bibliografias e resenhas: ATITUDES RACIAIS DE PRETOS E MULATOS EM SÃO PAULO

Dedicatória do meu amigo, xará, e admirado intelectual e colaborador deste blog: Mário Augusto Medeiros da Silva

foto da autora, fotografada do livro.

BICUDO, Virgínia Leone. Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo. Ed. Sociologia e Política, 2010
Agradecendo meu amigo e colaborador deste jornaldoporao Mário Augusto Medeiros da Silva por este magnífico presente.

AS ENTREVISTAS:
São falas muito contundentes. Por si só valem a leitura deste livro, dissertação de mestrado defendida em 1945.

RELAÇÕES DE PARENTESCO E CASAMENTOS
“(…) A Consciência de cor parece mais acentuada no mulato do que no preto da mesma classe social. Observamos que o mulato age pensando sempre na cor da epiderme, quando se case com um preto, seja com um multado ou um branco(…).
A Consciência de cor apresenta-se mais pronunciada no mulato do que no preto(…)”. p. 109A pesquisa centra-se nas relações de parentesco, em particular nos casamentos. Que peso tem isso hoje? E que pesquisa hoje dá conta desta questão?

INTEGRAÇÃO:
A Associação e Negros Brasileiros, nome fictício:
“Segundo os dados colhidos, a “Associação de Negros Brasileiros”, teve como propósito reunir os negros, a fim de prepará-los para lutar contra os obstáculos à ascensão social em consequência da cor. Os meios de que se valeram consistia em: 1) desenvolver a consciência do grupo, ligada a atitudes de antagonismo contra o branco; 2) desenvolver a consciência do grupo; pela divulgação da instrução, combater o negro decaído e antagonista do próprio negro e evitar a atitude de antagonismo contra o branco; 3) conseguir a aceitação do grupo dominante pelos valores profissional e educacional e pela força política”. 137.
Aqui também fica a inquietação quanto as associações e organizações de afrodescentes, no Brasil, inclusive os partidos políticos que têm “colaterais” que reclamam do movimento negro, primarem sua política por ganhar espaço no governo e instituições e, muitas delas serem francamente governistas, no governo Lula.

A LINGUAGEM:
“A Linguagem rebuscada que se nota nos artigos do mensário (“inglorioso jornadeio”, “formidanda extensão”, “sustamos nssa aljava” e “a liberdade auroral”, dos trechos reprodudicos até aqui; “lides de Mercúrio”, mais adiante) parece consequência do mecanismo de compensasão de sentimentos de inferioreidade”. Retirados do jornal “Os Descendentes de Palmares”.(também nome fictício deste períodico).
A CLASSE SOCIAL:
É levada em conta, parece-me, para situar, nas entrevitas, quem fala. Talvez classe social aqui esteja falando de rendimentos e renda familiar.

O interessante, para fazer o contraponto, seria buscar estudos retratem o peso de negros, mulatos e pardos(usando a terminologia do livro). E estudos que dêem conta da participação dos negros e afrodescendentes nas lutas sicias, nos sindicatos e partidos. E saber quais foram as abordagens que as organizações da classe operária deram para a questão do negro. Bem provável que serão estudos que ainda deverão ser feitos? É conhecido que muitas vezes a questão de “classe”, era colocada pelos partidos tradicionais, como o PCB, como uma melhor forma de esconder a questão do racismo e da exclusão, na busca incessante do PCB pela colaboração com a burguesia. Por mais brutal e racistas que sejam as instituições brasileiras, como a Univesidade, os movimentos, e o movimento estudantil, sempre tratotu isto não como um problema central ou de magnitude.
Querendo ou não o livro de Virgínia Leone Bicudo coloca o violento drama do racismo, do preconceito e da exclusão. Mas narra também uma busca pela integração na sociedade de classes o que porece, hoje, depois destes mais de 65 anos, é que foram esforços frustrantes. E que as próprias insituições burguesas, como a família, a educação… passam por crises imensas. E a educação no lugar de ser integradora é um locus de rascismo e exclusão. O Vestibular exclui o negro e ponto final. A polícia mata negros e mata alguns brancos também.
O livro é interessantíssimo para vermos o quanto evoluiu a luta dos negros e a sua consciência. Mas acaba nos fazendo pensar no quão lento evolui e quanto falta.

Creio que a luta de classes, radical (que deve realmente ir às raízes, sem medo e sem mediação), que no choque violento com a sociedade burguesa deve apontar caminhos e soluções mais profundas.

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