B.(1917) LUTA DE CLASSES N. 2, artigo de Val Lisboa

 

23/08/2014

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..Luta de Classes n. 2

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Val Lisboa

Há um equivoco doutrinário: os sindicatos nunca são revolucionários. Arma revolucionária são os partidos e os soviets(QUE AINDA SÃO ÓRGÃO DE FRENTE UNICA, QUE ESTABELECEM O DUPLO PODER E A BASE PARA TOMAR E ASSENTAR O PODER.MAS A OSSATURA DESTES ORGNISMOS DE FRENTE ÚNICA É O PARTIDO REVOLUCIONÁRIO E OS PARTIDOS DA CLASSE OPERÁRIA). Os sindicatos são órgãos de frente única. Como atuar nos sindicatos com uma plataforma que contemple os três estágios, tática de combate e auto-organização, e auto-defesa e apontar, a todo momento, as vias para a superação da burocracia e a construção da unidade da classe operária. Uma propaganda que indique o caminho para o socialismo;Tendo em mente, a todos os momentos, que são táticas e propaganda orientadas para a estratégia de construção dos Conselhos para formar a base da tomada do poder, mostrando que é necessário um partido para consumar a vitória. Mas é preciso partir das táticas mais elementares, propostas pela pequena fração que quer construir um partido revolucionário e de combate, de ações que visem a vitória das reivindicações. E exijam, a todo o momento, a unidade da classe em busca da vitória. Ao comentar a USP vou explicitar.

Val Lisboa - Cópia

O que está borrado, sobre o movimento estudantil e aliança operário estudantil: “e desde as ‘jornadas de junho’ mostra que perdeu uma oportunidade histórica de se construir uma alternativa revolucionária”. O primeiro comentário aqui é que PSTU, para mim, não faz parte de uma esquerda tradicional. Não acho que o trotskismo, qualquer que seja seus erros, faça parte da esquerda tradicional. E o PSOL não faz parte de tradição alguma. Talvez uma recente tradição de ter vindo do petismo. Sobre o movimento estudantil. Sempre a frase do Manifesto Comunista de Marx e Engels, propondo que o papel dos comunista seja atuar no movimento real levantando os interesses históricos da classe operária. Para mim, táticas de frente única, auto-organização e propaganda que mostre o papel da classe operária como condutora de toda a nação, pois só ela pode dar solução para a crise da humanidade. O movimento estudantil tem cumprido, em alguns momentos, papel importante na luta democrática mais elementar. E dificilmente, pela sua composição social, irá muito além disso. Frações desse movimento e desta juventude pode ir mais além, aliando-se com a classe operária, se paridos da classe desenvolverem, no interior do movimento, uma plataforma que, atuando no movimento real, coloque interesses históricos da classe trabalhadora. Para mim: Táticas, Propagandas e Estratégia. Tática: Uma das principal delas é a luta pela acesso de todos os estudantes do ensino médio público à Universidade. Ou 100 de cotas para o ensino médio público. E apoiar a luta pela cotas para negros, inclusive quando falar em 100 de cotas para o ensino médio. E até mais modestamente, num movimento por ensino noturno. Não devemos recusar ganhar reivindicações mais modestas que vão no caminho de mais acesso. Mas a aliança imediata com a classe trabalhadora pode e deve se dar pela própria condição material do estudante. Grande parte deles serão professores. De devemos trabalhar esse futuro de parte considerável dos estudantes. Daí a tática mãe: SUE. Por um Sistema Único de Educação. A principal reivindicação é uma carreira nacional de professores. Um proposta prática e materialista de aliança de trabalhadores e estudantes. A aliança com a classe operária demanda que se levante um plataforma da produção interna dessas universidades: médicos generalistas contra especialistas, departamentos ligados a interesses dos trabalhadores, como investigar acidentes de trabalho; investigar e buscar soluções para as doenças crônicas e tropicais que atinjam a classe trabalhadora e seus aliados pobres. Soluções para o trasporte coletivo de massa. Mas a tática mais importante de todas é a luta anti-imperialista. Que precisa ser reposta dentro do movimento. Um um ensino público, voltado para resolução dos problemas nacionais. Uma plataforma de libertação nacional, possibilita uma profunda propaganda de que só a revolução socialista dará conta de resolvê-los. Mas lutas práticas, exequíves, possíveis de vitória, abre este caminho.

luta de classes, 2

Não sei se há este medo de voltar. Acho mesmo que há um certo consenso de que o governo Lula e Dilma, principalmente na questão econômica e privatizações, foram uma continuidade do governo Fernando Henrique Cardoso. O que me preocupa é que o ataque a Dilma vem, principalmente, de uma direita que se organiza e que já se manifestou no interior dos movimentos de junho e julho de 2013. E não acho que Aécio ou Marina seja uma liderança que essa direita procura. Acho que procuram um via mais autoritária, populista e militarista: “um governo forte”, contra as massas em movimento. Acho que isso se está expressando, embrionariamente, em todos os movimentos, em particular dentro das universidades. Na movimentação dos médicos contra a Dilma, por importar médicos. Mas, mesmo que difusamente, a ataque à Dilma, vem, cotidianamente, sendo feito, por pessoas mais velhas e conservadoras, criticando aquilo de menos ruim na Dilma que tem algo a ver com pobres e trabalhadores. Ataque à questão do pífio reconhecimento que deu aos movimentos sociais em recente decreto. Ataque à bolsa família, como “. Ataque por pretensamente estar ligada à questão indígena e negra. Ataques porque Dilma estaria ligada à questão homossexual e é ataca por supostamente ser uma. Ataques difusos, mas bem dirigidos pelos conservadorismo. Neste quadro a resposta seria mesmo uma unidade das esquerdas para avançar o debate sobre estas questões e toda a plataforma histórica da classe trabalhadora, desde a mais ínfima reivindicação, como a defesa contra a criminalização ostensiva as movimentos sociais. Pode haver perigos de nos confundirmos com Dilma, mas a necessidade premente de atacar a direita que busca de organizar. E por isso vou votar em Zé Maria. E acho mesmo que quem não está incluído nas suas alianças deveria fazer um esforço de organização para aumentar sua votação e o debate sobre as questões colocadas. Outra alternativa, bem mais frágil, seria criar um campanha de voto nulo. Mas acho mais direto, transformar a candidatura de Zé Maria em voto de protesto. E uma firme propaganda pela unidade da classe operária e seus aliados.

luta de classes, USP - Cópia

Este box se inicia dizendo que é uma greve das universidades paulistas. E é assim que deveria ser abordada. E que história tem e que tarefas coloca. Tem uma história. A história da divisão do funcionalismo público, com a chamada autonomia universitária. Autonomia que foi negociada com o governo Quércia, depois da greve de 1988, que impôs uma derrota profunda ao governo estadual. A parte mais combativa daquela greve era os funcionários das universidades. Mas tinha um papel fundamental na luta os funcionários públicos da área de saúde. E claro, a imensa categoria dos professores estaduais. Era uma luta que reunia funcionários de 5 secretárias do estado, com vocação de unir todas elas. Para os trabalhadores, a principal e primeira consequência da autonomia universitária foi a divisão da categoria de funcionários púbicos depois de uma greve vitoriosa contra um governador. Outra consequência funesta para os trabalhadores funcionários públicos foi que ficaram divididas e a mercê de uma brutal terceirização. No caso das universidades, principalmente a Unicamp, junto com a terceirização e o fechamento de mais de 5 mil postos de trabalhadores operacionais, trouxe uma elitização de uma grande camada de trabalhadores que vão exercer cargos de chefia, muito bem remunerados, muito acima do mercada, para gerir a nova ordem com milhares de terceirizados exercendo as funções dos tais operacionais. Houve até uma terceirização por cima, com salários mais altos que da própria carreira de funcionário, para permitir os “cabides” de emprego e também para contratar, por exemplo, médicos. E a pouco tempo, a cartada mais autoritária foi acabar de fato com a estabilidade, colocando os tais estágios probatórios. Tudo isso foi orquestrado pela burocracia universitária, gerindo as verbas que vieram da autonomia universitária. Para os trabalhadores das universidades, em particular os mais pobres, a autonomia significou, na Unicamp, a extinção de 5 mil postos de trabalho e substituídos por trabalho precário e super-explorado. Quem fez isso. A categoria de professores, agora, através da burocracia universitária, uma espécie de donos, de patrões das universidades. Não parou por aí. Junto disso veio, principalmente na USP, a criação das rendáveis, para professores, fundações. E a autonomia trouxe a possibilidade de, livremente, os reitores e a burocracia universitária, começar a construir obras e mais obras, algumas inúteis, outras com preços tão altos que mereciam investigação. E os tais conselhos universitários jamais fizeram. Os diretores das faculdades são os principais interessados nessas obras. Essa situação, após a volta por cima que Quércia deu, impõe tarefas. A primeira delas. Primeiríssima. Fazer uma balanço histórico da autonomia universitária sob o ponto de vista dos trabalhadores e da universidade que queremos. A primeira, depois dessa primeiríssima, é construir um debate que recoloque a questão da unidade da classe trabalhadora. Nesse caso, a unidade de todos os trabalhadores do serviço público. Colocando como aliado principal os trabalhadores do setor saúde, os que mais próximos estão, pela suas atividades, das maiores carências da classe trabalhadora e dos pobres, por lideram com a saúde público (em contraposição ao horror que é a medicina privada). Com o HU USP, em crise, e com as propostas que privatização do HC Unicamp, a questão da saúde é uma questão central pra a classe trabalhadora, inteira, e seus aliados mais pobres.

Mas há uma tarefa imediata, agora mesmo na greve ou com o fim dela. Avançar uma proposta de unir as três universidades em luta contra o governador. Esta lutas contra tal ou qual reitor é uma coisa diversionista. Desvia da questão. Precisamos de uma organização das três universidades, que seja votada pela base, que tenha uma plataforma de enfrentamento da situação. Que um congresso estadual de delegados discuta estes rumas e avance em criar um organização única para os funcionários das universidades. A USP, por mais combativa que seja, com seu sindicato combativo, acaba não saindo do quadro do corporativismo sindical. Suas vitórias reforçam a divisão entre aos trabalhadores das universidades. Até hoje, as organizações, todas, que atuam no movimento, não fizeram uma balanço do que significou o momento pós autonomia universitária. Com um poder de patrão para a burocracia universitária. Com a divisão dos funcionários públicos, imposta por Quércia, que dura até hoje, e o pior, nunca foi discutida e nem buscado, em momento algum, recompor está divisão. Recompor esta Unidade é tarefa que se coloca, principalmente por aqueles que se reivindicam de uma estratégia revolucionária. Coisa só possível com a unidade da Classe Trabalhadora. Tanto na derrota, como nas vitórias momentâneas, cabe às lideranças revolucionárias propor formas de organização que deem conta da situação e permitam se defender ou avançar. No entanto nesses últimos anos nada disso foi proposta. E em todas as lutas, desde 1979, algumas vitórias econômicas e mesmo políticas, tem escondido a profunda derrota que é a divisão da classe trabalhadora das universidades. Que a deixa exposta à precarização e manipulação. A busca da unidade é a tarefa principal. Voltando a questão saúde pública. Essa divisão é ainda mais cruel com o resto da classe e mais cruel ainda com os pobres. A discussão sobre saúde pública ficou para os programas populares ou para demagogia eleitoral. O HU USP deveria provocar o início desta discussão e alavancar o início desta recomposição, após a grande derrota que Quércia nos impôs, logo após ter sofrido uma grande derrota. As organizações e as associações daquela época tem muita responsabilidade por aceitar e até promover tal divisão. Mas não podemos aceitar que continue sem discutir e em propor saídas. Acho que não há futuro nenhum para estes sindicatos isolados. Serão enfraquecidos com privatizações como as dos hospitais universitários. E serão exterminados depois pela repressão e pela direitização das camadas superiores e bem pagas dos funcionários/chefetes, os capatazes da nova ordem das precarização do trabalho.

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