Prazer Sexual e suas variações, com100 ilustrações eróticas do autor

24/06/2012

biblioteca Mário 000.001

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O livro tem 10 páginas de texto. Melhor não tivesse nenhuma. Vai do conservadorismo à bobagem de dizer, como na página 06, para “Não pensar em perversões…”. Sexo humano, diferente do de todos os outros  animais, é pura perversão. Não tem nada de natural. Ninguém nunca viu o boi beijar as tetas da vaca. Sexo oral, dizem, só o bonobos.

Os desenhos também são bem conservadores. Como tema: não tem sexo anal. Como desenho mesmo: são bem acadêmicos e naturalista. O que confisca-lhes a possibilidade de serem realmente eróticos e expressivos. Mas como não conheço outro livro igual e o mantenho e o vejo sempre com muito prazer, sem trocadilho ou redundância.

Gostaria de ter as gravuras e desenhos eróticos de Picasso. Em livro, em boa estampa. Se houver, deve ter um preço proibitivo. Farei um album google que não substitui um livro, por pior que seja a edição.
Assim como comecei com pinturas de Modigliani.

Aqui reproduzo alguns dos desenhos.
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“Não te vejo não te escuto não te aperto / mas tua boca está presente, adorando / Adorando / Nunca pensei ter entre as coxas um deus”. assim Carlos Drummond de Andrade cantou esta posição, em O Amor Natural.

Acho o desenho uma forma mais contundente de mostrar o erotismo ou pornografia. A anedota que gosto é que erotismo é o sexo que eu faço e pornografia é o dos outros. Mesmo nesse livro, cujos desenhos me parecem fracos, há uma grande carga de energia erótica, o que não consigo ver em fotos, ou filmes.
O desenho popularíssimo, os chamados catecismos de Carlos Zefiro, de conteúdo mais ousado, menos acadêmicos, ou mais toscos, acabam sendo mais contundentes. Afinal educou a maioria dos homens nas décadas de 60 e 70. Desenhos  que vi e apreciei. Tem um coleção na internet. Gostaria de tê-los em livros. Os catecismos original creio que é coisa de colecionador.
Marisa monte fez um capa e folheto de encarte do seu CD, “Barulhinho Bom”, com Carlos Zéfiro. A desenho da capa é Marisa Monte a la Carlos Zéfiro.

Para mim, deveria ser o ícone da democracia. A outra, a política, só fode os de baixo.

Para manter a democracia desta página. E no livro tem vários desenhos, como este, onde a mulher é contemplada. Poderia ter mais.

Numa licença erótica, coloco aqui uma cena Grega. Onde a mulher leva uma nítida vantagem.

Carlos Zéfiro desenho uma infinidade de posições sexuais.

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Galeria

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links

01 . Homenagem a Carlos Zéfiro


bom dia, conto de Newton Peron

15/10/2010

bom dia, querido, disse a voz empapuçada do banheiro. bom dia, respondi da cama. estou indo preparar o café, cuspindo espuma de pasta de dente.


Desvario Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

fui para cozinha, comecei a beber seu café doce e frio, beijei sua bochecha áspera enquanto ela preparava sua missa matinal. mergulhou o pão com manteiga no café com leite. partiu o pão e entregou para mim dizendo toma, amorzinho, eu não aguento um inteiro. olhei para seus lábios lambuzados, sua xícara com pedaços de manteiga boiando, e afastei minha metade de pão molhado no pires.

pensei em nosso casamento. ela havia sido bonita, corpo quase atlético. hoje ela era a típica esposa perfeita, dedicada ao marido, velha, insossa. tinha um jeito irritante de ser simpática e era tão agradável quanto seu café da manhã. muitas vezes eu entrava no carro rezando para que ele pegasse antes que desse tempo dela se despedir com um beijo mole no rosto.


Busca Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

mas no trabalho não era diferente. papel, dedo cortado, arquivo, ofício, solicitação, computador, caneta, papel. chefe mal-humorado, cliente mal-humorado, eu mal-humorado. colega de serviço de minissaia se esfregando em mim no bebedouro.

sempre gostei de mulheres, especialmente as de coxas robustas, de seios duros, de barriga definida. prefiro as de cabelos pretos, curtos, pele clara. minha mulher, jovem, era assim, mas sempre de cabelo comprido. parece crente.


carlos Zéfrio

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

a mulher do serviço era loura, meio feia, mas de corpo malhado. não entendia porque queria transar comigo, meu chefe ganhava muito mais do que eu. talvez fosse tara, sei lá. mulher doente. mas nunca achei que valesse a pena.

e não valeu. o motel barato, o champanhe mais doce que o café, sua barriga não tão definida, seu rosto mais feio de perto. beijava mecanicamente, tirava a roupa estupidamente, abria as pernas exageradamente, gemia ridiculamente.

quer que eu esquente o leitinho?. não, sempre odiei leite com café, principalmente no diminutivo. mas olhando de perto aquela cara enrugada, o café melado, o leite com nata, o pão murcho com manteiga light, respondi só um pouco, bem. e derramou o leite na xícara com um sorriso idiota na cara.

mais idiota era a cara que fazia quando transávamos. uma mistura de menina e de puta, com o pior das duas. inexperiente como uma menina, gelada como uma puta. por isso às vezes ia para o puteiro, mas nunca tive dinheiro para pagar uma bonita, malhada. sempre paguei aquilo que poderia achar na rua de graça, ou quase isso.

não vou deixar você ir para escola desse jeito, parece uma puta. virei e olhei para aquela mulher de dezesseis anos. havia cortado o cabelo preto. tinha batom vermelho nos lábios carnudos, leve maquiagem no rosto. a camisa justa, a saia míni. por baixo da meia-calça, pernas longas e roliças. dentro da sandália, pés de porcelana. não parecia minha filha.

Filha de Minha Amante, Carlos Zéfiro

Filha de Minha Amante, Carlos Zéfiro

 

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

era sua mãe, rejuvenescida. os traços mais bonitos do que ela quando jovem. corpo perfeito. não dizia bom dia pai, apenas oi. nunca levava a sério a mãe, apenas sentou e pediu para passar o café, puro. não era sua mãe, nem rejuvenescida.

você não vai dizer nada, bem?. uma mistura de menina e de puta, com o melhor das duas. não, eu não diria nada. apenas olharia seu decote enquanto lhe passava o café. enquanto ela tocava minha mão e olhava para mim lasciva. como uma menina. como uma puta.

estou atrasado. e estava mesmo. o papel, o computador, a caneta e a colega de serviço me esperavam afoitos. me leva na escola?. você não vai na escola desse jeito, menina!. olhadela de desprezo para a mãe. me leva?.


Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

então vamos já!. minha filha saltitou da cadeira e abandonou sua xícara. um naco de pão velho enroscou na minha garganta. dei uma talagada no leite marrom açucarado. levantei fingindo pressa enquanto olhava minha filha de um ângulo melhor. uma mão escamosa me segurou pelo braço e disse eu não acredito que você vai levar ela assim. depois conversamos, querida. soltou meu braço com força e virou a cara bufando. fui lentamente até a porta com minha filha e aguardei por uns instantes o beijo-matinal-no-rosto de minha mulher. pela primeira vez em vinte anos ela não quis dar.

entramos no carro. dei partida. nada. de novo. nada. fuscas sessenta e nove não costumam pegar na primeira vez. eu nunca dei a mínima para isso. minha mulher ficava roxa de vergonha. a colega do serviço me olhava com desdém. de novo. nada. mas quando minha filha me olhou e deu um sorriso de canto de boca, comecei a soar. percebi a carroça que andava, o banco rasgado, a maçaneta pendurada. olhei para o retrovisor, um homem de meia-idade, com resquícios de beleza, barba por fazer, cabelos despenteados. comecei a me pentear com as mãos. ela virou e disse deixa isso comigo. começou a massagear meus cabelos. um pente surgiu de sua mão, talvez da bolsa. me penteava, com calma. de novo. o carro pegou. guardou o pente e me deu um beijo vermelho na bochecha.


A Queda Carlos Zefiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

começamos a andar. gostou do meu cabelo?. sim, adorei. cortei ontem, fiquei esperando até meia noite para mostrar para você. eu não lembrava a que horas havia chegado no dia anterior. havia bebido sozinho em algum boteco, como sempre, para esquecer o serviço burocrático, meu casamento burocrático, meu caso burocrático. havia chegado em casa e me jogado na cama com a mesma roupa, como sempre. se eu a tivesse visto de noite com o cabelo curto e de camisola, provavelmente não teria conseguido dormir. eu sei que você gosta de mulheres de cabelo curto.

eu sei que você gosta de mulheres de cabelo curto. minha mulher tinha cabelo preto, liso, comprido. minha amante louro, crespo, comprido. semáforo fechado. olhei para ela novamente, estava obscena. vamos tomar um café de verdade ali na padaria?, odeio o café dela. também nunca a chamava de mãe. tampouco pelo nome. estou atrasado. eu sei, mas só um cafezinho, vai, eu pago. como eu poderia recusar um convite de uma mulher de lábios carnudos, olhos negros, sobrancelhas delicadas, cabelos curtos?. pode deixar, eu pago. nunca fui cavalheiro, mas com ela eu tinha que ser, era minha filha. mas rápido, einh?, estou atrasado. abriu o semáforo.

dois expressos, por favor. parece que ela não gostou muito da minha roupa – reticências – mas não quero saber a opinião dela, quero saber a opinião de um homem, o que você acha?. levantou do banco, empinou o bumbum, virou um pouco os ombros com os braços para trás. a camisa ficou mais colada e pude ver o contorno do sutiã. eu não acho nada. quase sem voz. aproximou sua boca de minha orelha. fala vai, o que você acha?. você está bem. gaguejando. sentou. pousou sua mão em minha coxa. dedos carinhosos. unhas bem cuidadas. palma macia fazendo círculos lentos sobre minha calça. café de verdade com uma mulher de verdade. estou atrasado, vamos!. paguei o café.


bernini_proserpina3

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

dentro do carro. essa mulher é minha filha lembro dela criança nos seios de minha mulher em meu colo na rua de amarelinha na escola chorando saindo com as amigas de repente acorda de cabelos curtos pescoço longo pernas longas cintura curta sei que nunca terei coragem de fazer algo mais que beijos na bochecha abraços mão no ombro nas costas na barriga mas vou pensar nela semanas meses anos dias horas até ela casar com algum idiota com dinheiro – nunca será minha – mas continuarei abraçando beijando tocando ainda casada – sempre será minha – seu corpo escultural é parte do meu e meu sangue ferve em seus músculos e ela brotou de meu sêmen e eu a quero de volta quero a boca macia que me sussurra quero suas mãos dedos longos unhas curtas – nunca será minha – vou imaginar seu rosto de marfim e olhar para o de granito de sua mãe e vou acabar com meu caso e não suporto aquela mulher desengonçada e vou homenagear todo dia minha filha no banheiro da firma mas nunca serei capaz de tocá-la porque sou covarde porque sou escroto.


FrutosProibidos Carlos Zéfiro

Upload feito originalmente por Jornal do Porão

chegamos na escola. nunca será minha. ela soltou o cinto de segurança e me deu um beijo.

na boca.

newton peron


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