A Puta, Carlos Drummond de Andrade


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na Rua de Baixo
onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
e labaredas torram a língua
de quem disser: Eu quero
a puta
quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
de longe. Na mata do cabelo
se abre toda, chupante
boca de mina amanteigada
quente. A puta quente.
É preciso crescer
esta noite a noite inteira sem parar
de crescer e querer
a puta que não sabe
o gosto do desejo do menino
o gosto menino
que nem o menino
sabe, e quer saber, querendo a puta.

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o1. FILHA MÃE AVÓ E PUTA: A História de uma mulher que decidiu ser prostituta, livro de Gabriela Leite.
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01. Beijo da Rua

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01. Ana de Amsterdã, elogio a uma prostituta triste e arrependida.
02.Um artigo do Jornal Beijo da Rua
03.Me Gustán las Muchachas Putanas, Mário Bortolotto
04. puta, Newton Peron

2 Responses to A Puta, Carlos Drummond de Andrade

  1. […] 01. Puta, Newton Peron 02. A Puta, Carlos Drummond de Andrade 03. Me Gustán las Muchachas Putanas 04. Ana de Amsterdam, uma prostituta triste e arrependida […]

  2. Newton Peron disse:

    Eu tenho a impressão que o poema de Drummond narra o quadro de Picasso. Excelente associação, Mário.

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