A.(1917) Considerações ao Léo

Quero comentar, Léo, em primeiro lugar uma ausência nos seus comentários. A questão da Cosntituinte. Veja oque coloco no item 5 das minhas anotações. A principal questão política das manifestações de junho de 2013 foi o repúdio a todos os partidos políticos. E como eram as bandeiras das organizações de esquerda que estava lá, elas foram o alvo do ódio dos manifestantes, insuflados por pequenos grupos de direita. Sem dar resposta a esse desejo de varrer todos os políticos, foram as esquerdas enxovalhadas. Em Campinas tivemos que sair logo do ato. E só não foi pior porque havia, via organização do Ifch/Unicamp, um bloco das esquerdas que pode agir em comum, até mesmo para decidir, em bloco, sair do ato quando a agressividade da “direita” ficou maior. Naquele momento, se fosse possível, se já houvesse um debate e decisões nesse sentido, seria a bandeira mais adequada para centralizar a vontade de varrer todos os políticos. E hoje é ainda a bandeira central para lutas vindouras. Esse vazio é que, para mim, permite à Dilma recuperar, rapidamente, quase toda sua popularidade nas pesquisas de opinião. Como se a população, simpática na maioria às manifestações de rua, concluíssem, rapidamente que não a nada para fazer para se livrar desses políticos tão desacreditados. Tirando fora a questão da corrupção, em particular o mensalão, parece que o povo não quer os políticos porque concluíram que eles não servem para nada. Nem mesmo é um ódio de classe, do tipo “eles não prestam porque votaram coisas contra o povo”. Eles não prestam porque não fazem nada. Logo o ódio pela conduta moral desses políticos não faz avançar muito para se colocar questões estratégicas para o país no debate. O que um movimento por uma constituinte permitiria, por estar implícito, e deve ser tornado explícito, que seriam novos políticos, novas leis, novas políticas que deveriam ser tratadas. O risco de não ter um movimento por uma Constituinte Livre e Soberana é que continuará na mão de pequenos grupos de direita o patrimônio de ser anti-políticos. E que pode muito bem ser, com o andar das coisas nesse sentido, um ódio contra a democracia, que como sabemos, é a anti-sala para o fascismo se há uma crise muito grande. A democracia burguesa não resolve problemas do proletariado, mas sem ela quem paga primeiro o pato é o proletariado. Os ataques à direita, no caso muito difusos agora por não ter partido de direita anti-parlamentar se formando ou formado, pode muito bem ser uma bandeira apropriada pela classe média, desencantada, sem futuro, que é mais ou menos o grasso das manifestações. Ou mesmo não esqueçamos que uma juventude sub-proletarizada, ou quase lúmpen-proletariado, que enfrenta a polícia a pau, skate, pode ser ganha para a luta do proletariado, mas em momentos de crise, como foi na Alemanha, foram ganhos para o nacional-socialismo, com uma retórica nacionalista e contra o imperialismo (que significava, para a Alemanha, a humilhação do tratado de Versalhes). É muito longo, mas a própria questão da técnica, e depois técnica de armas de guerra, foi guindada a ideologia nazista (mesmo sabendo que o Nazismo nasceu com uma retórica romântica e anti-técnica). Há um livro que mostra como os engenheiros e revistas de engenharia alemã(livro que vou ter que reler e resenhar aqui no blog), convenceram o dirigentes nazistas da necessidade de colocar a técnica no centro das preocupações para “livrar” a Alemanha da vergonha do final das I Guerra Mundial.
Um partido da classe operária só de constituirá, para a vitória, se alçando em dirigente da toda a nação, logo de todas as massas não proletárias. Assim em escala mundial.

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“2. Quando fala da campanha nacional chave, da educação, a coloca também como a via do reagrupamento em torno à necessidade de um partido da classe operária de combate, revolucionário. Essa é minha dúvida central por ora, como vê esse desenvolvimento? Há algum par na história? Há uma diferença entre “Partidos de Trabalhadores” em geral, de classe, porém não necessariamente revolucionário, e “Partido Operário Revolucionário”, nós trabalhamos com essas duas hipóteses de surgimento de partido, a depender do desenvolvimento histórico concreto. Precisamos, mais do que nunca, debater a questão do partido brasileiro. Como você vê? Como aparece? Como devemos trabalhar?”Comentários de Léo.
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Veja a indtrodução às minhas anotações sobre as jornadas de junho de 2013
Retomando em citação livre a frase de Marx/Engels no Manifesto Comunista de que o papel dos comunistas seria de levantar no movimento real as bandeiras históricas da classe operária. Acho que em vários momentos históricos esquerdas de diversas matizes interpretaram essa frase como se a única bandeira histórica da classe operária fosse a revolução socialista. Mas a classe operária tem bandeiras históricas que estavam e ainda estão no campo de reformas. Por exemplo as horas de trabalho. E que não é bandeira só da classe operária, mas também de trabalhadores de diversos ramos, seus aliados mais próximos. Daí a importância que teve e junho a questão dos transportes, para uma classe média, que na sua maioria, nem mesmo usa transporte público (ou está em perspectiva de deixar, logo, logo, de usar, se é estudante). E muitas bandeiras da mais elementar democracia e reivindicações que a própria burguesia encaminhara no séc. XIX, caíram nas mãos da classe operária no século XX. Exemplo a questão da terra. A questão do laicismo na educação. A questão maior ainda, a libertação nacional. Pois a época imperialista é de reação em toda linha. A burguesia responde às crises é com fascismo ou medidas proto-fascistas.
Então para mim, a formação do partido revolucionário, depende de como se levar essas bandeiras. E como alçar o proletariado como direção desse processo. Em primeiro lugar a luta anti-imperialista, as organizações ou organização que se quer construir como partido revolucionário, falar em nome de todo o povo, contra o imperialismo e priorizar todas as lutas que possibilitam por a nú, por a claro, a luta pela libertação do jugo imperialista. E a palavra mais cara para isso é liberdade. Essa velha palavra da burguesia das revoluções francesas e dos Estados Unidos, é hoje bandeira da classe operária e de seus aliados. Daí que invejo um pouco o PSOL quando este se apropriou da “Socialismo e Liberdade”. Depois do Stalinismo, depois das Guerras imperialistas, depois da sociedade de controle, imperialista e global, é uma questão internacional de todos os povos, de todos os oprimidos, da juventude e dos operários, a questão da liberdade. E uma simples questão do controle da internet, por exemplo, é uma questão que só se resolverá mesmo com uma revolução socialista, mas que tenha no centro o compromisso férreo com a liberdade (não esqueçamos, depois dos horrores do século XX, Stalinismo e Fascismo, que as massas do mundo inteiro, proletários e aliados potenciais, desconfiam da capacidade dos socialista de sustentarem, numa revolução e na construção do socialismo, o primado da liberdade. Muito pelo contrário, Ditadura do Proletariado, para a maioria que ouve essa frase, soa apenas como ditadura. E quem se aprofunda um pouco vai ver que é ditadura e sanguinária, de Cuba, Vietnã, Camboja, China, Coréia, Hungria e todos os outros do chamado socialismo real). A velha e desgastada palavra liberdade é a única ponte possível entre o socialismo e as grandes massas. E não é possível, como propaganda, construir partidos revolucionários sem um ataque sistemático aos horrores stalinistas, repito, sistematicamente.
Ia escrever, voltando a questões mais concretas. Mas o que digo acima não só é questão concreta, mas tem que ser o dia-dia-dia, a justificativa para cada texto. O centro de toda comunicação. Sem trabalhar todos os aspectos da liberdade e da falta dela não comunicaremos com a juventude operária, nem com os velhos operários, nem com a grande massa de trabalhadores de serviços e a classe média citadina. Reagiram em junho de 2013, mas não perceberam que o sufoco está na dominação imperialista, onde a liberdade é sufocada mesmo nos países centrais, como o endurecimento reacionário, nos EUA, depois dos atentados de 11 de setembro (naquele momento mais de 90 por cento do povo, via pesquisa de opinião, estavam a favor dos ataques à liberdade). Possivelmente, nos EUA, hoje, qualquer atitude mais radical de grupos de esquerda, será enquadrada como terrorismo e punido com as penas mais severas que inclui a pena de morte. Logo a palavra liberdade está hoje, como questão central para formação do partido operário internacional.
E na há educação sem liberdade.
Mas na questão nacional, como anotei no que chamei de “junho: é possível achar algum ordem no caos? (anotações)”
há outra velha palavra chave, que a burguesia levantou no século XIX, que é a igualdade. Um projeto para o Brasil passa pela igualdade entre os estados(províncias). Na mais elementar questão eleitoral é inaceitável, para o proletariado de São Paulo, ter seu peso diminuído dezenas de vezes em relação ao Acre, por exemplo. Na questão da educação, da tecnologia e da ciência, a questão se inverte. São os proletários e seus aliados do norte e nordeste os principais prejudicados, fazendo com que haja, para a manutenção da exploração capitalista, que é sinônimo de exploração imperialista dos povos, uma espécie de sub-imperialismo do Sudeste e Sul, com destaque para São Paulo. E miséria não faz revolução, mas luta social-democrata coloca a revolução em pauta. E a simples luta republicana pela igualdade entre os estados brasileiros. E a educação é chave para isso. Caberia uma análise mais aprofundada, mas peguemos a construção do PT: seu núcleo inicial, sua potência de dar passos no sentido mais radical, estava assentada no proletariado industrial de São Paulo e ABC. No resto do país e PT só implementou mesmo depois que virou um partido bem sucedido de eleições. E no Nordeste só vai emplacar mesmo como partido que distribui migalhas, como bolsa família. Essas diferenças regionais e carências são um grande entrave à formação de partidos da classe operária.
Acho que a questão da educação, tecnologia e ciência, é um interesse estratégico para a classe operária formar seu partido revolucionário. Na perspectiva de resolver as misérias internas alça-se como interlocutor privilegiado para arrastar a grande massa de seus aliados potenciais na luta pela libertação, pela luta anti-imperialista e pela luta contra as misérias imperialistas nos próprios centros da dominação (repito a luta pela liberdade é a principal luta que espero ver nos EUA).
Para abreviar: O partido do proletariado não se forma apenas com proletários e muito menos por reivindicações imediatas da classe operária. Assim seria sindicalismo ou até um sindicalismo revolucionário anarquista ou algo parecido. A luta do proletariado é social-democrata, no sentido de estar do lado de todas as heranças do progresso, da ciência, da filosofia, da arte, da cultura. E não é tarefa para depois da revolução. São tarefas de agora e da revolução permanente.
Por isso a questão da educação, traduzida em campanha nacional por uma carreira única de professores, por 100 de cotas na universidades, quem vem do ensino médio público, e tudo que deriva disso, como já apontei nas minhas “anotações”. Acho mesmo que construir o partido proletário hoje passa, principalmente, por levar até o fim a lutas democráticas pendentes, ligar as reivindicações históricas e as imediatas também, da classe operária, ligando tudo, na luta central neste mundo de hoje, que é a luta contra a dominação imperialista e pela opressão imperialista nos sobre a classe operárias e seus aliados nos próprios centros imperialistas.
E essa luta, para mim, se desdobra no cotidiano. No movimento estudantil hoje, se traduziria essa luta internacional, agora mesmo, por milhares de vagas para intercâmbio nas universidades, as nações africanas, em primeiro lugar (porque se liga imediatamente com a questão negra no Brasil), e com todos os países dominados pelo imperialismo tanto na América, Ásia, Oceania. E até mesmo para estudantes pobres do centros imperialistas. Porque acho também que as universidades são um campo privilegiado para o debate da luta anti-imperialista. E da solidariedade prática com povos oprimidos. Não só num futuro de revolução socialista, mas essa luta prepara o terreno ideológico para esse combate.

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