado no drama grego, pode estar muito próximo de nós, se considerarmos que, enquanto humanos, vivenciamos as emoções que o perpassam.”  Resumo Comentado:

  Liliane Negrão Pinto, Mestranda (Instituto de Estudos da Linguagem), UNICAMP |Eliana Maria Delfino, José Tiago Reis Filho, Sílvia Regina Gomes Foscarini, Wanda Avelino – Círculo Psicanalítico de Minas Gerais | Seleste Michels da Rosa, formada em Letras (UFRGS), especialista em Literatura Brasileira (PUCRS) e mestranda em Literatura Brasileira (UFRGS)

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” O autor, em várias ocasiões, afirma ter escrito o personagem para seu amigo Abdias representar, pois, segundo ele, era o “único negro do Brasil”.” em “Resumos Comentados: Anjo Negro de Nelson Rodrigues”

” A singularidade Ismael contrasta com a grande galeria de homens e mulheres rodriguianos, onde, em determinado momento da ação, os personagens retiram as máscaras e se apresentam, inesperadamente, na mais completa nudez psíquica.” Idem
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UM NEGRO COMO PROTAGONISTA DE UMA PEÇA EM 1948.

Diz Ruy Castro, em documentário do SESI, que Nelson Rodrigues ficou muito frustrado de ter que aceitar um ator não negro, maquiado, fazer o papel de Ismael, o médico negro da peça.  Orlando Guy foi escalado para que a censura do Ministério da justiça liberasse a peça –  que havia sido interditada.

“Orlando Guy fará o marido preto. O argumento de que não é negro retinto não é válido. Considerado o caso de um estrito e honesto ponto de vista teatral – o único que importa – basta, que sua discreta maquilage e seu desempenho dramático dêem a ilusão do “negro Ismael”. E não teremos direito à menor restrição. E se Ziembinski o escolheu entre muitos que se candidataram ao papel deve-se a que o tipo de Orlando Guy era o único que correspondia à concepção do tipo X que o ensaiador polonês exigia.”, Nelson Rodrigues, para o Correio da Manhã de 02/04/1948, dia da estréia da peça.

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O ODOR E O NOJO: o racista é movido a paixão e violência.

“Reflexões sobre o Racismo”, por Jean-Paul Sartre

Fui à  leitura no SESI/Campinas e  fiz a leitura caseira do texto, sob a influência de Sartre, pois é um influência de mais de 40 anos  de “Reflexão dobre o Racismo”. O livro da Difusão Européia do Livro tem dois textos, o primeiro sobre o anti-semitismo e o segundo sobre o racismo contra os negros. Mas o texto sob cujo olhar vejo a questão racial é, particularmente, o primeiro, o texto que estuda o anti-semitismo. É um texto que vai elencando absurdo trás absurdos, risíveis incoerências das falas dos racistas anti-semitas. Mostrando a irracionalidade completa. É pura paixão e violência.  Usando aqui a terminologia de Sartre, o anti-semita é um ser inautêntico.

No resumo citado acima, e é um resumo, falta uma coisa essencial que está bem chamativo no texto de Nelson Rodrigues que a repulsa da mulher branca ao cheiro e ao suor do negro. Esta invenção odiosa vai ser um dos temas mais agudos da análise de Sartre. A repulso ao judeu pelo seu pretenso cheiro.

Em Sartre, também em Anjo Negro, mas mais central ainda em Sartre,  esta repulsa se traduz em atração para a violência e a curra. As judias serão sempre curradas por anti-semitas.  No texto de Nelson Rodrigues a curra é narrada e o autor não propõe que seja encenada.  O que me leva a pensar que funciona como funcionam as estatísticas.  Acho que encenar é superior  narrar, assim como narrar é mais humanizador do que um levantamento estatístico.

O texto de Sartre analisa dezenas de situações do racismo. Mas acho esta questão odor, ou do cheiro, uma das questões mais profundas, sempre presente nos xingamentos e calúnias, mas, durantes décadas,  só pude encontrar  no texto de Sartre. Mas se trata de  um texto filosófico e tem um frieza insuperável.  No teatro seria diferente. Durante muitos anos fiquei pensando se seria mesmo possível  estar no teatro, vivenciando portanto e não apenas lendo ou ouvindo, frases explicitamente racistas. Vê-se isso em novelas da globo, mas são racistas caricatos. Em Nelson Rodrigues são personagens completos, do mundo aceito e vencedor. O personagem principal é um médico bem sucedido e sua mulher,  extremada racista,  pertence a este mundo  oficial , bem sucedido mundo  e invejado mundo.

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OS FILÓSOFOS: Não têm nariz, negam o corpo, ineptos para a vida.

“A Arte de Ter Prazer – Por um Materialismo Hedonista, por Michel Onfray

Mas há um texto que li nos últimos 5 anos,  para mim mais direto e arrasador.  Um ataque aos próprios filósofos. Os filósofos não têm olfato, paladar ou tato. A exceção dos pré-socráticos, tendo Demócrito o filósofo do nariz,  que coloca no centro da sua percepção.  Dos modernos, Nietzsche, que vai devolver o corpo ao homem. Kant, por exemplo,  vai banir o olfato da filosofia.

Frases de Michel Onfray

“A antiguidade apreciava os perfumes: nos banquetes ofereciam-se aos convivas guirlandas de flores diversas”. p. 111

“Entre os filósofos, o perfume não tem boa reputação: é associado ao luxo, à devassidão, à depravação”. p. 111

“o luxo dos odores da Ásia(…) era tido como suspeito pelo helenismo clássico”. p. 112

“O ódio ao corpo é acompanhado por um ódio tenaz ao olfato. O nariz concentra as aversões e as paixões como um revelador”. p. 112

“Assim veremos alguns filósofos dos mais sérios recorrerem ao olfato…elegem  esse sentido, entre cinco, pra apenas dizer suas repugnâncias: analisará o odor dos negros e tentará compreender por que tal fedor(!), outro se gabará de distinguir o Foetor Judaicus  – o fedor judeu -, um terceiro descreverá com uma complacência afetada o odor dos pobres…”. p. 112

Nietzsche colocou o nariz no centro das suas investigações e transformou o odor numa metáfora sobre a vida. Instinto, em Nietzsche, uma qualidade que tinha que ser defendida e restabelecida, se confundia com o odor, assim como a ruminância.

Mas os mesmos filósofos que baniram o olfato da filosofia vão ser os que usarão o olfato para caluniar os corpos dos que lhes eram diferentes. Numa incoerência tão evidente que beira à estupidez.

Kant que banira o olfato do seu sistema filosófico é com o nariz que vai julgar os negros. “O odor forte dos negros, que nenhum cuidado de limpeza consegue dissipar, permite supor que sua pele elimina  se seu sangue uma grande quantidade de flogístico…”. Miche Onfray diz que Kant lança mão de um emaranhado de hipóteses mais ou menos fantasiosas, lugares comuns mais banais, para assentar sua visão sobre o tal odor do negro. Sem nunca ter visto um negro sequer. ver p. 138

Schopenhauer:  “O bom Deus, prevendo em sua sabedoria que seu povo eleito se dispersaria pelo mundo inteiro, deu a todos os seus membros um odor específico que lhes permitissem reconhecer-se e encontrar-se por toda parte, é o Foetor Judaicus”.  M. Onfray comenta: “O fedor é portanto um toque de reunião, um código”.

Marx descreve a multidão de agentes de câmbio num escritório de Amsterdã nos seguintes termos( em O Capital): “A linguagem falada cheira fortemente a Babel, e aliás, o perfume que invade o recinto não é dos mais refinados”.  M. Onfray: “O judeu portanto, é infecto, nauseabundo e fétido”.p. 149

Depois dos filósofos vem os santos. Os santos  cheiram bem.  O diabo sempre cheira mal. Isabel, um santa católica, que gostava dor rolar na lama, viver com os porcos… dela diz a hagiografia: “É evidente que ela possuía uma grande pureza e uma grande inocência, como prova a exalação do seu corpo. Por ter brilhado na vida de toda inocência e castidade, seu corpo exalou na morte um odor delicioso”. … “Os gnósticos atribuíram a Cristo um existência sem defecção…. E Teresa de Liseux dá a receita para acompanhar Cristo na sua subida aos céus: é só acompanhar o rastro do seu perfume. p. 154-155

Sartre: Michel Onfray questiona o próprio Sartre que, em viagem à Itália, fala em termos depreciativos dos napolitanos, inclusive destacando a questão dos odores e aparência destes. E em suas cartas da Itália ignorar o fascismo; isso em 1936.

Filósofos, deste a antiguidade clássica na Grécia. Cristãos.  Vão atribuir ao bem um cheiro agradável e mal odores fétidos. E este capítulo do livro de Michel Onfray mostra a tradição milenar do racismo e da exclusão. Na filosofia e na religião. São formas de pensamento que destronam e detratam o nariz porque não conseguem aceitar a vida.  Desprezam o nariz porque desprezam a vida. E desprezam tudo que é diferente, pois a vida é formada de formas e corpos diferentes.

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A CIÊNCIA LEGITIMADORA DO RACISMO.

A Falsa Medida do Homem, de Stephen Jay Gould

Mas há um outro grande livro para nos armar contra o racismo que impregnou a filosofia e depois as chamadas ciências biológicas. “A Falsa Medida do Homem”. Stephen Jay Gould, vai mostrar como as ciências, durante décadas, falsificou dados, manipulou resultados, para provar inferioridade de povos e o que, naquela época, denominavam de raças.

Não esqueçamos que a escravidão negra foi aceita e promovida pelo cristianismo católico e protestante. Que o extermínio dos índios foi feito por cristãos. Que o colonialismo , extermínio e dominação do povos e nações foi feito –  e ainda é –  por nações ditas cristãs, sem condenação, ou apenas com tímidas reprovações, bem retóricas.

Se  grande partes destes filósofos vão dirigir seus ataques raciais,  preferencialmente,  ao odor insuportável, ou animalesco, das vítimas de seu racismo, cientistas de muitas áreas vão fazer um ataque concentrado a vários aspectos do homem. Vão criar teorias. Falsificar medidas. Criar infames testes para mostrar inferioridade de todos aqueles que não fossem brancos europeus. Em muitos casos seriam os alemães os superiores. Há um episódio que beira ao mais insano ridículo. Testes nos EUA chegaram ao resultado de que mais de 80 por cento dos estadunidenses teriam deficiência mental. E Stephen Jay Gould alerta. Estes testes, mais ou menos modificados, são usados até hoje em escolas. E outra curiosidade para a história. Grande parte destas teorias e cronometrias para escalonar raças nasceram, ou prosperaram,  nos EUA e não na Alemanha , como comumente se pensa.

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A filha, cegada depois de fixar atentamente o pai negro,  vai “chamar” negros de branco e o que ela chama de brancos são os negros. Acho genial esta simples inversão para mostrar o absurdo do racismo,  já que tudo não passa de convenção, de um nome

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A nova Vanguarda: o teatro sem público. foto do Teatro do IA-Unicamp

 

Campinas, cidade de milhares de universitários, milhares de professores universitários, com a segunda universidade de São Paulo e uma das maiores do país, com uma classe média arrogante e metida a besta, faz um leitura dramática para comemorar os 100 anos de Nelson Rodrigues. Melhor que nada!!!

Campinas de mais de um milhão de habitantes. Tem este Teatro do SESI. Outro do SESC. Ou seja, mantidos pela comércio e pela indústria. Conheço mais dois pequenos teatros de grupos. Na Unicamp constroem um imenso teatro, dentro do campus, para que alunos apresentem suas peças para eles mesmos. De costas para a população, como fica toda a Unicamp, excetuando-se o HC, parasitando a cidade, terão um Teatro contra toda a tradição histórica do teatro que nasceu em praça pública, em arenas; ou como Shakespeare, em zona portuária e de meretrício. Com a Unicamp, para os filhos diletos da burguesia apreciarem a si mesmo, a aplaudirem a si mesmo. Que humanidade apresentarão neste teatro?

Uma  leitura dramática. Melhor ouvir o texto que apenas lê-lo em casa. As falas ditas por atores já se aproxima um pouco do teatro, um teatro falado. As tragédias gregas, em versos, eram declamadas pelos atores.
Mas seguindo o roteiro de texto de Sábato Magaldi (link) ali faltava o encenador que é que realmente responde pelo teatro contemporâneo. Falta o cenógrafo que o grande condutor do teatro brasileiro revolucionário, como em Vestido de Noiva, com cenário de …. Acrescento aqui que em 1946, Anjo Negro teve cenário de Portinari (ver entrevista de Abdias Nascimento, no final da página).
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Palavras de Nelson Rodrigues sobre teatro:

a pretexto da estreia de Senhoras dos Afogados, em 1954:

” O que caracteriza uma peça trágica é, justamente, o poder de crear a vida e não imitá-la. Isso a que chamamos “vida” é o que se apresenta no palco e não a que vivemos cá fora. Evidentemente excluo, daqui, as peças digestivas…”

“O personagem do palco é mil vezes mais real, mais denso e, numa palavra ‘mais homem’ que cada um dos expectores”.

“…Ponha-se do lado de certa senhora na platéia. Perceberemos, então, que a expectadora de carne e osso não vive realmente, imita apenas a vida, Finge que é mulher, finge que é creatura humana e continua fingindo até no leito conjugal…”.

“Não sou pornográfico. Pelo contrário, me chamo de moralista. O único lugar onde o homem sofre e paga pelos pecados é em minhas peças.” Revista Brasilis[frases]

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“O personagem do palco é mil vezes mais real, mais denso e, numa palavra ‘mais homem’ que cada um dos expectores”.

Essa frase de Nelson Rodrigues diz que não é possível discutir a vida sem teatro. Que em Campinas não há vida. Que é ilusão toda acúmulo de teses, dissertações e estatísticas. Precisamos de teatro. Quem reivindica isso? Há candidatos que se dizem de esquerda nestas eleições. Começaram já as arengas. Alguém defende teatros na Cidade de Campinas? Duvido!!!

“Antunes Filho, ao realizar, em 1981, Nelson Rodrigues o eterno retorno, sintetizou a sua visão do universo do dramaturgo também em quatro textos: Álbum de família, Os sete gatinhos, Beijo no asfalto e Toda nudez será castigada, reduzindo-o, depois, em Nelson 2 Rodrigues, a Álbum de família e Toda nudez será castigada.”. link.

Que lástima! Depois de tudo isso olhar em volta e ver que Campinas não tem teatro. E não há perspectiva alguma. Nem um simples rumor.

Aprendi a adorar Nelson Rodrigues no “Beijo no Asfalto”, em “Toda Nudez será Castigada”, o filme de Jabour, “Na vida como ela é”, da Globo, no filme “Bonitinha, mas ordinária”. Mas parece que nunca saberei o que Antunes Filho fala por aí:  que Nelson Rodrigues é o maior dramaturgo do Brasil. Só dá para conhecer um dramaturgo se ele for encenado, acho.   Desde o modernismo, passando pela antropofagia, oswaldiana, até a tropicália, há um anseio profundo de quebrar o isolamento cultural do Brasil, condenado, inclusive, pela barreira da língua minoritária. Mas ser condenado a ignorar o próprio Brasil.  Ter em perto um universidade que pratica  e é ciosa na defesa do seu isolamento. Nossos jovens intelectuais se formam para serem europeus de segunda e brasileiros de quinta.

O teatro privado dos estudantes de arte da Unicamp deveria ser público

E para começar a sonhar haveria de ter um movimento [que não vai ter] para que o Teatro da Unicamp fosse construído no centro de Campinas, perto da catedral, talvez no mesmo lugar onde o antigo teatro foi derrubado e hoje é uma Praça cimentada, com barraca de salgadinhos: um anti-praça.  Ou na antiga rodoviária, hoje um imenso buraco abandonado. Este buraco é uma metáfora explicativa para Campinas.

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links

01. Texto da Peça, Anjo Negro, de Nelson Rodrigues

02. Artigos e fotos da época. Várias encenações. Anjo Negro também.
03. Tendências contemporâneas do teatro brasileiro, Sábato Magaldi

04. Revista Brasilis: Amigos e intelectuais relembram Nelson Rodrigues
05. FUNARTE: Memória das Artes [fotos de montagens de peças de Nelson Rodrigues
06. Bate-papo em torno da obra de Nelson Rodrigues [Funarte]

07. Correio da Manhã, sobre estréia de Anjo Negro 02/04/1948

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Documentário: Abdias Nascimento

Entrevista. Fala dos cenários de Portinari para Anjo Negro.

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Algumas frases publicas pela revista Brasilis

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o1. Teatro sem público: deve ser a grande sacada da vanguarda da Unicamp