me gustán las muchachas putanas de Mário Bortolotto

11/05/2012

Literatura – De Mário Bortolotto, Me Gustán las Muchachas Putanas

Na voz de Mário Bortolotto

Me Gustán las Muchachas Putanas

Dessas que chupam as bolas,
que entram de sola.
Das que não têm meio termo,
que abrem as pernas
e não pedem arrego.
Dessas depiladas, peladas, liberadas,
eu as quero desarmadas,
eu as quero de boca esporrada,
eu as quero do jeito que for,
eu as quero tocando bongô,
com a boca no microfone,
chamando meu nome,
no meio da chuva.
Dessas que passam gel no cabelo,
que a gente flagra no banco traseiro do carro.
Dessas que dizem os diabos,
que agarram o seu pescoço,
que sempre tem um troco.
Dessas com aros em forma de brinco,
que sabem segurar um pinto,
essas entendem o que eu sinto,
essas sabem que eu não brinco.
Elas se entopem de vodca,
assistindo MTV,
essas nunca vão chorar por você,
elas não vão mentir pra você,
elas não têm porquê.
Elas não vão contar história,
elas não vão dizer que você foi a melhor foda,
não vão querer o seu sangue, só o seu dinheiro,
não vão querer flores nem caixa de bombons,
não te arrastam pra igreja,
elas só se enxarcam de cerveja.
E se eu digo ‘pra mim chega’,
elas guardam o batom e vão embora.
Elas nunca estão de calcinha quando descem as escadas,
elas estão sempre dançando, mordendo,
chegando de táxi a uma da manhã,
elas não são puras, elas são putas.
Elas não querem o céu,
elas não sabem quem é Nina Simone,
elas não querem meu número de telefone.
Paixão elas tiram de letra,
elas encaram qualquer treta,
com uma bela chave de buceta.
Eu adoro essas putas loucas,
caindo de boca,
que nunca ouviram um blues,
elas fazem chupeta
e dão o cu.
Eu as quero sujas,
num beco escuro, atrás do muro,
meu pau duro abrindo caminho,
desprezando carinho,
fissura de vinho na segunda-feira,
gozando de primeira,
comendo pastel na feira.
Eu as quero maquiadas,
peladas, desbocadas,
a mi me gusta.
Que se fodam as puras,
que gozem as putas.

MAIS LIDOS DE 2011
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Lançamento da 33ª edição da Revista
Studium será no dia 11 de maio

Divulgação Studium
O lançamento da 33ª edição da Revista Studium, patrocinada pelo Fundo de Investimento de Campinas (FICC) da Secretaria de Cultura de Campinas, será realizado no dia 11 de maio, às 12 horas, na Galeria do Instituto de Artes da Unicamp e estará disponível no mesmo dia no site


AMOR CRISTÃO, de Marcelino Freire

20/02/2011

Publicado, aqui neste jornaldoporao, em 20 de fevereiro de 2010. Neste um ano, é um texto sempre lido. E quando vou falar deste blog acabo recomendando sua leitura. Então aqui vai, republicado, AMOR CRISTÃO, de Marcelino Freire, neste 20 de fevereiro de 2011.

Amor é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga. Na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa. Como todo grande amor. A sua marca.

Amor é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que a minha mulher fez para aquele pentelho comer. Filhinho de papai. Lá no cativeiro. Por mim ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta. Meu irmão. Amor que sobe. Desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que de repente nos assalta. Sem explicação. Amor salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue. Meu filho. Não é amor.

Do “Rasif – mar que arrebenta” (ed.Record, 2008)


A CRISE DO CAPITAL – AS GUERRAS DE OBOMA E O ATUAL MOMENTO DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL, com Gilson Dantas

28/09/2010

CONVITE PARA A PRÓXIMA ATIVIDADE NA CASA HERMÍNIO SACCHETTA, sexta-feira 01/10/2010
“Aproveitamos para fazer dois convites: Neste dia primeiro (sexta-feira), teremos um debate com Gilson Dantas, editor da revista Contra a Corrente e militante da LER-QI, sobre as Guerras de Obama e o atual estágio da crise econômica mundial;




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Upload feito originalmente por Jornal do Porão

e no dia 2 (sábado), exibiremos o filme 4 meses, 3 semanas e 2 dias, seguido de um debate com o grupo de mulheres Pão e Rosas sobre a legalização do aborto (confira aqui a programação completa). Compareçam!”

SARAU UM GRANDE SUCESSO




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Upload feito originalmente por Jornal do Porão




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Upload feito originalmente por Jornal do Porão

O lançamento da Casa Hermínio Sacchetta, na sexta-feira foi um tremendo sucesso, as 200 pessoas que por lá passaram sabem disso e os leitores deste Jornal do Porão também. Mas um sarau onde passaram mais de 100 pessoas e que, no momento de maior público, tinha 85 atentos participantes das leituras e falas de poemas, tanto de poetas consagrados como de poetas do público. Foi um momento único. Portanto difícil será repetir. E para quem não viu, tento dar uma pálida e fragmentária idéia do que lá se passou através de um álbum de fotografias que está no flickr.




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Upload feito originalmente por Jornal do Porão

Para ter acesso ao álbum é só colocar o mouse sobre a foto aqui

E para ter um balanço dos organizadores vá ao blog da casa Hermínio Sacchetta, clicando aqui

Na próxima sexta-feira, 01/10, terá um debate sobre A CRISE DO CAPITAL – AS GUERRAS DE OBOMA E O ATUAL MOMENTO DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL, com Gilson Dantas. Veja convocatória completa no blog da Casa Hermínio Sacchetta


POÉTICA, de Manuel Bandeira

18/02/2010

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

trechos do poema na voz do “bêbado” Brunão


POESIA NA TRIBO

08/02/2010

Ponto de vista

Leila Míccolis

Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes

Ah! a poesia, que tudo põe a nu.

O bom filho a casa torra, Editora Blocos, 199

ou em POESIA NA TRIBO, Ed. da Tribo, 1997

PRECE PÓS-MODERNA
de Ulisses Tavares

a utopia virou pecado.
ajoelhem-se, revolucionários.
penitência, pirados.
jejum total, poetas.
mea culpa, mea máxima culpa,
em nome do pai e dos filhos
da puta, amém.

No “Poesia na Tribo vol. 1″, Ed. da tribo, 1997


BUROCRACIA, de Francisco Carvalho

21/12/2009

Burocracia
Francisco Carvalho

[clique aqui e ouça a voz de Antônio Abujamra e outros vídeos sobre burocracia]

Burocratas te advertem que a aurora foi abolida
por tempo indeterminado.
Comunicam-te que o trigo e o vento serão exportados para o arco-íris.
Aconselham-te a esquecer
o corpo ensangüentado dos acontecimentos.
Eles te ensinam que o orvalho não cai sobre aqueles que semeiam dúvidas.
Mandam esvaziar tuas palavras de toda a possível reminiscência.
Eles te fiscalizam do alto dos edifícios, escanchados nalgum dragão lunar.
Eles te dão um ataúde azul
e te ordenam que é tempo de morrer.

Ouça: [ 56kb ] – necessário Windows Media
(clique aqui para ouvir a Interpretação livre de Antônio Abujamra)


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