30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.

“…Telas valiosas são mais frequentemente expostas, enquanto as exposições de gravuras acontecem com certa raridade, embora grandiosos e ríquissimos sejam os acervos, como a coleção de 30 mil obras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriga. Introdução ao “Mestres da Gravura”, coleção Fundação Biblioteca Nacional.

 

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Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001

Maurits Cornelis Eschermc_escher_relativity_623x6001. http://eaisimpatia.wordpress.com/

Toda arte vive de citações. Todo livro cita o primeiro livro, parafraseando Borges. 

Le carcere d'invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de "Mestres da Gravura"

Le carcere d’invenzione, 1750-3, prancha XIV, água forte, 53X72,8cm. Capa de “Mestres da Gravura”

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Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (3). FRANCISCO BARTOLOZZI(1525-1815). Youth, pontilhado e água-forte, 16,4 X 13,2cm

MESTRES DA GRAVURA: Coleção Fundação Biblioteca Nacional

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário  VII-073.302 T001m

Mestres da Gravura, Col. B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 T001m. Compare com http://eaisimpatia.wordpress.com/

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (4). ALBRECHT DÜRER (1471-1528). Adão e Eva, 1504. Buril, 15X19,2 cm.

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (2). GIOVANNI BATTISTA PIRANESI (1720-1778). La Antichità Romane, 750-3, água-forte, 39,9X60,5cm

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A exposição abarca 81 artistas e 170 obras. Das 30 mil gravuras da coleção.

Quantos artistas serão? Serão apenas 81 mestres ou 81 já são mestres demais? São perguntas que o catálogo não se propõe abordar nem responder. E para abordá-las precisaria uma bibliografia. E mais que uma bibliografia, um ver as obras, mais de uma vez. Precisaria comparação, muito mais que estudo da história da gravura. Os museus e arquivos não prestam e não se prestam para isso.
A gravura nasceu para ser reproduzida. Era a técnica de imprensa da época. Há mais de 500 anos temos a imprensa, os livros impressos e agora a formidável ferramenta da Internet. A gravura não tem espírito de museu. Deve ser popular.

Bansky

Bansky

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Em que prateleira estão os mestres, salvos das intempéries?

Houve um tempo que os mestres andavam pelas ruas e praias, à moda de Aristóteles.

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

NAIPES_022, Lâminas de carta de baralho, França, séc. XV

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

MÜNCH, gravura, puberty, 1903

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico  , cuja  obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

gilvan samico , O peso do mundo é o amor. Artigo de Ferreira Goulart fala de Samico , cuja obra remete às cartas de baralho(como nasceu a xilogravura)

“Não gostaria de encerrar este comentário sobre a arte de Gilvan Samico sem assinalar um traço especial que distingue a sua gravura da dos demais gravadores brasileiros. É que nela a lição dos mestres modernistas se funde à linguagem popular da gravura de cordel -herança portuguesa que sobreviveu na cultura popular nordestina-, incutindo-lhe a significação e a beleza da grande arte”.Ferreira Goulart
Novamente a questão. A gravura estocada aos montões em museus e arquivos precisam, urgentemente, de edições em livros e digitalização. Sem isso resta-nos, bem possivelmente, os grafites, a arte de rua, para buscar a fusão entre o erudito e o popular. A gravura erudita,histórica, também tinha a vocação de ser popular, atingir públicos mais vastos que obras de galerias e museus. Parafraseando Benjamin, já nasceu sem áurea. Não nasceu para a escuridão dos museus.

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A Xilogravura nasceu no século XV, ou final do século XIV, para reproduzir santos e carta de baralho. Nasceu para ir para a rua, igrejas e bordéis.

Dürer, as 4 feiticeiras

Dürer, as 4 feiticeiras

ALBERCHT DÜRER tem reproduzidas no catálogo 10 obras. 9 totalmente pias. Uma, as 4 feiticeiras, nus, talvez exercesse o feitiço bem pornográficos à épocaa do, para um elite. Hoje o muro pode ser de grande valia para milhões. Diz o texto que era um humanista e ligado ao renascentismo italiano e mesmo um dos grandes artista no renascentismo italiano.(ver Luzes do Norte, Masp). E ainda no texto, que publicou 3 livros em vida. Um sobre as proporções do corpo logo apos sua morte, em 1528.“Entre as mais célebres obras produzidas pelo Dürer, destaca-se O Apocalipse, série de 15 xilogravuras dramáticas[7 delas reproduzidas no catálogo Mestres da Gravura], consideradas uma das maiores criações da arte alemã…”.pg.32.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

Dürer: Os 4 cavaleiros do apocalpipse.

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Segundo vi no Google, não nas informações de “Mestres da Gravura”, estas 15 gravuras são ilustrações para o livro do Apocalipse, livro da Bíblia. Será que a mediocridade da igreja católica hoje e dos protestantes (Mestres da Gravura informa que a gravura cresceu e se popularizou, principalmente a de cunho profano, com o advento do protestantismo) poderia, hoje, publicar tal livro ilustrado por Dürer. Quem souber me informe. Os livros ilustrados, quase desaparecidos das edições modernas – louve-se a editora 34 -, é um objeto de amor e veneração, a manuseio constante, diário. Meu filho me deu notícias de vários deles, em inglês, na Saraiva. Maldito monoglotismo.

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As técnicas da gravura

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended... Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Mestres da Gravura, B. Nacional, Biblioteca Mário VII-073.302 Too1m (1). BENJAMIN SMITH (1754-1833). The Infant Shakespeare Attended… Pontilhado, 50,7 X 64,6cm

Há na página 86 do catálogo uma bibliografia sobre técnica.  Nas páginas 9-11 do catálogo há um didático e proveitoso resumo das técnicas: Xilogravura, gravura a buril, gravura á ponta seca, gravura à água-forte, gravura à maneira-negra, gravura à água-tinta. O que resumi em outro post.  Entre coisas que faltou e que não achei no google foi uma técnica chamada pontilhado. Cito o parágrado de “Mestres da Gravura”: “De meados para o fim do século XVIII, surgem técnicas à maneira de crayon, do verniz e do pontilhado. Este, presente na exposição, é um método que utiliza a água-forte, o buril curvo ou a ponta-seca. Primeiro, faz-se uma leve gravação do contorno do desenho; em seguida, obtêm-se os tons do trabalho, pontilhando-se a chapa com a ponta do buril curvo ou com a ponta-seca sobre um segundo verniz, posteriormente banhado em ácido”. p. 11.

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Sem digitalização, já, para ontem, a resposta, para mim é mesmo um murundum(1), um aranzéu(2).

Biblioteca Nacional sem ar-condicionado—— Vazamento de água,—- como aconteceu com o AEL(Arquivo Edgard Leuenroth) , ou ainda será que ainda corre, vários riscos: na Biblioteca Nacional, danificando parte do acervo.. Bibliotecas que inundam (já aconteceu na Biblioteca do IFCH, unicamp (Lá agora tem uma placa anunciando uma cobertura). Quem esqueceu o incêndio no acervo de Hélio Oiticica..—- Sabemos também que o ar-condicionado mal cuidado, ou mal dimensionado, tanto pode inundar, como incendiar. (clique e veja as reportagens). Depois que acontecer vem um burocrata lamentar com lágrimas de jacaré, ou de crocodilo. Por isso, insistimos em escrever, nesse blog, sobre este assunto chato. A tranquilide desses burocratas já diz tudo: são uns mortos vivos, como denunciou João da Silva, no seu HQ “Vale dos Burocratas Mortos” Mas o que eles gostam mesmo é de perseguir e tentar amedrontar quem cobra deles. O jornal do Porão nasceu fazendo tais denúncias. Hoje, com mais de 100 mil acesso, continua na obrigação de não deixar passar ou esquecer. Principalmente não deixar esquecer. Preservar acervos qualquer burocrata sem alma e sem cultura é capaz e até se vangloria de guardar, como os acumuladores, uma terrível doença. Mas colocar em uso, colocar em circulação, precisa de criatividade, ousadia, política agressiva e política mesmo: exigências diante dos governos. Para uma política cultural não servem burocratas semi-ignorantes, ciosos dos seus empregos e da sua rotina de acumuladores.

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Vocabulário

(1) MURUNDUM. Nos dicionários online que consultei acho murundu. No Preberam, português de portugal, a defininção é mais próxima do amontoado de coisas, disparatadas e atravancantes que minha expressiva e semi-analfabeta mãezinha tinha sempre na ponta da língua. O Michaelis registra a variante murundum, desde que chamemos por murundu. Caldas Aulete registra murundum, mas com uma pobreza lapidar; registra ainda mulundu e murundu, com a mesma inexpressividade. Como podem ver, meus amigos e filhinhos, preciso de dicionários online de qualidade!!! Meu velho e esmaecido (e estou ficando, lentamente, cego) Aurélio registra a mesma pobreza e economia. Registra ainda a variante munduru. Na definição 2, registra montão, que é pouco para murundum. E esse M faz muita diferença. a. Cemitério do Murundu b. 4 artistas criam um murundu c. Pseudopaludicola murundu Toledo d. O Fenômeno Murundu. Nesse artigo, no meio da página, há uma foto de um trem que é uma perfeita ilustração do murundum da minha mãe, apesar de ainda chamar murundu.Fenômeno Murundu

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum.

Crowded Train. O fenômeno murundu. Ou Murundum. http://fredraposo.blogspot.com.br/2007/05/o-fenmeno-murundu.html

(2) ARANZÉU. No cada vez mais pálido Aurélio de papel está lá Aranzel como arenga, uma falação de deputado. Pior que a falta do M em murundum é esse L. Bendita a contribuição de todos os erros. Se aranzel for pronunciado a gaúcha aí tá tudo perdido. Aranzel aí não seria mesmo um arranha-céu de murunduns, como frisava bem minha mãe. Será que o murundum não seria a herança negra da minha mãe para meus ouvidos embranquecidos? E creio nela nas suas raízes mais que nos dicionários. Nota: “O Léxico de Guimarães Rosa”, de Nilce Sant’Anna Martins registra murundu, como monte vermelhos de cupins, mas não aranzel. E “A Lexologia de ‘Os Sertões’: o vocabulário de Euclides da Cunha, de Manif Zacharias não registra nenhum dos dois termos.Apesar do peso das abonações ainda fico com as “contribuição de todos os erros” do murundum. e do aranzéu.     ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Jornal do Porão cem mil acessos. Precisamente, neste sábado, 27/01/2013, ás 0,04hs, 102.822 acessos. Quando comemoramos 5 mil, fizemos um pequeno balanço, achando um grande feito. Agora com mais de 100 mil não haverá balanço formal algum. E por pura coincidência, não fortuitamente, voltamos ao tema do primeiro Jornal do Porão. É pé na tábua. É continuar. Mesmo porque esse jornaldoporao nem mesmo conseguiu falar de seu título: ainda não amadureceu e aprendeu o suficiente para escrever um post sobre o “Memórias do Subsolo”, de Dostoiévski.

Nos cinco mil acessos tinha a musa Josephine Baker. Agora nos cem mil tem Maria Luisa Mendonça. São oposto que se completam. Nem erudito nem popular, nem tanto ao mar nem tanto a terra. O pulso ainda pulsa. Nada melhor que Josephine Baker na companhia de Maria Luísa Mendonça.

josepnhine-baker-

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Mandrake, 2007

Mandrake, 2007

josephine-baker

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Mandrake, 2007 (2)

Mandrake, 2007 (2)

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3 Responses to 30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo morto.

  1. Maria disse:

    Oportuna a matéria sobre as gravuras da Biblioteca Nacional, mais que nos trazer notícias dessas obras de artes é fazer a denúncia dos “arquivos mortos”, pois se não é divulgado o conteúdo das coleções, como saber o que tem sob sua guarda? Como conhecer as raridades contidas nas caixas, pastas e estantes? Divulgar, expor, digitalizar, publicar é também preservar, pois sensibiliza o público interessado na defesa de tesouros esquecidos, tesouros dos quais os burocratas se apropriam, de forma privada, ocupando cargos públicos.

  2. […] Sobre a Operação fogo no Edgard 08. INAUGURAÇÃO DO AEL (texto dos estudantes) 21/12/2009 09. 30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo mo… 10. Enquanto uma empresa terceirizada inunda, outra fale na biblioteca do IFCH COISAS TOTALMENTE […]

  3. […] Sobre a Operação fogo no Edgard 08. INAUGURAÇÃO DO AEL (texto dos estudantes) 21/12/2009 09. 30 mil gravuras na Biblioteca Nacional: um murundum inútil. Correm risco. Ou é mesmo um arquivo mo… 10. Enquanto uma empresa terceirizada inunda, outra fale na biblioteca do IFCH. COISAS TOTALMENTE […]

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